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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, dezembro 20, 2011

A morte do blogueiro

Amilton Alexandre, conhecido como Mosquito, o blogueiro mais polêmico de Santa Catarina, foi encontrado morto em sua casa na quarta-feira passada, 13 de dezembro. Segundo a versão da polícia e de alguns amigos, os indícios apontam para suicídio. Ele estava em depressão, respondia a dezenas de processos na Justiça por causa de suas denúncias e enfrentava sérios problemas financeiros.


O blog Tijoladas do Mosquito era um fenômeno de audiência. Para se ter ideia, chegou a ter 70 mil acessos num só dia. Os poderosos do Estado, acostumados com um jornalismo medroso, jornalismo puxa-saco, falsamente equilibrado e independente, viram-se na mira de alguém que, acima de tudo, dizia tudo o que tinha para dizer sem medo e sem nenhuma censura.

Exasperado com a maldade e a corrupção, cometeu erros, “passou dos limites”, como ele mesmo reconheceu em seu último post. Seus métodos jornalísticos e seu estilo são passíveis de muitas críticas, mas ninguém pode acusá-lo de covarde. Mosquito era um homem corajoso e levou às últimas consequências a sua missão de denunciar aquilo que considerava errado. Ele não se escondia. Esteve sempre na linha de frente.

Durante a ditadura, como líder estudantil, foi um dos protagonistas da Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis, em 1979, contra a visita do então presidente João Batista Figueiredo. Mosquito foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e preso.

Quarto do poder

Curioso ele ter morrido exatamente 43 anos depois da entrada em vigor do AI-5, o ato institucional que, entre outras coisas, acabou com o que ainda restava de liberdade de expressão no Brasil. Curioso porque a luta por uma sociedade verdadeiramente democrática foi sua maior bandeira. E, contrariando as estatísticas, ele não mudou de lado, não se acomodou em cargos públicos, não se vendeu.

Como se sabe, mas sempre se esquece, não existe democracia sem pluralidade de ideias. E não existe pluralidade de ideias quando se tem um monopólio da comunicação. Em Santa Catarina, a luta de Mosquito era urgente e necessária. A Rede Brasil Sul (RBS), afiliada da Rede Globo, possui 20 emissoras de tevê, 24 emissoras de rádio, oito jornais, além de mais de uma dezena de produtos de plataforma digital.

Diante disso, o jornalismo catarinense não é um quarto poder, mas um quarto do poder. A cumplicidade entre imprensa e poder político, entre poder econômico e imprensa é tão intensa, tão explícita, que chega a parecer normal. Mas Mosquito não achava normal a hipocrisia, a falta de escrúpulos, a corrupção, a impunidade e este monopólio criminoso.

Ameaças e retaliações

Um dos grandes legados deixado pelo blogueiro foi ter escancarado a falência do jornalismo “sério” da grande mídia. A audiência de seu blog provinha, essencialmente, da quantidade de informação de interesse público que ele dava com exclusividade. Interesse público, compromisso social, é um negócio completamente fora de moda no jornalismo praticado pela grande mídia.

Ouvi alguns jornalistas, todos desta imprensa “séria”, lamentando a morte, mas dizendo: “o que ele fazia não era jornalismo”. Tudo bem, mas qual nome se dá ao trabalho realizado por esses jornalistas sérios e responsáveis?

No seu último post, escrito sete dias antes da sua morte, ele disse: “Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações. É sensato dar um tempo”. Ele estava acuado. Assumiu, sozinho, uma briga que deveria ser coletiva.

Com esta morte trágica, os corruptos de todas as espécies e de todos os Poderes podem estar se sentindo mais aliviados, mas não esqueçam que ele, o Mosquito, – mesmo involuntariamente – assentou vários tijolinhos ao longo de sua militância e desses tijolinhos, quem sabe, um dia, se construa uma imprensa mais indignada, menos hipócrita e mais comprometida com os interesses da maioria da população.

Fernando Evangelista é jornalista, colunista do NR. Escreve às terças a coluna Revoltas Cotidianas. A coluna faz uma pausa e volta em janeiro do ano que vem.
*Notaderodapé

Se você for negro, mendigo, pobre, gay (mulher), lembre-se de se vestir de yorkshire antes de morrer espancado. Aí talvez deem a atenção devida ao crime

A classe média preza por suas prioridades

São Paulo é uma cidade em que a vida de qualquer cachorrinho de madame vale mais que a de um ser humano. Até passeata andaram fazendo contra maus tratos a animais. Quem comete atos de violências contra animais deve de fato ser punido. Mas não se vê um décimo da comoção motivada pelo espancamento de um yorkshire quando se trata de pessoas. Vivemos em uma cidade onde diariamente ocorrem chacinas, crimes de intolerância, assassinato e espancamento de mulheres. Se não aprendermos a valorizar sequer o ser humano, como poderemos respeitar os animais?
*Cappacete

Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.

