Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, março 09, 2012

Três belicistas, um santarrão, um esquisitão


Bristol (EUA) – Amigos, esta é a descrição mais sucinta que se pode fazer no momento dos três principais candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos: todos os três querem bombardear o Irã, um não se cansa de papar missas e o outro viajou um dia de Massachusetts ao Canadá com o cachorro da família amarrado no teto do carro.
Há um quarto, no momento a rápido caminho do ostracismo: Ron Paul, que quer acabar com o Banco Central (o Federal Reserve Bank), expurgar do orçamento toda e qualquer menção de gasto público - não se sabe como receberá seu salário de presidente, caso eleito - e adotar outra vez o lastro de ouro para o dólar.
É bem verdade que, em decorrência de seu horror a qualquer gasto, Ron Paul opõe-se a bombardear o Irã. Ele quer cortar a ajuda dos Estados Unidos aos países estrangeiros, aí incluído Israel. Uma posição que, é claro, irrita profundamente o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, pois Israel não resistiria muito tempo se não dispusesse do dinheiro dos contribuintes americanos para seus gastos civis e militares.
Os americanos não sabem a sorte que têm em contar no momento com um presidente moderado como Barack Obama – imaginem, ele que é reiteradamente chamado de radical pela direita. Obama compreende que o país não pode mais embarcar numa aventura do tipo Afeganistão e Iraque.
Uma recente pesquisa de professores universitários revelou por sinal que Barack Obama é o presidente mais centrista eleito pelos democratas desde a Segunda Guerra Mundial. Perde apenas para Franklin Delano Roosevelt, que governou o país durante os tempos da Depressão e da Guerra, e cujo plano econômico, o New Deal, resgatou a atividade econômica.
O Plano de Estímulo de Barack Obama não foi tão vigoroso quanto o New Deal, mas mesmo assim há indícios de que a economia dos Estados Unidos começa a crescer outra vez, ao contrário do que se passa em países europeus engolfados pela onda de austeridade.
Austeridade que os republicanos insistem em prometer nas primárias de seu partido – excetuando-se, claro, as aventuras militares. Newt Gingrich é apoiado por um bilionário intimamente ligado a Benjamin Netanyahu e deseja bombardear o Irã. Mitt Romney, o mórmon esquisitão que levou seu cachorro amarrado no teto do carro até o Canadá, já disse que vai bombardear o Irã, invadi-lo, depor os aiatolás, despachar um número imenso de porta-aviões para o Estreito de Hormuz.
Rick Santorum, para não destoar, também critica a “tibieza” ” de Barack Obama em relação ao Irã, e disse que teve vontade de vomitar ao ouvir o discurso de John Kennedy afirmando que raligião e governo não devem se misturar. Ele é um aiatolá da Igreja Católica, que nega às mulheres o direito de usar a pílula anti-concepcional. Acha que dar a todos a oportunidade do ensino superior é “esnobismo”.
Na verdade, o candidato considerado mais doido entre os republicanos, o excêntrico Ron Paul, é o que tem mais sanidade mental.
Ou malucos são mesmo os eleitores do partido?
José Inácio Werneck
*Direto da Redação

quinta-feira, março 08, 2012

Vaticano não se faz respeitar 

 


Pela primeira vez, o governo norte-americano, por meio do Departamento de Estado, coloca o pequeno Estado do Vaticano na lista dos 67 países potencialmente suscetíveis à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
O elenco, na categoria de “ Estados preocupantes”,  acaba de ser  publicado no relatório anual da International Narcotics Control Strategy, que será encaminhado ao Congresso dos EUA na próxima semana.
O Vaticano, como “Estado preocupante”, figura ao lado, por exemplo, da Albânia, República Tcheca, Egito, Coreia do Sul, Malásia e Iêmen.

Vaticano não se faz respeitar


Pela primeira vez, o Vaticano surge na lista dos Estados potencialmente vulneráveis à lavagem de dinheiro em casos de droga.
*Abolapt

Israel pede bombas aos EUA: Ameaça ou pressão contra o Irã?

 

Israel busca que os Estados Unidos aprove a venda de avançados sistemas de reabastecimentos e bombas anti-bunker, que poderiam ser usadas para ataques contra o Irã.
Tal solicitação foi feita pelo primeiro ministro israelense, Benjamim Netanyahu, durante sua recente reunião com o secretario de Defesa norte-americano, Leon Panetta, segundo informou o jornal israelense ‘Haaretz’.
Segundo o jornal, que cita a um alto funcionário norte-americano sem identificar, se trata das bombas GBU-28 que poderiam destruir alguns dos centros do controvertido programa nuclear iraniano.  
O funcionário assinala que o presidente, Barack Obama, encarregou a Panetta para trabalhar diretamente nesta matéria com o ministro de Defesa israelense, Ehud Barack, e que Washington, está inclinado a aceitar a demanda o quanto antes possível.
Sobre o governo de George W. Bush, os EUA rechaçaram o fornecimento de tal material bélico pelas suspeitas de que Israel poderia usá-las contra o Irã.
Segundo uma investigação difundida pela imprensa, os EUA poderia ter vendido em 2009 – em secreto – a Israel, 55 bombas de penetração profunda GBU-28, apontadas como “rompedoras de bunkeres”.
Em 9 de janeiro passado, o Irã anunciou o começo de enriquecimento de uranio na usina subterrânea de Fordow, que se encontra a tal profundidade, que é inalcançável pelos atuais mísseis de Israel.
Enquanto se intensifica a pressão internacional sobre o Irã, que já tem desembocado num série de sanções, se está aumentando, também, a presença militar dos EUA e Reino Unido no Golfo Pérsico.
O impulsionador destes movimentos é a acusação, por parte do Ocidente, de que o Irã estar desenvolvendo armas nucleares, algo que Teerã nega de forma reiterada e mediante diversos canais, declarando que necessita desenvolver seu programa nuclear para fins energéticos de caráter civil.  
Tradução de Luis Carlos (Redação do blog o povo na luta faz historia)

Informe internacional evidência o fortalecimento militar britânico nas Ilhas Malvinas

