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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, março 24, 2012

Medíocres e perigosos


 

O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas só têm utilidade para ele. Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados. E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.
Para ele, tudo o que é diferente tem potencial de destruição
Como tem medo de tudo, vive amargurado, lamentando que jamais estenderam um tapete à sua passagem. Conserva uma vida medíocre, ele e suas concepções e nojos do mundo que o cerca. Como tem medo, não anda na rua com receio de alguém levar muito do pouco que tem (nem sempre o reacionário é um quatrocentão). Por isso, só frequenta lugares em que se sente seguro, onde ninguém vai ameaçar, desobedecer ou contradizer suas verdades. Nem dizer que precisa relaxar, levar as coisas menos a sério ou ver graça na leveza das coisas. O reacionário leva a sério a ideia de que é um vencedor.
A maioria passou a vida toda tendo tudo aos alcance – da empregada que esquentava o leite no copo favorito aos pais que viam uma obra de arte em cada rabisco em folha de sulfite que ele fazia – cultivou uma dificuldade doentia em se ver num mundo de aptidões diversas. Outros cresceram em meios mais abastados – e bastou angariar postos na escala social para cuspir nos hábitos de colegas de velhos andares. Quem não chegou onde chegaram – sozinhos, frise-se – não merece respeito.
Rico, ex-pobre e falidos, não importa: o reacionário ideial enxerga em tudo o que é diferente um potencial de destruição Por isso se tranca e pede para não ser perturbado no próprio mundo. Porque tudo perturba: o presidente da República quer seu voto e seus impostos; os parlamentares querem fazê-lo de otário; os juízes estão doidos para tirar os direitos acumulados; a universidade é financiada (por ele, lógico) para propagar ideias absurdas sobre ideais que despreza; o vizinho está sempre de olho na sua esposa, em seu carro, em sua piscina. Mesmo os cadeados, portões de aço, sistemas de monitoramento, paredes e vidros anti-bala não angariam de todo a sua confiança. O mundo está cheio de presidiários com indulto debaixo do braço para visitar seus familiares e ameaçar os nossos (porque os nossos nunca vão presos, mesmo quando botam fogo em índios, mendigos, prostitutas e ciclistas; índios, mendigos, prostitutas e ciclistas estão aí para isso, quem mandou sair de casa e poluir nosso caminho de volta ao lar).
Como não conhece o mundo afora, a não ser nas viagens programadas em pacotes que garantem o translado até o hotel, e despreza as ideias que não são suas (aquelas que recebeu de pronto dos pais e o ensinaram a trabalhar, vencer e selecionar o que é útil e o que é supérfluo), tudo o que é novo soa ameaçador. O mundo muda, mas ele não: ele não sabe que é infeliz porque para ele só o que não é ele, e os seus, são lamentáveis.


 
Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende, na marra, o conceito de família. Às vezes vai à igreja e pede paz, amor, saúde aos seus. Aos seus. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita. O índice de infarto entre os reacionários é maior quando o filho traz uma camisa do Che Guevara para casa ou a filha começa a ouvir axé e namorar o vocalista da banda (se ele for negro o infarto é fulminante).


 
Mas a vida é repleta de frestas, e o tempo todo estamos testando as mais firmes das convicções. Mas ele não quer testá-las: quer mantê-las. Por isso as mudanças lhe causam urticárias.
Nos anos 70, vivia com medo dos hippies que ousavam dizer que o amor não precisava de amarras. Eram vagabundos e irresponsáveis, pensava ele, em sua sobriedade.
Depois vieram os punks, os excluídos de aglomerações urbanas desajeitadas, os militantes a pedir o alargamento das liberdades civis e sociais. Para o reacionário, nada daquilo faz sentido, porque ninguém estudou como ele, ninguém acumulou bens e verdades como ele e, portanto, seria muito injusto que ele e o garçom (que ele adora chamar de incompetente) tivessem o mesmo peso numa urna, o mesmo direito num guichê de aeroporto, o mesmo assento na mesa de fast food.
Para não dividir espaços cativos, frutos de séculos de exclusão que ele não reconhece, eleva o tom sobre tudo o que está errado. Sabendo de seus medos e planos de papel, revistas, rádios, televisão, padres, pastores e professores fazem a festa: basta colocar uma chamada alarmista (“Por que você trabalha tanto e o País cresce tão pouco?”) ou música de suspense nas cenas de violência (descontrolada!) na tevê para que ele se trema todo e se prepare para o Armagedoon. Como bicho assustado, volta para a caixinha e fica mirabolando planos para garantir mais segurança aos seus. Tudo o que vê, lê e ouve o convence de que tudo é um perigo, tudo é decadente, tudo é importante, tudo é indigno. Por isso não se deve medir esforços para defender suas conquistas morais e materiais.
E ele só se sente seguro quando imagina que pode eliminar o outro.
Primeiro, pelo discurso. No começo, diz que não gosta desse povinho que veio ao seu estado rico tirar espaço dos seus. Vive lembrando que trabalha mais e paga mais impostos que a massa que agora agora quer construir casas em seu bairro, frequentar os clubes e shoppings antes só repletos de suas réplicas. Para ele, qualquer barberagem no trânsito é coisa da maldita inclusão, aqueles bárbaros que hoje tiram carta de habilitação e ainda penduram diplomas universitários nas paredes. No tempo dele, sim, é que era bom: a escola pública funcionava (para ele), o policial não se corrompia (sobre ele), o político não loteava a administração (não com pessoas que não eram ele).

