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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Cuba anuncia primeira vacina contra câncer de pulmão

 

Produto é capaz de inibir o crescimento do tumor

Câncer pulmãoGetty Images
Publicidade
Cuba registrou a primeira vacina terapêutica contra o câncer de pulmão avançado no mundo. De acordo com jornal oficial Trabajadores, que fez o anúncio nesta segunda-feira (10), mais de mil pacientes já estão em tratamento com a vacina nomeada CimaVax EGF.
A responsável pelo projeto, Gisela González, do Centro de Imunologia Molecular (CIM) de Havana, explicou que a vacina oferece a possibilidade de transformar o câncer avançado em uma "doença crônica controlável".
Gisela explica que a CimaVax EGF é o resultado de mais de 15 anos de pesquisa direcionada ao tumor e não provoca efeitos adversos severos.
- A vacina é baseada em uma proteína que todos temos e que está relacionada com os processos de proliferação celular. Quando há câncer, [essa proteína] está descontrolada.
Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", foi preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.
A vacina é aplicada no momento em que o paciente conclui a terapia com radioterapia e quimioterapia. Ela ajuda a controlar o crescimento do tumor sem causar toxicidade, explica a pesquisadora.
Além disso, a vacina pode ser utilizada como um tratamento "crônico que aumenta as expectativas e a qualidade de vida do paciente". A pesquisadora declarou que, após alcançar seu registro em Cuba, atualmente o CimaVax EGF "progride" em outros países. Os médicos agora esperam poder utilizar a vacina para tratar outros tumores, como os de próstata, útero e mamas.
*R7

O que o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana tem em comum?

por Sergio Bertoni
do ParanáBlogs 

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À primeira vista, o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana nada tem em comum e são considerados, por alguns,  fenômenos “isolados” no tempo e no espaço.
Porém, 3 livros publicados nos últimos 18 meses, Vaticano S.A (Gianluigi Nuzzi, Larousse, 2010),  Economia Bandida (Loretta Napoleoni, Difel, 2010)  e A Privataria Tucana (Amaury Ribeiro Jr., Geração Editorial, 2011) mostram que os 3 “fenômenos” tem em comum o modus operandis neoliberal de desvio criminoso de dinheiro público, sempre lavados por empresas ou bancos off-shores, e seu investimento em negócios legais ou espúrios,  fazendo com que de uma forma ou de outra a grana desviada volte aos corrputos e corruptores na qualidade de dinheiro limpo, legalizado no sistema bancário-financeiro internacional.
A lavanderia do Vaticano, através de seu IOR – Instituto para Obras Religiosas, também conhecido como Banco do Vaticano, pode ser considerada a mais antiga encravada na Europa continental, bem no centro de Roma.
Os esquemas relatados no livro de Gianluigi Nuzzi remontam ao papado de Paulo VI e conta como a grana ilegal de políticos,  empresários e bispos de vários países eram legalizados pela off-shore IOR, ou seja, Banco do Vaticano.
Baseado no arquivo secreto do Monsenhor Renato Dodozzi, morto em 2003), Vaticano S.A. revela escândalos políticos e financeiros da maior Instituição Religiosa do Mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana.

O imenso arquivo do Monsenhor Dodozzi, que trabalhou no IOR, ficou guardado na Suíça até a sua morte e hoje acessível a todos, revela uma verdadeira e própria “lavanderia de dinheiro” no centro de Roma, utilizada também pela máfia e por inescrupulosos aventureiros políticos. Um paraíso fiscal que não se submete a nenhuma legislação, a não ser às sacras leis do Estado do Vaticano.
O livro mostra também como fundos “pessoais” do papa João Paulo II foram usados para financiar o sindicato polonês Solidariedade contra o regime socialista soviético.
Economia Bandida chegou ao Brasil após lançamentos de sucesso na América do Norte e Central, Europa e Ásia. Nele, Loretta Napoleoni disseca a extensa rede de ilegalidade existente no planeta – da indústria do sexo na Europa Oriental à rede chinesa de pornografia online, passando pela comercialização do Viagra e pelo tráfico de diamantes na África.

