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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Troque a Faca Pelo Garfo / Forks Over Knives (2011)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiepEhyphenhyphen9PDJoZTYb0IbQ4A7yVWsVrQWOeKBOJQMJH5LnmeHnQAd-TtSUxSy7D2s6mpP2iWh08sSVaS_MEOae0vHi8eV0qC5e4MHu5l5HGf6VzxHZ7OJpAtvL3RRvP477fO25K1jnirLULk/s1600/Forks_Over_Knives_movie_poster.png


(EUA, 2011, 90 min. - Direção: Lee Fulkerson)
Contundente! Imperdível!
Você sabia que em 1958 nos EUA foram registrados 14.000 casos de câncer de próstata e que no Japão, que tinha a metade da população estadunidense, foram registrados apenas 18 casos?
Se você acha que o câncer e a diabetes só podem ser tratadas através de medicamentos, você precisa ver esse documentário. Aqui não se trata de achismos ou doutrinas, muito pelo contrário: pesquisas extensas e dados coletados pelos 4 cantos do mundo com as mais variadas etnias, por vários anos mostram que doenças coronárias, diabetes, câncer podem ser evitadas e até mesmo revertidas através de uma alimentação saudável.
Resta agora você saber o que é saudável...
*docverdade

Depoimento de estudante expulsa da USP

Do Blog USP em Greve
 Nota do Núcleo de Consciência Negra:

‎"A reunião extraordinária realizada no CRUSP dia 17/12 para discutir a expulsão dos 6 estudantes da USP, foi muito boa cerca de 100 pessoas compareceram, entre a medida de entrar com mandato de segurança o quanto antes contra as expulsoes, tiramos também medidas fundamentais para dar uma resposta imediata do movimento a esse brutal ataque. Dentre essas medidas está sendo convocado um Ato em resposta à eliminação dos seis estudantes na próxima segunda-feira (19 de Dezembro), com concentração às 13 horas em frente à reitoria e reunião ampliada às 17 horas na sala 51 na Associação de Moradores do CRUSP, que reúna além de toda galera, o Comando de Greve, o Sindicato dos Trabalhadores (SINTUSP), além da Associação dos Professores (ADUSP) e demais entidades combativas de dentro e de fora da universidade". [Rosi Sanyos]

Maiakovski, poeta russo escreveu, no início  do século XX :

Na primeira noite, eles se aproximam

e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


Maiakovski

Depois Bertold Brecht escreveu:
Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertold Brecht (1898-1956)

Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…


Martin Niemöller, 1933 – símbolo da resistência aos nazistas.

Também Martin Luther King disse: “O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!”.

Fora Rodas!

Mulher pisoteada por soldados marca volta do terror ao Cairo

    Momento em que um soldado pisa no peito da manifestante: imagem símbolo da volta do terror à praça Tahrir. Foto: Reuters





























Momento em que um soldado pisa no peito da manifestante: imagem símbolo da volta do terror à praça Tahrir

Uma foto de uma manifestante egípcia sendo agredida pelas forças policiais se tornou um símbolo da volta do terror às ruas do Cairo. A imagem mostra a mulher sendo chutada e pisoteada após ser agredida por soldados durante os distúrbios de ontem, o segundo dia de confrontos desde o reinício das revoltas na praça Tahrir, ganhando grande repercussão na internet. Ao menos 10 pessoas morreram nos últimos três dias na capital egípcia.
As cenas são chocantes. Os homens batem covardemente. Um deles pisa com força no peito da manifestante. E, como destaca a versão online da The Atlantic Magazine, há algo especialmente bárbaro em relação a essa imagem no mundo árabe: nesses países, o tabu da violência contra mulheres desarmadas é muito forte. Apesar disso, a cena de três soldados batendo em uma mulher indefesa com golpes de cassetetes, socos e até as botas ainda não é a parte mais provocativa. O fato de esses homens terem puxado a sua vestimenta até acima de sua cabeça, expondo o abdômen e peito é, no Egito, uma profunda humilhação sexual.
E há certa horrível ironia sobre o uso da vestimenta, a "abaya", um símbolo de modéstia e piedade, para cobrir-lhe o rosto e arrastá-la pela rua. Mesmo que talvez não tenha sido intencional, isso não deixará de ser notado pelos olhos dos egípcios. O vídeo (http://bit.ly/t2Z8AE) e as fotos que mostram a agressão à manifestante foram amplamente divulgados em sites como o Facebook e o Twitter. Entretanto, não há informações confirmadas sobre o que aconteceu com a mulher - a gravação disponível na web corta após o momento em que um dos soldados que espancavam a vítima cobre o corpo dela com o véu.
*Cappacete

Dilma também desvia da casca de banana jogada para melar a CPI da Privataria

No café da manhã com jornalistas que cobrem o Planalto, na manhã de sexta-feira, a presidenta Dilma, desviou da casca de banana que as cascavéis do PIG, presentes, colocaram no caminho para a presidenta escorregar.