A Falta que faz a imprensa só a CPI supre

A CPI da Privataria: para apurar os fatos que a imprensa finge não ver
Vejo comentários de muitos jornalistas bem situados profissionalmente que, numa  afetada autoridade de Pilatos no Credo, dizem faltar  uma apuração mais profunda aos episódios descritos no “A Privataria Tucana”, que levem a plena comprovação dos indícios de crime ali apontados e materializados em documentos.
Estariam cobertos de razão, se não fosse uma “pequena” circunstância: a de que, dentro da legalidade, só duas formas existem de esclarecer situações deste tipo: o Judiciário e a imprensa.
Ao primeiro, claro, é próprio o ritmo da lei, seus prazos e meandros. Como é exclusivo, também, seu poder de condenar e punir, que a imprensa não pode e não deve usurpar.
Mas à imprensa, se quer – como diz – representar o clamor público pela gestão dos bens públicos, tem outra mecânica, mais célere, mais ágil e que, como é natural, também provoca julgamentos de natureza política.
É simples demonstrá-lo. Qual dos ministros atingidos pela onda de denúncias foi, até agora, condenado pelos atos brandidos nas manchetes de jornal como crimes? No entanto, sua desconstrução política foi completa e todos eles, hoje, sob esta ótica, são ruínas.
Se é que vão chegar a existir, os processamentos judiciais dos supostos “malfeitos” levarão anos. E não é de duvidar que, sem a pressão da mídia sobre eles, dissolvam-se.
No caso do livro de Amaury Ribeiro Júnior, têm razão estes comentarista, sim. Falta uma apuração mais extensa. Mas perdem a razão quando não dizem claramente que esta, imediatamente, é competência do jornalismo, é a grande mídia brasileira, neste caso, se recusa a investigar e publicar qualquer coisa: o que está no livro e as extensões que a partir dele se traçam.
Nem, aliás, o que ela mesma já considerou tema digno de suas matérias.
Os exemplos são muitos; elenco apenas alguns que, apenas a partir de documentos disponíveis ao público, este Tijolaço foi capaz de estabelecer.
É um fato que a Decidir.Com teve acesso aos cadastros bancários de uma gigantesca multidão de correntistas brasileiros. É um fato que a Decidir.Com era dirigida pela Sra. Verônica Serra. É um fato que está sendo processada criminalmente por isso. Tudo isso está documentado no livro de Amaury Ribeiro Jr. A própria Folha, como se publicou aqui, serviu-se deste acesso irregular aos cadastros bancários para apontar 18 deputados que emitiram cheques sem fundos, em reportagem que já antecipa o fato de ser irregular este acesso.
No entanto, o nome da responsável por essa violação, suas conexões com capital caribenho e a notícia de que há um processo criminal a respeito não foram publicadas, a não ser pela CartaCapital – em matéria de Leandro Fortes – , no livro de Amaury e nos “blogs sujos”.
Como é fato que o marido de Verônica Serra, apontado no livro como sócio de empresas em paraísos fiscais e de outras, aqui, inclusive ao lado de Verônica, foi condenado e executado por dívidas com o INSS  e ela própria participavam de empresas relacionadas ao mesmo Citco Building, em Tortola, nas Ilhas Virgens. E que “funcionavam” na mesma PO Box 662 daquele endereço, sede também dos negócios do malsinado Ricardo Sérgio.
E assim como é também fato que a Citco, titular do endereço, tem uma empresa aqui no Brasil, num escritório à Avenida Bernardino dos Santos, no Paraíso, onde repousam, também, a Rádio Holdings, do filho do presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, acusada de associação irregular com a Disney na Rádio Itapema FM, cuja sede é na mesma sala, gerida por dois contadores que movimentam empresas de paraísos fiscais e internacionais de toda a espécie, inclusive o JP Morgan, cujo braço de investimentos One Equity tem como representante a Pacific Investimentos de Verônica Serra?
Mas estes fatos, originários ou derivados de buscas feitas a partir do livro de Amaury, só surgem por obra da blogosfera, prque não aparecem na grande mídia.
Portanto, soa hipócrita querer pontificar dizendo: não entramos em disputas partidárias, vamos aos fatos.
Os fatos estão aí, e a mídia não vai.
Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.
Coisas simples, assim:
- Alô, é D. Veronica Serra? Boa tarde, aqui é Fulano, da Folha,(ou do Globo, do Estadão) . Eu gostaria que a senhora me falasse a respeito do caso do sigilo bancário que foi parar no site da Decidir, quando a senhora era diretora da empresa, como foi publicado em janeiro de 2001, na Folha. Como é que foram obtidos aqueles dados?
Pois é…
Portanto, restanos a terceira forma de apurar estes fatos dentro da legalidade: uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Em geral, as CPIs surgem de escândalos publicados pela imprensa. A CPI da Privataria, ao contrário,  surgirá de um escândalo que a grande imprensa não vê e ainda condena quem o vê.
A imprensa brasileira troca, neste caso, sua condição de testemunha pela de ré.

Vale vende quatro dos 19 navios do Almirante Agnelli

Os "Vale Itália" e "Vale Rio de Janeiro": nem chegaram, já vão
Deu agora à noite no Valor Econômico:
“A Vale já começou a tocar a nova estratégia da empresa desenhada por Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, para a área de navegação de longo curso. A mineradora acaba de vender a armadores asiáticos quatro dos 19 navios encomendados a estaleiros coreanos e chineses na gestão anterior de Roger Agnelli, confirmou fonte da companhia ao Valor.
A meta da Vale para 2012, adiantou o interlocutor, é colocar os restantes 15 supermineraleiros a venda, mas sempre com contrato de longo prazo vinculado a transação. A nova estratégia foi aprovada na semana passada pelo conselho de administração.
O recente episódio do supernavio Beijing, contratado pela Vale da coreana STX Pan Ocean, que quase afundou quando carregava minério de ferro da empresa no píer I do porto de Ponta Madeira, em São Luís, no Maranhão, e mais a surpreendente resistência dos portos chineses em receber as embarcações da Vale foram a gota d’água para Ferreira colocar em prática a nova logística de transporte marítimo no mercado transoceânico de minério.”
A operação, na verdade, não será totalmente de venda de navios, mas de repasse ou cancelamento de seus contratos de construção, sobretudo no caso dos contratados junto ao sul-coreano STX. Embora a materia não informe, os quatro navios vendidos devem ser o Vale Brasil, Vale Rio de Janeiro, Vale Itália, além do Vale Beijing, que está avariado em São Luis. Há pelo menos outros dois já lançados, em acabamento.
Uma operação totalmente desastrosa, feita de velocidade e em escala totalmente imprudentes – os 19 navios são todos da classe Chinamax, os maiores do mundo, com 400 mil toneladas de porte bruto – movida pela voracidade de exportar rapidamente tanto minério quanto possível, da mesma forma como Roger Agnelli se livrou, em apenas dois anos – entre 2001 e 2003 – da frota própria da Vale, a Docenave.
Esse era o “ídolo” empresarial dos neoliberais, o homem da “eficiência”, com a experiência de uma almirante de banheira e sua frota de patinhos de borracha.
*Tijolaço