 
Há que se entender a dor do sujeito. Ele recebeu um mundo pronto, mas que não estava acabado. E as coisas mudaram, apesar de seu esforço e sua indignação.
O reacionário vive com medo. Mas não é inofensivo. Foto: Galeria de GorillaSushi/Flickr
Ele não sabe, mas basta ter dois neurônios para rebater com um sopro qualquer ideia que ele tenha sobre os problemas e soluções para o mundo – que está, mas ele não vê, muito além de um simples umbigo. Mas o reacionário não ouve: os ignorantes são os outros: os gays que colocam em risco a continuidade da espécie, as vagabundas que já não respeitam a ordem dos pais e maridos, os estudantes que pedem a extensão de direitos (e não sabem como é duro pegar na enxada), os maconheiros que não estão necessariamente a fim de contribuir para o progresso da nação, os sem-terra que não querem trabalhar, o governante que agora vem com esse papo de distribuir esmola, combater preconceitos inexistentes (“nada contra, mas eles que se livrem da própria herança”), os países vizinhos que mandam rebas para emporcalhar suas ruas.
O mundo ideal, para o reacionário, é um mundo estático: no fundo, ele não se importa em pagar impostos, desde que não o incomodem. Como muitos não o levam a sério, os reacionários se agrupam. Lotam restaurantes, condomínios e associações de bairro com seus pares, e passam a praguejar contra tudo.

 
Quando as queixas não são mais suficientes, eles juntam as suas solidões e ódio à coletividade (ironia) e se organizam. Juntos, eles identificam e escolhem os porta-vozes de suas paúras em debates nacionais. Seus representantes, sabendo como agradar à plateia, são eleitos como guardiões na moralidade. Sobem a tribunas para condenar a perversidão, o aborto, a bebida alcoolica, a vida ao ar livre, as roupas nas escolas. Às vezes são hilários, às vezes incomodam.
Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende o conceito de família. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita
Mas, quando o reacionário se vê como uma voz inexpressiva entre os grupos que deveriam representá-lo, bota para fora sua paranóia e pragueja contra o sistema democrático (às vezes com o argumento de que o sistema é antidemocrático). E se arma. Como o caldo cultural legitima seu discurso e sua paranoia, ele passa a defender crimes para evitar outros crimes – nos Estados Unidos, alvejam imigrantes na fronteira, na Europa, arrebentam árabes e latinos, na Candelária, encomendam chacinas e, em QGs anônimos, planejam ataques contra universitários de Brasília que propagam imoralidades.

 
O reacionário, no fim, não é patrimônio nacional: é um cidadão do mundo. Seu nome é legião porque são muitos. Pode até ser fraco e viver com medo de tudo. Mas nunca foi inofensivo.

 
Matheus Pichonelli, CartaCapital
*Oterrordonordeste

Charge do Dia

Alckmin quer regularizar a grilagem

Por Altamiro Borges

Na quarta-feira passada (21), a oposição conseguiu obstruir a votação na Assembléia Legislativa de São Paulo do projeto de lei nº 687 que regulariza a posse das terras devolutas da 10ª Região Administrativa do Estado, que inclui o Pontal do Paranapanema. O projeto é de autoria do governo tucano de Geraldo Alckmin e favorece os latifundiários que grilaram as terras da região.

TV Globo perde 35% das tevês ligadas

Por Altamiro Borges

Ricardo Feltrin, editor do F5, o sítio de entretenimento da Folha, divulgou ontem dados impressionantes. Nos últimos 20 anos, a TV Globo teria perdido quase 35% de participação nas tevês ligadas na região metropolitana de São Paulo. “O F5 obteve dados inéditos de audiência da TV aberta no país, o mais extenso período já publicado sobre número de aparelhos ligados (o chamado ‘share’)”.

A força da greve geral em Portugal

Do sítio português O Diário:

A greve geral de 22 de Março de 2012 constitui um importante marco na luta dos trabalhadores portugueses contra o agravamento da exploração, pela segurança e estabilidade no emprego, por um salário justo. Um importante marco na luta contra a arbitrariedade patronal, contra a violenta e antidemocrática ofensiva que as troikas - nacional e estrangeira - desencadearam no sentido da destruição de direitos individuais e colectivos duramente conquistados.

Um polícia corajoso



  
 
Ainda bem que temos polícias corajosos a defenderem-nos dos bandidos, o polícia da imagem bem merece uma medalha, é peciso muita coragem para cerrar os dentes, fazer cara de mau e bater numa mulher com as mãos cheias de máquinas fotográficas que lhe permitem ganhar o pão e que por isso tudo faz para evitar que caiam ao chão.
   
É uma pena que polícias tão corajosos estejam a fazer serviços tão comuns, é de homens corajosos como este que a PSP precisa nos bairros problemáticos, aí sim a sua coragem seria bem apreciada.
  
Ainda por cima este "pitbull" é idiota, ao bater desta forma numa jornalista como se o disparo fosse perigoso para a sua integridade física passou para o mundo a imagem de um Portugal parecido à Grécia, tudo o que o governo não quer. Já que o director nacional da PSP ainda não foi demitido, algo que já deveria ter sucedido, deveria chamar este agente e transformá-lo em seu segurança pessoal. Polícias destes já não há muitos, a PSP é cada vez mais exigente na admissão e quando admite cães costuma verificar se têm quatro patas.
*Jumento

Delírio? - ‘Comunismo não funciona em Cuba’, afirma papa

 


A caminho do México, Bento XVI diz que Igreja pode ajudar ilha a adotar novo modelo

Voluntários preparam cordão de isolamento em León, no México, horas antes da chegada do papa  - Mario Guzmán/Efe
Mario Guzmán/Efe
Voluntários preparam cordão de isolamento em León, no México, horas antes da chegada do papa

No avião que o levou de Roma para a visita de cinco dias ao México e a Cuba, o papa Bento XVI disse que o comunismo já não funciona na ilha e que a Igreja está disposta a ajudar o governo local a encontrar um novo modelo sem “trauma”.


“Hoje, é evidente que a ideologia marxista, na forma em que foi concebida, já não corresponde à realidade”, disse o líder católico, respondendo à pergunta de um jornalista. “Dessa forma, já não podemos construir uma sociedade. Novos modelos devem ser encontrados, com paciência e de forma construtiva.”

O pontífice, que deve chegar à ilha após três dias de visita ao México, fez um apelo pela liberdade de pensamento e de culto em Cuba, sob o regime comunista há mais de 50 anos. Ele também ofereceu ajuda da Igreja para uma transição pacífica. “Queremos contribuir em um diálogo espiritual para evitar traumas e ajudar a avançar até uma sociedade que seja fraternal e justa.”

