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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, dezembro 04, 2011

Saiba mais sobre a Operação Sinal Fechado, que prendeu o braço direito de Serra

Garibaldi enxerga longe
O ministro da Previdência Social, senador licenciado Garibaldi Filho (PMDB), disse à imprensa ontem que a denúncia do Ministério Público estadual contra os 34 acusados da Operação Sinal Fechado, que não cabe aos políticos tecer comentários para denegrir a imagem de ninguém, evidentemente se referindo aos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira, seus adversários políticos.
Mas Garibaldi enxerga mais longe. Afinal seu nome apareceu nas interceptações telemáticas que subsidiaram a petição inicial do MP. O decreto que subsidiou todo o processo que levou à necessidade da inspeção veicular e a consecução do esquema fraudulento é de 2002, quando o ministro era governador. Em um e-mail, George Olímpio diz isso ao lobista Alcides Nogueira. No e-mail, George destaca que a Lei que tramitaria na Assembleia, aprovando o esquema da inspeção, era fundamental porque autorizaria o regime de concessão. O próprio MP destaca que o regime de concessão para a inspeção não é obrigatório, mas, inclusive atendendo a orientação de Harald Zwatkoff, da Controlar de São Paulo, a organização se mobiliza para efetivar a concessão - assim, o recurso entraria diretamente para os envolvidos, sem sequer passar nos cofres públicos.
Um outro momento em que Garibaldi aparece com clareza nas investigações diz respeito ao momento em que o ministro era presidente do Senado Federal. Ainda na primeira fase da fraude, aquela que envolvia o registro dos financiamentos de veículos nos cartórios, através da articulação de João Faustino e de seu genro Marcus Procópio, Garibaldi recebe um grupo, liderado por George Olímpio, que tenta intervir na Medida Provisória em discussão no Congresso. Querem, inclusive, que seja designado como relator o ex-senador tucano Tasso Jereissati (CE). Em 8 de novembro de 2008, Marcus Procópio faz um relato a João Faustino, que era suplente de Garibaldi e, àquela altura, atuava como subchefe da Casa Civil do governo tucano de José Serra em São Paulo. Em seguida, orienta em outro e-mail como George Olímpio deve se comportar na audiência.
Os meandros da Operação Sinal Fechado, inclusive suas relações com as investigações da Pecado Capital, são profundos. Difíceis de serem facilmente elucidados. Mas não são o suficiente para justificar algum silêncio cúmplice que vemos por aí.
~ o ~ 
Cassiano Arruda atuou como lobista?
Pelo menos três nomes relacionados à comunicação aparecem translúcidos nas investigações da Operação Sinal Fechado. O primeiro deles, denunciado ontem pelo Ministério Público, é o publicitário e lobista Ruy Nogueira. Nogueira, por indicação de Alcides Barbosa, é contratado pela organização criminosa, já em 2011, para pressionar o governo Rosalba pela liberação das inspeções veiculares. A tarefa de Ruy Nogueira seria plantar notícias contra Rosalba na imprensa nacional. Provavelmente as notícias não seriam relativas ao governo estadual, mas às três gestões que a governadora teve à frente da prefeitura de Mossoró. Ruy Nogueira foi denunciado pelo crime de extorsão.
No contexto em que aparece Ruy Nogueira surge o nome do jornalista potiguar Gaudêncio Torquato. Quando destaquei pelo twitter o nome de Gaudêncio, fui chamado por ele de fofoqueiro e bloqueado por ele. Mas o nome dele aparece, na boca de Alcides Barbosa, atribuindo-lhe sociedade com Ruy Nogueira. Posteriormente, através de nota, Ruy negou sociedade com Gaudêncio. Uma fonte, porém, me contou que seria possível haver uma sociedade oculta entre eles, mas nada que se confirme.
Mas o nome que aparece com muita força da mídia potiguar, e foi solenemente ignorado pela cobertura de imprensa, é o nome de Cassiano [Arruda] (?).
Cassiano liga em nome de João Faustino para Alcides Barbosa.  Pedem que o grupo não se movimente em São Paulo.  Em paralelo a isso, mostram as interceptações, havia uma negociação em curso com o atual governo.  George orienta Alcides a conversar com Ruy Nogueira e dizer-lhe para esperar um sinal verde para agir.  Parece se referir ao esgotamento de possibilidades com o governo atual.  Se o telefone de Alcides foi interceptado, evidentemente o MP tem a conversa deste com Cassiano.   Mas acredito que o telefone de Alcides não havia sido interceptado (corrigido por causa desse post)
Posteriormente, Ruy mandou um e-mail para Cassiano, tratado inicialmente na conversa como "nosso amigo do jornal" e, depois, melhor identificado.
Curioso é que no dia 04 de fevereiro de 2011, Cassiano Arruda fala sobre o problema do Consórcio INSPAR, tratando o caso como risco ao governo pela insegurança jurídica.  Nos dias seguintes, diversas notas versando sobre o tema foram publicadas pelo Novo Jornal:
Destaque-se que a execução da inspeção veicular estava suspensa desde os primeiros dias de janeiro e o governo discutia o que faria do contrato com o INSPAR, ameaçando cancelar.
No domingo, 06 de fevereiro, Cassiano Arruda publicou outra nota:
No dia 09 de fevereiro, Cassiano voltou ao tema:
Curioso que no dia 8 conversam George e Alcides Barbosa sobre o tema a ser tratado na campanha de mídia para pressionar o governo.  Resposta? Insegurança jurídica gerada pelo cancelamento do contrato.
O governo Rosalba anunciou a anulação do contrato do INSPAR no mesmo dia, 09 de fevereiro.  No entanto, estranhamente, em 25 de maio a anulação ainda não havia sido efetivada, como se vê nesta matéria do Portal No Minuto.   A anulação, anunciada com circunstância em fevereiro, somente aconteceu em maio.  Mas isso é assunto para outro post.
Há, ainda, uma outra referência a Cassiano na Petição do Ministério Público, em uma conversa do dia 7 de fevereiro entre George e Alcides Barbosa:
Cassiano ligou para Alcides afirmando que João Faustino havia encontrado uma solução.  João pediu, através de Marcus Procópio, para que fosse abortada qualquer missão em São Paulo ("pelo amor de Deus").  Qual solução teria encontrado João Faustino?
~ o ~
Investigação entra pelas portas do governo Rosalba
Não é apenas pela denúncia contra o atual diretor-geral do Detran/RN, Érico Ferreira, que a investigação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público entra pelas portas do governo Rosalba Ciarlini (DEM), apesar de ser essa a manifestação mais evidente.
Enquanto os indícios do envolvimento dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira estão cada vez mais presentes nas páginas dos jornais e na blogosfera, a incursão da organização criminosa no governo Rosalba estava restrita às notas de rodapé até a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o diretor-geral do Detran, Érico Ferreira.
