Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
sexta-feira, março 16, 2012
Cuidado Dilma, chantagistas do Senado trazem consigo o DNA do golpismo
“Coronéis da política” impõe suas
vontades com intransigência para
esgotar governo. Se a crise é a negação ao que
pedem alguns aliados,
A campanha contra Juscelino Kubitschek
feita pela classe média e os pseudomoralistas da burguesia brasileira elegeram o
matogrossense-paulista Jânio Quadros como candidato da vassoura. Da oposição, Jânio
só falava em sua campanha de corrupção.
Com comportamento que Freud teria
dificuldade de analisar, renunciou falando em “forças ocultas”.
A eleição exigia chapa de candidato
à presidente e à vice – o eleitor elegia também o vice. Não era como hoje, em que
o único votado é o candidato à Presidência. O eleito foi João Goulart, da chapa
de oposição a Jânio Quadros. Mas, na realidade, em vários estados do Brasil, Jânio,
traindo seu partido, fazia a chapa Jan-Jan.
No momento da renúncia, João Goulart
estava na China – quase um palavrão para os coronéis da época. Mao Tsé-Tung representava
o que havia de pior na cabeça daqueles coronéis.
Os coronéis ameaçaram tudo para que
Jango não assumisse, até uma tal Operação Mosquito, na qual o avião que traria o
já presidente João Goulart poderia ser abatido no ar.
Quase todos os coronéis da época se
rebelariam se Jango assumisse.
Jango teve de ceder ao parlamentarismo,
teve de ceder na indicação de seu primeiro primeiro-ministro, teve de ceder o Ministério
da Fazenda, teve de ceder na reforma agrária.
Jango tinha relações amistosas com
seus ministros militares, que o odiavam, e alguns trabalharam para derrubá-lo.
Jango cedeu e caiu.
Naquele momento, até o conhecido Adhemar
de Barros, que tinha o slogan “rouba, mas faz”, rezando o terço, envolveu a Igreja
na conspiração do golpe de estado que depôs João Goulart.
Hoje, novamente os “coronéis”, só
que sem farda, mas ricos, latifundiários e grandes empresários – fundamentalmente
do setor de comunicação do Norte e do Nordeste – se entrincheiram para fazer exigências
à presidenta Dilma Rousseff. Ela também tem o apoio popular em algumas intervenções
que faz para moralizar a administração pública, e não pode ceder.
Dilma cede para os “coronéis” da soja,
fazendo com que um partido inteiro receba o transporte para viabilizar o escoamento
da safra, reduzindo o custo e favorecendo o preço no momento da exportação. Cede
na reforma do Código Florestal. Por uma observação feita sobre o comportamento de
um parlamentar, cede mais uma vez, e nomeia um pescador de homens que, em nome de
Deus, diz que resolve problemas espirituais e materiais. Cede à Fifa, que quer fazer
o que bem entender com o País; cede para os “coronéis” do futebol o direito à entrada
gratuita em estádios de idosos e estudantes, tirando também o lugar de proprietários
de cadeiras cativas. Cede ainda para “coronéis” do etanol e do álcool.
Enfim, Dilma resolve não ceder mais,
pois a soberania nacional não lhe permite ceder, senão para o interesse de todo
o País, e não para grupos privilegiados.
A presidenta sabe que, mesmo tendo
uma oposição forte nos segmentos midiáticos, o povo estará a seu lado nesse confronto.
Com o respeito que mantém ao processo
democrático, não vai falar em “forças ocultas” nem temer qualquer força de “coronéis”.
Dilma sabe que conta com o apoio do
povo e do maior líder da história do Brasil dos últimos tempos: Luiz Inácio Lula
da Silva.
*Limpinhocheiroso
Deputado do PSDB é acusado de racismo contra servidor e Deputado do PSDB é acusado de chamar policial de macaco
1- Deputado do PSDB é acusado de racismo contra servidor
O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) foi acusado nesta
quarta-feira de racismo praticado dentro do Congresso. A Polícia do
Senado vai investigar a ocorrência, que teve como alvo um servidor
público. O boletim de ocorrência informa que o Leréia chamou o policial
de pele negra de "macaco" e que mandou que ele "procurasse um pau para
subir", antes de se dirigir do plenário para o cafezinho dos senadores.
A ofensa, de acordo com o documento, começou quanto o policial, que
trabalha no Senado e não na Câmara, pediu ao deputado que se
identificasse. Irritado, Leréia respondeu que o servidor deveria saber
quem era ele ou que, então, "procurasse na Internet porque ele não iria
se identificar". E repetiu a sugestão de "procurar um pau para subir",
ofensa testemunhada de perto por dois senadores. Antonio Carlos
Valadares (PSB-SE) pediu ao policial que "não retornasse mais a falar
com o cidadão que se dizia deputado". "Foi feio, o segurança usou a
prerrogativa, mas ele não quis se identificar", lembrou Valadares. Já o
senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) entendeu que o policial falou com o
deputado num tom elevado de voz e com o dedo em riste. "Eu teria dado
voz de prisão" (contra o servidor), disse o senador peemedebista.
O
boletim de ocorrência registra que não foi esse o primeiro envolvimento
de Carlos Alberto Leréia numa ocorrência no plenário do Senado. Na
ocasião anterior, ele teria mandado outro policial "tomar no c...".
2- Deputado do PSDB é acusado de chamar policial de macaco
O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) foi acusado na quarta-feira
(14) de cometer racismo dentro do Congresso. A Polícia do Senado vai
investigar a ocorrência, que teve como alvo um servidor público. O
boletim de ocorrência informa que o Leréia chamou o policial negro de
"macaco" e que mandou que ele "procurasse um pau para subir", antes de
se dirigir do plenário para o cafezinho dos senadores.
A ofensa, de acordo com o documento, começou quando o policial, que
trabalha no Senado e não na Câmara, pediu ao deputado que se
identificasse. Irritado, Leréia respondeu que o servidor deveria saber
quem era ele ou que, então, "procurasse na Internet porque ele não iria
se identificar". E repetiu a sugestão de "procurar um pau para subir",
ofensa testemunhada de perto por dois senadores.
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu ao policial que "não retornasse mais a falar com o cidadão que se dizia deputado".
- Foi feio, o segurança usou a prerrogativa, mas ele não quis se identificar.
Correa
cancela ida à Cúpula das Américas em solidariedade a CubaPresidente
evitou críticas mais diretas aos EUA, mas afirmou que não pode “aceitar
que um país exclua o outro”
O
presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou nesta quinta-feira
(15/03) que não irá participar da Cúpula das Américas que será realizada
em Cartagena, na Colômbia, nos dias 14 e 15 de abril. Apesar de ser a
primeira desistência oficial de um chefe de Estado, o evento deverá
perder ainda mais força caso os países da ALBA (Aliança Bolivariana dos
Povos da Nossa América) também rejeitem a cúpula pela ausência de Cuba.
A
ida de Cuba foi barrada pelos EUA, que alegam que só devem participar
da cúpula os líderes “eleitos democraticamente”. A orientação foi
aprovada em 2001. Em entrevista coletiva durante visita à Turquia,
Correa questionou a ausência de Cuba no encontro.
