Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Por que Serra é tão detestado

Paulo Nogueira 

Por que Serra é tão detestado?

Me chamou a atenção a alegria com que muita gente recebeu as controvertidas  denúncias contra Serra no livro A Privataria Tucana. Me parece que para muitos a principal virtude do livro consiste em atacar Serra.

É irônico vê-lo no papel de privatizador, ele que sempre pareceu contrariado com as privatizações e que jamais se identificou com o ideário neoliberal. Serra é o clássico ‘dirigista’, alguém que acha que o país deve ser guiado de cima para baixo por um Estado forte. Há, aí, uma comunhão de idéias entre ele e o que foi o mais esclarecido presidente nos anos militares, Ernesto Geisel.

Os jornalistas não gostam de Serra por um motivo óbvio: se puder, ele liga para os donos para tentar suspender uma reportagem que ele suspeite que não o tratará como herói. Caso saia um artigo que o irrite, ele também responde com ligações privadas para os donos ou os chefes do autor. Até em bobagens. Uma vez, quando trabalhava na Exame, dei a um texto sobre mais uma derrota eleitoral de Serra um título extraído de um poema de Gonçalves Dias: “Ainda uma vez, adeus”. Meu chefe na época, Antonio Machado, me avisou que Serra tinha ligado para se queixar de mim.

Muitos jornalistas atribuem sua demissão a pedidos de Serra. Em minha carreira, só vi alguém com o mesmo perfil: Delfim Netto, o czar da economia em boa parte do regime militar. Os jornalistas sabíamos que Delfim não hesitava em pedir cabeças quando contrariado com algum texto.

Sabemos, então, por que Serra é rejeitado pelos jornalistas.  E pelos demais?

Bem, Serra parece reunir todas as características que fazem as pessoas desgostar de alguém. Tem um claro ar de superioridade, sem que haja razões para isso. Serra é, por formação, economista, mas jamais produziu um livro original, com idéias econômicas inovadoras. Sua arrogância se sustenta muito mais num caráter ególatra do que em bases de realidade, e isso incomoda duplamente. Se é difícil suportar um gênio difícil, pior ainda é aturar uma pessoa normal que se comporta como gênio.

Serra é, também, invejoso. Ele não participou da equipe que fez o Plano Real, e por isso jamais reconheceu nele a importância histórica de devolver aos brasileiros uma moeda que não se corroía continuamente.
Também não é grato. Em 2002, em sua campanha fracassada, jamais deixou claro aos brasileiros que se alinhava com o homem que viabilizara sua candidatura: Fernando Henrique Cardoso. Compare com a atitude de Dilma perante Lula. Dilma, numa cartinha recente a FHC, disse muito mais sobre a importância dele como presidente do que Serra em toda uma vida em que ambos estiveram na mesma trincheira.
A todos os atributos negativos, Serra acrescentou na última campanha um outro: a hipocrisia. Ele quis parecer um homem do povo, alguém que gosta de estar no meio das pessoas numa feira comendo pastel e falando do último capítulo de novela.

Não colou.

Nem vou remeter ao farisaísmo presente na patética tentativa de transformar uma bolinha de papel num atentado na última campanha. Numa hipótese benevolente, isso foi fruto ao mesmo tempo do marqueteiro de Serra e de seu próprio desespero diante das pesquisas que já o davam como morto. Foi um horror, é verdade, mas com atenuantes. Por isso passemos por cima do falso atentado. Fiquemos com a essência: antipatizar com Serra é uma das raras coisas comuns aos brasileiros.

Dizer que o brasileiro não sabe votar é um clichê. Mas não ter levado Serra ao Planalto por duas vezes é uma evidência de que o brasileiro sabe pelo menos em quem não votar.