O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) reconheceu, nesta quarta-feira, num informe anual, que na atualidade a presença militar nas Ilhas Malvinas representa um poderio superior ao de 30 anos atrás, quando Reino Unido e Argentina se enfrentaram pela soberania do Arquipélago.
Na contenda de 1982, os britânicos contavam com um contingente da Marinha nas Malvinas e, no presente, tem empregado mil soldados e ao menos três buques de guerra, destaca o documento.
Além disso, possui também quatro aviões de combate Typhoon que patrulha o espaço aéreo, assim como, uma rede de radares. Por outro lado, enviou um de seus buques mais modernos, o destruidor HMS Dauntless, e o submarino nuclear Vanguard. Tudo isso, a revelia do chamado de Buenos Aires para resolver, pela via diplomática, o litígio sobre o território.  
O anuncio de IISS se deu a conhecer a proposito das recentes tensões entre os dois Governos, que reclamam a soberania das Ilhas, localizada no Oceano do Atlântico Sul, na plataforma continental da América do Sul.
Buenos Aires reclama a soberania sobre as Ilhas Malvinas, Georgias de Sur e Sandwich del Sur e os espaços marítimos circundantes, os que Reino Unido ocupou em 1833 e, sobre os quais, mantém uma disputa internacional desde a guerra de 2 de abril de 1982, que durou 74 dias.
A guerra terminou em 14 de junho com um balanço de 649 argentinos e 255 britânicos mortos.
Diante da negativa britânica de reconhecer o direito do país sul americano, a Argentina apresentou uma queixa formal no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por considera que o Reino Unido militariza o Atlântico Sul ao anunciar o envio de um barco militar de guerra.
O chanceler argentino, Héctor Timerman, informou nesse contexto sobre a “violação do Reino Unida das cercas de 40 resoluções das Nações Unidas, que convocam ao diálogo entre esse mencionado país e Argentina para resolver, pacificamente, o conflito iniciado em 1833, com a invasão militar das Ilhas Malvinas”, segundo um comunicado emitido pela secretaria.
Tradução de Luis Carlos (Redação do blog o povo na luta faz história)

Ricardo Teixeira pede afastamento da presidência da CBF

 

Record inicia série de denúncias que derrubaram o dirigente
Ricardo Teixeira está de licença da CBF. Nesta quinta-feira (8), o presidente da entidade confirmou seu afastamento aos presidentes das 27 federações de futebol no Brasil, alegando motivos médicos para se afastar por tempo indeterminado.
Em seu lugar, assumirá José Maria Marin, vice-presidente da CBF e que, recentemente, ganhou notoriedade aoroubar uma medalha após a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Justiça suíça manda Fifa divulgar dossiê
Documentário denuncia Teixeira por corrupção
Ricardo Teixeira, no cargo há 23 anos, vinha sendo bastante pressionado e sua renúncia chegou a ser dada como certa antes do Carnaval. Uma série de denúncias de corrupção, iniciadas pela Rede Record, minaram a credibilidade do cartola.
Porém, ao retornar de viagem a Miami (EUA), no fim do mês passado, descartou a possibilidade de sair e retomou suas atividades à frente da CBF.
Teixeira constrói vasto patrimônio após assumir CBF
Deputados querem investigar Teixeira
Agora, com menos pressão, adota uma saída estratégica. Não se sabe, contudo, se desta vez voltará ao comando da entidade ou se a deixará nas mãos de Marin. O dirigente assume o posto em caso de renúncia por ser o vice-presidente mais velho, com 79 anos.
Além de ser presidente da CBF, na qual tem mandato até 2015, Ricardo Teixeira acumula a função de presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, que será disputada no Brasil.
Ao seu lado, em busca de mais prestígio, colocou os ex-atacantes Ronaldo e Bebeto como conselheiros. Ao pedir licença da entidade, o cartola também se afasta, por um mês, do Comitê.
http://esportes.r7.com/futebol/noticias/ricardo-teixeira-pede-licenca-da-presidencia-da-cbf-20120308.html?question=0

Cidade espanhola vai plantar maconha para saldar dívida

il
Driblando a crise: a cidade espanhola de Rasquera irá plantar maconha como forma de  saldar sua dívida de 1,3 milhões de euros (cerca de R$ 3 milhões). O financiamento para o polêmico plantio da erva será feito ao longo dos próximos dois anos pela Associação de Consumidores de Maconha de Barcelona.
Mas as autoridades espanholas ainda estão estudando se a medida é ou não legal. A lei do país permite o consumo de maconha em bases pessoais ou compartilhada, mas o tráfico é punido com penas que podem chegar a 6 anos de prisão. Se a moda pega... (Vi no @Estadão)
maconha *Terra

Problemas de mulher

 

Uma boa maneira de começarmos a pensar sobre o problema que envolve o significado de ser mulher e, de certa forma, o aprisionamento em que se encontram os sujeitos femininos (e na contramão, mas diretamente envolvido, também os masculinos) é colocando em xeque a existência de um problema que envolve exclusivamente essa divisão: homens de um lado, mulheres do outro.
No discurso ordinário, a utilização de uma divisão binária, epistemológica e ontológica, das categorias de gênero nos possibilita destinar aos dois campos características e papéis que poderiamos dizer serem oriundas daquele próprio organismo. Logo, o convite é oferecido: estamos diante de uma investigação da (in)existência de um problema que recai, neste caso específico, ao grupo das mulheres. E que problema seria esse? Como forma de esclarecer o pensamento aqui comprometido, penso ser indispensável suspeitarmos da (im)possibilidade de conseguirmos definir uma identidade das ‘mulheres’, ou seja, de não conseguirmos constituir o sujeito estável e permanente de uma teoria feminista sem que isso acabe por minar os interesses reais de uma busca por justiça e inclusão. Talvez, por mais esquisito que isso possa parecer, seja necessário pensarmos que os sujeitos, caracterizados de maneira a priori, de quaisquer que sejam nossas teorias, são produções de sistemas de poder e, por essa razão, não existem de fato; ou seja, são projetos de uma ficção comprometida com a manutenção do poder vigente.
Logo, é preciso ter em mente a possibilidade de estarmos comprando uma ficção fundacionista do sujeito que nos faz acreditar que um termo como ‘mulheres’ possa definir elementos criteriosos que vão denotar uma identidade comum a todos os sujeitos que participam desse ‘grupo’. Neste caso, podemos suspeitar que a fala “talvez não existam mulheres”, da filósofa Julia Kristeva, possa fazer algum sentido. De qualquer forma, o que essa nova perspectiva de encarar as teorias feministas chama atenção é para o fato de que é preciso romper com os parâmetros que fundaram as relações políticas e culturais das nossas sociedades e que, advindo disso, dominaram e dominam a nossa forma de se relacionar não com as categorias de ‘homens’ ou ‘mulheres’, mas com a humanidade.
Desta maneira, não é preciso ignorar o processo histórico que nos fez ser quem somos, mas incluir nesse processo a compreensão de que nossa percepção do mundo de fora e também de nós mesmos é fruto de algo maior. Ser mulher, ser feminina, ser moça, ser santa ou ser puta são conceitos que nasceram como fruto de uma dominação patriarcal, masculina, para não dizer heterossexual. Sendo assim, oferecida a suspeita de tal diagnóstico, passamos a enaltecer as ‘mulheres’, na sua utilização ordinária, que fizeram parte desse processo histórico de luta pela emancipação das mesmas à categoria de ‘indivíduos’ desprovidos de qualquer poder político que quisesse lhe conceder aquilo que deveriam ser. Dentro dessa perspectiva feminista comprometida com todas as variações possíveis que podem formar a identidade dos sujeitos, problemas de mulher passam a ser, na verdade, problemas da humanidade.
Ps: Este texto é dedicado a todas as pessoas que fizeram e fazem de suas vidas a luta por um mundo melhor, mais igualitário e inclusivo. (Dedicado especialmente a Maria Clara Dias, Marcia Tiburi, Laerte Coutinho e Judith Butler)
Fabio Oliveira