Com a pressão da mídia e da opinião pública, o governo Rosalba suspendeu a vigência do contrato que previa a inspeção veicular obrigatória em 7 de janeiro, por 45 dias.  Em 9 de fevereiro, a governadora anunciou a anulação do contrato com o INSPAR, ainda que dissesse também que seria analisada a melhor maneira de realizar a inspeção veicular no estado.  Mesmo assim, apenas no fim de maio o contrato foi efetivamente cancelado.  Por quê?  O que acontecia nos bastidores?
Antes disso, porém, precisamos avançar até julho.  Mesmo depois da suspensão e posterior cancelamento do contrato entre Detran e Inspar, a organização criminosa continuou se movimentando.  E fez pressão sobre o vice-governador Robinson Faria (PSD) e sobre o primeiro-cavalheiro Carlos Augusto Rosado.
Carlos Augusto Rosado disse a Gilmar da Montana que, sobre reabrir o negócio da inspeção, "esse ano não dá mais, e que por ele não sabe quando".  Gilmar disse a Mou também neste telefonema, de 12 de julho, que havia um acerto com Érico Ferreira mas que o diretor-geral do Detran "agora diz que não pode".
Em outra ligação, em agosto, Alcides diz a George Olímpio que o problema para as negociações com o governo Rosalba não avançarem é que Carlos Augusto Rosado tem "ódio" de George:
As conversas entre Alcides Barbosa e Pablo, em maio, revelam mais detalhes da negociação travada com o governo Rosalba.  Alcides fala da possibilidade de chegar ao vice-governador Robinson Faria, inclusive se utilizando de sua proximidade com o prefeito Gilberto Kassab, principal articulador do partido do vice-governador Robinson, o PSD.
O mais grave entre as coisas que são ditas nesse diálogo é a constatação de que Robinson é a última resistência a um acordo pela retomada da inspeção veicular no governo Rosalba.  (O nome de Robinson está grafado erroneamente na transcrição).
Os dois têm a intenção de envolver o vice-governador oferecendo construir as bases em terrenos de sua propriedade.  
Se parecer que Robinson tem uma resistência ética ao envolvimento com a questão, Pablo trata de esclarecer.  Diz a transcrição que Pablo "já tinha iniciado essa conversa, e que o mesmo está esperando retorno dele, mas parou um pouco por não precisar mais, mas agora é só retomar".  
No dia seguinte, os dois se falam novamente sobre essa articulação com Robinson Faria.
Fica claro que Robinson tem resistência contra um dos participantes do esquema fraudulento, mas não fica claro contra quem.  Pablo diz que com Alcides não tem problema.  E Pablo, demonstrando que o vice-governador já conhecia as propostas que o grupo poderia apresentar, diz que pode apresentar Alcides dizendo que é "o parceiro da inspeção de São Paulo, é o cara que trouxe a Direcional pra cá também e é interessante você receber esse cara".  Pablo pergunta a Alcides se é interessante apresentá-lo como ligado a Kassab, que responde não ser necessário, "mas pode dizer que é um cara que já trabalhou com o KASSAB quando o mesmo foi secretário do PITTA, e pede que não deixe isso vazar para ninguém".
A negociação do governo atual com a quadrilha fica mais clara nesta gravação de conversa entre Alcides e Marco Aurélio, de outubro.
A petição esclarece que "o cara" seria Carlos Zafred.  Perceba que Marco Aurélio diz que a dificuldade de negociação com o governo é a pressão de Marcos Rola, da construtora EIT.
É nesse ponto que cabe trazer para a história o outro ponto de negociação com o governo do Estado.  É o senador José Agripino (DEM), de quem João Faustino é suplente.
A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) anunciou o cancelamento do contrato entre Detran e Inspar na tarde do dia 9 de fevereiro, mas os integrantes da quadrilha já sabiam, desde o final da manhã, que "a ordem é para mandar cancelar".
Eduardo Patrício diz a George, então, que a solução possível é "seguir com José [Agripino]".
Além disso, George está embarcando para Brasília para uma reunião com o senador.  Cerca de duas horas depois de George dizer a Gilmar que estava indo a Brasília, João Faustino diz a George que falou com José Agripino "e este iria ligar para Governadora e para Paulo de Tarso".  A reunião entre George e José Agripino, com o advogado José Delgado seria às 18h no gabinete do senador em Brasília.
José Agripino, o senador "probo", intercedeu em favor do consórcio Inspar.  Chegou a ser noticiado que o consórcio havia contribuído com R$ 700 mil na sua campanha.  Falei sobre isso aqui.
Os promotores do Patrimônio Público descobriram que a organização criminosa repassou R$ 140 mil para o denunciado Eduardo Patrício, que na transcrição acima afirma que agora restava seguir com José Agripino.  Aí a Delphi Engenharia repassou, em três parcelas, R$ 150 mil para a campanha de Wilma de Faria. (clique nas imagens para ver maior).  O Ministério Público acredita que essa tenha sido uma triangulação para que o consórcio doasse à campanha de Wilma.
Com base nessa informação, é possível supor outros desdobramentos.  Se Iberê recebeu R$ 1 milhão do esquema fraudulento, como revelam as escutas, o dinheiro deve ter seguido para a campanha.  Pode ter entrado para caixa dois, mas provavelmente a entrada nas contas de campanha deve ter sido legalizada. 
Nas prestações de contas do PSB e de Iberê há apenas uma doação cujo valor é R$ 1 milhão.
Será que houve triangulação semelhante nas doações?
Como mostrei no post de dois dias atrás, entre os dias 13 e 22 de setembro há uma movimentação intensa nas contas do DEM e do senador, envolvendo um valor muito próximo aos R$ 700 mil e uma construtora:
Observação: Acima, onde se lê "setembro de 2009", leia-se "setembro de 2010"
Aí você pode voltar algumas linhas e perceber que em gravação do dia 05 de outubro de conversa entre Alcides e Marco Aurélio.  Ali, Marco diz que o governo do estado quer negociar mas tem Marcos Rola, da EIT, por trás, atrapalhando.   Além disso, basta lembrar, também, que José Agripino tem uma relação antiga com a empresa de quem foi engenheiro, antes de se tornar prefeito biônico de Natal no fim dos anos 1970.
Para além da denúncia do atual diretor-geral do Detran, como visto, entra o escândalo pela sala da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).
E isso sem termos falado sobre o plano de João Faustino para salvar o negócio da organização.
~ o  ~
Novo Jornal apoiava inspeção desde 2010
Pelo menos em duas matérias em outubro de 2010 o Novo Jornal se posicionou de forma extremamente favorável ao Consórcio INSPAR e à inspeção veicular.
Em 09 de outubro de 2010
Em 23 de outubro de 2010
~ o ~
Art&C apresenta a inspeção veicular do INSPAR
A Art&C, agência de Arturo e Cassiano Arruda, era a agência do Consórcio INSPAR 
*comtextolivre

