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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, março 27, 2012

Dilma desembarca na Índia para reunião com países emergentes

A presidente Dilma Rousseff desembarcou em Nova Délhi, na Índia, na manhã desta terça-feira (27), para participar ao longo da semana de uma reunião das potências emergentes que compõem os Brics. Os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se reunirão na quinta-feira (29). Eles vão discutir a situação econômica em meio à crise internacional.

Dilma Rousseff recebeu vários cumprimentos no hotel ao chegar em Nova Délhi. Um dos principais pontos da visita é a proposta de criação de um banco dos Brics destinado a financiar investimentos e projetos de infraestrutura, informou o ministro de Indústria, Fernando Pimentel. Dilma terá também encontros bilaterais com cada um dos líderes fora da cúpula, na qual o Brasil chega como a sexta economia do planeta, depois de superar o Reino Unido.
*MilitânciaViva

A pobreza do Banco Mundial

Diz o New York Times: "Relatório revela: a pobreza extrema em queda apesar da crise global".

Estranho, não é? Não, não é, só é preciso perceber donde chega este relatório:do Banco Mundial, que anuncia "Novas estimativas revelam uma queda da extrema pobreza entre 2005 e 2010".

Notícia relançada pelo The Economist:pela primeira vez na História, o número dos pobres diminui em todos os lugares".

Então, a crise global afinal faz bem? Mais desgraçadas as economias, melhor a vida de todos? E todos os novos desempregados?

Seria bom se assim fosse. Mas não é.

É preciso observar bem o relatório do Banco Mundial e perceber algumas coisas.
Por exemplo:

1. Os números nada dizem sobre o impacto da recessão.
Os dados reais cobrem o período 1981 - 2008, provavelmente os dados que terminam em 2008 nem podem dizer alguma coisa sobre o impacto duma recessão que começou nos Estados Unidos no final desse mesmo ano. O relatório alude a uma "estimativa preliminar" para 2010. Reparem: estimativa preliminar. E com base nisso o banco afirma com convicção que em 2010 atingiu o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente a redução para metade do nível de pobreza. Nível de pobreza que o Banco fixa em 1.25 Dólares por dia.

Mas as estimativas preliminares são apenas isso: estimativas preliminares, não dados reais. São extrapoladas a partir de amostras significativamente menores. Portanto, os dados não podem apoiar a afirmação do Banco porque, mais uma vez, os dados reais terminam em 2008. E se ainda houvesse dúvidas, podem ler as anteriores estimativas do Banco Mundial, sempre com um invejável excesso de optimismo e sempre pouco confiáveis.

2. A China é a chave.
Entre 1981 e 2008, o declínio total das pessoas que vivem em "extrema pobreza", ou seja, aqueles que vivem com menos de 1,25 Dólares por dia, aconteceu inteiramente na China: aí, o total das pessoas muito pobres caiu 662 milhões. Mas no mesmo período, o número de pessoas que vivem com menos de 1,25 Dólares por dia fora da China aumentou 13 milhões e são agora 1.100 milhões . Isso mesmo: 1 bilião de pessoas que vive com menos de 1.25 Dólares por dia.

No mesmo período, um grande número de pessoas caíram na pobreza extrema no Sul da Ásia (interessante este dado, pois no Sul da Ásia temos a Índia, País em rápido crescimento) e na África sub-saariana. Portanto, o título mais correto seria: "Ao longo das últimas três décadas, de 1981 a 2008, a pobreza diminuiu na China, enquanto aumentou no resto do mundo". Mas com um título assim, o Banco Mundial fica mal.

3. 1.25 aqui, mas aí?
Acerca do último ponto: 1.25 Dólares por dia podem ser sobrevivência no Mali, mas em outros Países? Tomar como referência um valor monetário absoluto para determinar a pobreza a nível mundial faz pouco sentido. na África do Sul? Em Haiti? Em Portugal, só para fazer um exemplo muito banal, 1.25 Dólares significam 1 Euro, 30 Euro por mês. E Esta é pobreza, profunda pobreza. Nos mesmos Países em crescimento, como a China e a Índia, a quantidade de dinheiro necessária para manter um padrão digno de vida aumentou.

Tudo isso acaba invariavelmente na questão das políticas que existem "atrás" da pobreza.

1. Neoliberalismo e pobreza
O que escondem os dados que mostram um aumento da pobreza fora da China entre 1981 e 2005?
Este período coincidiu com o auge das políticas neoliberais em favor das corporações multinacionais na maioria dos Países. Não é um mero acaso. Os dados podem ser interpretados como uma confirmação da análise crítica do liberalismo: a onda do fundamentalismo do mercado tem ajudado a aumentar o número de pessoas que vivem na pobreza.

