Descansem em paz
Um velho carquetico e caduco dá uma entrevista, diz besteiras e ainda tem quem leve isto a sério. Quanta bobagem.
Os tempos são outros e os militares tem consciência do que representam
para o Brasil. Nada a ver com os tempos de coturnos, canhões e tortura.
Deixem os velhos saudosistas dos anos de chumbo morrerem em paz.
Eles também são humanos e cidadãos - apesar de tudo - merecem respeito.
Requiem in pacem!
*Briguilino
A ameaça de golpe militar do general Leônidas Pires Gonçalves
Via Vermelho
O
general Leônidas Pires Gonçalves, um dos principais dirigentes da fase
final da ditadura militar de 1964 e porta voz do Exército e do ainda
presente poderio militar durante a presidência de José Sarney
(1985-1990), do qual foi ministro do Exército, saiu para o ataque contra
a presidente Dilma Rousseff e a Comissão da Verdade.
José Carlos Ruy
O general Leônidas Pires Gonçalves no tempo em que tinha poder...
O general, que tem 91 anos de idade, foi entrevistado pelo jornal O Estado de S. Paulo hoje
(18), e terminou a conversa com a repórter Tânia Monteiro com a
tradicional ameaça golpista dos militares de sua geração que tiveram
papel de destaque na ditadura militar. Respondendo à hipótese de mudança
na Lei de Anistia, ele a defende com base na decisão do Supremo
Tribunal Federal que, em 2010, chancelou a lei, e pôs as cartas na mesa:
“Se quiserem fazer pressão no Supremo, o poder moderador tem de entrar
em atuação no país”.
É uma ameaça clara: “poder
moderador” é o eufemismo usado por estudiosos, chefes militares e
políticos de gerações mais antigas, como a do general, para referir-se
às Forças Armadas e sua intervenção golpista contra a normalidade
democrática.
Isto é, contra a Comissão da
Verdade e diante da perspectiva de responsabilização de agentes civis e
militares da repressão que cometeram atrocidades durante a ditadura, o
general tenta sacar o tacape.
Leônidas Pires
Gonçalves foi o responsável pelo Doi-Codi no Rio de Janeiro entre abril
de 1974 e janeiro de 1977. Nesta condição, foi o comandante da repressão
contra a reunião do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil em 16
de dezembro de 1976, tragicamente conhecida como Chacina da Lapa, que
assassinou a tiros os dirigentes Pedro Pomar e Ângelo Arroyo e sob
tortura João Batista Drummond, além da prisão de outros militantes e
dirigentes submetidos a bárbaras sessões de tortura.
O
general classifica a Comissão da Verdade recém-instalada como "uma
moeda falsa, que só tem um lado" e critica a presidente Dilma Rousseff
dizendo que ela deveria deixar de olhar o passado e olhar "para o futuro
do País".
Ele repete a desmoralizada ladainha
de que as ações referentes aos crimes cometidos pela repressão durante a
ditadura envolvem dois lados (o outro é o daqueles que resistiram à
ditadura e lutaram contra ela) e que a anistia - significando
esquecimento - deveria deixar a ação da repressão no limbo da história. É
o erro que cometem os conservadores e aqueles que, civis ou militares,
participaram direta ou indiretamente daqueles crimes que, no Brasil,
nunca foram examinados, investigados e menos ainda punidos.
O
Brasil já pagou um alto preço pelo erro histórico de colocar uma pedra
sobre crimes dessa natureza. Durante os debates sobre as Disposições
Transitórias da Constituição que iriam aprovar, em setembro de 1946, os
deputados constituintes do Partido Comunista do Brasil insistiram na
necessidade da dissolução das polícias políticas e “especiais” e da
instauração de “processo criminal contra os carcereiros e policiais
responsáveis por crimes e espancamentos na pessoa dos presos políticos”.
O deputado comunista João Amazonas, em apoio à
exigência feita pela bancada, foi claro. É necessário, disse,
“dissolver essa polícia política que, ainda hoje, é constituída dos
mesmos assassinos, espancadores e torturadores do povo”. Citou
especificamente um desses criminosos, “certo espancador, de nome Boré”,
que organizou um núcleo “trabalhista” na polícia política para invadir
sindicatos, espionar locais de trabalho, espancar e prender operários.
Claudino José da Silva, que era ferroviário (e o único parlamentar negro
daquela Assembleia), fortaleceu a argumentação dizendo que “o policial
que maltrata, espanca, sevicia um preso político, pode e deve ser
qualificado como um criminoso comum, merecendo por isso mesmo os
castigos da lei penal”.
A maioria conservadora
daquela Assembleia Constituinte rejeitou a proposta comunista. “Olhando
para o futuro”, como quer o general que comandou o Doi-Codi do Rio de
Janeiro, poupou e manteve em seus cargos os “Borés”, assassinos e
torturadores, que participariam mais tarde do golpe militar de 1964 e
proliferariam nos porões da repressão política comandada por oficiais
como Leônidas Pires Gonçalves.
Olhar para o
futuro implica em corrigir o passado, responsabilizar os que cometeram
crimes sob o manto do Estado e criar as condições de plenitude
democrática onde ações criminosas cometidas por agentes públicos contra
pessoas postas sob a custódia do Estado sejam qualificadas como crime
comum, como queria Claudino José da Silva há 66 anos atrás.
*GilsonSampaio


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