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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, março 11, 2012

Aborto: 10 razões para legalizar. Você pode ser contra o aborto, como eu, sem ser contra a legalização do aborto.





VOCÊ PODE SER CONTRA O ABORTO SEM SER CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO!!

Se te disseram que legalizar o aborto vai fazer todas as mulheres “saírem abortando” bebês de até 9 meses todos os dias em hospitais públicos e fazendo com que o números de abortos aumente drasticamente gerando um caos social, você foi enganad@ porque:

1) Os números já são drásticos: aproximadamente mil mulheres morrem por ano ao realizarem abortos na clandestinidade. Fora essas, estima-se que 2 milhões de abortos clandestinos são realizados por ano. Essa soma é apenas aproximada porque é ilegal. Se o aborto fosse legalizado, o governo teria oficialmente o número de abortamentos, poderia controlá- los e saberia onde tem mais ou menos abortos para tentar diminuir este número. Se o aborto é crime não se tem controle, o número de abortos não diminui, mais mulheres morrem, mais pessoas são presas e o governo não pode fazer nada para mudar isso.

2) Em todos os países ocidentais em que o aborto foi legalizado há anos, observa-se cada vez mais uma diminuição do número de abortos. Quando se legaliza, fala-se mais sobre o assunto aumentando a informação para poder evitar.

3) Em quase nenhum país ocidental em que o aborto é legalizado, ele pode ser feito após 3 meses de gestação. Portanto, essas fotos que mostram abortamentos de bebês grandes e formados são enganadoras. Não será permitido aborto após 3 meses de gestação!

4) As clínicas clandestinas lucram muito no comércio ilegal de abortamentos, que é sustentado por pessoas ricas que fazem o aborto num dia e saem no outro sem problemas e ainda dizendo publicamente que são a favor da vida. O problema fica com as mais pobres, na maioria negras. Criminalização aumenta a hipocrisia e os bolsos de muita gente.

5) Se o aborto for legalizado nenhuma mulher será obrigada a abortar. Quem é contra poderá manter sua opinião.

6) Legalizar o aborto não é incentivar o aborto. Junto com a legalização, o Estado vai reforçar campanhas de educação sexual, direitos sexuais e reprodutivos, aumentar o acesso de mulheres e homens para os métodos contraceptivos, como também aos métodos de uma gravidez saudável. Abortar não é algo prazeroso, mas se alguma mulher precisar fazer, que ela não seja presa e tenha assistência para isso.

7) Se você pensa que a legalização do aborto vai encher os hospitais de milhares de mulheres querendo abortar, não sobrando espaço para as que querem dar à luz, isso é mentira. Os hospitais já estão cheios e gastando com mulheres que abortaram na clandestinidade e quase morreram por causa disso. Isso sai muito mais caro para os hospitais.

8) Se você pensa que com a legalização do aborto, você mata 1 vida, com a criminalização do aborto você mata mais vidas: a do feto e a de milhares de mães que morrem tentando o processo de abortamento.

9) A legalização não defende que abortar é bom. Se você pensa que abortar é ruim, abortar na clandestinidade, ser presa ou até morrer é muito pior.

10) Ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas. Ser contra o aborto é não achar certo fazer um aborto. Ser contra a legalização do aborto é ser a favor da morte de milhares de mulheres.


No Sapataria
*Mariadapenhaneles
Pedalada Pelada - 2012 - Fotos


As meninas cantam "não olha pro meu peito" - e os meninos completam "olha o respeito!" #WNBR

Marlene Bergamo/Folhapress
Em São Paulo, o protesto recebeu o nome de "Pedalada Pelada" Leia mais

Participante pinta bicicleta no próprio corpo em protesto em São Paulo Leia mais

A concentração dos manifestantes foi na praça do Ciclista, na esquina da avenida Paulista com a rua Consolação Leia mais

Essa foi a 5ª edição do evento em São Paulo Leia mais

Ciclistas participam da "Pedalada Pelada" nas ruas de São Paulo Leia mais

Ciclistas dividem as ruas da capital paulista com carros em protesto por respeito no trânsito Leia mais
"Pedalada Pelada" acontece nas ruas de São Paulo uma semana após morte de ciclista na avenida Paulista Leia mais
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Protesto que contou com edições em diversas cidades do mundo aconteceu em São Paulo  Leia mais
Ciclistas se preparam para a "Pedalada Pelada", protesto por mais respeito no transito Leia mais
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“Peladada” pede segurança aos ciclistas no trânsito de SP

 
Cerca de 80 ciclistas tiraram as roupas como forma de protesto à falta de segurança no trânsito de São Paulo, neste sábado (10). A concentração começou às 18h, e às 20h30 os ciclistas começaram a pedalar pela Avenida Paulista. Às 21h30, já haviam alcançado a região da Vila Madalena, na Zona Oeste. Além de pedir mais segurança, eles protestaram também contra a dependência do petróleo nos meios de transporte.
O protesto, batizado de “Pedalada Pelada”, já foi realizado em Brasília e em Aracaju, em 2009 e 2010. O movimento é inspirado no Naked Bike Ride, que neste sábado ocorreu em cidades como Lima, no Peru – onde está em sua sétima edição -, Santiago, no Chile, e Cidade do Cabo, na África do Sul, onde 200 pessoas participaram do protesto. Assim como no Brasil, alguns manifestantes pintaram e enfeitaram seus corpos.
“Trânsito obsceno”
 
Em São Paulo, o grupo pintou nos corpos mensagens pedindo respeito e paz no trânsito ao gritos de “Você aí parado, vem pedalar pelado!”. A ideia é que o passeio seja uma manifestação pacífica, bem-humorada e criativa que exponha a fragilidade dos ciclistas em um trânsito que não carrega nenhum desses atributos. Ou como cantavam os manifestantes, um “trânsito obsceno”.
A falta de trajes não era obrigatória, mas todos os presente fizeram questão de mostrar um pouco mais de pele do que costumam fazer no meio do trânsito ultrajante de São Paulo. Durante a concentração na Praça do Ciclista - local de onde saem as Bicicletadas mensais, no final da Av. Paulista – a preocupação era mais com acessórios do que com a nudez. Máscaras foram os acessórios mais utilizados, principalmente aquelas que protegem as vias respiratórias da poluição.
Logo no início da Pedalada, enquanto parte do grupo se arrumava na praça e outros rodavam para se aquecer, uma viatura passou na Avenida. “Não fiquem desespelados”, ironizou um dos ciclistas. Até o final do protesto, diferente de anos anteriores, nenhum ciclista foi detido.
 
*Oterrordonordeste

CINEMATECA BRASILEIRA SEDIA A MOSTRA “QUERO SER MARILYN MONROE” COM TRABALHOS DE CARTIER-BRESSON E ANDY WARHOL

Quem nunca quis ser Marilyn Monroe por pelo menos um instante, segundo que seja. É apostando no poder simbólico da atriz mais icônica do cinema americano que a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, sedia a maior e mais completa exposição sobre a atriz. “Quero Ser Marilyn Monroe!” traz fotos, pinturas e filmes que retratam Marilyn em diversos ângulos e sob particulares pontos de vista.

Nomes como Andy Warhol, Peter Blake, Cecil Beaton e Henri Cartier-Bresson fazem parte da mostra que homenageia o cinquentenário de sua morte e fica em cartaz até dia 1º de abril. Os filmes mais importantes da carreira da atriz também serão exibidos e o público poderá ver na tela e em retratos uma das mulheres mais relevantes dos últimos anos que imprimiu sua imagem no imaginário coletivo com cenas como a do vestido branco voando e, sem dúvida, conquistou um poder para além do político, que habita o território sem limites do abstrato.

*Educaçãopolitica

As propostas de Haddad


A prioridade é o transporte público, diz Haddad

Haddad: “O Brasil está vivendo um momento de ouro, somos vitrine no mundo e São Paulo não figura como cidade inovadora do ponto de vista do poder público”
Por Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes, do jornal “Valor” pertencente aos grupos tucano-serristas “Folha” e “Globo”

“A sete meses das eleições municipais e com 3% das intenções de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, ainda não fechou acordo com nenhum partido, revela desconhecer os planos do PSB e reconhece que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz falta nas negociações.