Além disso, estes dados revelam que em uma região, a África sub-saariana, a proporção de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza aumentou durante este período. No único País onde houve uma queda, a China, os gestores não têm implementado um cego neoliberalismo, mas combinaram a gestão estatal da economia com o desenvolvimento de determinados sectores.

2. Longe das ajudas

E os dados do período de 2005 a 2008, uma fase em que os dados mostram um declínio da pobreza em todas as regiões do mundo? Ao contrário de 1981-2005, foi um momento em que você foi concedida um pouco de folga na asfixiante politica neoliberista de origem americana e, além disso, o preço de algumas commodities aumentaram, o que permitiu que alguns Países pobres conseguissem reembolsar os empréstimos do Fundo Monetário Internacional e...do Banco Mundial.

Isso mesmo: a situação em alguns Países melhorou só quando foi conseguido um afastamento das armadilhas das instituições geridas pelo grandes bancos de Wall Street.

E mais não é preciso dizer.


Ipse dixit.
*Informaçãoincorrecta

Serra nega que tenha convidado papa Bento 16 para vice

Serra aplicou seu primeiro sermão como candidato: “Atire a primeira
bolinha de papel aquele que nunca pecou ou largou a prefeitura.”

Aparecida – Após dar três pulinhos para São Longuinho em agradecimento por ter vencido, enfim, uma eleição, José Serra prometeu fazer o trajeto até sua casa de joelhos. Percorreu dois metros e, esbaforido, pegou um táxi. “Era só uma promessazinha. Não registrei em nenhum cartório”, disse, fazendo o sinal da cruz.

Empolgado por ter conseguido 52% dos votos nas prévias do PSDB, Serra argumentou que o resultado deve ser encarado como uma resposta contundente e definitiva aos que o acusam de tergiversar em seu compromisso frente ao Palácio do Anhangabaú. “Se ninguém contesta quando venço com metade dos votos, por que reclamariam se dou meu trabalho por encerrado a meio caminho de cumprir o mandato integral?”, argumentou.

Serra prometeu assinar um documento no qual se comprometerá a não deixar a Prefeitura até pelo menos abril de 2014, “excluindo-se a Semana Santa e o Carnaval”. Caso permaneça na capital durante tais feriados, será permitido que desconte os dias, adiantando assim a renúncia para meados de abril, “ou finzinho de março, na eventualidade de abrir uma vaga no Banco Mundial, OEA, Otan, Unesco, FMI, Mercosul, CBF, diretoria do Palmeiras, Fiesp ou Big Brother Brasil”.
Um apêndice do documento atestará que, se porventura a presidenta Dilma renunciar, o vice-presidente Temer decidir mudar-se para Miami ou Piracicaba e o ex-presidente Lula ainda não estiver com a saúde inteiramente restabelecida para poder apoiar a candidatura de Edison Lobão à Presidência da República, Serra também se permitirá deixar a Prefeitura, “mas não antes de pelo menos 72 horas de dedicação integral às questões que afligem o cidadão paulistano”, assegurou.

Com um gesto solene, tomou um lápis e assinou o documento, não sem antes testar a eficácia da borrachinha na extremidade oposta do grafite.

Com uma hóstia na boca, o tucano explicou que decidirá, em breve, o nome de seu vice. “Gosto daquele rapaz do Vaticano, o João Paulo 2º. Ele é quase tão coroinha quanto eu.” Ao ser informado que João Paulo não era mais o papa, demonstrou surpresa: “Mudou?”, perguntou a assessores.

Após o vazamento da informação de que pretendia incorporar um papa a sua chapa, Serra apressou-se em negar que tenha convidado Bento 16: “Esse novo papa tem cara de petista”, despistou, enquanto prometia despoluir o Tietê com água benta.

Assustados com a quantidade de derrapadas nos discursos de José Serra, membros do PSDB tentam fechar alianças para diminuir o tempo de TV do candidato. “Estamos analisando a ideia de colocar o Silas Malafaia para dublá-lo”, explicou FHC.

Ditadura NUNCA

Cordão da Mentira desfila pelas ruas de São Paulo

 Abaixo a ditadura, ontem, hoje e sempre!


Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas, Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira
Será realizado neste domingo (1º), em São Paulo, o desfile do Cordão da Mentira. Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.
O desfile ocorrerá no Dia da Mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, na frente do Cemitério da Consolação.
Leia, a seguir, o manifesto das entidades que compõem o Cordão da Mentira:

MANIFESTO

“Quando vai acabar a ditadura civil-militar?”
Dizem que quando uma mentira é repetida exaustivamente, ela se torna verdade. Dizem também, que é como farsa que o presente repete o passado. Por isso, vamos "celebrar" a farsa, a mentira e sua repetição exaustiva.
No dia da mentira de 1964, ocorreu o golpe que instituiu a ditadura civil-militar. Dizem que ela acabou. Porém, a maior ilusão da história brasileira repete-se. A ditadura civil-militar se fortalece no golpe de Primeiro de abril 1964 e, até hoje, ninguém sabe quando vai acabar! Nós vamos celebrar.
No dia primeiro de abril, abram alas para o Cordão da Mentira!
Quando admitimos que os crimes do passado permaneçam impunes, abrimos precedentes para que eles sejam repetidos no presente. Com a roupagem indefectível da democracia, da constituição, do direito à livre manifestação, o Estado continua executando os seus inimigos e calando de uma forma ou de outra aqueles que pensam e atuam em favor da tolerância, em favor da utilização dos espaços públicos de maneira respeitosa e saudável. Em nome da manutenção da produção e do consumo ostensivo vivemos o estado de exceção como regra e o direito conquistado de ir às urnas acaba apenas legitimando o que é uma verdadeira licença para calar, reprimir, matar.

Afinal:

Quando vai acabar o massacre de pobres nas periferias?
Quando os corpos do passado serão encontrados e dignamente reconhecidos em suas lutas?
Quando as armas dos militares deixarão de ser o signo do extermínio?
Até quando o dinheiro de poucos financiará o silêncio de muitos?
Até quando ouviremos o ronco dos Caveirões, Fumanchús e das Kombis genocidas?
Lembremos Pinheirinho, Eldorado do Carajás, Araguaia e as Ligas Camponesas! Casos que podem ser vistos como exemplos históricos do nosso tempo para a compreensão do processo pelo qual o Estado colocou a especulação imobiliária, a propriedade privada e a lucratividade acima da vida. Nada pode ser mais valorizado do que a vida. Somente um Estado calcado em mentiras pode favorecer essa inversão de valores.
Lembremos Mariguela, Pato N´Água, Herzog e os 492 executados em São Paulo em Maio de 2006! Personlidades anônimas ou conhecidas exterminadas pelas práticas autoritárias que resolvem suas contradições à bala.
Hoje, uma simples Comissão da Verdade - que apenas pretende investigar a história - levanta os fantasmas do passado, ocultos nas sombras da Lei de Anistia. Façamos então um Cordão da Mentira! Celebremos com a força dos batuques a farsa que une presente, passado e futuro.
Vivamos nossa balela! Enquanto isso, ditadores são julgados e condenados por seus crimes em terras argentinas, chilenas e uruguaias. Falemos outra língua: a gramática do engodo com o sotaque do esquecimento. Entremos na contramão da História!
Risquemos da memória que alguém pagou pra ver até o bico espumar no choque agudo das genitálias! Exaltemos os gozos pervertidos de empresas e seus braços armados, irmãos de sangue do torturado. Lembremos as mãos limpas que aplaudem as sessões de sofrimento. Pois o que vale é a fábula da tradição, assassina de famílias, com a maior propriedade!
Povoemos os porões do imaginário, com tudo aquilo que a ditadura encarcerou na sua cultura! Levemos pra lá o samba dos cordões, as imagens censuradas, as bocas amordaçadas. Fantasiemos as ruas com seus símbolos de opressão! Enganemos a todos com as farsas de nossa História!
Neste Primeiro de Abril, façamos a Mentira responder: Quando vai acabar a ditadura civil-militar?
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Grupos que apoiam o Cordão:

- Bloco Carnavalesco João Capota Na Alves
- Buraco d'Oráculo
- Cia. Estável de Teatro
- Coletivo Dolores Boca Aberta
- Coletivo Merlino
- Coletivo Os Aparecidos Políticos
- Coletivo Político Quem
- Coletivo Zagaia
- Comboio
- Comitê Paulista de Verdade Memória e Justiça
- Engenho Teatral
- Estudo de Cena
- Grupo Folias
- Grupo Tortura Nunca Mais/SP
- Kiwi Companhia de Teatro
- Luta Popular
- Mães de Maio
- Ocupa Sampa
- Projeto Nosso Samba de Osasco
- Rua do Samba Paulista
- Samba Autêntico
- Sarau do Binho
- Sarau da Vila Fundão
- Tanq_ ROSA Choq_
- Tribunal Popular
*Cappacete