“Se
organiza uma cúpula para os países latino-americanos, mas se exclui um
país latino-americano? Cuba não pode participar por causa do boicote
norte-americano”, afirmou o presidente.
Correa
evitou críticas mais diretas aos EUA, mas afirmou que não pode “aceitar
que um país exclua o outro”. Segundo ele, os debates realizados “nestas
cúpulas”, não tratam “dos problemas dos povos latino-americanos”.
“Nestas
reuniões se fazem todos os tipos de declarações sobre democracia, mas
nunca se fala da verdadeira democracia. Tudo são palavras que nunca se
transformam em fatos”, criticou o equatoriano, que citou outras questões
que deveriam ser debatidas no encontro, como o embargo dos EUA a Cuba e
a ocupação britânica das Ilhas Malvinas. "Mas eles nunca são debatidos
nestas reuniões”, destacou.
Os
países que formam a ALBA (Venezuela, Bolívia, Nicarágua, São Vicente,
Granadinas, Dominica e Antigua e Barbuda) ainda não se posicionaram
oficialmente, mas ameaçam não participar do encontro. Os
norte-americanos foram os únicos que se mostraram contrários à
participação da ilha caribenha no evento.
A
primeira edição da Cúpula das Américas foi realizada em 1994 e contou
com a presença de todos os 34 países membros da OEA (Organização dos
Estados Americanos), à exceção de Cuba.
Os
cubanos foram suspensos da Organização em 1962, por imposição
norte-americana. O veto, no entanto, foi abolido em 2009. Apesar disso, o
país não demonstrou interesse em se reintegrar à OEA.
*Brasilmostra a tuacara
PiG (*) boicota Dilma e a coluna vertebral do Brasil
Dilma cumprimenta trabalhadores do canteiro de obras da ferrovia Norte-Sul. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff
disse hoje (15), em Goianira (GO), durante visita a trechos da Ferrovia
Norte-Sul, que a conclusão da obra é crucial para o crescimento do país.
“Eu quero alertar o Brasil que
nós voltamos a investir em ferrovias, que essa ferrovia é crucial para
esse país crescer, que ela beneficia estados importantes da federação, e
quando beneficia estados importantes como Goiás e Tocantins, beneficia o
conjunto da federação”, afirmou Dilma.
Após percorrer seis quilômetros
do trecho que liga Palmas (TO) a Anápolis (GO), e sobrevoar as obras da
Extensão Sul da Ferrovia, a presidenta disse que optou por fazer uma
reunião de trabalho no canteiro de obras do lote 1, ao invés de
realizá-la em Brasília, pois dessa maneira é possível detectar
rapidamente eventuais problemas e buscar as soluções.
“Poderíamos fazer [a reunião]
em Brasília, mas o que percebemos é que ela não é tão real, tão efetiva.
Quando nós chegamos aqui, falando com o governador, com o prefeito, mas
sobretudo conversando com os empresários responsáveis por cada trecho,
porque é esse o nosso objetivo aqui, ela não é uma visita política, é
uma vista de trabalho, e descobrimos o que está faltando, o que pode ser
solucionado”, afirmou a presidenta.
“É como se fosse a coluna
vertebral do Brasil que nós estamos construindo, daí a importância dela,
de nós fazermos uma reunião de trabalho no lugar (…) eu saio de
Brasília e venho aqui porque eu acredito que essa é a forma de fazer com
que isso se acelere, com que isso se realize, e com que isso se
multiplique”.
Participaram da visita às obras
da ferrovia Norte-Sul e da reunião de trabalho os ministros dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos, e do Planejamento, Miriam Belchior,
além de representantes da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias
S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes,
responsável pela execução da obra.
A elite do Sudeste (São Paulo, os tucanos e
suas penas amestradas) conseguia paralisar a construção da ferrovia
Norte-Sul desde 1987.
Até que veio o Nunca Dantes !
(Por que o Farol de Alexandria estaria interessado em criar outros polos de crescimento fora de São Paulo ?)
O que a Presidenta fez ontem foi inaugurar o Túnel 2 do trecho entre Anápolis e Palmas, em Tocantins.
93% desse trecho estão concluídos – são 800 km, ou seja, a distância que vai de Recife a Fortaleza.
Até o fim do Governo, 2014, pelo menos, Dilma vai inaugurar a ligação
entre Açailândia, no Maranhão, até Estrela do Oeste em São Paulo.
É o que ela chamou de “coluna vertebral” do Brasil.
E, depois (no segundo mandato), segue até Santos, São Paulo e Rio Grande, RS.
Ela não disse, mas poderia ter dito que a Norte-Sul se aproximará da
Transnordestina, que sai do Piauí e vai a Pecem, no Ceará, e Suape, em
Pernambuco.
Mais para o Sul, da Oeste-Leste, que sai de Caetité e morre em
Ilhéus, na Bahia – o que deveria se chamar de Ferrovia da Gabriela …
Amigo navegante, que outro país do mundo realiza, simultaneamente, obras dessa envergadura ?
Talvez só a China.
Incorporar uma fronteira agrícola prodigiosa, alimentos, minério à economia do país, de forma mais barata, racional.
O PiG (*) não cobra infra-estrutura, não diz que o PAC empacou ?
Bem que a presidenta disse que se falasse de outro assunto – veja o vídeo – , o PiG (*) falaria desse outro assunto e ignoraria a construção da coluna vertebral do Brasil.
Ela não falou de nenhum outro assunto e, mesmo assim, o PiG ignorou a Norte-Sul.
Certamente, o PiG (*) estaria interessado em demonstrar que a chantagem do PMDB e do PR vai conseguir Golpeá-la (o “G” é maiúsculo, revisor. De Golpe de Estado).
Acorda, Bernardo, acorda.
Sabe quando o PiG (*) vai falar da Norte-Sul ?
Quando o Sargento Garcia prender o Zorro – como diria a heroína baiana, Ministra Calmon.
Em tempo: sem esquecer da ligação das águas do rio São Francisco, que o PiG, especialmente de São Paulo, ainda tenta dinamitar.
Paulo Henrique Amorim
Chantagear a Dilma é tiro no pé
Temer e Blairo: e ninguém percebe ?
O partido do (vice) Presidente
Michel Temer, o PMDB, e o do Senador Blairo Maggi, o PR, devem achar que
o amigo navegante é um parvo.
Que ninguém percebe que o PMDB, o PR e outros da mesma espécie se dedicam à arte de chantagear a Presidenta da República.
Ou vamos pro rachuncho ou bye-bye “governabilidade”!
E ninguém percebe.
Que basta jogar um lero às penas amestradas do PiG (*), disseminar uma falsa crise – e ninguém percebe.
O partido do (vice) Presidente é um velho mestre na arte de chantagear – se não ceder, cai o Governo !
Com o apoio irrestrito do PiG (*).
E ninguém percebe.
O partido do senador Blairo Maggi levou ao Governo quatro nomes para se apossar do Ministério dos Transportes.
Nenhum deles – ignoram-se os nomes -, aparentemente, se qualificava para segurança de bingo.