Mais à vontade quando a conversa migra para suas propostas de governo, diz que o melhor da gestão Gilberto Kassab são alguns de seus projetos de reurbanização de favelas feitos em parceria como PAC federal, que pretende expandir. E o pior, os transportes. Pretende dobrar os investimentos feitos nos últimos oito anos no setor com metas para corredores de ônibus e transferência de recursos para o metrô, desde que o governo estadual se comprometa a dar mais celeridade às obras de expansão da malha metroviária.

Na educação, o ex-ministro da Pasta defende ideias que o aproximam do PSDB e do pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, como a meritocracia e a bonificação de professores de acordo com o desempenho dos alunos. Evita criticar a progressão continuada, outro ponto que sempre colocou em campos opostos PT e PSDB, e diz que terá metas para o ensino em tempo integral.

Na saúde, o petista se distancia do PSDB e da gestão Kassab, ao defender o modelo federal para hospitais e postos de saúde que construirá, em detrimento da gestão terceirizada a organizações sociais. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor na tarde da quarta-feira (7) na sede do diretório municipal do PT.

Valor: O senhor começa a campanha num patamar muito baixo de conhecimento e intenção de voto. O PT teve programas de TV cassados. Qual é sua a estratégia para alavancar a campanha?

Haddad: Tivemos percalços. Um deles foi a doença do [ex] presidente Lula, que ninguém esperava. Agora, essa falta de tempo de televisão. Vamos ter que nos dedicar ao que estamos nos dedicando: conhecer os problemas da cidade, elaborar o plano de governo e, quando tivermos a chance, apresentá-lo à sociedade.

Valor: Não há uma estratégia delineada de como aumentar a sua exposição?

Haddad: Olha, a estratégia é a que todos vão adotar…

Valor: Mas sua candidatura tem um perfil diferente, com taxa de conhecimento muito mais baixa.

Haddad: É muito mais baixa. Mas vou participar dos eventos para os quais eu for convidado. Tenho entrevistas e visitas agendadas, mas numa cidade de 11 milhões de habitantes, imaginar que há alternativas equivalentes à exposição de televisão…

Valor: Então, o senhor não vai intensificar a campanha de rua?

Haddad: Não é uma campanha de rua. Não estou indo à periferia, aos bairros, às subprefeituras para encontrar pessoas que não me conhecem ainda. Pelo contrário. Estou me dedicando a falar com quem entende dos assuntos e vive os problemas da cidade para que o diagnóstico esteja o mais perto possível da realidade. São lideranças, gestores públicos, técnicos da prefeitura que me conhecem e que estão me subsidiando para a confecção de um plano de governo.

Valor: A presidente Dilma, que era pouco conhecida quando pré-candidata, teve mais exposição do que o senhor terá. Essa estratégia de apostar muito no horário eleitoral, que tem curta duração, não o prejudica?

Haddad: Temos um projeto para a cidade. Tenho certeza de que vamos apresentar a melhor plataforma. Isso pesa na decisão do voto. Confio nessa estratégia, não em qualquer outra.

Valor: Qual o perfil adequado para o seu vice?

Haddad: Estamos em etapa que antecede essa. Se não soubermos com quem estaremos no primeiro turno – e isso pode demorar semanas – não há como definir o perfil de antemão.

Valor: Como será a composição da coordenação da sua campanha? Marta Suplicy terá papel de destaque?

Haddad: Vamos discutir isso na semana que vem. Essas coisas às vezes se resolvem em maio, junho e estamos resolvendo em março. Não discuti com ela [Marta] os termos de sua participação. Ela vai definir e vou respeitar a decisão que tomar, qualquer que seja o alcance da participação, se será agora ou daqui a três meses.

Valor: O senhor contava com Lula na articulação das alianças e a defecção do PSD fez partidos com que o PT contava já não serem mais tão certos. Na ausência de Lula, como se dará a confecção da aliança?

Haddad: Estabelecemos uma relação de diálogo com esses partidos. Não estamos nos propondo a fazer as barganhas que estão sendo noticiadas. Não vamos proceder dessa maneira.

Valor: Mas a ida do senador Marcelo Crivella para o governo já não foi uma barganha?

Haddad: Absolutamente. Tanto é que não houve consequência nenhuma no cenário local. É uma composição antiga com o PRB, que remonta aos tempos do vice José Alencar.

Valor: O PR e o PDT querem mais ministérios e ao mesmo tempo têm negociado com o PT…

Haddad: O PR e o PDT estão em ministérios. O que às vezes incomoda é o partido não se sentir representado por um filiado, o que é natural. Mas estão na base do governo e representados no ministério. É uma aliança que remonta ao governo Lula, no primeiro mandato.

Valor: O PT não corre o risco de ficar isolado?

Haddad: Na cidade, o jogo duro com o PT sempre foi a regra, não exceção. A Marta, que concorreu três vezes, nunca teve moleza para compor aliança. A máquina do Estado sempre atuou no sentido de tentar nos isolar.

Valor: Marta teve o apoio do bloquinho e do PR, mas agora até o PCdoB ameaça com candidatura própria. Com quem o PT já conta?

Haddad: Não temos aliança fechada com nenhum desses partidos. Penso que as coisas não devem se desdobrar no curto prazo.

Valor: Com o PSB, o governador Eduardo Campos disse que o apoio não será fechado agora. O PT ainda tem algo a oferecer?

Haddad: Não foi pedido nada para mim. [O PT] vai atrair como Lula atraiu, como a presidente Dilma atraiu, como a Marta em uma eleição atraiu – na outra não conseguiu. Tem um tabuleiro montado no país, muitas variáveis em jogo. Mas a decisão cabe ao PSB.

Valor: Informalmente, Kassab atribuía a culpa de o PSD não ter fechado aliança ao fato de o PT ter demorado a aceitá-lo. Houve essa demora?

Haddad: Ele nunca procurou o PT formalmente. Nunca se sentou com o presidente nacional do partido, nem com o municipal. Sempre deixou claro que, se Serra fosse o candidato, ele o apoiaria. Fizemos oposição ao governo dele durante oito anos. Ele estava oferecendo apoio sem pedir nada em troca, num primeiro momento. Mas isso foi feito pelos jornais.

Valor: Mas era uma aliança bem vista por Lula e pela direção estadual do PT. O acordo teria evitado o apoio do PSD ao Serra?

Haddad: O [ex] presidente Lula, quando conversou comigo, estava muito animado com a possibilidade de termos na chapa, como vice, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Isso realmente sensibilizou o presidente Lula e foi nesses termos que ele tocou no assunto comigo, na única vez que conversamos sobre o tema, em decorrência da visita que o prefeito Kassab tinha feito a ele. Houve a ideia de que nosso projeto nacional estaria bem representado na cidade se tivéssemos dois representantes de seu governo com perfis complementares.

Valor: PT e PMDB têm acordo de apoio mútuo no segundo turno. O senhor acha que Chalita ajuda mais a sua candidatura saindo como candidato separado agora?

Haddad: Temer me explicou que [o PMDB] está sem representação na cidade, com pouca representação no Estado e que há necessidade de lançar um nome novo. A estratégia do PMDB de se recolocar no Estado me parece mais do que legítima. Temer me disse: nós estaremos juntos no segundo turno.

Valor: Além da oposição a Kassab o que o aproxima de Chalita?

Haddad: O país está vivendo um momento de ouro, somos vitrine no mundo. E São Paulo não figura como cidade inovadora do ponto de vista do poder público. Ao contrário do setor privado que mostra uma pujança incrível, uma vontade de investir, de progredir, o poder público local está muito intimidado. A perspectiva comum que nos anima é essa. A ideia de que podemos colaborar com a cidade.

Valor: No passado, o PT teve grandes diferenças com Chalita na bonificação dos professores que teve a oposição do PT. Na gestão Kassab, a meritocracia virou regra. Qual será sua posição?