Não é um livro sobre as origens obscuras dos produtos que consumimos nem sobre as mentiras das campanhas publicitárias dos propagandistas da eterna juventude. Tampouco se trata de um manual antiglobalização ou de um manifesto pela revolução do consumidor.
Mostra o que há de comum entre o próspero comércio sexual do Leste Europeu, o escândalo dos empréstimos hipotecários podres nos Estados Unidos, a indústria chinesa de produtos falsificados e a filantropia das celebridades na África.  Descreve como biopiratas exploram a indústria do sangue, como os bandidos da pesca devastam os altos-mares, como a pornografia se desenvolve virtualmente no Second Life e como jogos como o World of Warcraft geram “suadouros” on-line, levando-nos a concluir que as indústrias bandidas estão se transformando em impérios globais e tornando-se regra descarada do sistema capitalista que antigamente procurava disfarçar-se sob negócios tidos como legais.
Mostra, enfim, como o mundo vem sendo remodelado por forças econômicas obscuras que vitimam milhares de pessoas comuns cujas vidas foram aprisionadas na fantasia do consumismo mundial. Napoleoni revela a arquitetura de nosso mundo.
Por sua vez, A privataria tucana nos traz a arquitetura de nosso Brasil “moderno” e, de maneira chocante e até decepcionante, relata a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro, em conluio para roubar dinheiro público.

Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por seu então Ministro do Planejamento, José Serra. Nomes, até agora blindados pela aura da honestidade e pela imprensa nacional, surgirão manchados pela descoberta de seus malfeitos.
O livro traz os documentos secretos e a verdade sobre o maior assalto ao patrimônio público brasileiro e o trânsito de fortunas tucanas até os paraísos fiscais.
O leitor perceberá que nas 3 publicações citadas tudo é SAGRADO, desde que garanta aos  neoliberais e a seus operadores os maiores, mais fáceis e rápidos lucros possíveis, pouco importando a origem ou legalidade das operações em que eles se envolvam.
Interesses  e direitos HUMANOS, nacionais, religiosos, políticos, economicos, sociais ou populares são descaradamente atropelados em nome do rápida e absurda concentração de renda e riquezas do vale-tudo do TUDO PELO CAPITAL.
*Tecedora

Como se cria o preconceito

*tecedora

Valdir Timóteo Leite, presidente do Movimento Inclusão Já.

Caros leitores (as),
Recebi a informação abaixo, do amigo Valdir Timóteo Leite, presidente do Movimento Inclusão Já. Veja a lei que foi aprovada pelo prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab. 