Aliás, o senador Blairo vem à cabeça toda vez que se diz que o Estado deve ser governado como uma empresa.
Os tucanos de São Paulo adoram a tese.
(Embora
nenhum deles jamais tenha administrado uma carrocinha de Kibon. É o
tal “choque de gestão” do Aécio Never, que há três gerações trabalha
para o Estado.)
Sempre em busca da eficiência, dos resultados !
Blairo é um dos mais bem sucedidos empresários agrícolas do país e um desastre na vida pública.
É como o Mitt Romney nos Estados Unidos – um empresário bem sucedido e um político medíocre.
O Blairo e o Temer acham que ninguém percebe.
Que
o partido deles pode acuar a Presidenta na calada da noite, extorquir o
Ministério, a diretoria da estatal, e ninguém percebe.
Percebe, sim !
Ainda mais que se trata de um conjunto de marmanjos, figurinhas carimbadas da política nacional, que não enganam mais ninguém.
O Brasil percebe tudo o que os partidos do (vice) Presidente e do Blairo pretendem.
O Brasil mudou, amigo navegante.
O Daniel Dantas que o diga: acaba de tomar uma “súmula vinculante” na Justica do Rio – clique aqui para ler “Klouri e PHA derrotam Dantas na Justiça, pela enésima vez”.
O Temer, o Renan, o Wellington, o Eduardo Cunha, o Henrique Alves, o Padilha, o Blairo, o Sarney – e o Brasil não percebe ?
Eles acham que vão paralisar o Congresso ?
Um
presidente americano, Harry Truman, que substituiu uma lenda, Franklin
Roosevelt, enfrentou os chantagistas com uma campanha: “o Congresso não
trabalha”.
O
bicheiro Carlinhos Cachoeira negocia com o Ministério Público um acordo
de delação premiada. Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro. O
Palácio do Planalto foi informado do início das negociações e acompanha o
caso.
Reportagem publicada no site de Época na semana passada mostrou que as investigações da Polícia Federal descobriram que Carlinhos Cachoeira se relacionava com políticos.
Na quarta-feira (14), outra reportagem dá mais detalhes sobre como o
empresário de jogos falava com as pessoas de sua mais estrita confiança:
ele habilitou em Miami 15 aparelhos de rádio, da marca Nextel. De
acordo com a PF, o propósito de Cachoeira era evitar que escutas
telefônicas, legais ou ilegais, captassem suas conversas. Nos relatórios
da investigação, o grupo contemplado com os rádios é chamado de “14 +
1”. Entre os 14, há foragidos e os que foram presos com Carlinhos
Cachoeira durante a Operação Monte Carlo, da PF. O “1” é o senador Demóstenes Torres (GO), líder do Democratas no Senado Federal.
Felipe Patury * Esquerdopata
Protógenes já tem 208 assinaturas para CPI do Cachoeira
Vai ser um tico-tico no fubá
O deputado federal Protógenes Queiróz conseguiu 208 assinaturas para instalar imediatamente a CPI do Cachoeira.
Eram necessárias 171 assinaturas.
Esta é a segunda CPI que o deputado Protógenes, do PC do B de SP, consegue criar.
Em
dois dias, logo após o lançamento do livro de Amaury Ribeiro Júnior,
ele conseguiu as assinaturas para instalar a CPI da Privataria Tucana.
Aparentemente, clique aqui para ler, a CPI do Cachoeira virá antes da CPI da Privataria.
Como se sabe, clique aqui para ler, o bicheiro Cachoeira e o Senador Demóstenes Torres falavam por uma linha telefônica direta e exclusiva.
A soma de CPI do Cachoeira com delação premiada na Justiça resultará num tico-tico no fubá de áudio pra todo lado.
Vai voar pena de tucano, toga de juíz e tablet de jornalista.
O Brasil mudou, amigo navegante.
Uma prova disso é a irretocável decisão judicial, clique aqui para ler, com que Klouri e PHA derrotaram o banqueiro condenado Daniel Dantas.
Paulo Henrique Amorim.
Demóstenes tem faculdade com sócios ocultos
Toicinho Light Continua Aprontando Das Suas(*)
Foto: Pedro França/Agência Senado
Senador
do DEM, amigo do “professor” Cachoeira, com quem falava por meio de
rádios trazidos dos EUA, é também dono da Nova Faculdade, em Contagem
(MG); quem será seu sócio?
247 - O senador Demóstenes Torres (DEM) é dono
de uma faculdade em Contagem, cidade da Região Metropolitana de Belo
Horizonte e não revela pra ninguém quem são seus verdadeiros sócios no
empreendimento.
A Nova Faculdade foi instalada oficialmente em dezembro de 2011 em uma
suntuosa sede própria de 8.500 metros quadrados, construída em ritmo
frenético, com trabalhadores se revezando 24 horas por dia. São cursos
de administração, ciências contábeis, direito, farmácia e enfermagem.
Conta ainda com cursos de pós-graduação e extensão em saúde.
A participação de Demóstenes na Nova Faculdade consta de sua declaração
à Justiça Eleitoral em 2010 como tendo sido integralizadas as 200
quotas em 25 parcelas de R$ 8 mil, o que valeria, segundo informações
do senador, R$ 200 mil. O sócio principal do senador no empreendimento é
provavelmente o empresário de Anápolis-GO, Marcelo Limirio, ex-dono do
Laboratório Neo Química e sogro de Alexandre Baldy, secretário de
Indústria e Comércio do governo de Goiás. Demóstenes não revela quem
são os verdadeiros sócios, mas as ligações de Baldy e Limírio permitem
supor que gente graúda de Anápolis esteja na empreitada. “É possível
que tenha participação de Carlinhos Cachoeira nessa faculdade”, comenta
um vereador da cidade.
A participação de Demóstenes Torres na faculdade com míseros R$ 200 mil
em 25 parcelas é considerada subestimada por especialistas em
educação. A estrutura construída é de 81 salas de aula com capacidade
para até 50 alunos, sendo que todas elas possuem computador. Metade
delas possui também projetores de multimídia e telas de projeção. Conta
também com quatro laboratórios de informática com capacidade para até
26 alunos e equipados com computadores novos e modernos, além de
projetores de multimídia.
A estrutura tem custo estimado em alguns milhões de reais. Para os
cursos da área de saúde há laboratórios caríssimos como química,
bioquímica, biofísica, microbiologia, genética, anatomia - com peças
alemãs que representam fielmente os modelos anatômicos humanos e um
moderno laboratório de microscopia “com equipamentos de excelente
qualidade (que) atende a todas as disciplinas de área básica que fazem
uso de microscópios e lupas”, como ressalta o site da faculdade. Há
também área de lazer, auditório para 200 lugares e um estacionamento
para 400 vagas.
O peso do senador Demóstenes Torres foi decisivo também para a
autorização de funcionamento pelo Ministério da Educação. Em apenas 14
dias, a Nova Faculdade recebeu a chancela do então ministro Fernando
Haddad, em dezembro de 2010.
A diretora da faculdade, Renata Carla de Castro Costa, era assessora do
gabinete do senador Demóstenes Torres até 2008. Abaixo, segue o
registro da exoneração.