Por Que Lula É Tão Querido


Paulo Nogueira 
“Difícil não é subir”, escreveu o historiador francês Jules Michelet. “Difícil é, subindo, você permanecer o mesmo.”
Acho que essa frase explica a razão pela qual todos gostam de Lula, excetuada uma parcela retrógrada da classe média que tem preconceito contra pobres e nordestinos, sobretudo se eles ascendem.
Escrevi, no artigo anterior, sobre o oposto: por que Serra é tão amplamente detestado. Decidi ir para o inverso. Pessoalmente, tenho por Lula uma admiração moderada e distante. Entrevistei-o algumas vezes no começo dos anos 1980, quando os metalúrgicos do ABC sob seu comando articulavam as primeiras greves desde 1964. Nessa época, eu era repórter de economia da Veja. Achei-o vivamente inteligente: jamais confundi QI com a aquisição de diplomas.
Raras vezes votei em Lula. A ocasião em que tive mais convicção para votar nele foi quando seu adversário era Fernando Collor de Mello. Tive, na juventude, alguns problemas com o PT. Meu pai disputou a presidência do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo no final da década de 1970 contra uma chapa formada por pessoas que depois estariam no PT. O candidato rival de meu pai era Rui Falcão, de quem guardo uma imagem lhana e delicada. Jogou limpo e perdeu com dignidade. Mas muitos dos jornalistas que apoiavam Rui me pareceram arrogantes e grosseiros nas assembléias em que se debatia a greve. Alguns chamaram meu pai de “a voz dos patrões” porque ele antevira com presciência as enormes dificuldades que a greve enfrentaria para funcionar. Daí meu incômodo com o PT, que seria fundado em 1980, pouco depois da eleição do Sindicato de Jornalistas vencida por papai.
Lula, talvez por não ser um intelectual, jamais foi o típico petista que vê (ou via) o mundo de cima para baixo.  Num determinado momento, muitos suspeitaram de que ele seria manipulado pelos intelectuais que o cercavam e o educavam. O tempo mostrou que isso jamais aconteceria. Lula, por sua extraordinária liderança, sempre comandou seus professores. Em nenhum momento foi teleguiado.
À medida que foi ganhando estatura, mexeu na aparência, mas não no conteúdo. Aparou a barba, colocou paletó e gravata. Mas não se vendeu. No começo de minha carreira, circulou uma história que, verdadeira ou não, mostra como Lula era visto. Uma montadora, no final do ano, teria deixado um carro na frente da casa de Lula como um presente. O objetivo era conquistar a aliança de Lula para que as reivindicações dos metalúrgicos fossem contidas. O carro, segundo a história, foi prontamente devolvido.
Lula é simples sem ser simplório. Fala como o brasileiro das ruas genuinamente. Se numa campanha vai a uma feira comer pastel com os eleitores, parece que está em seu habitat. Com Serra é o oposto: vê-se que ele, como o general Figueiredo, o último presidente militar, não gosta muito do “cheiro do povo”. Serra, para o brasileiro médio, jamais será o “Zé” de suas campanhas.
Lula, sob contínuos ataques da mídia no final de seu primeiro mandato, não vergou – o que é um sinal de força interior. Rumores afirmavam que ele estaria bebendo cada vez mais, e a ponto de renunciar ou cair como Collor. Vistas as coisas em retrospectiva, tais rumores soam como piada.
Um estadista tem que ter musculatura para suportar estoicamente as agressões. Conta-se que Fouquet, revolucionário francês, dormiu na sessão da Convenção em que era julgado e corria o risco de ser condenado à guilhotina.
No poder, Lula foi essencialmente o mesmo de sempre. Mudou o foco da administração para o combate à miséria – um ato que lhe dá um lugar de honra na história do Brasil. Ao mesmo tempo, foi pragmático o bastante para ajudar as empresas brasileiras – sobretudo as exportadoras. Jorge Paulo Lehman contou uma vez numa conversa da qual participei que Lula pegou o telefone e ligou para a embaixada brasileira em Buenos Aires ao saber que a Ambev de Leman enfrentava dificuldades burocráticas na Argentina. “Em situações parecidas, o Fernando Henrique dizia que ia resolver o problema e depois não fazia nada”, disse Leman. Vi também uma vez o então presidente da Vale do Rio Doce Roger Agnelli contar uma história parecida.
Lula subiu sem deixar de ser o mesmo, uma coisa rara como dizia Michelet. Por isso, acima de todos os outros motivos, é tão amado — e é também em consequência disso sobretudo que milhões de brasileiros, entre os quais me incluo, fecham o ano torcendo para que ele se recupere do câncer na garganta tão usada para defender os trabalhadores.

*esquerdopata

Dois homens baixos na cracolândia



A chamada cracolândia, lugar onde os miseráveis da cidade reúnem-se enquanto aguardam a morte, foi proscrita. Mal findo o ano, os soldados ordenaram que todos dispersassem, prenderam alguns e espalharam-se em destacamentos para que ninguém mais voltasse.
A iniciativa coincide com o início do calendário eleitoral, quando os partidos governantes na capital e no estado irão novamente às urnas para renovarem o mandato que lhes concedeu há 4 anos os paulistanos para que resolvessem a chaga da miséria crônica e do abandono a que foi relegada uma parte da  população a quem foi roubada a cidadania.
A fim de que não tivessem de assumir a desfaçatez de uma abordagem assim tão fácil e até inconstitucional do problema da desassistência, porque a todos é dado direito de reunião e do acesso aos serviços de saúde, prefeito e governador simularam desentendimentos para que a ação passasse por expedição punitiva contra a delinquência e o tráfico de drogas.
Mesmo sabendo que a iniciativa faria apenas deslocar a indigência por toda a metrópole, confiavam que aos olhos do cidadão incauto uma miséria pulverizada constituisse uma miséria de menor impacto eleitoral, capaz de dissimular a anomia das políticas sociais no estado mais rico da federação.
Porque a cracolândia traduz o fracasso a que se chegou na missão essencial de qualquer governo de assistir a todos sem distinção, é que se resolveu encobri-la com o pano fétido da força bruta e da negação.
A falsa solução da ocupação militar do centro da cidade de São Paulo não foi medida intempestiva ditada pela intenção do poder público de preservar a lei e a ordem. Vinha sendo ensaiada desde quando Andrea Matarazzo comandava com mão de ferro a Secretaria das Subprefeituras do Município e fez de Daniel Salatti a musculatura de seu braço covarde na violência perpetrada contra moradores de rua da zona central.
Daniel Salatti é um homem pequeno, atarracado, pele que descama e cujos olhos flamejam ódio e violência. Esconde-se detrás da identidade de ex-professor da Unesp (universidade do interior paulista) e de ex- diretor de meio ambiente da CESP, empresa de energia privatizada durante o governo Covas.
Pois foi a esse homem sádico que Matarazzo entregou o comando da política higienista que moveu contra os moradores de rua na zona central da cidade. Como coordenador da guarda municipal, Salatti comandava grupos de paramilitares mobilizados para desalojar moradores de rua sob pontes e viadutos.
As ações comandadas por Salatti envolviam o disparo de rojões nos locais em que sem-teto usavam como abrigo, seguido de agressões a golpes de cassetetes e soco-inglês.  Acompanhava as “razzias” pessoalmente e apenas sob seu comando as agressões contra homens e mulheres, inclusive grávidas, eram cessadas. No dia seguinte caminhões de limpeza pública eram mobilizados para remover vestígios de sangue.
Salatti foi caixa de campanha de Covas na região de Americana, onde tem propriedades, e por ele foi nomeado na CESP para que comandasse o esquema de desapropriações das áreas que seriam inundadas pela barragem de ilha solteira. Lá conheceu Andrea, também ele caixa de Serra em São Paulo e indicado pelo ex-ministro de FHC presidente da mesma estatal, com a incumbência de prepará-la para a privatização.
Reunidos na prefeitura de São Paulo depois que Serra tornou-se prefeito, Andrea Matarazzo e Salatti uniram esforços para limpar o pedaço da cidade onde até hoje a família do conde falido parece ter propriedades ocupadas por moradores de rua, algumas delas recentemente calcinadas por incêndio de causas desconhecidas.
Agora Matarazzo quer ser prefeito da cidade. Confirmada a hipótese, os cidadãos paulistanos não teriam sorte melhor da que tiveram os romanos sob Nero.