Eduardo Galeano - Mujeres










Deleite às mulheres








A origem da sanidade








*stop.org.br

A Copa de 50 segundo Mino Carta

Por wilson yoshio.blogspot
Da Agência Pública
Mino Carta conta a Copa de 50: “A Fifa não era esta coisa vergonhosa”
Por Andre Dip

p>  atento o jogo em que o Brasil perdeu para o Uruguai / Reprodução" height="380" width="600" />

123
O jornalista e diretor de redação da Carta Capital cobriu o evento quando tinha 15 anos para veículos italianos: “O Brasil era o país ideal”
Em entrevista à Pública, o jornalista e diretor de redação da Carta Capital lembra a cobertura que fez aos 15 anos para veículos italianos sobre a primeira Copa depois da Segunda Guerra: “O Brasil era o país ideal”. Ali começaria sua longa carreira como jornalista.
Mino fala das muitas mudanças que ocorreram nesses 62 anos no mundo do futebol. A Fifa, por exemplo, não tinha nada a ver com esta de hoje, “que se tornou o que é graças a João Havelange, que, digamos, na Sicília estaria perfeito, dirigindo a máfia”.
E explica que apesar do “Maracanaço”, como ficou conhecida a dolorosa vitória do Uruguai sobre o Brasil no estádio com quase 200 mil pessoas, aqueles eram tempos tranquilos e felizes para o país.
Sobre a Copa de 2014, o jornalista não se mostra otimista. E dispara: “Mazelas mil. Porcarias variadas e mentiras… É uma floresta de enganos”. Senhoras e senhores, com a palavra, Mino Carta:
Você cobriu a Copa de 50 aos 16 anos. Foi seu primeiro trabalho? Como foi parar lá?
Na verdade, foi assim: meu pai detestava futebol e recebeu um pedido de jornais italianos para escrever uma série de artigos sobre a preparação para o Campeonato Mundial de 1950. Eu ainda tinha 15 anos, meu pai detestava o balípodo [futebol]. Me convocou e disse: “Olha, você que gosta dessa porcaria, você gostaria de escrever algo a respeito?”. Eu disse: “Quanto vale?”. Ele disse x e como esse x daria para encomendar um terno azul marinho num alfaiate de muita boa qualidade, eu disse “perfeito!”. Nesse tempo íamos aos bailes de sábado de terno e gravata. 
O terno azul era o objeto de desejo?
No meu caso, era o terno azul marinho. Então eu escrevi seis artigos sobre a preparação da Copa. Fui pago, fiz o terno azul marinho e depois quando vieram as equipes dos jornais para os quais eu tinha escrito– que, na verdade, eram dois jornais irmãos, um de Roma e outro de Gênova – o pessoal me usou como intérprete, como ajudante, como contínuo, mil coisas. 
A Fifa era menos exigente?
A Fifa não era essa Fifa, que se tornou o que é graças a um brasileiro ilustre que se chama João Havelange, que, digamos, é um concorrente do Totò Riina, do Provenzano. Ele na Sicília estaria perfeito, dirigindo a Máfia. A diferença é que ele está solto e Totò Riina e Bernardo Provenzano estão na cadeia. Esse Blatter é outro. Esse Ricardo Teixeira é outro. Aliás, aprenderam tudo com o João Havelange, que foi o autor desta Fifa vergonhosa. Agora, o campeonato de 1950 funcionou muito bem. Não houve problema algum. 
Foram construídos estádios na época?
O Maracanã. Basicamente, o Maracanã, que eu saiba. Eu me lembro porque São Paulo tinha o Pacaembu, que havia sido construído em 1942 e que era um estádio novo e bonito. O Pacaembu aguenta 50 mil espectadores com tranquilidade. São Paulo, nesse momento, beirava os 2 milhões de habitantes. Era um outro mundo. São Paulo tinha 50 mil carros. A gente se locomovia pela cidade com perfeição. Ainda funcionavam os bondes.
O Brasil não parou por causa da Copa, então?
De jeito nenhum. E veio muita gente de fora. O jogo da final, no Maracanã, que foi uma tristeza, um momento de enorme tristeza… Mas também, sabe?, o jogo começou com a distribuição de postais que mostravam o time brasileiro como se já fosse campeão.
Foi mais vergonhoso…
Não, não foi vergonhoso, porque o Uruguai, além de tudo, tinha um time excelente. O Uruguai tinha um time melhor que o do Brasil. Você não perde por acaso. Você perde porque tem pela frente um time que pelo menos, naquele jogo, jogou melhor. Tinha craques incríveis o time do Uruguai, jogadores excelentes. E o Brasil, como frequentemente acontece, era um time desequilibrado. Na defesa, havia muitas falhas. Tinha atacantes excepcionais e uma defesa… Um meio campo muito bom e uma defesa que deixava a desejar. Bom, não foi culpa do goleiro. O marcador do ponta direita do Uruguai não segurava o homem, chamava-se Bigode, o nosso. O outro chamava Ghiggia e corria bem mais. Então, é por aí. Mas enfim, foi um campeonato tranquilo, sem desordem. 
O senhor estava lá?
Estava. Triste, foi muito triste. O que tinha de gente chorando na rua era impressionante… 
Como foi o clima do estádio nessa hora?
Silêncio. Silêncio aterrador. A alegria de uma pequena torcida uruguaia e silêncio. Porque também os estrangeiros torciam pelo Brasil, os que tinham vindo e tinham ficado muito impressionados. Sobretudo com as duas vitórias por goleada e a exibição de gala, então imagine… Foi triste.
Os torcedores eram pessoas comuns? Os ingressos eram baratos?
Totalmente. Mas olha, o que é impressionante é que (risos) Eu lembro quando eu ia ao Pacaembu, antes quando eu era menino, tinha uns 13, 14 anos, uma ofensa dirigida ao árbitro que eventualmente, na opinião do torcedor, roubava contra o time dele era “tuberculoso!”. Era muito raro ouvir um palavrão no estádio. As pessoas portavam-se de outra maneira. O Brasil virou um país muito vulgar. 
E como foi sua cobertura? Como foi essa experiência?