EXONERAÇÃO
ATO DO DIRETOR GERAL Nº 160, de 2008
O DIRETOR-GERAL DO SENADO FEDERAL, no uso da atribuição que lhe foi
conferida pelo artigo 10, § 3º, da Resolução do Senado Federal nº 07 de
2002, e tendo em vista o que consta do Processo nº 001451/08-1, RESOLVE
exonerar, a pedido, na forma do disposto do artigo 35, inciso II, da
Lei nº 8.112, de 1990, RENATA CARLA DE CASTRO COSTA, matricula nº
181861, do cargo, em comissão, de Assessor Técnico, do Gabinete do
Senador Demóstenes Torres, a partir de 08/02/2008.
Senado Federal, 13 de fevereiro de 2008.
José Alexandre Lima Gazineo, Diretor-Geral Adjunto.
(*) Toicinho Light ele virou depois da operação de redução de estômago, quando deixou, pelo menos na aparência, de ser um porco!
*Amoralnato
“Quem defende torturador é monstro”, diz Capitão de Mar e Guerra – especial para o QTMD?
Militar
de formação legalista, Fernando de Santa Rosa vive hoje de sua reforma,
mas não recebe reparação financeira por ter sido cassado e preso em 64.
Não foi torturado (fisicamente), mas, como advogado, defende os
direitos de quem foi e acredita que os ministros que defenderam a
anistia aos torturadores no STF devem se envergonhar disso. Para ele, a
expressão “bolsa-ditadura” deveria ser aplicada aos ótimos cargos dados
ao filho de um conhecido general.
Ana Helena Tavares
Fernando de Santa Rosa, em seu apartamento iluminado pelo Forte de Copacabana. Foto: Ana Helena Tavares
Meados
de 2009. O então ministro da defesa, Nelson Jobim, o ex-chefe da
polícia de Lacerda, Gustavo Borges, o ex-ministro do Exército do governo
Sarney, general Leônidas Pires Gonçalves, e a então ministra do STF,
Ellen Gracie; se reúnem para um jantar. “O que ela estava fazendo com esse tipo de gente?”, pergunta-se Santa Rosa.
Abril
de 2010. A Lei de Anistia é votada no STF (ADPF 153) e Ellen Gracie,
seguindo voto do relator, Eros Grau, e de outros ministros, mantém a
anistia aos torturadores.
Início de 2012.
Militares da reserva, saudosos de 64 – ano em que, para eles, houve uma
revolução – assinam manifesto criticando a Comissão da Verdade. Enquanto
isso, dois militares legalistas, cassados em 64 – ano em que foram
presos por não compactuar com um golpe – assinam carta-aberta defendendo
a mesma Comissão e criticando a “insubordinação e quebra de hierarquia, inaceitáveis na vida militar” contidas no outro manifesto.
Os signatários da carta, que pode ser lida clicando aqui,
são Fernando de Santa Rosa e Luiz Carlos de Souza Moreira. Ambos são
advogados e militares reformados da Marinha, sendo hoje Capitães de Mar e
Guerra. O Quem tem medo da democracia? conseguiu contato com os dois.
Por problemas de saúde na família, Souza Moreira não pôde dar seu
depoimento. Porém, disse sentir-se representado por Santa Rosa, que
concedeu longa entrevista exclusiva para o QTMD?, na qual contou sobre o
encontro narrado no início deste texto.
Segundo ele, o jantar foi na casa do filho do general Leônidas Pires Gonçalves. Filho este que, depois de vários bons empregos, teria enriquecido depois de ganhar o cargo de diretor financeiro da Rede Globo.Para o militar reformado, isso é o que se pode chamar de “bolsa-ditadura”.
Assista-o contando esta história.
“Mal julgados”
Como advogado, Santa Rosa atua há décadas na defesa de ex-presos políticos e acredita que todos os militantes de esquerda, que lutaram contra a ditadura, já foram investigados e punidos.“O
filho de Nelson Rodrigues, que esteve preso, tratado barbaramente na
prisão, tem que ser julgado de novo? Quer dizer que está mal julgado?, pergunta-se Santa Rosa. E continua: “Eles (os torturadores) é que ainda não deram a cara a tapa. Foram anistiados de quê, se não houve condenação?
Só na cabeça do Peluso… Agora, se houver uma lei que anule a anterior
(da Anistia), pronto… O Congresso pode fazer isso, como foi na
Argentina.”
“Fruto do medo”
Ele acredita que a expressão revanchismo (muito utilizada por quem é contra a Comissão da Verdade) “é fruto do medo” e não vê conexidade entre os crimes dos dois lados, como entendeu o STF. “Não pode haver conexão entre um crime de um representante do Estado e o crime daqueles que combatem o Estado ditatorial”. Além da tortura, dentre
os crimes imprescritíveis cometidos pelos agentes do Estado, está a
ocultação de corpos, considerado “crime continuado” (que ainda não
terminou). Santa Rosa considera que o Brasil tem que cumprir a
condenação da OEA e lembra que “agora até a ONU está pressionando”.
“Comunismo”
O
conhecido argumento de que os militares golpistas “livraram o Brasil de
uma ditadura comunista” é completamente refutado por Santa Rosa. “Não se pode ser comunista?”, pergunta ele. “E nem todos eram! Existia naquela época o maniqueísmo.
Se você não era lacerdista, você era comunista. Se você não era da
direita, você era comunista. Se você era legalista, você era comunista…
Porque, para ser legalista, tinha que ser anti-Lacerda… Então era o quê? Comunista!
Isso não era só nas Forças Armadas. Era em tudo. Se você era
nacionalista, era comunista… Mas o comunista nunca foi nacionalista… Era
muito mais internacionalista… E hoje quem é internacionalista é o
capital… Você vê o absurdo da história… Eu vim, em 1962, para o Rio de
Janeiro. Estava fervendo a luta sindical, que não tinha nada de comunismo! O que havia era uma luta muito grande de exigências dos trabalhadores com os patrões… O capital e o trabalho… Sempre! Nunca
foi diferente… Mas esses caras (os golpistas), para justificar o que
fizeram, começaram a dizer que era para implantar o comunismo no
Brasil.”.
Contexto histórico
Todos
os principais acontecimentos que antecederam o golpe de 64 – desde a 2ª
Guerra Mundial, as várias fases de Getúlio Vargas, o Marechal Henrique
Teixeira Lott, que garantiu a posse de JK, a renúncia de Jânio Quadros, a
Cadeia da Legalidade de Leonel Brizola até a queda de João Goulart –
tudo foi detalhado por Santa Rosa, no início de nossa conversa. O QTMD?
disponibiliza o áudio completo, que chega a quase duas horas sem cortes,
neste link.
Falando
da campanha “O petróleo é nosso”, o Capitão de Mar e Guerra reformado
citou a nossa fartura petrolífera como um exemplo de que “somos
um país rico que é roubado pelos enganadores do império. Você nunca viu
um general americano num tribunal internacional, né? Eles fazem e pedem
desculpas… ou nem pedem”.
