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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, julho 13, 2010

Doutrinando com muita grana






PREPARANDO FUTUROS LEITORES DE VEJA

O Grupo Abril, através do seu braço educacional, comprou o Anglo Sistema de Ensino, o Anglo Vestibulares e a Siga, especializada na preparação para concursos públicos. O negócio cria a segunda maior rede de ensino do país. O grupo Abril já controla as editoras Ática e Scipione, além do sistema de ensino SER, que tem 350 escolas associadas. Com a aquisição do Anglo, acrescenta mais 500 instituições de ensino ao seu guarda-chuva. Um dos negócios mais rentáveis do grupo Abril é vender publicações didáticas --ou não-- a secretarias estaduais de ensino, sobretudo aquelas administradas por gestões tucanas, como é o caso da de São Paulo, sob o comando do ex-ministro da educação e centurião de Serra, Paulo Renato.
(Carta Maior e o ovo da serpente; 13-07)

GRUPO ABRIL É O SEGUNDO EM EDUCAÇÃO

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Como uma equipe de futebol campeã faz para ter bons jogadores a um custo muito baixo?

Categorias de base.

Pega o garoto, por um salário modesto, casa e comida, dá o suporte futebolístico em troca do passe e se tudo der certo, da alma do menino.

Exagero meu. Hoje em dia não se comercializa mais a alma. A lei não permite mais a escravidão do jogador.

A alusão não é uma simples alusão. Como fazer para criar adultos imbecis e com a visão da realidade distorcida? Ensine-os errado. Básico assim.

Pegue uma criança na escola e lhe venda um mundo de cabeça para baixo, onde os bonzinhos são aqueles que você adora e os maldosos são os que você odeia.

O Grupo Abril, que não tem nada de besta, está fazendo exatamente isso. Tratando de seu futuro plantel.

O ramo da educação é muito rentável. Mas esse não é o principal motivo para entrar nele.

Do mesmo jeito que o McDonald´s faz questão de pegar os muito jovens. Se doutriná-los adequadamente, terá comedores de sanduíche de isopor por uma vida toda. Melhor negócio não existe.

Agora é com o zé povinho classe-média. Quer ter um filho alienado ou um não alienado?

Dependendo da resposta, você matricula ou não seu rebento numa escola dessa fabulosa fabricadora de realidades virtuais. Além de consumirem os produtos que levam a ideologia que aprenderam na escola, serão seres de papel, controlados por uns cordões pendurados.

Clique aqui para ver a mãozinha que o Ministério Público dá para Serra.
Clique aqui para ver o FHC dizendo que o Serra perdeu.
Clique aqui para ver que a Globo esqueceu que ajudou a ditadura.
Clique aqui para ver que se o Ibope aponta Dilma na Frente, é porque ela está mais ainda na frente.
Clique aqui para ver que o demo é vingativo, e estrepou o Álvaro Dias.
doanaispolíticos

Abril foge do mercado de revistas.
E vai para a tecnologia errada


Seu Victor, quem diria, hein ?


Saiu no Valor:

A família Civita (e não a Editora Abril) comprou a Anglo, que produz apostilas e ensina a fazer concurso público.

Por que foi a família Civita e não a Abril ?

Essa é uma pergunta muito complexa.

Decidi recorrer ao David Ogilvy, um mestre da publicidade.

(Clique aqui para ler “A Globo pode calar a boca do Galvão antes de 2014”)

- Por que foi a família Civita e não a Abril, perguntei, assim de lata.

- Porque a família está caindo fora do negócio de revistas – respondeu David, na lata.

- A família Civita vai sair do negócio de revistas ?, perguntei incrédulo. O que diria disso o Victor Civita ?

- Primeiro, que não se controla a descendência, meu filho – filosofou o David.

- Sim, vamos sair da genética e voltar ao PiG (*). Quer dizer, então, que a família Civita vai sair do ramo de revistas ?

- Claro. O negócio murcha.

- Não sobra ninguém ?

- Sim, sobram as revistas de nicho. Ou de grife, como a Economist e a Carta Capital. O resto … dança.

- E a Veja não é uma grife ?

- Como diz você, o Roberto deixou que transformassem a Veja em detrito de maré baixa.

- Roberto ou Robert ?

- Como você preferir.

