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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

domingo, junho 02, 2013

Cuba ou a globalização da solidariedade: o internacionalismo humanitário

 do Solidários
 Salim Lamrani*
Fonte: OPERA MUNDI
Desde a Revolução de 1959, Cuba elaborou uma política para ajudar países pobres; resultados são espetaculares

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba se comprometeu a cuidar das populações pobres do planeta em nome da solidariedade internacionalista. As missões humanitárias cubanas se estendem por quatro continentes e apresentam um caráter único. Com efeito, nenhuma outra nação do mundo, nem sequer as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária no planeta. Desde seu lançamento, cerca de 132.000 médicos cubanos, além do pessoal sanitário, atuaram voluntariamente em 102 países.  No total, os médicos cubanos atenderam cerca de 100 milhões de pessoas no mundo e salvaram um milhão de vidas. Atualmente, 37.000 médicos colaboradores oferecem seus serviços em 70 nações do Terceiro Mundo.
A ajuda internacional cubana se estende a dez países da América Latina e às regiões subdesenvolvidas do planeta. Em outubro de 1998, o furadão Mitch havia assolado a América Central e o Caribe. Os chefes de Estado da região lançaram um chamado à solidariedade internacional. Segundo o PNUD, Cuba foi a primeira a responder positivamente, cancelando a dívida da Nicarágua de 50 milhões de dólares e propondo os serviços de seu pessoal sanitário.
Foi elaborado, então, o Programa Integral de Saúde, sendo ampliado a outros continentes, como África e Ásia. Nas regiões onde foi aplicado, O PNUD aponta uma melhora de todos os indicadores de saúde, particularmente uma diminuição notável da taxa de mortalidade infantil.
A ALBA
O primeiro país que se beneficiou do capital humano foi, logicamente, a Venezuela, graças à eleição de Hugo Chávez em 1998 e à relação especial estabelecida com Cuba. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais. Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de alfabetização chamada Misión Robinson I. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo havia sido erradicado da Venezuela. A Misión Robinson II foi lançada para levar a população ao alcance do nível secundário. A isso se somam as missões Ribas e Sucre, que permitiram que dezenas de milhares de jovens começassem estudos universitários.

Com a aliança entre Cuba e Venezuela na área da saúde, foram salvas mais de 100 mil vidas
Em 2010, 97% das crianças venezuelanas estavam escolarizadas.  Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público, para garantir o acesso gratuito à atenção médica a todos os venezuelanos. A missão Barrio Adentro I possibilitou a realização de 300 milhões de consultas nos 4.469 centros médicos criados desde 1998. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas mais de 104.000 vidas. A taxa de mortalidade infantil foi reduzida a menos de 10 por mil.  Na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao posto 73 em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH mais elevado.  Além disso, também segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.
Luis Alberto Matos, economista e especialista em energia, salientou a “cooperação emblemática” entre Cuba e Venezuela. “Quem pode negar a imensa contribuição dessa nação à Venezuela em relação ao aprimoramento do setor de saúde, na agricultura, nos esportes, na cultura?”
Graças à ALBA e ao programa social lançado pelo governo de Evo Morales entre 2006 e julho de 2011, a Brigada Médica cubana presente na Bolívia cuidou de mais de 48 milhões de pessoas e salvou 49.821 vidas.  A Bolívia pôde melhorar seus indicadores de saúde com uma diminuição da mortalidade infantil de 58 a cada mil, em 2007, para 51 a cada mil em 2009, ou seja, uma redução de 14% em três anos.  Entre 2006 e 2009, foram criados quase 545 centros de saúde em todo o país. Quanto à educação, a Unesco declarou que a Bolívia é um território livre de analfabetismo em 20 de dezembro de 2008, com a alfabetização de 824.000 pessoas. Foram construídos cerca de 1.540 estabelecimentos escolares. Quanto ao Ensino Superior, foram criadas três universidades indígenas. A pobreza extrema foi reduzida a 6%, passando de 37,8% a 31,8%.
Na Nicarágua, o programa Yo, sí puedo permitiu que a Unesco declarasse que o país estava livre do analfabetismo em 2009. Graças à Alba, a Nicarágua também conseguiu resolver sua grave crise energética, que às vezes provocava apagões de 16 horas diárias. Foram construídos vários hospitais equipados integralmente em todo o país, com acesso gratuito à atenção médica para toda a população. Eles operam, em grande parte, graças à presença do pessoal médico cubano.