Haddad: Ninguém é contra a meritocracia. Muito pelo contrário. Se tem uma coisa que não há como negar é que quem implementou no país plano de meta em qualidade de educação foi o governo Lula. Ninguém sonhava com isso antes de 2005, quando criamos a “Prova Brasil” e houve resistência do governo do Estado de São Paulo, que não aplicou a “Prova Brasil” naquele ano.

Valor: Houve grande resistência do PT também.

Haddad: Sofri resistência de todo mundo. Ninguém queria quebrar esse paradigma. Eu apliquei a primeira “Prova Brasil”, dei transparência aos dados. Criei o “Índice de Desenvolvimento da Educação Básica”, o IDEB. Quem inventou esse sistema de metas de qualidade fomos nós. Fixamos diretrizes e metas de qualidade pela primeira vez no Brasil. Todos os governadores e prefeitos aderiram. A única recomendação, no que diz respeito a docentes, é que se tentasse construir em comum acordo com a categoria as medidas de mérito.

Valor: Mas o IDEB ajuda as escolas que estão em uma situação ruim, enquanto a política de meritocracia de São Paulo premia quem vai bem…

Haddad: Criamos isso também. Nós criamos as duas coisas. Para aquelas escolas que cumpriam as metas, o recurso era destinado automaticamente e recebia um recurso adicional. As que não cumpriam metas não eram penalizadas, mas para receber recursos tinham que apresentar um plano de reforma pedagógica. Os Estados aderiram e copiaram o mecanismo, cada um à sua maneira.

Valor: Em relação à progressão continuada, o senhor pretende mantê-la? O PT mostrou-se contrário na eleição estadual de 2010, com Mercadante.

Haddad: O que falta nas políticas públicas, em geral, não é o conceito de progressão continuada. Faltam as aulas de recuperação. Não há preocupação com a recuperação das crianças com defasagem de aprendizado, o que só é possível com a ampliação da jornada para um segundo turno, com atividades diferentes do primeiro, incluindo aula de recuperação específicas. [O PT] é contra a aprovação automática. Eu já assinei resolução do Conselho Nacional de Educação sobre esse assunto, disciplinei esse assunto no país.

Valor: O senhor tem meta de escolas em dois turnos?

Haddad: Vamos fixar no plano de governo metas específicas. Hoje o município não tem nenhuma meta.

Valor: Qual sua avaliação sobre a política de internação compulsória em São Paulo?

Haddad: Internação compulsória sem autorização judicial é uma temeridade. Sou contra. Não vislumbro possibilidade de dispensar o Judiciário para uma discussão que tem a ver com liberdades individuais e que abre perspectivas de uma jornada muito autoritária em relação aos indivíduos. Na forma da lei, com laudos médicos, em casos onde há risco efetivo, com prazos, providência assistencial, é uma coisa que as sociedades civilizadas contemplam.

Valor: A internação compulsória tem apoio de 80% da população, segundo pesquisas. Como o senhor vai trabalhar isso?

Haddad: Penso que a pergunta não foi corretamente feita pela pesquisa. Quero crer que o cidadão não tenha sido devidamente esclarecido sobre os riscos de uma autoridade internar uma pessoa sem critério. Duvido que as pessoas, uma vez esclarecidas, deem apoio para medidas arbitrárias que podem levar a um regime de força e a um quadro de exceção no país.

Valor: A internação compulsória não tem apelo junto a um eleitorado de histórico conservador que o senhor precisa conquistar?

Haddad: Não posso abdicar das minhas convicções por conveniência eleitoral. Qual é o partido que não defende a segurança pública? Alguém contra a internação judicial quer a desordem? Daí, não estamos falando de democracia.

Valor: O senhor concorda com a atuação da prefeitura na Cracolândia? Qual sua política para a região?

Haddad: A prefeitura não tem força policial. A ocupação do território ali era importante. A Polícia Militar tem que atuar onde há tráfico e envolvimento de crianças e mulheres grávidas com drogas, mas acompanhada de uma visão assistencial e de saúde pública, para evitar a disseminação de cracolândias pelos bairros, que é uma reclamação de moradores que não estavam sofrendo esse problema e agora estão. Houve um descompasso. Poderia ter sido diferente se houvesse a concorrência do setor da saúde e da assistência.

Valor: Em São Paulo, as organizações sociais ganham terreno na administração da saúde. Qual será sua política em relação às OSs?

Haddad: Em primeiro lugar, nesse debate me manifestei contrário à privatização dos leitos do SUS que se tentou fazer no governo do Estado. Os leitos públicos têm que ser 100% SUS. Uma segunda questão é a gestão. Reconheço a excelência de trabalho de algumas OSs, mas tenho preocupação com o relatório do Tribunal de Contas do Município em relação a algumas delas, com irregularidades. As regras de prestação de contas, de controle social precisam ser organizadas. Caso contrário, vai se investir cada vez mais na saúde e não veremos o retorno na qualidade.

Valor: O senhor aprova esse sistema de gestão?

Haddad: Há OSs que têm modelo de excelência. Agora, os hospitais que vamos construir eu não pretendo terceirizar. Vamos adotar o modelo federal.

Valor: E os postos de saúde como as AMAs?

Haddad: O que está pactuado nós vamos manter, a não ser no caso de irregularidade comprovada. Há casos em que incidiremos para corrigir distorções. As novas unidades vão seguir o modelo federal, de empresa pública.

Valor: O senhor disse que o que está pactuado será mantido. E os contratos com as empresas de ônibus, que são objeto de tantas reclamações de usuários, o senhor se dispõe a revê-los?

Haddad: Obrigatoriamente, porque o prazo para revisão é 2013. Não há como prorrogar. Não foi feito absolutamente nada no transporte em ônibus de oito anos para cá. Não tem investimento em terminais, em corredores, na operacionalização e racionalização do sistema. Se publicarmos o edital para a renovação das concessões, esse edital vai ter que prever regras para repactuar o sistema. Fizemos a parte mais difícil da remodelagem do sistema, que foi o Bilhete Único. De lá para cá, o que era mais fácil – racionalizar, otimizar, expandir os corredores -, não foi feito. Por quê? Abandonaram o sistema multimodal. A velocidade média vai cair ainda mais se essa decisão não for revertida.

Valor: O senhor pretende mudar a política municipal em relação ao metrô? Kassab prometeu investir no metrô, entrou com parte dos recursos prometidos. A prefeitura tem capacidade financeira?

Haddad: Temos condição, sim, de ajudar o metrô. Temos que repactuar essa relação, auxiliar o metrô e exigir um pouquinho mais de ritmo. Com dois quilômetros por ano estamos na lanterna do mundo emergente. O aporte em troco do quê a mais para São Paulo? O aporte em troca do mesmo não me parece muito justo. Os custos estão aumentando e a quilometragem do metrô anda no mesmo passo, de dois quilômetros por ano.

Valor: Qual sua opinião sobre pedágio urbano?

Haddad: A restrição tem que se justificar pela oferta de transporte público e isso está fora de cogitação pelo simples fato de que a cidade não está fazendo o dever de casa. Se tivéssemos 250, 300 km de corredores de ônibus, 100 km de metrô, teríamos condições de até inibir não só com pedágio, mas com outras maneiras como o rodízio.

Valor: Quando fala em restrição, o senhor apoia a medida tomada por Kassab de proibir a circulação de caminhões na Marginal em determinados horários?

Haddad: Vamos pagar caro o fato de termos errado no abandono do modelo de sistema de transporte [em 2005]. Não se abre mão de um modal tão importante, tão capilarizado por um capricho partidário. Tem que reconhecer que foi tomada uma medida errada e é preciso acelerar o passo trazendo o PAC. Temos que investir dobrado depois desses oito anos para recuperar o tempo perdido.

Valor: O prefeito engordou o caixa e chegou neste ano com R$ 6 bilhões para investir. Se esse dinheiro estivesse nas suas mãos, como investiria?