O inimigo da moral

Vladimir Safatle
O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade
O primeiro atributo dos julgamentos morais é a universalidade. Pois espera-se de tais julgamentos que sejam simétricos, que tratem casos semelhantes de forma equivalente. Quando tal simetria se quebra, então os gritos moralizadores começam a soar como astúcia estratégica submetida à lógica do “para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei”.
Devemos ter isso em mente quando a questão é pensar as relações entre moral e política no Brasil. Muitas vezes, a imprensa desempenhou um papel importante na revelação de práticas de corrupção arraigadas em vários estratos dos governos. No entanto houve momentos em que seu silêncio foi inaceitável.
Por exemplo, no auge do dito caso do mensalão, descobriu-se que o esquema de corrupção que gerou o escândalo fora montado pelo presidente do maior partido de oposição. Esquema criado não só para financiar sua campanha como senador mas (como o próprio afirmou em entrevista à Folha) também para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu candidato.
Em qualquer lugar do mundo, uma informação dessa natureza seria uma notícia espetacular. No Brasil, alguns importantes veículos da imprensa simplesmente omitiram essa informação a seus leitores durante meses.
Outro exemplo ilustrativo acontece com o metrô de São Paulo. Não bastasse ser uma obra construída a passos inacreditavelmente lentos, marcada por adiamentos reiterados, com direito a acidentes mortais resultantes de parcerias público-privadas lesivas aos interesses públicos, temos um histórico de denúncias de corrupção (caso Alstom), licitações forjadas e afastamento de seu presidente pela Justiça, que justificariam que nossos melhores jornalistas investigativos se voltassem ao subsolo de São Paulo.
Agora volta a discussão sobre o processo de privatização do governo FHC. Na época, as denúncias de malversações se avolumaram, algumas apresentadas por esta Folha. Mas vimos um festival de “engavetamento” de pedidos de investigação pela Procuradoria-Geral da União, assim como CPIs abortadas por manobras regimentais ou sufocadas em seu nascedouro. Ou seja, nada foi, de fato, investigado.
O povo brasileiro tem o direito de saber o que realmente aconteceu na venda de algumas de suas empresas mais importantes. Não é mais possível vermos essa situação na qual uma exigência de investigação concreta de corrupção é imediatamente vista por alguns como expressão de interesses partidários. O Brasil será melhor quando o ímpeto investigativo atingir a todos de maneira simétrica. 
*GilsonSampaio

Charges do Dia

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Serra e FHC estão na mira da CPI da Privataria, que prevê o depoimento de ambos

  Por Redação – do Rio de Janeiro
Privataria
Serra, FHC e Aécio Neves são citados no livro A Pirataria Tucana
Ao reunir apoio mais do que suficiente para ingressar, ainda nesta quarta-feira, com o requerimento para abertura da CPI daPrivataria na Câmara, o deputado e delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) não descarta a convocação do candidato tucano derrotado à Presidência da República no ano passado, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) para depor perante os deputados. Ambos são citados como cúmplices em uma série de possíveis crimes contra o Erário, durante o processo de privatização, segundo denúncia contida no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
– A Câmara não precisa de autorização do STF nem de ninguém para convocar o ex-presidente FHC a depor. Depende apenas da CPI, que já conta com mais de 250 assinatura, das 171 necessárias regimentalmente – esclarece o parlamentar, em entrevista exclusiva para o Correio do Brasil, na manhã desta segunda-feira.
Protógenes indica, ainda, que a CPI da Privataria, uma vez instalada, passará imediatamente à fase de apuração da veracidade de todos os documentos contidos no livro-reportagem do jornalista Amaury Jr, A Privataria Tucana. O autor revela, entre outras denúncias, que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio participou, ativamente, no envio de mais de R$ 60 bilhões ao exterior, entre os anos de 1998 e 2002. Entre os documentos anexados está um laudo da própria Polícia Federal, com a assinatura dos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro. Ricardo Sérgio aparece, posteriormente, como principal arrecadador de recursos para as campanhas eleitorais de Serra, tanto ao governo do Estado de São Paulo quanto à Presidência da República, em 2010.
– Iremos, inicialmente, levantar a veracidade de um por um dos documentos citados no livro. O primeiro passo da CPI será a formação de um grupo de trabalho com esta finalidade. Os fatos revelados no livro, para nós, já são suficientes para a abertura de um procedimento dessa natureza e, uma vez confirmados tanto a origem quanto a autenticidade documental, estes fatos serão fortalecidos. Aferidas as provas apresentadas, o passo seguinte será a convocação de todas as pessoas envolvidas, entre elas o ex-presidente FHC e o ex-governador José Serra – afirmou.
“Antes de assumir como o homem do dinheiro de Serra e FHC, Mr Big(como é conhecido Ricardo Sérgio) trabalhou durante 30 anos na área privada. Serviu ao banco Crefisul e ao Citibank e, mais tarde, estabelecendo-se por conta própria, abriu duas empresas. Sempre teve um confortável padrão de vida, mas tornou-se milionário mesmo depois de três anos no timão da área internacional do Banco do Brasil. Foi o único diretor do BB não indicado pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes, e também o único com acesso a FHC”, acrescenta o jornalista Amaury Jr., em seu livro. Para o delegado Protógenes, se ele ainda estivesse na ativa “já teria aberto um inquérito”.
– Mas, como estou na Câmara, a medida adequada é a abertura desta CPI. O requerimento será entregue nesta quarta-feira porque muitos deputados, que querem assinar o documento para a abertura das investigações, não o puderam fazer na sexta-feira. Muitos ainda estão me ligando aqui para também assinar o requerimento – disse o parlamentar.
Delegado federal
Licenciado da Polícia Federal e deputado federal pelo PCdoB de São Paulo, Protógenes Queiroz foi o delegado no comando da Operação Satiagrahaque desvendou um dos maiores esquemas de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha do país. Ela resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, citado no livro A Pirataria Tucana como um dos colaboradores do esquema mafioso. Também participou da prisão do especulador Naji Nahas, do contrabandista Law Kin Chong, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) e de outros 14 acusados de corrupção. Protógenes coordenou, em parceria com a Promotoria de São Paulo, as investigações do caso Corinthians/MSI , por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Os envolvidos nas fraudes da arbitragem do futebol Brasileiro, em 2005, também foram investigados por ele e pelos promotores Roberto Porto e José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco. O delegado presidiu o inquérito sobre remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais que descobriu movimentações de quase cinco milhões de dólares das quais o ex-prefeito Celso Pitta seria o principal beneficiário. O ex-prefeito Paulo Maluf foi investigado no mesmo inquérito. Foi de Protógenes o relatório final do inquérito sobre desvios de dinheiro na Prefeitura de São Paulo durante os governos de Maluf (1993-1996) e Pitta (1997-2000).
Na Câmara, o parlamentar é suplente nas comissões de Reforma Política, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Turismo e Desporto, Reforma Política, Políticas Públicas de Combate às Drogas e na Subcomissão Permanente para tratar do sistema de segurança pública, seus órgãos institucionais, carreiras e programas de valorização dos policiais.
*CorreiodoBrasil