No Equador, a chegada de Rafael Correa ao poder em 2006 também ocasionou uma revolução social sem precedentes. Dessa forma, o orçamento de saúde aumentou de 437 milhões de dólares em 2006 para 3.430 milhões em 2010. O orçamento de educação passou de 235 milhões em 2006 para 940,7 milhões em 2010. A taxa de escolaridade até o nível universitário da quinta parte mais pobre da população passou de 30% para 40% entre 2006 e 2010. A cobertura da cesta básica passou de 68% para 89%. A pobreza diminuiu 7% no mesmo período em nível nacional, e 13% para os afroequatorianos. Mais de 70.000 pessoas dos 5 milhões de indigentes que havia no país em 2006 saíram da pobreza.
Assim, o IDH passou de 0,716 em 2009 para 0,720 em 2011, e agora ocupa a posição 83. O Equador prevê erradicar a desnutrição infantil em 2015 e assim alcançar Cuba, o único país da América Latina e do Terceiro Mundo livre dessa praga, segundo a Unicef.
A Brigada Henry Reeve
Em 19 de setembro de 2005, após a tragédia que o furacão Katrina provocou em Nova Orleans, Cuba criou a Brigada Henry Reeve,  um contingente médico composto por 10.000 profissionais da saúde e especializado em catástrofes naturais. Naquela época, Havana ofereceu a Washington o envio de 1.586 médicos para atender as vítimas, mas o presidente Bush negou a oferta.
A Brigada Henry Reeve interveio em vários continentes. Assim, após o terremoto de novembro de 2005, que assolou o Paquistão, 2.564 médicos cubanos viajaram para lá a fim de atender as vítimas durante mais de oito meses. Foram montados 32 hospitais de campanha, que logo foram doados às autoridades de saúde do país. Mais de 1,8 milhão de pessoas foram atendidas e 2.086 vidas foram salvas. Nenhuma outra nação ofereceu uma ajuda tão importante, nem mesmo os Estados Unidos – principal aliado de Islamabad –, que estabeleceu apenas dois hospitais de campanha e ficou por oito semanas.  O jornal britânico The Independent ressaltou o fato de que a brigada médica cubana foi a primeira a chegar ao Paquistão e a última a deixar o país.
Anteriormente, após o tsunami que devastou a região do Pacífico em 2004, Cuba enviou várias missões humanitárias para oferecer atenção médica às vítimas, muitas vezes abandonadas pelas autoridades locais. Várias áreas rurais em Kiribati, Timor Leste ou Sri Lanka ainda dependem da ajuda médica cubana.  Foi inaugurada uma escola de medicina no Timor Leste para formar jovens estudantes do país. As Ilhas Salomão, assim como a Papua-Nova Guiné, acenaram à Havana para se beneficiar de uma ajuda similar e firmar acordos de cooperação.
Após o terremoto ocorrido em maio de 2006 em Java, na Indonésia, Cuba enviou várias missões médicas. Ronny Rockito, coordenador regional para a saúde, elogiou o trabalho dos 135 profissionais cubanos que instalaram dois hospitais de campanha. Segundo ele, seu trabalho teve um impacto mais importante do que qualquer outro país. “Aprecio muito as brigadas médicas cubanas. Seu estilo é muito amistoso e seu nível de atenção médica, muito elevado. Tudo é gratuito e não há nenhum apoio por parte do meu governo para isso. Agradecemos Fidel Castro. Muitos moradores suplicaram aos médicos cubanos para que ficassem”, enfatizou.
