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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pescoço do Gilmar não se livrou da corda

Respeitado advogado de Brasília, da OAB nacional (não é o Ophir, esconjuro !), procurou o deputado Protógenes Queiroz para chamar a atenção para um fato que, não vivêssemos numa sub-democracia, estaria nas manchetes de todos os jornais.

Trata-se do seguinte: o pescoço do Gilmar Dantas (*) ainda não se livrou da corda !

Como se sabe, o bravo advogado Dr Alberto Piovesan entrou no Senado com uma ação para pedir investigação sobre as relações – no mínimo – promíscuas  do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo com um dos 5005 advogados de Daniel Dantas (o banqueiro condenado a dez anos).

Trata-se do advogado Sérgio Bermudes, cujo escritório emprega a mulher do ex-Supremo e o filho do Dr Macabu, aquele que, provisoriamente, sepultou a Satiagraha no STJ.

Clique aqui para ler “Maia vai criar a CPI às 12h desta quarta– feira”.

A ação de Piovesan, na verdade, corresponde a um B.O.

Aparentemente, o Dr Piovesan parecia ter morrido na praia.

O Presidente do Senado, José Sarney, cujo filho Fernando está pendurado na Justiça e na Polícia Federal, numa corda bambíssima, de pronto, mandou arquivar o pedido do Dr Piovesan.

Foi o erro número um nessa dramática narrativa.

“Dramática”, porque, jamais, na História do Supremo, se ouviu falar de um pedido de impeachment de um membro da Suprema Corte.

Piovesan recorreu e o ministro Mello, o Marco Aurélio que apunhalou pelas costas a Ministra Eliana Calmon e fechou o CNJ nas férias, o Ministro Melo arquivou o pedido do Dr Piovesan.

Erro dramático número 2.

O Dr Piovesan voltou ao Supremo com um mandado de segurança para ajeitar a corda no pescoço do ex-Supremo Presidente, nesta temporada natalina.

Primeiro, Piovesan quer submeter a questão, de novo, ao plenário do STF, já que na sessão em que Melo decidiu não havia o quorum regimental minimo.

Foi, digamos, se se pode usar uma metáfora futebolística, uma decisão no tapetão.

O segundo ponto do argumento do Dr Piovesan nesse retorno ao Supremo é que o Ministerio Público não foi ouvido.

A questão está nas mãos do Ministro Lewandovisky.

Caberá a ele a alta tarefa de trazer a questão de volta ao plenário e perguntar ao Ministerio Público o que acha dos argumentos do Dr Piovesan.

Um Ministro do Supremo deve ser o anfitrião da festa do advogado de Dantas e receber os convidados na porta ?

Hospedar-se no apartamento do advogado de Dantas overlooking the Central Park ?

Andar na Mercedes do advogado de Dantas ?

Hein, dr Gurgel ?

Portanto, a corda continua a rondar o pescoço do ex-Supremo.

O reputado advogado que visitou o deputado Protógenes informou também que o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) fez pronunciamento no grande expediente da Câmara e mandou publicar a ação do Dr Piovesan nos anais do Congresso.

Portanto, Gilmar Dantas (*) e Sergio Bermudes estão, para sempre,  inscritos na História do Congresso.

O ansioso blogueiro soube, também, que um outro deputado federal, de renomada reputação, decidiu investigar os motivos e a natureza da denúncia de Gilmar Dantas à Policia Federal: o ex-Supremo mandou investigar a vida do Dr Piovesan.

O nobre deputado quer entender melhor o funcionamento e a lógica dessa denúncia.

O ansioso blogueiro, também.

Lamentavelmente, o ex-Supremo não vai poder passar um Fim de Ano em paz.