Mídia: “o quarto poder”
Santa Rosa comentou que
”não deu pra entender Miriam Leitão e O Globo entrando nessa história.
Quando um carro da Globo está na rua, leva pedrada, por quê? Não é à
toa… É a desinformação!”Lembrou ainda que“a Folha emprestava os carros de reportagem para os torturadores” e frisou que ”a mídia no Brasil, desde sempre, representou um quarto poder”.
Sobre Carlos Lacerda, recordou que ele chamava Alzirinha, filha de Getúlio, de “prostituta pra baixo” e a acusava de promover “bacanais em Paris”. Além disso, disse que “Lacerda
tinha um grupo que fazia a segurança dele, que contava com oficiais da
FAB e da Marinha. Daí o caso do Major Vaz, assassinado na Rua Tonelero. O
que ele estava fazendo ali? Era capanga do Lacerda!”.
Desse
modo, Santa Rosa deixou claro que, desde os tempos de Vargas, parte da
imprensa brasileira e empresários estrangeiros representavam a ponta
civil do golpe que se concretizaria em 64. Num dado momento, “as forças armadas entraram nisso também”.
Enfatizou o “também” e detalhou: “O Brigadeiro Eduardo Gomes, remanescente dos 18 do Forte, em 1945 se candidatou à presidência e perdeu para a UDN. Eles (a UDN) nunca ganharam nada democraticamente, foram sempre golpistas.
Depois, ele se candidatou em 1950 e foi fragorosamente derrotado (aí,
sim, no voto) por Getúlio. Então, o Brigadeiro Eduardo Gomes levou a
política para dentro da FAB (Força Aérea Brasileira) e isso repercutiu
na Marinha.”
A difamação de Getúlio e outras tentativas de golpe
O atentado da Rua Tonelero aconteceu em 1954, mesmo ano em que Santa Rosa fez o “juramento
da bandeira” na Escola Naval. “Getúlio esteve lá (no dia do juramento),
mas não deixaram a guarda dele entrar junto. Foram os aspirantes da
Escola que fizeram a segurança para poderem continuar com as agressões
ao presidente da República. Isso foi em 11 de Junho, eu recebi meu
espadim… Depois que Getúlio se suicidou, a 1ª coisa que o
comandante da Escola Naval fez foi reunir o corpo de aspirantes e dizer
que a carta-testamento era mentirosa. Aí cria-se uma série de histórias para continuar a desmoralizar Getúlio…”
Nos anos JK, “houve duas tentativas de golpe, conhecidas como Aragarças e Jaquereacanga.” Segundo Santa Rosa, “muitos golpistas de 64 participaram dessas tentativas anteriores. E, em 61, quando
Jânio Quadros renunciou e seu vice João Goulart precisou voltar às
pressas da China, houve ameaça de abaterem o avião presidencial”.
A prisão de Santa Rosa e a concretização do golpe de 64
“Um
dia, eu estava de serviço aqui no RJ e soube que o meu ex-comandante em
Salvador havia sido nomeado por João Goulart como superintendente da
Costeira (Companhia Nacional de Navegação Costeira). Então, eu quis dar
um abraço nele. Ele morava na rua Tonelero. E me convidou para ir com
ele para a Costeira. Eu fui… Estava iniciando o mês de Março de 64. No
dia 13, houve o comício (de João Goulart) na Central do Brasil. Meu
chefe disse: ‘Vai lá e veja como está o pessoal da Costeira’. Cheguei
lá… A polícia do Exército tinha feito uma área em volta do palanque para
repórteres. Eu fui para essa área e a TV Rio me deu um close… Quando
chegou na Semana Santa (pertinho do golpe), os marinheiros se rebelaram,
mas não com armas… Fizeram um movimento de protesto dos metalúrgicos de
São Cristóvão… Aí começou o bolo… Eu era Capitão-Tenente e tinha uma
função de governo: eu era assessor de confiança do superintendente da
Costeira. E foram me dadas instruções para acompanhar pessoalmente a
crise… Houve o último discurso de Jango e um advogado amigo meu me disse: “Pelo discurso, ele tá caído…” Dia 31, fiquei na Costeira. Dia
1º, voltei pra casa, passei pela sede da UNE e estava sendo incendiada…
E tinha um monte de gente com bandeiras brancas invocando Jesus… Porque
a Igreja Católica apoiou o golpe, no início.Bom, aí no dia 6 eu me reapresentei na Costeira e… fui preso! Fiquei 58 dias preso no navio Princesa Leopoldina. E aí já estavam matando gente… No dia 4 de Abril, mataram, com 7 tiros pelas costas, o coronel aviador Alfeu, na base aérea de Canoas. Sãoesses caras (que matam pelas costas) que hoje são tidos heróis… Tem um Brigadeiro Hipólito, que desde Major, na época do “Petróleo é Nosso”, já torturava sargentos em bases aéreas do Nordeste. Isso está na “História Militar do Brasil”, do general Nelson Werneck Sodré.”, contou Santa Rosa.
E nunca acontece nada com “esses caras”?
“Nada! Eles são ótimos! Os
comunistas somos nós… Os terroristas… Eles não… São todos honestos!
Como era o Major Albernaz… Você sabe o que esse animal fez? Animal não!
Não vou xingar os animais! Esse cara é monstro! E os que defendem essa
gente são monstros também! Por omissão e por adesão… O general Paiva
(que deu entrevista a Miriam Leitão) falou tanta idiotice… E olha que o militar, quando chega ao posto de general, não é um bobo… Ele chega por qualidades… Mas esse general não tem consciência de coisa nenhuma, não tem nem alma! Eu tive pena da entrevista dele. Ele não respondeu nada. Eles se apoiam numa anistia escandalosa que dizem que foi negociada. Foi nada! Isso foi o general Figueiredo que impôs.
A história do Frei Tito, por exemplo… O Major Albernaz pegou ele, um
rapaz de 28 anos, e disse: ‘abre a boca que vai receber a hóstia
sagrada’…. Com o Frei Tito já todo escangalhado, destruído, o
Major meteu dois fios de eletricidade, um positivo outro negativo, e deu
uma descarga elétrica na boca dele… Isso está descrito com detalhes no livro “Batismo de sangue”, do Frei Beto. Então, esses são os homens salvadores da pátria.”, desabafou Santa Rosa, carregando na ironia.
Santa
Rosa disponibilizou diversos documentos ao longo de sua conversa com o
QTMD?. Com esta notícia, de 1984, ele buscou mostrar que "já fora do
Exército, o Major Albernaz se passava por Coronel para praticar crime de
estelionato, iludindo a boa-fé dos incautos".
Ministério da Defesa: “um biombo de fascistas”
A
cassação de Fernando de Santa Rosa foi publicada no Diário Oficial de
25 de Setembro de 1964. E até hoje ele não foi totalmente anistiado. “Eles
procuram dificultar e interpretar toda a legislação subsequente de modo
a prejudicar, principalmente, os militares cassados. Porque os civis
quem está tratando disso é a Comissão de Anistia e o Ministério do
Planejamento, pela Lei 10559. Quanto aos militares, cabe à Comissão de
Anistia e ao Ministério da Defesa, que é um biombo de fascistas!