Em imagem, o jogo expulsa e volta entre a PM e usuários de crack


Em imagem, o jogo expulsa e volta entre a PM e usuários de crack

Terra Magazine
Usuários vagam pelas ruas do centro de São Paulo
Usuários vagam pelas ruas do centro de São Paulo
Ana Cláudia Barros
Dayanne Sousa
Imagens feitas por um cinegrafista amador, obtidas com exclusividade por Terra Magazine, flagraram policiais militares dispersando usuários de crack no centro da capital paulista. Desde terça-feira (3), a PM e a Prefeitura de São Paulo atuam na região, conhecida como Cracolândia, numa ação, que, segundo fontes oficiais, tem o intuito de "abafar o tráfico de drogas".
Desorientados, cerca de cem dependentes químicos vagam pela área, em meio a gritos dos policiais de "vai, vai, vai". Os grupos caminham pela Avenida Duque de Caxias, sentido Avenida São João. Depois, retornam para a Duque de Caxias, sentido Luz. Passam pela Conselheiro Nébias, travessa da Rua Helvética, endereço conhecido com Cracolândia, no sentido Ipiranga. Na sequência, voltam da Conselheiro Nébias, em direção à Avenida Duque de Caxias.
As cenas, que mostram o jogo expulsa e volta entre os usuários e a PM, foram gravadas na quinta-feira (5), por volta das 22h.

A arte imita a vida ou a vida imita a arte.
Terá sido apenas uma mera coincidência as locações do filme "Ensaio sobre a cegueira" term sido feitas em São Paulo?
Ou uma premonição de Fernando Meirelles?

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

(Blindness, 2008)
Nota Cineclick
1744
Este filme estreou em: 12 de Setembro de 2008

Uma inexplicável epidemia chamada de "cegueira branca" atinge, sem explicações, pessoas que passam a ver uma superfície leitosa. Pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação, a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

TRAILER 1   TRAILER 2 
CRÍTICA 1   CRÍTICA 2 
NAS LOCADORAS 
*Brasilmobilizado

EUA: estado totalitário e militar

Por Miguel Urbano Rodrigues, no sítio português O Diário:

O Presidente Barack Obama ofereceu ao povo norte-americano no dia 31 de Dezembro um presente envenenado para 2012: a promulgação da chamada Lei da Autorização da Defesa Nacional.

O discurso que pronunciou para justificar o seu gesto foi um modelo de hipocrisia. O presidente declarou discordar de alguns parágrafos da lei. Sendo assim, poderia tê-la vetado, ou devolvido o texto com sugestões suas. Mas não o fez.

Para o senador Aécio Neves, que tem memória curta e seletiva. E para o povo de Minas Gerais que sofre com as chuvas

Apenas a construção da nova sede do governo de Minas Gerais, a tempo de o ex-governador Aécio Neves (PSDB) participar da inauguração, custou R$ 948 milhões ao governo do Estado. Outros R$ 280 milhões foram gastos em serviços e equipamentos contratados, totalizando R$ 1,2 bilhão. Todo o complexo ergueu-se do chão em menos de 15 meses.
Agora, três meses depois da inauguração, o governo admite gastar mais dinheiro para corrigir algumas escolhas “infelizes” do projeto arquitetônico, e manter o complexo de pé. A lista de “defeitos” na obra, apontados numa lista preliminar, vai do tipo de piso usado no pátio coberto dos três prédios principais, passando por maçanetas que não mantêm as portas fechadas. O gasto com a troca do piso é consenso, pois seria a mais aparente “falha” no projeto de construção do complexo.

17.º Governador de Minas Gerais Minas Gerais Mandato:1 de janeiro de 2003 até 31 de março de 2010, Aécio Neves entende como ninguém de incompetência e omissão. Minas Gerais foi largada a sua própria sorte, enquanto ele passeava, namorava e bebia. E não devemos nos esquecer da obra faraônica da sede do governo de MG, que custou R$ 1,2 bilhão