Esse Dr Piovesan …


Paulo Henrique Amorim

A guerra silenciosa das farmacêutica

do Fada do Bosque

"Os medicamentos que curam completamente, não dão lucro"
Entrevista com Dr. Richard J. Roberts, Prémio Nobel  da Medicina 1993
Tenho 63 anos e o pior do envelhecer é ter muitas verdades como sagradas, pois é quando é realmente necessáriio fazer perguntas.
Nasci em Derby e o meu pai era mecânico, ofereceu-me um kit de química e ainda gosto de brincar. Sou casado tenho quatro filhos e sou tetraplégico devido a um acidente. O que me estimula é a investigação e por isso ainda a faço, participo no Campus for Excellence.
                                                                                                                                                                                                            - A pesquisa pode ser planeada? 
Se eu fosse ministro da ciência procuraria pessoas entusiasmadas com projectos interessantes. Bastava financiar para que aparecessem em 10 anos resultados surpreendentes.
- Parece uma boa política.
Acredita-se geralmente que financiar a pesquisa é o bastante para se poder ir muito longe, mas se se quer ter lucros rápidos, tem de se apoir a pesquisa aplicada.
- E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis são feitas baseadas em perguntas básicas.
Foi assim que foi criado, com biliões de dólares, o gigante da biotecnologia dos EUA, a firma para quem eu trabalho.
Como foi criado esse gigante?
A biotecnolgia apareceu quando apaixonados pela matéria se começaram a questionar se poderiam clonar genes. Assim se começou a estudar e a purificá-los.
- Uma aventura por si só.
Sim, mas ninguém na altura esperava enriquecer com essa matéria, foi difícil arranjar financiamento para as pesquisas, até que o Presidente Nixon em 1971 resolveu lançar a guerra contra o cancro.
- Foi científicamente produtivo?
Permitiu muitas pesquisas, uma delas foi a minha, com uma enorme quantidade de fundos públicos, com pessoas que não estavam directamente ligadas ao cancro, mas foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.
- Que foi que o Prof. descobriu?
Phillipe Allen Sharp e eu descobrimos o ADN em íntrons eucarióticas e mecanismo de "splicing" do gene, e fomos bem recompensados.
- Para que foi útil?
Essa descoberta levou a perceber como funciona o ADN, no entanto tem apenas uma ligação indirecta com o cancro.
Que modelo de pesquisa parece mais eficaz para você, o americano ou o europeu?
É óbvio que os EUA, onde o capital privado tem um papel activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de computadores, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica aplicada, mas para a indústria da saúde ... eu tenho as minhas reservas.
- Eu escuto.
A pesquisa sobre a saúde humana não pode depender apenas de sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas, nem sempre é bom para as pessoas.
- O senhor poderia explicar?
A indústria farmacêutica quer servir o mercado de capitais ...
- Como qualquer outra indústria...
Não é apenas qualquer outra indústria, nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas, os nossos filhos e milhões de seres humanos.
- Mas se eles são rentáveis, eles vão pesquisar melhor.
Se você só pensar em benefícios, você vai parar de se preocupar em servir as pessoas.
- Por exemplo?
Eu vi que em alguns casos, os cientistas que dependem de fundos privados descobriram um medicamento muito eficaz, que teria eliminado completamente uma doença ...
- E porque parar de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessados ​​na cura mas na obtenção de dinheiro, assim a investigação, de repente, foi desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, tornam isso sim, a doença crónica. Medicamentos que fazem sentir uma melhoria, mas que desaparece quando o doente pare de tomar a droga.
- É uma acusação grave.
É comum que as empresas farmacêuticas estejam interessadas em pesquisas que não curam, mas que apenas tornam as doenças crônicas, com drogas mais rentáveis, do que medicamentos que curam completamente uma vez e para sempre. Você só precisa seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que eu digo.
- Estão a matar dividendos.
É por isso que dizemos que a saúde não pode ser um mercado e não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E eu acho que o modelo europeu de capital privado e público misto, é menos susceptível de encorajar tais abusos.
- Um exemplo de tais abusos?
Pararam nvestigações com antibióticos porque estavam a ser muito eficazes e os doentes ficaram completamente curados. Como novos antibióticos não foram desenvolvidos, os organismos infecciosos tornaram-se resistentes e a tuberculose hoje, que na minha infância tinha sido vencida, reaparece e matou no ano passado um milhão de pessoas.
-  Está a falar sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: doenças do Terceiro Mundo. Dificilmente se fazem investigações, porque as drogas que iriam combater essas doenças são inúteis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Mundo, o Ocidental : o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não é pesquisado.
- Há políticos envolvidos?
Não fique muito animado: no nosso sistema, os políticos são meros empregados das grandes empresas, que investem o que é necessário para que os "seus filhos" se possam eleger, e se eles não são eleitos, compram aqueles que foram eleitos.
O dinheiro e as grandes empresas só estão interessados ​​em multiplicar. Quase todos os políticos - e eu sei o que quero dizer, dependem descaradamente destas multinacionais farmacêuticas, que financiam as suas campanhas.
O resto são palavras ...
EUA infectaram cidadãos da Guatemala com sífilis e gonorreia para estudo; Hillary pede desculpas
 *GilsonSampaio