Foi ótima. O que eu realmente escrevi foram os artigos de preparação. Depois, quando o campeonato se deu eu estava ali como ajudante dessa equipe de jornalistas italianos e fiquei como tal. Quer dizer, era sobretudo, um ajudante, um menino. Ali eu já tinha 16 anos e era um menino esforçado, ajudava no que podia.
Os artigos ainda estão por aí?
Eu não guardo nada. Não tenho uma única coleção de alguma coisa que eu tenha feito. Do mundo nada se leva, é minha convicção granítica.
O senhor torcia para o Brasil?
Nesse tempo, sim. Hoje eu mudei muito minha postura. Me irrita pensar que em 70 os presos da ditadura gritavam gol juntamente com os carcereiros. Essa debilidade moral me irrita sobremaneira, hoje em dia. Naquele tempo, não. Ao contrário: eu torcia, sim, pelo Brasil. É claro, lógico. Mas eu tentava ser frio na análise. Porque, realmente, por exemplo, o Uruguai tinha um grande time. Tinha alguns jogadores ali soberbos. No fundo, melhores que os nossos. Schiaffino era um jogador excepcional, por exemplo. Muita cabeça, muita inteligência, via o jogo. Não era só habilidade individual, era capacidade de mentalizar, de no campo mudar a estratégia. Então tinha alguns jogadores excepcionais.
O que o senhor espera pra essa Copa de 2014?
Parece-me que as coisas não estão bem postas. Primeiro, o roubo é absolutamente inegável. Um roubo deslavado, escancarado, transparente. Está ali, para todo mundo ver, mas ninguém dá a mínima. Também é difícil imaginar que em menos de dois anos e meio as cidades brasileiras, sobretudo São Paulo, Rio, Belo Horizonte, consigam montar um esquema que facilite o deslocamento das pessoas para jogos. Não vejo como… As cidades são completamente desequipadas, são miseráveis em certos pontos. Temo um desastre, do ponto de vista da organização. E como teremos eleições em 2014 me parece que esse desastre não vai facilitar em nada para quem do governo quiser continuar aí. Isso vai acabar repercutindo no resultado eleitoral. Acho que, do ponto de vista técnico, o Brasil não tem time para jogar esse mundial, em relação a alguns times europeus que praticam um futebol, hoje, muito mais eficaz para que os bolsos daquele ou desse se encham. Eu não tenho boas perspectivas. Eu acho que foi uma decisão populista do Lula. Uma decisão errada. E nem se fale das Olimpíadas. Tivemos um exemplo que devia ter sido aproveitado, que devia influenciar nas decisões de hoje, que foi o Panamericano do Rio, que foi um roubo, uma coisa monstruosa. 
E aquelas obras nem vão servir para as Olimpíadas…
Claro. E veja: estava prevista uma despesa de 400 milhões e a despesa chegou a 4 bilhões. É uma coisa…Dolorosa. Se a Copa for um desastre, o mundo vai ser perguntar “por que as Olimpíadas?”. “Temos de repetir aquela tragédia?”. É isso. O de 50 foi apenas triste porque o Brasil esperava a vitória, mas era um Brasil ingênuo e simples. De uma forma, tenro e um pouco patético, né? Mas nada a ver com o Brasil de hoje.
Então a gente pode dizer que a Copa de 50 foi benéfica pro Brasil?
Foi ótima. Pena que muita gente chorou. Isso que foi pena.
E a segurança? Como era feita?
O Brasil era um país ideal. As pessoas viviam numa boa. Não existiam os medos e receios de hoje. 
Então não foi feita uma segurança de guerra como eles estão querendo fazer agora?
Eu tive a sorte e o prazer de assistir a parte final do campeonato europeu realizado em Portugal em julho de 2004. À parte o fato que gosto de Portugal, gosto da comida portuguesa e gosto dos vinhos portugueses, à parte esse detalhe, que não deixa de ter sua importância – foi uma coisa impecável. Uma polícia fantástica, portando-se com fidalguia, com cortesia. Olha, uma coisa impecável! E tinha ali torcidas além de eventualmente muito ruidosas e muito fortes, como a torcida holandesa, por exemplo, que é um pessoal imponente, mas de comportamento impecável. Fiquei muito bem impressionado. Uma organização perfeita. Realmente, parece que para essa ocasião construíram alguns estádios, sobretudo em Lisboa e no Porto, dois estádios muito bonitos e muito modernos. Mas vejam, um detalhe: esse estádio que a Fiat construiu para o time dela, o Juventus de Turin. Eles construíram um estádio moderníssimo, foi inaugurado há menos de um ano. Esse estádio, moderníssimo, a última palavra em termos de estádio, custou um quinto do que vai custar esse estádio de São Paulo (Itaquerão). Um quinto. Imagina? Imagina o que que ali tem de superfaturamento. Mazelas mil. Porcarias variadas e mentiras… É uma floresta de enganos. É isso.
Colaborou: Jéssica Mota
*Nassif

MULHERES EX-PRESAS POLÍTICAS TERÃO JULGAMENTO ESPECIAL PARA ANISTIIA


DO PORTAL PT

Foto arquivo PT (arte Newton Vilhena - Portal do PT)

Sessão do Ministério da Justiça será em homenagem ao Dia das Mulheres

No dia 9 de março, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, (comemorado em 8 de março) a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vai realizar uma sessão especial de julgamento apenas com mulheres. Serão apreciados sete processos de ex-presas e perseguidas políticas, que serão também homenageadas.
Entre elas, duas irmãs que foram confundidas entre si por ter os nomes parecidos: Maria Niedja e Maria Nadja de Oliveira. A primeira foi aprovada em 1976 em terceiro lugar no concurso para professora na Universidade de São Paulo, mas não conseguiu tomar posse porque uma triagem ideológica acreditou que ela fosse a irmã Maria Nadja, integrante do movimento contrário à ditadura militar.

