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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
quinta-feira, agosto 22, 2013
Se não é para rever o que está errado, o que faz um ministro de corte suprema ?
Se não é para rever o que está errado, o que faz um ministro de corte suprema ?
artigo de Janio de Freitas:
Lá como cá
(…)
Na primeira fase do julgamento do mensalão, a ansiedade por condenação dos petistas traduziu-se também em complacência ou silêncio sobre as exaltações e agressividades de Joaquim Barbosa. Agora os comentários liberaram-se. Imagem do STF atingida, e não menos a dos próprios ministros, convinha o curativo. Quanto seus efeitos perdurarão, não há quem saiba. Nem mesmo o explosivo presidente.
Como resultado judicial, a “chicana” de que Joaquim Barbosa acusou Ricardo Lewandowski era uma tese agora aplaudida por Luís Roberto Barroso e apoiada pelos votos de Marco Aurélio Mello e José Antonio Dias Toffoli. O primeiro dos três não votou a favor da tese, por entender que é questão aprovada quando ainda não chegara ao tribunal, e não pretender “achar que a sessão começa quando ele chega”.
Mas, se nota que o filme está invertido, deveria fazer a sessão recomeçar, sim. Para aprimorar os julgamentos é que recebeu a cadeira ambicionada. Seu argumento adicional não foi melhor: “teríamos que reabrir o processo”. E deixar uma sentença, seja de condenação ou de absolvição, prevalecer apesar de lhe parecer errada, contanto que não se reabra o processo, é mesmo próprio de magistrado?
Os pronunciamentos de ontem falaram muito nos direitos dos integrantes do Supremo, mas acharam desnecessário falar dos deveres. Também nisso, muito a ver com o lado cá de fora.
Como se sabe, Janio de Freitas escreveu o prefácio do livro de Paulo Moreira Leite, “A Outra História do Mensalão”.
Ele conhece TODAS as histórias do mensalão.Ali, ele diz:
“Antes de ser a Ação Penal 470 sob julgamento no Supremo Tribunal Federal, o chamado mensalão já estava sob uma ação penal Executada na imprensa, na TV (Globo – PHA), nas revistas e no rádio. Uma ação que mal começara e já chegava à condenação de determinados réus” (Dirceu, sobretudo – PHA).
(…)
“Há um preço alto a pagar por tudo isso. Ao lado da compreensão e do aplauso de muitos, a reação dos desagradados com a veracidade jornalística tem demonstrado, no decorrer da Ação Penal 470, uma carga de ódio e de ferocidade não perceptíveis desde a ditadura. Seria mais um efeito do modo prepotente como o julgamento foi impulsionado ?”
Pena que o Ministro Barroso, de liberal tradição, se tenha omitido, nesta fase de embargos declaratórios, diante da “veracidade jornalística demonstrada”.
Teria sido ele, Barroso, neste primeiro embate decisivo, vítima antecipada do “ódio e da ferocidade não perceptíveis desde a ditadura”?
Paulo Henrique Amorim
Vinda de cubanos reforça ódio ideológico ao PT
Na rede, os médicos são tratados
como "escravos de jaleco"; parlamentares da oposição, como Ronaldo
Caiado (DEM/GO) e Eduardo Azeredo (PSDB/MG), também alimentam a
gritaria e acusam o governo de querer mandar dinheiro para Fidel
Castro; ministro Padilha diz que cubanos que virão ao Brasil têm mais
de 15 anos de experiência e muitos falam português por terem
participado de missões em países lusófonos; na prática, eles irão para
cidades sem médicos, que não receberam inscrições de brasileiros
No 247
O anúncio oficial, pelo Ministério da Saúde, da vinda de quatro mil
médicos cubanos para trabalhar no Brasil tem reforçado o ódio ideológico
ao PT. Além de qualificar a ação do governo como "eleitoreira", o
presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, foi um
dos primeiros, depois do anúncio da contratação, a colocar em dúvida a
qualidade desses profissionais. Segundo ele, a atuação dos médicos
cubanos em outros países "é muito próxima de brigada militar, ao invés
de um profissional de saúde".
Nas redes sociais, as críticas de parlamentares da oposição também
foram duras. "Nossos companheiros na importação de médicos cubanos:
Bolivia.,Equador,Venezuela ,Haiti. Mas o Lula não disse q o SUS era
perfeito?", provocou o deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG), um dos réus
do chamado "mensalão tucano". "A máscara caiu!!! Padilha assina convênio
internacional para contratar 4 mil médicos cubanos", escreveu o
deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), que é médico.