Aécio Neves
Nossas tragédias
Iniciamos o ano, mais uma vez, sob a marca da tragédia.
É inevitável, em cada um de nós, uma mistura de solidariedade e de indignação diante de situações que se repetem e em que a única mudança é o endereço: Minas, Rio, Espírito Santo, Santa Catarina...
A dimensão e a gravidade de cada uma dessas situações não permitem que nos transformemos em torcidas organizadas no demagógico jogo de ver diferentes instâncias de governo empurrarem responsabilidades umas para as outras.
O fato de que ninguém, em sã consciência, considere possível corrigir, em poucos anos, danos provocados por erros acumulados em décadas não é pretexto para a aceitação da omissão. A pergunta que precisa ser feita a todo governante não é "por que não resolveu tudo antes?", mas, sim, se fez, no seu tempo, tudo o que estava ao seu alcance.
Assim, o inexplicável contingenciamento de recursos do governo federal destinados à prevenção de enchentes e dos danos causados pelas chuvas, assim como a liberação deles sem que sejam respeitados princípios básicos do equilíbrio federativo, devem ser motivo de protesto e de cobrança não apenas da oposição, mas de toda a sociedade. Até porque a falta de critérios republicanos e a baixíssima execução orçamentária do governo não se dão apenas em uma área.
Acredito que, como agentes públicos, devemos examinar essas situações de duas formas, simultaneamente.
A primeira é olhando para trás e reconhecendo que há um grande passivo de erros que só poderá ser superado com muito trabalho, planejamento e integração de ações. Passivo que é fruto de omissões de administradores que, muitas vezes, até por desinformação, não avaliaram o gravíssimo problema das ocupações desordenadas de áreas urbanas. Passivo que é fruto de uma época em que nos orgulhávamos de domar rios em vez de respeitá-los. E como o longo prazo em política, para muitos, é sinônimo de problema dos outros, o ciclo em que todos perdem se impôs.
A segunda é olhando para o futuro, entendendo que não temos o direito de seguir reproduzindo os erros do passado.
Qualquer administrador, mesmo o do menor município, tem acesso a informações e sabe bem dos riscos de uma ocupação precária de encostas ou margens de rio. Obras feitas às pressas, sem planejamento, cobram da sociedade um alto preço, que não se restringe ao desperdício financeiro.
As repetidas tragédias representam vidas perdidas. E, em respeito a cada uma delas, precisamos abandonar a demagogia, partilhar a solidariedade e cobrar responsabilidade. Os brasileiros não estão condenados a viver apagando incêndios de incompetência ou submergindo em tempestades de omissões.

Deleite

Tudo começou na Grécia e tudo acabará na Grécia?


Por Leonardo Boff *

Nossa civilização ocidental hoje mundializada tem sua origem histórica na Grécia do século VI antes de nossa era. Ruira o mundo do mito e da religião que era o eixo organizador da sociedade. Para pôr ordem àquele momento crítico fez-se, num lapso de pouco mais de 50 anos, uma das maiores criações intelectuais da humanidade. Surgiu a era da razão critica que se expressou pela filosofia, pela política, pela democracia, pelo teatro, pela poesia e pela estética. Figuras exponenciais foram Sócrates, Platão, Aristóteles e os sofistas que gestaram a arquitetônica do saber, subjacente ao nosso paradigma civilizacional: foi Péricles como governante à frente da democracia; foi Fídias da estética elegante; foram os grandes autores das tragédias como Sófocles, Eurípides e Ésquilo; foram os jogos olímpicos e outras manifestações culturais que não cabe aqui referir.

Esse paradigma se caracteriza pelo predomínio da razão que deixou para trás a percepção do Todo, o sentido da unidade da realidade que caracterizava os pensadores chamados pré-socráticos, os portadores do pensamento originário. Agora se introduzem os famosos dualismos: mundo-Deus, homem-natureza, razão-sensibilidade, teoria-prática. A razão criou a metafísica que na compreensão de Heidegger faz de tudo objeto e se instaura como instância de poder sobre este objeto. O ser humano deixa de se sentir parte da natureza para se confrontar com ela e submetê-la ao projeto de sua vontade.

Este paradigma ganhou sua expressão acabada mil anos depois, no século XVI, com os fundadores do paradigma moderno, Descartes, Newton, Bacon e outros. Com eles se consagrou a cosmovisão mecanicista e dualista: a natureza de um lado e o ser humano de outro de frente e encima dela como seu “mestre e dono”(Descartes) e coroa da criação em função do qual tudo existe. Elaborou-se o ideal do progresso ilimitado que supõe a dominação da natureza, no pressuposto de que esse progresso poderia caminhar infinitamente na direção do futuro. Nos últimos decênios a cobiça de acumular transformou tudo em mercadoria a ser negociada e consumida. Esquecemos que os bens e serviços da natureza são para todos e não podem ser apropriados apenas por alguns.

Depois de quatro séculos de vigência desta metafísica, quer dizer, deste modo de ser e de ver, verificamos que a natureza teve que pagar um preço alto para custear esse modelo de crescimento/desenvolvimento. Agora tocamos nos limites de sua possibilidades. A civilização técnico-científica chegou a um ponto em que ela pode por fim a si mesma, degradar profundamente a natureza, eliminar grande parte do sistema-vida e, eventualmente, erradicar a espécie humana. Seria a realização de um armgedon ecológico-social.

Tudo começou há milênios na Grécia. E agora parece terminar na Grécia, uma das primeiras vitimas do horror econômico, cujos banqueiros, para salvar seus ganhos, lançaram toda uma sociedade no desespero. Chegou à Irlanda, a Portugal, à Itália, podendo-se se estender à Espanha e à França e, quiçá, a todo o sistema mundial.
Estamos assistindo a agonia de um paradigma milenar que está, parece, encerrando sua trajetória histórica. Pode demorar ainda dezenas de anos, como um moribundo que resiste, mas o fim é previsível. Com seus recursos internos não tem condições de se reproduzir.