Resumo dos casos que serão apreciados
Maria Niedja de Oliveira: presa em 1972, foi aprovada em 3º lugar na seleção de professores na USP em 1976. Teve seu processo arquivado até 1980 por conta de uma triagem ideológica que a confundiu com sua irmã.

Maria Nadja Leite de Oliveira: estudante presa em 1968, respondeu a inquérito policial militar e foi condenada a um ano e oito meses de prisão. Teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos. Para evitar a prisão, fugiu para São Paulo, onde foi novamente presa em 1971.
Maria Angélica Santos: foi presa em 1974 quando estava grávida de quatro meses.
Gilda Fioravanti da Silva: presa em 1970 pela OBAN, foi transferida para o DOPS em janeiro de 1971. Respondeu a inquérito policial militar e foi absolvida em 1972.
Ida Schrage: professora e membro da Ação Popular entrou na clandestinidade e foi presa quando estava tentando se inserir na classe operária. Saiu do país e morou na Bélgica, em Israel e na Alemanha, onde vive atualmente.
Hilda Alencar Gil: militante da POLOP, passou a sofrer perseguição após o seu companheiro assinar uma matéria na revista O Cruzeiro sobre a prática do Comando de Caça aos Comunistas.
Darci Toshiko Miyaki: militante da ALN foi presa em 1971. O seu mandado de prisão foi expedido seis após a sua detenção. Permaneceu presa por um ano e cinco meses.

Lançamento de documentário integra ações pelo Dia da Mulher
A sessão especial para anistia de mulheres vai ocorrer depois do pré-lançamento do documentário Repare Bem, da cineasta portuguesa Maria de Medeiros. O trabalho da cineasta tem apoio do projeto Marcas da Memória, mantido pela Comissão para promover o direito à verdade e à memória. O documentário trata da história de três gerações de mulheres perseguidas políticas, a partir do relato das perseguidas Denize Crispim e Eduarda Leite.
Repare Bem será o primeiro filme a compor o acervo multimídia da Comissão de Anistia, que a Cinemateca Brasileira passará a abrigar. Um acordo de cooperação a ser assinado entre as duas entidades no dia 8 de março vai viabilizar a composição desse acervo.
Programação: (realizada na Cinemateca, São Paulo)
8 de março, 19h
Pré-lançamento do documentário Repare Bem, com a direção da portuguesa Maria de Medeiros. Debate, com a presença de Maria de Medeiros, Denize e Eduarda Crispim.
Ato de assinatura de termo de cooperação técnica entre a Comissão de Anistia e a Cinemateca Brasileira.
9 de março, 19h
Sessão de julgamento da Caravana da Anistia com apreciação de sete casos de mulheres perseguidas políticas.
Exibição do documentário Vou contar para meus filhos, sobre um reencontro de 24 mulheres presas na Colônia Penal de Recife entre 1969 e 1979.
(Jamila Gontijo – Portal do PT, com informações do Ministério da Justiça)
*Historiavermelha

“A construção faraônica e bilionária de Aécio Neves está em ruínas.”

A obra foi feita à pressa para servir de palanque nas eleições de 2010 para o então Governador Aécio Neves e seu atual sucessor Anastasia.
Muitos foram os laudos técnicos recomendando mais estudos sobre o terreno pantanoso onde foram erguidos os edifícios da Cidade Administrativa.
É incompreensível uma obra de mais de 1 bilhão de reais, com menos de 1 ano de inauguração, já necessitar de reformas caras e estruturais.
Em junho de 2010 o Jornal Hoje em Dia já havia feito uma denúncia sobre esses problemas e o Deputado Rogério Correia já havia alertado para a necessidade de uma CPI com o intuito de investigar os gastos com a obra e os problemas estruturais que ela apresenta como mostram as matérias dos links abaixo.

De princesa a presidenta. Viva as maravilhosas mulheres brasileiras!

Marta Suplicy
De princesa a presidenta
Na eleição da presidenta Dilma Rousseff, fiquei extremamente tocada com a ênfase que ela deu à questão da mulher. Tanto no discurso no dia em que ganhou quanto no da posse, as palavras "compromisso" e "protagonismo feminino" soaram como música aos meus ouvidos e nos de milhares de mulheres do Brasil.
Depois, fiquei pensando quão difícil seria colocar essas intenções em ação. A resistência dos partidos em fazer indicações femininas, a timidez de muitas mulheres em pensarem-se como protagonistas, o desinteresse nas questões da mulher, os embates ideológicos... De fato, muitas montanhas a serem escaladas.
A pergunta fundamental que me faço hoje é: fez diferença ter uma mulher presidenta? Fez. Por motivos que não têm a ver com qualquer movimento específico da presidenta e também por ações concretas que ela implementou.
A mera presença de uma mulher no comando do país provocou, de imediato, um impacto. Consequência que possibilitou a mim a vice-presidência do Senado depois de 185 anos de hegemonia masculina e a nomeação da primeira diretora-geral da Casa.
A presidenta se debruçou com cuidado sobre os nomes femininos para os ministérios. Os partidos nunca "encontram nomes". Sei a mão forte que é necessária para atingir o número de nove ministras a que Dilma atingiu. Isso sem falar na nomeação de mulheres para o Judiciário ou na substituição dos atendentes do avião presidencial por aeromoças. Isso não teria acontecido sem a determinação de Dilma. Lembro que FHC teve três ministras, e Lula, cinco.
Voltando ao simbólico, ainda não temos a medida. Serão necessárias algumas gerações para saber o efeito de ver, na TV, uma mulher falando como chefe da nação. Quanto tempo para as meninas passarem do brincar de princesa ao brincar de presidenta?
O príncipe não passará mais no cavalo branco, mas a autonomia e o poder são ingredientes muito atraentes. O cavaleiro não virá resgatar, será cúmplice e um igual.
De maior impacto para as mulheres, temos as ações do mês da mulher na área da saúde. Não é pouco reduzir 20% dos casos de mortalidade materna em um ano e colocar 22% a mais de recursos no combate ao câncer feminino.
Os caminhos políticos são árduos, e o recrudescimento do conservadorismo tem tido um preço -que não favorece as milhares de mulheres que morrem por aborto nem os gays trucidados por homofobia. A presidenta tem sido cautelosa no assunto. A nomeação de uma ministra que pensa diferentemente dessas forças foi um alento nesse impasse que parece uma muralha erigida por alguns no país e no Congresso Nacional.
Viva o dia 8 de março!
MARTA SUPLICY 