Londres: escultura avaliada em US$ 800 mil é roubada de parque

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Imagem exibe a estrutura danificada da escultura após o roubo no Parque Dulwich, em Londres. Foto: AFP
Imagem exibe a estrutura danificada da escultura após o roubo no Parque Dulwich, em Londres
Foto: AFP
Uma escultura de bronze da artista britânica Barbara Hepworth avaliada em US$ 787 mil foi roubada de um parque londrino, supostamente por ladrões que querem revender o metal.
A obra, chamada Two Forms (Duas Formas) e produzida em 1969, foi furtada na noite de segunda-feira do parque Dulwich, no bairro de Southwark, no sul da capital britânica.
A prefeitura da cidade ofereceu uma recompensa de US$ 1.575 aos cidadãos que apresentarem informações que levem à captura dos ladrões, informou nesta quarta a imprensa britânica.
O vereador Peter John pediu à polícia de Londres que investigue o furto, que acredita fazer parte de uma onda de roubos de obras de arte de metal no país, que depois são fundidas e vendidas no mercado negro. "O roubo de arte pública de metal está virando uma epidemia", disse John, que pediu à polícia que descubra o culpado pelos furtos.
A Polícia Metropolitana de Londres (MET) formou em dezembro uma unidade dedicada especificamente ao roubo de metal, uma atividade lucrativa e cada vez mais comum no Reino Unido.
A escultura de Barbara Hepworth (1903-1975), que estava no parque londrino desde 1970, é uma das várias obras públicas da artista, que tem um de seus trabalhos mais conhecidos, "Winged Figure" (Figura Alada), exposta na parede exterior da loja de departamento John Lewis, no centro da capital britânica.
*Terra

Como diz a corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, há sim bandidos de toga. Decisão do STF facilita a vida desses bandidos e nem o Sbt aguenta mais o Supremo. Veja abaixo a opinião da emissora com a apresentadora Raquel Sheherazade.


*educaçãopolítica

Exemplo de gestão comprometida com as redes sociais.

Clique
Que sirva de exemplo, para outros estados, municípios e o governo federal.
Abraços,
Sergio Telles
*Ajusticeiradeesquerda

2011, o ano em que a influência da mídia brasileira morreu

O ano em que um livro desmascarou a imprensa

"Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".

(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).
***
Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.
Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.
O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.
Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista "Carta Capital" e dos telejornais da Rede Record.
Nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor. Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internet. .
No final de semana, o fenomeno editorial apareceu nas listas de jornais e revistas, mas não mereceu qualquer resenha ou reportagem sobre o seu conteúdo.
Em 47 anos de trabalho nas principais redações da imprensa brasileira, com exceção da revista "Veja", nunca tinha visto nada igual, nem mesmo na época da ditadura militar, quando a gente não era proibido de escrever, apenas os censores não deixavam publicar.
Foi como se todos houvessem combinado que o livro simplesmente não existiria. Esqueceram-se que há alguns anos o mundo foi revolucionado por um negócio chamado internet, em que todos nos tornamos emissores e receptores de informações, tornando-se impossível esconder qualquer notícia.
O que mais me espantou foi o silêncio dos principais colunistas e blogueiros do país _ falo dos profissionais considerados sérios _, muitos deles meus amigos e mestres no ofício, que sempre preservaram sua independência, mesmo quando discordavam da posição editorial da empresa onde estão trabalhando. Nenhum deles ousou escrever, nem bem nem mal, sobre A Privataria Tucana, com a honrosa exceção de José Simão.
Alguns ainda tentaram dar alguma desculpa esfarrapada, como falta de tempo para ler e investigar os documentos publicados no livro, mas a grande maioria simplesmente saiu por aí assobiando e mudando de assunto.
O que aconteceu? Faz algum tempo, as entidades representativas da velha mídia criaram o Instituto Millenium, uma instituição voltada à defesa dos seus interesses e negócios, o que é muito justo.
Sob a bandeira da "defesa da liberdade de expressão", segundo eles sempre ameaçada por malfeitores do PT e de setores do governo federal, os barões da mídia promoveram vários saraus para denunciar os perigos que enfrentavam. O principal deles, claro, era "a volta da censura".
Pois a censura voltou a imperar escandalosamente na semana passada, só que, desta vez, não promovida por orgãos do Estado, mas pelas próprias empresas jornalísticas abrigadas no Millenium, que decidiram apagar do mapa, não uma reportagem ou uma foto, mas um livro.
O episódio certamente será um divisor de águas no relacionamento entre a grande imprensa e seus clientes. Por mais que cada vez menos gente acreditasse nessa conversa, seus porta-vozes sempre insistiam em garantir que a mídia grande era independente, apartidária, isenta, preocupada apenas em contar o que está acontecendo e denunciar os malfeitos do governo, em defesa do interesse nacional e da felicidade de todos.
Agora, caiu definitivamente a máscara. Neste final de semana, ouvi de várias pessoas, em diferentes ambientes, que vão cancelar assinaturas de publicações em que não confiam mais.
Como jornalista ainda apaixonado pela profissão, fico triste com tudo isso, mas não posso brigar com os fatos. Foi vergonhoso ver o que aconteceu e não deu para esconder. Graças à internet, todo mundo ficou sabendo.
E agora? O que vão dizer aos seus ouvintes, leitores e telespectadores?