Seus comentários provocaram uma resposta cautelosa do governo cubano. “Escutaremos com todo o respeito à Sua Santidade”, disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, em uma entrevista coletiva em Havana. “Respeitamos todas as opiniões. Consideramos útil o intercâmbio de ideias. O governo cubano se esforça para fazer da visita de Sua Santidade um acontecimento memorável e um êxito pleno.”

Rodríguez também afirmou que o projeto social cubano é “democrático, escolhido genuinamente e se encontra em constante aperfeiçoamento”.

Os comentários de Bento XVI sobre o comunismo foram mais diretos e críticos que os de seu predecessor, João Paulo II, feitos durante sua histórica visita a Cuba, em 1998. Essa viagem acelerou o processo de reconciliação entre a Igreja Católica e os líderes comunistas cubanos. Mas a instituição religiosa e o governo da ilha ainda estão em desacordo sobre temas como o uso dos meios de comunicação e a educação religiosa.

Ao ser questionado se falaria sobre temas de direitos humanos em Cuba, o papa respondeu: “É óbvio que a Igreja sempre está do lado da liberdade”.

Reações.[ ] [/ ]Os cubanos reagiram de forma bem diversa às declarações do papa. Elizardo Sánchez, porta-voz da ilegal, mas tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos, disse que a declaração do papa confirma sua “boa vontade” a respeito da situação na ilha, mas não tem grandes esperanças com a visita.

“Duvido muito que essa visita tenha algum impacto nos temas de direitos humanos e democracia para os cubanos. O problema em Cuba não é o marxismo. Ao governo falta a vontade de fazer as mudanças políticas modernizadoras de que o país necessita.”

Para Wilfredo Ramos, de 53 anos, empregado de uma cafeteria na Província de Camaguey, a mais de 500 quilômetros de Havana, “é possível que o papa não esteja inteirado de todas as reformas que estão se realizando no país. Aqui, tudo o que se quer vender, pode-se vender. Há liberdade”, afirmou.

Mas o estudante Germaine Cruzada não se diz satisfeito. “É preciso haver mudanças, porque na verdade o comunismo não está funcionando mais.”

Na semana passada, o Vaticano voltou a condenar o embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba, classificando-o como inútil e prejudicial. Também disse que o papa estará “disponível” caso Fidel Castro queira se reunir com ele. 
*MilitânciaViva

Amazônia Tóxica / Toxic Amazon (2012)



Para certos grupos econômicos e políticos no Brasil, o assassinato é ainda a melhor forma de se resolver seus problemas.
José Cláudio Ribeiro era um ativista que defendia a floresta da qual tirava seu sustento através do extrativismo da castanha. Ele e sua mulher foram brutalmente assassinados. Seus inimigos: os latifundiários, que conseguiram por fim a uma das principais lideranças sociais da região de Marabá, no Pará. Mas conseguiram acabar com o movimento contra esse modelo de exploração da Selva?
A Floresta Amazônica resistirá até que se perceba que a biodiversidade pode gerar mais benefícios que a pecuária?(Docverdade)

Documentário que todos os brasileiros deveriam ver e que a mídia nacional jamais vai querer comentar...

Agradecimentos a Bruna Lazarini pela sugestão.
*DocVerdade

Alckmin acaba com aulas de reforço na rede paulista de ensino

Educadores criticam mudança do sistema, que segundo governo passará a ser adotada já neste ano letivo


A Secretaria da Educação decidiu abandonar o reforço dado a alunos com dificuldades de aprender o conteúdo das aulas na rede paulista.

Esse reforço era previsto desde 1997. Ocorria durante o ano letivo num período diferente das aulas regulares – quem estudava de manhã tinha ajuda extra à tarde e vice-versa. Os estudantes assistiam de duas a três aulas extras semanais, ministradas por professores da própria rede.
Agora, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) quer atender esses alunos com dificuldade colocando mais um professor na sala para acompanhá-los nas aulas regulares, ou seja, no mesmo momento em que as matérias são ensinadas.
As aulas de reforço são um dos pilares do sistema de ciclos, em que não há reprovação a cada série. A ideia é que o aluno pode superar a defasagem de conteúdo sem que precise refazer um ano todo – as aulas de recuperação de fim de ano, por exemplo, foram abandonadas quando o sistema de ciclos foi adotado.
Sem profissionais
A medida que acaba com as aulas de reforço durante o ano letivo é anunciada em meio a uma crise de falta de professores – nos últimos meses, o governo chegou a chamar para dar aula até docentes reprovados no teste de admissão.
“O pano de fundo é a falta de investimento, pois a recuperação exigia mais salas e professores”, diz Maria Márcia Malavazi, coordenadora de pedagogia da Unicamp.
Professores da capital, Campinas e Ribeirão Preto disseram que o motivo alegado pelos diretores para a mudança é a falta de educadores para a recuperação extra justamente por causa do projeto do segundo docente.

O plano de colocar dois professores em sala de aula para acabar com as aulas extras de reforço será aplicado apenas em salas grandes.

Isso quer dizer que, se o aluno estiver numa sala menor e tiver dificuldades, ficará sem nenhum apoio extra.

O segundo professor atuará em turmas com 25 alunos ou mais nos primeiros anos do ensino fundamental; 30 nos anos finais; e 40 no ensino médio. O governo diz que, nas demais, o reforço deverá ser feito pelos docentes titulares durante aulas regulares.

A Secretaria da Educação não informou o universo de turmas nessa situação.

Segundo o governo, a chamada recuperação paralela contava com “baixa frequência”. O governo, porém, não deu dados sobre a frequência.

“O fim do reforço desconsidera que há quem precise ficar mais tempo na escola”, diz Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP.
*Limpinhocheiroso

30% da jogatina de Cachoeira para a caixinha de Demóstenes

 

Por Leandro Fortes da Carta Capital:
...
Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas...
...
Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.
Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo...
Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado no centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.
...
A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira. Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.  (A reportagem completa está aqui)
Comento:

Agora está explicado porque o jornal "O Globo" publicou a notícia "Demóstenes pediu dinheiro a Carlinhos Cachoeira".