- Então ele vai fechar a Veja ?

- Não. A Veja vai ser um canhão. Vai ser usada politicamente.

- E por que a Anglo ?

- A Anglo na verdade é um franchising. Ela licencie sistema de aprendizado sob a forma de apostilas e serviços para quem quer fazer concurso público.

- Ela vende ao Governo ?

- Vende a todo mundo, inclusive a governos municipais e estaduais.

- Mas, esse negócio de vender material impresso não é uma gelada ?

- Claro !

- Daqui a pouco vem a banda larga e que estudante vai ler material impresso?

- Meu caro, o Roberto foi para a tevê a cabo e para a internet. Vendeu a TVA e o Luizinho Frias engoliu ele no UOL. O Roberto não acertou uma tecnologia, fora da que o Seu Victor deixou: fazer revistas.

- E quais são os planos da família Civita para a Anglo ?

- Daqui a pouco eles fazem um IPO. Os sócios antigos caem fora e eles botam dinheiro para dentro.

- E quem vai fazer isso tudo ? O Robert – quer dizer, o Roberto ?

- Não, ele chamou o Manoel Amorim, que era do Ponto Frio.

- Ele não foi da Telefônica, também ?

- Sim, você tem boa memória, rapaz.

- E não foi ele quem levou a Telefônica a comprar a TVA da Abril e dar oxigênio à Abril ?

- Uma mão lava a outra, não é isso ? – sorriu o David, enigmaticamente.

Pano rápido.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

doconversaafiada


Subjornalismo...

Jornalismo de Veja é preconceituoso e tendencioso
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE), criticou em plenário a revista Veja - do grupo Abril -, que voltou a atacar o Partido dos Trabalhadores na sua última edição.
Lembrou o líder que, na contramão de imprensa internacional, que tem reconhecido o sucesso das políticas do Governo Lula e do crescimento econômico do país, a revista Veja insiste em estampar tema já publicado em 2002, tratando do que ela intitula de forma preconceituosa de "a volta do radicalismo do PT ".
"A Veja repete uma capa publicada em 2002, em que também acusava o PT de radicalismo. É uma capa esquisita, requentando matéria para tentar enganar as pessoas menos informadas. É lamentável que uma revista reproduza uma matéria com um viés preconceituoso, ideologicamente conservador, reacionário e fascistoide para tentar ajudar a candidatura do tucano José Serra (PSDB-DEM)", criticou.
Na avaliação do líder petista, a Veja transformou-se em um "subjornalismo a serviço de uma candidatura", no caso a de José Serra. Fernando Ferro questionou ainda, em tom de ironia, se seria coincidência o fato da Editora Abril ter ganhado um contrato, sem concorrência, em São Paulo para vender revistas. " E como não tem coragem, autoridade moral e política para atacar o presidente Lula, vira as baterias para o lado do PT, com um linguajar rasteiro e lamentável", enfatizou o líder petista.
Para Fernando Ferro, esse tipo de jornalismo não funciona. Ele destacou ainda que é importante que a Justiça Eleitoral esteja atenta "ao que se presta a revista no momento da disputa eleitoral".
docomtextolivre

segunda-feira, julho 12, 2010

Polícia Tucana um caso a resolver










Polícia tucana de S. Catarina
tem um estupro para esclarecer


É por isso que o Daniel Dantas quer calar a internet


Dois adolescentes estupraram uma menina de 13 anos em Florianópolis.

Um estuprador é filho do dono da RBS, afiliada da Globo, e manda-chuva da mídia no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O outro é filho de um delegado de Polícia de Florianópolis.

Um deles já confessou o crime.

O estupro morreria nos escaninhos da Polícia de Santa Catarina, não fossem um blogueiro, o Mosquito, do Tijoladas Mosquito, e a Rede Record.

Reportagem de ontem do Domingo Espetacular revelou que havia um terceiro adolescente na cena do crime.

Revelou também que havia uma mulher, além da ex-mulher do dono da RBS, na cena do crime: essa segunda mulher passou maquiagem no pescoço da estuprada.

Para esconder um hematoma.

E revelou que havia um homem com uma tatuagem no braço, que sugeriu à menina estuprada que inventasse uma boa história para o pai.

O crime produziu alguns fatos políticos relevantes.