Charge e foto do Dia

Pedro Taques chama Demostenes Torres e Roberto Gurgel 'na chincha' @Demostenes




http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/

O senador Pedro Taques (PDT/MT) cobra do senador Demóstenes Torres (DEM/GO) esclarecimentos sobre seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Taques cobrou também do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, a abertura do inquérito judicial, desengavetando as investigações contra Demóstenes.
*Ajusticeiradeesquerda

Ratos abandonam navio Demóstenes

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Há anos que Demóstenes “30%” Torres vem sendo cultuado pela mídia, apesar de as suas relações perigosas com o crime organizado de Goiás serem do conhecimento até da Procuradoria-Geral da República e de toda a grande imprensa desde 2009.

Sempre foi enorme o prestígio de Demóstenes entre os mais bravios pit-bulls da imprensa golpista, que, depois de a porta ter sido arrombada, assumem ares de isenção ao divulgarem o que já não haveria mais como esconder.

Serenata para Alckmin e Dona Lu: Pinheirinho ganha rock de protesto.




O conjunto de rock Fome Zero lançou nesta segunda-feira (26.03) na redes sociais o clipe da música “Pinheirinho”.

A proposta da canção é um manifesto pelo “rock-jornalismo”, no qual a banda explora temas relevantes do cotidiano do país, que nem sempre encontra o devido espaço nos meios de comunicação tradicionais. É o caso de “Pinheirinho”, cujo clipe traz imagens feitas por cinegrafistas da imprensa e amadores, além de depoimentos no Senado sobre o assunto.

Fundado em 2003 por jornalistas, o Fome Zero nasceu com o objetivo de “cobrir”, com irreverência e crítica política o governo Lula que estava iniciando. Depois de um período fora dos palcos, a banda retoma a mesma proposta na era Dilma.

A banda é composta pelos jornalistas Alexandre Teixeira (ex-redator-chefe da Época Negócios), Arnaldo Comin (ex-editor-executivo do Brasil Econômico), Dubes Sônego (repórter especial do iG) e o cineasta Alek Ribet.
*osamigosdopresidentelula

segunda-feira, março 26, 2012

Programa Vida Inteligente

Levante da Juventude faz protestos contra torturadores em sete estados 

 


Da Página do Levante da Juventude


Jovens organizados pelo movimento Levante Popular da Juventude promoveram protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba , nesta segunda-feira (26/3) contra agentes da ditadura militar que torturaram, mataram, perseguiram militantes e pela instalação da Comissão da Verdade.

Os jovens fizeram uma ação tradicional na Argentina e no Chile chamada de “escracho”, quando são realizados protestos para denunciar a participação de agentes dos regimes autoritários em perseguições, torturas e assassinatos. No Brasil, os jovens apelidaram a ação de esculacho.

As manifestações denunciam que agentes da repressão continuam impunes, apoiam a instalação da Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição dos crimes cometidos durante a Ditadura Militar.

A Comissão da Verdade tem como objetivo esclarecer situações de violação aos direitos humanos, ocorridas entre 1946 e 1988, como tortura, morte e ocultação de cadáveres. O órgão deve identificar os responsáveis pelas violações. Os jovens apoiam a presidenta Dilma a indicar os sete conselheiros que coordenarão os trabalhos.

As ações


Em São Paulo, cerca de 150 jovens realizaram um protesto contra o torturador David dos Santos Araújo, o Capitão "Lisboa", em frente a sua empresa de segurança privada Dacala, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Ele é assassino e torturador, de acordo com Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A ação registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas. Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias do delegado da Polícia Civil paulista pela participação direta de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios em serviço e nas dependências de órgãos da União.

No Rio de Janeiro, a juventude realizou ações contra David dos Santos, em frente à filial da empresa Dacala. Cartazes com escritos “levante contra tortura” foram fixados na porta da empresa. Ao mesmo tempo, outros integrantes do Levante penduraram uma faixa nos Arcos da Lapa com os dizeres “Levante-se contra tortura: em defesa da comissão da verdade”, enquanto outro grupo fazia panfletagem em frente ao Clube Militar.

Em Belo Horizonte, 70 jovens participaram da ação de escracho em frente à residência do torturador Ariovaldo da Hora e Silva, no bairro da Graça. A manifestação contou com faixas, cartazes e tambores, além de distribuírem cópias de documentos oficiais do DOPS, contendo relatos das sessões de tortura com a participação de Ariovaldo, para informar a população do currículo do vizinho.