Caiado reforçou a tese de que os profissionais cubanos são escravos de
jaleco "que não verão a cor do dinheiro" e ainda "serão cabos
eleitorais". Ele ainda acusou o governo de usar a OPAS (Organização
Panamericana de Saúde), com quem o Brasil assinou convênio, de "laranja"
para importar cubanos. "Vão pagar R$ 500 milhões para serem repassados
a Fidel Castro", ataca. "Já estamos avaliando os termos desse acordo e
não vamos admitir qualquer ação com base no trabalho médico escravo",
ameaçou, pelo Twitter.
O colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo seguiu a mesma linha de
que a contratação dos médicos cubanos é uma forma de o governo
brasileiro enviar dinheiro a Cuba. "Da forma como será, o Brasil será
conivente com a escravidão de médicos cubanos e ainda mandará dinheiro
para Cuba", escreveu na rede social. Até o escritor e novelista
Aguinaldo Silva fez sua provocação: "Enquanto examinam seus pacientes os
médicos cubanos vão conversar com eles sobre o quê? Os males do
capitalismo?".
As mensagens levam a uma simples conclusão: as críticas são
principalmente ideológicas, se referindo até mesmo a Fidel Castro, uma
forma de mostrar que o sistema de governo da ilha é o principal problema
para a contratação. Do time de críticos, ninguém sugere, no entanto,
uma solução para resolver o déficit de médicos nas 701 cidades
brasileiras que não foram escolhidas por nenhum profissional inscrito
até agora no Mais Médicos. De acordo com o convênio com a OPAS, os
cubanos trabalharão nesses municípios.
Em maio desse ano, quando o País cogitou a contratação de médicos
cubanos, mas acabou anunciando o programa Mais Médicos, que aceita a
inscrição de profissionais de qualquer país, a revista Veja escancarou
esse preconceito: declarou que a vinda dos cubanos irá inundar o Brasil
de espiões comunistas (relembre aqui).
"Deixar o Partido dos Trabalhadores comandar a política externa dá
nisso", diz o texto da jornalista Nathalia Watkins, usando uma linguagem
do tempo da Guerra Fria.
Contra os ataques, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esclarece,
por exemplo, que 84% dos médicos cubanos que vão atuar nesses
municípios têm mais de 16 anos de experiência. E que muitos falam
português por terem participado de missões em países lusófonos. Todos já
cumpriram missões em outros países e todos têm experiência em medicina
familiar e comunitária, uma grande carência em cidades pobres e
distantes das capitais no País. Confira o gráfico abaixo:
*cpmtextolivre
Desgoverno mundial totalitário
Via Correio da Cidadania
Adriano Benayon
01. Estamos diante de mudança qualitativa na situação mundial, tanto no plano econômico como no político.
02.
Depressão, desemprego crescente, concentração e financeirização
absurdamente elevadas - incompatíveis sequer com o pouco que restava do
estado de direito - têm levado ao Estado totalitário, cujas
instituições aplicam meios e armas tecnológicas, nunca dantes vistas,
para desinformar, espionar e reprimir as pessoas.
03.
Poucos países, como Rússia, China e Irã, não se comportam como capachos
do império anglo-americano, sofrendo, por isso, pressões militares,
políticas e constante campanha denegridora, apesar de com ele
colaborarem em muitos terrenos e questões (1). Nem esses se
desvencilharam plenamente da oligarquia financeira anglo-americana,
absoluta em numerosas nações subjugadas, de todos os continentes.
04.
Isso, inclusive, porque o império logra manter seu sistema financeiro
fraudulento, inclusive o dólar e o euro no grosso das transações
mundiais, e constituindo mais de 90% das reservas de divisas (só o
dólar, mais de 60%).
05. Sem a ameaça do poder
militar e sem as incríveis manipulações nos “mercados financeiros” pelos
bancos da oligarquia, o dólar teria, de há muito, perdido toda
credibilidade.
06. Essa moeda é emitida em
quantidades colossais, mais de vinte trilhões tendo sido passados aos
bancos da oligarquia financeira anglo-americana e a alguns europeus a
ela vinculados, para livrá-los do colapso criado por esses próprios
bancos, com a orgia dos derivativos.
07.A
injeção de dinheiro no sistema financeiro oligárquico, por parte dos
tesouros nacionais e dos bancos centrais, através da criação de moeda,
levou os tesouros a se super-endividar, e os bancos centrais a exceder
os limites toleráveis de emissões.
08. Por isso,
não haverá como usar o mesmo “remédio” no próximo colapso, que terá
consequências ainda piores que as do anterior, de 2007/2008, inclusive,
como já aconteceu em Chipre, o confisco de haveres dos depositantes.