Primeiro, destacou a covardia do Governo tucano de Santa Catarina, liderado por um varão de Plutarco, Leonel Pavan, que reassumiu a presidência do PSDB no Estado e ali coordenará a campanha do Serra.

A Polícia do tucano demorou a apurar os fatos, se esqueceu de pedir exames cruciais, e não apreendeu as fitas das câmeras de vigilância do prédio onde mora o filho do dono da RBS.

E não quis saber, até agora, do terceiro adolescente na cena do crime, da segunda mulher e do homem tatuado.

Quem é esse terceiro garoto ?

Também é de família poderosa ?

Ele também estuprou ?

O homem tatuado fazia o que ali ?

Participou do estupro ?

E a segunda mulher, a maquiadora, de onde surgiu ?

São todos cúmplices de um crime, ou criminosos.

O segundo aspecto relevante da história, depois da covardia do governo tucano, é o poder da família Sirotsky, os donos da RBS e afiliados da Globo no Sul do país.

Não fossem a Record e o Mosquito, os Sirotsky tinham abafado o caso.

É a opinião de cerca de 20 pessoas que entrevistei na frente do Mercado Municipal de Florianópolis, na ultima quarta-feira.

Me disse uma senhora negra: se fosse o meu filho, negro, já teria sido chamado de favelado e traficante e estava na cadeia.

A cadeia para menores pobres de Florianópolis é um horror.

Uma masmorra, de onde os menores fogem em massa.

O filho do delegado e o do dono da RBS estão em casa.

Por fim, esse sinistro episódio – que a Globo e o PiG (*) solenemente desconsideram – mostra a força da internet.

O Mosquito detonou a RBS, a que chama de “família Stuprotsky”.

É por isso que o Daniel Dantas, o Eduardo Azeredo, o Marco Maciel e um desconhecido deputado comunista do Amazonas querem fechar a internet brasileira.

Clique aqui para ler “Google derrota governo comunista da China”.

É porque a internet, gente como o Mosquito, detonou o monopólio que eles controlavam.

O Serra, por exemplo.

Bastava dar três telefonemas para controlar a mídia brasileira.

Para o Rupert Marinho, para o “seu” Frias e para o Ruy Mesquita.

A Abril vinha no rolo, porque o Robert(o) Civita nunca fez parte do clube.

Em 15 agradáveis minutos ele abafava o estupro de Santa Catarina.

Agora, é um pouco mais difícil.

O Serra tem que ligar para muita gente

Para o Mosquito, não adianta.

Porque foi ele quem detonou a credibilidade do presidente dos tucanos de Santa Catarina.

O mal já está feito.



Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

doconversaafiada

Editorial de Jornal em Portugal






Público_editorial

11/7/2010

doluisfavre

Esquerda Unida






A esquerda ganha quando soma, une



Fidel foi sempre quem mais bateu nessa tecla. Contra os dogmatismos, os sectarismos, os isolacionismos, ele sempre reiterou que “a arte da política é a arte de unificar”, que a esquerda triunfou quando soube ganhar setores mais amplos, quando unificou, quando soube desenvolver políticas de alianças.

Foi assim que os bolcheviques se tornaram maioria, ao apelar aos camponeses para que tomassem as terras, realizando seu sonho secular de terra própria, mesmo se isso parecia estar em contradição com os interesses do proletariado urbano, que se propunha a socializar os meios de produção. Foi assim na China, com a aliança com setores do empresariado nacional, para expulsar o invasor japonês e realizar a revolução agrária. Foi assim em Cuba, quando Fidel soube unificar a todas as forças antibatistianas para derrubar a ditadura. Foi assim na Nicarágua, com a frente antisomozista organizada pelo sandinismo.

Como se trata de políticas de alianças,é preciso perguntar-nos sobre os limites dessas alianças e como se conquista hegemonia nessas alianças.
A arte da construção da uma estratégia hegemônica está, em primeiro lugar, em organizar solidamente as forças próprias, aquelas interessadas profundamente no projeto de transformações da sociedade. No nosso caso, de superação do neoliberalismo e de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.

O segundo passo é o de construir alianças com forças próximas, no nosso caso, com setores médios da sociedade, que tem diferenças com a grande massa popular, mas que podem somar-se ao novo bloco hegemônico, conforme as plataformas que se consiga elaborar.