Temos que encontrar outro tipo de relação para com a natureza, outra forma de produzir e de consumir, desenvolvendo um sentido geral de interdependência face à comunidade de vida e de responsabilidade coletiva pelo nosso futuro comum. A não encetarmos esta conversão, ditaremos para nós mesmos o veredito de desaparecimento. Ou nos transformamos ou desapareceremos.

Faço minhas as palavras de Celso Furtado, economista-pensador:”Os homens de minha geração demonstraram que está ao alcance do engenho humano conduzir a humanidade ao suicídio. Espero que a nova geração comprove que também está ao alcance do homem abrir caminho de acesso a um mundo em que prevaleçam a compaixão, a felicidade, a beleza e a solidariedade”. Mas à condição de mudarmos de paradigma.


* Leonardo Boff é autor de Opção-Terra. A solução para a Terra não cai do céu, Record, Rio 2009.


Fonte: LeonardoBoff.com
*observadoressociais

Evoé! Retrato de um antropófago






Gestão Kassab, antes não tinha, agora tem...













Antes tinha sim, só o povo de São Paulo não quis/quer enxergar, visto que forma todas as suas opiniões pautado pelo que vê e lê no PIG.
*cappacete
Chile: …prohibición del derecho a reunión, expresión, asociación, manifestación…

DECLARACION PÚBLICAA LA COMUNIDAD NACIONAL E INTERNACIONAL

La ComisiónÉtica Contra la Tortura ante la tramitación de la ley que sanciona las manifestaciones públicas, declara lo siguiente:
1. Con el impulso de este proyecto de ley en el Parlamento, el Gobierno del Presidente Piñera  y, en particular el Ministro del Interior Sr. Rodrigo Hinzpeter, le coloca una mordaza a la democracia y declara prohibición del derecho a reunión, expresión,  asociación, manifestación, similar al que establece la instalación del estado de sitio cuyo sentido es el control total de los cuerpos sociales y su inmovilidad ante acciones represivas
2. Con este proyecto de ley que ya ha sido aprobado en la cámara de diputados y que hoy ha sido visto en la Comisión de ciudadanía antes de su paso final en el Senado, serán objeto de sanción los organizadores de toda manifestación social y quienes participen en ellas. Piñera pretende aprobar esta ley durante estos meses de verano, para aplicarla a partir de marzo próximo, entendiendo que el movimiento estudiantil y sindical ya ha señalado que no detendrán las movilizaciones por la conquista de mayor democracia y justicia social. Pero ¿Sólo se busca amedrentar?
3. La opinión pública tiene que saber que las penas de prisión que se proponen van de 541 días (un año y medio) a 3 años de cárcel para quienes participen o hayan incitado, promovido o fomentado, desórdenes o cualquier otro acto de fuerza que importe paralizar o interrumpir algún servicio público, tales como los hospitalarios, los de emergencia y los de electricidad, combustibles, agua potable, comunicaciones o transporte; invadir, ocupar o saquear viviendas, oficinas, establecimientos comerciales, industriales, educacionales, religiosos o cualquiera otro, sean privados, fiscales o municipales; impedir o alterar la libre circulación de las personas o vehículos por puentes, calles, caminos u otros bienes de uso público semejantes; atentar en contra de la autoridad o sus agentes; usar capuchas que dificulten su identidad; causar daños a la propiedad ajena, sea pública, municipal o particular y consagra la actuación policial sin orden  previa para la existencia y ubicación de fotografías, filmaciones, grabaciones y, en general, toda reproducción de imágenes, voces o sonidos que se hayan tomado, captado o registrado y que sean conducentes a “esclarecer”  hechos que constituyan o puedan constituir delito y obtener su entrega voluntaria o una copia de las mismas, entre otras.
4- Con esta norma, el Estado y el Gobierno chileno, colocan a la ciudadanía por debajo de  los estándares que exige la normativa internacional de Derechos Humanos relacionada con los instrumentos que consignan los Derechos Civiles y Políticos y masifica la aplicación a la sociedad y a sus movimientos sociales de una especie de ley antiterrorista, que de aprobarse, sus negativas consecuencias nos colocarían como país, entre los más aberrantes desde el punto de vista del Derecho y del acceso a la Justicia.
5- Alertamos a la sociedad organizada y movilizada que estamos frente a un nuevo diseño represivo que busca desarticular e inmovilizar toda expresión del campo social que lucha por la conquista de sus derechos en uno de los países más desiguales, donde la obscena brecha entre ricos y pobres resulta a estas alturas, infranqueable.
6- Llamamos a los parlamentarios a no aprobar este aberrante proyecto de ley y convocamos a las organizaciones de defensa de los derechos humanos a informar a las diferentes organizaciones sociales sobre esta grave situación a fin que expresen su más rotundo rechazo.
.COMISION ETICA CONTRA LA TORTURA
Santiago, 7 de enero 2012
.POR LA LIBERTAD DE EXPRESION, ASOCIACION, REUNION, MANIFESTACION Y RECLAMO DE DERECHOS Y JUSTICIA SOCIAL, NO A LA LEY DE CRIMINALIZACION, NO A LA LEY MORDAZA ! 
*GilsonSampaio

Fidel: um robô para a Casa Branca

De volta a seus textos, a reflexão de Fidel Castro publicada hoje:

O melhor presidente para os Estados Unidos

A agência de notícias européia divulgou ontem de Sydney, na Austrália, que “um grupo de pesquisadores australianos da Universidade de New South Wales anunciou a criação de um filamento 10 mil vezes mais fino que um fio de cabelo,  capaz de condução eletricidade mais eficiência que fio de cobre tradicionais. “
“… Bent Weber, chefe do projeto na universidade da Austrália, em um artigo publicado na revista Science, disse que ” poder fazer as conexões de cabo no nível microscópico será essencial para o desenvolvimento de futuros circuitos eletrônicos. “
“O cabo físico foi criado pelo australiano e cadeias dos EUA de átomos de fósforo dentro de um cristal de silício. O nanofio tem apenas quatro átomos de largura por um de altura.”
“A descoberta é essencial na corrida internacional para desenvolver o primeiro computador quântico , máquinas  capazes de processar enormes quantidades de dados em segundos: uma série de cálculos que levam anos ou mesmo décadas, os computadores de hoje.
“Em um cabo de cobre tradicionais, a eletricidade é gerada quando os elétrons fluem ao longo de condutor de cobre, mas comoquando  o cabo  condutor torna-se menor, a resistência ao fluxo elétrico se torna maior.
“Para superar este problema, Weber e sua equipe usaram microscópios especialmente projetado com precisão atômica, permitindo-lhes colocar os átomos de fósforo em cristais de silício.
“Isso permitiu que o ato como nanofios de cobre, com os elétrons que flui com facilidade e sem problemas de resistência. “Estamos mostrando essa técnica torna  possível  minimizar os componentes à escala de alguns átomos”, disse Weber. “
“Se formos usar átomos como bits, precisamos de fios com a mesma escala de átomos”, observou a física Michelle Simmons, supervisor de trabalho.
Com estes avanços tecnológicos iinevitáveis que devem servir para o bem-estar da humanidade, lembre-se do que apenas quatro dias atrás  escrevi sobre o aquecimento global e da exploração acelerada do perigoso gás de xisto, em um mundo que em 200 anos consome as  energia fósseis acumuladas por mais de quatro bilhões de anos.
Agora imagine um Obama,bem articulado nas palavras,  na sua busca desesperada pela  reeleição, para quem o sonho de Luther Kingestão muito mais distantes  do que o mais próximo planeta habitável está da Terra.
Pior, qualquer dos congressistas  presidenciáveisrepublicanos, ou um líder  do Tea Party, carrega mais armas nucleares  em suas costasdo que idéias de paz em sua cabeça.
Imaginem por um minuto os leitores que a computação quântica possa multiplicar infinitamente a coleta e o processamento de dados que fazem, hoje, os computadores modernos.
Isso não torna  é óbvio que o pior de tudo é não esteja lá na Casa Branca de um robô capaz de governar os Estados Unidos com capacidade de evitar uma guerra que acabe com a vida de nossa espécie?
Tenho certeza que 90 por cento dos eleitores americanos inscritos, especialmente os hispânicos, os negros, e a crescente de classe média empobrecida votariam neste robô.
*Tijolaço

Charge do Dia

http://www.advivo.com.br/index.php?q=sites/default/files/imagecache/imagens-mutirao/imagens/snoopysweek.jpghttp://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2012/01/charge-bessinha_eletrodomesticos_tv.jpg

Conformismo ou

“Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui“.


Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. Bem ao centro, havia uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, um jato de água fria era acionado contra os que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo macaco veterano foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu.
Um quarto, e afinal o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas, então, ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se possível fosse perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
- “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui“.
*Gilsonsampaio

domingo, janeiro 08, 2012

Guerra do Iraque: um milhão de milhões de dólares e um milhão de mortos depois...


6 de Janeiro de 2012
octopedia.blogspot.com
Fonte: octopedia.blogspot.com
Oito anos após o início da “Operação Liberdade do Iraque” (Operation Iraqi Freedom) a coligação liderada pelos Estados Unidos deixa no país um rasto de morte e destruição. 
Esta guerra terá tido um custo de um milhão de milhões de dólares, mas é sobretudo o custo humano que tem números arrepiantes: mais de 70 000 soldados americanos e cerca de 1 000 000 de iraquianos mortos, sem contar um número astronómico de feridos e deficientes.


A guerra dos números.

Nada justifica a perda de uma única vida, aqui estamos perante números aterradores. 
Oficialmente, terão sido 3 865 os soldados americanos vítimas da guerra do Iraque (1). A Associação dos Antigos Combatentes americanos aponta para mais de 70 000, o seja um número superior ao dos soldados mortos durante a guerra do Vietname que terão sido de  58 195. 
Segundo essa associação, terão morrido, no Iraque, 73 846 americanos, dos quais 17 847 soldados no campo de batalha e 55 999 do pessoal de apoio. 
Aparece também um número curioso, para meditar, é o número das chamadas doenças não-diagnosticas que terão sido de 14 874. 
O número de queixas interposto pelos soldados por deficiência adquirida durante a guerra é de 1 620 906, ao todo 36% dos soldados dizem-se vitimas de uma qualquer deficiência. 
Um assunto tabu é o número de suicídios de antigos combatentes que o Pentágono procura esconder. Só no ano de 2005, a televisão CBS, após um inquérito, descobriu 6 256, o que dá uma média de 120 suicídios por semana.
 