São mais de 30 anos de luta pela inclusão das pessoas com deficiência pelos Movimentos Sociais, e num piscar de olhos, o prefeito e os vereadores de São Paulo aprovam uma lei que está absolutamente na contramão da inclusão. Pelo visto eles preferem agradar os comerciantes do que assegurar os direitos das pessoas com deficiência, previstos em lei.
Veja o que diz nosso amigo, Valdir Timóteo, que está lutando há anos pela acessibilidade:
Vereadores e Prefeito da Cidade de São Paulo acabaram de condenar as pessoas com deficiência a mais 4 anos de exclusão contrariando as Leis Federais
Cada dia que passa fica mais longe o sonho de uma sociedade justa, onde todos possam viver e conviver juntos nos mesmos espaços de uso e atendimento ao público.
PREFEITO GILBERTO KASSAB SANCIONA LEI DANDO ANISTIA PARA COMÉRCIOS ESTABELECIDOS EM IMÓVEIS INACESSÍVEIS E IRREGULARES, E COM ESSA DECISÃO CONDENA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ATÉ 4 ANOS DE EXCLUSÃO.
Vamos pedir o fechamento do Congresso Nacional, visto que as Leis federais que tratam da acessibilidade não precisam ser respeitadas aqui em São Paulo, vejam que a municipalidade é quem está determinando o prazo para o não cumprimento imediato das Leis Federais, assim como demonstra abaixo:
Agora é lei, Auto de Licença de Funcionamento Condicionado, já sancionado pelo prefeito Gilberto KASSAB.
Os comerciantes de São Paulo que ainda não têm alvará de funcionamento de seu negócio ganharam um prazo de até quatro anos para regularizar a situação graças ao Auto de Licença de Funcionamento Condicionado, instituído pela Lei nº 15.499, de 7 de dezembro de 2011, aprovado pelos seguintes vereadores (as) (Projeto de Lei nº 189/10, dos Vereadores:
Abou Anni – PV, Adilson Amadeu – PTB, Adolfo Quintas – PSDB, Agnaldo Timóteo- PR, Alfredinho – PT, Aníbal de Freitas – PSDB, Antonio Carlos Rodrigues – PR, Arselino Tatto – PT, Atilio Francisco – PRB, AttilaRussomanno – PP, Aurélio Miguel – PR, Carlos Alberto Bezerra Jr. – PSDB, Celso Jatene – PTB, Chico Macena – PT, Claudinho – PSDB, Cláudio Prado – PDT, Davi Soares – PSD, Dalton Silvano – PV, Domingos Dissei – PSD, Donato – PT, Edir Sales – PSD, Eliseu Gabriel – PSB, Floriano Pesaro – PSDB, Francisco Chagas – PT, Gabriel Chalita – PMDB, Gilson Barreto – PSDB, Goulart – PSD, Ítalo Cardoso – PT, Jamil Murad – PC do B, João Antonio – PT, Jooji Hato – PMDB, José Américo – PT, José Ferreira-Zelão – PT, José Police Neto – PSD, Juliana Cardoso – PT, Juscelino Gadelha – PSB, Mara Gabrilli – PSDB, Marcelo Aguiar – PSD, Marco Aurélio Cunha – PSD, Marta Costa – PSD, Milton Ferreira – PSD, Milton Leite – DEMOCRATAS, Natalini – PV, Netinho de Paula – PC do B, Noemi Nonato – PSB, Paulo Frange – PTB, Penna – PV, Quito Formiga – PR, Ricardo Teixeira – PV, Sandra Tadeu – DEMOCRATAS, Senival Moura – PT, Tião Farias – PSDB, Toninho Paiva – PR, Ushitaro Kamia – PSD, Wadih Mutran – PP).
Trata-se de uma licença provisória de funcionamento, o PL 189/2010 —, aprovado pela Câmara Municipal em novembro e sancionado nesta quinta-feira pelo prefeito Gilberto Kassab.
Pela nova legislação, atividades comerciais, industriais, institucionais e de prestação de serviços instaladas em edificações irregulares podem continuar em funcionamento enquanto seus proprietários buscam cumprir as obrigações legais para a obtenção do Habite-se.
O Auto de Licença de Funcionamento Condicionado tem prazo de validade de dois anos e pode ser prorrogado por mais dois. O documento apenas será concedido pela Prefeitura se o proprietário do negócio comprovar que já deu início ao procedimento de regularização da edificação junto ao órgão competente.
O benefício é válido para atividades instaladas em imóveis com área total de até 1.500 m², e sua emissão se dará por via eletrônica, o que tornará o processo menos burocrático e facilitará a vida do pequeno e médio empreendedor.
Com a Lei 15.499 regulamentada pelo Executivo, os interessados deverão solicitar a licença provisória dentro de um período de 180 dias.
Para ler o texto da Lei 15.499 na íntegra, Clique Aqui.
http://www2.camara.sp.gov.br/dce/pg_0005.pdf
Mataram e enterraram todas as leis Federais que OBRIGAM os estabelecimentos de atendimento ao público a ter Acessibilidade, pois bem, com essa Lei Municipal FLEXIBILIZARAM as Leis 10.098/2000, Lei 10.099/2000 e o Decreto 5.296 de 2004, AGORA todas as Pessoas com Deficiência que fiquem mais quatro anos sem ter os seus direitos respeitados.
Lei 15.499 de 07 de Dezembro de 2011 Auto de Licença de Funcionamento Condicionado MAIS UMA VERGONHA NACIONAL QUE RETARDA O PROCESSO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, DEIXANDO-AS MAIS UMA VEZ LONGE DE TER OS SEUS DIREITOS RESPEITADOS.
A MUNICIPALIDADE DEVERIA NOTIFICAR OS COMÉRCIOS IRREGULARES PARA QUE OS MESMOS SE ADEQUASSEM AS LEIS DE ACESSIBILIDADE, MAS PREFERIRAM DAR ANISTIA AOS COMÉRCIOS ESTABELECIDOS EM IMÓVEIS IRREGULARES E CONDENAR AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA A FICAR SEM SEUS DIREITOS RESPEITADOS.
*DeficienteCiente

