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sexta-feira, março 29, 2013

O novo Papa e o velho fundamentalismo

Pio XII e Hitler


Por Cléber Sérgio de Seixas

Como assinalou o jornalista Luiz Carlos Azenha, o Papa escolhido terá a dupla tarefa de "frear os evangélicos e a esquerda na América Latina". Jorge Mario Bergoglio está para os evangélicos e para as esquerdas latino-americanas assim como Karol Wojtyla estava para o comunismo polonês. Um homem forte, que supostamente fora conivente com um regime forte – uma ditadura, para ser mais exato –, seria o ideal para contrapor-se aos regimes de esquerda que pululam na América ao sul do Rio Bravo. Seria também o homem certo para combater o crescimento das igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais, que com seus pastores midiáticos, cuja pregação centra-se no evangelho da prosperidade, dia-a-dia arranca fiéis das fileiras do catolicismo. A esquerda dentro da Igreja e sua “opção pelos pobres” também poderia ser alvo das investidas do novo Papa.

Engana-se quem pensa que o Sumo Pontífice será apenas o pastor do rebanho católico mundial. A História revela que os papas também agiam na esfera política e, salvo raríssimas exceções, sempre se posicionaram de forma conservadora ao lado das classes dominantes. Vide o exemplo de Pio XII, cuja omissão à perseguição aos judeus empreendida pelos nazistas lhe fez merecer de John Cornwell a alcunha de “O Papa de Hitler” em livro homônimo. É bom lembrar que no Brasil da primeira metade dos anos 60 a cúpula católica fora francamente contrária aos rumos progressistas tomados pelo governo Jango, tendo organizado, sob a batuta do padre irlandês Patrick Peyton, a famigerada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, e louvado o golpe de 01 de abril de 64. O objetivo maior era deter o “perigo vermelho” supostamente aliado a Goulart. Só após o endurecimento do regime - quando jovens filhos de “boas mães católicas” começaram a ser trucidados nos porões da ditadura - e após os posicionamentos em defesa dos direitos humanos de alguns clérigos e alas da Igreja, com foi o caso dos frades dominicanos e de Dom Hélder Câmara – a Igreja assumiu uma postura crítica aos generais.
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*observadoressociais

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