Sabendo que a situação do senador é indefensável, é bem mais suave noticiar o pedido de R$ 3 mil para pagar taxi-aéreo do que a notícia da "caixinha" de 30% da jogatina.
*osamigosdopresidentelula

Que está por trás dos movimentos anti-aborto?

 

 

Manifestantes que se apresentam como católicos e são contrários ao aborto retomaram a distribuição do famoso panfleto originalmente distribuído nas eleições de 2010 – e recolhido pela Polícia Federal em pleno segundo turno - no qual se recomenda que os brasileiros "deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto". Claro, o folheto também critica o PT e Dilma Rousseff, à época, candidata à presidência.
Os cerca de 1 milhão de panfletos, apreendidos no auge da campanha eleitoral, foram liberados pela Justiça no ano passado. Assinados pela Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que atua no Estado de São Paulo, tem entre os seus enfáticos apoiadores dom Luiz Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos. Durante as eleições, o religioso foi uma figura ativa, recomendando seus fiéis a não votar em candidatos pró-aborto. A recomendação foi repetida pelo bispo, ontem, em uma manifestação com uma centena de pessoas em frente à catedral da Sé, em São Paulo.
Em nota ele afirma: "Nos atribuíram a 'mentira' de Dilma Vana Rousseff e o PT serem a favor da liberação do aborto. Provamos que o PT e Dilma Rousseff eram e continuam sendo a favor da liberação do aborto". Entre os fiéis que engrossavam o movimento, claro, constavam membros do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que se inspira nos preceitos da entidade de extrema-direita Tradição, Família e Propriedade, a velha e conhecida TFP.
"Menos pior"
Era possível ler nos cartazes ali empunhados dizeres como "Fora Assassina Ministra Eleonora Menicucci (chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres)”, conhecida por sua posição a favor da descriminalização do aborto. Um desenho de péssimo gosto ainda mostrava um bebê morto por uma estrela vermelha, símbolo do PT, e por uma foice e um martelo, símbolos do comunismo.
Para o autor do texto e coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, padre Berardo Graz, no entanto, a pré-candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) – católico atuante - lhe preocupa mais do que a de Fernando Haddad (PT), na disputa pela Prefeitura de São Paulo. “Ele é um oportunista porque quer os votos dos católicos para empurrá-los para decisões que não são conforme a nossa doutrina”, declarou. Já o pré-candidato José Serra (PSDB), seria, na sua concepção, a opção “menos pior”.
Quem financia esse movimento?
A propaganda anti-aborto é só um pretexto para a ex-TFP, uma organização fascista, ressurgir, agora, sob as asas e o patrocínio de setores reacionários da Igreja Católica. A pergunta que fica aqui é: quem a financia?
Vejamos. A quantia é expressiva. Estamos falando de cerca de um milhão de panfletos. A sua publicação foi, de fato, bancada pela regional sul da CNBB, pelo bispo de Guarulhos, pela ex-TFP? Ou será que estamos diante de algum partido e candidato que se esconde - de novo - detrás de setores da Igreja Católica para fazer propaganda contra o PT, contra candidatos como Chalita e a favor, de novo, como em 2010, de José Serra?
Foi o que um dos porta-vozes da pequena e insignificante manifestação não escondeu. Quando misturam a foice e o martelo com a estrela do PT nos seus cartazes não escondem o que pretendem. Querem, como em 1964, implantar um regime de intolerância e autoritário no país. Estão com saudades dos tempos em que a Igreja e o Estado eram uma única coisa e os bens públicos e da igreja idem, com poder de vida e morte sobre os cidadãos.
ZéDirceu
No Blog do Zé
*comtextolivre

Muitas verdades precisam deixar de ser ocultas

 

 do QTMD?
Mário Augusto Jakobskind(*)
Segundo as últimas informações, a Presidenta Dilma Rousseff está para anunciar os nomes dos sete integrantes da Comissão da Verdade, que terão a incumbência de realizar o trabalho de investigação das violações dos direitos humanos, sobretudo depois de abril de 1964.
Muitas verdades ainda estão ocultas e quem tem a revelação são civis e militares com culpa no cartório, ou seja, agentes do Estado ainda vivos, comprometidos até a medula com a repressão e o regime vigente naquele período.
Curió, Brilhante Ustra e outras figuras da ditadura seguem impunes até agora. O Ministério Público pretendia investigar Curió, responsável por crimes imprescritíveis relacionados com o desparecimento de combatentes da guerrilha do Araguaia, mas a Justiça no Pará recusou o pedido sob a alegaçaãp de sempre, ou seja, que está em vigor a Lei da Anistia.
Os mencionados e outros ainda vivos precisam ser investigados com rigor.
Mas as investigações não podem ficar resumidas a eles. Tem gente e grupos mais poderosos escondidos debaixo do tapete da história, como, por exemplo, empresários financiadores da repressão, grupos midiáticos comprometidos desde o início com o golpe civil militar que derrubou o presidente constitucional João Goulart e também a participação de professores de torturas, de nacionalidade estadunidense, contratados para ministrar in loco os seu know how, entre os quais Dan Mitrione.
Para o conhecimento verdadeiro do passado é preciso também ouvir o depoimento de testemunhas como o professor Moniz Bandeira, já mencionado neste espaço, que quando preso no Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) viu e ouviu a fala de agentes norte-americanos com sotaque carregado circulando livremente e instruindo torturadores.
É preciso deixar claro também que Curió, Brilhante Ustra, etc não são casos isolados ou desvios, como querem alguns, mas foram peças de engrenagem montada e ajeitada a partir de quebra constitucional de abril de 1964, a partir do primeiro general de plantão, Humberto de Alencar Castelo Branco.
Enfim, faço minhas as palavras do Deputado Chico Alencar -
“Brasileiro não tem memória, diz o senso comum. Entretanto, um povo só avança em civilização conhecendo sua própria história. Esquecer períodos é postura obscurantista e perigosa, quem não se recorda do passado corre o risco de revivê-lo”
*Mario Augusto Jakobskind é jornalista. Tem no “Quem tem medo da democracia?” um “Céu de Montevidéu“.
*GilsonSampaio
Abreu e Lima, herói da luta pela independência e união da América Latina