segunda-feira, dezembro 19, 2011

STF põe mordaça no CNJ





Em decisão provisória, STF reduz poderes de investigação do CNJ


Logo após a cerimônia que fechou o ano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar limitando os poderes do Conselho Nacional dle Justiça (CNJ) para investigar e punir juízes acusados de irregularidades. De acordo com a decisão de Marco Aurélio, o CNJ não pode atuar antes das corregedorias dos tribunais locais. Para o ministro, o CNJ tem uma competência subsidiária, o que permite ao órgão complementar o trabalho das corregedorias locais e não assumir em primeira mão as investigações. A decisão de Marco Aurélio é liminar. Em tese, poderá ser contestada durante o recesso do Judiciário, que começa nesta terça-feira, 20, e vai até o início de fevereiro. Se a liminar for mantida, deverá ser analisada em fevereiro pelo plenário do STF.


Na prática, o CNJ perde o poder de iniciar suas próprias investigações contra magistrados suspeitos de irregularidades. O conselho só terá o direito de absorver processos que já tenham sido abertos nas corregedorias locais, desde que possa comprovar que as apurações estão paradas.

*PHA

Mire-se no exemplo de Verônica

Notícias — Por DESACATO
Por Walter Falceta Jr. no FB
Redirecionado por Celso Vicenzi.
Você, minha querida amiga, jornalista, professora, publicitária, administradora, por que ralar tanto por tão pouco?
Mire-se no exemplo de Verônica. Ela trabalha quase nada, ganha milhões e não precisa dar satisfações a ninguém. Justiça e imprensa passam longe de vigiar esta empreendedora.
Só para você ficar com água na boca:
1) As empresas de Verônica, em geral, não produzem NADA. Elas apenas funcionam como estações intermediárias entre grandes movimentações financeiras. Mas rendem muito, muito mesmo.
2) Veja que o fundo de investimentos que ela montou com o marido tinha sede em… Vamos ver se você adivinha… Em Trancoso, na Bahia, um lugar obviamente lotado de executivos e sedes de grandes bancos internacionais.
3) Quando deu na telha, ela decidiu montar a Decidir.com, e logo a empresa recebeu do Banco Opportunity um capital de US$ 5 milhões.
4) Para não ter problemas com gente bisbilhoteira, ela transferiu a empresa para o escritório da Ctco. Building, na Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso… fiscal. E lá ganhou muito mais dinheiro.
5) De lá, entre uma praia e um drink exótico, internalizou R$ 10 milhões em ações da empresa no Brasil, que funcionava… no escritório da própria Verônica.
6) Essa espertíssima brasileira sabe multiplicar e gerir as chamadas “empresas camaleão”.
7) Se é para ganhar dinheiro, vale tudo. Por exemplo, Verônica invadiu os registros de 60 milhões de brasileiros e os vendeu, bem vendidos. Tino comercial. Ou seja, orgulhe-se: provavelmente você ajudou Verônica a fazer mais um milhãozinho.
8) Verônica é nome de mulher esperta. Mude seu nome para Verônica, portanto. A Verônica Serra virou sócia da Verônica Dantas, irmã do Daniel Dantas, amigão de tanta gente na imprensa, especialmente em “Veja”. Ganharam dinheiro de um jeito “esperto”, lidando com informação “privilegiada”.
9) Quando a operação Satiagraha colou na mulher mais esperta do Brasil, ela não titubeou. E divulgou nota oficial: “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”. Ou seja, Verônica Serra é tão astuta que nem precisa conviver com seus sócios, eternas fontes de aborrecimento.
10) Fechada uma empresa, abre-se outra. Verônica Serra torna-se representante da OEP, braço do JP Morgan, em seus investimentos no Brasil. Sua companhia, que a rigor não produz nada, é comprada por uma das maiores instituições financeiras do mundo. Segundo o Valor Econômico a transação pode ter valor de referência superior a US$ 100 milhões.
11) Espertamente, o negócio foi mediado por outra empresa, a Pacific Investimentos, que coincidentemente também pertence a… Verônica Serra.
12) Essa empresa foi criada com capital de R$ 268.834,00, mas três dos sócios só capitalizaram R$ 1 cada.
13) Em cinco meses apenas, a empresa obtém lucros espetaculares e a sócia norte-americana da empresa, Margot Greenman, deixa a sociedade, levando um dinheirinho e um automóvel Corolla usado.
14) Lógicamente, Verônica Serra passa a ser dona de toda a empresa, e das boladas que arrecada, exceto por R$ 2. Sim, dois reais continuam pertencendo a seus parceiros.
15) Dona Margot, por sua vez, também é muito prática e capaz. Em seguida, ela vira diretora da Solfin Securitizadora, que muda de nome para Financial Crédito. Por obra de Deus, o capital da empresa salta instantaneamente de R$ 10 mil para R$ 65 milhões.
E você aí, ralando, acordando cedo, fazendo as contas no final do mês, pesquisando preço de produtos no supermercado, atrasando o IPVA… Bobagem, mire-se no exemplo de Verônica. Com ela, não tem aperto. Com ela, é só prosperidade.
PS  Tudo isto está provado com documentos e detalhes no Livro de Amauri Ribeiro JR,  A privataria Tucana. editora Geração. Sao paulo  dez 2011.
Imagem tomada de: conversaafiada.com.br (Esq: Verônica Dantas)
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"Discurso ante la tumba de Marx" Federico Engels (1883)- Espelho de luta

