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domingo, maio 05, 2013

"STF paga viagem de jornalista do Globo" . 05/05/2013



Eis um caso inaceitável de infração de ética de mão dupla.

Barbosa na Costa Rica
 Barbosa na Costa Rica

Era uma boca-livre promovida por João Dória, e o editor voltou dela repleto de brindes caros, outro foco pernicioso de corrupção nas redações. 
Fiquei absolutamente indignado quando soube, e isso me motivou a fazer de imediato um código de ética na editora. 
Surgiu um conflito do qual resultaria minha saída. Dias depois de meu desligamento, o editor voltou a fazer outra viagem bancada por Dória, e desta vez internacional. 
Bem, na companhia do editor foi o diretor geral da editora, Fred Kachar, um dos maiores frequentadores de boca livre do circuito da mídia brasileira. 
Isto é Globo. 
De volta à viagem de Costa Rica. Quando ficou claro que viagens pagas não podiam ser aceitas eticamente, foi a Folha que trouxe uma gambiarra ridícula. 
A Folha passou a adotar o expediente que se viu agora no Globo: avisar que estava prevaricando, como se isso resolvesse o caso da prevaricação. 
A transparência, nesta situação, apenas amplia a indecência. 
A Globo sabe disso. 
Mas quando se trata de dinheiro seus limites morais são indescritivelmente frouxos. 
Durante muito tempo, as empresas jornalísticas justificaram este pecado com a alegação de que não tinham dinheiro suficiente para bancar viagens. 
Quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington. 
Veja o patrimônio pessoal dos donos da Globo, caso tenha alguma dúvida. É ganância e despudor misturados – e o sentimento cínico de que o leitor brasileiro não repara em nada a engole tudo. 
Então a Globo sabe que não deveria fazer o que fez. 
E o Supremo, não tem noção disso? 
É o dinheiro público torrado numa cobertura jornalística que será torta moralmente, é uma relação promíscua – mídia e judiciário – alimentada na sombra. 
Para usar a teoria do domínio dos fatos, minha presunção é que o Supremo não imaginava que viesse à luz, num asterisco, a informação de que dinheiro do contribuinte estava sendo usado para bancar a viagem da jornalista do Globo. 
Como dizia meu professor de jornalismo nas madrugadas de fechamento de revista, quando um texto capital chegava a ele e tinha que ser reescrito contra o relógio da gráfica, a quem apelar? 
Paulo Nogueira. Jornalista baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises 
Diário do Centro do Mundo. 
do Blog do ContrapontoPIG
*cutucandodeleve

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