09.
Desde o anterior, com as empresas produtivas e as pessoas em
dificuldades, os bancos quase não emprestaram aos que produzem, e
geraram a bolha do dólar e as dos mercados de títulos e de ações.
10.
De fato, os governos títeres fizeram o contrário do que recomenda a
ciência econômica não pautada pela submissão ideológica à oligarquia:
deixar falir os grandes bancos e aplicar recursos financeiros na
produção em bases saudáveis, desmontando carteis e oligopólios e
fomentando pequenas e médias empresas, bem como fortalecendo as estatais
e investindo na infraestrutura.
11. O montante
dos derivativos não registrados em bolsas (over the counter), que havia
ultrapassado 600 trilhões de dólares no auge da “crise” em 2008,
voltou a fazê-lo em 2011 (dados do Bank for International Settlements –
BIS).
12. Grande, se não a maior, parte dos
derivativos revelou-se podre, por serem pacotes de obrigações
securitizadas, em cuja base estavam instrumentos de crédito-débito sem
condições de serem adimplidos.
13. Os vultosos
prejuízos resultantes desencadearam o colapso e deveriam ter causado a
falência dos grandes bancos, cujos controladores, executivos e
acionistas haviam obtido ganhos bilionários com as fraudes.
14.
A sequela do colapso financeiro foi a depressão e o desemprego nos EUA,
Inglaterra, Japão e na quase totalidade da Europa, com reflexos em todo
o Mundo.
15. Aí entra a desinformação. Nos EUA,
os órgãos oficiais falseiam as estatísticas de diversas formas,
inclusive superestimando a produção, ao aplicar aos preços deflatores
muito inferiores à inflação verdadeira, e subestimando o desemprego.
16.
Mas as pessoas sentem a deterioração de suas condições de vida e
protestam. Diante disso, a oligarquia recorre à repressão policial,
reforçando cada vez mais a natureza totalitária do poder público que
controla. É o inelutável reverso político da medalha econômica e social.
17.
O Estado policial, a serviço da oligarquia, já estava consolidado
antes da implosão das Torres Gêmeas, em Nova York, e do míssil
disparado conta o Pentágono, em Washington, em 11.09.2001, pois praticar
um golpe dessa magnitude, conseguir ocultá-lo na “investigação”,
reprimir os que demonstraram a verdade e impor à mídia a difusão da
mentira oficial são façanhas só possíveis sob instituições totalitárias.
18.
Esse golpe - vale recordar – foi perpetrado para aterrorizar a
população, obter do Congresso mais leis repressoras e “justificar” ações
de guerra de grande envergadura, no Oriente Próximo e no Norte e Leste
da África, no Afeganistão, Iraque, Líbia, e mais recentemente Síria.
19.
Muita gente imagina que a oligarquia não tem como evitar a depressão e
crê que ela não entende como a política econômica a poderia suprimir.
20.
Entretanto, a recorrência das depressões e a continuidade das guerras
demonstram que elas não são catástrofes naturais, mas, sim,
deliberadamente cultivadas, além de consequência da concentração extrema
do poder econômico, causada pelas políticas públicas comandadas pela
oligarquia.
21. A oligarquia tem por objetivo
central aprofundar e tornar absoluto seu poder econômico e político.
Para isso, nada melhor que tornar pobre a grande maioria dos
razoavelmente prósperos e a totalidade dos trabalhadores, que, em
situação de vida menos desfavorável, contariam com recursos financeiros
e tempo para organizar-se e resistir à concentração do poder e aos
desmandos da repressão totalitária.
22. Um
exemplo disso ocorre com os brasileiros, que, se empregados, têm de
desperdiçar cinco horas diárias estressando-se no trânsito. Além disso, o
lazer é arruinado pela anti-cultura, pela promoção de vícios e pela
destruição de valores inculcadas pelos meios de comunicação e de
entretenimento.
23. Os moderníssimos e cada vez
mais poderosos instrumentos da eletrônica e da informática são
intensamente empregados a serviço disso, como também da espionagem
industrial e a repressiva, causando danos às economias nacionais e à
privacidade e à segurança de cada indivíduo.
24.
O Brasil, transformado em zona passiva da exploração e da opressão
imperiais, tem o “privilégio” de votar na urna eletrônica menos
confiável do Mundo, e agora seus eleitores vão ser submetidos pela
“Justiça” ao cadastramento biométrico, ficando, assim, expostos a mais
abusos contra seus direitos.
25. Por mais
absurdo que pareça às mentes sadias, infere-se o objetivo de dizimar a
população mundial, por parte da oligarquia instituidora da “nova ordem
mundial”. Basta, para isso, ver o que ocorre, há decênios.