Ana de Hollanda e a ‘guerra de nervos’ da Cultura

BRASÍLIA - Após enfrentar um ano difícil à frente do Ministério da Cultura, marcado por críticas e poucas realizações, a ministra Ana de Hollanda anuncia, na próxima semana, o Plano Nacional de Metas da Cultura, depois de assinar um acordo com o Ministério da Educação, na área da leitura, que vai beneficiar quatro mil escolas e que buscará transformar jovens em agentes de leitura. Nesta entrevista, a ministra diz que 2011 foi duro por causa da crise internacional, que contingenciou o Orçamento, e também por causa das novas regras, aprovadas no Congresso, para convênios com ONGs. “Depois de todos os escândalos, as ONGs ficaram muito visadas”, comenta.
A ministra reforça que decidiu rever todas as ações da gestão anterior e comenta a proposta de nova legislação para os direitos autorais. Sobre esta, afirma que prevê a criação de um instituto para supervisionar entidades privadas como o Ecad, que arrecada e paga o direito autoral da música. Serena, conta que faz exercícios para lidar com as críticas e tentativas de desestabilização e sobreviver no que define como “guerra de nervos”. E diz que gostaria de continuar ministra para implantar programas que foram gestados neste ano, como o da Economia Criativa, atualmente em exame na Casa Civil. Mas faz questão de lembrar que a presidente é quem decide.
O GLOBO: A execução orçamentária do seu ministério está baixa neste ano. O que está acontecendo?
ANA DE HOLLANDA: Toda a sistemática ficou mais complicada. No início do ano, veio um decreto com restrições aos ministérios da Cultura e do Turismo. Restringia convênios com entidades privadas, que era a forma mais comum de se fazer convênios e repasses. Eles tinham que ser via prefeitura ou estado. Depois, (houve) mais dois decretos, inclusive agora em outubro, limitando esse tipo de convênio. A gente tentou ver se passava uma autorização para editais em que uma comissão julga entidades com mais de cinco anos. Não passou. Por exemplo: quero apoiar a Bienal de São Paulo, que já existe há 60 anos, ou a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Mas não dá para fazer um repasse, a não ser que eu faça um grande edital para todas as entidades que podem se candidatar. Uma série de empecilhos foi gerando atrasos. Depois, com todos esses problemas com as entidades privadas, os escândalos, as ONGs ficaram muito visadas. A gente foi buscando saídas. Tivemos que trabalhar via editais, e isso atrasou. O edital tem um prazo de 45 dias, depois mais um prazo para saírem os resultados. Mas agora eles estão saindo, tem um grande de museus que logo vamos empenhar.
Críticos afirmam que a presidente Dilma Rousseff não dá tanta importância para a área de cultura, e por isso as liberações estão atrasando — o que também implica em críticas a seu trabalho...
Não é que não dê. A relação (com Dilma) não tem problema. Falo com a Miriam (Belchior, ministra do Planejamento), falo com a presidente, falo com a Casa Civil (ministra Gleisi Hoffmann). Então, os atrasos foram mais em função das crises. Uma consequência natural. A gente recua. O governo todo recuou em relação às entidades privadas. Em novembro teve um decreto para todos os ministérios, aquele dos convênios. Examinamos todos os nossos. Os que estavam em andamento eram 250, e 190 tinham algum tipo problema. Agora a gente entra em uma fase para resolver.
Essas dificuldades decorrem então do maior rigor que se buscou na liberação dos recursos, em função dos acontecimentos em outras pastas?
Em parte foi isso. Estamos trabalhando direto com a CGU (Controladoria-Geral da União). Eu também tive essa preocupação, no início do ano, de examinar todos os convênios. Isso foi pedido para a gente. Convênios foram suspensos, e teve gente que saiu se queixando nos jornais. Mas era isso. Nós pegamos os convênios do fim do ano, principalmente, e, antes de fazer qualquer pagamento, fomos ver por que convênios de todos os tipos foram feitos.
A senhora parece entusiasmada com o trabalho no ministério. Mas a impressão que temos, pelo que se lê, não é essa, é de esgotamento...
Não vou ficar me pautando pelo que estão dizendo. Este foi um ano de estruturação. No ano passado, foi aprovado o Plano Nacional de Cultura, e estamos fechando metas que vão até 2020. É uma política de Estado, não é apenas para este governo ou para este ano. (...) Nós temos um programa, que vai ser lançado já, o Mais Cultura com o Mais Educação, um convênio para várias ações juntando os ministérios da Educação e da Cultura (que inclui a capacitação de jovens para atuar como agentes de leitura, mediante pagamento de R$ 400, beneficiando cem mil famílias). (...) Sou otimista, porque tenho absoluta consciência do trabalho que está sendo feito.
Haverá mesmo redução no seu orçamento em 2012?