Magrão (1954-2011), o que viveu na alegria, sem medo

Magrão tinha o atributo que eu mais admiro num ser humano. Jamais sacrificava a dignidade ou a alegria em nome de uma vitória, fosse ela esportiva, política ou pessoal de qualquer tipo. Das muitas qualidades que possuía, essa era a mais especial, posto que joia rara: ele, que venceu tanto, sabia abraçar e amar as derrotas, sabia que nelas é que realmente conhecemos o mundo, as pessoas e as coisas, sabia que são elas que encerram o segredo. Na derrota mais famosa e doída do futebol brasileiro na segunda metade do século XX, ele foi o capitão, o poeta, o trovador e o filósofo. Não havia experiência mais incrível que se sentar com ele à mesa, com cerveja, e ouvi-lo dizer o que é ganhar, cara? Ganhar não é porra nenhuma; ganhar não é merda nenhuma!, e soltar aquela gargalhada de quem deixava no ar um pouquinho mais do que o dito.
Sócrates caminhava com a leveza e a tranquilidade dos que nunca traíram seus princípios. Num meio superlotado de cabeças-de-bagre, fraudes, impostores, mascarados e mercenários, ele foi um gênio com a bola—quem viu jogar, não se esquecerá nunca—e, depois, um verdadeiro colosso, simples e íntegro. Como apontado aqui outro dia, caminhar com ele era enlouquecedor, porque ele não só atendia com atenção qualquer pessoa que chegasse querendo um autógrafo, uma foto, um bate-papo ou um abraço. Ele nunca fazia o movimento de encerrar a conversa, por mais chato que fosse o interlocutor. Magrão era um exemplo de como se relacionar com o tempo. Raras vezes na minha vida eu me preocupei tão pouco com o tempo como quando bebi cerveja com ele. A alegria era tão contagiante que soterrava qualquer possibilidade de cálculo.
Em Londres: Magrão, eu, José Miguel Wisnik e Alex Bellos. Foto: Christina Baum
Magrão, o cérebro da Democracia Corintiana, era de esquerda, mas daquela estirpe legítima e autêntica, ou seja, internacionalista. Quando nos reunimos em Londres, num festival literário dedicado ao Brasil, a fala de Magrão—da qual eu tive a honra de ser o intérprete simultâneo, tarefa nada fácil, pois ele sabia driblar também ao falar—foi a que mais destoou do ufanismo de alguns outros convidados. Foi ele quem nos lembrou de tudo o que ainda restava por fazer no Brasil, precisamente ele, que tinha feito mais que todos nós juntos para que as coisas melhorassem tanto no país. Quando nos reunimos em Curitiba, foi ele—muito antes de mim, de Leandro Fortes, de José Miguel Wisnik, outros convidados do belo encontro organizado por Rodrigo Merheb—que nos lembrou o que aguardaria os pobres das capitais brasileiras na preparação para a Copa. Ele sempre, sempre pensava nos mais fracos, nos mais pobres, nos que não tinham condições de se defender. Era uma espécie de generosidade que tinha o dom de ser, simultaneamente, alegre e guerreira.
Os fariseus de sempre repetirão seus mantras moralistas, suas racionalizações a posteriori, seus conselhos retirados de manuais de bom comportamento. Não entenderão nunca a lição e o legado de Magrão: abraçar a vida, afirmá-la incondicionalmente, com todos os seus riscos e em toda a sua intensidade. Bastavam algumas horas com ele para que você se desse conta de que era um sujeito que havia chegado a esse estágio superior, especial: o de viver sem medo.
Até já, Doutor. Tá confirmada aquela próxima cerveja. Vai na paz.