*esquerdopata

Os honoráveis bandidos e o Holocausto brasileiro


Por Cláudio Ribeiro *

Frase tantas vezes dita e repetida, o tempo que passa é o tempo que nos resta. O levantamento histórico e documentado do período ditatorial deve ser efetivado sem mais demora.

Se a anistia destina-se à pacificação de ânimos de pessoas atingidas em certo momento histórico por atos ilegais, perseguições, prisões arbitrárias, torturas generalizadas, assassinatos e desaparecimentos, hoje a luta contra a repetição de violências semelhantes e a busca da verdade e da justiça devem andar de mãos dadas.

A importância de esquecer impõe a necessidade de lembrar. Ninguém pode apagar o que não foi escrito, nem se esquece daquilo que não é lembrado. O esquecimento exige o confronto com o passado.

Por essa razão, a revisita à memória dos anos vividos sob a batuta dos tacões militares (e da concepção de segurança nacional ainda decantada em certos espaços institucionais e meios sociais) possibilita recordar e detectar seus fins e seus meios: A ditadura militar não foi implantada no Brasil (e nos demais países da América do Sul) para derrotar o comunismo ou comunistas. Como Hitler na Alemanha, que içou bandeiras contra judeus e comunistas, no Brasil a bandeira do anticomunismo foi erguida apenas para esconder o verdadeiro holocausto brasileiro, a implementação de uma política econômica de subtração de rendas (e riquezas) das classes trabalhadoras através do confisco salarial e da modernização conservadora do campo para transferi-las à elite patrimonialista brasileira.

Se a ditadura veio para isso, como é possível alguém dizer que ela acabou? A política econômica continua, e agora mais protegida, não mais pelos quartéis, mas pelo Banco Central.

Durante o governo Lula, as rendas da classe média foram em grande parte confiscadas para minimizar o sofrimento dos excluídos, mas não teve forças para por o dedo na ferida, o bolso dos ricos e poderosos.

A dívida pública brasileira beira o abismo dos 3 trilhões de reais e neste ano, com a taxa Selic, alçada aos fantásticos 12%, vai custar ao nosso povo algo no entorno dos 300 bilhões. Os juros afundarão a curto prazo todas as possibilidades de crescimento sustentável e aprofundarão as intoleráveis desigualdades em que naufragamos nossas esperanças.

O Erário está a serviço do banquete de banqueiros e rentistas. O controle de informações é tão brutal que, como povo, não sabemos sequer a origem da dívida pública, quem são os credores, se estamos pagando algo que devemos ou alguma coisa cujo pagamento já se multiplicou.
Enquanto não for desvendado o arquivo deste misterioso saque, não saberemos como enfrentá-lo, nem reconstruiremos um caminho de desenvolvimento nacional se não punirmos, e com rigor, esses honoráveis bandidos que assaltam nossos recursos públicos.

Não há dúvidas, a ditadura militar entregou a essa elite usurária todo o poder de comandar o Estado brasileiro e as burras nacionais. Além da concentração de rendas e riquezas, a essência doutrinária apregoada pela mídia abriu o coração do Brasil para o transplante das novas condições necessárias às transformações do capitalismo para colocar nossa sociedade sob o jugo dos interesses internacionais concentrados do grande capital, mais tarde regulamentados pelo Consenso de Washington.