Os milicos fascistas pululam lá e conseguiram dominar o CONJUR, a
Consultoria Jurídica, que nada mais é que uma parte da AGU (Advocacia
Geral da União). Já chegou ao ponto de o CONJUR do Ministério da Justiça
se chocar com a do Ministério da Defesa. A obrigação que o Ministério
da Defesa tem é de cumprir as decisões publicadas por portaria do
Ministro da Justiça. Mas eles pressionam e querem mudar”, disse Santa
Rosa.
“Eles se acham a justiça”
Santa
Rosa explicou que este curso foi em 2009. Segundo ele, "o problema é
que a OAB não tomou conhecimento.O curso foi dado por altos oficiais
militares. O que essa gente sabe de direito para ensinar
desembargadores, magistrados e juízes como julgar? E ainda põem um
cadete apresentando o espadim... Cadê o símbolo da Justiça se é um curso
de Direito? Eles se acham a justiça e tem aí um desembargador fascista
(sublinhado) que só julga o que eles querem..."
A ação da OAB para revisar a Lei de Anistia (ADPF – 153)
Quem entrou com a ação, em 2009, foi o então presidente da OAB, Cezar Brito. De acordo com Santa Rosa, “para
tratar desse problema desses torturadores, genocidas, assassinos. Esse
pessoal estranho que está fazendo assinaturas para virar a página… Que
página que vai virar? Choque elétrico, cadeira do dragão, coroa de
Cristo (um aro de metal colocado na cabeça e apertado até estourar o
crânio)… Esses caras querem que esqueça porque não foi na mãe deles! Nem
na esposa, nem nos irmãos, nos filhos… Foi no dos outros! Aí querem que
esqueça, porque eram ‘comunistas’… Como se comunista não pudesse
pensar, não pudesse existir! E (como já disse) nem todos eram… Hoje, eu
sei o que é comunismo. Esses porcarias não sabem nada, porque não leem!
Leem “Seleções”, aquela revista americana…”
“Eros Grau teve vergonha e jogou a toga pra lá”
A
relatoria da ADPF-153 caiu nas mãos do então ministro do STF, Eros Grau
– que foi torturado na ditadura – e votou a favor da anistia aos
torturadores. Esse foi o seu último julgamento. Para Santa Rosa, “foi um fim melancólico para Eros Grau. Ele teve vergonha, jogou a toga pra lá e nunca mais deu as caras”.
“Não se faz anistia para o futuro”
Santa
Rosa diz que gostaria de perguntar ao general Luiz Eduardo Rocha Paiva
(que deu entrevista a Miriam Leitão defendendo a anistia aos
torturadores) se a morte de D.Lida Monteiro (durante atentado à OAB em 1980) e a bomba do Riocentro (em 1981) – onde, conta Santa Rosa, “estava o Coronel Wilson, segurando as vísceras” – estão anistiadas. Foram posteriores à Lei de Anistia, de 1979, e “não se faz anistia para o futuro”, garante o advogado e militar.
O pensamento dos militares da ativa
Segundo
o general da reserva disse em entrevista a Miriam Leitão, o pensamento
dele reflete o do pessoal da ativa. O militar reformado Fernando de
Santa Rosa discorda. “Eu frequentava o Clube Naval. Nunca mais fui
lá, porque não me sinto bem. Tinha um Capitão de Fragata, da ativa,
rapaz novo, muito educado… Eu sou espírita e um dia eu o encontrei num
centro. Ouvimos uma palestra muito bonita. Somos amigos e, quando
saímos, ele veio falar comigo e pediu que eu falasse um pouco sobre
‘esse negócio de tortura’… Falei… E ele disse: ‘eu acredito’. Ele foi
até comandante do porta-aviões São Paulo. Então, eu digo com
toda certeza que eles querem fazer uma consciência chapada, à força, mas
existe liberdade de pensamento. Inclusive, nas leis militares, ordem
errada pode ser contestada. E existe o direito de ir ao
judiciário. Eles põem na cabeça das novas gerações militares que não
pode ir e muitos se prejudicam porque têm medo de serem perseguidos lá
dentro. Dizem que a Marinha é aristocrata, mas vai ver quantas
assinaturas têm (no manifesto contrário à Comissão da Verdade)… Se tiver
dez da Marinha é muito. Só dá verde-oliva! O dever (dos
militares) é servir ao país e não ganhar o dinheiro do povo para trair o
país. É o que muitos fazem desde 64 nos Clubes Militares”, frisou
Santa Rosa, que diz não ter interesse em ser integrante da Comissão da
Verdade e não acha que deveria haver militares entre os membros.
“Fosso de lideranças”
Para Santa Rosa, a ditadura militar “criou um fosso de lideranças. Não houve renovação. O futuro desse país se cria num Campus Universitário.
Por isso, esses Campus têm que ter liberdade de troca de idéias. Não
interessa se é fascista, se é comunista, se é democrata: tem que haver
discussão! E o que eles fizeram na ditadura? Invadiram as faculdades,
introduziram militares espiões para prenderem as lideranças. Para
amedrontarem! Eu estava na Faculdade Nacional de Direito e vi lá
dentro o nascimento da luta armada. Porque essa meninada não tinha mais
para onde correr…Eu chegava na minha faculdade, todo dia era faculdade cercada. Perguntava: ‘O que houve?’ Diziam: ‘Nada!’”
A importância para a sociedade
Santa Rosa calcula que “cerca de 70% da população brasileira de hoje não viveu a ditadura.” E, para ele, muitos destes estão “alienados pelas mentiras contadas durante mais de 25 anos. A maioria de nossa juventude se perdeu… É preciso criar consciência para que esse povo saiba a história desse país. A educação está uma tragédia, que começou com Jarbas Passarinho. Estamos pagando esse pato até hoje”.
Clique aquie assista a Santa Rosa falando sobre a importância dessa discussão para a sociedade.
A presidente Dilma e o Congresso
Quanto à atuação de Dilma, Santa Rosa considera que ela “recebeu uma herança maldita no Congresso eestá fazendo o que pode. Está
difícil para ela equilibrar isso. Não temos um Congresso confiável.
Tirando meia dúzia, o resto é ladrão. O PMDB não é o de Ulysses
Guimarães… Isso é a quadrilha! O PMDB não lança candidato à presidência
da República… Eles querem ficar atrás pra comer! Esses partidos querem dar apoio ao governo, mas a troco de ministério com porteira fechada. Parece uma fazenda… É
um loteamento do dinheiro público! E tem ralo desde o governo federal,
até os estaduais e os municípios. E o pior: esse tipo de político acha
que o dinheiro público é um dinheiro sem dono. Como eu já vi um prefeito
dizer.”
“Se ela fizer um troço malfeitinho…”
“A
Dilma está toureando isso tudo e ainda tem gente de esquerda danado com
essa moça… Eu me ponho no lugar dela e não queria isso para mim!
Criticar é muito fácil… Quero ver dar solução… Se ela fizer um troço
malfeitinho, desaba tudo e dá brecha… Não pense você que não existe conspiração… Sempre existiu! Não vejo possibilidade de novo golpe, mas em 64 também não se via… Naquela época, era a ‘casa da mãe Joana’… Hoje, ainda é, mas o Brasil está sendo respeitado pela situação econômica”, analisa Santa Rosa.