Leia em nosso site: Abreu e Lima, herói da luta pela independência e união da América Latina
Abreu e Lima, general brasileiro revolucionário que lutou junto com Simón BolívarJosé Inácio de Abreu e Lima nasceu no dia 6 de abril de 1794, no Recife, numa família de senhores de engenho. O futuro general de Bolívar veio ao mundo cinco anos após a Revolução Francesa, quando as suas ideias de liberdade, igualdade e fraternidade se espalhavam pelo mundo e tinham inspirado no Brasil a Conjuração Mineira, que ocorrera também em 1789, dando à nossa história o legendário mártir Tiradentes (A Verdade, nº 6 e 29).
Nas veias do menino corria sangue revolucionário. O do seu pai, José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como Padre Roma. É que ele foi realmente frade, graduou-se em teologia na Universidade de Coimbra, Portugal, e ordenou-se em Roma, mas por pouco tempo. Teve as ordens sacerdotais suspensas, por não seguir os cânones conservadores do Vaticano.
Participante ativo da Revolução Pernambucana de 1817, padre Roma foi enviado à Bahia para articular o levante anti-imperial naquele Estado. Preso em missão, foi executado três dias depois, sem delatar os companheiros nem os planos revolucionários. Uma tortura adicional: dois dos seus três filhos, Luís e José foram obriga- dos a assistir ao fuzilamento. José tinha então 23 anos e era um jovem capitão do Exército brasileiro. O fato não o abateu; pelo contrário, marcou-lhe o espírito revolucionário. Alguns anos depois viria a ser o bravo general bolivariano.

Na luta com Simón Bolívar

Dois anos depois do fuzilamento do genitor, Abreu e Lima abandonou o exército brasileiro e engajou-se nas tropas de Bolívar, na Venezuela. Bolívar lutava, não apenas pela independência ante o invasor espanhol, mas pela formação de uma grande nação latino-americana. Fruto de sua campanha, já se haviam unificado Colômbia, Venezuela e Equador, formando a Grã-Colômbia e a luta se estendia vitoriosa nos territórios do Peru e da Bolívia, avançando pelo Chile e pela Argentina.
Em pouco tempo o jovem oficial brasileiro destacou-se na guerra de libertação, assumiu postos de comando e foi responsável pela vitória em várias batalhas, recebendo a patente de coronel em janeiro de 1824. Conflitos internos, que resvalaram para ataques pessoais levaram Abreu e Lima a sofrer uma suspensão do exército libertador e ao cumprimento de pena de detenção por seis meses. Reabilitado, integrou o círculo de oficiais mais próximos e leais a Bolívar, de quem recebeu a patente de general.
Divergiam de Bolívar líderes nacionais, que defendiam a consolidação isolada de cada nação e consideravam um sonho impossível, tornando-se um desperdício de energia a ideia de integração continental. Francisco de Paula Santander, da Colômbia, foi inicialmente o defensor dessa pro- posta, que se alastrou para os outros países libertados, com José Antônio Paez, na Venezuela; Agostin Guerra, na Bolívia; José Lamar, no Peru. O ideal unitário bolivariano se despedaçava.
Bolívar ainda tentou, com os poucos oficiais que permaneciam do seu lado, entre os quais Abreu e Lima, defender a Grã-Colômbia. Houve forte luta interna, com muitas perdas, entre aqueles que pouco antes estavam irmanados na guerra contra o invasor espanhol. Simón Bolívar resolveu partir para o exílio, organizando a retirada até o litoral com os oficiais que continuavam do seu lado, ocasião em que nomeou Abreu e Lima, general e um dos comandantes da operação. Esta não chegou ao seu termo, porque no dia 17 de dezembro de 1830, o Grande Libertador falecia, vitimado pela tuberculose.
Os oficiais bolivarianos divulgaram a seguir um comunicado em que se manifestaram “dispostos a morrer para garantir a última vontade do Libertador” e faziam apelo no mesmo sentido aos “companheiros do Exército da Grã-Colômbia”. Mesmo esse grupo, entretanto, não sustentou por muito tempo a unidade. Tendo assumido o comando, o general Luque expulsou os bolivarianos autênticos. Abreu e Lima foi para os Estados Unidos em setembro de 1831 e retornou no mesmo ano ao Brasil.

Monarquista, pela unidade nacional, e homem das massas

Surpreendentemente, não se alinhou aos republicanos. Considerava- os elitistas e acreditava que o fim da monarquia poria fim à unidade do país. Radicado no Rio de Janeiro, dedicou-se ao estudo da História do Brasil e travou apaixonadas polêmicas pela imprensa, com destaque para a travada com o famoso escriba republicano Evaristo da Veiga. Este negava qualquer valor a Abreu e Lima e o chamava pejorativamente de “general das massas”. A este epíteto, o general de Bolívar respondeu: “Com efeito a minha causa está afeta ao povo; é às massas para quem apelo, porque eu sou parte delas; sou membro desse todo a quem desprezais a cada instante e a quem tendes chamado vil canalha”.

Preso como articulador da Revolução Praieira

Tendo retornado para o Recife em 1844, Abreu e Lima filiou-se ao Partido Liberal, denominado praieiro porque a sua ala mais radical editava um jornal com sede na Rua da Praia, denominado Diário Novo, em contraposição ao Diário de Pernambuco, chamado “Diário Velho”, por ser porta-voz do conservadorismo. O jornal era impresso na gráfica do seu irmão, Luís Inácio Ribeiro Roma, ativo militante praieiro, que morreu durante a Revolução. Abreu e Lima escrevia nesse jornal, sempre dando notícias e fazendo comentários sobre os demais países latino-americanos e propugnando pela unidade continental. Por desavenças familiares, depois resolvidas, passou a editar seu próprio jornal, quase um boletim, denominado Barca de São Pedro.
Recife continuava sendo um centro irradiador de mercadorias e de ideias para todo o Nordeste e aí é que chegavam primeiro as notícias e obras produzidas na Europa. O comércio, dominado por estrangeiros, especialmente ingleses e portugueses. No meio intelectual predominava o liberalismo radical e começavam a se disseminar ideias socialistas, do socialismo utópico, trazidas pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier, adepto de Fourier.
Nacionalismo e socialismo utópico se juntaram e foram o motor da Revolução Praieira, desencadeada no dia 7 de novembro de 1848, dia do aniversário da Sabinada, luta pela independência travada na Bahia no ano de 1837. O Manifesto da Praieira propugnava o fim do latifúndio, da escravidão, a nacionalização do comércio e trabalho digno para todos. Derrotados os revoltosos, centenas de liberais, radicais ou moderados são presos, julgados e condenados. Abreu e Lima foi sentenciado à prisão perpétua e levado para a ilha de Fernando de Noronha. Não havia participado da Revolução, porém, e mantinha até uma certa distância dos revolucionários, o que conseguiu comprovar, sendo absolvido e liberado em junho de 1850.

