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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, novembro 20, 2011


DEBATE ABERTO

Pensamentos e sonhos sobre o Brasil

O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Temos tudo para sermos a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos que para aqui vieram.

1. O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, para criar relações mais igualitárias e acabar com a corrupção?

2. O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo.

3. Apesar da pobreza e da marginalização, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar esta anti-realidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação una e complexa.

4. O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso,tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor.

5. O medo é inerente à vida porque “viver é perigoso” e sempre comporta riscos. Estes nos obrigam a mudar e reforçam a esperança. O que o povo mais quer, não as elites, é mudar para que a felicidade e o amor não sejam tão difíceis.

6. O oposto ao medo não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no carnaval e no futebol. Mas também bom na agricultura, na arquitetura, na música e na sua inesgotável alegria de viver.

7. O povo brasileiro é religioso e místico. Mais que pensar em Deus, ele sente Deus em seu cotidiano que se revela nas expressões: “graças a Deus”, “Deus lhe pague”, “fique com Deus”. Deus para ele não é um problema, mas a solução de seus problemas. Sente-se amparado por santos e santas e por bons espíritos e orixás que ancoram sua vida no meio do sofrimento.

8. Uma das características da cultura brasileira é a alegria e o sentido de humor, que ajudam aliviar as contradições sociais. Essa alegria nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer coisa. Por isso deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor. O efeito é a leveza e o entusiasmo que tantos admiram em nós.

9. Há um casamento que ainda não foi feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular nasce da experiência sofrida, dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.

10. O cuidado pertence à essência de toda a vida. Sem o cuidado ela adoece e morre. Com cuidado, é protegida e dura mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, da natureza, da educação, da saúde, da justiça. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso pais.

11. Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, ele não é intolerante nem dogmático. Gosta e acolhe bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo.

12. O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos que para aqui vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, um pedaço do paraíso que não se perdeu.

Leonardo Boff é teólogo e escritor.
*CartaMaior

O.Povo.Brasileiro documentário do livro de Darcy Ribeiro





*GrupoBeatrice

Charge do Dia

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Vídeo original plagiado pelos panacas globais contra Belo Monte


legendas (CC)
*esquerdopata

‘Miséria é a principal herança da escravidão’, diz presidente em encerramento de encontro na Bahia





Dilma afirma que 'pobreza no Brasil tem face negra e feminina'

‘Miséria é a principal herança da escravidão’, diz presidente em encerramento de encontro na Bahia

Dilma participa do encerramento de evento em Salvador de comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes Foto: Divulgação / Presidência









Dilma participa do encerramento de evento em Salvador de comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes Divulgação / Presidência
SALVADOR – A presidente Dilma Rousseff disse neste sábado que "a pobreza no Brasil tem face negra e feminina". Daí a necessidade de reforçar as políticas públicas de inclusão e as ações de saúde da mulher, destacou, ao encerrar, em Salvador, o Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes. Em discurso, ela explicou por que as políticas de transferência de renda têm foco nas mulheres, e não nos homens: elas "são incapazes de receber os rendimentos e gastar no bar da esquina". Dilma destacou que, nos últimos anos, inverteu-se uma situação que perdurava no país, quando negros, índios e pobres corriam atrás do Estado em busca de assistência. Agora, o Estado é que vai em busca dessas populações, declarou.
Dilma também definiu a “invisibilidade da pobreza e a miséria” como a herança mais marcante da escravidão. Segundo ela, atrelada a essa herança, veio a visão das “elites” de que o país poderia crescer “sem distribuir renda e incluir”. Nesse sentido, lembrou os programas inclusivos iniciados com a gestão do ex-presidente Lula e seu lema de que “pais rico é país sem pobreza”.
Segundo Dilma, os afrodescendentes são os que mais sofrem com o desemprego, a violência e a extrema pobreza. Por essa razão, disse que “reverter esse quadro é o objetivo da Carta de Salvador” e defendeu as políticas públicas de promoção e igualdade social. Ao explicar a necessidade de ações de combate à pobreza, a presidenta citou o Programa Brasil sem Miséria, cujo objetivo é retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema. No discurso, ela destacou ainda a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, no ano passado, além da obrigatoriedade do ensino da história afrobrasileira nas escolas. Dilma apontou também o fato de a data do evento coincidir com a da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, com o Dia Nacional da Consciência Negra, a ser comemorado amanhã (20), e com os 123 anos do fim institucional da escravidão no país. Nestes 123 anos, disse a presidenta, "sofremos as consequências dramáticas da escravidão" e foi preciso combater uma delas, a sistemática desvalorização do trabalho escravo, que resultou na desvalorização de qualquer tipo de trabalho no país.
Ela destacou ainda que as políticas dos países latino-americanos de estabelecer seus próprios mercados tem ajudado a América Latina a enfrentar a crise econômica internacional e permitir, assim, o desenvolvimento de políticas públicas sociais.
Por outro lado, manifestou-se preocupada com os rumos da crise. Para ela “o risco de instabilidade pode agravar as desigualdades sociais em todo o mundo”. Ela lamentou que a recessão tenha sido imposta como receita para a crise na Europa.
- Sabemos que esse processo não dá certo, provoca desemprego, perda de ganhos sociais e não resolve o problema - disse, receitando “expansão do consumo e inclusão social” para o enfrentamento do problema.
A presidente lembrou ainda que recorrer ao FMI não é um bom negócio, assinalando que o Brasil só conseguiu melhorar a economia após pagar sua dívida com o Fundo. Focando na proposta de maior participação do gênero feminino nos governos, Dilma disse que a valorização das mulheres em todos os campos é urgente.
Chefe de estados e representantes de 14 países participaram do evento. Um deles, o presidente do Uruguai, José Mujica, não só apoiou os termos da Carta de Salvador como defendeu a proposta de que todos os homens e mulheres de origem africana recebam educação de qualidade. Mujica concorda que somente a educação é o caminho da igualdade social.
- A negritude não quer esmolas, mas oportunidades e direitos iguais - disse.
*AposentadoInvocado

Brasil uma História incoviniente



*Aposentadoinvocado

Metrô, apagão e a pane tucana

Por José Dirceu, em seu blog:

A pane habitual e sistemática que paralisa o metrô paulistano a cada 48 horas em média, nesta 6ª feira (ontem) foi na linha Oeste, aquela da região de Pinheiros. Num intervalo de 32 minutos a linha parou duas vezes! Pior, no horário de rush, 7 da manhã. Dos ônibus aos quais os passageiros do sistema metroviário precisaram recorrer, transformados em "latas de sardinha", pelas imagens sobrava gente caindo pelas portas.