Os fins impuseram os mecanismos e instrumentos de dominação (novas formas de colonização), demolindo-se, no limiar, os elementos culturais de raízes populares, desde a música e os cânticos, a literatura como um todo, até a degradação da qualidade dos bancos escolares e acadêmicos para impor uma nova escala de valores éticos (?) e morais (?), como a exacerbação do individualismo, a glorificação da competitividade econômica (para reerguer um dos pilares do regime nazista, o indivíduo produtivo), acarretando, como resultado pedagógico, o incentivo às disputas pessoais.

A perseguição feroz, sanguinária em vários exemplos (o caso Rubens Paiva é paradigmático), as prisões, torturas e assassinatos dos opositores (como se todos integrassem organizações comunistas), a imensa maioria dos quais discordava da barbárie cometida em subterrâneos policiais (como os saudosos Sobral Pinto, Alceu Amoroso Lima, Hélio Pelegrino, Frei Tito de Alencar e corajosos, como Cardeal Arns, fervorosos católicos, além de outros), deve ser investigada a fundo; todavia, isto não basta, porque a sádica brutalidade macarthista dos torturadores e seus mandantes serviu submissamente ao enriquecimento dessa elite ultrajante que tomou conta dos cofres da União.

Este quadro deu início e adubou a violência, a impunidade, a marginalização de amplas camadas da população atingidas pelo desemprego e pela brutal redução da remuneração do trabalho.

A censura e a mordaça (sobre o Judiciário inclusive) foram empregadas com todo vigor e, em alguns e raros casos, com prisões e cassações. O levantamento apurado de todos esses acontecimentos e a punição dos responsáveis (sem sanhas marcadas pela vingança ou revanchismo) são indispensáveis para estabelecimento de um alicerce sólido à construção de um Estado Democrático de Direito, onde as pessoas possam conviver com afeto e solidariedade e não, como hoje, com desconfianças recíprocas, um Estado, onde os crimes sejam punidos sem distinguir as classes sociais dos criminosos, onde os Poderes inerentes à Democracia ajam com absoluta transparência em benefício do Povo e não, de privilégios e privilegiados.

Países como a Argentina e o Uruguai, mergulhados em ditaduras brutais já vivem uma realidade menos violenta porque a História está sendo revista e escrita, os responsáveis, os cabeças e os torturadores mais doentios, punidos. Se os ladrões ainda continuam, quase todos, desfrutando dos bens saqueados.

Nós ainda não conseguimos a prestação de contas do passado recente e, por este motivo fundamental, a anistia com todas as suas repercussões deve ser examinada com os olhos presos nesse dever de contribuir para construir a sociedade programada principalmente pelo artigo 3º da Constituição Federal.

Quem barra a apuração desse violento período histórico? Apenas a cúpula das Forças Armadas? Ou, ao contrário, são os honoráveis bandidos brasileiros que se fartaram de enriquecer durante o regime exercido por militares a serviço dessa elite usurária?

A mais recente e triste decisão do Supremo Tribunal Federal não deve sufocar os que defendem um verdadeiro Estado Democrático de Direito. O Brasil e as razões que impuseram a tristeza daquele julgamento foram condenados pela Corte Interamericana de Justiça. A luta contra o velho regime ditatorial deve continuar, para que este País vença a violência e a impunidade que o assolam, sabendo que ambas são heranças do período de concentração de rendas e riquezas, dos ricos que empobrecem nossa nação escondidos no subsolo das sociedades ainda anônimas, comerciais, industriais, usurárias, nacionais e estrangeiras, que se valeram à farta de torturadores, fardados ou não, para saciar a infinita voracidade dos valores criados no entorno do Capital.

Apurar os crimes de prisões ilegais, sequestros, torturas, assassinatos e ocultação de cadáveres cometidos pelos governos militares contra integrantes da oposição democrática e popular e, com mais força ainda, investigar a vida daqueles que se enriqueceram ilicitamente às custas do sacrifico do povo e do Estado brasileiros.

Uma investigação rigorosa levará inevitavelmente à outra. Chega de violência. Chega de impunidade. Por uma auditoria real e transparente da dívida pública. Pela punição dos algozes da sociedade brasileira, dos torturadores e seus mandantes e dessa turba de assaltantes dos recursos públicos da Nação.


* Cláudio Ribeiro é advogado.
*Observadoressociais
Quartel da direita


É em São Paulo que se localiza o quartel general da direita brasileira, aquela que representa de fato o atraso, a submissão a interesses estrangeiros, aquela que não perde a sua formação aculturada, o seu preconceito contra pobres, negros e nordestinos, por exemplo.