Mais de um milhão de iraquianos mortos.
O número exacto de iraquianos mortos durante esta guerra é difícil de estabelecer. Na realidade, ninguém sabe ao certo quantos iraquianos morreram durante este conflito. A frieza dos números aponta para um valor que varia entre 100 000 e 1,2 milhões de mortos, dependendo da fonte.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o ministério da saúde iraquiano, durante um inquérito realizado durante o ano de 2007, tinham chegado à conclusão de que teria havido 151 000 mortos iraquianos durante os primeiros 3 anos de guerra, ou seja uma média de 120 por dia.
Um outro inquérito da revista médica “The Lancet”, publicado em 2006 dava conta de mais de 600 000 iraquianos mortos. Este número arrepiante, significa mais de 500 mortos por dia e um total de 2,5% da população.
Por fim, o instituto de sondagens britânico Opinion Research Business (ORB) dava conta, em 2007, que 16% dos iraquianos entrevistados afirmavam ter tido um membro da família morto, e 5% dois. Chegaram à conclusão que, contas feitas, terá havido mais de um milhão de iraquianos mortos durante a guerra, numa população de 26 milhões de habitantes.
 
Estados Unidos abandonam um Iraque radioactivo.
Mais de 1820 toneladas de resíduos radioactivos (urânio empobrecido) rebentaram no solo iraquiano. Um enorme desastre ecológico. Em comparação, a bomba de Hiroshima tinha 64 kg, o que representa mais de 14 000 bombas de Hiroshima. 
Durante centenas de anos esses resíduos radioactivos irão continuar a matar. Alguns cientistas pensam que actualmente existe matéria radioactiva suficiente para matar um terço da população mundial.
Apesar de nunca terem sido encontradas armas de destruição massiva no Iraque, são os Estados Unidos que colocaram agora no terreno essas ditas armas, sob a forma de material radioactivo. A taxa de malformação congénita aumentou 600%.

Quanto maior a destruição, maior o negócio da reconstrução.
O custo da reconstrução do Iraque está avaliado em 100 mil milhões de dólares. O negócio do século. Praticamente tudo foi destruído pelos bombardeamentos: poços de petróleo, hospitais, estradas, aeroportos, portos, redes eléctricas e de água, escolas... 
As empresas escolhidas para a reconstrução são apenas seis, todas americanas, todas seleccionadas pelo ministério da defesa americano. A cabecear esta lista: Halliburton, cujo o antigo presidente era o vice-presidente americano Dick Cheney, o qual ainda faz parte do conselho de administração da filial Kellog Brown & Root. Também temos a empresa Bechtel Corp. que era presidida por George Shultz, antigo secretário de estado americano.
A principal diferença entre o plano Marshall e a reconstrução do Iraque é que o primeiro destinava-se a reconstruir o que os nazis tinham destruído durante a a guerra, enquanto que no Iraque, foram os próprios Estados Unidos que destruíram as redes de água, electricidade, aeroportos, escolas e hospitais. 
Tudo leva a crer que essa destruição foi premeditada, senão como explicar, por exemplo, o bombardeamento das redes de água e electricidade em Bagdade, quando os americanos não se cansavam de referir que as suas “bombas inteligentes” apenas destruíam com grande precisão objectivos bem definidos.
Como é o Pentágono que decide quais são as empresas que vão participar na reconstrução, os Estados unidos contrataram-se a eles próprios. Na escolha das empresas de reconstrução não intervêm quaisquer organizações internacionais.
Do ponto de vista puramente comercial, o acordo de Camp David, em 1989, previa que as empresas egípcias e israelitas teriam um tratamento preferencial nos casos em fossem necessárias reconstruções em países do Médio-Oriente. O Egipto nunca beneficiou desse tal acordo, enquanto que as empresas de Israel já obtiveram contratos de mais de 7 mil milhões de dólares.
Nota:
1- 4484 militares dos EUA mortos no Iraque, segundo icasualties.org (nota do TMI)
 