As jornalistas presentes (inclusive a "menina do Jô", Cristina Lobo) não escrevem nada sobre o livro "A Privataria Tucana" em seus veículos, mas logo puxaram o assunto perguntando se Dilma já havia lido. A Presidenta foi esperta e rápida, desviando da armadilha:

– Não li nem o livro sobre mim… (referindo-se ao livro do jornalista Ricardo Amaral sobre a Presidenta).
Menos sutil, perguntaram se apoiaria a CPI da privataria. Dilma também deixou as "piguentas" em xeque ao dizer que CPI é para casos extremos (sem especificar os casos que são extremos).
Queriam arrancar de Dilma uma declaração que deixasse José Serra e FHC na posição de vítima. Se Dilma titubeasse, a manchete no outro dia seria: "Dilma e o PT querem usar o poder do Estado Brasileiro para esmagar a oposição". Gilmar Mendes (e a OAB) iria dizer que era caso de impeachment porque a Presidenta estaria usando do cargo para "perseguir um partido da oposição".
Não se lembram no caso dos cartões corporativos, quando tentaram inventar que a Casa Civil estava fazendo um dossiê anti-FHC?
Para piorar, iriam dizer que Dilma só apoia CPI contra adversários, e ela não teria mais argumentos para se dizer contra qualquer CPI de tapioca que a oposição e a imprensa inventasse.
Então, vamos ficar espertos, gente. Dessa vez o governo Dilma está batendo um bolão.

Alguém já viu José Serra ou Alckmin, quando governadores, fazer declarações a favor de CPI estaduais que o rolo compressor dos deputados tucanos faziam na Assembléia Legislativa, direcionadas para desgastar o PT? Aliás quem sempre defendeu as CPI's contra o governo federal sempre foram os líderes tucanos e suas bancadas, nunca os governadores. Os tucanos não cometem esses erros primários. Não peçam para gente do governo Dilma cometerem e virarem aloprados.
O PIG usa essas declarações para dizer que a CPI não vai sair do papel. Balela. O PIG está apenas jogando verde para colher maduro, e fazendo o jogo de interesses tucanos, mas a CPI vai sair sim, e o fiel da balança não é o PT, é o resto da base governista. Se o PT se expor demais, como se estivesse querendo um terceiro turno de 2010, e for com muita sede ao pote, o PIG transforma José Serra em vítima e a CPI mela. Na próxima nota explico as razões.
Leia também esta nota anterior que explica minuciosamente como é a armadilha: "Vaccarezza desviou da casca de banana: PIG queria transformar Serra e FHC em vítimas".
*osamigosdopresidentelula

Apertem os cintos: o livro sumiu!

"Privataria", em dois dias, sumiu da lista dos mais vendidos na Folha
Os leitores viram, o Tijolaço reproduziu no dia 12, o Nassif no dia 15, quinta feira: “A privataria tucana” era o primeiro na lista dos livros mais vendidos na Livraria da Folha e ambos reproduzimos a imagem.
Porque, oh, que surpresa,  o livro desapareceu! Das prateleiras, onde é difícil encontrar um que seja para levar na hora?
Não, não, da lista dos mais vendidos, onde era o primeiro, na quinta-feira.
Não caiu para segundo, não caiu para terceiro: apenas sumiu. Entrou na lista o livro do FHC!
Em outras livrarias, como a FNAC, o livro, “devido ao grande sucesso”, só está sendo vendido por reserva.
...embora continue "bombando" na FNAC: só vendem por encomenda
A coisa na Folha é tão feia que nem mesmo nas duas  subpáginas “Literatura e biografias > Gêneros literários > Livro-reportagem” , o livro de Amaury
Ribeiro Jr. está listado, e é essa a classificação que tem, porque na busca por título você ainda o encontra no site.
Pelo visto, por enquanto.
Depois da “ditabranda”, é o primeiro caso de “Index Librorium Prohibitorium”.
*Tijolaço

Privataria no cinema


A Privataria Tucana - O Filme from Cloaca News on Vimeo.