Cidadania e socialismo

Saído do cárcere, voltou-se para os livros. Escrevia para os jornais, defendendo a ampliação do direito de voto, de direitos dos consumidores e contra a carestia. Sua análise da sociedade, levou-o à compreensão da luta de classes e à defesa do socialismo, de tipo utópico ou pré-marxista. No ano da praieira, 1848, Marx e Engels lançavam para o mundo o Manifesto Comunista, mas Abreu e Lima não faz referência a ele na sua obra O Socialismo. Fala de Babeux, Fourier, Saint-Simon e Owen.
Trechos que esclarecem a visão socialista de Abreu e Lima: “Que somos todos inimigos e rivais uns dos outros na proporção das nossas respectivas classes, não necessitamos de argumentos para prová-lo, basta que cada um dos que lerem este papel, seja qual for a sua condição, meta a mão na sua consciência”. “Em que consiste o socialismo? Na tendência do gênero humano para tornar-se uma só e imensa família”. E como se revela esta tendência? “Pelos fenômenos sociais, e eis aí porque chamamos socialismo a essa tendência visível, palpável, conhecida por sua marcha crescente e sempre progressiva desde os 15 primeiros séculos da História”.

Monumento ao herói na Venezuela

O general da libertação e unidade latino-americanas, faleceu em sua casa no dia 8 de março de 1869, aos 75 anos de idade. Não pôde ser sepultado em cemitério brasileiro, porque o bispo Francisco Cardoso Ayres não permitiu, alegando liberalismo religioso. Foi aceito, ironia histórica, no Cemitério dos Ingleses. Em seu túmulo, colocou-se a inscrição: “Aqui jaz o cidadão brasileiro José Ignácio de Abreu e Lima, propugnador esforçado da liberdade de consciência.”
Pouco lembrado no Brasil, mesmo em Pernambuco, a não ser pelo nome dado ao então distrito de Maricota, hoje cidade de Abreu e Lima, o nome do general bolivariano aparece com destaque no Monumento aos próceres, em Caracas, homenagem aos estrangeiros que contribuíram com a causa da independência.

O herói deve retornar ao solo pátrio

Exilado após a morte, o general das massas continua em solo estrangeiro. No ano passado o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi proibido de colocar um busto do herói no local. Urge resgatar os restos mortais de Abreu e Lima, para que descanse em solo pátrio. O Centro Cultural Manoel Lisboa e o Fórum Permanente da Anistia em Pernambuco estão realizando uma campanha pela repatriação do libertador bolivariano.
Luiz Alves
Obras consultadasAbreu e Lima, general de Bolívar, Chacon, Vamireh, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1983O Socialismo, General José Ignácio de Abreu e Lima, 2a edição, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979  
(Publicado no Jornal A Verdade, nº 32)
Más condições de vida favorecem o surgimento de transtornos mentais na população
Leia em nosso site: Más condições de vida favorecem o surgimento de transtornos mentais na população
Más condições de vida favorecem o surgimento de transtornos mentais na populaçãoA violência urbana e a falta de qualidade de vida favorecem o desenvolvimento de transtornos mentais na população, segundo a coordenadora do Núcleo Epidemiológico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Laura Helena Andrade. Para a pesquisadora, esses fatores são responsáveis pela prevalência de problemas como a ansiedade, depressão e uso de drogas em cerca de 30% dos paulistanos. O dado faz parte de uma pesquisa feita em consórcio com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Universidade de Harvard, publicada no mês passado.
O estudo conseguiu identificar grupos mais vulneráveis a esses transtornos, como os migrantes que moram nas regiões pobres da cidade. “A gente vê que os homens migrantes que vão para essas regiões têm mais risco de desenvolver quadros ansiosos, do que os que migram para as regiões com melhor condição”, ressaltou. “As mulheres que vivem nessas regiões mais remotas, que são chefes de família, têm mais risco de quadros ansiosos e quadros de controle de impulso”, completou.
As condições de vida dessa população fazem com que o Brasil tenha um número maior de afetados, cerca de 10%, do que outros países que participaram do estudo, além de uma ocorrência maior de casos moderados e graves. “Em segundo lugar vem os Estados Unidos, com menos de 7%, e em outros países é menos de 5%”, disse a pesquisadora.
Para Laura Andrade, as doenças são indicativos dos problemas sociais enfrentados pela população da periferia da capital paulista. “Essas pessoas que estão vindo para São Paulo, estão vindo para regiões mais violentas, estão mais expostas à violência. Então, acho que [elas] precisariam realmente ter políticas habitacionais. Tem que melhorar a qualidade de vida das pessoas. Melhorar a escolaridade, o ambiente onde elas vivem”, declarou.
Daniel Mello
Fonte: Agência Brasil
*Averdade

sexta-feira, março 23, 2012

Quem é o monstro? E quem é o antissemita?