Organizadas as forças próprias, somadas as aliadas, se trata de neutralizar as forças que não se somariam ao nosso campo, buscando isolar ao máximo as forças adversárias. Essa a arquitetura que pode permitir a vitória da esquerda, a organização do campo popular e a constituição de um novo bloco de forças no poder.

O sectarismo, o dogmatismo são caminhos de derrota segura. Afincar-se nos princípios, sem enfrentar os obstáculos para construir uma força vitoriosa, é ficar de bem consigo mesmo – “não trair os princípios”, defender a teoria contra a realidade -, centrar a ação na luta ideológica e não nas necessidades de construção política de uma alternativa vitoriosa. O isolamento e a derrota dessas vias no Brasil é a confirmação dessa tese.

Em uma aliança se perde a hegemonia quando se cede o essencial ao aliado, na verdade um inimigo a que se converte quem concede. FHC aliou-se ao então PFL, não para impor o programa do seu partido, mas para realizar o programa da direita – o neoliberal. Nessa aliança se impôs a hegemonia neoliberal. Uma força que se pretendia social democrata realizou um programa originalmente contraposto à sua natureza.

Lula fez uma aliança ampla – não apenas com o PMDB e outros partidos -, mas também com o capital financeiro, mediante a Carta aos brasileiros, o Meirelles no Banco Central e a manutenção do ajuste fiscal e do superávit fiscal, conforme as orientações levadas a cabo por Palocci. Neutralizou forças adversárias, que ameaçavam desestabilizar a economia, mediante ataque especulativo que já havia dobrado o valor do dólar durante a campanha eleitoral.

Ao longo do tempo, com as transformações operadas no governo, a hegemonia do projeto original do Lula foi se impondo. O tema do desenvolvimento passou a ser central, com um modelo intrinsecamente vinculado à distribuição de renda, ao mesmo tempo que a reinserção internacional se consolidou, privilegiando alianças com os governos progressistas da América Latina e com as principais forças do Sul do mundo. O Estado, por sua vez, voltou a ter um papel de indutor do desenvolvimento e de garantia das extensão das políticas sociais.

Os aliados políticos e econômicos continuaram a ter força e a ocupar espaços dentro do governo. A maioria parlamentar do PMDB ficou representada na política do agro negócio, os interesses do setor privado de comunicações, assim como os das FFAA – em três ministérios importantes no governo. Da mesma formal, a centralidade do capital financeiro no neoliberalismo garantiu uma independência de fato do Banco Central.

Esses espaços enfraqueceram a hegemonia do projeto original, mas permitiram sua imposição no essencial. O agronegócio teve contrapontos no Ministério de Desenvolvimento Agrário, a política de comunicações em iniciativas como a TV Brasil e a Conferencia Nacional de Comunicações, as FFAA no Plano Nacional dos Direitos Humanos, o Banco Central em ações indutoras sobre a taxa de juros e no papel determinante que políticas com o PAC, o Minha casa, minha vida.

As fronteiras das alianças e a questão da hegemonia provocaram tensões permanentes, pelos equilíbrios instáveis que provocam essas convivências. Mas, como se sabe, sem maioria no Congresso, o governo quase caiu em 2005. A aliança com o PMDB – com as contrapartidas dos ministérios mencionados – foi o preço a pagar para a estabilidade política do governo.

Um dos problemas originários do governo Lula foi que ele triunfou depois de uma década de ofensiva contra o movimento popular, que passou a uma situação de refluxo, tendo como um dos resultados a minoria parlamentar e de governos estaduais com que o governo Lula teve que conviver, mesmo depois da reeleição de 2006.

Por isso uma das disputas mais importantes este ano é o da correlação de forças no Parlamento, para garantir para um governo Dilma uma maioria de esquerda no Congresso, com dependência menor ali e na composição do governo. Assim se disputam os limites das alianças e a hegemonia.

Diferença fundamental na política de alianças de FHC e de Lula é a questão da hegemonia, da política levada adiante. A prioridade das políticas sociais – que muda a face da sociedade brasileira –, a nova inserção internacional do Brasil, o papel do Estado e das políticas de desenvolvimento – dão o caráter do governo Lula. As alianças devem viabilizar sua centralidade. A correlação de forças das alianças está em jogo nas eleições parlamentares deste ano.