*cloacanews

Morre Kim Jong-il, líder da Coreia do Norte

Filho mais novo é o ‘grande sucessor’; Coreia do Sul põe Forças em alerta e Bolsa de Seul cai
PYONGYANG e SEUL - A TV estatal da Coreia do Norte informou nesta segunda-feira que o governante do país, Kim Jong-il, morreu no último sábado, às 8h30m (horário local, 21h30m de sexta-feira pelo horário de Brasília). O líder, de 69 anos, enfrentava sérios problemas de saúde e já tinha sofrido um derrame, em 2008. Segundo fontes, ele estava em estado de apoplexia há alguns meses. De acordo com um despacho norte-coreano publicado pela agência sul-coreana Yonhap, Kim morreu por causa de "fadiga mental e física" e teve um ataque cardíaco durante uma viagem.
O anúncio da morte do líder, que governou o país por 17 anos, foi transmitido pela TV estatal com um pronunciamento emocionado de uma apresentadora vestida de preto: “Nosso grande líder morreu”.
O líder morto sábado - que recebeu o comando da Coreia do Norte de seu pai - já havia escolhido o mais novo de seus três filhos, Kim Jong-un, (foto) para sucedê-lo. A TV estatal anunciou oficialmente: “Kim Jong-un é o grande sucessor e líder do partido (dos Trabalhadores), das Forças Armadas e do povo”
Mas há desconfianças sobre o futuro político do país comunista, que há anos vive uma séria crise econômica e fortes tensões com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, países que Kim Jong-il já ameaçou atacar.
Reações tensas nos vizinhos e nos mercados
As forças armadas sul-coreanas entraram em alerta e a bolsa de Seul - país constantemente ameaçado pela Coreia do Norte - teve forte baixa após o anúncio da morte do líder. Motivo: as incertezes envolvendo o vizinho comunista. O governo sul-coreano convocou uma reunião de emergência.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca informou que está monitorando de perto a situação. O presidente Obama e seu colega sul-coreano, Lee Myung-bak, conversaram por telefone logo após o anúncio da morte do líder.
No Japão, o primeiro-ministro Yoshihiko teve uma reunião especial de segurança com seu gabinete e disse a seus ministros que se preparassem para qualquer circunstância inesperada, incluindo uma queda acentuada das bolsas ou “questões fronteiriças”. Ao mesmo tempo, o governo japonês expressou condolências pela morte do líder norte-coreano.
"O governo expressa suas condolências após o anúncio repentino da morte inesperada do presidente da Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte, Kim Jong-il. O governo japonês espera que isso não tenha consequências negativas para a paz e a estabilidade na península coreana", disse o comunicado.
Na Austrália, o ministro do Exterior, Kevin Rudd, pediu “calma” aos governos da região para manter a situação controlada perante a "ambiguidade e incerteza" provocadas pela morte do líder norte-coreano.
O governo chinês, país da região que tem as melhores relações com o regime norte-coreano, expressou condolências e disse que continuará buscando com a Coreia do Norte “a establidade regional”.
O funeral
Kim Jong-il era o filho mais velho de Kim Il-Sung, o fundador da Coreia do Norte comunista e idolatrado no país, numa linha de cunho stalinista. Segundo a propaganda oficial, quando Kim Jong-il nasceu, em 1942, surgiram no céu uma estrela e um arco-íris duplo. Desde então, o monte Paekdu, onde teria nascido, é um lugar sagrado. Na Coreia do Sul e no ocidente, no entanto, a versão é diferente: o líder que morreu sábado teria nascido num campo de treinamento guerrilheiro russo, a partir de onde seu pai empreendeu a guerra de resistência contra o Japão, até 1945.
Após obter um diploma universitário, em 1964, Kim Jong-il fez carreira dentro do Partido dos Trabalhadores. Já em 1980 foi designado por seu pai o sucessor no comando do país. Porém, só em 1994, após a morte do pai, assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores e o comando de fato das Forças Armadas.
A agência oficial KCNAO informou que o funeral do líder será em 28 de dezembro, em Pyongyang, com o país comunista de luto até 29 de dezembro. O líder deverá ser enterrado no Palácio Memorial de Kumsusan, onde também fica o mausoléu de seu pai.
*comtextolivre