Motivo desta pane - estou me referindo só a de ontem, que deu prosseguimento à rotina de pane no sistema a cada dois dias em média: faltou energia. Segundo a Companhia de Transmissão de Energia Paulista (CTEP), em função de um desligamento errado pelo sistema automático de auto-proteção da rede.

Resultado: apagão não só no metrô, mas em 12 grandes bairros da capital e em 100 cidades do Estado. Desta vez, "só" 1,8 milhão de paulistas ficaram sem energia elétrica. Além disso, e em meio a isso, sem nada a ver com a pane habitual a cada dois dias, mas em decorrência de processo que já corre há tempos, a Justiça determinou o afastamento do presidente do metrô, a suspensão dos contratos e a paralisação das obras de prolongamento da linha 5.

Fraude. E o Palácio só tem olhos para uma velha briga política

Por quais razões? Indícios de fraude, levantados inicialmente pela Folha de S.Paulo, que detectou e registrou em cartório, três meses antes da abertura dos envelopes, a existência de licitação viciada, acerto entre empreiteiras na construção dessa linha. Cabe recurso e o metrô antecipou que vai recorrer por "medida de Justiça", porque os cálculos do Ministério Público (MP), de superfaturamento das obras "estão errados", partiriam de premissas equivocadas.

Enquanto isso Geraldinho Alckmin, o governador, encastelado em seu Palácio dos Bandeirantes prepara uma reforma do secretariado para disputar as eleições na capital contra... o grupo serrista. Acreditem se quiser!

Um apagão de energia que deixa sem luz elétrica quase 2 milhões de paulistas, milhares de paulistanos sem metrô e Alckmin, governador pela 3ª vez (março de 2001 a 2002 / 2003-2006 / 2011-2014) continua preocupado é com sua faxina para varrer o serrismo do Estado. Eles que se entendam, mas os serristas que se preparem! Vão virar pó em São Paulo. Não vai sobrar pedra sobre pedra deles na estrutura do governo do Palácio dos Bandeirantes nos próximos três anos.

Solucionar apagões de energia, panes no metrô, administrar.., deixa pra lá. A prioridade do tucanato é outra, é briga política.

Quanta hipocrisia!O governo de São Paulo resolve percorrer bares que vendem bebida alcoólica.

Quanta hipocrisia!

 

Por Jeferson Malaguti Soares *

O governo de São Paulo resolve percorrer bares que vendem bebida alcoólica a menores, em todo o estado, multando quem desrespeita a lei; o Congresso Nacional vota uma lei de “tolerância zero” para os bêbados que insistem em dirigir autos; a Rede Globo, através de Drauzio Varella, faz campanha feroz contra o uso do cigarro. Quanta hipocrisia! Ao mesmo em tempo que fazem isso, continuam pipocando na mídia propaganda de bebidas. Cervejas patrocinam torneios de futebol; Zeca Pagodinho alardeia a qualidade de determinada marca; nas novelas os ricos bebem champanhes e whiskies enquanto os pobres se divertem com a cerveja e a cachaça.

Vivemos a era da internet social, da globalização da economia, tempos de mudanças radicais, de quebra de padrões e paradigmas. A economia, os negócios, as relações pessoais e de trabalho, enfrentam uma nova realidade. Enquanto isto, a ameaça de mudança do clima nunca foi tão real. Ela vai transformar a vida dos indivíduos, dos governos e das empresas. A palavra urgência ganha um novo significado.

Prosseguem as negociações para a definição de novas metas de redução das emissões. Há uma enorme onda de reinvenções - nos negócios, na política, na vida cotidiana – a fim de guiar o planeta para uma vida mais saudável. Na contramão disto tudo, na área das bebidas alcoólicas, o setor vai se globalizando para o mal. Com seguidas operações de fusões e aquisições, as empresas se transformam em enormes conglomerados multinacionais com dezenas de marcas e um catálogo de tecnologias que lhes permitem combinações quase infinitas de marcas e produtos. Cada vez mais poderosas econômica e financeiramente, as fábricas de bebidas formam um lobby irresistível, um grupo de pressão quase indestrutível. Por maior que seja, por exemplo, a bancada evangélica no Congresso Nacional, nenhum parlamentar se dispõe a enfrentar o problema. Da mesma forma agem todos os congressistas.

E o uso abusivo do álcool não se toca, cresce. Não estou falando do etanol, este muito saudável para nossa economia e que ainda ajuda a diminuir a poluição do ar. Falo da droga álcool. Droga cujo consumo leva a outras drogas tão destrutivas quanto ela. Falo do incentivo ao uso de bebidas alcoólicas pela mídia, que leva a acidentes irrecuperáveis, famílias destruídas. E pergunto: até quando vamos fingir que nada está acontecendo? Até quando vamos continuar com essa hipocrisia? Até quando a bebida alcoólica vai ligar sua imagem a esportes saudáveis?

Eu não estou disposto a continuar fingindo. Lanço agora uma campanha para que a propaganda de bebidas alcoólicas pela mídia e o patrocínio delas a qualquer atividade, esportiva ou não, seja proibida, como fizeram acertadamente com o cigarro.

Por favor, envie esta mensagem a todos os seus internautas e, juntos vamos lutar pelo bem do futuro de nossos filhos e netos.