Haddad: Teria ampliado os corredores, investido muito em transporte público, construído centros de educação infantil, creche e pré-escolas, para dar conta do déficit que é enorme. Teria construído hospitais, robustecido o sistema de saúde para responder mais prontamente à demanda por exames; provavelmente [investiria] em profissionais especialistas. Na questão ambiental, a coleta seletiva praticamente estagnou. Não houve investimentos. O mesmo aconteceu com as ciclovias. Temos que pensar a bicicleta como alternativa concreta, não apenas como lazer.

Valor: Qual seria o principal problema da gestão Kassab?

Haddad: É quase unânime que houve um erro estratégico no transporte público e mobilidade urbana. Temos que aproveitar as eleições para admitir esse erro e recuperar o tempo perdido. A parceria com o governo federal é essencial.

Valor: E qual é a melhor política pública da atual gestão?

Haddad: Gosto de parcerias que foram feitas com o governo federal na urbanização de favelas, mas foram muito poucas.

Valor: Como o senhor pretende levar essas propostas de mudança para uma população que resiste ao PT?

Haddad: Não sei se é vício de professor, mas acredito na tese do melhor argumento. Dou aula porque acredito que você pode transmitir conhecimento, quando se aprofunda nos debates em que se envolve. Acredito que vamos apresentar os melhores argumentos para vencer estas eleições. Não posso assegurar que serão suficientes, mas eu acredito que possam ser suficientes. A cidade está aberta, preparada para ouvir.”

*Nassif

Mino: PiG engorda
a Casa Grande

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Mino: no meu tempo, já tinha botado fogo nisso aqui




Mino Carta: ‘A mídia atua em favor da “casa grande”’


Mino Carta, o diretor de redação de CartaCapital, palestrou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, na noite desta sexta-feira 9. Em pauta: a leniência da mídia com a “casa grande” da sociedade brasileira, a regulamentação da mídia e os prós e contras do governo de Luiz Inácio Lula de Silva.


O diretor de redação da Carta defende uma regulamentação dos meios de comunicação a fim de se evitar monopólios de mídia. “Deveria haver uma lei que impedisse que as grandes empresas fossem donas de tudo. Nos países democraticamente mais avançados já existe essa regulação”, afirmou.


Mino enfatizava sua decepção com a população brasileira, uma vez que mesmo sabendo de todos os problemas do governo continua inerte. “O Brasil é um dos principais países em desigualdade social. Recentemente outros seis brasileiros entraram na lista de pessoas mais ricas do mundo, enquanto a população de miseráveis é vasta”, contabilizou.


A mídia é uma das responsáveis por essa inércia, segundo ele. O jornalista declarou que o papel da imprensa seria o de ter uma disposição corajosa em enfrentar o governo, mas costuma fazer o oposto. “A imprensa nativa é parte integrante do poder, por isso está sempre a favor da ‘casa grande.’” Carta lembrou o exemplo da campanha de reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, construída sobre a garantia da estabilidade do real. A mídia o considerava candidato ideal para o Brasil naquele momento, mas omitiu que 12 dias após assumir o poder, FHC mudou a moeda. “A imprensa se esforça para esconder os fatos e a população vive na ignorância. E a minoria mais ou menos abastada acredita nas mentiras oferecidas pelos meios de comunicação”, comentou.


Quando questionado sobre a posição política de CartaCapital, Mino Carta admitiu a “simpatia desabusada” que a publicação sente em relação aos governos de Lula e Dilma. “Nós achamos fantástico o fato de um operário ter chegado à presidência da república, mas isso não fez com que deixássemos de criticar algumas medidas adotadas por ele”, ressalvou.


Mino cita o caso da Copa do Mundo de 2014. “Sediar o mundial de futebol foi uma medida populista adotada por Lula e Dilma é quem está tendo que lidar com os problemas”, explicou. Para ele, o fato de ela ter feito a concessão aos aeroportos foi uma medida desesperada para evitar um desastre durante o campeonato. E teorizou: “Se a Copa for um fracasso, isso vai repercutir no mundo inteiro e provavelmente vai destruir a campanha de reeleição”.


Ele também recordou seus tempos de faculdade. Ele contou que em 1952, quando cursava Direito no próprio Largo São Francisco, a faculdade fervilhava com o movimento estudantil. “Se tudo que acontece hoje em dia fosse naquele tempo, nós já teríamos incendiado esse prédio”, brincou.

*PHA

A ''vitória'' de Putin

 

