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terça-feira, fevereiro 04, 2014

Ribeirão das Neves e a privatização dos presídios


O CPPP de Ribeirão das Neves (Foto: Brasil de Fato)

Por Cléber Sérgio de Seixas

O Brasil possui a 4ª maior população carcerária do mundo, perdendo apenas para a Rússia, a China e os EUA. São cerca de 580 mil presos, enquanto há apenas 300 mil vagas, o que leva a uma superlotação de aproximadamente 280 mil pessoas.

Os recentes e trágicos episódios ocorridos dentro e fora do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, São Luís (MA), trouxeram novamente à baila a ineficiência do modelo prisional brasileiro. Trata-se, sem dúvida, de um sistema falido, que ao invés de recuperar o detento, devolve-o à sociedade pior do que quando ingressou no cárcere. Há quem defenda um sistema correcional o mais animalesco possível para purgar os presos de todos os seus males. Considerando isto, algumas observações se fazem necessárias.

“Marginal tem que sofrer”, “bandido bom é bandido morto”, “direitos humanos são para humanos direitos”, são frases ditas pelos mais afoitos. Uma discussão a respeito de direitos humanos também deveria por em relevo os daqueles que estão fora das grades, ou seja, o direito dos cidadãos de receber de volta ao seio societário um ser humano recuperado, não uma besta-fera disposta a cometer crimes piores do que aqueles que motivaram seu encarceramento. Em outras palavras, o desrespeito aos direitos humanos dos encarcerados redundará na devolução à sociedade de um indivíduo que não hesitará em desrespeitar os direitos humanos alheios. O ódio que for gestado no detento durante o período de “ressocialização” será levado para além dos muros da prisão quando do retorno ao convívio social. Tudo o que de ruim se aprender dentro das grades será posto em prática nas ruas. Deve-se considerar, também, que a privação de liberdade é uma das piores punições a que se pode submeter um ser humano. 

Outro aspecto a ser considerado é que a violência desmedida contra detentos pode levá-los a criar mecanismos de defesa paralelos ao arcabouço jurídico-legal, como foi a criação da organização criminosa PCC, para muitos uma resposta ao Massacre do Carandiru.

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