* Jeferson Malaguti Soares é membro da Executiva do PCdoB em Ribeirão das Neves/MG e colaborador deste blog.
*Observadoressociais

Dia da Consciência Negra


Crioulo fugido


Conheça os malfeitos dos tucanos em SP

Demorou, mas finalmente a Justiça de São Paulo abriu a caixa preta tucana do Metrô paulistano. Um ano após a denúncia de jogo de cartas marcadas na licitação da Linha 5 - Lilás, a juíza Simone Gomes Rodrigues Cassoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, baseada na ação movida por quatro promotores, suspendeu os contratos e mandou afastar do cargo o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, que foi presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na gestão do governador José Serra.
A Promotoria quer a anulação da concorrência e a condenação dos responsáveis, depois de calcular um prejuízo de R$ 327 milhões para os cofres estaduais. O governo do Estado alegou que as suspeitas não eram suficientes para anular a licitação e que isso vai atrasar a obraa. Anunciou que vai recorrer da decisão.
Em sua decisão, a juiza Simone Casoretti justificou o pedido de afastamento do presidente do Metrô "em face das suas omissões dolosas" e alegou que com sua permanência ele poderia "destruir provas ou mesmo continuar beneficiando as empresas fraudadoras". Entre elas, estão algumas das maiores construtoras do país: Odebrecht, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Os contratos denunciados envolvem R$ 4 bilhões e 14 empreiteiras.
Casoretti considerou "indecente" a alegação do governo de que anular a licitação vai atrasar a inauguração da obra, prevista para 2015. "Há muito tempo o povo paulistano espera por obras de expansão do metrô". Para ela, o atraso na obra "não será tão desastroso quanto a continuidade de uma fraude, ou melhor, a chancela de um conluio entre particulares em benefício próprio". Se a ordem judicial não for cumprida, está prevista multa diária de R$ 100 mil.
A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos alega que a decisão de seguir as obras mesmo após as denúncias "foi tomada após amplo processo administrativo no qual não se verificou qualquer fato incontroverso que justificasse o rompimento dos contratos".
O trecho suspenso pela Justiça tem 11 quilômetros e fica entre as estações Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin, na zona sul da cidade. Reportagem publicada pela "Folha" em outubro de 2010 revelou que os vencedores da concorrência já eram conhecidos seis meses antes.
Perto dos valores envolvidos nas fraudes denunciadas em São Paulo, os malfeitos do ministro Carlos Lupi agora parecem coisa de bufão amador. Aguardam-se as próximas manifestações dos marchadeiros e das marchadeiras dos protestos anticorrupção.
*comtextolivre

Radicalização na USP ressuscita estilo CCC

Panfleto apócrifo distribuído no campus usa imagem de Vladmir Herzog morto como ameaça contra "os estudantes maconheiros"; "suicídio é triste!", ironiza texto, ao feitio das piores peças do Comando de Caça aos Comunistas; na mídia, colunista Reinaldo Azevedo registra BO sobre ameaça que teria sofrido; voltamos aos anos de chumbo?
O que está acontecendo com a atual geração de estudantes da maior universidade brasileira? Nesta sexta-feira, dia histórico em que a presidente Dilma Rousseff, diante de todos os chefes militares, instituiu a Comissão da Verdade para apurar os crimes da ditadura, um documento apócrifo, ao estilo das piores peças do antigo Comando de Caça aos Comunistas, foi distribuído na USP. Com uma imagem do jornalista Vladimir Herzog morto, trazia a mensagem "Suicídio é triste" e foi endereçado aos estudantes "maconheiros". Teria sido produzido por radicais de direita que, a partir da defesa da presença da PM na USP, tese abraçada pela maioria dos estudantes, avançam para o enfrentamento ideológico da pior espécie.
Também no dia de hoje, o colunista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, classificado como "fascista" pelos estudantes que ocuparam a reitoria da USP, registrou um boletim de ocorrência contra ameaças que estaria sofrendo de grupos mais à esquerda na universidade. Gente que, segundo o colunista, teria dito: "Vou te quebrar na rua". Nas últimas semanas, Reinaldo ironizou os estudantes que ocuparam a Reitoria, chamados por ele de "remelentos e mafaldinhas".
Entre um episódio e outro, as eleições para o Diretório Central dos Estudantes foram adiadas, com acusações de golpe de parte a parte. Rodrigo Souza Neves, da chapa "Reação", que se coloca contra a direção atual, foi acusado de portar uma arma. E este, por sua vez, denuncia uma farsa eleitoral que teria sido perpetrada pelos grupos que hoje dominam o DCE.
O clima é de tensão, numa radicalização gerada, em grande parte, pelos que evitam discutir os temas levantados pelos estudantes e incitam ódio e preconceito na política.
Por outro lado, ao cobrirem o rosto e impedirem o trabalho da imprensa, os estudantes ditos de esquerda também colaboram para tensionar ainda mais o ambiente.
As pontes para o diálogo estão rompidas.
E o que se vê na USP são cenas que remetem aos piores momentos da ditadura militar.
É o ocaso da razão.
Marco Damiani
*Brasil 247

sábado, novembro 19, 2011

BeloMonte quem manda no Brasil?


*Regina Schmitz via Natalia Forcat

O Brasil de Pelé ou o Brasil de Neymar?

 