CELAC: Declaración de Caracas

de La Polilla Cubana
“En el Bicentenario de la Lucha por la Independencia Hacia el Camino de Nuestros Libertadores”
1. Las Jefas y los Jefes de Estado y de Gobierno de los países de América Latina y el Caribe, reunidos en Caracas, República Bolivariana de Venezuela, los días2 y 3 de diciembre de 2011, en el marco de la III Cumbre de América Latina y el Caribe sobre Integración y Desarrollo (CALC) y la XXII Cumbre del Grupo de Río, y en el año de la conmemoración del Bicentenario de la Independencia de Venezuela, y en memoria y homenaje a la trascendental obra histórica de El Libertador Simón Bolívar, acuerdan:
2. Reconocer la valiosa contribución del Mecanismo Permanente de Consulta y Concertación Política -Grupo de Río- creado en diciembre de 1986 en Río de Janeiro en los temas centrales de la agenda regional y global y en favor de las más altas aspiraciones de nuestros países, así como el impulso que ha otorgado a la cooperación, como a la integración y al desarrollo de la región, la CALC, creada en diciembre de 2008, en Salvador de Bahía, Brasil.
3. Reafirmar la declaración de la Cumbre de la Unidad de América Latina y el Caribe (Riviera Maya, México, 23de febrero de 2010) y, en particular, la decisión de constituir la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) que comprende a los 33Estados soberanos de nuestra región.
4. Saludar la creación del Foro Unificado CALC y Grupo de Río de composición abierta, Co-Presidido por Chile y Venezuela que impulsó la excelente tarea de redactar el documento de procedimientos de la CELAC, dando cumplimiento efectivo a la Declaración Ministerial de Caracas del 3 de julio de 2010.
5. Reconocer los importantes logros y consensos alcanzados en las reuniones de las Ministras y los Ministros de Relaciones Exteriores realizadas en Caracas, durante julio de 2010 y abril de 2011, así como las reuniones ministeriales especializadas de lo social, ambiental, energético, financiero y comercial, en el marco de la Presidencia venezolana de la CALC.
6. Conscientes de los desafíos que la crisis económica y financiera internacional presentan al futuro de nuestra región y a nuestras legítimas aspiraciones de inclusión social, crecimiento con equidad, con desarrollo sustentable e integración.
7. Convencidos de que la unidad e integración política, económica, social y cultural de América Latina y el Caribe constituye, además de una aspiración fundamental de los pueblos aquí representados, una necesidad para enfrentar con éxito los desafíos que se nos presentan como región.
8. Conscientes de que la conmemoración del Bicentenario de los procesos de Independencia en América Latina y el Caribe, ofrece el marco propicio para la consolidación y puesta en marcha de nuestra Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC).
9. Decididos a promover y proyectar una voz concertada de América Latina y el Caribe en la discusión de los grandes temas y en el posicionamiento de la región ante acontecimientos relevantes en reuniones y conferencias internacionales de alcance global, así como en la interlocución con otras regiones y países.
10. Reconocer que nuestros países han avanzado en procesos de Integración regional y subregional y en la conformación de diversos mecanismos a lo largo de las últimas décadas, reflejo de su vocación de unidad y su naturaleza diversa y plural, que constituyen un sólido cimiento a partir del cual edificamos la Comunidad que agrupa a todos los Estados latinoamericanos y caribeños.
11. Conscientes de la aspiración común de construir sociedades justas, democráticas y libres y, convencidos de que cada uno de nuestros pueblos escogerá las vías y medios que, basados en el pleno respeto de los valores democráticos de la región, del Estado de derecho, sus instituciones y procedimientos y de los derechos humanos, les permita perseguir dichos ideales.
12. Ratificar nuestro apego a los Propósitos y Principios enunciados en la Carta de las Naciones Unidas, y el respeto al Derecho Internacional.
13. Destacando el camino trazado por los Libertadores de América Latina y el Caribe hace más de doscientos años, un camino iniciado de manera efectiva con la independencia de Haití en 1804, dirigida por Toussaint Louverture, constituyéndose de esta manera en la primera República Independiente de la región. De la misma manera recordamos que la República de Haití liderada por su Presidente Alexandre Pétion, con la ayuda prestada a Simón Bolívar para la Independencia de los territorios que en el presente conocemos como América Latina y el Caribe inició las bases para la solidaridad e integración entre los pueblos de la región.
14. Inspirados en la obra de los Libertadores, y asumiendo plenamente su legado como acervo fundacional de nuestra Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños.
15. Conscientes de que han transcurrido 185 años desde que se ensayara el gran proyecto de los Libertadores, para que la región se encuentre hoy en condiciones de abordar, por la experiencia y la madurez adquirida, el desafío de la unidad e integración de América Latina y el Caribe.
16. Inspirados en el Congreso Anfictiónico de Panamá de1826, acto fundamental de la doctrina de la unidad latinoamericana y caribeña, en el que nuestras jóvenes naciones soberanas plantearon la discusión de los destinos de la paz, el desarrollo y la transformación social del continente.
17. Destacando la participación de los pueblos indígenas y afrodescendientes en las luchas independentistas y reconociendo sus aportes morales, políticos, económicos, espirituales y culturales en la conformación de nuestras identidades y en la construcción de nuestras naciones y procesos democráticos.
18. Reconociendo el papel histórico de los países de la Comunidad Caribeña (CARICOM) en el proceso deliberación, desarrollo e integración en Latinoamérica y el Caribe, y enfatizando el compromiso permanente de CARICOM y los Pueblos Caribeños para contribuir con el desarrollo integral y sostenible de la región.
19. Exaltando la conmemoración del Bicentenario de Independencia, los países latinoamericanos y caribeños honramos la memoria de nuestras luchas independentistas y reafirmamos el pensamiento integracionista que enarbolaron nuestros héroes y heroínas.
Declaramos:
20. En el marco del Bicentenario de la independencia, nos hemos reunido los 33 países de América Latina y el Caribe, luego de los esfuerzos concretados en la Cumbre de América Latina y El Caribe (CALC) realizada el 17 de diciembre de 2008 en Salvador de Bahía y la Cumbre de la Unidad realizada en Cancún el 23 de febrero de 2010, para poner en marcha la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC).
21. Que conforme al mandato originario de nuestros libertadores, la CELAC avance en el proceso de integración política, económica, social y cultural haciendo un sabio equilibrio entre la unidad y la diversidad de nuestros pueblos, para que el mecanismo regional de integración sea el espacio idóneo para la expresión de nuestra rica diversidad cultural y a su vez sea el espacio adecuado para reafirmar la identidad de América Latina y El Caribe, su historia común y sus continuas luchas por la justicia y la libertad.
22. Que teniendo en cuenta la diversidad en los procesos de formación de la identidad latinoamericana y caribeña, la CELAC se convierta en un espacio que reivindique el derecho a la existencia, preservación y convivencia de todas las culturas, razas y etnias que habitan en los países de la región, así como el carácter multicultural de nuestros pueblos, y plurinacional de algunos de nuestros países en especial de las comunidades originarias que promueven y recreen la memoria histórica, los saberes y los conocimientos ancestrales.