Aquela que morde o próprio cotovelo de inveja ao não querer reconhecer que um metalúrgico sem diploma universitário, sem plumas e paetês, tirou o país da condição de devedor passando-o a emprestador internacional. Oposição no mais puro estilo quinta coluna.

É em São Paulo também que se localiza o centro mais reacionário da mídia corporativa que diariamente apostou suas fichas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante oito anos e agora continua a apostar contra o governo da presidenta Dilma Roussef na esperança de que possa encontrar motivos políticos para enfraquecê-la e preparar o terreno onde, numa eventual regresso ao governo federal, façam o Brasil voltar ao mercado de negócios e interesse escusos em que transformaram o país enquanto governaram, bem como o Estado de São Paulo que governam há anos e agora a capital do estado.

Tal qual na mitologia grega, o eleitor paulista entre outros tem que fazer um dos trabalhos de Hércules e ir cortando as cabeças da Hidra, tantos anos ignorada, e que insiste em renascer sob novos disfarces. Uma dessas cabeças, talvez a mais perigosa, reúne jornais, revistas e emissoras de televisão.

Seu centro criativo e ideológico está em São Paulo, onde editoriais e jornalistas de aluguel destilam seus preconceitos ideológicos e sociais com o apoio do setor rentista, de grandes agências de publicidade, bancos, latifúndios muitos deles grilados, sucursais de empresas multinacionais, cujos interesses defendem sem qualquer escrúpulo e com a aceitação a conivência de grandes setores de uma classe média fascista.

A promiscuidade desses atores do espectro econômico com seus representantes nas câmeras de vereadores, assembléias estaduais e principalmente em Brasília, por meio de lobbies com polpudas verbas nos bolsos vai, a cada ano que passa, transformando São Paulo numa peça cada vez mais encardida e rançosa no mapa político do país nesse início de século XXI, com o arcabouço administrativo da cidade e do estado engessado pela concepção econômica neoliberal e pela mesmice de quadros políticos que têm um olho político em nosso passado ditatorial e outro, econômico, na possibilidade de amealhar grandes fortunas no uso de tecnologias do futuro e não só, num jogo que beneficia os governantes de plantão e os seus apaniguados mais próximos.

Nesse audacioso jogo de assalto ao patrimônio público, onde o exercício da política quase que anula a procura pelo bem estar da coletividade, não é difícil enxergar, cada vez com maior nitidez os fios trançados entre os já nem tanto obscuros interesses econômicos e políticos da imprensa das quatro famílias (Marinhos, Civitas, Mesquitas e Frias), onde não se descarta sempre a possibilidade de um hipotético, mas não de todo imprevisível golpe de estado, não aquele tradicional com soldados na rua, fechamento do Congresso, toques de recolher etc., mas um golpe que, sob certo aspecto, é mais perverso: o da desinformação, quando não da repetição pura e simples de uma suposição, de uma acusação irresponsável ou mesmo de uma mentira.
*notasderodapé

10 capas de revistas nacionais em versão sincera

*cappacete

Charges do Dia

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Marco Aurelio Melo: na “casta” ninguém tasca.