O orçamento que temos é de R$ 1,79 bilhão. Teremos ainda as emendas individuais, cujo montante não é conhecido, mais cerca de R$ 400 milhões do Fundo do Audiovisual. Neste final de ano, ainda teremos a liberação de recursos que estavam contingenciados.
A senhora mandou para a Casa Civil um projeto de Lei de Direito Autoral. Afinal, haverá fiscalização do Ecad?
A gente prevê um instituto para supervisionar o Ecad. Esse organismo não terá poder para fiscalizar, mas vai acompanhar e pedir a prestação de contas. Uma vez constatadas irregularidades, ou quando feitas denúncias, será requerida uma investigação. Na proposta anterior, havia uma medida que era a suspensão, o que era incompatível com o fato de essas associações (arrecadadoras de direitos) serem de direito privado. Não se pode suspender, mas, se não estão cumprindo sua finalidade, a gente denuncia. E todos os anos elas terão de apresentar a prestação de contas. O ministério vai fazer um acompanhamento.
A criação desse instituto é posterior à aprovação da nova Lei de Direito Autoral?
A lei tem que ser aprovada (antes). A gente já está delegando ao ministério essa questão de acompanhamento, de supervisão, de cobrar das entidades todas uma prestação anual. As denúncias comprovadas serão encaminhadas. Quando assumi, havia muitas queixas do mundo da criação. No ano passado, houve uma consulta pública, e uma proposta foi enviada à Casa Civil. Meu primeiro passo foi tomar conhecimento disso. Depois, publicamos na página do ministério aquela proposta. Foram feitas contribuições, promovemos um seminário e apresentamos um novo texto, que não é uma nova lei, mas uma revisão da primeira proposta.
O Ecad vai sofrer controle?
A supervisão está prevista. Vai ter supervisão.
Por que a proposta prevê que o licenciamento de obras será registrado em um banco de dados central?
Isso é um avanço. Vamos criar o registro pela internet. Tudo o que for publicado e comercializado terá um registro com todas as informações em relação a quem cabem os direitos sobre aquela obra. Nesse registro, o autor vai informar até de que forma pode autorizar o uso de sua obra. A gente pensou nisso em função do escândalo que houve com o Ecad. Foi aquele caso do laranja (o motorista Milton Coitinho, denunciado pelo GLOBO em abril) que registrou como sendo dele obras de outros compositores. Eram músicas que estavam em cinema, televisão, audiovisual, e que não tinham obrigatoriedade de registro. Aquilo estava no vazio. Quando você grava um CD ou DVD existe um registro internacional. Temos que fazer esse registro para tudo. Uma música não lançada que está no meio de um filme terá registro em nome de fulano. Hoje você não sabe o que está em domínio público. Tem que ir ao Ecad. Se tivermos esse banco de dados, o Brasil inteiro vai poder acessar. Esse mundo da criação é gigante, e nele impera a confusão.
Por que o texto do projeto não é público?
Porque ainda está em discussão. Primeiro foi discutido no Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual, agora está na Casa Civil, passando por avaliação jurídica e recebendo contribuições de outros ministérios, antes que chegue às mãos da presidente para que ela possa mandar ao Congresso.
Qual é a sua avaliação sobre as críticas que recebe?
Acho que têm muita relação com o fato de que a área que assumi tinha vários candidatos. Hoje li nos jornais que tem um pessoal protestando. As pessoas que estão encabeçando isso são as mesmas que assinaram manifesto de repúdio a mim quando meu nome foi sugerido como um dos possíveis, em dezembro do ano passado. Recebo trocas de e-mails entre eles. A crítica maior não é do meio artístico ou do meio cultural ou dos empreendedores. Acho que está relacionada com essa coisa do direito autoral. Tem esse pessoal que é muito ligado à cultura digital que já está se aproximando, porque nós temos a diretoria de cultura digital aqui, e está havendo diálogo. Tem também as pessoas que querem outro ministro, aí a crítica é para qualquer passo que eu dê, não tem jeito. Sobre essa proposta de direito autoral, primeiro disseram que eu queria mudar tudo, depois que eu copiei o Juca (Ferreira, seu antecessor no cargo). Quer dizer: ou uma coisa, ou outra.
A senhora está entusiasmada? Deseja continuar no ministério?
Estou. É cansativo, é esgotante e desagradável ver algumas surpresas, coisas que não têm pé nem cabeça, mas sou bem resistente e não me deixo abalar por isso. É uma guerra de nervos. Estou fazendo exercícios para não entrar nela. As críticas sempre partem de quem tinha pretensão de ser ministro. A presidente me convidou, e para mim é uma honra e um grande desafio. É claro que ela tem que ter uma equipe de confiança e que desenvolva programas de acordo com a política que ela estabelece. Eu estou em diálogo permanente. Se ela quiser mudar, não vou criar resistências. Ela foi eleita por maioria imensa, e é ela que vai saber qual é a política que quer conduzir. Eu a apoio e respeito tudo.
* Colaborou Joelma Pereira