Sessão Espelho de Luta -  Vamos Tentar nestes dias que nos faltam para terminar 2011, trazer diariamente um texto para que sirva de reflexao e analise conjuntural. Juntos somos fortes, hasta la Vitória Hermanos


Enviado por Safranny,

"Discurso ante la tumba de Marx" Federico Engels (1883)

diciembre 11, 2010 07:16 Publicado por Dr. Juan Oscar Pons
Etiquetas: Discursos Históricos: Federico Engels

Discurso ante la tumba de Marx
Cementerio de Highgate en Londres
El más grande pensador vivo dejo de pensar
Federico Engels
[22 de Marzo de 1883]

El 14 de marzo, a las tres menos cuarto de la tarde , dejó de pensar el más grande pensador de nuestros días. Apenas le dejamos dos minutos solo, y cuando volvimos, le encontramos dormido suavemente en su sillón, pero para siempre.
Es de todo punto imposible calcular lo que el proletariado militante de Europa y América y la ciencia histórica han perdido con este hombre. Harto pronto se dejará sentir el vacío que ha abierto la muerte de esta figura gigantesca.
Así como Darwin descubrió la ley del desarrollo de la naturaleza orgánica, Marx descubrió la ley del desarrollo de la historia humana: el hecho, tan sencillo, pero oculto bajo la maleza ideológica, de que el hombre necesita, en primer lugar, comer, beber, tener un techo y vestirse antes de poder hacer política, ciencia, arte, religión, etc.; que, por tanto, la producción de los medios de vida inmediatos, materiales, y por consiguiente, la correspondiente fase económica de desarrollo de un pueblo o una época es la base a partir de la cual se han desarrollado las instituciones políticas, las concepciones jurídicas, las ideas artísticas e incluso las ideas religiosas de los hombres y con arreglo a la cual deben, por tanto, explicarse, y no al revés, como hasta entonces se había venido haciendo. Pero no es esto sólo. Marx descubrió también la ley específica que mueve el actual modo de producción capitalista y la sociedad burguesa creada por él . El descubrimiento de la plusvalía iluminó de pronto estos problemas, mientras que todas las investigaciones anteriores, tanto las de los economistas burgueses como las de los críticos socialistas, habían vagado en las tinieblas.
Dos descubrimientos como éstos debían bastar para una vida. Quien tenga la suerte de hacer tan sólo un descubrimiento así, ya puede considerarse feliz. Pero no hubo un sólo campo que Marx no sometiese a investigación -y éstos campos fueron muchos, y no se limitó a tocar de pasada ni uno sólo- incluyendo las matemáticas, en la que no hiciese descubrimientos originales. Tal era el hombre de ciencia. Pero esto no era, ni con mucho, la mitad del hombre. Para Marx, la ciencia era una fuerza histórica motriz, una fuerza revolucionaria. Por puro que fuese el gozo que pudiera depararle un nuevo descubrimiento hecho en cualquier ciencia teórica y cuya aplicación práctica tal vez no podía preverse en modo alguno, era muy otro el goce que experimentaba cuando se trataba de un descubrimiento que ejercía inmediatamente una influencia revolucionadora en la industria y en el desarrollo histórico en general. Por eso seguía al detalle la marcha de los descubrimientos realizados en el campo de la electricidad, hasta los de Marcel Deprez en los últimos tiempos.
Pues Marx era, ante todo, un revolucionario. Cooperar, de este o del otro modo, al derrocamiento de la sociedad capitalista y de las instituciones políticas creadas por ella, contribuir a la emancipación del proletariado moderno, a quién él había infundido por primera vez la conciencia de su propia situación y de sus necesidades, la conciencia de las condiciones de su emancipación: tal era la verdadera misión de su vida. La lucha era su elemento. Y luchó con una pasión, una tenacidad y un éxito como pocos. Primera Gaceta del Rin, 1842; Vorwärts [1] de París, 1844; Gaceta Alemana de Bruselas, 1847; Nueva Gaceta del Rin, 1848-1849; New York Tribune, 1852 a 1861, a todo lo cual hay que añadir un montón de folletos de lucha, y el trabajo en las organizaciones de París, Bruselas y Londres, hasta que, por último, nació como remate de todo, la gran Asociación Internacional de Trabajadores, que era, en verdad, una obra de la que su autor podía estar orgulloso, aunque no hubiera creado ninguna otra cosa.
Por eso, Marx era el hombre más odiado y más calumniado de su tiempo. Los gobiernos, lo mismo los absolutistas que los republicanos, le expulsaban. Los burgueses, lo mismo los conservadores que los ultrademócratas, competían a lanzar difamaciones contra él. Marx apartaba todo esto a un lado como si fueran telas de araña, no hacía caso de ello; sólo contestaba cuando la necesidad imperiosa lo exigía. Y ha muerto venerado, querido, llorado por millones de obreros de la causa revolucionaria, como él, diseminados por toda Europa y América, desde la minas de Siberia hasta California. Y puedo atreverme a decir que si pudo tener muchos adversarios, apenas tuvo un solo enemigo personal. Su nombre vivirá a través de los siglos, y con él su obra.
FEDERICO ENGELS
*Juntossomosfortes