PARABÉNS PELO DIA DE HOJE, PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF! DESCULPE A IMPRENSA CORRUPTA DO BRASIL, PELA MESQUINHEZ DE CHAMÁ-LA "A PRESIDENTE" PORQUE NA VERDADE O MACHISMO ESTÁ ARRAIGADO NESSA INSTITUIÇÃO CORRUPTA


Significado da visita do Papa a Cuba

Por Frei Betto, no sítio da Adital:

Para desgosto e fracasso das pressões diplomáticas da Casa Branca, o papa Bento XVI chega a Cuba dia 26 de março. Fica três dias na Ilha, após entrar na América Latina pelo México. A 28 de março, celebra missa na Praça da Revolução, em Havana.

Bento XVI celebrará, em Santiago de Cuba – histórica cidade do Quartel Moncada, onde Fidel iniciou sua luta revolucionária, em 1953 – os 400 anos da aparição da Virgem da Caridade do Cobre.

Em 1998, logo após o papa João Paulo II encerrar sua visita a Cuba, participei de almoço oferecido por Fidel a um grupo de teólogos. Em certo momento, um teólogo italiano manifestou, do alto de seu esquerdismo, indignação pelo fato de o pontífice haver presenteado a Virgem da Caridade com uma coroa de ouro.

Fidel não escondeu seu desconforto. E reagiu: "A Virgem do Cobre não é apenas padroeira dos católicos de Cuba. É padroeira da nação cubana.” E passou a relatar como sua mãe, Lina Ruz, católica devota, fez ele e Raúl prometerem que, se saíssem vivos de Sierra Maestra, haveriam de depositar suas armas junto ao santuário, para pagar a promessa que ela fizera. Em 1983, ao visitar o santuário pela primeira vez, vi ali as armas.

Por essas "cristoincidências” que só a fé explica e as pesquisas elucidam, a Virgem da Caridade e Nossa Senhora Aparecida têm tanto em comum quanto Cuba e Brasil. Como disse Inácio de Loyola Brandão, "Cuba é uma Bahia que deu certo”. As duas imagens foram encontradas durante a colonização: lá, em 1612, a espanhola; aqui, em 1717, a portuguesa. As duas, na água. As duas achadas por três pescadores. Lá, no mar; aqui, no rio Paraíba. As duas são negras.

O papa chega a Cuba no momento em que o país passa por mudanças substanciais, sem, no entanto, abandonar seu projeto socialista. Há um processo progressivo de desestatização, abertura à iniciativa privada, e mais de 2 mil prisioneiros foram soltos nos últimos meses.

Hoje, as relações entre governo e Igreja Católica podem ser qualificadas de excelentes. Já não há na Ilha resquícios do clero de origem espanhola e formação franquista, que tanto incrementou o anticomunismo nos primeiros anos da Revolução, quando um padre promoveu a criminosa Operação Peter Pan: convenceu os pais de 14 mil crianças de que haveriam de perder o pátrio poder e que seus filhos passariam às mãos do Estado... Carregou as crianças para Miami, sem pais e mães, e o resultado, como se pode imaginar, foi catastrófico. A Revolução não foi derrotada pela invasão da Baía dos Porcos, patrocinada pelo governo Kennedy, e nem todas as crianças escaparam de um futuro de delinquência, drogas e outros transtornos. Milhares jamais foram localizadas depois pelas famílias.

Tanto o Vaticano quanto os bispos cubanos são contrários ao bloqueio que os EUA impõem à Ilha. Pode-se discordar de muitos aspectos do socialismo daquele país, mas ninguém jamais viu a foto de uma criança cubana jogada na rua, famílias morando debaixo da ponte e máfias de drogas. Em Havana, um outdoor exibe um menino sorridente com esta frase abaixo da foto: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.

Cuba tem muitos defeitos, mas não o de negar a 11 milhões de habitantes os direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde, educação, moradia, trabalho e arte (vide o cinema e o Buena Vista Social Club). O que mereceu elogios de João Paulo II durante sua visita de sete dias – uma das mais longas de seu pontificado.

Hoje, Cuba recebe, proporcionalmente, mais turistas que o Brasil. O que é uma vergonha para nosso país de dimensões continentais e com tantos atrativos. A diferença é que Cuba promove não apenas turismo de lazer (suas praias são paradisíacas), mas também turismo científico, cultural, artístico e desportivo.

A Revolução Cubana resiste há 54 anos, malgrado os atos terroristas contra aquele país, descritos em detalhes no best-seller de Fernando Morais, Os últimos cinco soldados da guerra fria (Companhia das Letras, 2011). E o fato de suportar, no seu litoral, a base estadunidense em Guantánamo, que lhe rouba parte do território, para utilizá-lo como cárcere de supostos terroristas sequestrados mundo afora.

Quem sabe a resistência cubana seja mais um milagre da Virgem da Caridade...
*Miro

Os militares que afrontam a democracia

Manifesto do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça e da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos:

Testemunhamos nos últimos dias, entre militares da reserva, o ressurgir de vozes lúgubres, de oposição à criação e ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade.

As manobras dos indivíduos que buscam calar o direito à Memória, à Verdade e à Justiça tentam, por um lado, golpear a democracia, atingir e desmoralizar o governo federal e suas autoridades; por outro lado, envolver as Forças Armadas dos dias de hoje na defesa dos crimes cometidos, há décadas, pela Ditadura Militar, e implicá-las na defesa de militares e civis que foram os executores desses crimes.