*esquerdopata

Proposta de divisão do Pará é rejeitada por 66,6% dos eleitores

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou à 0h40 da madrugada de hoje (12) a apuração final do plebiscito sobre a proposta de divisão do estado do Pará. Pelo resultado, 66,6% dos eleitores rejeitaram a criação dos estados de Carajás e do Tapajós, enquanto 33,4% se disseram favoráveis. Houve 1,05% de votos nulos e 0,41% em branco, em um total de 3,6 milhões de votos válidos.
Pelos dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará,  4.848.495 eleitores estavam aptos a votar, mas houve 1.246.646 abstenções, o equivalente a 25,71% do total. Os eleitores compareceram a 14.249 seções espalhadas em todo o estado.
Na votação, o eleitor teve de responder sim ou não a duas perguntas. Na primeira, se era a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Tapajós; e na segunda, se era a favor da divisão do Pará para a criação do estado de Carajás.
O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, disse ontem (11), em Belém, que a realização do plebiscito representou "um momento histórico" e comemorou o fato de a votação ter ocorrido de forma "ordeira e pacífica".
"Realmente é um momento histórico extremamente importante, e isso mostra que a democracia brasileira está amadurecida e consolidada”, disse o ministro. “Novamente o povo brasileiro, notadamente o povo paraense, comparece às urnas de forma absolutamente ordeira e pacífica para manifestar a sua opinião quanto à possível separação do estado.”
Lewandowski lembrou que o gasto com a realização do plebiscito foi inferior ao estimado inicialmente, que era aproximadamente R$ 25 milhões. Segundo ele, as despesas ficaram em torno de R$ 19 milhões, incluindo o uso das Forças Armadas.