 


Sarkozy acusou o suposto matador de quatro judeus de monstro.
Sim! Todo assassino é um monstro.
Mas, haverá alguém mais monstro que  Sarkozy o assassino de milhares de líbios?
E os líbios são semitas.
Haverá alguém mais monstro que Netanyahu, assassino de milhares de palestinos?
E os palestinos são semitas.
Haverá alguém mais monstro que Obama, assassino de milhares de iraquianos?
E os iraquianos são semitas.
Fica a pergunta.
Quem é o antissemita?
O suposto assassino de quatro judeus, que morreu com mais de 100 disparos e depois se “jogou pela janela?
Que foi liquidado sem julgamento?
Outra pergunta.
Quem saiu lucrando com as mortes das crianças?
Sarkozy.
Assim como também Bush, outro monstro, com o atentado às torres gêmeas.
A mídia precisa parar de insultar a nossa inteligência.
Que seja cúmplice desses governantes criminosos, assuma.
Porque a mídia não investiga o que aconteceu de fato?
Porque ocultou que as primeiras vitimas do suposto assassino eram muçulmanas?
Mais de mil policiais cercaram uma simples morada e não conseguiram prender vivo o suposto criminoso?
Porque o executaram?
E,por favor, não me venham com “cartas e vídeos” acusatórios.
Nós sabemos que isso pode ser “plantado”.
Repetindo a pergunta acima.
Quem é o antissemita?
Os palestinos são semitas.
Os líbios são semitas.
Os iraquianos são semitas.
E todos tiveram seus países invadidos e suas populações massacradas.
Isso não é antissemitismo?
A mídia tem todo o direito de tomar partido.
Mas não tem o direito de enganar seus leitores.
Durante a Inquisição, muçulmanos e judeus eram presos e torturados até que seus acusadores provassem sua inocência.
E naturalmente seus detratores não tinham o mínimo interesse em provar sua inocência já que quando as vitimas acabavam na fogueira, seus bens iam para os seus acusadores.
Qualquer semelhança com o Iraque, Líbia, Palestina, Afeganistão não é mera coincidência.
Quem é o monstro?
Quem é o antissemita?
Quem são o responsáveis pelos atentados?

Roda Viva Chico Anísio à 18 anos atrás

A nova caixa registradora das estradas estaduais 

Os liberais brasileiros que tanta estima demonstram pela propriedade privada, quando no poder nada mais fazem do que tirar proveito dela para encher os cofres públicos e remunerar seus consorciados do setor privado.
Esse é o caso do PSDB e sua sanha de onerar o uso do automóvel por meio daquilo que ficou conhecido como a indústria das multas.

A novidade agora é controlar a velocidade de veículos nas estradas, já pesadamente tarifadas do Estado de São Paulo, com os mesmo recursos utilizados pelas concessionárias de estradas para arrecadar numerário: os chips eletrônicos e os pontos de captura de informações sobre velocidade em cada uma das praças de pedágio.

Argumentam os furibundos coletores de receitas para-fiscais do Estado que a medida virá no sentido de proporcionar maior segurança ao usuário e reduzir o número de acidentes nas estradas, alegando sua adoção em algumas cidades europeias.

Nada mais falacioso. A incidência de acidentes nas estradas não está relacionada apenas à velocidade do veículo, mas também a um conjunto de condições desfavoráveis ao tráfego. A maioria delas fora do alcance dos motoristas e de inteira responsabilidade do ente estatal que construiu a via ou de seu operador, a empresa privada detentora da concessão.

É comum nas estradas paulistas o usuário deparar-se com gradientes de pistas mal concebidos, rampas com declives excessivos e ausência de vias de escape para emergências. Para não ir muito longe, o exemplo mais notório é o do trecho sul do rodoanel metropolitano de São Paulo,há pouco inaugurado.

Nessa via considerada de última geração, destinada principalmente a veículos de carga, curvas fechadas demais se mostram incompatíveis com a velocidade possível de ser desenvolvida nas pistas que lhe dão acesso; descidas excessivamente íngremes forçam frenagens em fundos de aterros destituídos de rotas escape; e a falta de sinalização e iluminação são uma constante.

A comparação com as estradas na Europa soam, nesse sentido, pura galhofa. As impecáveis auto-bhans  que ligam as principais cidades do velho mundo são estradas bem planejadas e bem assistidas por serviços complementares, onde é possível desenvolver com segurança velocidades superiores a 150 Km/h sem que passe pela cabeça de ninguém ir além do limite estipulado.

A macaquice encenada pelas autoridades rodoviárias estaduais incorre, também, numa impropriedade matemática. Como o cálculo para imputação da multa é baseado na velocidade média desenvolvida pelo veículo, nada impede que o motorista busque ganhar tempo em determinado trecho, praticando uma velocidade acima do permitido, para depois poder compensá-lo num restaurante de estrada a meio caminho.

Outro aspecto que deve ser levado em conta na nova prática diz respeito ao fato de que para viabilizá-la as concessionárias de rodovias deverão investir em equipamentos e remunerarem-se dessa despesa de capital com parcelas das multas impostas aos motoristas, o que oferece questionável fonte extraordinária de receitas. 

Melhor sopesados os argumetos brandidos pelos representantes do Estado, tudo indica que a ideia que se busca vender aos contribuintes do imposto sobre veículos automotores com ares de zelo administrativo, não passa de estratagema para aumentar o faturamento desses comensais corporativos do governo e sua cada vez mais evidente cunha para-fiscal.

Tudo isso ao preço de uma ilegalidade, pois o código nacional de trânsito não contempla a possibilidade de aplicação de multas com base em inferências matemáticas. De liberais assim o inferno está cheio. 
*Brasilquevai

Charge do Dia

Marta Suplicy comemora prisão de envolvidos em site que incitava ódio racial e homofobia


Agência Senado



A senadora Marta Suplicy (PT-SP) parabenizou nesta quinta-feira (22) a Polícia Federal, a Secretaria de Direitos Humanos e o grupo ABGLT pela prisão de incitadores do ódio e da homofobia na internet. Na Operação Intolerância, foram presos Emerson Eduardo Rodrigues, morador de Curitiba (PR), e Marcelo Valle Silveira, morador de Brasília (DF), sob a acusação de manterem um site com conteúdo discriminatório.