Estrago de “Privataria” abala candidatura Serra


Sem alternativas na sucessão municipal, PSDB caminhava para indicar José Serra mais uma vez; agora, com o ex-governadorem evidência pelas denúncias de corrupção relacionadas à privatização, já não há mais essa certeza

Brasil 247
*Ajusticeiradeesquerda
http://img.photobucket.com/albums/v507/luisgrodrigues/Abrao.jpghttp://img.photobucket.com/albums/v507/luisgrodrigues/MorteCrist.jpghttp://img.photobucket.com/albums/v507/luisgrodrigues/Superstio.jpg*DiarioAteista

ISTOÉ trata do assunto da semana

O jornalismo investigativo da revista Época

*esquerdopata

Deleite Cesaria Évora e Marisa Monte


*OJumento

Brasil completa um ano de desrespeito à Corte da OEA sobre Guerrilha do Araguaia

foto_mat_32355Condenado em 2010, o país tinha até esta semana para investigar os responsáveis pelos homicídios da ditadura militar na região, nos anos 70, e entregar os restos mortais dos desaparecidos aos familiares. Buscas seguem infrutíferas e Campanha “Cumpra-se” faz vigília para cobrar respostas da presidenta Dilma Rousseff. "O Exército continua nos torturando ao não nos entregar esses corpos", afirma Laura Petit, que perdeu três irmãos no Araguaia.