Foi um governo em permanente disputa, com duas etapas claramente delineadas (Veja-se o artigo de Nelson Barbosa no livro “Brasil, entre o passado e o futuro”, organizado pelo Marco Aurélio Garcia e por mim, publicado pela Boitempo e pela Perseu Abramo.), com o ajuste fiscal predominando na primeira, o desenvolvimento econômico e social na segunda. A coordenação do governo realizada pela Dilma representou exatamente essa segunda fase, de que o seu governo deve ser continuação. O que não significava que as tensões apontadas não permaneçam. Mas elas podem ser enfrentadas numa correlação de forças mais favorável à esquerda e em um marco de uma nova grande derrota da direita, que abre espaço para um avanço estratégico do projeto de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.
By: Emir Sader
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A Bolívia é exemplo





A água é um direito humano inalienável
A guerra da água na Bolívia, em 2000, foi um exemplo para a humanidade



O presidente boliviano Evo Morales, com sua sensibilidade indígena e profundo sentido dos elementos da natureza, deu um xeque-mate na ONU ao apresentar um projeto para que o acesso à água seja declarado um direito humano. O argumento irrespondível foi simples como a jogada mortal do xadrez: Se um dos Objetivos do Milênio para 2015 é a dotação de água potável e saneamento em todo o mundo, como atingi-lo sem declarar a água como um direito humano inalienável.
Evo usou não apenas sua habilidade de enxadrista, que enfrentou mês passado o ex-campeão mundial Anatoly Karpov, como a prórpia experiência boliviana. Em 1999, a empresa norte-americana Bechtel assinou contrato com então governo boliviano do general Hugo Banzer para privatizar a água em Cochabamba, a terceira cidade da Bolívia. Com a privatização, veio o aumento do preço da água que chegou a quase 180%. A conta de água chegou a 20 dólares por mês num local em que o salário mínimo era inferior a 100 dólares mensais.
Os camponeses se levantaram, cercaram a cidade e após idas e vindas, com prisões, assassinatos e censura, a Bechtel foi expulsa do país e o controle da água retomado pela população. Um dos lemas dos bolivianos à época era “a água é um presente de Deus e não uma mercadoria.”
Estima-se que mais de um bilhão de pessoas, principalmente no mundo em desenvolvimento, não têm acesso à água, e o Banco Mundial prevê que dois terços da população mundial sofrerá com a falta de água em 2025. A privatização da água agrava este quadro de exclusão.
Evo Morales, o índio que a elite boliviana e sul-americana tenta apresentar como incapaz, revela sua grandeza ao estender sua precupação para o mundo. “Em alguns países, infelizmente, a água está como um direito e negócio privado, quando deveria ser de serviço público… Sem água não podemos viver”, disse Evo quando apresentou seu projeto hoje, em La Paz.
A proposta de Evo merece se tornar bandeira de todos nós que estamos comprometidos com o ser humano e o bem estar social. A privatização dos recursos hidricos é um crime que não podemos tolerar.

dotijolaço

Multa, multa multa



D.Sandra Quirrô: Presidente da Síria prega continuidade de Lula. Multa ele!

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhM9oYMMmUWCTIwZRhKwPqkwxXon01O9y8v4z0vMC78b0eU7p1vs6xV3iU99fNqESZLsoRoKFGJNO_DgrX-GzJ6j2dekhaB4XxFwkFrz18XayI-WAwx9HyXk-VQLg8qxii33ubynjoc5u36/s1600/atphoto.2009-12-02.image_media_horizontal.5578143973.jpg

GilsonSampaio

Semana passada, a rede bandalha entrevistou o Presidente da Síria, Bashar AL-Assada.

No final da segunda parte, depois de rasgados elogios a Lula ao Mercosul, Bashar Al-Assada prega a continuidade política de Lula, daí, que optei pelo título acima chamando a atenção da procuradora tão zelosa dos interesses do Zé Pedágio. Pela expressão facial, Joelmir Betting não gostou nem um pouquinho.

É divertido. Mitre e Telles falam o que querem e escutam o não querem.

