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terça-feira, novembro 06, 2012

A crítica à religião como exercício democrático

por Paulo Jonas de Lima Piva

Discordo de Marx e me aproximo de Michel Onfray no seguinte ponto: discutir religião é importante, como é importante também posicionar-se criticamente em face da política, da economia, dos costumes e de tudo o que compõe o nosso cotidiano e, de modo direto e indireto, afeta nossas vidas. E discutir franca e abertamente, sem blindagens de temas ou censura de assuntos, afinal, por mais problemas que tenham, nossa sociedade norteia-se pelas luzes da racionalidade. Assim sendo, crítica à religião não é sinônimo de intolerância, tampouco faz do seu crítico necessariamente um fanático ou um religioso às avessas, como querem alguns religiosos incomodados com a discussão. A crítica à religião, ao contrário, é um exercício democrático, num certo sentido, uma necessidade da democracia, e, sobretudo, um direito dos que se interessam pela questão, uma vez que a democracia é o regime que tem na liberdade de pensamento e na garantia da pluralidade de crenças e descrenças as suas principais virtudes civilizatórias. E a ferramenta, terreno e limite para esse exercício é a argumentação, nem sempre agradável para um lado do debate. Já o valor nuclear desse debate será a capacidade de ouvir e conviver com a sua antítese, ou seja, ter estrutura psicológica para dialogar com o diferente, outro nome para "tolerância".

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