O caso mais recente e mais emblemático da cooperação médica cubana diz respeito ao Haiti. O terremoto de janeiro de 2010, de magnitude 7, causou dramáticos danos humanos e materiais.  Segundo as autoridades haitianas, o balanço foi de 230.000 mortos, 300.000 feridos e 1,2 milhão de pessoas sem teto.  A brigada médica cubana, presente desde 1998, foi a primeira a auxiliar as vítimas e atendeu cerca de 40% delas.
Em outubro de 2010, soldados nepaleses das Nações Unidas introduziram inadvertidamente o vírus do cólera no Haiti. Segundo a ONU, a equipe médica do doutor Jorge Luis Quiñones descobriu a epidemia. Cerca de 6.600 pessoas perderam a vida e 476.000 foram infectadas, o que representa 5% da população de um total de 10 milhões de habitantes. Era a taxa de cólera mais elevada do mundo, segundo as Nações Unidas. O New York Times ressaltou, em uma reportagem, o papel chave dos médicos cubanos: “A missão médica cubana, que desempenhou um papel importante na detenção da epidemia, ainda está presente no Haiti e recebe a cada dia a gratidão dos doadores e dos diplomatas por sua presença nas linhas de frente e por seus esforços de reconstrução do carcomido sistema de saúde do país”.
Por sua vez, Paul Farmer, enviado especial das Nações Unidas, salientou que, em dezembro de 2010, quando a epidemia atingiu seu pico, com uma taxa de mortalidade sem precedentes e o mundo estava com os olhos em outros lugares, “a metade das ONGs haviam ido embora, ao passo que os cubanos ainda estavam presentes”. Segundo o Ministério da Saúde haitiano, os médicos cubanos salvaram mais de 76.000 pessoas nas 67 unidades médicas sob sua responsabilidade, com apenas 272 falecimentos, ou seja, 0,36%, contra uma taxa de 1,4% no resto do país. Desde dezembro de 2010, não faleceu nenhum paciente tratado pelos médicos cubanos.
Nações Unidas saúdam uma política solidária
Segundo o PNUD, a ajuda humanitária cubana representa, proporcionalmente ao PIB, uma porcentagem superior à média das 18 nações mais desenvolvidas. Ressalta, em um informe, que:
“A cooperação oferecida por Cuba se inscreve em um contexto de cooperação Sul-Sul. Não persegue um objetivo de lucrar, mas, ao contrário, se oferece como a expressão de um princípio de solidariedade e, na medida do possível, a partir de custos compartilhados. No entanto, durante anos, Cuba proporcionou ajuda de qualidade com doações aos países mais pobres, e se mostrou muito flexível quanto à forma ou à estrutura da colaboração […]. Em quase a totalidade dos casos, a ajuda cubana foi gratuita, ainda que, a partir de 1977, com alguns países de alta renda, principalmente os petroleiros, se desenvolveu uma cooperação sob uma forma de compensação. O desenvolvimento elevado que Cuba alcançou nos campos da saúde, educação e esporte fizeram com que a cooperação contemplasse esses setores, ainda que tenha havido uma participação em outras áreas, como, por exemplo, a construção, a pesca e a agricultura”.
O internacionalismo humanitário elaborado por Cuba demonstra que a solidariedade pode ser um vetor fundamental nas relações internacionais. Assim, uma pequena nação do Terceiro Mundo com recursos limitados e vítima de um estado de sítio sem precedentes por parte dos Estados Unidos consegue reunir os recursos necessários para ajudar os mais pobres e oferece ao mundo um exemplo, como diria o herói nacional cubano José Martí, que Pátria pode ser Humanidade.
* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.
Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr.
Página Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel.