Pelé… Lembro do Walter Abrahão – que inovou e passou a chamar o Pelé de “Ele”. O jogo inteiro: cada vez que tocava na bola, “Ele”. O Walter só pronunciava o nome Pelé quando era jogada espetacular, eminência de gol. Acelerava a narrativa: “Passe genial de Pelé!… “Jogada magistral de Pelé!”… “Um golaço de Pelé!”
As imagens de Pelé em preto e branco feitas na década de 60 me pouparam de ver a ditadura – que nada era mais espetacular para um garoto que ver o Pelé jogar. Mas na campanha do Tri, em 1970, dava pra senti-la por toda parte, ao vivo e a cores. Era o auge do regime militar. A época em que a ditadura fez a maioria de suas vítimas. O slogan era “Brasil: ame-o ou deixe-o” e a trilha sonora “Noventa milhões em ação”. O presidente, general Médici, carimbou a “Revolução” na Seleção. Foi pessoalmente visitar os jogadores e AVISOU que era obrigatório ganhar a Copa. “Entrou” um almirante, o Nunes, na comissão técnica da seleção. Marcação cerrada. Às vésperas do mundial, mandaram trocar o técnico João Saldanha porque ele era “suspeito de ter simpatia” pelo PCB. “Simpatizante de comunista não pode ser tri-campeão”: Zagalo pegou a seleção prontinha.
Em 75, quando Pelé aceitou a oferta “irrecusável” do Cosmos e foi jogar nos EUA, abriu a porteira para o capital estrangeiro chegar e levar jogador de baciada. Teve uns que levaram ainda na incubadeira. Os clubes e craques brasileiros eram tão ineptos para negociar, que favoreceram o surgimento do intermediário. E todos sabemos que este sujeito só torce para o próprio bolso.
Depois de 4 décadas de ofertas europeias irrecusáveis levando nossos talentos, o Brasil virou o jogo. Até o Wagner Ribeiro, comerciante de jogadores que está em todas (impressionante isso, né?), assinou o contrato que disse um NÃO definitivo aos europeus. O Real peitou o Euro e levou! Neymar vai receber salário de gente grande. Como o do Messi ou do Cristiano Ronaldo. Isso cheira uma economia que pulou fora do neoliberalismo a tempo, está sendo bem conduzida há 9 anos e já é considerada a 6a do mundo?
A postura do presidente do Santos diante do mau humor dos empresários espanhóis por voltarem para casa de mãos vazias, mostra como nos distanciamos do velho Brasil, colonia tropical das elites do primeiro mundo. Luis Álvaro chamou-os de arrogantes com mentalidade colonizadora.
O “fico” de Neymar teve um motivo de valor inestimável, acima da força da grana: o garoto tem ORGULHO de jogar no Brasil. Ao contrário de muitos atletas, alguns impregnados do complexo de vira-latas dos tempos de FHC, Neymar não correu para os braços da galera européia para sentir-se a azeitona da empada.
Molecagens como esta irritam as socialites da Folha. Que mania de independência têm esses jovens! Essa impaciente idéia fixa por autodeterminação… As madames não perdoam Santos e Neymar por desprezarem seus amigos europeus. Não perdoam os estudantes da USP por exigirem autogestão. Seu governador valentão (rendido pelo PCC em 2006) precisou de 400 homens da tropa de choque da PM armados com fuzis de guerra, apoio logístico de helicópteros e toda a tropa do PiG, para enfrentar os “perigosos” 72 estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, dentre eles 24 meninas. (O que o PSDB tem contra a educação em São Paulo? Na gestão passada foi a vez de Serra descer o cacete nos professores da rede pública naquela que ficou conhecida como a “greve do vale-coxinha“. Agora, de novo, o PSDB parte para a ignorância em São Paulo.
As madames da elite-botox Cansei 2011/ Regional-SP, não perdoaram o Brasil por ter-se “entregado” ao PT em 2002. E nunca vão perdoar Lula por ter chacoalhado as camadas sociais depois de séculos de “harmonia”.
O PiG odeia Neymar. Por isso vendeu-o 365 vezes este ano. Emergente famoso, bem-sucedido, filhote da era Lula/Dilma? Manda pra longe, desbota seu verde-amarelo. O PiG precisa desmistificar, negar qualquer brasileiro famoso e bem sucedido. Principalmente os que surgiram depois de 2002…
A Folha deu 15 minutos de fama às socialites que sempre desprezaram o povo brasileiro. Há pérolas no vídeo delas que mostram falhas de alfabetização. Como aos 1m50s, “… nós não estamos “se” mobilizando…, ou aos 4m38s, … os jovens “é” o futuro do nosso país…
Brasil estranho esse, não é mesmo madame? Aviões apertados, shopping-centers apertados, avenidas apertadas, clubes apertados, escolas apertadas, salões de beleza, supermercados… Sentem-se sufocadas, as peruas. Mesmo no luxo onde vivem (que certamente não adveio de honestidade ortodoxa e enriquecimento 100% lícito). Todo mundo vê. Vestem o patriotismo mais fajuto da paróquia e escondem de si mesmas os mais rasos sentimentos de preconceito racial e social.
Para os europeus dos anos 60, o Santos de Pelé era uma atração tropical, exótica, que apresentava um rei eleito pela plebe a quem toda a mídia reverenciava. Tratavam-nos como o país do futebol e do Carnaval. Ou seja, o país do circo.
O Santos de Neymar é o exemplo de um Brasil independente e autodeterminado que não se curva mais ao primeiro mundo. Tivemos a ousadia de negar-lhes nosso maior craque.
Imaginem Neymar em 2014, na “Copa do PT”, para desespero da oposição e sua mídia. Zagalo diria: “Vocês vão ter que me engolir”!

Estudantes convidam Alckmin para aula sobre democracia

 


Da CartaCapital
Uma aula de democracia para Alckmin

O governador disse que estudantes precisavam de aula de democracia. Foto: Agência Brasil
Por Clara Roman
Em assembleia realizada na quinta-feira 17 de novembro, os estudantes da USP decidiram montar um cronograma de protestos que inclui um convite ao governador de São Paulo Geraldo Ackmin (PSDB) para participar de uma “aula pública sobre democracia” promovida por professores e movimentos sociais. A aula-protesto, marcada para o dia 24, na Avenida Paulista, é uma resposta ao governador que, no auge da crise provocada pela ocupação da reitoria da USP, declarou que os alunos detidos na ação precisavam “de uma aula de democracia”.
A assembleia determinou também que os protestos marcados contarão com uma passeata e terão como bandeira os temas “Fora Rodas” e “Fora PM”.
A plenária, que contou com cerca de 3.000 pessoas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), decidiu adiar as eleições para o Diretório Central dos Estudantes, que ocorreria na próxima semana, para março de 2012 e também a manutenção da greve. Além disso, os estudantes aprovaram a inclusão do ponto “estatuinte” na pauta de reivindicações do movimento. Com isso, os alunos pedem que se rediscuta o estatuto da universidade com o mesmo peso decisório entre discentes, docentes e funcionários.
Na terça-feira 8 de novembro a Tropa de Choque executou uma ação de reintegração de posse da reitoria da USP, ocupada por estudantes há seis dias. Os alunos reivindicam a retirada do convênio entre a instituição e a Polícia Militar para a instalação de bases da Polícia Comunitária no campus.
O convênio foi assinado em maio, poucos dias depois da morte do aluno de Ciências Atuariais Felipe Ramos Paiva em uma tentativa de assalto na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). No final de outubro, uma batida da PM iniciou um confronto com estudantes e polícia.
*LuisNassif

Curta-metragem: O mundo pós 11 de setembro.


Paranoia from Sandeepan Chanda on Vimeo.

tireotubo

Lama começa a aparecer

Será possível que ninguém do Ministério Púbico vê isso?