Ariovaldo foi investigador da Polícia Federal, lotado na Delegacia de Vigilância Social como escrivão. Delegado da Polícia Civil durante a ditadura, exerceu atividades no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) entre 1969 e 1971, em Minas Gerais. Na obra Brasil Nunca Mais (Projeto A), ele é acusado de envolvimento na morte de João Lucas Alves e de ter praticado tortura contra presos políticos. Foram suas vítimas Jaime de Almeida, Afonso Celso Lana Leite e Nilo Sérgio Menezes Macedo, entre outros.

Em Porto Alegre, 100 jovens fizeram um ato pela manhã em frente à casa do Coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações de Porto Alegre e um dos 13 brasileiros acusados pela Justiça Italiana pelo desaparecimento do militante político Lorenzo Ismael Viñas em Uruguaina (RS), no ano de 1980.

No Ceará, cerca de 80 pessoas realizaram a ação em frente ao escritório de advocacia do ex-delegado da Polícia Federal em Fortaleza (CE), José Armando Costa, localizado no bairro da Aldeota.

José Armando Costa foi delegado da Polícia Federal em Fortaleza no início da década de 70. À época, presos políticos relataram à Justiça Militar que a tarefa do delegado era fazer interrogatórios logo após as sessões de tortura e coagia-os a assinar falsos depoimentos sob ameaça. Costa aparece nos depoimentos de ao menos cinco ex-presos políticos torturados no Ceará, contidos no projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo.

Em Belém, cerca de 80 jovens realizaram o esculhacho no prédio do torturador e apoiador da ditadura militar Adriano Bessa Ferreira. Entregaram um manifesto à população convocando a sociedade a se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores.

Adriano Bessa atuou como delator de atividades de militantes que lutavam contra a ditadura. Seu nome consta de listas da extinta Comissão Geral de Investigações (CGI), criada para “apurar atos de corrupção ativa e passiva ou contrários à preservação e consolidação da Revolução Brasileira de 31 de março”. Além de ter prestado serviço militar, fez carreira no setor financeiro. Foi presidente do Banco do Estado do Amazonas, da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belém e gerente de agências bancárias. Foi também professor da Universidade Federal do Pará.

Em Curitiba, aconteceu um ato público na Boca Maldita, centro da capital paranaense, para denunciar os assassinatos, torturas e violações de direitos humanos na Ditadura Militar. Entre os denunciados está o tenente Paulo Avelino Reis, citado como torturador em documentos do Grupo Tortura Nunca Mais.

Levante Popular da Juventude

O Levante Popular da Juventude é um movimento social organizado por jovens que visa contribuir para a criação de um projeto popular para o Brasil, construído pelo povo e para o povo. Não é ligado a partidos políticos.

Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e no campo. Se propõe a articular jovens, militantes de outros movimentos ou não, interessados em discutir as questões sociais e colaborar para a organização popular. Tem como objetivo propiciar que a juventude tome consciência da sua história e da realidade à sua volta para transformá-la.

O Levante organiza a juventude para fazer denúncias à sociedade, por meio de ações de Agitação e Propaganda. Não há bandeiras previamente definidas. A luta política se dá pelas pautas escolhidas pelos próprios militantes, que realizam atividades de estudo e debates, sistematicamente, por todo o país.


Abaixo, leia o manifesto da jornada de luta.

MANIFESTO LEVANTE CONTRA TORTURA

Mas ninguém se rendeu ao sono.
Todos sabem (e isso nos deixa vivos):
a noite que abriga os carrascos,
abriga também os rebelados.
Em algum lugar, não sei onde,
numa casa de subúrbios,
no porão de alguma fábrica
se traçam planos de revolta.

Pedro Tierra


Saímos às ruas hoje para resgatar a história do nosso povo e do nosso país. Lembramos da parte talvez mais sombria da história do Brasil, e que parece ser
propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um período onde jovens como nós, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma geração que ousou se levantar.

Não deixaremos que a história seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem  quer que seja. A história dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser possível construir uma sociedade mais justa é também a nossa história. Nós somos seu  povo. A mesma força que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. Não aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa memória. Não esqueceremos de toda a barbárie cometida.

Temos a disposição de contar a história dos que caíram e é necessário expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento.

Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem ameaçando a liberdade do povo. Até que todos os torturadores sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos.

Pela memória, verdade e justiça!
Levante Popular da Juventude