“De que barro és feito?”
Abaixo, um vídeo em que Fernando de Santa Rosa declama um poema para os torturadores: “Tu comes e dormes, apesar do teu ofício? De que barro és feito, afinal, torturador?”
“Ditadura das elites”
“Não
vivemos mais numa ditadura militar, mas vivemos numa ditadura das
elites. E quem representa as elites é o Congresso. O político depende da
consciência do povo. Se o povo pressionar, eles mudam. Eles têm medo da
democracia”, conclui Fernando de Santa Rosa
Na
sua Divina Comédia Dante coloca os sodomitas, os blasfemadores e os
usurários no mesmo círculo do Inferno. As práticas das três categorias
eram igualmente antinaturais. A Igreja condenava a usura e só absolvia
os usurários arrependidos se eles devolvessem todo o lucro obtido com
juros, que não era fruto do trabalho e portanto contra as leis de Deus.
Aos usurários renitentes era negado enterro cristão. Já os blasfemadores
e sodomitas não podiam esperar nenhuma remissão: iam direto para o
Inferno. Pelo menos para o Inferno do Dante.
Nos
7 séculos desde a Divina Comédia, aos poucos e cada uma por sua vez, as
três classes se livraram da danação que as estigmatizava. Relações
homossexuais hoje são aceitas sem muito escândalo. Blasfemadores não
precisam mais temer as fogueiras da Inquisição, ou qualquer coisa
parecida, por negarem a religião. E os usurários mandam no mundo.
Pode-se,
com alguma imaginação, comparar a regulação dos bancos que existia até
pouco tempo com o controle que a Igreja tentava manter sobre a atividade
financeira no fim da Idade Média, e a desregulação dos bancos que deu
na crise que vivemos agora com a conclusão da Igreja que estava perdendo
grandes negócios, combatendo a usura, e sua decisão de aderir. Os
banqueiros passaram de excomungados a abençoados, e pelo século 18 a
própria Igreja já era um dos maiores manipuladores financeiros do
planeta. No caso dos bancos modernos, liberados para fazerem qualquer
negócio pelo lucro imediato, inclusive destruir economias inteiras, a
mensagem da desregulação foi a mesma que a Igreja deu aos usurários
séculos atrás: não é mais pecado, gente!
Seria
possível especular sobre quem Dante colocaria hoje no mesmo nicho, no
sétimo circulo do Inferno? Nada parece muito antinatural, ultimamente.
Bom, talvez a pizza com abacaxi. Mas nem isto merece ser jogado no fogo
eterno.
Além-túmulo. Leitores perguntam se
enlouqueci. Há uma semana escrevi que o fato da revolução comunista
acontecer na Rússia, onde ninguém esperava, assustara até o Marx. Como
Marx morreu em 1883 e a revolução foi em 1917 (ou 1905, a se contar a
primeira tentativa fracassada) o susto era improvável. Pensei que
tivesse ficado subentendido que Marx se surpreendera no além-túmulo, mas
nem todos subentenderam. Resta imaginar onde fica o além-túmulo do
Marx. No céu ou no inferno? Há controvérsias.
*Gilsonsampaio
Nossa Idade Média: Congresso Nacional não é altar. Em defesa da democracia, por um Estado Laico já!
*Opensadordaaldeia
Pesquisa explica votação do PSDB em SP
São Paulo é a cidade com mais problemas mentais do mundo
A região metropolitana de São Paulo, no Brasil possui a maior incidência
mundial de perturbações mentais, de quase 30%, entre 24 cidades de
países diferentes analisadas num estudo da Organização Mundial da Saúde.
A pesquisa São Paulo Megacity Mental Health Survey mostra que
29,6% dos moradores da região apresentaram problemas de ansiedade, de
comportamento e de controlo de impulso, além de abuso de substâncias
químicas nos 12 meses anteriores à entrevista.
A razão da alta incidência das perturbações, segundo a pesquisa, é a soma da alta urbanização com a privação social.
Os problemas de ansiedade foram os mais comuns, e afetaram 19,9% dos 5037 entrevistados.
Os grupos mais vulneráveis, segundo a pesquisa, são os homens migrantes e
as mulheres que vivem em regiões de alta vulnerabilidade social.
Depois de São Paulo, que representa o Brasil no 'ranking' da Organização
Mundial da Saúde (OMS), os Estados Unidos aparecem em segundo lugar,
com pouco menos de 25% de incidência de perturbações mentais, embora a
cidade utilizada no estudo não tenha sido revelada.
A cidade brasileira também é a que teve o maior registro de casos
considerados graves, com 10%, à frente dos Estados Unidos, com 5,7%, de
da Nova Zelândia, com 4,7%.
A pesquisa em São Paulo foi financiada pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e realizada por Laura Helena
Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e Maria Carmen
Viana, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade
Federal do Espírito Santo.
O trabalho faz parte da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, iniciativa
da OMS, coordenada globalmente por Ronald Kessler, da Universidade
Harvard.
*esquerdopata
Cuba precisa ser parte da Cúpula das Américas
Chanceleres da Argentina e do Brasil defendem participação de Cuba na Cúpula das Américas
São Paulo – A participação de Cuba na Cúpula das Américas, prevista para
abril na Colômbia, foi defendida hoje (13) pelos ministros das Relações
Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, e da Argentina, Héctor
Timermam, durante reunião na capital paulista. “Creio que esta tem que
ser a última Cúpula das Américas em que Cuba não participe. Esta é uma
posição que vamos defender”, disse Timermam. Segundo ele, vários países
já têm defendido a mesma posição. “Cuba precisa ser parte da Cúpula das
Américas para que esta seja, finalmente, a Cúpula das Américas”,
completou.
Para Patriota, essa situação já se prolongou “para além do que seria
considerado razoável”. “Recordo a vocês que o então presidente Lula,
quando esteve na última Cúpula das Américas, já tinha dito isso, que
aquela deveria ter sido a última sem a presença de Cuba”, declarou.
Além da questão envolvendo Cuba, os dois ministros também falaram sobre
as Ilhas Malvinas. Recentemente, Timerman acusou a Grã-Bretanha às
Nações Unidas de enviar armas nucleares para as Ilhas Malvinas e de
manter no arquipélago um sistema militar de controle do Atlântico Sul.
“Hoje conversamos sobre a preocupação [que temos] de que uma potência
extrarregional se negue a informar se está introduzindo armas nucleares
na região”, disse Timerman. Esse tema, segundo o ministro argentino,
será levado para a próxima reunião da Zona de Paz e Cooperação do
Atlântico Sul, que ocorrerá em Montevidéu, no Uruguai. “Reafirmei [a
Timerman] o apoio firme e inequívoco do Brasil – e da região como um
todo – à reivindicação argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas”,
disse Patriota.
O encontro vai reunir o Brasil, Uruguai e a Argentina, além da
possibilidade da presença de países africanos do Atlântico Sul. “Estamos
seguros de que todos os países da Zona de Paz vão apoiar a proposta
Argentina”, declarou Timerman.
