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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, abril 22, 2012

Crime em Colégio

 

 Atenção, Ministério Público 

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco (SAFO), ao cumprimentar os presentes nesta grandiosa quermesse em louvor de Nossa Senhora da Mais Completa Obtusidade Religiosa, informa que neste colégio adventista este professor está a mentir de forma criminosa para seus alunos.
Observem que para esta gente obtusa, os fósseis foram "formados na época do dilúvio", como se vê no lado esquerdo da lousa.
Confiram, aqui, que "Os alunos do 6º ano com a supervisão do professor Toni Carlos Sanches tiveram uma aula de História diferente. Simularam a produção de fósseis. Foi uma aula interessante. A discussão girou em torno da questão se os fósseis se formaram há milhões de anos atrás como sugere o Evolucionismo, ou, se foram formados há milhares de anos atrás por ocasião do Dilúvio, como sugere o Criacionismo. Após os experimentos os alunos ficaram entusiasmados e muitos confirmaram a crença em um dilúvio universal."
Se quiserem contar esta lorota em seus cultos e funções religiosas, tudo bem, a Constituição lhes garante este direito.
Agora, transmitir tamanha sandice religiosa numa sala de aula, bem, isto para mim é crime contra o futuro dos alunos, e tanto é que alguns passaram a acreditar nesta porcaria.
E depois querem que eu respeite religiões.
*O Ornitorrinco

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