BLACK BLOC PÕE EM CHEQUE O ESTADO DE DIREITO POLICIAL, NÃO O ESTADO
Os Black Bloc e os protestos em geral estão colocando em cheque o
Estado de Direito Policial, não o Estado de Direito. O Estado Policial é
o estado em que a polícia é a própria lei.
As ações dos Black Blocs e as manifestações estão expondo de forma
vergonhosa as obscenidades do Estado de Direito Policial que se firmou
no Brasil com a Ditadura de 64 e vive impunemente no interior da
democracia.
A democracia foi reestabelecida, mas a herança do horror da ditadura permanece no cotidiano das ruas, das favelas, da periferia.
O aparelho do Estado Policial que torturava e matava militantes
políticos não foi destruído com a volta das eleições democráticas.
O aparelho do Estado Policial foi transferido para o combate nas
periferias, matando e torturando pobres e negros, principalmente, e
chantageando jovens brancos da classe média. Esse Estado se mantém em
permanente guerra civil contra as drogas. O mesmo soldado que é jogado
nessa guerra do tráfico é o que atende a população. É um Estado que
coloca o soldado em estado de guerra permanente.
O Estado de Direito Policial está presente no cotidiano, na
existência aberrante de uma Justiça Militar, na dificuldade de se apurar
os crimes da ditadura, nas torturas de inocentes em delegacias, no
discurso vazio e sem contexto do “vandalismo”, no discurso da “ordem”,
na criminalização de movimentos sociais.
Quem já não sentiu na pele um policial dizendo que a polícia também é
a lei para jogar a lei na lata do lixo e estabelecer a barbárie. Ou
seja, o Estado Policial persiste desde a Ditadura, mas estava restrito à
periferia.
Quantos jovens, negros, trabalhadores, inocentes não foram mortos
nesses últimos 30 anos por policiais nas periferias? Quem se lembra da
Favela Naval e tantos outros casos de assassinatos?
Talvez o filme mais idiota da cinematografia brasileira, O Tropa de
Elite, expõe de forma evidente esse Estado Policial e sua filosofia.
Os Black Blocs trouxeram esse Estado Policial para o centro da
cidade, o colocaram em contato com a classe média, expuseram suas
entranhas e sua violência por meio de celulares.
O PT, partido que surgiu e lutou contra esse Estado Policial, está
hoje em um impasse. Uns, mais governistas e preocupados exclusivamente
com as eleições do ano que vem, estão se filiando ao discurso bélico da
extrema direita; outros, tentam encontrar uma saída. Nos protestos de
Junho, o governo Dilma Rousseff conseguiu avançar, mas conseguirá agora
ou vai retroceder e reforçar o Estado Policial?
É hora de rever o Estado Policial e a desigualdade social que se
mantém sob a mira da bala e do cassetete. A polícia não pode ser a lei,
ela deve cumprir a lei. É bom lembrar que tudo começou com uma ação
criminosa da Polícia Militar de São Paulo em Junho deste ano.
*Educaçãopolitica
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