26.
Percebe-se mais um “sentido” da depressão econômica: favorecer o
aumento da subnutrição, da má nutrição e das doenças, inclusive através
do estresse, fonte da intoxicação endógena e da perda da imunidade.
27.
O fomento das doenças, além de fonte de lucros das indústrias da
“saúde”, faz “controle demográfico”, complementando o controle da
natalidade. Para tanto, estão aí os transgênicos, agrotóxicos, o
lançamento de rastros químicos por aviões, a gigantesca poluição de
produtos como petróleo e seus derivados, carvão, xisto, os da
indústria química e n outros.
28. Na
mesma direção, refrigerantes, fumo, drogas, antibióticos,
quimioterapia, radioterapia e os hormônios, inclusive administrados ao
gado e aves. Ademais, a medicina orientada pelos interesses financeiros
da indústria farmacêutica e da de equipamentos médicos.
Nota:
(1)
O caso emblemático do analista Snowden provocou a fúria dos agentes
imperiais, tendo o presidente Putin agido com exemplar firmeza, ao lhe
conceder asilo, em contraste com a atitude dúbia da China, que
rapidamente o despachou para a Rússia.
Adriano Benayon é doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
*GilsonSampaio
Manuscritos de Che Guevara viram patrimônio da humanidade
Unesco reconhece manuscritos de Che Guevara como patrimônio da humanidade. Escritos incluem seus “Diários de Motocicleta” e os registros feitos nas montanhas da Bolívia antes de sua execução
A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) incluiu os escritos do revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara no Programa Memória do Mundo. Com isso, os manuscritos são reconhecidos agora como patrimônio da humanidade.“Vivemos em um país bloqueado, subdesenvolvido, e receber ajuda para preservar esses documentos para a história, para a posteridade, é muito importante”, afirmou nesta sexta à Agência Efe Aleida Guevara March, filha do segundo casamento do Che.
O Programa Memória do Mundo possui quase 300 documentos e compilações de cinco continentes. Os textos de Che estão entre as 54 novas adições de 2013. Os manuscritos incluem seus “Diários de Motocicleta” e os registros feitos nas montanhas da Bolívia antes de sua execução, em 1967.
O presidente da Comissão Nacional Cubana da Unesco, Juan Antonio Fernández, disse que a decisão da ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece a “contribuição do Che ao pensamento revolucionário latino-americano e mundial, que o converteram em símbolo de rebeldia, de liberação e internacionalismo”.
*Pragmatismopolitico
Caluda! Os cubanos vêm aí
Por Luciano Martins Costa no OI
Os jornais foram surpreendidos pela decisão do governo de importar de
Cuba 4 mil médicos para ocupar postos em lugares críticos, onde não há
serviço público ou particular de saúde. Os primeiros 400 deverão chegar
já na próxima semana e serão enviados para cidades ou bairros que não
despertaram interesse de profissionais brasileiros ou do exterior na
primeira fase das inscrições no programa Mais Médicos, 84% dos quais no
Norte e Nordeste.
O noticiário dá conta de que, ao todo, 3.511 municípios se inscreveram
no programa, o que revela uma demanda de 15.460 vagas. Apenas 15% desse
total haviam sido completados até quarta-feira (21/8). Cada médico
contratado custará aos cofres públicos R$ 10 mil de salários mensais,
mais os custos da mudança e pagamento de moradia e alimentação.
O convênio que permitirá a contratação de médicos cubanos foi feito pelo
governo brasileiro com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), que
tem um acordo com governos de vários países, inclusive Cuba, para
atender casos de emergência e carência crítica.
Os jornais de quinta-feira (22/8) explicam que 84% dos profissionais que
virão de Cuba têm mais de 16 anos de experiência, 30% são
pós-graduados, muitos trabalharam em países onde se fala a língua
portuguesa, principalmente na África, e todos são especialistas em saúde
da família.
Ainda assim, dirigentes de entidades médicas do Brasil fazem declarações
à imprensa condenando a iniciativa. Representantes do Conselho Federal
de Medicina e da Associação Médica Brasileira dão a volta nas
informações oficiais sobre o convênio firmado com a OPAS e declaram que o
programa é apenas uma jogada eleitoral. Um desses dirigentes chegou a
afirmar que o contrato para trazer médicos cubanos tem “características
de trabalho escravo”. No extremo do destempero, o presidente do Conselho
Federal de Medicina opinou que a iniciativa do governo “poderá causar
um genocídio”.
