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quinta-feira, março 01, 2012


Gilmar desmoraliza juízes
e defende privilégios


Justiça de 1ª instância não funciona, diz Mendes


Ex-presidente do STF afirma que fim do foro privilegiado para políticos é solução ‘errada’


FELIPE SELIGMAN

DE BRASÍLIA


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes disse ontem que o país necessita fazer “uma reforma completa do sistema de Justiça criminal” e que a primeira instância do Judiciário “não funciona” no país.


O ministro deu as declarações durante sessão no tribunal, ao comentar o caderno “A Engrenagem da Impunidade”, publicado pela Folha no último domingo.


As reportagens revelaram que falhas e omissões cometidas por juízes, procuradores da República e policiais federais estão na raiz da impunidade de políticos que têm direito a foro privilegiado no Supremo.


Segundo a legislação, ministros, senadores e deputados federais, entre outras autoridades, só podem ser processadas e julgadas no STF.


Mendes disse que temas “extremamente complexos” dão origem a “soluções simples e, em geral, erradas”, numa referência à proposta de extinção do foro privilegiado.


“Recentemente o grande jornal Folha de S.Paulo publicou uma matéria sobre o funcionamento do foro privilegiado. E logo alguns apressados chegaram à conclusão: o foro privilegiado funciona mal, logo funciona bem o primeiro grau. Certo? Não. Errado. Não funciona bem o primeiro grau também no país.”


Entre as reportagens publicadas pelo jornal, havia uma entrevista com um colega de Mendes no STF, o ministro Celso de Mello, na qual ele defendia a supressão “pura e simples” do foro especial.


Mello observou que o foro para senadores e deputados federais, que representam a imensa maioria dos processos hoje em andamento no STF, só foi criado em 1969, durante a ditadura militar.


Ontem, no tribunal, Gilmar Mendes disse que o Judiciário de primeira instância tem sérios problemas estruturais. “Falta defensor, falta juiz, falta promotor.”


(…)


As principais entidades de juízes e procuradores da República e a corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, defendem a extinção do foro. Ela disse que o mecanismo “é próprio de ‘república das bananas’”.

Navalha
O amigo navegante há de se lembrar que, no jornal nacional do Ali Kamel, um dos 3009 assessores (sic) de Daniel Dantas – clique aqui para ver vídeo em que ele passa bola e que Gilmar Dantas (*) ignorou – disse que o banqueiro condenado só tinha a temer a Primeira Instância (leia-se Fausto de Sanctis, que o prendeu duas vezes).
Porque, nas instâncias superiores, o banqueiro condenado “tinha facilidades”…
Quem sabe, pergunto aos botões do Mino Carta, quem sabe Daniel Dantas tem, no Brasil – e só aqui -, “foro privilegiado”?
Sobre Gilmar Dantas, leia também “Gilmar, Kamel, Heraldo – como PHA se defendeu”.

Paulo Henrique Amorim

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