Edição: Graça Adjuto

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Exclusivo: Chico Buarque na Rolling Stone Brasil

Em nossa capa especial de 5 anos, o maior compositor vivo do país fala abertamente sobre música, política e família

Chico Buarque
Daryan Dornelles 
por Redação
Não poderíamos comemorar nossos 5 anos de existência de um jeito melhor: nossa edição especial apresenta na capa Chico Buarque (clique no link à esquerda "Veja a galeria completa" para ver a foto), o maior compositor vivo do Brasil, em uma conversa longa e franca, como há anos não se via com o artista.
Vídeo: assista ao making of da sessão de fotos com Chico Buarque.
Chico falou ao editor Paulo Terron sobre como se divide entre a música e a literatura, política e sobre como lida com a fama e com a era dos paparazzi. “Acho chata essa fiscalização moralista da vida dos outros. Vou deixar de ir à praia, mas outras coisas eu não vou deixar. O meu vinho vou tomar, meu cigarro vou fumar”, diz o ídolo.
Ele também conta que é mais difícil viabilizar turnês pelo fato de não se utilizar da Lei Rouanet – e também afirma se manter distante de certos assuntos por ter uma irmã, Ana de Hollanda, como ministra. “Até fico fora do assunto de direito autoral para não parecer que eu tenho alguma coisa a ver com isso. Para mim é um incômodo ter uma irmã no Ministério da Cultura.”
A Rolling Stone Brasil especial de 5 anos estará nas bancas a partir da próxima quinta, 13. Abaixo, você lê algumas das respostas de Chico Buarque que estão na edição:
Você é conhecido por ser metódico no trabalho. E na vida cotidiana, também? Você se permite decisões espontâneas ou mantém o controle?
Eu não sabia que tinha fama de metódico. Na verdade, minha vida e meu trabalho se confundem, nem eu mesmo sei direito quando estou trabalhando ou não. Às vezes digo que estou muito atarefado, porque as pessoas pensam que um artista está sempre disponível para ir à festa. Como o artista em geral não tem horário, não dá expediente, costumam pensar que é vagabundo. Mas, assim como a criança se concentra num brinquedo, tem dias em que preciso me concentrar no trabalho, nem que seja compor um palíndromo ou inventar times de futebol.
A expectativa a respeito de suas músicas é sempre alta. Essa pressão chega até você?
Eu não posso me deixar levar por isso. E não adianta você querer matar um leão por dia, porque as pessoas sempre vão dizer que o leão antigo era melhor e mais forte do que o de hoje [risos]. Mas não é isso que vai me estimular. Existe uma pressão interna, sim, uma necessidade e um prazer grande em fazer uma música. Essa possibilidade de alternância é saudável, porque ninguém está esperando um disco novo meu daqui a um ano: nem eu, nem ninguém. Tem esse tempo todo agora, lento e de maturação. Escrever um livro provavelmente – e isso não precisa ser tão mecânico – vai tomar um longo tempo. Então, não acho que a gente deva se levar por esse tipo de pressão. Não tenho contrato com gravadora, não tenho obrigação nenhuma e já é suficiente a pressão que a gente exerce sobre si próprio.
A Ana de Hollanda foi criticada por ter uma postura em relação aos direitos autorais que foi considerada um retrocesso em relação aos ministros anteriores. Você tem opinião sobre isso?
Não tenho e me mantive alheio a esse assunto. Exatamente porque desde o início tentou-se passar a impressão de que eu teria alguma ingerência na nomeação da minha irmã como ministra. Para mim, o mais confortável era que o Juca Ferreira continuasse sendo ministro. Até mesmo para que as pessoas xingassem o Juca Ferreira e não a minha irmã nos jornais [risos]. Quando entra esse assunto de direitos autorais, volta e meia sou procurado, recebo e-mails e tal. Digo: “Prefiro não me interessar por isso”. São tantos assuntos pelos quais a gente tem de se interessar, tantos jornais que a gente tem de ler, tantas notícias que a gente tem que ficar por dentro, que eu prefiro deixar esse de lado. E há colegas meus que estão brigando, discutindo isso com muito mais conhecimento de causa do que eu. Prefiro não opinar. Nem sei direito o que é o Creative Commons, o que isso deixa de ser. Eu sei que o selo foi tirado do [site do] Ministério. O que isso representa, eu não sei.
O amor está presente no novo disco. Mas teve uma frase, de “Querido Diário”, que foi muito comentada: “amar uma mulher sem orifício”. Teve muito debate, a crítica a usou contra você.
No “Querido Diário” está lá: um dia, segundo dia, terceiro dia, quarto dia. Evidentemente que há algo de nonsense no sujeito que resolve, num belo dia, ter uma religião e, andando na rua, imagina que vai sacrificar uma ovelha. Já entrou nesse campo [risos]. Aí ele resolve ter uma adoração por uma estátua, ou seja, amar uma mulher sem orifício. Eu li em algum lugar que “amar uma mulher sem orifício” seria amar uma mulher casta, uma mulher difícil. Aí, se não é burrice, já é vontade de encher um pouquinho o saco do compositor.
*HistóriaVermelha