23. Que reconociendo el derecho que tiene cada nación de construir en paz y libremente su propio sistema político y económico, así como en el marco de las instituciones correspondientes de acuerdo al mandato soberano de su pueblo, los procesos de diálogo, intercambio y negociación política que se activen desde la CELAC deben realizarse tomando en cuenta los siguientes valores y principios comunes: el respeto al Derecho Internacional, la solución pacífica de controversias, la prohibición del uso y de la amenaza del uso de la fuerza, el respeto a la autodeterminación, el respeto a la soberanía, el respeto a la integridad territorial, la no injerencia en los asuntos internos de cada país, la protección y promoción de todos los derechos humanos y de la democracia.
24. Con fundamento en los valores y principios del párrafo anterior y recogiendo la práctica del Grupo de Rio, la CELAC promoverá el desarrollo de instrumentos para garantizar el cumplimiento de los mismos.
25. Que es necesario continuar unificando esfuerzos y capacidades para impulsar el desarrollo sostenible de la región, concentrando los esfuerzos en el creciente proceso de cooperación e integración política, económica, social y cultural para así contribuir con la consolidación de un mundo pluripolar y democrático, justo y equilibrado, y en paz, despojado del flagelo del colonialismo y de la ocupación militar.
26. Que es necesario profundizar la cooperación y la implementación de políticas sociales para la reducción de las desigualdades sociales internas a fin de consolidar naciones capaces de cumplir y superar los Objetivos de Desarrollo del Milenio.
27. La necesidad de avanzar sobre la base de nuestros principios en el fortalecimiento y consolidación de la cooperación latinoamericana y caribeña, en el desenvolvimiento de nuestras complementariedades económicas y la cooperación Sur-Sur, como eje integrador de nuestro espacio común y como instrumento de reducción de nuestras asimetrías.
28. Que la CELAC, único mecanismo de diálogo y concertación que agrupa a los 33 países de América Latina y El Caribe, es la más alta expresión de nuestra voluntad de unidad en la diversidad, donde en lo sucesivo se fortalecerán nuestros vínculos políticos, económicos, sociales y culturales sobre la base de una agenda común de bienestar, paz y seguridad para nuestros pueblos, a objeto de consolidarnos como una comunidad regional.
29. Que la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC), teniendo presente el acervo histórico del Grupo de Río y de la CALC, impulsará planes de acción para la implementación y el cumplimiento de los compromisos plasmados en las Declaraciones de Salvador de Bahía y de Cancún, en el Plan de Acción de Montego Bay y en el Programa de Trabajo de Caracas.
Enalteciendo el proceso histórico vivido, las Jefas y los Jefes de Estado y de Gobierno de los países de América Latina y el Caribe deciden:
30. Adoptar, con base en los principios de flexibilidad y de participación voluntaria en las iniciativas las declaraciones y documentos adoptados en las reuniones ministeriales especializadas sobre Desarrollo Social y Erradicación del Hambre y la Pobreza, celebrada en Caracas, 24 y 25 de marzo de2011; reunión de seguimiento y evaluación de los avances del Foro de Ministros de Ambiente, Caracas,28 y 29 de abril de 2011; reunión Ministerial sobre Energía, Caracas, 12 y 13 de mayo de 2011; reunión Ministerial sobre la Crisis Financiera Internacional y Comercio Exterior, Caracas 18 y 19 de mayo de 2011;reunión entre Mecanismos regionales y subregionales de integración en América Latina y el Caribe en el marco de la CALC, Caracas 25 y 26 de Octubre de2010; reunión entre mecanismos regionales y subregionales de integración en América Latina y el Caribe en el área económico-comercial, Montevideo, 6y 7 de abril 2010; Reunión entre mecanismos regionales y subregionales de integración en América Latina y el Caribe en el área productiva, Caracas 5 y 6de mayo de 2011; reunión entre mecanismos regionales y subregionales de integración en América Latina y el Caribe en el área social e institucional, Caracas, 10 y 11 de junio de 2011; reunión de conclusiones entre mecanismos regionales y subregionales de integración en América Latina y el Caribe, Caracas, 11 de junio de 2011; reunión de coordinación de las iniciativas regionales en las áreas de infraestructura para la integración física de transporte y telecomunicaciones e integración fronteriza, realizada el 24 y 25 de marzo de 2011 en México; Reunión Regional de Mecanismos Latinoamericanos y Caribeños sobre Asistencia Humanitaria, realizada el 30 y 31 de mayo de 2011 en Panamá; reunión regional sobre protección a los migrantes, Perú 26 y 27 de junio de 2011. Dando cumplimiento al Programa de Trabajo de Caracas para la implementación de los mandatos de la CALC plasmados en las Declaraciones de Salvador de Bahía y de Cancún, así como en el Plan de Acción de Montego Bay, en el período 2010-2011 acordado por los Cancilleres el 3 de julio de 2010.
31. Poner en marcha la CELAC, como mecanismo representativo de concertación política, cooperación e integración de los Estados latinoamericanos y caribeños y como un espacio común que garantice la unidad e integración de nuestra región.
32. Reafirmar que el propósito común de integración, unidad y cooperación dentro de la CELAC se sustenta en los acervos heredados por los principios compartidos y consensos adoptados en la Cumbre de América Latina y el Caribe sobre la Integración y Desarrollo (CALC) y el Mecanismo Permanente de Consulta y Concertación Política Grupo de Río, que luego de fructífera labor cesan formalmente en sus acciones y dan paso a la CELAC.
33. Incorporar el Plan de Acción de Caracas 2012 como parte integral de esta Declaración, con el objetivo de llevar a la realidad nuestro compromiso político de defensa de la unidad y la integración, la cooperación, la complementariedad y la solidaridad.
34. Aprobar el “Estatuto de Procedimientos de la CELAC”, como parte integral de la presente Declaración, poniendo así definitivamente en marcha su organización y funcionamiento.
35. Invitan a la Presidencia Pro-Témpore de la CELAC a que en el ejercicio de su Presidencia implementen el Plan de Acción de Caracas 2012 en especial lo relativo a los ejes temáticos en las áreas social, ambiental, energético, económico, cultural y otras áreas prioritarias determinadas en el Plan de Acción de Caracas. Asimismo, encomendar a los Ministros de Relaciones Exteriores a que formulen propuestas para destinar los recursos materiales y financieros necesarios, sustentados en los criterios de máxima efectividad y austeridad establecidos en el documento de procedimientos de la CELAC.
36. Comprometer la voluntad de nuestros gobiernos para instruir a los mecanismos y organismos regionales, a que promuevan entre ellos la comunicación, cooperación, articulación, coordinación, complementariedad y sinergia, cuando corresponda ya través de sus respectivos órganos directivos, para contribuir a alcanzar los objetivos de integración planteados en esta Declaración, asegurando el óptimo uso de los recursos y la complementariedad de esfuerzos.
37. Reafirmar la invitación para celebrar la Cumbre de la CELAC en la República de Chile en el 2012.
38. Celebrar en la República de Cuba la Cumbre de la CELAC en 2013.
39. Acoger la realización de la Cumbre de la CELAC en el año 2014 en la República de Costa Rica.
40. Dado en Caracas, cuna de El Libertador Simón Bolívar, República Bolivariana de Venezuela, el 3 de diciembre de 2011.