Bia Barbosa
No final de 1973, o ex-estudante de engenharia Jaime Petit da Silva foi metralhado pelo Exército brasileiro numa cabana no meio da mata, na região do Araguaia, na divisa entre os estados do Pará, Maranhão e, na época, Goiás (hoje Tocantins). Os disparos foram tantos e tão intensos que a choupana pegou fogo. Do lado de dentro, um homem magro, doente, sozinho, desarmado - o que desmonta a tese de confronto propagada pelos militares.
Meses depois, em abril de 1974, o irmão mais velho de Jaime, Lúcio Petit da Silva, também morreu no Araguaia. Feito prisioneiro com outros dois companheiros do PCdoB, ele foi visto por moradores do município de São Domingos sendo levado de helicóptero para a base militar de São Raimundo. Em 2001, sua irmã Laura, acompanhando uma diligência do Ministério Público Federal à região, ouviu da boca de um mateiro, que tinha trabalhado muitos anos para o Exército, que Lúcio tinha tido sua cabeça cortada para ser levada ao comandante da base. Ainda segundo o mateiro, Lúcio tinha documentos de identidade verdadeiros. O Exército brasileiro sabia, portanto, exatamente, quem ele era. Seus restos mortais, e também os do irmão Jaime, nunca foram entregues à família.
Esta semana, vestindo uma camiseta com a foto dos irmãos mortos e desaparecidos, onde se lia a frase "A única luta que se perde é a que se abandona", Laura foi mais uma vez para as ruas cobrar do Estado brasileiro o direito de enterrar seus entes queridos. Ao lado de outros familiares de vítimas da ditadura militar e ex-presos políticos, Laura Petit participou de um ato pelo cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA condenando o Brasil a reparar as famílias dos mortos da Guerrilha do Araguaia. Nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro, venceu o prazo para que o país cumprisse os doze pontos da sentença, mas praticamente nada saiu do papel até hoje.
Entre as determinações da Corte da Organização dos Estados Americanos estão a investigação e punição dos responsáveis pelas torturas, homicídios e desaparecimentos forçados durante a Guerrilha do Araguaia; a identificação e entrega dos restos mortais dos desaparecidos aos familiares; o acesso, sistematização e publicação de documentos sobre a guerrilha em poder do Estado; e a implementação de programas de educação em direitos humanos permanentes dentro das Forças Armadas. A sentença diz ainda a Lei de Anistia de 1979 está em desacordo com a jurisdição internacional de direitos humanos, pois impede que perpetradores da ditadura sejam julgados, e que o Brasil deveria alterar sua legislação para permitir sua punição.
O processo é resultado de uma ação civil movida internamente em 1982 por 22 famílias de presos políticos do Araguaia. Eles simplesmente queriam saber o paradeiro de seus filhos, receber seus restos mortais e compreender as condições em que morreram. Em 2003, mais de 20 anos depois, a Justiça brasileira condenou o Estado a abrir os arquivos das Forças Armadas para informar, em 120 dias, o local do sepultamento desses militantes.
O governo Lula, no entanto, recorreu. Em 2007, esgotaram-se os recursos legais, mas o país, condenado, ignorou a sentença da Justiça. As famílias recorreram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, cuja Corte, em 24 de novembro de 2010, condenou o Estado a cumprir a sentença brasileira de 2003 e expediu essas outras determinações ao país.
"Mas muito pouco foi feito. Reconhecemos o esforço das buscas no Araguaia, mas elas tem sido infrutíferas, e não bastam. Não é possível o governo seguir achando que esta decisão da OEA é uma ingerência sobre o país. O Brasil assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a Corte. Agora deve cumprir suas decisões. É um atentado aos direitos humanos o que o governo Dilma está praticando", criticou Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e um dos coordenadores da Campanha Cumpra-se, que organizou o ato esta semana em São Paulo e também nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Omissão governamental
A campanha pretende estar em estado de vigília permanente pelo cumprimento da sentença da OEA, com a organização de protestos sempre aos dias 14 de cada mês. Um pedido de audiência com a Presidenta Dilma foi protocolado no escritório da Presidência da República em São Paulo. Segundo o Centro de Justiça e Direito Internacional (Cejil), o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, que ingressaram na OEA em nome dos familiares, até agora o Executivo não chamou os peticionários para conversar sobre o cumprimento dos doze pontos apresentados pela Corte.
"O governo Lula publicou um livro - resultado do trabalho que os próprios familiares tinham feito - e achou que isso bastava. Teve a coragem de pedir o arquivamento da sentença. Reconheceu oficialmente o erro do Estado brasileiro, mas não deu um passo além para esclarecer as circunstâncias das mortes e desaparecimentos forçados no Araguaia", criticou Laura Petit. "Durante cerca de dois anos, as buscas foram feitas pelo Exército, ou seja, aqueles que ocultaram os corpos eram os responsáveis por "procurá-los". Pedimos para o Ministério Público acompanhar, para evitar que provas fossem destruídas, mas só este ano os procuradores foram autorizados. Outro problema é que as buscas são restritas ao cemitério de Xambioá, onde o número de corpos é muito pequeno", explicou.
Xambioá, no estado do Tocantins, foi o destino dos guerrilheiros mortos na primeira campanha do Exército contra a guerrilha, em 1972. Lá foi enterrada Maria Lúcia Petit da Silva, a terceira irmã que Laura perdeu para a ditadura. Maria Lúcia foi dada como desaparecida por quase duas décadas. Seus restos mortais foram localizados em 1991 no cemitério de Xambioá, envoltos num tecido de para-quedas, e identificados por exame de DNA em 1996, após cinco anos de pesquisas da Unicamp. Ela é uma das raras vítimas do Araguaia já localizadas.
Já os guerrilheiros mortos em 1973 e 1974, como Jaime e Lúcio, desapareceram. "O Exército diz que os arquivos foram queimados e por isso eles não sabem onde estão os outros. Mas sabemos que há leis inclusive para destruir arquivos mortos. E há ainda os arquivos vivos, que são os militares. Figuras como (Major) Curió e Lício (Maciel) que foram agraciados com a Medalha do Pacificador, deveriam ser os primeiros a ser ouvidos", acredita Laura. "Mas o Exército continua em guerra conosco. Seguem nos torturando porque não entregam os corpos de nossos familiares", acrescentou.
Laura militou no movimento estudantil. Estudava no Centro Maria Antônia. Como havia se casado em 1968 e tinha que ajudar a mãe, viúva, a cuidar de um irmão mais novo, não foi para o Araguaia com Lúcio, Jaime e Maria Lúcia. Se emociona ao dizer: "Fiquei. Para contar essa história". Xambioá, na língua indígena do povo de mesmo nome, significa pássaro veloz.
Por: Carta Maior
*Ocarcará

OS 35 ANOS DA CHACINA DA LAPA



Nesta sexta-feira, 16 de dezembro, completam-se 35 anos da chamada “Chacina da Lapa”, o assassinato de três dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por agentes do DOI-Codi (centro de repressão do Exército): Pedro Pomar, João Baptista Drummond e Ângelo Arroyo. Drummond foi morto primeiro, depois de ter sido preso e submetido a torturas; Pedro Pomar e Arroyo foram fuzilados sem esboçar qualquer reação quando os agentes invadiram o aparelho, uma casa no bairro da Lapa, onde os membros do Comitê Central do PCdoB estavam reunidos.


Corpos dos dirigentes do PCdoB mortos na Lapa
 Os dirigentes Aldo Arantes, Elza Monnerat, Haroldo de Lima, Joaquim de Lima e Maria Trindade, foram presos e torturados. A ação foi possível graças à traição de Jover Telles, membro do Comitê Central que tinha sido preso e cooptado pela repressão. A Chacina da Lapa foi o golpe de misericórdia na liderança da Guerrilha do Araguaia, cujos integrantes tinham sido quase todos exterminados pelo Exército.

General Dilermando
O curioso é que este episódio – o último de matança sistemática de militantes revolucionários pelos órgãos repressivos da ditadura militar – ocorreu sob o comando do general “aberturista” Dilermando Gomes Monteiro, então comandante do II Exército, sediado em São Paulo. No início de 1976, ele havia substituído o facínora colega de farda e patente Ednardo D’Ávila Melo, defenestrado do comando daquela unidade pelo general-ditador Ernesto Geisel. O afastamento ocorrera depois das mortes seguidas, nas dependências do DOI-Codi, de Manuel Fiel Filho, em janeiro daquele ano, e de Vladimir Herzog, em outubro de 1975. Dilermando fazia parte do grupo que apoiava a abertura “lenta, gradual e segura” de Geisel contra a linha-dura, que queria manter a repressão “à outrance”.