Lama começa a aparecer

Vem de longe o controle do governo sobre a Assembleia (Foto: Antonio Cruz)       


A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) tem 94 deputados, 3.000 funcionários e orçamento anual de R$ 660 milhões. Desfruta da conveniência da imprensa comercial – que costuma se indignar com denúncias de Brasília e blindar o governo paulista. A maioria dos parlamentares submete-se em silêncio ao comando do Palácio dos Bandeirantes, onde, desde 1995, a morada do chefe do Executivo é também um ninho tucano. Em troca de investimentos e apoios aos seus interesses eleitorais, deputados da base aliada mantêm o governador do estado livre de qualquer dor de cabeça.


A responsabilidade da Alesp não é pequena. Lá se discute e aprova o Orçamento do estado – R$ 140 bilhões em 2011 – e se deve fiscalizar sua correta aplicação. É onde são tratadas leis importantes para a sociedade, desde uma que poderia proibir a venda de porcarias de alto teor calórico em cantinas de escolas públicas até outras que autorizaram o governo a vender o patrimônio estratégico – como do setor elétrico, do Banespa e da Nossa Caixa, a concessão de estradas e ferrovias. É lá também que a transparência da gestão pública deveria ser garantida, porém é onde o governo sabe que denúncias e pedidos de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) serão varridos para baixo do tapete.


O domínio do Executivo na Casa combina as indicações a cargos públicos, o compartilhamento do poder regional e a administração da liberação de recursos provenientes das emendas parlamentares ao Orçamento do estado. A maioria governista, por sua vez, joga o jogo quase sempre sem ser incomodada pela imprensa, de modo que a agenda da Alesp pouco repercute na opinião pública. Quantas vezes você leu, ouviu ou viu notícias de que os deputados paulistas investigaram uma suspeita de superfaturamento em contratos do Metrô ou de abusos da Polícia Militar – seja na forma violenta como age na USP, seja como persegue pobres na periferia ou reprime movimentos sociais?


Falhas no gerenciamento dos partidos da base, porém, levaram alguns parlamentares do PTB – aliado dos tucanos no plano estadual desde sempre – a se incomodar com o governo Geraldo Alckmin. Em consequência do desprestígio e da redução de recursos repassados à Secretaria do Esporte, comandada pelos petebistas, o maior cacique do partido, Campos Machado (PTB), vinha em uma intensa investida contra o governo, cobrando constantemente mais atenção às questões levantadas pelo partido.


Balaio de repasses


 
Essas faíscas no relacionamento causaram descontentamento, até que o deputado Roque Barbiere (PTB), em seu sexto mandato, aborreceu-se e chutou o balde. Disse ter ficado “de saco cheio” com tantas irregularidades permeando o submundo da Alesp e, em uma entrevista ao site do jornal Folha da Região, de Araçatuba, em meados de setembro, criticou o funcionamento do sistema de emendas parlamentares. Afirmou que de 25% a 30% dos deputados “vendem” a cota de emendas a que têm direito todos os anos em troca de abocanhar parte dos recursos liberados. E assegurou, sem revelar nomes, que o governo Alckmin foi alertado sobre o fato.


O secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, deputado licenciado Bruno Covas, confirmou a existência do esquema em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual chegou a citar o caso de um prefeito que ofereceu 10% de uma emenda no valor de R$ 50 mil, que garantiu não ter aceitado. Semanas depois, Covas foi convidado a dar explicações sobre o caso ao Conselho de Ética da Alesp. Mas não apareceu. Apenas enviou carta em que afirma que seu relato ao jornal seria uma situação hipotética e didática, usada em palestras, encontros e conversas “para afastar qualquer tentativa de abordagem inadequada”. No Ministério Público do Estado, o promotor Carlos Cardoso decidiu abrir inquérito para apurar o escândalo. Para ele, não pareceu ser apenas um exemplo didático.


No dia em que Bruno Covas deveria ter comparecido ao Conselho de Ética, um levantamento divulgado em seu site indicava que, somente em 2010, ano eleitoral, seu gabinete havia conseguido o repasse de R$ 9,5 milhões em emendas solicitadas para diversos municípios paulistas. O valor excede em quase cinco vezes o limite permitido a cada parlamentar – R$ 2 milhões anuais. Covas, o deputado estadual mais votado em outubro, com 239.150 votos, foi também o relator do Orçamento geral do estado para 2011. Procurado, não falou com a reportagem. Desde a entrevista, não traz explicações sobre o assunto. Por meio de sua assessoria, justificou que o levantamento trouxe emendas de anos anteriores, pagas somente em 2010, e outras obras eram pedidos do governo, e não dele. E que deseja evitar o uso político do episódio.Continue lendo

Charge do Dia

SOCIEDADE DE CONSUMO E ALIENAÇÃO. Curta produzido pelos estudantes do Colégio Geo Petrolina. Parabéns Malu, Bebel, Lucas, Isinha e Paulo!!!