Laerte Braga
Boris Yeltsin foi eleito presidente da Rússia em 1991 em meio a uma campanha repleta de fraudes e a um processo de transformação dirigido de fora para dentro. O fim da União Soviética.
Gennady Zyuganov, candidato do Partido Comunista era o favorito – os comunistas fizeram maioria na DUMA, congresso do País.
Yeltsin era membro do Partido Comunista da União Soviética, foi levado para Moscou por Mikail Gorbachev onde se transformou num dos principais responsáveis pelo fim do sistema e da URSS. No curso das funções que desempenhou no período da Peristroika e da Glasnost acabou cooptado por forças internas que se opunham ao comunismo, aproveitou-se dos equívocos de Gorbachev e financiado pelos norte-americanos, então sob a presidência de Ronald Reagan.
O argumento usado àquela época que faltariam condições à URSS para opor-se aos planos militares de Reagan (um escudo contra mísseis de outros países) era falho e incorreto naquele momento. O chamado Projeto Guerra nas Estrelas.
Gorbachev não estava à altura de conduzir um processo de abertura política e econômica e os erros, aliados às defecções/cooptações dentro do PCUS acabaram por decretar o fim da URSS, além, evidente, das formulações equivocadas das próprias políticas de abertura de Gorbachev.
A eleição de Yeltsin se deveu ao fato de seu caráter moldável a qualquer circunstância que rendesse dinheiro, como a sua condição de bêbado vinte e quatro horas por dia, fácil de ser manipulado e dirigido.
Yeltsin foi uma figura grotesca e a história vai, cedo ou tarde, revelar a real dimensão de seu papel. A de um governante irresponsável e que no seu estado normal, passou a mão numa secretária. O mundo riu e achou exótico, pois convinha ser assim.
De lá para cá a antiga União Soviética – a Rússia principalmente – virou sede das maiores e mais brutais máfias do mundo atual, operando em todas as modalidades de crime. Desde os legalizados (especulação, corrupção nas antigas estatais, sonegação etc), aos ilegalizados, como tráfico de drogas, de mulheres, tudo montado sobre uma série de pilares.
Um país onde a fome virou realidade, o desemprego é crescente, os serviços públicos de educação e saúde que eram de excelência se evaporaram.
Putin só difere de Yeltsin na obsessão que mostra por exibir um corpo atlético, saúde impecável e força para dirigir a Rússia. Uma espécie de concepção que é um super homem. Mister Atlas.
Venceu as eleições montado em fraudes constatadas por observadores internacionais, admitiu a existência dessas fraudes e como todos prometeu apurar essas irregularidades e acabar com as mesmas.
Tem a perspectiva de exercer o próximo mandato presidencial e ser reeleito para mais um, seria o quarto.
Há cerca de uns quinze anos, pouco tempo depois do fim da União Soviética, um brasileiro tomando café num hotel em Moscou observou que os garçons iam retirando as mesas e colocando os pães, os biscoitos, os potes de manteiga, o que pudessem enfim, em seus bolsos. Perguntado um dos garçons respondeu – “a fome aqui é terrível”.
A Ucrânia hoje, segunda maior república soviética em dimensão territorial, é a maior exportadora de prostitutas para a América e Europa Ocidental. São constantes os protestos de mulheres ucranianas contra a ação de máfias voltadas para essa atividade criminosa e complacente a atitude dos governos, todos cúmplices.
Putin já percebeu a cobiça norte-americana tanto sobre as antigas repúblicas soviéticas – é sempre bom lembrar o que aconteceu na Geórgia, onde os americanos tentaram impor um governo ao seu feitio – como as tentativas dos sucessivos governos dos EUA de isolar a Rússia, ainda uma potência nuclear.
O povo russo já sentiu o engodo que foi a tal “revolução democrática”. O fosso criado entre as elites/máfias e a classe trabalhadora.
Gennady Zyuganov, candidato do Partido Comunista da Rússia obteve quase 18% dos votos nessas eleições e com certeza, excluída a fraude, teria alcançado percentuais mais altos.
Em toda a Rússia, como em boa parte das repúblicas da antiga União Soviética e muitos países do Leste Europeu, além da Alemanha Oriental existe e nem a mídia esconde, uma nostalgia dos tempos do comunismo. Alemães orientais até hoje se sentem discriminados diante dos alemães ocidentais. A queda do Muro de Berlim foi um show midiático do capitalismo. Norte-americanos e israelenses constroem muros em várias partes do mundo. Em território palestino para consumar o saque sionista e na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes, sem falar em grupos de cidadãos que defendem a pureza racial naquele país. Trabalham vinte e quatro horas por dia vigiando a fronteira EUA/MÉXICO e matando o que chamam de ilegais.
A integração da América do Norte no NAFTA – Tratado de livre comércio e integração – tem mão única. Norte-americanos excluem mexicanos da integração e acham que o Canadá é um “México melhorado”.
A força que o Partido Comunista grego mostra na reação ao processo de assalto que está em curso contra o seu país assusta as forças do capital. A própria presidente do Brasil, Dilma Roussef, criticou a forma como estão sendo conduzidas as políticas européias para enfrentar a crise que assola aquela Comunidade.
Espanha, Itália e Portugal são os próximos a serem devorados no tsunami que afeta bancos europeus, esses sim, senhores de governos e do controle do aparelho estatal daqueles países.
Os trabalhadores são adereços.
A crítica que norte-americanos fazem à volta de Vladimir Putin ao poder – de onde nunca saiu, o atual presidente é um fantoche, um artifício para driblar a constituição – não está só no fato de Putin se opor às políticas dos EUA em relação ao Irã e ao Oriente Médio em algumas situações. Os EUA querem mais que um presidente eleito pelo voto (com ou sem fraude), querem um presidente dócil em todos os sentidos.
A reação de Putin a algumas decisões dos EUA escora-se no poder ainda guardado pela Rússia e construído na antiga União Soviética e na certeza que o povo russo não aceitará a condição que aceitam, por exemplo, os britânicos, posição de colônia de luxo, de base militar norte-americana. De bucha de canhão nas guerras inconseqüentes e imperialistas dos Estados Unidos. 
Quando Mahamoud Ahmadinejad foi reeleito presidente do Irã os norte-americanos financiaram e chegaram a enviar mercenários – através de uma seita religiosa, prática comum deles, é só olhar como se construíram as igrejas neopentecostais no Brasil, por exemplo – para incentivar os protestos contra o presidente.
O povo russo está nas ruas protestando contra a volta de Putin ao poder.
Percebendo, cada dia mais, a farsa e o engodo que foi o fim da União Soviética. A tragédia que se abateu sobre a própria Rússia e as nações da antiga URSS.
Os riscos de virem a ser subjugados por um sistema político e assim anulados diante da ameaça terrorista/capitalista que paira sobre o mundo e se materializa na ação predadora de ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.
Nações são dissolvidas e transformadas em conglomerados, inclusive Israel e os EUA.
Bancos, grandes corporações e latifúndio dominam a cena e impõem uma ordem cruel, perversa e bárbara.
Russos vão às ruas contra Putin não em busca de eleições que signifiquem um presidente dócil, mas o resgate dos valores políticos, econômicos e morais de uma grande nação.
O complexo terrorista acusa Putin, pois se lhes interessa um capacho como David Cameron, ou Ângela Merkel, ou Nicolás Sarkozy.
As declarações do “presidente” Obama chamando Israel de “aliado sacrossanto” têm apenas o sentido de buscar o voto sionista nas eleições presidenciais do final deste ano. Barack Obama é candidato à reeleição e sabe que seu governo não cumpriu à risca as determinações do complexo que controla o país.
Israel, por sua vez, aposta no quanto pior melhor para ampliar suas políticas terroristas em relação a palestinos – saque e genocídio –, controle do Oriente Médio através de ditaduras como no Egito –saiu Mubarak permanecem vários Mubarak fardados, aliás, Mubarak era general também –, ou na Arábia Saudita, intervenções criminosas como na Líbia, e agora a ação de mercenários na Síria, como aposta na alta vertiginosa dos preços do petróleo para forçar os EUA a uma guerra contra o Irã, sabendo que não podem vencê-la e precisam do “aliado sacrossanto”.
A “vitória” de Putin é uma bofetada no povo russo, uma nova ditadura se mostra clara e tão cruel como qualquer ditadura capitalista, mas desagrada ao complexo terrorista que controla o mundo “globalitarizado” – pela força das armas – que deseja o controle absoluto.
A China está longe de ser a ameaça que a Rússia ainda o é. O pragmatismo chinês elimina qualquer perspectiva de construção do comunismo. É capitalismo e o Partido Comunista Chinês e seus aliados mundo afora são empresas, corroídos pela escolha que fizeram. O risco de uma revolta popular na Rússia a médio prazo coloca ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A em palpos de aranha. Daí porque a obsessiva política norte-americana de controle das antigas repúblicas soviéticas e dos países do leste europeu.
As ações de máfias, o tráfico de drogas, de mulheres, a lavagem de dinheiro de criminosos, isso não preocupa aos EUA, pois suas quadrilhas/empresas fazem os mesmo e o dinheiro dos mafiosos é guardado em bancos cristãos e ocidentais, inclusive o do Vaticano. É uma “preocupação” pró forma.
O que preocupa de fato são revoltas populares à medida que povos no mundo inteiro começam a perceber que o capitalismo é barbárie, é boçalidade.
Que trabalhadores continuam a ser as grandes vítimas desse sistema.
*Gilsonsampaio

Xô principi nico

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sábado, março 10, 2012

Transição planetária na visão quantica


*casadoconsolador

Por que a Classe Média é tão burra?

Andre Lux

Vira e mexe essas perguntas vêm à tona em discussões entre amigos: qual o problema com o pessoal da classe média, por que são tão burros e insistem em apoiar políticos que só querem tomar o poder para beneficiar meia dúzia de amigos bem nascidos e seus familiares inescrupulosos?

Um parêntese: esse tipo de político, que disfarça cinicamente suas verdadeiras intenções mesquinhas com um discurso moralista e conservador, está melhor representado hoje no Brasil em partidos como o PSDB e o DEMo (ex-PFL). Mas isso pode mudar a qualquer hora...

Para mim, a resposta é óbvia: a turma da Classe Média não tem "consciência de classe". Não precisa ler as obras do Marx para enteder o que isso quer dizer. É fácil. Converse com uma pessoa pobre, à beira da miséria. Ela sabe que é pobre, não tem ilusões sobre a sua condição social. Pode ser que não faça nada para mudar isso e passe seu tempo dentro de uma igreja, onde é invariavalmente ensinada a se conformar com sua situação com frases do tipo "a pobreza é sua cruz e vai te garantir um lugar nos céus", ou vendo novelas da Globo. Porém, essa pessoa tem consciência de classe.

A mesma coisa vale para os podres de rico. E aqui estou falando dos Antônio Ermírios, dos Daniel Dantas da vida, sujeitos que tem mansões (no Brasil e no exterior), fazendas, iates, helicópteros, aviões carros importados, ilhas, etc, etc - ou seja, um tipo de gente que pobres mortais como eu e você só vemos no cinema ou na capa da revista Exame. Esses caras têm cosciência de classe, podem ter certeza! É só ver como adoram ver os outros (pobres e remediados) seguindo as Leis e os códigos morais que seus lacaios inventam e disseminam para controlá-los, ao mesmo tempo que infringem todos eles...