Toda visão alternativa e incoveniente da política é rotulada como Teoria da Conspiração

Já estão saindo à luz etiquetas várias para colar no livro de Amaury Ribeiro Jr., escolham a sua.

"Se desqualifica toda visão alternativa e inconveniente da história e da política rotulando-a como teoria da conspiração" ( Adrian Salbuch- analista internacional)
*BrasilMobilizado

Estudante que ofendeu nordestinos é processada por racismo

Justiça decide abrir ação contra Mayara Petruso, que fez declarações no Twitter no auge da campanha presidencial de 2010.
A estudante de Direito Mayara Petruso, que no ano passado defendeu o assassinato de nordestinos na rede social Twitter, agora é ré em um processo criminal por racismo. A Justiça Federal em São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público Federal pedindo a abertura da ação, com base em mensagens postadas na internet e no depoimento da própria estudante.
Em novembro do ano passado, quando as pesquisas de boca de urna anunciaram a vitória de Dilma Rousseff na eleição para a Presidência da República, Mayara postou a seguinte mensagem em sua página no Twitter: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”.
A pena para o crime de racismo vai de três meses a um ano de prisão mais multa. Como o crime foi cometido por meio de um veículo de comunicação, pode ser elevada para até cinco anos de cadeia.

Segundo o MPF, Mayara confirmou em depoimento que é a autora dos comentários. Em entrevista ao iG em novembro do ano passado, o comerciante Antonio Petruso, pai da estudante, disse estar "surpreso, decepcionado e envergonhado” com a atitude da filha. Petruso se declarou eleitor de Dilma.
Além disso, MPF confirmou a materialidade de uma mensagem publicada também no Twitter por Natália Campello, residente em Recife (PE): “O sudeste é um lixo, façam um favor ao Nordeste, mate um paulista de bala :) VÃO SE F... PAULISTAS FILHOS DA P...”. Segundo o MPF, as duas mensagens são igualmente racistas. No entanto, as autoridaedes ainda não conseguiram identificar Natalia corretamente, e sabem apenas que ela mora no Recife.
A ação contra Mayara resultou da manifestação feita na época por várias pessoas e entidades de classe, entre elas a OAB de Pernambuco. No dia 5 de novembro de 2010, a seccional da Ordem apresentou uma notícia-crime contra Mayara ao Ministério Público de São Paulo. O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, afirmou que devido ao fato de todos os elementos comprovarem a prática de crime pela internauta, a entidade tomou a iniciativa de promover a ação penal".
Para o presidente da OAB-PE, a estudante praticou, ao mesmo tempo, os crimes de racismo e de incitação pública à pratica delituosa. Ele citou como exemplo outra recente manifestação de uma usuária do Twitter, também de cunho racista, após a realização do jogo Ceará x Flamengo, quando o time cearense saiu vencedor. "Isso não pode crescer. Enquanto não houver uma punição exemplar, esses crimes continuarão sendo cometidos", afirmou. Com reportagem de Renata Baptista, iG Pernambuco
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