A existência da página havia sido denunciada por internautas brasileiros ao Ministério Púbico e também à ONG SaferNet, onde bateu o recorde de denúncias de cidadãos – foram quase 70 mil. A operação da PF incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências e nos locais de trabalhos dos envolvidos. Entre os conteúdos publicados pelos criminosos havia referências positivas ao atirador Wellington, que em 2011, matou vários alunos de uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

Marta Suplicy comemorou as prisões, dizendo esperar que os responsáveis pelo site passem “um belo tempo na cadeia”. A senadora reforçou a preocupação com a incitação à violência, lembrando que, há poucos dias, um atirador matou soldados muçulmanos, um rabino e três crianças judias em atentados na França.

Para Marta, os atentados são incitados também pela disputa política no país, que terá eleições presidenciais em 22 de abril. Na análise da senadora, o atual presidente francês e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, estaria se mostrado mais conservador, o que teria criado um clima contrário aos imigrantes. No Brasil, afirmou a senadora, ocorreu um movimento semelhante na eleição presidencial.

– Não queremos esse tipo de clima no nosso país. Nós somos e fomos e sempre espero que continuemos a ser um país onde as divergências não são resolvidas com golpes baixos, com incitamento, com pregação de ódio, porque isso não leva a uma construção de uma sociedade mais justa – afirmou.

Leia mais no post abaixo
*Onipresente

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração

Territórios livres 
Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.
Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso - como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado. É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no poder judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.
Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração, no caso de liberdade.

*esquerdopata

O dia em que um fotógrafo norte-americano comemorou o triunfo da revolução cubana

© Foto de Grey Villet. O fotógrafo norte-americano Burt Glinn comemorando com soldados cubanos o triunfo da revolução. Havana, 1959.
Esta fotografia feita por Grey Villet mostra o fotojornalista norte-americano Burt Glinn comemorando com soldados cubanos o triunfo da revolução. Em Janeiro de 1959, Fidel Castro e seus homens ocuparam Havana após a fuga do ditador Fulgêncio Baptista. Burt nasceu em 1925, em Pittsburgh (Pensilvânia), começou a trabalhar na Agência Magnum em 1951, que por duas vezes chefiou. Estudante de literatura em Harvard, ele serviu no Exército dos Estados Unidos entre 1943 e 1946 e começou a trabalhar com a Life Magazine em 1949 antes de ingressar na agência Magnum. Faleceu em 2008, aos 82 anos. Também é muito famosa a sua fotografia de Nikita Khruschev durante a visita deste, em 1959, ao Memorial de Lincoln em Washington.
*Images&visions

O governo e a classificação indicativa

Por Luana Luizy, no Observatório do Direito à Comunicação:

Educar e conscientizar a sociedade sobre a influência da mídia na formação das crianças e adolescentes é o objetivo da campanha ¨Não se Engane", lançada, junto com o Novo Guia Prático da Classificação Indicativa, na última segunda (19), pelo Ministério da Justiça.

Nazismo à brasileira

 

frança - terroristaOs dois potenciais terroristas presos na quinta-feira 22 pela Polícia Federal de Curitiba tinham planos, entre outros, de atacar estudantes do curso de Ciências Sociais da Universidade de Brasília. Isso porque aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias.
Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Vieira Mello (“ambos com mais de 30 anos”, segundo a assessoria da PF) pretendiam “atirar a esmo” também nos alunos a cursar faculdades de Direito e Comunicação. Os ataques se dariam em uma casa de eventos utilizada pelos alunos. Vieira Mello, diga-se, cursou Letras na UNB.
“As mensagens dizem que dariam um tratamento especial àquele ‘câncer’, fazendo referência aos estudantes, quando eles estivessem reunidos no local”, declarou o delegado Wagner Mesquita, da PF no Paraná, em entrevista ao portal Terra.
Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam um website hospedado na Malásia com conteúdo extremista. No silviokoerich.org faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores.
Como se dá com psicopatas, as ideias dois internautas extremistas são permeadas de contradições. Postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes, e, ao mesmo tempo, consideravam que os alunos de Ciências Sociais da UNB eram demasiado liberais no quesito sexualidade.
Rodrigues e Vieira Mello também não poupavam críticas a nordestinos.
Embora ofendessem a mineira Dilma, esse ranço contra o Nordeste é embasado no antigo preconceito contra Lula. Para conservadores, e por tabela extremistas, o sucesso do presidente mais popular do Brasil é certamente algo difícil de engolir. A Bolsa Família não passaria de uma ninharia para alimentar vagabundos. Houve, claro, o mensalão durante o primeiro mandato de Lula, e isso serve de munição para os conservadores e extremistas. Mas para entender governos anteriores aos de Lula seria recomendável ler A Privataria Tucana, de Amaury Jr.
De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Isso sem contar o inaudito reacionarismo. Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa nacionalista na “fascistofera” e na mídia canarinho.
Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos,  o conservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso neoconservador tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação. Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem à essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica, The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.
Qual a origem desse discurso nacionalista?
Em recente entrevista a CartaCapital, o historiador francês Nicolas Lebourg, da Universidade de Perpignan, disse que a atual narrativa de nacionalistas é uma reação à crise dupla que vivemos nesses tempos. A primeira foi aquela geopolítica de 11 de setembro de 2001. A segunda foi a econômica, iniciada em 2008.
A partir do 11 de Setembro, ideais neoconservadores (“neocons”) migraram para a Europa. “São baseados no seguinte quadro bastante simplista: o mundo livre seria o Ocidente, e do outro lado existe o Islã.” Essa narrativa substituiu aquela da Guerra Fria, quando o Ocidente lutava contra o totalitarismo soviético.
No Brasil, pelo menos por ora, extremistas como os dois detidos pela PF não parecem estar atrás de muçulmanos. A “luta” deles é contra os esquerdistas, e todos os outros males que a ideologia deles encapsula. Aqui os esquerdistas ainda são chamados de “comunistas”,  termo anacrônico mundo afora mas, apesar da globalização, ainda bastante utilizado. Basta moderar comentários no website da CartaCapital para descobrir que colunistas a exprimir posições favoráveis à reforma da Lei da Anistia ou à descriminalização do aborto são catalogados como comunistas.
Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Vieira Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.
Por: Gianni Carta, no CartaCapital
*OCarcará