Via Terra
Liminar aureliana dá imunidade a juízes suspeitos de corrupção e desvios funcionais
Wálter Fanganiello Maierovitch
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O ministro Marco Aurélio de Mello, –como noticiado  ontem por Terra Magazine–, determinou, por meio de medida liminar (provisória), a suspensão de todas as apurações disciplinares e correcionais referentes a magistrados e feitas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Para se ter idéia, por força da liminar ficam suspensos os trabalhos correcionais que estão sendo realizados pela ministra Eliana Calmon (corrgedora do CNJ)  no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo noticiado, um pequeno grupo de magistrados paulistas, na gestão do falecido presidente Viana Santos ( faleceu sob odor de venda de liminares e enriquecimento sem causa), teria recebido importâncias milionárias, de duvidosa constitucionalidade e acima do teto remuneratório estabelecido. Com a correição de Calmon, isto estava, até ontem, sendo apurado.
Mais ainda, com a liminar do ministro Marco Aurélio de Mello 54 procedimentos disciplinares contra magistrados acusados de desvios funcionais  restam suspensos.
A decisão liminar, como qualquer rábula de porta de cadeia sabe, só é lançado em caso de urgência e para evitar dano irreparável. No popular, é a relevância, urgência, que determina a concessão de uma medida cautelar liminar. Numa comparação, um pronto-socorro judiciário. Os romanos usavam o termo em “periculum in mora”, ou seja, perigo em razão da demora da decisão.
No caso submetido ao ministro Marco Aurélio de Mello, o julgamento a respeito da  competência do CNJ foi, no final de novembro passado,  tirado da pauta do plenário do STF. Pelo deliberado, essa matéria está no aguardo de melhor oportunidade para voltar a entrar em pauta. A propósito, trata-se de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Caso houvesse situação de urgência, não seria a ação tirada de pauta.
A liminar  de suspensão de apurações concedida por Marco Aurélio de Mello terá validade durante o período de recesso mensal do STF. O recesso começou ontem e imediatamente após o seu início, surgiu a decisão aureliana.
O período de férias, por ato do seu presidente e dada a relevância, pode ser suspenso. Mas, o ministro Cezar Peluso já frisou que a liminar só será apreciada em regular sessão plenária.
Pano Rápido. A tese de Marco Aurélio e relativa à competência apenas suplementar (só poderia atuar em caso de omissão das corregedorias dos tribunais estaduais ou federeais) do CNJ é conhecida de longa data. E ficou claro que o ministro Marco Auréio de Mello se aproveitou do recesso para, liminarmente, colocá-la para valer.
Em outras palavras, em tese houve um desvio funcional do ministro Marco Aurélio e para satisfazer posição pessoal, conhecida faz anos.. Sobre esse desvio funcional em tese, o CNJ nada pode fazer.
Falsamente, “vendeu-se” ao cidadão comum  a idéia de que o CNJ seria um órgão de controle externo. Além de não ser externo (a maioria é de magistrados), o CNJ, segundo entendimento do STF, não tem poder correcional, fiscalizador, sobre os seus ministros: como o STF, na Constituição e topograficamente, está acima do CNJ, o entendimento, em causa própria, é pela incompetência apuratória do CNJ. Assim, ministros do STF só estariam sujeitos a impeachment junto ao Senado. No Senado, está Sarney pronto a arquivar qualquer pedido, como já fez em uma oportunidade.
Resumindo: “lá vai o Brasil descendo a ladeira”.
*GilsonSampaio

EUA a caminho do precipício

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos informa: uma em cada cinco mulheres foi estuprada.
O Centro é órgão governamental.
O Centro informa também que um em cada sete homens sofreu estupro.
Se você é um dos crédulos que vêem os  EUA como um paraíso e um bom lugar para viver, você com certeza é mais uma vítima da mídia.
E da indústria de entretenimento.
AQUI Você lê a reportagem envergonhada e reduzidíssima.
Aliàs essa informação não é nenhuma novidade para os leitores do blog.
Leia AQUI o que escreveu o cientista e astrônomo Karl Sagan em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios.
Se nos EUA é assim, você já imaginou o que eles não fazem nos países ocupados?
*GilsonSampaio

terça-feira, dezembro 20, 2011

O protesto dos alunos contra a mensalidade da Cásper Líbero

que vai passar de absurdos R$1500.
*LuisNassif

Difamação (Defamation) - A Indústria do Antissemitismo.



O documentário Hashmatsa (Defamation) do diretor israelense Yoav Shamir é uma porrada dolorida no estômago, pois quando um judeu diz ao público que ele nunca experimentou o anti-semitismo (embora ele ouve sobre isso constantemente) , e o mesmo pergunta se isso não foi usado como uma ferramenta política para justificar ações militares israelenses, sinceramente, temos que escutar o que esse personagem tem a dizer.


O diretor israelense Yoav Shamir embarca em uma provocante - e às vezes irreverente - busca para responder à pergunta: Qual é o anti-semitismo hoje? Será que continuam a ser uma ameaça perigosa e imediata? Ou é uma tática de medo usados ​​por sionistas de direita para desacreditar seus críticos? 

Falando com um conjunto de pessoas de todo o espectro político (incluindo o chefe da Liga Anti-Difamação e seus mais ferozes críticos, o autor Norman Finkelstein) e viajar para lugares como Auschwitz (ao lado de crianças das escolas em Israel) e Brooklyn (de explorar relatos de violência contra os judeus), Shamir descobre a realidade do anti-semitismo hoje. Suas descobertas são chocantes, esclarecedora e - surpreendentemente - muitas vezes ironicamente engraçado.