Além desses temas, os dois chanceleres também conversaram sobre a visita
de técnicos argentinos à Base de Alcântara, no Maranhão, no dia 15 de
março, as retomadas das visitas bilaterais e a ideia de reativação dos
mecanismos de monitoramento comercial entre os dois países, o que
incluiria a indústria automotiva.
Patriota também falou sobre a viagem que fará na noite de hoje ao
México, junto com ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Fernando Pimentel. Segundo ele, a viagem atende a um pedido
feito pelo governo mexicano para buscar um entendimento sobre as
mudanças no acordo automotivo. “Esperamos que possamos concluir esse
processo amanhã (14), na Cidade do México”, disse o ministro.
Edição: Aécio Amado
*Brasilmobilizado
O pragmatismo político de FHC e de Lula são boas lições a serem seguidas.
Os próximos dois anos serão decisivos para a viabilização do crescimento sustentado brasileiro. E não serão anos fáceis.
Dilma Rousseff
terá que enfrentar interesses poderosos ao mexer nos juros e câmbio.
Terá o desafio de reerguer uma indústria combalida. Não haverá o
benefício de taxas de crescimento robustas. E ainda se terá pela frente o
tsunami monetário.
Por tudo isso, a prudência não recomenda excesso de auto-suficiência, muito menos no campo político.
Uma das
características da gestora Dilma sempre foi o de mirar o objetivo final e
tratar sem dogmatismo as ações necessárias para se chegar lá. E não
perder tempo com aquilo que não fosse fundamental para o se alcançar o
resultado final.
Deveria aplicar os mesmos princípios agora, juntando à sua visão estratégica o componente político.
Nesse
exato momento, o Executivo pouco depende do Congresso. Já conseguiu o
relevante, a aprovação da DRU (Desvinculação das Receitas da União). A
presidente nada em popularidade, o Congresso em desgaste. Apesar do
desempenho pífio do PIB, no ano passado, o desemprego é baixo.
Mas a
política obedece muito mais às regras da teoria do caos do que às ações
programadas. Daqui a um ano, o cenário econômico poderá ser o seguinte:
* economia estagnada, enfrentando o tsunami monetário;
* base política fragmentada;
* velha mídia partindo para o terceiro tempo da guerra;
* uma multidão de políticos ressentidos, achando ter chegado o momento da forra.
Dilma
entra na nova batalha com a energia de um grande comandante. Esses
momentos são cruciais para montar as estratégias para quando a guerra
começar.
O pragmatismo político de FHC e de Lula são boas lições a serem seguidas.
PT
entra para a "oposição sem rumo e fraquinha". De acordo com a Folha de
São Paulo agora só existe oposição, a situação acabou. É de chorar de
tanto rir!
Presidenta,
no final o que interessa é o apoio do povo brasileiro e isso a senhora
tem. Esses políticos, como todos os outros que foram contra Lula, cairão
no ostracismo
*aposentadoinvocado
Como a ultra-direita ameaça a Europa
Por Pavol Stracansky, da Agência IPS, no sítio Outras Palavras:
Poucos dias depois de um ataque a bomba contra um hotel da capital da
República Checa, aparentemente com caráter racista, analistas e
ativistas alertaram sobre as campanhas terroristas de organizações
neonazis, que recebem apoio de movimentos de extrema direita de outros
países.
Organizações extremistas de países como a Alemanha, Itália e Rússia
oferecem aos movimentos checos orientação ideológica e operacional, além
de oferecer apoio em ações de violência racial e estratégias para
reunir apoio de setores sociais.
Por Ana Rita Marini, no sítio do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC):
Nas democracias modernas, onde há uma efetiva preocupação com a
legitimidade dos governos - e a ação política destes é pautada pelo
interesse público -, cada vez mais os cidadãos são chamados a participar
da tomada de decisões no planejamento a curto, médio e longo prazo,
para que haja uma aplicação correta dos recursos públicos. Mas como a
sociedade vai usar esses recursos que ela mesmo destina para serem
utilizados em prol de todos?
No Brasil, a falta de pluralidade e diversidade constatadas na mídia
esvazia a dimensão pública dos meios de comunicação. Um conjunto de
regras que poderá garantir a democratização dos meios está para ser
criado - e precisará organizar uma arquitetura institucional
democrática.
A parceira do jornal Folha de S. Paulo com a direita brasileira não
nasceu com o PSDB. Emprestando carros aos agentes da ditadura militar, a
Folha consolidou sua boa imagem junto aos setores mais conservadores do
país. Mais tarde, o mesmo jornal chamou a mesma ditadura de
“ditabranda”. O velho regime acabou e o PSDB, cuja maioria dos atuais
membros atuava na oposição institucionalizada à ditadura, virou o maior
partido de direita do país. Nas últimas eleições, o apoio da Folha aos
candidatos do PSDB só não foi mais aberto do que seus ataques aos
opositores. Essa amizade ganhou mais um tenro capítulo na última semana,
com a estreia da Folha em uma emissora televisão que deveria ser
pública, mas foi absolutamente aparelhada pelos governos tucanos em São
Paulo.
A televisão brasileira, com raras exceções, é um deserto de
criatividade. Aos domingos a situação piora. Para a maioria dos
telespectadores resta o encontro com Faustão, Gugu, Silvio Santos e
assemelhados.
Domingo, 10 hs da manhã. Tomo o café da manhã lendo a Folha de S. Paulo –
o impresso. Nesta edição, o destaque é para a estreia da Folha na TV.
Um espaço alugado, emprestado, compartilhado no horário mais nobre do
domingo na programação da TV Cultura – emissora pública do Estado de São
Paulo. Ou, infelizmente, não tão pública.
Publiquei aqui uma crítica ao necrológio que Merval, o Imortal, Pereira fez ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.
Mal sabia que o Jornal Nacional iria adiante, faria ainda mais pelo
homem que esteve à frente da CBF por razões que sabemos, lá permaneceu
por 23 anos, por essas mesmas razões, e agora sai para "tratamento de
saúde", e todos nós sabemos de que saúde se trata.
Nunca entendi direito o porquê dos tradutores terem colocado o título de
O Poderoso Chefão na obra-prima de Francis Ford Coppola chamada,
originalmente, The Godfather (O Padrinho).
Ao assistir ao Jornal Nacional desta segunda (12), minha dúvida terminou.
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) reconheceu,
por meio de nota, que a cobrança de direitos autorais sobre blogues que
exibem vídeos do You Tube foi um “erro de interpretação operacional” e
está suspensa. O Ecad ainda afirma que a cobrança foi um fato isolado e
que “nunca teve a intenção de cercear a liberdade na internet,
reconhecidamente um espaço voltado à informação, à difusão de músicas e
demais obras criativas e à propagação de idéias”.
O comentarista de política da TV Bandeirantes Fabio Pannunzio, sobrinho
do deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), enervou-se com
cobrança que lhe fiz por ele ter escrito em seu blog que o seu desafeto
Paulo Henrique Amorim, que o processa por calúnia e difamação, seria
“chefe da claque governista na internet”.