*HistoriaVermelha

Os Belos e Belo Monte


Marcelo Carneiro da Cunha no Terra Magazine
De São Paulo
Pois estimados leitores cá estamos, dependendo de onde estamos. Se estivermos em São Paulo, por exemplo, podemos aproveitar das maravilhas da Balada Literária, a criação do Marcelino Freire para mostrar que evento de literatura pode, sim, pode, ser muito legal, ter altíssima qualidade, e, ora vejam, ser grátis. Basta querer que todo mundo que queira entrar entre, não é mesmo?
E entre um momento e outro da Balada cá estava eu, ciscando no Tuiti e pronto, fui atingido por um vídeo gravado por muitos atores globais baixando o cacete na hidrelétrica de Belo Monte, garantindo que ela é o mal sobre a Terra, o exu, o capeta, o diabo em sua versão mais úmida, e eu me pergunto, como eles sabem de tudo isso? E mais, por que o vídeo deles é igual a um americano, dirigido pelo Spielberg para fazer os americanos tirarem a bunda do sofazão e irem votar?
Por que atores globais fizeram um vídeo contra? Eu não tenho nada contra atores globais, fora o sotaque e a mania de fazerem teatro comercial, mas não tenho nada a favor. Pra mim, são tão ignorantes em assuntos de represas no Pará como quase todo mundo com quem eu falei antes de escrever essa coluna, se bem que, admitamos, muito mais fotogênicos. Mas, mesmo sendo pra lá de mais bonitos e reconhecíveis do que eu ou o senhor aqui ao lado, eles falam tanta besteira quanto qualquer um, e isso me irrita. Energia eólica é mais limpa? Alguém já viu um parque eólico, que por demandar vento costuma ficar no litoral, onde também ficam as praias? Importante, necessário, talvez melhor, mas, limpo? Defina limpeza aí, seu global, porque eu talvez ache uma represa cheia de água no meio de uma floresta cheia de água algo mais natural do que cataventos altíssimos transformando por completo uma paisagem que antes era perfeita. Solar? Estimado espécime global, sua senhoria faz idéia da área necessária para produzir 100 megawatts de energia solar? Eu sei, e é um monte de área, que não vai servir para mais nada, montes de recursos, dinheiro pra caramba, e ainda temos os enormes custos de manutenção. Belo Monte são 11 mil megawatts, senhor ou senhora global. Faça as contas antes de vir ler texto dado por sei lá quem, e talvez eu realmente leve a sério o que dizem, o que o senhor ou senhora talvez mereçam, desde que trabalhem para isso.
Os bonitinhos dizem que Belo Monte vai criar um baita lago e afogar a floresta. Eu, feinho, fui estudar. O lago da represa vai ocupar uma área de 516 km2, me informa o Google. O mesmo Google me diz que o estado do Pará possui uma área de 1.247.689,515 km2. O que deve querer dizer que o lago a ser formado vai ocupar uma área equivalente a 1/2400 da área do estado do Pará, que por sua vez é um estado com 7 milhões de habitantes, com dois milhões deles morando em Belém e todos participando do Círio de Nazaré, pelo que vejo. Ou seja, uma represa vai alagar uma área de 1/2400, ou nada por cento, de um estado basicamente vazio e isso se torna um problema por que mesmo? Não dêem texto, provem. Do jeito que vocês falam, encenando, eu não tomo como sério o que é dito. A moça vem e diz "24 bilhões" e soa como o Dr. Evil falando "One billion dollars" com o dedinho na boca. Dona, diga aí qual é o PIB brasileiro em 2010, e quantos por cento do nosso PIB, a nossa riqueza nacional, a hidrelétrica vai custar, diluída por 50 anos? Vosmecê sabe? Ó aqui a minha boquinha enquanto ela diz, assim: D-U-V-I-D-O.
Leitores, me irrita, e muito, essa tentativa de fazer a minha cabeça por processos tão rudimentares. Se querem, mandem coisa melhor e terão toda a minha atenção. Isso aí é manipulação tola, boba, mesmo que muito bem intencionada. Isso tem cara de ONG que consegue apoio de um publicitário bonzinho e muita gente bacana e vamos lá, salvar as baleias do Xingu. Pois me irrita pra caramba, pelo desrespeito para comigo, que vivo no mundo real, não dos comerciais sejam eles do governo ou de ONGs. Eu não sou uma baleia, acho.
Eu vivo em uma sociedade industrial, que pode abrir mão de muitas coisas e do bom senso quase o tempo inteiro, mas não resiste a umas poucas horas sem energia. Vira gelo, sem gelo pro uísque. Vira fogo sem ar condicionado para resolver a vida na fornalha. Vira uma luta pelo pedaço de pão mais próximo, vira a impossibilidade de chegar até a nossa casa. Podemos ficar sem quase tudo, e eu poderia ficar muito bem sem axé, o Malafaia e a lasanha congelada, mas não podemos ficar sem energia. Podemos e devemos economizar energia. Podemos e devemos desenvolver energias renováveis, e o faremos. Podemos e devemos esquecer a maluquice de construir Angras 3, 4 o escambau, mas não o faremos. Angra 3 ou 4 são muito, muito piores do que qualquer Belo Monte e certamente piores do que Fukushima, especialmente se ficarem no Rio, que, digamos, não é o Japão.
Mas para chegarmos até as novas energias, precisamos de energia da que se produz agora e o resto é, infelizmente, poesia. Não a qualquer custo, mas a custos que valha a pena pagar. E essa avaliação tem que ser muito, mas muito racional e justa do que eu vejo nos youtubes que vêm e vão.
Se vamos escapar do fogo ou do gelo, é pela inteligência, como sempre foi e será. E desse debate, por tudo que eu vi, ela está longe, muito longe, muito mais longe do que o Pará, e muito menos inteligente do que precisa ser para ser.
*Brasilmobilizao

Comunidade Kaiowá Guarani sofre massacre

Do CIMI
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No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de 42 pistoleiros fortemente armados.



Nizio Kaiowá, via @henyobarretto 



O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes, 59 anos, (centro da foto) executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS.

As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.


Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.

Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Acampamento antes do massacre
Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá.

A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou.

A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.




Que índio o índio quer para o Brasil?
Cismou de grassar por aí um proselitismo mofado e demagógico, da era jurássica do movimento ambientalista.

Aqui e ali, personalidades falam de índio como peça decorativa, como coadjuvante colorido de novela global.

Política indigenista para madame é deixar o índio "bonitinho", na beira do rio, pelado, posando os fotógrafos da National Geographic.

É gente que nunca esteve numa comunidade indígena de verdade. É gente que não sabe a diferença que faz, por exemplo, a penicilina num ajuntamento humano.

Essa teoria de "deixar o índio viver a sua vida" parece politicamente correta, mas somente parece.

Índios morrem de doenças tratáveis em um posto de saúde. Índios se suicidam quando não veem perspectivas de vida. Índios (vejam só!) gostam de ter energia elétrica.

Índio (muito longe da estupidez da letra do Ultraje a Rigor), gosta de viver de forma sustentável, recebendo a justa retribuição por seu esforço laboral.

Belo Monte, por exemplo, tem um grande projeto de manejo de comunidades nativas.

Porque o país de hoje mudou. Ouve seus índios, tentar incluí-los na sociedade, facilita-lhes o acesso à universidade e ao mundo digital.

Nem tudo são rosas e ainda há muita desolação, pobreza e desrespeito. Ninguém nega. Mas existe quem se preocupe, seja na Pastoral Indigenista, seja na Funai, seja no STF, seja no Ministério da Justiça ou no Ministério da Agricultura.