*GrupoBeatrice

O taxísta bailarino

 do Informação Incorrecta
Hoje estive num supermercado, o que já não é bom, e enquanto ficava na fila reparei em três coisas.
1. Os preços aumentaram de forma brutal.
Tá bom, é o que merecemos por causa da nossa intrínseca estupidez, não é que haja muito a dizer acerca deste assunto.
2. Numa outra fila havia uma mãe com um bebé nos braços.
Este estava embutido num casaco que parecia um colchão, estava vermelho como um pimento e fartava-se de chorar. E com razão, pois de facto estava a assar de forma lenta: eu, por exemplo, estava de mangas curtas (embora seja verdade o facto de eu ser exagerado no que diz respeito ao calor; doutro lado estou habituado à neve, não ao pseudo-frio português...).
Não é a primeira vez que reparo em situações similares e não entendo a atitude destes pais: não é que manter um bebé na casa dos 40º graus signifique torna-lo mais saudável. Aliás, acho ser exactamente o contrário: sem contar com a constante transpiração, da primeira vez que a criatura tiver verdadeiramente frio ficará logo com uma pneumonia, pois o corpo dela nunca terá tido a possibilidade de desenvolver as defesas naturais.
O máximo são os carrinhos para bebé com cobertura em plástico transparente: autênticas estufas onde não circula ar nem oxigénio, foram inventados para "proteger da chuva" mas na verdade são utilizados em todas as ocasiões, Verão incluído. Acho que o projectista deve ter sido um velho oficial das SS, antigamente empregado em qualquer campo de extermínio.
3. Mais à frente encontrava-se a caixa.
Uma rapariga bonitinha cujo papel era passar os artigos por cima do leitor óptico, fornecer sacos de plástico e perguntar qual a forma de pagamento: dinheiro ou cartão?
Um trabalho emocionante, sem dúvida.
Lembrei dos tempos do liceu quando um dia participei numa reunião dum grupo comunista ("Luta Comunista" ou algo de parecido): o assunto em debate era a alienação do trabalhador.
Solução: fazer que cada trabalhador fosse empenhado em vários trabalhos. Magnífico.
Eu fiquei logo fascinado por esta sociedade ideal onde os carros iam todos em marcha atrás e onde os telemóveis faziam travar os comboios.
- O senhor deseja também mudar o óleo?
- Mas eu tenho que ser operado de apendicite...
- Sim mas hoje o cirurgião é o mecânico.
Não sei, se calhar foi naquela altura que começou a minha desconfiança em relação ao Comunismo.
Mas o problema da alienação existe e disso não há dúvida.
Mais: não é apenas um problema de desenvolver um trabalho monótono e repetitivo: com o actual sistema é a mesma sociedade que fica a perder.
Por exemplo: Walner é taxista em Rio de Janeiro, por acaso uma profissão simpática. Talvez seja o melhor taxista de Rio, mas não poderia ser também um excelente pintor? Ou genial cientista? Ou grande músico? Ou o melhor escritor do planeta?
Porque não? Como podemos saber quais as melhores aptidões duma pessoa?
É dito que a escola serve também para isso. O que é uma mentira.
O menino Max, quando acabou a escola obrigatória, enfrentou o dilema: e agora? Qual escola? Os meus pais falaram com os antigos professores os quais não tiveram dúvidas: o menino é muito bom na Matemática, dotado mesmo.
Eu não sabia de ter este dom, por isso confiei e escolhi um endereço científico onde, óbvio, a Matemática abundava. E, de forma igualmente óbvia, o menino Max cedo descobriu a sua total aversão para tudo o que tinha a ver com números. De facto, não é que eu não goste de Matemática: simplesmente, perante uma equação, começam as tonturas, perda de memória, taquicardia, fibrilação e por fim o desmaio.
Na verdade odeio um universo onde 2 + 2 é sempre 4.
Então, que tinha acontecido? Duas coisas:
a diferença entre a matemática do ensino básico e aquela da escola secundária era abismal. Até quando tudo ficava resumido a operações elementares, o meu cerebrinho aguentava; ultrapassado este limite, as sinopses começavam a falhar. De facto, os professores (tal como os meus pais e até mesmo eu) não tiveram os instrumentos para avaliar o meu desempenho nesta área.
em breve descobri quais as matérias que  mais conseguiam estimular-me: línguas no geral, escrita, geografia, filosofia, história, música. Mas percebi isso só depois, porque o ensino básico não foi capaz de dar-me suficientes "dicas" acerca disso.
Agora, ampliamos o discurso. Quantos entre nós descobriram paixões ao longo da vida, entendo só depois ter acabado a própria formação? O problema é que após a formação começa o trabalho (com sorte nos dias que correm) e já não sobra muito tempo para cultivar outros interesses.
Outro exemplo: publiquei dois cd enquanto já trabalhava e sempre encarei a música como um passatempo e nada mais do que isso. Poderia ser eu um novo Beethoven? Duvido muito, além disso não gostaria de ficar surdo como ele. Mas, tal como Walner, poderia brilhar em outras áreas, algumas das quais se calhar nem consigo imaginar agora.
Estamos a falar, é claro, do potencial que cada um de nós tem e que a nossa sociedade não valoriza.
A menina da caixa com certeza terá atitudes bem mais interessantes do que transitar mercadoria por cima dum leitor óptico: mas nesta altura é o melhor que consegue, pois vive num País em profunda crise (Portugal!) e ainda fica satisfeita por ter um trabalho.
É um assunto complicado, sem dúvida, mas acho ser algo de extremamente importante, apesar de nem conseguir vislumbrar uma solução. Pois não é apenas a menina da caixa que fica a perder, é toda a sociedade que abafa um oceano de possibilidades.
Imaginem se fosse possível encontrar uma maneira para as pessoas exprimirem toda a potencialidade delas: teríamos os melhores cientistas, os melhores médicos, os melhores escritores, os melhores canalizadores, os melhores jardineiros, os melhores blogueiros...não, desculpem, isso já temos e sou eu.
Toda a sociedade ficaria a ganhar. E uma pessoa poderia distinguir-se em mais do que uma área: Walner poderia ser ao mesmo tempo o melhor taxista, o melhor bailarino de samba de Rio e um entre os melhores costureiros do Brasil (bailarino, costureiro...mah...).
Sempre pensei nisso acerca dos Países mais sub-desenvolvidos, aqueles onde as pessoas morrem de fome: quantos Einstein sofrem de disenteria nesta altura?
Ipse dixit.
*Gilsonsampaio

Charge do Dia

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgcoVaOMQGTuFRUrRREAlVXo7Z3htLzcjdKm6NtTliC_TaMXW6cXUg6MsCIKD_5_fFIwlsqyRlOWeeOGMvPFaNhztf5fz-E0qiRg82yTpKq5hvIN6-jmKbvqsmChUpwGxAL9G-PRwixTFcS/s1600/399299_10150418895550978_631310977_8368518_2015598920_n.jpg

Os intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro







O que move o partido-imprensa 
Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Cantanhêde, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados pelo que são: intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro. O conteúdo de suas colunas representa a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro.
Gilson Caroni Filho
A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (BIrd), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa. 
Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. O discurso "modernizante" pretendia - e ainda pretende - substituir o "arcaísmo" do fazer político pela "eficiência" do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?
O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.
O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.
O partido-imprensa abomina os movimentos sociais os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em "ganhos de eficiência", com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.
Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.
Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.
Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg,  Eliane Cantanhêde, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

*esquerdopata