Charge do Dia

Deleite soy loco

Verdades







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*amigosfacebook

sábado, dezembro 03, 2011

Charge do Dia

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Cinema

Imperdível: "A Guerra Contra a Democracia"

Inclusão e ilusão na classe A

Um fato interessante, e pouco observado, no Brasil dos últimos tempos é a movimentação interna na classe A, sem dúvida a categoria mais confusa, e cheia de nuances, dentro da barafunda que é o nosso sistema de estratificação social. Segundo o IBGE, basta afirmar ter renda superior a 5 mil reais mensais por pessoa para uma família se considerar no topo da escala. E eis aí, talvez, o maior fenômeno de inclusão deste País: para fins estatísticos, o dono de uma empreiteira figura na tabela ao lado de seus engenheiros, como se guardassem a mais tênue semelhança de proventos ou de hábitos.
Compram carros de luxo, mas lutam contra o aumento 
do salário-mínimo e o ganho real nas datas-base 
de categorias trabalhistas.
Foto: Clayton de Souza/AE
O orgulho que se segue ao ingresso na classe A acompanha a necessidade de apropriar-se de valores e sentimentos dos novos colegas de riqueza, que Mino Carta define muito apropriadamente como os “herdeiros da Casa Grande”. É justamente essa heterogênea fatia da população, verdadeira pirâmide dentro da pirâmide, a que tem acesso garantido a alguns serviços que consideram “básicos” desde o fim da escravidão: empregadas domésticas, babás, passeadores de cachorro, manobristas e equivalentes.
Daí as pressões crescentes contra cada aumento do salário-mínimo e pedido de ganho real nas datas-base de categorias trabalhistas que acompanham há décadas o desnível entre lucratividade e produtividade, com larga vantagem para a primeira. É para agradá-los que a mídia adota o discurso de que a “inflação dos serviços” traz de volta a ameaça de descontrole de preços. O encarecimento de certas atividades é um fenômeno inexorável, na verdade um reparo histórico.
Em qualquer país desenvolvido, certos serviços domésticos são prerrogativas de uma elite pequena. Não há tanta gente assim, lá fora, capaz de remunerar apropriadamente, por exemplo, o sacrifício de uma mãe que abre mão de cuidar dos próprios filhos, num sábado à tarde, para vigiar os da patroa, que quer mais tranquilidade durante uma festa de aniversário. Até porque não há tantas mulheres dispostas a vender seu tempo dessa maneira.
Há não muito tempo, uma colunista da Folha de S. Paulo sugeria aos indignados com a corrupção acrescentassem à causa a elevada carga tributária. Afinal, alegava a porta-voz da turma do Cansei (provavelmente os responsáveis pela marcha de 200 gatos pingados que “invadiram” a Avenida Paulista no último feriado e ganharam preciosos minutos de cobertura na Globo), nossas grávidas se vêem obrigadas a viajar até Miami para comprar, por preços mais justos, o enxoval de seus futuros rebentos…
Até os veículos mais insuspeitos volta e meia recaem no discurso das facilidades, tão caro à elite brasileira. O Valor Econômico, hoje um dos melhores jornais do País, trouxe no último dia 25 uma reportagem intitulada “Armadilhas da febre de Miami”, com dicas preciosas aos interessados em se aproveitar de uma nação em crise.
Acreditem ou não, as tais armadilhas do título são as leis tributárias dos EUA. E a genial recomendação é que os brasileiros endinheirados e interessados em arrematar uma “pechincha imobiliária” na Flórida abram empresas em paraísos fiscais e façam por meio delas as aquisições. Assim, prossegue a reportagem, evitam-se os impostos de transmissão de propriedade que, em caso de morte do comprador, podem chegar a 47%.
Quem acha que o Fisco brasileiro “persegue” os ricos precisa saber que, em países com mais longa tradição republicana e democrática, a tributação de propriedades é utilizada, assim como os impostos sobre heranças e grandes fortunas, para evitar a acumulação excessiva de riqueza nas mãos de umas poucas famílias, como ocorre por estas bandas.
Enquanto isso, permitimos a veiculação de propagandas de estratagemas que permitem aos ricos escapar ao pagamento de impostos tanto no Brasil quanto no exterior. Há quem chame esse tipo de estratagema de engenharia tributária. Mais um eufemismo para o jeitinho brasileiro, no pior dos sentidos.
André Siqueira
*CartaCapital

Documentário aborda a ultima transmissão do Repórter esso

DOCUMENTAÇÃO - 13.11.11: O programa desta semana aborda o documentário "A Última Transmissão", dirigido por Marcelo Emmanuel. O filme apresentado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2011 mostra como foi para o locutor Roberto Figueiredo transmitir pela última vez o "Repóter Esso", jornal radiofônico que perdurou na história do jornalismo brasileiro por 27 anos*LuisNassif
Americanos mandam a Globo fazer campanha contra Belo Monte e exportam toneladas de gás lacrimogêneo para reprimir o povo pelo mundo...


Funcionários do porto de Suez se recusaram nesta segunda-feira (28/11) a assinar o recebimento de sete toneladas e meia de gás lacrimogêneo dos Estados Unidos, alegando que o gás seria utilizado contra os manifestantes da praça Tahrir.
Agencias de noticias locais publicaram o documento que identifica a carga de 479 barris programada para ser entregue ao Ministério do Interior. Os relatórios também informam que um segundo carregamento de 14 toneladas estaria previsto para ser entregue esta semana, totalizando mais de 20 toneladas do gás.

A mídia local já apelidou os funcionários do porto como "os cinco corajosos". Um comitê de avaliação investigará a razão que levou os funcionários a recusarem a execução de suas funções.
A noticia da chegada do gás agitou também as mídias sociais. “Bombas de gás lacrimogêneo são mais importantes que a importação de trigo para fazer pão”, disse um egípcio no twitter.

Cadê esses caras agora???
GrupoBeatrice

Âncora da BBC defende fuzilar grevistas

*Miro

Deleite Paulo Cesar Pinheiro p/Simone

A ré Dilma, em novembro de 1970



Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970

ÉPOCA publica na edição desta semana uma imagem da presidente Dilma Rousseff aos 22 anos, na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro 

A RÉ DILMA Dilma na sede da Auditoria Militar no Rio de Janeiro, em novembro  de 1970. Ao fundo, os oficiais que a interrogavam sobre sua participação na luta armada escondem o rosto com a mão (Foto: Reprodução que consta no processo da Justiça Militar)
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A vida quer coragem (Editora Primeiro Plano), do jornalista Ricardo Amaral, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. A foto abaixo, inédita, está no livro que conta a trajetória de Dilma Rousseff da guerrilha ao Planalto. Amaral, que foi assessor da Casa Civil e da campanha presidencial, desencavou a imagem no processo contra Dilma na Justiça Militar. A foto foi tirada em novembro de 1970, quando a hoje presidente da República tinha 22 anos. Após 22 dias de tortura, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.

O PiG preocupado com o Lupi.
E os EUA com a Dilma


Na sessão plenária da Cúpula de Caracas, presidenta Dilma celebra a criação da Celac e reforça a importância da integração regional. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


O noticiário do PiG (*) neste sábado se dedica a derrubar o Lupi.

Clique aqui para votar no Não e no Sim: o Lupi deve pedir para sair ?

O partido da Controlar, do leilão de emendas na assembléia legislativa e da concorrência do metrô parece muito preocupado com o emprego do Roberto Freire e da filha do FHC no gabinete do Heráclito Fortes – quer dizer, do Lupi.

Como diria o Mino, é o denuncismo hipócrita

E, por isso, o PiG (*) perseguiu a Dilma em Caracas com o Lupi.

E se esqueceu de entender o que acontecia em Caracas.

O Brasil afirmou sua liderança no grupo de 33 países que formam a América Latina e o Caribe.

A Presidenta disse claramente que pretendia compartilhar a prosperidade brasileira com a comunidade vizinha.

E, ao lado de Hugo Chávez – que o PiG brasileiro ainda não conseguiu derrubar – citou Celso Furtado, como o pioneiro dessa integração econômica latino-americana, como caminho para o desenvolvimento.

(Como se sabe, o pensamento neolibelês (**) brasileiro não conseguiu produzir um pensador à altura de Furtado. O Cerra, por exemplo, jamais escreveu um livro. O FHC renegou a obra. Sobra a Urubóloga, essa, sim, uma legítima contribuição do Brasil ao pensamento neolibelês mundial. Viva a Globo !)

Enquanto o PiG fica preocupado com o Lupi, os Estados Unidos, estão é preocupados com a Dilma e sua diplomacia: uma sequencia perfeita da obra do Nunca Dantes e do grande chanceler Celso Amorim.