Geisel enfrentou a linha-dura

Agência Estado
A morte de Manoel Fiel Filho (detalhe) na prisão leva Geisel a demitir o general Ednardo D' Ávila Melo
Um basta à linha dura
Nova morte no Doi-Codi leva à queda do comandante do II Exército

No dia 17 de janeiro, três meses depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Doi-Codi em São Paulo (outubro de 1975), o metalúrgico Manoel Fiel Filho foi encontrado morto em sua cela, no mesmo local, um dia depois de ser preso sob a acusação de subversão. Como no caso de Herzog, o II Exército distribuiu nota afirmando que ele se enforcara na prisão. Dessa vez, no entanto, o presidente Ernesto Geisel dá um basta à linha dura e demite o comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Melo. O episódio marcou o começo do fim do predomínio dos porões da repressão dentro do próprio regime militar.

Analistas especulam que a mão pesada da repressão naquele episódio tenha ocorrido devido à necessidade de Geisel mostrar firmeza frente à oposição armada – mesmo com esta completamente dizimada – depois do afastamento de Ednardo e da neutralização do centro de torturas do DOI-Codi em instalado na rua Tutóia, em São Paulo. A linha-dura estava ferida, mas ainda tinha músculos e força dentro do Exército..
Tanto que essa corrente só deixaria de representar ameaça ao projeto de poder dos “aberturistas” um ano depois, em outubro de 1977, quando Geisel demitiria o ministro do Exército, general Sylvio Frota, líder máximo da linha-dura e autodesignado candidato à sucessão presidencial.
http://www.politicaparapoliticos.com.br/resources/imagens/especial/7226-sylvio_frota1.jpg
General Sylvio Frota
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Derrotado internamente, esse setor partiria para ações terroristas, como o seqüestro de D. Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu, os atentados a bomba contra a ABI, a OAB e as bancas que vendiam jornais alternativos. O ápice dessas ações ocorreria em 1981, com a tentativa de fazer explodir o Riocentro que levaria ao afastamento do mago dos aberturistas, Golbery do Couto e Silva, então chefe da Casa Civil.
http://www.luizberto.com/wp-content/Terror-no-Riocentro-1981.jpeg
Terrorista morre ao explodir sua própria bomba acidentalmente, artefato concebido para ser detonado  contra o povo em evento no Rio Centro. O ato sanguinário do  terrorista era obediencial  a   orientação dos golpistas da linha dura.

Hoje, os remanescentes desse bando de assassinos psicopatas estão nos Clubes Militares e nos Ternumas da vida.

Seria bom que a Comissão da Verdade esclarecesse esses fatos e tirasse o sossego dessa canalha...



"Apesar da criação tradicional e do peso do medo, cresci livre por dentro, pois minhas leituras me emanciparam - e a liberdade, como descobri mais tarde, começa na cabeça, antes de chegar à expressão e às atitudes de uma pessoa."
(em Eu Matei Sherazade)

Troque a Faca Pelo Garfo / Forks Over Knives (2011)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiepEhyphenhyphen9PDJoZTYb0IbQ4A7yVWsVrQWOeKBOJQMJH5LnmeHnQAd-TtSUxSy7D2s6mpP2iWh08sSVaS_MEOae0vHi8eV0qC5e4MHu5l5HGf6VzxHZ7OJpAtvL3RRvP477fO25K1jnirLULk/s1600/Forks_Over_Knives_movie_poster.png


(EUA, 2011, 90 min. - Direção: Lee Fulkerson)
Contundente! Imperdível!
Você sabia que em 1958 nos EUA foram registrados 14.000 casos de câncer de próstata e que no Japão, que tinha a metade da população estadunidense, foram registrados apenas 18 casos?
Se você acha que o câncer e a diabetes só podem ser tratadas através de medicamentos, você precisa ver esse documentário. Aqui não se trata de achismos ou doutrinas, muito pelo contrário: pesquisas extensas e dados coletados pelos 4 cantos do mundo com as mais variadas etnias, por vários anos mostram que doenças coronárias, diabetes, câncer podem ser evitadas e até mesmo revertidas através de uma alimentação saudável.
Resta agora você saber o que é saudável...
*docverdade

Depoimento de estudante expulsa da USP

Do Blog USP em Greve
 Nota do Núcleo de Consciência Negra:

‎"A reunião extraordinária realizada no CRUSP dia 17/12 para discutir a expulsão dos 6 estudantes da USP, foi muito boa cerca de 100 pessoas compareceram, entre a medida de entrar com mandato de segurança o quanto antes contra as expulsoes, tiramos também medidas fundamentais para dar uma resposta imediata do movimento a esse brutal ataque. Dentre essas medidas está sendo convocado um Ato em resposta à eliminação dos seis estudantes na próxima segunda-feira (19 de Dezembro), com concentração às 13 horas em frente à reitoria e reunião ampliada às 17 horas na sala 51 na Associação de Moradores do CRUSP, que reúna além de toda galera, o Comando de Greve, o Sindicato dos Trabalhadores (SINTUSP), além da Associação dos Professores (ADUSP) e demais entidades combativas de dentro e de fora da universidade". [Rosi Sanyos]

Maiakovski, poeta russo escreveu, no início  do século XX :

Na primeira noite, eles se aproximam

e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


Maiakovski

Depois Bertold Brecht escreveu:
Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertold Brecht (1898-1956)

Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…


Martin Niemöller, 1933 – símbolo da resistência aos nazistas.

Também Martin Luther King disse: “O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!”.

Fora Rodas!