O chamado “Manifesto à Nação” assinado por militares da reserva, entre os quais conhecidos torturadores, é uma enorme afronta ao governo federal legitimamente eleito e aos Poderes da República, e seus ataques à Comissão Nacional da Verdade são inadmissíveis.

Externamos nosso integral apoio à decisão da presidenta Dilma Rousseff e do ministro da Defesa, Celso Amorim, de punir esses autores de crimes de desacato, e reiteramos a necessidade da instalação imediata da Comissão Nacional da Verdade, único instrumento capaz de investigar, conhecer e divulgar a verdade sobre as graves violações de direitos humanos praticadas pelos órgãos de repressão da Ditadura Militar, e a sanção de seus autores, nos termos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal quanto aos crimes permanentes.

Por fim, face ao crescimento das adesões de militares a esse manifesto de vocação golpista, a punição aos seus subscritores tornou-se uma questão não só imprescindível, como urgente, sob pena de fragilizarem-se a Democracia e os Poderes constitucionais da República.
*Miro

Militares devem respeitar “autoridade civil”, diz Amorim

Em resposta ao manifesto publicado no final do mês passado por militares da reserva que questionaram sua autoridade e a da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira (6) que os signatários do texto devem respeito à "autoridade civil".

Frente à questão, a presidente Dilma Rousseff prepara uma ação para fortalecer Amorim. A primeira consta da liberação de recursos para a pasta e sinais políticos que não deixem dúvidas aos militares de que ele é o interlocutor da categoria que terá acesso ao Palácio para negociar o reaparelhamento das Forças Armadas e o reajuste de salários.
Durante entrevista no Senado nesta terça-feira (6), o ministro ressaltou que “a questão importante é o respeito à autoridade civil, isso é parte da democracia. Da mesma maneira que nós respeitamos muito o profissionalismo dos militares".
Ele pontuou ainda que a Comissão da Verdade foi criada por lei aprovada no Congresso e deve ser cumprida por todos: "todos nós, militares e civis, temos que respeitar a lei passada quase pela virtual unanimidade do Congresso e, ao mesmo tempo, é preciso ter clareza que essa lei vai ser aplicada na sua integralidade, inclusive no que diz respeito à observância da Lei da Anistia".
Insubordinação
O texto divulgado na internet pelos militares criticava o governo sob o argumento de que ele está agindo por “revanchismo”. Intitulado “Eles que venham. Por aqui não passarão”, o texto corroborava críticas divulgadas anteriormente pelos clubes Militar, Naval e de Aeronáutica retirados da internet por pressão do Planalto.
O governo considerou o manifesto um ato de insubordinação. Isso porque, mesmo fora da ativa, os militares da reserva estão sujeitos à hierarquia das Forças Armadas, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos.
Por: Vermelho
*OCarcará

Protógenes pede CPI do caso Cachoeira

Protógenes pede CPI do caso Cachoeira

Foto: José Cruz/Agência Brasil_Divulgação

O OBJETIVO É ESCLARECER AS LIGAÇÕES ENTRE O CRIME ORGANIZADO COM PERSONALIDADES POLÍTICAS IMPORTANTES DE GOIÁS - O SENADOR DEMÓSTENES TORRES É UM DOS ALVOS; AO CONTRÁRIO DE OUTROS PEDIDOS APRESENTADOS PELO DEPUTADO, COMO O DA "PRIVATARIA TUCANA", ESTE TEM APOIO DO PT

247 – O deputador Protógenes Queiroz enviou um pedido ao Congresso para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar ‘as práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal’, num prazo de 180 dias. A prisão de Carlos Cachoeira e dos demais envolvidos na exploração de caça-níqueis e do jogo do bicho em Goiás revelou constrangedoras ligações entre o crime organizado com personalidades políticas importantes do estado. Entre elas, o principal alvo é o senador Demóstenes Torres, tido como exemplo de ética pelo partido DEM.
Demóstenes recebeu uma cozinha completa como presente de casamento de Cachoeira e pareceu manter uma amizade íntima com o bicheiro em conversas telefônicas, se referindo a ele como « professor ». Em repetidas declarações, disse que acreditava que Cachoeira tinha deixado o crime. Se aprovada a criação da CPI, terá que se explicar com mais credibilidade.
Além de desmoralizar o senador goiano, a Operação Monte Carlo também pode arruinar a carreira política do governador Marconi Perillo, do PSDB, que entregou a segurança pública do seu estado a um dos maiores contraventores do País.
Ao contrário de outros pedidos de CPI apresentados pelo deputado Protógenes Queiroz, como o da "privataria tucana", este tem apoio do PT.
Leia o requerimento do deputado Protógenes Queiroz na íntegra:

Charge do Dia

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhINd6_klKJbvvkEFgxx4EyzXHmLM8cI-LX6Y-PUUCReBFkglFp4lnJechfNv8NDE6DEIeTGxdKc_1peHos95VS49OnfKpLZWRLvtRV5SAUSBzs1gOj-A8zY91QQ0vLkS6-JNSqSpkTDanm/s1600/420038_385371831472989_100000005262070_1615282_1741336090_n.jpghttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2M2UvN0z0gqUR10aVrXt4oK5524nJqBV_2TVi7H1cxkWappD-O569VPRUwTL5Mw2Z6yv7ofME5Jp18ou5sbpOeJcPXgHTWW8gCCyFyAH78xI3OVkgwENTmsgBhWyjrk5GuLCo7Nk3qGPZ/s1600/bessinha.jpghttps://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjOyJTotFbdYV1JWsHr6lle-RF0lJs3th5B-Nj_-qiHzLajkkvZ-RE3vbjSPeCvXJVjR793cNH4e6A8hGYocD4SDsl_ACWDD4f9YlL0DbWu72T_Cen2FyPbC-rRiPTZxZRMQhDmkFXVLjoN/s1600/CARLINHOS+-DEM%C3%93STENES-COISINHA+DO+PAI.jpghttp://4.bp.blogspot.com/-M36lWaQI0dc/T1e6M_tWNEI/AAAAAAAAIyc/RxVJQ3IFmCM/s1600/WoodyGuthrie.jpghttp://desmond.imageshack.us/Himg197/scaled.php?server=197&filename=marx1.jpg&res=medium

Juros a 9%.
Dilma promete e cumpre

Saiu na newsletter do Bradesco :

Copom reduziu taxa de juros em 0,75 ponto percentual O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu na noite de ontem a taxa básica de juros em 0,75 ponto, levando a Selic para 9,75% ao ano.