*GilsonSampaio

Nicolás Maduro anuncia las "Milicias Obreras Bolivarianas"


REVISTA VEJA MOSTRA SEU DNA DE MENTIROSA ATÉ NA HORA DA MORTE

De certo que ninguém esperava que os editores da Revista Veja escrevessem na lápide virtual do ex-patrão e chefe da famiglia CIVITA, Roberto Civita, aquilo que a blogosfera independente e progressista escreveria. 
Mas, daí a considerar que Civita nunca foi um 'RADICAL' DE DIREITA, e feroz detrator da honra alheia, quando não ia com a "cara" do alvo, também não. 
Faltou coragem e inteligência a turma da redação para fazer um "obituário" que ao menos na hora da morte, embora não ofendendo a memória do patrão, não afrontasse a verdade, para pintar um Civita que nunca existiu. "...um editor equilibrado, que "abominava os extremos na política" e pregava a "busca honesta da verdade". 
MENOS, muito menos. 
E como é que alguém pode buscar de forma honesta a verdade, tendo entre os principais informantes de sua REVISTA, o contraventor Carlos Cachoeira e seus ARAPONGAS ? 

Postado por BONDeblog S. O.
do BLOG DO SARAIVA

Medicina como status social e negócio, medicina como política social e responsabilidade republicana de quem se fez médico numa universidade pública: sobre a importância da vinda dos médicos cubanos ao Brasil

*Opensadordaaldeia 

Nossa Idade Média: padre ensina como um casal cristão deve gozar



*Opensadordaaldeia

Poema ateu


O ATEÍSMO NADA TEM A ME OFERECER
por Anônimo


O ateísmo nada tem a me oferecer
ele não me trás conforto ou certeza
Nele não há nenhum ensinamento ou dever
nele não há ilusões de grandeza.

Jamais me disse como devo pensar
jamais me trouxe saber ou inspiração
Ele não me obriga a crer sem duvidar
não me ameaça com eterna punição.

Não torna minha vida mais contente
É indiferente quando imploro
Não promete a cura quando estou doente
e não me trás alento quando choro.

Nele não encontro nenhum conselho
nenhuma resposta nenhuma indagação
Ele não me pede pra cair de joelhos
ou passar a vida pedindo perdão.

Ele não me oferece a tola felicidade
de me achar um escolhido entre tanta gente
Ele não me induz a cometer maldades
para glória de um deus ausente.

O ateísmo não me ensina a odiar
ou discriminar os diferentes de mim
Não proíbe os iguais de amar
não me diz o que é bom o ruim.

Não me diz que a vida vale a pena.
O ateísmo nada me oferece é verdade
mas como a realidade me basta e só quero viver o que sou
Então o ateísmo me oferece tudo.


"Liberdade para os cinco! Prisão para o terrorista Posada Carriles!": manifestação em frente à Casa Branca exige do governo Obama a libertação dos cinco heróis cubanos mantidos como presos políticos nos EUA
 
A catimba e o recalque do homofóbico

Foi-se o tempo em que a homofobia só escutava eco e aplausos. Agora tem vaia
Foi-se o tempo em que a homofobia só escutava eco e aplausos. Agora tem vaia
Foto: internet