O Brasil oficializou como terras indígenas 109.741.229 hectares, cerca de 13% da área total do país. Isso para 800 mil índios, o equivalente a 0,4% da população brasileira.

Curiosamente, a maior parte das "ONGs" que se espalham pela Amazônia tem origem nos EUA, um país que NÃO FEZ sua lição de casa na questão indigenista.

Começou com os extermínios do general Custer e prosseguiu com políticas de segregação ou de inclusão forçada, destinadas a suprimir a cultura nativa.

Ainda hoje, os descendentes dos Sioux, Cheyenne e Apache são tratados na base do cassetete e do spray de pimenta quando se reúnem para reclamar da miséria, do descaso e do preconceito.

As celebridades da Globo parecem entender o índio como aquela figura excêntrica que fuma o cachimbo da paz e dança em volta da fogueira, nos filmes da Sessão Coruja.

Assim como seus mentores corporativos nem pensam em chutar o nativo quando o interesse direto é o do agrobusiness.

Aí, não se vê sutiã arrancado nem cara nem caretas, porque o que abunda é a hipocrisia.
Walter Falceta
*Grupobeatrice

Privatização da USP vai começar pelo Clínicas?


Texto: Denise Queiroz
Pesquisa: Sergio Pecci
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Enquanto Lupi está na gangorra e os grandes meios de comunicação exploram mais uma vez a fragilidade do governo brasileiro em fiscalizar as ações do ministérios (crítica que cá entre nós deveria ser ouvida sem o ranço do golpismo e as devidas providências tomadas para que os desvios, tanto de caráter quanto do nosso dinheiro não ocorram) um outro escândalo passa quase incólume, não fossem umas e outras vozes. A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou dia 16 o projeto de Lei que transforma o Hospital das Clínicas de São Paulo em Autarquia.

Vista aérea do complexo inaugurado em 1944
















Existem várias formas de patrimônio público. O histórico, o cultural, o arquitetônico, o imemorial. O Hospital das Clínicas pode ser caracterizado como quase tudo junto e, portanto, deveria estar acima da autoridade do governicho e legislativo de plantão transformá-lo num outro ente qualquer que não seja público.
Entende-se público por algo que foi construído, montado e é mantido, com dinheiro que vem dos impostos de cada um de nós! Com o Sistema Único de Saúde,  o dinheiro para manutenção edílica e funcional das unidades sanitárias é do povo brasileiro. Ou seja eu, aqui em Petrópolis, Rio de Janeiro, acabo financiando com os impostos federais arrecadados a cada comprinha que faço, não só a saúde desta cidade, mas de algum hospital ou UPA no interior do Pará ou de Brasília e também de São Paulo. 



Seguindo essa linha de raciocínio, que não está equivocada, solto um aviso: o governo tucano de São Paulo está querendo privatizar algo que não é só de São Paulo, é do povo brasileiro. E vai ficar assim? O Ministério da Saúde, que pela lógica do SUS, é sócio, vai permitir que um governo que não repassa os valores constitucionais para a saúde e a educação transforme uma das principais referencias médicas do país em mais um hospital que vai dar atendimento prioritário aos portadores de plano de saúde escorchantes? Vai permitir que as pessoas de menos recursos e que portanto não têm como pagar um plano particular fiquem meses nas filas de espera para um atendimento que até agora é imediato? Sim, porque com a proposta, o destino do clínicas será o mesmo do Incor. Quem tem plano é atendido imediatamente, quem não o tem fica numa fila que, em tempo, pode durar mais que uma volta ao mundo, cerca de 14 meses. 

Passarela de ligação entre o Incor e o Clínicas

Se a Assembléia Legislativa de São Paulo aprova ( e até na base aliada de Alckmin há defecções), o povo de São Paulo também aprova ou seus representantes estão mais uma vez fazendo o que querem e não cuidando da população, como deveriam fazer com o voto que receberam?

E os partidos e militantes de esquerda que pregam mais igualdade? Votos não têm em maioria em São Paulo, mas barulho podem fazer. Esse silêncio é que não vai resolver.

Na semana passada, pasmem, o próprio Jornal Estado de São Paulo publicou editorial alertando que tal estava para ocorrer e criticando de forma veemente a decisão. Passou em branco, ao que parece.  
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*Jumento

Mentiras GROBAIS

Belo Monte: vídeo de globais é teatro

Belo Monte: vídeo de globais é teatro Foto: REUTERS

Campanha Gota D'Água tem quatro mentiras fundamentais; Maior parte do dinheiro das obras não sairá do bolso do contribuinte; Índios foram ouvidos e não serão transferidos; Área inundada é menor que a alardeada por globais; Assunto é discutido desde 1975