Foi a maior redução desde junho de 2009. A decisão não foi unânime, 5 votos a favor e 2 contra e, em seu comunicado após a reunião, o Copom afirmou que “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p.”


Em nossa visão, apesar de breve, o comunicado sinaliza que o processo de afrouxamento monetário seguirá na próxima reunião em abril, sendo que magnitude total do ajuste deve levar a Selic a pelo menos 9% ao final do processo.

Navalha
O Tombini, o Mantega e a Dilma tiraram a política dos juros das mãos do “mercado”.
A Dilma tinha prometido que ia se aproveitar da crise da Urubóloga para reduzir os juros.
E cumpriu.
O (FHC)Farol de Alexandria foi aquele que levou a Selic a 40%, não foi, amigo navegante ?

Paulo Henrique Amorim

58% dos alunos da Chuíça (*) saem do Ensino Médio sem saber matemática

Saiu na Folha (**):

58% dos alunos saem do Ensino Médio sem saber matemática em SP


O governo divulgou nesta quarta-feira as notas do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2011. A prova avaliou os alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.


Em geral, houve pouco aumento das notas de matemática e de português de 2011 em relação a 2010. O maior avanço da média foi em língua portuguesa do 5º ano, que subiu 4,6 pontos.


O pior desempenho foi em português entre os alunos do 3º ano do ensino médio, onde não houve melhora em relação ao ano anterior.


AVALIAÇÃO


Cada série tem um grupo de temas que deveria ser de domínio dos alunos. Desse forma, o desempenho deles é enquadrado em quatro etapas: abaixo do básico, básico, adequado e avançado.


Entre os estudantes que estão saindo do ensino médio, 58,4% tiveram desempenho considerado abaixo do básico em matemática. Apenas 4,2% deles têm conhecimento adequado para a série.


Em português, 37,5% dos alunos do 3º ano aprenderam abaixo do básico. Já 38,4% têm conhecimento só do básico da disciplina.

Editoria de Arte/Folhapress


ENSINO FUNDAMENTAL


No 9º ano do ensino fundamental, 55,9% dos alunos tiveram desempenho básico em matemática e 55% foram avaliados com conhecimento básico de português.


Os alunos do 5º ano tiveram a avaliação mais satisfatória em português: 32,9% têm conhecimento adequado e 12,3% obtiveram notas avançadas na matéria.


Em matemática, 36,2% desses estudantes têm nível básico e 28,1% de aprenderam o adequado para a série.





(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.
*PHA
Tereshkova, primeira mulher no espaço, completa 75 anos
Leia em nosso site: Tereshkova, primeira mulher no espaço, completa 75 anos
Valentina Nikolayeva Tereshkova, primeira mulher no espaçoA União Soviética não foi responsável por enviar apenas o primeiro homem ao espaço. Os comunistas superaram o mundo capitalista e enviaram também a primeira mulher, Valentina Tereshkova, que completou 75 anos nesta semana.
Nascida em 6 de março de 1937, Valentina Vladimirovna Tereshkova nasceu no vilarejo de Maslennikovo, Yaroslavl Oblast, na Rússia. Seu pai era motorista de trator e sua mãe trabalhava numa fábrica têxtil. Valentina iniciou seus estudos em 1945, aos 8 anos de idade, mas deixou a escola em 1953 e continuou seus estudos através de ensino a distância. Ainda jovem se interessou por paraquedismo, fazendo seu primeiro pulo com a idade de 22 anos. Na época ela era operária numa fábrica têxtil, a exemplo da mãe. No ano de 1961 se tornou secretária do Komsomol (Juventude Comunista) e mais tarde se tornou membro do Partido Comunista da União Soviética.
Após o vôo de Yuri Gagarin, em 1961, o engenheiro espacial Sergey Korolyov propôs enviar também uma mulher ao espaço. Em 16 de fevereiro de 1962 Tereshkova foi selecionada para compor o grupo de cosmonautas e foi escolhida dentre 400 candidatas, sendo considerada uma candidata especial devido à sua origem proletária e também pelo fato de seu pai, Vladimir Tereshkov, mais tarde sargento e líder de tanque, ser um herói de guerra.
Foram vários meses de preparo, até que na manhã de 16 de junho de 1963, a nave Vostok 6, após contagem regressiva de 2 horas, foi lançada com absoluto sucesso. Tereshkova se tornou, aos 26 anos de idade, a primeira mulher no espaço. Apesar de sentir náuseas e um pouco de desconforto físico, Tereshkova orbitou a terra 48 vezes e passou quase três dias no espaço. Com um único vôo ela bateu o recorde de todos os astronautas americanos juntos que voaram antes dela.
Depois de seu histórico vôo Tereshkova foi estudar na Academia de Força Aérea Zhukovsky e se graduou com louvor como engenheira cosmonauta. Em 1977 se doutorou em engenharia, além de ter ocupado depois disso vários cargos políticos devido à sua figura proeminente.
Em 1963 se casou com Andrian Nikolayev (1929-2004), o único cosmonauta bacharelado a ir ao espaço. Em 1968 tiveram uma filha, Elena Andrianovna Nikolaeva-Tereshkova, que agora é médica e a primeira pessoa a ter tanto um pai quanto uma mãe que já viajaram ao espaço. Tereshkova e Nikolayev se divorciaram em 1982. Seu segundo marido, Yuli Shaposhnikov, faleceu em 1999.
Tereshkova recebeu diversos prêmios soviéticos e internacionais, dentre os quais citamos alguns: Herói da União Soviética (1963), Ordem de Lênin (1963 e 1981), Ordem da Revolução de Outubro (1971), Ordem da Bandeira Vermelha do Trabalho (1987), Ordem de Karl Marx (1963, na Alemanha Socialista), Ordem da Baía dos Porcos (1974, Cuba), Medalha de Ouro da Sociedade Britânica de Comunicação Interplanetária e muitos outros.
Glauber Ataide