Por Miguel Rios

O que dói no homofóbico é a derrota que se amplia. De goleada. Dói é a torcida adversária comemorar mais alto, enquanto ele, defasado, sai de fininho do estádio. Sai de nariz em pé, mas de alma cabisbaixa. Resta-lhe passar recibos com aquele discurso de Facebook já desmascarado, embalado naqueles quadradinhos de diagramação tosca. Arde nele ver famílias LGBTTs cada vez mais aí, sem timidez, sem medo, com direitos, aceitas, felizes.
Dói no homofóbico é perceber que deu em nada empurrar um hipócrita oportunista na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Chateou o outro lado e aumentou a vontade e a perseverança de ir à luta. Protesto dia a dia.
Enche ele de ódio ver o Conselho Nacional de Justiça dar mais um passo à frente. Casamento civil aprovado. Aquela histeria de fim da família, de apocalipse antecipado, cansou, provou ser papo burro, de fanático. Vários países foram na mesma direção e nenhuma notícia de que a população enveadou, sapatizou, se acabou.
Previsões fracassadas, superadas. Tanto quanto as de que o divórcio destruiria a estrutura das pessoas, de que casamentos inter-raciais manchariam a integridade da nação. As pessoas se adaptaram, sobreviveram, miscigenaram, seguiram suas vidas. Descobriram novas formas de amar, de se relacionar.
Agride o homofóbico saber que uma transexual é diretora de escola infantil no Paraná, eleita pela comunidade, e vai, muito bem obrigada, no cargo. Que os alunos a enxergam como educadora e, tudo bem, trans.
Arde ainda mais ver que os amigos héteros dos gays continuam héteros. Os simpatizantes, os que ele julgava mal assumidos, são cada vez mais em número, em engajamento, sem interesse algum em troca-troca, somente brodagem, consciência. Dói no homofóbico notar que o isolamento é algo tão dele.
Amedronta um homofóbico que em breve deve surgir a campanha: Salve um homofóbico da própria heterofobia. É ele quem teme pelo fim de sua orientação.
Apenas ele a acha uma farsa, sem força para resistir à libertação das outras. Somente ele crê que a humanidade será extinta, que há uma apologia ao arco-íris, que um kit antipreconceito escolar é uma conspiração gay para hipnose coletiva das crianças brasileiras.
Tira o tapete enxergar que o jeito hétero de andar, de vestir, de falar, de se portar deixou de ser o correto e único. Se um cara usa saia, vai para a faculdade e é vítima de chacota,  outros caras, dos mais diversos, se unem e usam saia juntos para defendê-lo.
Dói no homofóbico surrar, quebrar lâmpadas na cara e presenciar socorro, testemunhas a favor da vítima, prisão e processo. Magoa saber que não é mais a última voz, que comunga com o pensamento geral, o vingador dos bons costumes.
Não é mais o superior e inquestionável. Tem revide. Tem cobrança. Tem gente, muita gente, falando contra do outro lado. Têm até grandes marcas abraçando a causa: American Express, Coca-Cola, Itaú, Smirnoff, Halls. Acabou a solidão e a conformação do homo oprimido de que “o mundo é assim mesmo, sou o errado, nada posso fazer”.
O homofóbico estrebucha diante dos LGBTTs que deixaram de ser domesticados, pacatos, submissos. Espanta-se por seu comportamento de tirano bonzinho não enganar mais.
Aquela frase “eu não sou preconceituoso, mas...” já está manjada, desacreditada. O “mas” denuncia. A maciez que vem antes é balela, mero escudo decorativo para esconder a face raivosa e fazer de conta que o que vem depois é sensatez, um conselho para a melhor convivência. O que vem depois? Coisa do tipo: “gays não deveriam expor as pessoas à sua conduta”, “tanta exibição só prejudica que as famílias compreendam os homossexuais”. Traduzindo: “se ajoelhe e me reconheça como o maioral”.
O homofóbico se coça por gays e lésbicas terem entendido que liberdade é conquista e não doação. Que se ficassem acomodados aos bons modos héteros, não sairiam do canto, seriam sempre os injustiçados e roubados, aqueles a quem se dá bom dia, que até se aperta a mão, mas que nunca se deixa perto das crianças por muito tempo. As migalhas de carinho e aceitação ganharam o real sentido do “Unhum! Me engana que eu gosto. Senta lá, Cláudia”.
A urticária homofóbica aumenta quando a teoria da ditadura gay é varrida para o lixo. Quem humilhou  primeiro? Quem ditou primeiro as regras? Não busca em uma criança sua orientação sexual. Determina-se: menino é macho, menina é fêmea. A ditadura do “meu filho nunca, prefiro morto”.
Atitude de menino boa é coçar o saco, falar de futebol e de mulher nua. Boa menina é virginal, meiga e louca para casar, comandar o lar







Quem segregou primeiro? Se o garoto dá pinta não é para os outros andarem com ele. Se há casal gay na novela não é para  assistir. Comercial bom é o que tem papai, mamãe e os filhinhos. Atitude de menino boa é coçar o saco, falar de futebol e de mulher nua. Boa menina é virginal, meiga e louca para casar, comandar o lar.
É uma trilha retilínea, férrea. E o trem, que atropelou por muito tempo, ainda atropela, ainda ofende, proíbe, espanca e mata. Não se é morto, expulso de casa, achincalhado na rua por ser hétero, já por ser homo... Ditadura de quem mesmo?
Mas o homofóbico quer inverter e falsear realidades, se fazer de vítima, de perseguido, de tolhido em sua expressão. Quem disse que ele não pode falar? Ele não pode é falar sozinho, ser a última palavra como quer e se acostumou a ser. Têm respostas. Respostas que lhe irritam os ouvidos.
Foi-se o tempo em que a homofobia só escutava eco e aplausos. Agora tem vaia. Tem frustração e gozação pelas fajutas tentativas de orgulho hétero, atos de nenhuma coragem, nenhuma contestação, de uma luta sem metas, sem valia, com beijaços  públicos também conhecidos como cotidiano.
O homofóbico se dói pelo descrédito que ele próprio fabrica. Ele se machuca por recalque, esse misto de ódio e paranoia, de placar contrário aos 45 do segundo tempo. Jogo perdido. A dorzinha dele é contusão boba, quando não fingida, para impressionar o juiz. Catimba. Cartão amarelo e Gelol resolvem.
 NE10
*Mariadapenhaneles