E é no meio disso que se encontra a tal Classe Média, que no Brasil se subdivide em três tipos:

1) Classe Média Alta - sabe aqueles tipinhos que trabalham como escravos num alto cargo de multinacional para manter uma casa de dois andares num condomínio fechado, três carros de luxo na garagem, um apê no Guaruja, paga alta mesada para aos filhos e centenas de plásticas à esposa perua(para não encherem o saco) - e ainda assim se acha membro da "raça superior" só porque, um dia na festa de fim de ano, o dono da empresa deu um tapinha nas costas dele? Pois é, o próprio...

2) Classe Média Média - tem um nível de vida razoável, algum conforto, um apêzinho de três quartos na periferia, carrinho popular zero (com prestações a perder de vista), educa os filhos em colégios elitizados e vive no limite do cheque especial para manter isso. É o tipo que trabalha hoje para pagar as contas amanhã. Esse tipo eu conheço bem, pois fui criado como um deles pelo menos até os meus 18 anos (saiba como consegui obter, às duras penas, minha "consciência de classe" lendo meus relatos "Eu Também Já Fui Papagaio da Direita" e "Como Comecei a Ver e Sentir a Matrix")

3) Classe Média Baixa - resumidamente, são aqueles que trabalham hoje para pagar as contas de ontem, mas mesmo assim ainda são capazes de morar numa casinha bonitinha, ter um carrrinho mais ou menos novo e dar um mínimo de conforto e educação aos filhos (de preferência em escolas estaduais gratuitas).

Então, entre os pobres que mal conseguem se manter vivos e os podres de ricos que acham divertido pagar R$ 7.000 num sapato na Daslu, estão os pobres coitados da Classe Média. Espremidos entre a miséria total e a riqueza absoluta, vivem sonhando que um dia vão "chegar lá" no topo da pirâmide e virar um "chapa" do Antônio Ermírio. E para isso, deliram, basta trabalharem bastante, serem bonzinhos, não questionarem as regras e, acima de tudo, defenderem os interesses daqueles chiques e famosos - afinal de contas, são seus próprios interesses já que um dia eles mesmo poderão também estar lá em cima comprando suas ilhas particulares, não é mesmo?

Essa foi, na minha opinião singela, a grande "sacada" dos podres de ricos: convencer os boçais da Classe Média, por meio de seus aparatos midiáticos (cinema, televisão, jornais, revistas, etc) de que eles estão mesmo bem mais próximos do topo da pirâmide do que da base e que para chegar lá em cima não é difícil, basta ter esforço e dedicação... É aquela velha piada do cara sentando em cima do trabalhador com uma cenoura na ponta de uma vara de pescar - o de baixo vai sair correndo para tentar pegar a cenoura, enquanto carrega o outro nas costas sem nunca coseguir alcançar seu "prêmio".

Se a turma da Classe Média tivésse a mínima consciência de classe, estaria sempre ao lado dos pobres e miseráveis lutando por melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e por Justiça social. E não faria isso por altruísmo ou caridade, mas sim por necessidade, para garantir sua própria sobrevivência e um futuro melhor para seus filhos.

O motivo para isso é óbvio, não? Quanto menos pobreza e injustiças existirem no mundo e quanto menor for o abismo que separa as classes sociais, menos chance de perder tudo e viver na miséria as pessoas vão ter. Assim, ao invés de ficarem agarrados desesperadamente ao pouco que tem - e por isso serem presa fácil do discurso cínico dos "conservadores" - a Classe Média vai poder viver em paz, sem medo do amanhã e sem ódio dos que ousam ter consciência de classe e lutam por um mundo melhor para todos.

Intervenção de Vladimir Safatle no Ato de Lançamento do Manifesto pela Democratização da USP


*ReginaSchimitz

Deleite A vitória dos anjos

A melhor definição de mulher


*Juarez

SP virou cenário para Mad Max

No fim, não foi muito diferente do que aconteceu na Cracolândia, no começo do ano. Para resolver um problema, a autoridade anuncia uma ação com estardalhaço sem medir as consequências nem saber quem são, ou o que querem, as partes envolvidas. Resultado: a cidade aplaude a cacetada sobre os supostos delinquentes, mas o “tumor”, palavra de um policial, em vez de combatido, é espalhado.
O mesmo com o Pinheirinho – tragédia, neste caso, patrocinada pelo governo do estado: a polícia tira as famílias “invasoras” no tapa, passa o trator em cima de suas casas “ilegais” e pronto. Dane-se quem não tem outra alternativa se não se instalar de mala sem cuia (porque não houve tempo de retirar demais pertences) em igrejas, escolas, barracões da cidade. O problema é delas, e o estado só cumpre a lei.

Da mesma forma, a restrição da circulação de caminhões pelas veias arteriais de São Paulo foi anunciada sem que se pensasse em alternativas para os entregadores.
Faz muito tempo que os agora chamados “ecochatos” e urbanistas avisam: a cidade vai parar. A cada ano são anunciados com trombetas os números recordes sobre emplacamento de carros. A renda dos consumidores sobe e, em vez de irem para Meca, a classe média vai às concessionárias – e de lá para os mesmos lugares, os mesmos parques, os mesmos shoppings, as mesmas padarias, os mesmos cinemas. Até para correr no Ibirapuera (a pé) andam quilômetros (de carro) só para estacionar.
Na metrópole, há anos ciclistas pedem espaço e usuários de transporte público clamam por serviços decentes, vias alternativas, faixas exclusivas. Mas, em ano eleitoral, é sempre mais fácil jogar de vez a água suja com o bebê junto.
Foi o que aconteceu no protesto dos caminhoneiros. Prejudicada pela canetada, que deixou como opção trabalhar à noite (sob o risco de assalto) ou ampliar o trajeto (de novo, por falta de alternativas), a categoria simplesmente decidiu parar. Em três dias, a maior metrópole do País entrou em parafuso. “Não nos querem na cidade, vamos embora dela”.
Foi com restrição que os caminhoneiros responderam às restrições. E restrições não somente de circulação, mas de diálogo. Assim, lançaram aos esfomeados paulistanos só dois milhões de litros de combustíveis em dois dias (a média diária é de 20 a 30 milhões), dos quais apenas 10% chegou aos postos.
O racionamento nas praças do consumidor final transformou São Paulo numa cidade cenográfica perfeita para a série de filmes Mad Max, a sequência futurista de George Miller em que a falta de combustíveis levava os homens a se matar como bichos primatas.
Pois na quarta-feira 7 veio a notícia, por meio dos portais, de que um homem foi assassinado a tiros enquanto abastecia. A primeira suspeita – a essa altura praticamente descartada porque o criminoso fugiu a pé – foi que o sujeito havia furado a fila para abastecer.
Ainda que delirante, a desconfiança já acusava a paranoia: a realidade da cidade (que já tem ares de fim de mundo com suas áreas verdes escassas, rios poluídos, gente de cara amarrada no trânsito passando por cima de pedestres e ciclistas como papel) estava a cara da ficção. Gerentes de postos de gasolina colocavam o preço do produto na estratosfera e iam para a cadeia por prática abusiva; caminhões-tanque eram escoltados pela polícia como se levassem água para o que restava de uma humanidade sedenta; os usuários entraram em parafuso e eram capazes de vender a mãe por uma jarra de petróleo bruto, o mesmo material que há quase um século jorra com sangue e bombas no Oriente Médio, seu maior polo produtor.
A cretinice era tamanha que parecia difícil acreditar nos relatos à la classe média sofre publicados nos jornais. Um motorista chegou a contar que circulou por 20 postos em vários bairros e não encontrou nada. Circulou como? De carro. Como este, os relatos se multiplicavam.
Outro motorista amarrado pela crise preferiu levar os filhos para a escola de táxi – que, até o fechamento deste texto, ainda usava combustível ou derivado para circular. A queixa maior, no entanto, é que, acostumado a acordar às 8h, teve de saltar da cama uma hora a menos nos últimos dias…
Caso por caso, a crise deixou exposta novamente a maneira irracional como viramos escravos dos automóveis. Em vez de mobilização por demandas coletivas, ainda restritas aos ciclistas mais engajados, vemos um modelo ainda intacto de urbanização, em que poucos corredores de tráfego, como as marginais, a Faria Lima e o Minhocão, concentram boa parte do movimento sem vida ao redor, sem moradias nem parques ou áreas de convivência.