Presidente Bashar Al-Assada, Parte 2

A propaganda pró-Dilma começa a partir dos 6min30s +ou-

Saiu o novo Brizolaço.com FORÇA E LUZ



Bom, pessoal, chegou a hora. Finalmente, depois de muito “ajusta daqui e dali”, entra no ar o Brizolaco.com, meu site de campanha. E para inaugurar o site, ninguém melhor do que aquela que simboliza a nossa esperança de aprofundar o processo de mudanças que vive o Brasil: Dilma Rousseff.
Não vou fingir que não fiquei envaidecido pelo tratamento mais que gentil que ela me deu, pelas mensagens que gravou e pela sua supersimpática referência ao nosso blog.
Espero estar a altura desta confiança.
Assim como espero que gostem do site, que tem muitos vídeos, fotos, idéias e, sobretudo, espaço para participação.
Não é um simples espaço de autopromoção; quer ser o espaço de construção de uma comunidade de idéias e de convívio.
E não é exclusiva para os cariocas e fluminenses, porque um deputado é votado aqui, mas faz leis e políticas que afetam o Brasil inteiro.
Todos podem, se quiserem, me ajudar muito, difundindo os temas e propostas que estão lá.
Eu estou muito cansado, assim como minha equipe, que se dedicou com um enorme sacrifício à construção do site.
Mas estamos felizes de poder oferecer a vocẽs algo coerente com a ideia que temos de usar a internet para aproximar a política das pessoas, para que elas passem a interferir diretamente naquilo que diz respeito às suas próprias vidas.
Certamente ainda faltam coisas – que pretendemos ir colocando progressivamente. E, mais certamente ainda, vocês vão encontrar erros. Não se acanhem – até parece que alguém se acanha aqui, né? – de apontar os defeitos. A gente tenta corrigir.
Bom, é isso. Como este é um momento muito especial, vou deixar este post fixo na primeira página durante um tempo. As novas postagens vão entrar abaixo dele, portanto.
Um abraço a todos e muito obrigado pela paciência de esperarem este site que, eu acho, promete.
dotijolaço

Deus sempre te Abençoe

O quinta coluna, ou X-9 ou Dedo Duro

Vida e obra (lato sensu) de Roberto Freire, presidente nacional do PPS, facção do PSDB-DEM