Clique aqui para ler “Irã e Síria, Dilma diz não ao Obama”

E aqui para ler o Santayana em “Irã – por trás da Europa estão os Estados Unidos”

Os Estados Unidos não foram à reunião de Caracas.

Nem o Canadá, o México do Norte.

Quando os americanos abrirem o olho …

Não tem importância.

Breve, o Merval, o Fernando Rodrigues e o Waack explicam a eles como é que é …

Leia o Blog do Planalto:

Celac reflete importância geopolítica da América Latina e do Caribe, diz presidenta Dilma

Chefes de Estado da América Latina e do Caribe deram hoje (2) um significativo passo para fortalecer a integração dos países da região. Reunidos em Caracas, na Venezuela, criaram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que conta com a participação de 33 países. As exceções são os Estados Unidos e o Canadá.


Na primeira sessão plenária da 3a Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma afirmou que a Celac é fato político e econômico de “grande envergadura”. A integração regional, reiterou, é condição para que as economias da América Latina e do Caribe enfrentem os desafios impostos pela crise internacional, mantenham suas taxas de crescimento acima das registradas pelo resto do mundo e preservem seus ciclos atuais de desenvolvimento.


“A Celac é a expressão da capacidade que nós tivemos de olhar para nós mesmos e perceber a importância estratégica e geopolítica desta região. O Brasil tem hoje uma economia sólida, diversificada e competitiva, mas nós não queremos olhar só para dentro do Brasil ou para a Europa e os países desenvolvidos. É chegada a hora de construir a nossa prosperidade em conjunto com todos os países da região.”


A Celac nasce da união da Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), voltada para a cooperação entre os países, com o Grupo do Rio, que teve forte atuação política desde os anos 1980. Segundo o Itamaraty, surge para contemplar a nova realidade internacional. Nesta, latino-americanos e caribenhos contribuem para resolver a crise que afeta com seriedade os países ricos. Além disso, a nova organização pode estimular a cooperação e fortalecer a integração regional.


Na sua contundente defesa da integração regional, Dilma Rousseff argumentou que são reais os temores de uma recessão global. E, na contramão do que vive hoje a Zona do Euro, “onde velhos modelos foram colocados em xeque pela especulação financeira”, os países da América Latina e do Caribe devem, segundo ela, perseguir a integração.


“Sabemos que a integração não é um processo de curto prazo ou um caminho de facilidades, mas é uma construção contínua e paciente, com respeito à pluralidade. Há que se respeitar a soberania e a independência das nações. Juntos seremos mais fortes. Juntos podemos crescer de forma solidária e mutuamente benéfica.”


Aos 33 chefes de Estado presentes à Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma ressaltou o caráter pacífico da região.


“Nós também somos uma zona de paz, livre de armas de destruição em massa, que cultiva a via do entendimento e do consenso, e que não se deixa tentar por soluções impositivas de um país pelo outro. Aprendemos a lidar com nossas diferenças pelo caminho do diálogo.”


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.
*PHA

Integração entre os países da América Latina 

Para enfrentar crise, presidenta Dilma defende integração entre os países da América Latina

Ao lado do presidente venezuelano Hugo Chávez, presidenta Dilma defende, em Caracas, integração da América Latina para garantir o crescimento econômico dos países da região. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff defendeu a integração produtiva entre os países da América Latina e do Caribe como forma de enfrentar a crise internacional e assegurar o crescimento econômico da região. Após reunião com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a presidenta afirmou, em Caracas, que aposta na integração como “motor de desenvolvimento”.
“Eu considero que estamos numa outra fase. Nós podemos construir uma integração que seja realmente produtiva e que nos leve ao crescimento das economias e dos nossos povos. E nos leve a um processo que não seja a exploração de um país por outro”, disse.
*Ajusticeiradeesquerda

Caetano Veloso e o chá do Santo Daime...

Caetano Veloso revela ao Jô Soares que chá alucinógeno pode ter comprometido seu intelecto
Entrevista juntamente com Gal Costa deve ir ao ar na segunda-feira, dia 5
Foto: Divulgação / TV Globo/Divulgação

Artista diz que já experimentou chá ayahuasca, conhecido como chá do Santo Daime.

No Programa do Jô que deve ir ao ar na segunda-feira que vem, dia 5, Caetano Veloso recorda a experiência com o chá ayahuasca, conhecido como chá do Santo Daime.
— Eu tomei e comecei a viajar, vi pontos de luz que viraram seres indianos, que viraram uma suruba de indianos de todos os sexos — conta o cantor.
Ao lado de Gal Costa, com quem está lançando o CD Recanto, ele ainda faz mais revelações a Jô Soares:
— Uma hora, achei que não ia voltar. Aliás, ainda não estou totalmente seguro que voltei.


 

Programa Viver Melhor dará melhores condições de vida à pessoa com deficiência

O governo do Estado do Amazonas lançou o programa Viver melhor que irá atender à pessoas com deficiência com prioridades em três áreas: moradia, mobilidade motora e reabilitação. Neste vídeo você também terá oportunidade de ver histórias de pessoas que foram beneficiadas pelo programa.
 
*Blogdamilitância

Eduardo Galeano e "Os filhos dos dias"

Por Eric Nepomuceno, no sítio Carta Maior:

Na casa do bairro de Malvin, em Montevidéu, há um certo alívio e uma certa expectativa. Alívio, porque o morador terminou há poucos dias um trabalho que consumiu os últimos quatro ou cinco anos de sua vida. Expectativa, porque o resultado desse trabalho só chegará ao público daqui a alguns meses, em março do ano que vem.

O morador se chama Eduardo Galeano e o trabalho que chegará ao público é um livro que se chama ‘Os filhos dos dias’. Galeano precisou desses anos e de exatas 42.754 palavras para fechar os 366 textos de seu novo trabalho, um para cada dia do ano. Diz que é uma versão pessoal, dele, do gênese segundo os maias. E diz que se somos filhos dos dias, de cada dia nasce uma história que vale a pena ser contada.

Receita de felicidade.





Observe a espontaneidade das crianças
e a facilidade com que sorriem

a receita é simples:

não se importar com o que os outros vão pensar

base da liberdade

por que o olhar do outro nos torna escravos do desejo alheio.





Da série
As crianças sabem mais

Andréa Beheregaray
*TPM

Feministas ucranianas contra prostituição no Euro 2012


UEFA атакует наши ворота from FEMEN Video on Vimeo.