Evam Sena_247, Brasília – Planejada desde os anos 70 e com inauguração prevista para 2015, a terceira maior hidrelétrica do mundo em potência instalada, a Usina de Belo Monte, tem levantado controvérsias desde seus primeiros estudos. Já levou uma índia a ameaçar o então presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, com um facão no rosto, mobilizou artistas internacionais como o cantor Sting e o cineasta James Cameron, e foi, nesta semana, tema de vídeo de atores globais contra a sua construção.
Apesar do elevado número de compartilhamento nas redes sociais, o vídeo intitulado Gota D’água conta mais mentiras que verdades sobre Belo Monte. É quase verdade que o projeto custará R$ 30 bilhões; serão precisamente R$ 25,8 bilhões segundo o consórcio construtor, Norte Energia. Também foi arredondado para menos o nível de operação da capacidade da usina - os globais dizem que é 1/3 (33%), quando na realidade é 40%. E a lista de equívocos da campanha "global" é longa:
Mentira #1: 80% do projeto serão pagos com impostos do contribuinte.
Mentira #2: Índios não foram ouvidos e serão tirados de suas terras.
Mentira #3: 640km² do Parque Nacional do Xingu serão inundados.
Mentira #4: O assunto não foi discutido.
Histórico polêmico
Os estudos para a construção da Belo Monte têm origem em 1975, com a criação da Eletronorte e início do Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, no Pará, onde será instalada a usina. Nos anos 80, a subsidiária da Eletrobrás para a Amazônia inicia os estudos de viabilidade técnica e econômica da usina de Kararaô, hoje Belo Monte. É em 1989, no 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), que a índia Tuíra protestou com seu facão sobre a construção da usina.
Nos anos 90, durante o governo FHC, o projeto passa por remodelações para agradar a ambientalistas e investidores estrangeiros, como a diminuição da área alagada, poupando áreas indígenas. Com a crise de energia elétrica em 2001, Belo Monte passa a ser prioridade. O projeto avança com mais velocidade durante o governo Lula, apesar das várias suspensões liminares da Justiça Federal para estudos de impacto ambiental e licenças ambientais.
Em 2007, em reuniões públicas com índios, ocorrem confrontos físicos, e o funcionário da Eletrobras Paulo Fernando Rezende sofre um corte no braço. Depois de intensa briga judicial, em 1º de fevereiro de 2010, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) publica a licença prévia para construção de Belo Monte e o governo marca o leilão para abril de 2010.
De onde virão os recursos?
O leilão de Belo Monte é vencido pelo consórcio Norte Energia, que ofereceu o menor preço final para energia - de R$ 77,97 por megawatt hora. O preço máximo estipulado pelo Ministério de Minas e Energia era de R$ 83. Em janeiro deste ano, o Ibama autoriza o início das obras de infraestrutura.
Atualmente, 50% do consórcio são de empresas públicas - a Eletrobrás e suas subsidiárias Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) e Eletronorte. Do restante, 20% são de fundos de pensão e fundo de investimento, e 30% de empresas privadas. O BNDES afirmou que pode financiar 80% do total - proposta que ainda está sendo analisada pelo consórcio e pode contar também com um “pool” de outras instituições financeiras.
A participação quase majoritária do Estado no consórcio ou o financiamento do BNDES, no entanto, não significa que a usina será paga com verbas públicas. O BNDES é um banco de desenvolvimento e fomento, cujos recursos são obtidos por meio de seus empréstimos e cobrança de juros, como fazem outras instituições financeiras.
O alerta dos especialistas
Ambientalistas e acadêmicos defendem que Belo Monte acarretará sérios problemas socioeconômicos e ambientais à região de Altamira, no Pará. Um estudo de 230 páginas feito em 2009 por 40 especialistas de universidades do Brasil e do mundo - Análise Crítica do Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte - levanta uma série de problemas. Entre eles: a alteração do regime de escoamento do rio Xingu; a redução do fluxo de água; a interferência na flora e fauna locais; o comprometimento de transporte fluvial; e o caos social com migração de mais de 100 mil pessoas para trabalhar na região; e o deslocamento de mais de 20 mil pessoas atingidas pela usina.
Será que os índios são ouvidos? Sim!
O Ministério de Minas e Energia, o consórcio Norte Energia e o Ibama negam que terras indígenas serão atingidas pela usina e que índios terão que ser movidos das aldeias. É estimado que cerca de 20 mil moradores da região sejam removidos, mas não são índios - como informa o vídeo capitaneado pelo ator Sérgio Marone. Serão transferidos 17 mil residentes em palafitas e 3 mil ribeirinhos. O cadastro, escolha e construção de novas moradias são de responsabilidade do consórcio e serão acompanhados pelo governo federal.
Apesar da discordância e protesto de comunidades indígenas, não é possível dizer que índios e ribeirinhos não foram ouvidos. Segundo o Ibama, antes mesmo da emissão de licenciamento prévio, foram feitas 12 reuniões públicas na região, 30 reuniões em aldeias indígenas e 61 reuniões com comunidades ribeirinhas, além de quatro audiências públicas.
"A Usina de Belo Monte vai alagar, inundar, destruir"
Para minimizar impactos ambientais, Belo Monte será uma usina sem reservatório e terá operação em regime conhecido como fio d’água, o que resultou na redução da área inundada para 503 km². Segundo o consórcio, 44% disso correspondem ao próprio leito do rio Xingu, em época de cheia. Por não ter reservatório, a energia garantida é baixa, de somente 40% do total de capacidade instalada. O Norte Energia prevê a produção de 4.571 MW por ano. No período de seca, que dura em média cinco meses, a geração poderá chegar a 200 MW mensais.
*Amoralnato

ONU pede revogação da Lei da Anistia

ONU elogia Comissão da Verdade, mas pede revogação da Lei da Anistia
No dia em que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que cria a Comissão da Verdade para apurar violações dos direitos humanos ocorridas no Brasil entre 1946 a 1988, a Organização das Nações Unidas (ONU), apesar de elogiar o País pela medida, pediu explicitamente a revogação da Lei da Anistia de 1979.
No comunicado da ONU, a alta comissária de Direitos Humanos, a indiana Navi Pillay, incentiva o País a “adotar medidas adicionais que facilitem a punição daqueles que foram responsáveis pela violação de direitos humanos no passado”. E acrescenta: “Tais medidas devem incluir a aprovação de uma nova legislação para revogar a Lei da Anistia ou declará-la inaplicável, pois impede a investigação e o fim da impunidade de graves violações dos direitos humanos”.
A Comissão da Verdade, cuja criação foi supervisionada pela presidente Dilma Rousseff – presa e torturada durante a ditadura –, foi apontada por Pillay como “um passo fundamental para a cicatrização de erros do passado e para clarificar os acontecimentos” daquela época.
A aprovação da Comissão pelo Congresso brasileiro exigiu uma longa e delicada negociação política nos bastidores para não melindrar setores do Exército brasileiro. Uma das condições impostas pelos militares foi a de que a Comissão da Verdade não tivesse poder judicial, ou seja, capacidade de julgar e punir os agentes do Estado apontados por violações dos direitos humanos.
“Esta aprovação demonstra o compromisso do Brasil em relação aos direitos humanos não apenas no País, como em todo o mundo”, disse a alta comissária da ONU, em tom de estímulo. Ao insistir na questão da revisão da Lei da Anistia, porém, ela bate de frente com o julgamento dessa questão no Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril do ano passado, os ministros daquela Corte julgaram válida a interpretação segundo a qual foram anistiados os dois lados: as vítimas de crimes de violações de direitos humanos e os agentes de Estado responsáveis por esses crimes.
O processo de criação da Comissão da Verdade foi acompanhado por entidades internacionais e governos de outros países. O Estado brasileiro era frequentemente criticado por não ter avançado na questão como os seus vizinhos na América Latina.
*CelsoJardim