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Texto do jornalista Sebastião Nery sobre a vida e obra de Roberto Freire. O PCB segue na luta pelo socialismo no Brasil e no Mundo. Em 2009 realizamos o XIV Congresso Nacional que marcou a reconstrução revolucionária do Partidão. Agora, em 2010, lançamos chapa própria para as eleições gerais. Vida e obra de Roberto Freire - A estranha história de Roberto Freire Sebastião Nery (Data incerta e não sabida) O único político brasileiro da oposição (que se diz da oposição) que aplaudiu José Serra, o Elias Maluco eleitoral, por ter anunciado que agora é hora de destruir Lula, foi o senador Roberto Freire, presidente do Partido Popular Socialista (PPS, a sigla que sobrou do assassinato do saudoso Partido Comunista, melhor escola política brasileira do século passado). Disse: "Serra presta um serviço à democracia". Para Roberto Freire, "desconstruir", destruir, eliminar o principal candidato da oposição e das esquerdas (com 42% nas pesquisas) é um "serviço à democracia". Gama e Silva nunca teve coragem de dizer isso. Armando Falcão também não. Nem mesmo Newton Cruz. Só o delegado Fleury. Ninguém entendeu. Porque não conhecem a história de Roberto Freire. Aprovado pelo SNI Em 1970, no horror do AI-5, quando tantos de nós mal havíamos saído da cadeia ou ainda lá estavam, muitos sendo torturados e assassinados, o general Médici, o mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador (sic) do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freire, de 28 anos. Não era um cargozinho qualquer, nem ele um qualquer. "Militante do Partido Comunista desde o tempo de estudante, formado em Direito em 66 pela Universidade Federal de Pernambuco, participou da organização das primeiras Ligas Camponesas na Zona da Mata" (segundo o "Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro", da Fundação Getulio Vargas-Cpdoc). Será que os comandantes do IV Exército e os generais Golbery (governo Castelo), Médici (governo Costa e Silva) e Fontoura (governo Médici), que chefiaram o SNI de 64 a 74, eram tão debilóides a ponto de nomearem procurador do Incra, o órgão nacional encarregado de impedir a reforma agrária, exatamente um conhecido dirigente universitário comunista e aliado do heróico Francisco Julião nas revolucionárias Ligas Camponesas? Os mesmos que, em 64, na primeira hora, cassaram Celso Furtado por haver criado a Sudene, cataram e prenderam Julião, e desfilaram pelas ruas de Recife com o valente Gregório Bezerra puxado por uma corda no pescoço, puseram, em 70, o jovem líder comunista para "fazer" a reforma agrária. Não estou insinuando nada, afirmando nada. Só perguntando. E, como ensina o humor de meu amigo Agildo Ribeiro, perguntar não ofende. Sempre governista Em 72, sempre no PCB (e no Incra do SNI!) foi candidato a prefeito de Olinda, pelo MDB. Perdeu. Em 74, deputado estadual (22.483 votos). Em 78, deputado federal, reeleito em 82. Em 85, candidato a prefeito de Recife, pelo PCB, derrotado por Jarbas Vasconcellos (PSB). Em 86, constituinte (pelo PCB, aliado ao PMDB e ao governo Sarney). Em 89, candidato a presidente pelo PCB (1,06% dos votos). Reeleito em 90, fechou o PCB em 92, abriu o PPS e foi líder, na Câmara, de Itamar, com cujo apoio se elegeu senador em 94 e logo aderiu ao governo de Fernando Henrique. Em 96, candidato a prefeito de Recife, perdeu pela segunda vez (para Roberto Magalhães). Agora, sem condições de voltar ao Senado, aliou-se ao PMDB e PFL de Pernambuco, para tentar ser deputado. Uma política nanica, sempre governista, fingindo oposição. Agente de FHC Em 98, para Fernando Henrique comprar a reeleição, havia uma condição sine qua non: impedir que o PMDB lançasse Itamar candidato a presidente. Sem o PMDB, a reeleição não seria aprovada. Mas o PMDB só sairia para a candidatura própria se houvesse alianças. E surgiram negociações para uma aliança PMDB-PPS, uma chapa Itamar-Ciro. Fernando Henrique ficou apavorado. E Roberto Freire, agente de FHC, o salvou, lançando Ciro a presidente. Isolado, o PMDB viu sua convenção explodida pelo dinheiro do DNER, Itamar sem legenda e a reeleição aprovada. Durante quatro anos, Roberto Freire saracoteou nos palácios do Planalto e da Alvorada, sempre fingindo independência, mas líder da "bancada da madrugada" (de dia se diz oposição, de noite negocia no escurinho do governo). Quinta-coluna No ano passado, na hora de articular as candidaturas a presidente, o PT (sobretudo o talento e a competência política de José Dirceu) começou a pensar numa aliança PT-PPS, para a chapa Lula-Ciro. Itamar disse que apoiava. O PSB de Arraes também. Fernando Henrique, o PSDB e Serra se apavoraram. Mas Roberto Freire estava lá para isso. Novamente lançou Ciro, para impedir uma aliança das oposições com Ciro vice de Lula. Fora dos cálculos de FHC e Roberto Freire, Ciro começou a crescer. Mas, quando o PFL, sem Roseana, quis apoiar Ciro, dando espaços nos estados e na TV, Roberto Freire, aliado em Pernambuco de Marco Maciel, o líder da direita do PFL, vetou o PFL com Ciro. Como se chama isso? Uns, "agente". Stalin chamava "quinta-coluna". PCB – Juiz de Fora (MG) _________________________ Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons . PressAA Agência Assaz Atroz .
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Como e por que CartaCapital compara Lula com Fernando Henrique

CartaCapital tem 16 anos de vida, oito de Fernando Henrique Cardoso e oito de Luiz Inácio Lula da Silva. A edição nº 3 da revista, mensal de agosto de 1994 a março de 1996, quando se tornou quinzenal, saiu logo após a eleição vencida por FHC e o estampava na capa. Recordo que o próprio ligou de Brasília: “A melhor entrevista já feita comigo”.

Entrevistador o acima assinado. Havíamos acertado o encontro para uns 15 dias antes do pleito. Há tempo o êxito de FHC era inevitável e a antecipação da conversa permitiu sair dois dias depois da eleição com o vencedor a sorrir na capa. Fluvial entrevista com um intelectual bem articulado também em política.