*OJumento

Dilma diz que não é “propriamente romântica”


A presidente Dilma Rousseff usou de ironia nesta sexta-feira ao comentar se a declaração de "amor" do ministro do Trabalho, Carlos Lupi,influenciou sua decisão de mantê-lo no cargo, mesmo diante de novas denúncias de irregularidades contra ele.
Indagada se a declaração "eu te amo" de Lupi, feita durante sessão na Câmara em novembro, havia influenciado sua decisão, Dilma disse não ser "propriamente romântica", e afirmou que suas análises são "objetivas".
"Eu tenho 63 anos de idade, uma filha com 34 anos, um neto de um ano e dois meses. Eu não sou propriamente uma adolescente e diria, também, uma romântica", disse ela a jornalistas em Caracas, segundo áudio divulgado pela assessoria da Presidência da República.
"Eu acho que a vida ensina a gente e eu acho que a gente tem que respeitar as pessoas. Mas eu faço análises muito objetivas. Qualquer situação referente ao Brasil vocês podem ter certeza que eu resolvo a partir de segunda-feira", disse.
Dilma manteve Lupi no cargo na quinta-feira, antes de embarcar para a Venezuela, onde participa da cúpula dos países da América Latina e do Caribe (Calc).
A decisão de seguir com Lupi, mesmo com recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República de exonerá-lo devido a suspeitas de desvio ético, ocorreu após publicação de nova denúncia contra o ministro.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Lupi teria acumulado por cinco anos dois cargos de assessor parlamentar em dois diferentes órgãos públicos - a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal, no Rio de Janeiro.
Numa reunião com Dilma, Lupi afirmou que explicaria a nova denúncia.
A declaração "eu te amo" de Lupi à Dilma na Câmara ocorreu após o ministro ter afirmado "duvidar" que a presidente o demitiria e dizer que só deixaria o cargo se fosse "abatido à bala".
O Ministério do Trabalho e Lupi têm sido alvo de diversas denúncias, que envolvem desvios em convênios, cobranças de propina e de que o ministro teria pego "carona" em avião providenciado por um empresário e dirigente de ONG, que meses depois assinou convênios com o ministério.
Por: Reuters Brasil
*Ocarcará

MEIA VOLTA,VOLVER ! - OS BASTIDORES DA TROCA DO "JN" DA REDE GLOBO

http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/12588964.jpg
O novo sempre vence...(Belchior)

A confirma a saída de Fátima Bernardes do “JN”. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta – atual apresentadora do “Fantástico”.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador.

http://caras.uol.com.br/media/images/large/2010/06/28/img_158567_amauri-soares-e-patricia-poeta.jpg
Patricia ao lado de Amaury (com a camisa da seleção brasileira) curtindo um jogo
Fiz hoje pela manhã – no twitter e no facebook – algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: “ah, essa troca não quer dizer nada”. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.
.
Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.

http://acoisaehpessoal.files.wordpress.com/2010/05/13_mhg_pais_eleicoes89a.jpg?w=500&h=319
Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.


Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.

.
Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.


Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.

http://1.bp.blogspot.com/-2OSA4N_lINM/TbGLjnbLtDI/AAAAAAAAT6M/xxp6kZvW1Qw/s1600/ali_kamel-jornalista-globo.jpg
Ali Kamel (foto acima)  foi o ideólogo da “retomada conservadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele. Os dois aproveitaram a fase de “baixa” pra fazer “do limão uma limonada”. Sobre isso, o Marco Aurélio escreveu, no “Doladodelá”.


Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no “Fantástico”. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.


Pois bem. Já há alguns meses, logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder. Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho – que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.


Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como “elitistas” (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro – aliás, também amigo de Amauri). A Globo do Kamel não serve mais.


Lembremos que, desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o “Bolsa-Família”. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de “Ratzinger” na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da “bolinha de papel” em 2010 – botando o perito Molina no “JN”. Nas reuniões internas do “comitê” global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos “perigos” do lulismo.


Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá.


Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou. O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os “pitbulls” Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a “Veja”.

http://www.luizberto.com/wp-content/dilma_fantastico.jpg
Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a “normalização” de relações. O governo seguiu apanhando, na área “ética” – é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal “faxina” um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as “denúncias” de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os “pitbulls” perderiam terreno na mídia. É a tal “normalização”. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!


Patricia Poeta no “JN” parece indicar que a “normalização” passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil.

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Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela entrevista do Boni (foto acima), admitindo manipulação do debate de 89. A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na “Globo News”. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!


Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou “reescrever” o passado – em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a “reportagem” em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) – “o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar”.


Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.


Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de “normalização”. O enfraquecimento de Kamel também faz.


Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do “JN”. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o “Fala Brasil”, e com o “Hoje em Dia”. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga – apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.

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Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas – como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente.


Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?).


A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.


A conferir.


Maitê Proença e a desigualdade social do Brasil que começa e termina na Previdência

Direitos que destroem um país
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas muitas vezes não sabemos porque isso acontece. A atriz Maitê Proença, que participou do vídeo contra a hidrelétrica de Belo Monte, pode nos ajudar a entender como funciona o motor da desigualdade, mantida pelo estado e confirmada pela Justiça.
A atriz tem uma pensão vitalícia de 13 mil reais por ser filha de funcionário público e solteira. Está na lei, e ela tem direito ao dinheiro de contribuinte, informa o site Pragmatismo Político. A atriz participa de novelas da Rede Globo e apresenta um programa em canal fechado da mesma rede e, possivelmente, recebe um rendimento mensal de dar inveja a 99% dos brasileiros. Mesmo assim, é sustentada pelo Estado.
Maitê é um exemplo de como se constrói a desigualdade no Brasil. A previdência dos servidores públicos vai pagar este ano 53 bilhões de reais para 958 mil. Já o INSS vai pagar 43 bilhões de reais para 24 milhões de cidadãos. Isso é um escândalo. Bem que os atores da Globo poderiam fazer um vídeo contra esse absurdo.
A SPPrev, autarquia vinculada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, tentou suspender o benefício em 2009, com base em um trecho de um livro de Maitê dizendo que tinha vivido em relação estável por 12 anos. A declaração deveria ser suficiente para excluí-la da categoria “solteira”, no entendimento da SPPrev. Numa decisão em meados do ano passado, a Justiça brasileira suspendeu a decisão da autarquia e concedeu o direito à pensão para a Srta. Proença. A lei complementar de 1978 garante o direito à pensão paras as filhas solteiras de servidores públicos, desde que não se casem nunca; em se unindo em matrimônio, perdem a pensão. Não há outra palavra exceto “absurdo” para qualificar a aplicação dessa lei, mais ainda no caso específico. (texto integral).
*Educação Política

Diretor venezuelano Gustavo Dudamel aborda esta sexta-feira a Orquestra de Juventud Venezolana Simón Bolívar, como parte da lei da Comunidade de países da América Latina e Caribe (Celac) instalação, na Sala Ríos Reyna do teatro Teresa Carreño, em Caracas.


*ReginaSchimitz