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quarta-feira, abril 28, 2010

Governo define prioridades do Programa Nuclear Brasileiro

A conquista da autossuficiência na produção industrial de urânio enriquecido, a construção de novas usinas para produção de energia elétrica e o desenvolvimento de um reator multipropósito foram definidos como prioritários hoje por um grupo de especialistas reunidos em Brasília para tratar do futuro do programa nuclear brasileiro.
“O Brasil tem as condições ideais para se tornar um supridor confiável de urânio enriquecido nos próximos anos porque domina a tecnologia e tem amplas reservas de urânio”, disse o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, na abertura do encontro.
O encontro “Rumo a 2022: desafios estratégicos para o programa nuclear brasileiro”, promovido pela SAE, encerrado hoje, contou com a participação de especialistas que enfatizaram a necessidade de transformar a política nuclear em uma política de Estado.
A prioridade de se levar adiante a política nuclear, sobre cujas ações e metas houve elevado consenso durante o Seminário promovido pela SAE, permitirá a necessária continuidade no suprimento de recursos financeiros indispensáveis ao desenvolvimento de diversas aplicações pacíficas da tecnologia nuclear.
A autossuficiência no ciclo industrial, estimada para 2014, permitirá ao Brasil tornar-se um supridor internacional confiável de serviços de conversão e de enriquecimento de urânio.
Mantida a continuidade dos programas em curso, o Brasil terá condições de suprir as próprias necessidades de combustível nuclear. Isso significa aproveitar-se de sua condição de sexto produtor mundial de urânio para abastecer a usina de Angra 3, cuja entrada em operações está prevista para 2015, e no mínimo outras quatro usinas, a serem construídas no Nordeste e Sudeste até 2030. Segundo dados recentes, a partir de 2025 a energia nuclear será a fonte mais barata para complementar a produção hidroelétrica do país.
Além disso, o País terá condições de exportar urânio enriquecido. Estima-se um grande crescimento da demanda mundial pelo produto nos próximos 20 anos. A partir de 2020, a capacidade instalada no mundo poderá não atender à demanda.
O Seminário abordou também a escassez de molibdênio no mercado internacional, em conseqüência da suspensão de operações de reatores no Canadá e na Holanda. Esse fato ocasionou uma alta de 400% nos preços do produto, do qual se extrai o tecnécio 99, utilizado em aparelhos de tomografia, em exames de cintilografia e na produção de fármacos.
Essa conjuntura acentuou a relevância do projeto de construção do Reator Multipropósito Brasileiro, que envolve instituições vinculadas aos ministérios de Ciência e Tecnologia e Defesa, além de instituições acadêmicas. O projeto tem custo estimado em US$ 500 milhões, a serem desembolsados em cinco anos.

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