Santinhos de toga
As condenações de José Genoino e José Dirceu
sempre estiveram entre os objetivos maiores do julgamento no STF. Desde muito
cedo ficou evidente que ali se orquestrava um ritual político de previsível desfecho. Agora também compreendemos o método incomum de votação adotado por
Joaquim Barbosa: além de promover a sangria cíclica e continuada de todas as
reputações envolvidas, permitia o sacrifício dos protagonistas nos últimos dias
que antecederam o primeiro turno eleitoral. A estratégia falhou por um atraso
qualquer nos procedimentos, mas parece bastante clara.
Esse clima partidário talvez desapareça no dia 28
de outubro, quando os ministros magicamente recuperarem a pose serena que seus
cargos e a história do tribunal exigem. Até lá, serão transformados em cabos eleitorais oposicionistas, já não importa se voluntários ou a contragosto, na última
e desesperada tentativa dos grandes veículos de comunicação para influenciar os
votos decisivos. Quem lamentava o empobrecimento programático das campanhas
municipais não perde por esperar.
*GuilhermeScalzilli

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