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sexta-feira, agosto 16, 2013

Que necessidade tem Jesus Cristo de tantas virgens loucas? Diderot no cinema: "A Religiosa"




por Paulo Jonas de Lima Piva

Lemos na página 130 de A Religiosa, de Denis Diderot (1713-1784), na tradução de J. Guinsburg, da  editora Perspectiva, um ataque fulminante à estupidez da vida monástica católica. É um religioso que fala:

"Os conventos são, pois, tão essenciais à constituição de um Estado? Jesus Cristo instituiu monges e religiosas? A Igreja não pode absolutamente passar sem eles? Que necessidade tem o esposo de tantas virgens loucas e a espécie humana de tantas vítimas? Não se sentirá jamais a necessidade de estreitar a abertura desses abismos em que as futuras raças vão se perder? Todas as preces de rotina que aí se fazem valem um óbulo que a comiseração dá a um pobre? Deus, que criou o homem sociável, aprova que ele se encerre? Deus, que o criou tão inconstante, tão frágil, pode autorizar a temeridade de seus votos? Esses votos, que ferem o pendor geral da natureza, podem eles ser jamais observados, a não ser por algumas criaturas mal organizadas, em que os germes da paixão murcharam e que a gente alinharia, com toda a razão entre os monstros, se nossas luzes nos permitissem conhecer tão facilmente e tão bem a estrutura interior do homem quanto sua forma exterior? (...) Onde é que a natureza, revoltada ante uma coerção para a qual ela não foi de modo algum feita, rompe os obstáculos que lhe são opostos, torna-se furiosa, joga a economia animal em uma desordem para a qual não há mais remédio?".

Abaixo, o trailer legendado de uma segunda versão do romance para o cinema:


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