Como se pode observar, um diploma de médico, uma carreira bem sucedida e
o acesso a um importante posto de representação profissional não
asseguram clareza de raciocínio e honestidade intelectual, e dirigentes
das principais entidades médicas do país podem resvalar rapidamente para
um discurso irracional e preconceituoso quando os interesses
corporativos falam mais alto do que a função social supostamente
inerente à sua atividade.
Orgulho e preconceito
Mas há muito mais por trás dessa discussão. Nas redes sociais e nas
correntes de mensagens que se seguem a cada novo movimento do governo
nessa área, na tentativa de suprir a carência de médicos fora dos
grandes centros, proliferam manifestações exageradas como a do
presidente do Conselho Federal de Medicina. Na opinião de alguns de seus
seguidores, o governo brasileiro não estaria apenas “promovendo um
genocídio”, mas articulando um exército de cubanos para levar o
comunismo aos rincões do Brasil, onde supostamente vivem cidadãos mais
simplórios e, portanto, vulneráveis à pregação ideológica.
Uma leitura transversal de tais manifestações demonstra o nível de
estupidez que a radicalidade política pode provocar, até mesmo entre
indivíduos cujo nível de educação formal supõe alguma racionalidade.
Ao atacar o programa brasileiro, essas entidades atingem diretamente um
dos projetos mais bem sucedidos da ONU, que, por meio de suas entidades
de saúde, promove assistência em lugares remotos por todo o mundo e
reduz os danos de conflitos e desastres naturais.
A imprensa tem que cumprir, pelo menos formalmente, seu papel de ouvir
os diversos lados de uma questão. Essa é a justificativa para os
leitores de jornais serem apresentados a destemperos desse tipo. No
entanto, também é papel dos jornalistas pontuar eventualmente os casos
em que o debate resvala para fora do razoável. Uma das alternativas
seria mostrar o trabalho feito por médicos engajados em programas desse
tipo pelo mundo afora. Mas a imprensa só enxerga, por exemplo, ações de
entidades como o Médicos sem Fronteiras, e parece desconhecer as missões
humanitárias da ONU.
Talvez essa visão seja ainda um resíduo do preconceito com políticas que
a imprensa costumava chamar de “terceiro-mundistas”. Por outro lado, as
reações corporativistas dos médicos brasileiros revelam que o país
formou uma geração de profissionais aos quais falta a mais básica
consciência social.
A falta de educação cívica não poupa os bem nascidos ou bem sucedidos,
que certamente se orgulham de suas carreiras, e os embates provocados
pelas entidades médicas nas redes sociais mostram como se pode ir do
orgulho ao preconceito em poucos caracteres.
Para o STF, data de homicídio pode não ser a do assassinato
O STF inventa mais um absurdo no julgamento do chamado mensalão.
De hoje em diante, pela jurisprudência criada, quando um matador de
aluguel assassinar a vítima, e receber pelo "serviço" em data posterior,
a data de homicídio passa a ser a do recebimento, e não a do
assassinato.
Não nutro nenhuma simpatia pelo ex-deputado Bispo Rodrigues, e acho que
justamente por sua má imagem de político fisiológico (o que é feio mas
não é crime) e envolvido em outros escândalos e processos criminais
graves, pouca gente se dispõe a lhe conceder o benefício da dúvida de
que os fatos que pesam sobre ele, neste caso específico do recebimento
de dinheiro de Marcos Valério, possa ter sido só caixa 2 de campanha
mesmo, e é por esse motivo que ele deveria responder criminalmente.
Afinal ele era líder do PL na época e seu partido tinha o
vice-presidente da República José Alencar, além de participar do governo
em outros postos importantes, como o ministro dos transportes. Não faz
muito sentido imaginar que ele votaria contra orientação do vice José
Alencar, se não recebesse os R$ 150 mil de caixa 2 que recebeu.
Mas no embargo de declaração no STF nem era isso que estava sendo
discutido. Era apenas a data da ocorrência do fato pelo qual ele foi
condenado, como no exemplo do homicídio citado acima. O ministro
Lewandovski explicou didaticamente o absurdo de considerar a data do
pagamento pelo crime em vez da data do crime. Só três ministros votaram
com ele, apesar de muitos elogiarem seu argumento, parecendo ter
vergonha de voltar atrás na decisão, que apenas poderia reduzir a pena,
sem nem mesmo mudar o regime de detenção que já é semi-aberto no caso de
Rodrigues.
Se juízes do Brasil inteiro seguirem a maioria do STF, vai dar muita
confusão por aí. Mas nesse julgamento é como se diz no popular: "de onde
menos se espera, daí é que não sai nada."
*Ajusticeiradeesquerda
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