Páginas
▼
sexta-feira, outubro 04, 2013
A Mansão Matarazzo poderia ser um museu e parque na Avenida Paulista. Por que isso não ocorreu?
Interessantes notícias mostram que a mídia tem dado apoio à Promotoria da Habitação, que está dificultando a inauguração de mais um shopping com torre de escritórios na Avenida Paulista, onde era a Mansão Matarazzo. O juiz Murillo D'Avila Vianna Cotrim, da 5ª vara da Fazenda Pública de SP, acolheu parcialmente uma ação civil pública proposta e determinou que a construtora faça um relatório de impacto de vizinhança e de tráfego, e execute obras para amenizar os efeitos no entorno do empreendimento, previsto para ser inaugurado em novembro de 2014, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
O empreendimento será mais uma tremenda fonte de atração e despejo de carros na já congestionada região. Mídia e promotoria fazem questão de lembrar a sacanagem dos herdeiros dessa família, que para evitar tombamento, derrubaram a mansão durante algumas poucas horas, inviabilizando qualquer ação da comunidade em sua defesa.
Na época, Luiza Erundina fora eleita prefeita e estava no início de sua gestão. Pobre, nordestina, mulher, petista, atrevida, Luíza enfrentava toda sorte de preconceitos. Tomando conhecimento do fato, tentou desapropriar a área da mansão. Em vez de termos mais uma torre, teríamos um parque e um museu, como planejado pela prefeita.
A mídia caiu matando, não faltou quem dissesse que a prefeita delirava, que fazia dívidas que o município não conseguiria pagar, que era incompetente, que estava se vingando de uma família tradicional da cidade e etc. Foram manchetes e mais manchetes, que açularam o Ministério Público e o Poder Judiciário. A sociedade organizada e setores populares ainda não tinham força acumulada e a prefeita teve que recuar. Em vez de termos uma área de lazer e um parque, mais uma atração turística, mais um marco da história da cidade, temos mais um problema, no mínimo mais uma torre de escritório com 21 andares e um templo de compras agravando os congestionamentos na região. A mídia deveria estar se refestelando pela vitória. Os paulistanos devem se lamentar e não a mídia ou os que combateram a prefeita na época.
É bom lembrar episódios como esse, repetidos quando da implantação do bolsa-família e do início da implantação dos corredores de ônibus e agora com o “mais médicos”. Memória e arquivos devem ser acumulados, para mostrar o lado truculento e atrasado da sociedade. No momento, a sociedade tem diversas oportunidades de criar parques e tombar prédios históricos. Um desses parques pode ser criado no terreno existente na Rua Caio Prado com Rua Augusta, uma região que precisa ser revitalizada. Não percamos a oportunidade.
*Nassif

Nenhum comentário:
Postar um comentário