*Tireotubo

A resposta das religiões afrobrasileiras à TV Record

Dica da @Binahlre

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Tempos atrás, o Ministério Público Federal de São Paulo, através da procuradora Eugênia Gonzaga, inovocou uma tese inédita, desenvolvida por procuradores: a do direito de resposta coletivo. Ou seja, o direito de resposta quando setores extensos da sociedade forem afetados por manifestações jornalísticas.

Foi impetrada uma ação contra a TV Record, que havia atacado as religiões afrobrasileiras.

Um programa chegou a ser gravado, como direito de resposta. Mas a emissora logrou impedir a veiculação, recorrendo da ação.

Aqui, o vídeo - inédito.

*Tecedora

Por um Natal sem neve 

 

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:

A televisão no Brasil não dita apenas hábitos, costumes e valores, mas também o ritmo de vida da maioria da população. Nos dias úteis com seus horários para “donas de casa”, crianças e adultos e nos fins de semana com uma programação diferenciada, supostamente mais adaptada ao lazer. A TV organiza também as comemorações das efemérides ao longo do ano, das quais o ponto alto é o Natal. Com muita antecedência saltam da tela canções da época e muita propaganda, criando clima para o “espírito natalino”.



As crianças são o alvo principal. Se já são bombardeadas com apelos de compra o ano todo, no Natal a pressão cresce. Apresentadoras joviais e alegres conquistam a confiança dos pequenos telespectadores com seus dotes artísticos para, em seguida, atraí-los para as compras, no mais das vezes, desnecessárias. Da classe média para cima é comum ver crianças com brinquedos pouco ou nada usados, comprados apenas como resposta aos apelos publicitários.

Mas a TV não está só na casa de quem pode comprar. Hoje ela é um bem universalizado no Brasil, advindo daí a sensação de exclusão sofrida por crianças cujas famílias estão impossibilitadas de satisfazer seus desejos. Esse desconforto resulta da crença de que o consumo é um valor em si, substituto da cidadania. Só é cidadão quem consome.

“O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania”, diz o professor Octávio Ianni em “Príncipe eletrônico”, artigo que se tornou referência para a discussão do papel político da comunicação nas sociedade modernas.

No Natal, a metamorfose atinge seu auge e segue até a virada do ano. As mercadorias ganham vida na TV e estão à disposição para satisfazer todos os desejos, o mercado oferece democraticamente a todos os mesmos produtos e, ao consumi-los, exerceríamos nossos direitos de cidadãos. São falácias muito bem embaladas em luz, cores e sons sedutores. As regras do jogo são essas. Quem mantém as TVs comerciais são os anunciantes. Apesar disso, as emissoras poderiam ter um pouco mais de criatividade. Não há Natal na TV brasileira sem a milésima reprise do filme Esqueceram de Mim, com neve em quase todas as cenas, ou sem o indefectível “especial”, sempre com o mesmo cantor.

Nem o jornalismo escapa, com colagens em forma de clipes usadas à exaustão mais para reviver sustos já sofridos pelo telespectador do que para informar. Em determinado ano, que pode ser qualquer um, o apresentador famoso abria a resenha na principal rede de TV exclamando: “Um ano de arrepiar em todo o planeta. Incêndios, terremotos, furacões”. E dá-lhe imagens espetaculares, que de notícia pouco têm.

Podia ser diferente? Claro que sim. Poderíamos ter na TV um Natal mais brasileiro e um final de ano criativo (com a publicidade mais controlada). Realizadores não faltam, o que falta são oportunidades para mostrar seus trabalhos. Mais de 200 deles apresentaram pilotos de programas no Festival Internacional de Televisão, realizado em novembro no Rio. Não haveria ali gente capaz de tirar a televisão da rotina desta época?

Criatividade também não falta na produção audiovisual brasileira. Precisamos é de ousadia para mostrá-la ao público oferecendo bens culturais capazes de enriquecê-lo espiritualmente. Ou como dizia um diretor da BBC, a melhor TV do mundo: “Temos a obrigação de despertar o público para ideias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, e talvez desafiando suposições existentes acerca da vida, da moralidade e da sociedade. A televisão pode, também, elevar a qualidade de vida do telespectador, em vez de meramente puxá-lo para o rotineiro”.

Belo desafio, não? Feliz Natal.

Deleite garotos podres