Havia ali, no entanto, três passagens para estimular a minha perplexidade. Primeira. De saída, evoco a visita de Jean--Paul Sartre ao Brasil no começo dos anos 60, o jovem FHC estava na plateia de uma conferência do pensador em Araraquara. O entrevistado apressa-se a esclarecer que já neste tempo misturava Marx com Weber. Observo que na introdução do seu primeiro livro, Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, ele informava ter usado “o método dialético-marxista”. FHC recorda e admite. “Mas na segunda edição, retirei a referência”, diz, com a expressão de Buster Keaton.

Segunda. De acordo com o entrevistado, a ética do cientista é diferente da ética do político. Por quê? O cientista “descobriu, mostrou”. “Já o político não pode fazer isso.” Como assim? “Não digo que o político possa e deva mentir, mas às vezes tem de omitir. Se ele não omite, pode causar uma situação contrária.”

Terceira. O assunto passa a ser a criação do ninho tucano. “Eu disse que o PMDB tinha esgotado a possibilidade de avançar mais, de fazer as coisas, e o Ulysses, que era muito realista, disse: ‘É, você tem razão’”. Revelação. Eu teria apreciado- a oportunidade de consultar a respeito o Senhor Diretas-Já. Infelizmente, estava morto há dois anos.

Seguiram-se oito anos de governo tucano. No período o Brasil quebrou três vezes, o próprio presidente incumbiu-se da tarefa de desvalorizar o real depois de se reeleger à sombra da bandeira da estabilidade, da qual se apresentava como pai. Cuidara, para conseguir o segundo mandato, de comprar votos no Congresso. O País, em contrapartida, foi posto à venda. Por pouco a Petrobras não acabou nas mãos das célebres irmãs do petróleo. Negócios gigantescos foram fechados a todo custo a favor de empresários escolhidos a dedo.

Foi o tempo em que a amena turmeta que governava as finanças brasileiras esteve preparada a empregar a “bomba atômica”, se preciso fosse, para atingir seus alvos. Bomba atômica, sinônimo de Fernando Henrique, conforme contaram os grampos executados no BNDES. Enquanto isso chacinavam-se lavradores no Norte do País. O Brasil crescia à média anual de 2,5%, com todas as consequências deste falso avanço.

A comparação entre os governos de FHC e Lula é inescapável. E nem falarei da perseguição armada pelo ministério das Comunicações do tucanato contra quem os criticava. Todos os números mostram que o governo que agora se despede saiu-se infinitivamente melhor do que o anterior. Nem por isso, CartaCapital deixou de ser crítica em relação aos dois mandatos de Lula, conforme esclarecido neste mesmo espaço na edição da semana passada, ao definir nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Crítica determinada, às vezes áspera, de vários pontos da política governista. Econômica, social, ambiental. E em outros domínios, quando foram beneficiados os protetores de Daniel Dantas, ou torturadores da ditadura, ou os criadores do desastrado caso Battisti.

A redação recebeu um sem-número de cartas e mais de 300 comentários no nosso site a respeito do declarado apoio a Dilma, indispensável, na nossa visão, a bem do jornalismo honesto. A larga maioria aplaude a escolha, exposta com a clareza e o senso de responsabilidade que de hábito faltam à mídia nativa.

No rol de quem ataca há os provocadores de sempre, sem contar os ignorantes e os crédulos. Como se sabe, o objetivo deste gênero de agressores é levar o alvejado à irritação suprema. Entendemos, porém, que o desespero é o deles. Uma frequentadora do site declara a intenção de cancelar a assinatura de CartaCapital. Em compensação, outro vai fazê-la ao saber da nossa opção.

Uma carta me chama a atenção, de um leitor, ou melhor “futuro ex-assinante”, como sublinha. Trata-se de um cavalheiro encantado com seu próprio senso ético, donde habilita-se a fugir de CartaCapital como o diabo da cruz. Deita uma lição sobre o bom jornalismo e perpetra um punhado de ofensas risíveis, sem deixar de recomendar o incógnito para a sua missiva. Respeitamos seu pedido. Como diria Lévy-Strauss ao falar aos quatrocentões paulistanos, estes que celebram a dita Revolução de 32 e até hoje lhe dedicam um absurdo, paradoxal feriado: “Eles não sabem como são típicos”.

(Foto: reprodução da edição nº3 de CartaCapital)