Pelo contrário, a cidade cospe seus habitantes para lugares cada vez mais distantes, e deixa como rastro apenas terreno fértil para a festa da especulação, da qual só participam sedes das empresas capazes de pagar aluguéis astronômicos para operar nessas vias.
É inútil lembrar que as principais beneficiadas deste modelo, as grandes construtoras, são as principais financiadores de campanha das autoridades que, numa canetada, decidem quando e onde trabalhadores podem circular justamente para abastecer os outros milhões de trabalhadores.
No fim das contas, nós, os petrodependentes, podemos praguejar o quanto quisermos contra os sindicalistas que hoje tumultuam nossa ordem. Isso só nos fará dormir tranquilos, e iludidos, de que antes da paralisação havia alguma ordem.
O que os motoristas de caminhão fizeram foi dar exemplo de como se manifesta repúdio contra canetadas mal planejadas – e isso num tempo em que estender faixas na Paulista em dia de feriado virou sinônimo de desobediência civil. Se meia dúzia de gatos pingados, mais úteis à cidade do que muito autor de normas esdrúxulas, fizesse o mesmo até conseguir direitos básicos (como o de ir e vir sem riscos de ser esmagado), São Paulo e o País seriam lugares mais interessantes, e menos claustrofóbicos, para se viver.
Matheus Pichonelli-CartaCapital
*oterrordonordeste

LUIZA ERUNDINA: "ACHO QUE A MULHER TEM MAIS SENSIBILIDADE PARA MUDAR A FORMA DE EXERCER O PODER"


DO BLOG JORNAL FOLHA DO SÃO FRANCISCO

Internet
Chegar à prefeitura da maior cidade do país representou um fato histórico para o Brasil e, para Luiza Erundina, uma ousadia a mais uma em sua vida. “Naquela ocasião ajudou, embora tenha trazido muito preconceito. Mulher, nordestina, de esquerda, do PT, ousar ser prefeita derrotando os caciques da política paulistana. Eu costumo dizer: só faltava ser negra pra ter completado o quadro”, comenta a hoje deputada federal pelo PSB.
“Aí era melhor, porque eu tinha mais uma razão porque lutar”, destacou a deputada ao se referir ao único preconceito que não sentiu na vida, o racial. “Porque a luta é ideológica, ela é cultural. Mais que uma luta do poder pelo poder. É uma luta por valores, por concepções. Não foi fácil naquela ocasião, mas valeu a pena. Eu faria tudo de novo”, destacou.
Erundina assumiu a prefeitura de São Paulo em 1988. Ela considera que conseguiu imprimir uma marca de sensibilidade em sua administração. “Acho que a mulher tem mais sensibilidade para mudar a forma de exercer o poder, e essa é a nossa tarefa. Não é só disputar e conquistar poder. É transformar a forma de exercer o poder, senão reproduz o modelo machista, patriarcal, autoritário, centralizador. E o que é que muda? Nada.”
Hoje, na Câmara dos Deputados, exercendo seu quarto mandato, Erundina é autora do projeto que tem por objetivo garantir metade das cadeiras de direção da Câmara e do Senado para mulheres. Ela é uma das parlamentares mais combativas da sub-representação das mulheres no Parlamento brasileiro.“A nossa representação no Congresso Brasileiro é uma vergonha.”
*Históriavermelha

Mercados festejam o funeral da Grécia

Por Saul Leblon, no sítio Carta Maior:

Mercados e bolsas festejam o acordo fechado nesta 5ª feira entre a Grécia e os bancos credores, que concederam ao país um desconto médio de 50%, em troca de garantias e reformas que asseguram o pagamento do passivo restante.

Há razões para a banca comemorar: a adesão dos bancos ao desconto de 50% representa, no fundo, o oposto do que transparece e se alardeia. Trata-se de uma gigantesca transfusão, talvez a mais radical desde o Tratado de Versalhes, do sangue de um povo a credores pantagruélicos e interesses assemelhados. Uma derrota superlativa da democracia grega, que marcará a história do país por décadas; e provavelmente destruirá seu sistema representativo, marcado por traição nacional maiúscula.

As eleições parlamentares de abril agora podem funcionar como a espoleta dessa bancarrota. O processo consumado nesta 5ª feira compromete a vida da atual geração, a dos seus filhos e a dos netos que um dia eles terão. Em troca de um desconto sobre uma dívida impagável -- contraída num intercurso entre governos irresponsáveis e banqueiros cúmplices-- o Estado grego assinou uma espécie de testamento à favor dos mercados. Em seguida, consumou o suicídio político da democracia. A partir de agora, e por prazo indeterminado, a Grécia rende-se ao papel de protetorado das finanças internacionais. Um protetorado a ser alardeado como paradigma de bom comportamento.

Um diretório nomeado pelos mercados terá poderes legais para monitorar a tosquia do país, com direito a vetar orçamentos e redirecionar recursos prioritariamente ao pagamento de banqueiros. O que a coalizão socialdemocrata e conservadora fez foi municiar-se de um álibi internacional para sancionar um arrocho salarial indecente -o salário mínimo foi ineditamente reduzido; como ele, as pensões;demissões maciças da ordem de 150 mil funcionários públicos estão em marcha (15 mil já foram efetuadas este ano); privatizações e cortes na saúde e educação desencadearam surtos de suicídios e fome nas escolas. A entrega de crianças pobres a orfanatos é a tragédia mais recente protagonizada por famílias desesperadas.

Compare-se com o que fez a Argentina de Kirchner há nove anos para se ter a medida da regressividade acatada por Atenas. Em 2003, a Argentina era uma espécie de Grécia da América do Sul. Desacreditada aos olhos de seu próprio povo, balançava como um 'joão bobo' nas mãos do capital especulativo interno e externo. Nestor Kirchner herdou do extremismo neoliberal uma taxa de pobreza de 60% sobre uma população de 37 milhões de argentinos.

A dívida de US$ 145 bilhões, impagável, corroía seu sistema financeiro. Os credores sobrevoavam a nação argentina à espera do melhor momento para arrancar os seus olhos e o que lhe restasse ainda da carne, como fizeram nesta 5ª feira com a Grécia. O cerco internacional era avassalador. A diferença é que Nestor Kirchner não se dobrou: impôs um desconto unilateral e incondicional de 75% da dívida aos credores --ganhou margem de soberania, portanto, ao contráreio da rendição grega espetada em sacrifícios brutais. Com independência, a Argentina desvalorizou o câmbio, congelou tarifas, destinou a receita crescente a programas sociais e de fomento; não ao pagamento à banca, como reza a rendição grega.

A taxa de pobreza recuou a 10% da população. A economia argentina foi a que mais cresceu no hemisfério ocidental na última década. Cristina foi reeleita em 2011 com apoio esmagador. Os desdobramentos virtuosos desse braço de ferro são espertamente omitidos pela crítica conservadora que tenta desmerecer os ganhos econômicos e sociais da soberania argentina, ao mesmo tempo em que edulcora o escalpo da sociedade grega. E o faz por uma razão compreensível: eles realçam as dimensões catastróficas dos desastres em marcha na Grécia, Espanha, Portugal e outros, submetidos à dose dupla de um purgante ortodoxo inútil, que o êxito da nação latinoamericana derrotou e desmoralizou.

Os covardes e seu medo do passado e da verdade

 

 

Luiz Eduardo Rocha Paiva (foto) é um dos que negam o passado. E, não satisfeito, vai além: trata de negar a verdade, que não costuma merecer o respeito dos covardes. Nega que Vladimir Herzog tenha sido trucidado na tortura. Diz duvidar que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada. Nega que este país viveu debaixo de uma ditadura ao longo de longos 21 anos. E diz tamanhos disparates ao mencionar ações da resistência armada à ditadura que fica difícil concluir se mente de verdade ou apenas está enganado, por falta de conhecimento.
Eric Nepomuceno, via Carta Maior
Em dezembro, o Uruguai, em respeito a acordos internacionais assinados pelo País reconhecendo que crimes de lesa-humanidade cometidos por agentes do Estado são imprescritíveis, abriu brechas em sua esdrúxula lei de anistia para investigar sequestros, assassinatos e torturas cometidos durante a última ditadura militar e punir os responsáveis. Na ocasião, o general Pedro Aguerre, comandante do Exército uruguaio, disparou uma frase contundente: “Quem nega o passado comete um ato de covardia.” [ver vídeo abaixo]
Lembrei da frase ao ver a formidável demonstração de covardia que está embutida na insolência do manifesto assinado por oficiais da reserva e, muito especialmente, pela impertinente mostra de cinismo oferecida por um general também da reserva, chamado Luiz Eduardo Rocha Paiva.
Antes de abandonar a caserna, esse cidadão passou 38 de seus 62 anos de vida como oficial da ativa. Espetou no peito as condecorações de praxe, ocupou postos de destaque (entre janeiro e julho de 2007, por exemplo, na segunda presidência de Lula da Silva, foi secretário-geral do Exército), fez um sem-fim de cursos altamente especializados. Ou seja: tem trajetória e transcendência dentro do Exército.
Luiz Eduardo Rocha Paiva é um dos que negam o passado. E, não satisfeito, vai além: trata de negar a verdade, que não costuma merecer o respeito dos covardes. Nega que Vladimir Herzog tenha sido trucidado na tortura. Diz duvidar que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada. Nega que este país viveu debaixo de uma ditadura ao longo de longos 21 anos. E diz tamanhos disparates ao mencionar ações da resistência armada à ditadura que fica difícil concluir se mente de verdade ou apenas está enganado, por falta de conhecimento.
Não acontece por acaso essa insubordinação de militares da reserva (um dos arautos do movimento se vangloria de ter contado 77 oficiais generais entre os que assinaram a nota criticando duramente a presidente e desautorizando o ministro da Defesa, embaixador Celso Amorim). Além dos generais e brigadeiros (nenhum almirante), o manifesto reúne um significativo número de assinaturas de oficiais superiores (338 até a segunda-feira 5 de março) e outras muitas dezenas de subalternos. Pelo andar da carruagem, mais assinaturas se somarão. Com isso, torna-se cada vez mais difícil, em termos práticos, aplicar a correspondente punição, como pretende a presidente Dilma Rousseff. Mas há aspectos que chamam a atenção.
Chama a atenção, por exemplo, a inércia dos comandantes da ativa diante desse ato de nítida insubordinação. Afinal, onde está o tão incensado senso de disciplina que norteia os fardados? Desde quando passou a ser permitido a militares da reserva repreender rudemente a comandante suprema das Forças Armadas, prerrogativa Constitucional de Dilma Rousseff, ou negar autoridade ao ministro da Defesa?
Chama a atenção a não-coincidência de tudo isso acontecer às claras, rompendo as fronteiras dos comunicados, notas e manifestos que costumam coalhar a internet nas páginas mantidas pelas viúvas da ditadura, sempre em circuito fechado: agora, procuraram chegar à opinião pública mais ampla, e conseguiram.
Chamam a atenção a desfaçatez da afronta e a insolência da insubordinação, como se seus praticantes estivessem ancorados na certeza cabal da impunidade.
Chama a atenção, além do mais, o nítido e furioso temor da caserna diante da instalação da Comissão da Verdade que investigará os crimes praticados pelo terrorismo de Estado. É como um aviso: não cheguem perto que reagiremos, ao amparo da impunidade que consideramos direito adquirido.
Chama a atenção, enfim, que tudo isso ocorra quando um promotor da Justiça Militar, Otávio Bravo, tenha decidido abrir investigação sobre o sequestro e desaparecimento de quatro civis por integrantes das Forças Armadas durante a ditadura. Há, é verdade, muitos outros casos, mas para começar foram escolhidos quatro especialmente emblemáticos: Rubens Paiva, Stuart Angel Jones, Mario Alves e Carlos Alberto Soares de Freitas. Há provas e indícios de que eles desapareceram depois de terem estado em instalações militares. Não há dúvida de que foram assassinados, mas tampouco há provas: seus restos jamais apareceram.
O promotor segue o exemplo de tribunais chilenos, que driblaram a lei local de anistia com um argumento cristalino: se o desaparecido não aparece, o sequestro permanece, ou seja, trata-se de um crime contínuo, que não pode ser prescrito ou anistiado. Caso apareçam os cadáveres estará configurado o crime de ocultação, que tampouco terá prescrito ou sido anistiado.
Esse o passado que a caserna quer negar. Essa a covardia dos que temem a verdade. Essa a razão do que está acontecendo com os oficiais da reserva e com Luiz Eduardo Rocha Paiva, o mais prepotente dos impertinentes: além de negar o passado, ele nega a realidade.

*Limpinhoecheiroso 

A resposta da Comissão da Verdade

Por Marcelo Semer, no blog Sem Juízo:

Militares reformados causaram alvoroço na semana que passou ao lançar manifesto em que afrontam a presidenta Dilma Rousseff.

Ressentidos e receosos, reagem a declarações de ministras pelo estabelecimento da Comissão da Verdade e o esclarecimento dos abusos e violências dos anos de ditadura.

Mais do que a indignação dos democratas ou as punições das chefias, o que a farda aposentada merece, neste episódio, é, sobretudo, o desprezo.

É verdade que a saudade do tempo em que tinham voz de comando ainda vitamina muitos discursos de vivandeiras dos quartéis. Mas hoje, militares são apenas servidores, não autoridades.

A política não depende mais de suas ordens do dia e a nostalgia da repressão é uma história que se repete como farsa.

A força retórica da reação do governo representa quase nada, todavia. Por que é justamente a tibieza com o trato dos crimes do passado que tem permitido que os reformados aumentem constantemente seu tom de voz.

A demora na instalação da Comissão da Verdade e as diversas concessões na sua formatação estimularam os militares, que permanecem se sentindo intocáveis, como se ainda devêssemos lhes pedir licença para investigar ou punir.

Os demais países do continente, que também suportaram ditaduras, já estão faz tempo acertando contas com o passado. Torturadores e assassinos foram identificados e vários deles processados, presos e condenados.

Com acusação formada, direito de defesa e penas previamente previstas, está se fazendo justiça, não revanchismo. Atribuem-se a réus as garantias que aqueles que lutaram contra a opressão, punidos em excesso nos anos de chumbo, jamais tiveram acesso.

Nesse campo, o Brasil caminha a passos trôpegos, com a omissão e leniência dos últimos governos, ainda constrangidos com a "questão militar", e a complacência da Justiça.

A função de uma Comissão da Verdade é esclarecer fatos que pela covardia dos agentes que os praticaram e diante da força do regime autoritário ficaram por décadas escondidos.

Defender esta ocultação é prestar reverência à censura. É um paradoxo louvar a liberdade de expressão e ao mesmo tempo opor-se ao conhecimento da verdade.

A punição dos sequestradores e torturadores, que não é função da Comissão da Verdade, ainda é uma questão em aberto.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos não reconhece qualquer ato de autoanistia que impeça o julgamento de crimes contra a humanidade. Trata-se de uma jurisprudência internacional fortemente consolidada, que, aliás, extravasa aos exemplos da América Latina.

No julgamento do caso Araguaia, mesmo ciente da decisão do STF de não rever a lei da anistia, a Corte da OEA expressamente determinou que todos os agentes públicos do país, aí incluídos os membros do Ministério Público, devam afastar os obstáculos para a apuração e julgamento dos delitos.

Torturadores no governo militar escolheram a violência e os porões para tentar extorquir verdades; a democracia vai fazê-lo em público, sem dor nem sofrimento, nos termos da lei.

O país não pode conviver com filhos que até hoje não sabem o destino de seus pais, porque aqueles que os sequestraram viveram de esconder seus atos, e com estes, os corpos de suas vítimas.

A resposta do governo ao espernear de saudosos da ditadura deve ser firme: instalar e fortalecer a Comissão da Verdade.