Mídia vassala do império rufa os tambores de alegria e mancheteia morte de Kim –Jong – Il


           Coreanos choram a morte de Kim-Jong-Il
Praticamente, a mesma manchete em toda a mídia.
Afinal, sabe-se que mais de 90 por cento dos freqüentadores da mídia não têm o mínimo interesse pela Coréia do Norte.
Por que então tamanha importância?
Comercial?
Não é.
Ideológica?
Não é.
Educacional, turística  e outras mais?
Também não.
Por que tanto regozijo midiático?
Simples.
A Coréia do Norte é uma potencia Nuclear.
Os Estados Unidos já tentaram por diversas vezes invadir o país.
As ameaças de invasão pela turma que se locupleta com o sangue dos seus e dos outros, foram inúmeras, mas recuavam sempre na Hora H.
A Coréia do Norte estava sempre com o dedo no botão nuclear.
Pronto para disparar.
Coréia do Norte não possui a riqueza de um Iraque, de uma Líbia.
De uma geografia como o do Afeganistão e da ameaçada Síria.
Mas ao contrario dessas nações, possui o que de mais precioso hoje para revidar a qualquer tentativa de invasão e ocupação.
Possui a Bomba Atômica que qualquer nação que se preze, que se autodenomine de nação, precisa ter.
Se até uma tribo como Israel possui, por que o Brasil não pode ter?
Pense nisso, se você acredita que o seu país é uma nação.
*gilsonsampaio

O Narcotráfico: uma arma do império

do Cidadã do Mundo
Gilberto López y Rivas
La Jornada
A Argenpress, em suas edições virtuais, colocou à venda o livro “O Narcotráfico: Uma Arma do Império”(2010), de Marcelo Colussi, cuja leitura se torna imprescindível para a análise sobre o assunto no âmbito planetário e, em particular, para a compreensão da trágica situação que nosso país (*) vive atualmente. Considerando-se seu trabalho como uma contribuição para uma área onde existem demasiadas mentiras, o autor sustenta que, ao redor do narcotráfico há uma versão oficial, usada incansavelmente pelos meios de comunicação de massa, e uma realidade oculta.
Observando a magnitude descomunal do negócio das drogas ilícitas, afirma que o circuito comercial movimenta cerca de 800 bilhões de dólares anuais, acima do valor das vendas de petróleo, mas abaixo do valor das vendas de armas, que continua sendo o mercado mais rentável de todo o mundo. A hipótese principal de Colussi consiste em explicar que o poder hegemônico liderado pelos EUA encontrou nesse novo campo de batalha um terreno fértil para prolongar e readequar sua estratégia de controle universal. Assim “como o encontrou também com o chamado `terrorismo`, nova `praga bíblica´ que tem possibilitado a nova estratégia de dominação militar unipolar, com sua iniciativa de guerras preventivas”.
Sustenta-se que os mesmos fatores de poder que movem a maquinaria social do capitalismo global criaram a oferta de entorpecentes, geraram sua demanda, e sobre a base desse circuito, teceram o mito de algumas maléficas máfias super poderosas enfrentadas com a humanidade, causa das angústias e ansiedades dos honestos cidadãos, motivo pelo qual está justificada uma intervenção policial-militar em escala planetária.
Seguindo uma metodologia de perguntas e respostas, nosso autor estabelece uma interrogante chave: quem se favorece com o tráfico de drogas ilegais? Ele responde que, para as grandes maiorias, não há benéficio algum: o dependente de drogas entra em um inferno no qual não mais de 10 por cento dos que tentam consegue se recuperar; seus familiares levam uma carga de agonias, pois o vício envenena toda a convivência; aos agricultores que cultivam a matéria prima nos países do sul somente chega 1% dos lucros totais do negócio; entre os povos indígenas, o pagamento em dinheiro, a repressão e a cultura deliquencial rompem com as estruturas dos auto-governos comunitários; a economia camponesa de consumo próprio é substituída por outra mercantilizada; a cultura do dinheiro fácil vinculada à criminalidade liga-se a toda uma desagregação do tecido social, que entra em um processo de decomposição e de guerra; todo o aparato de banditismo e o dedicado à comercialização, seja o mula, o jibaro ou o capo, têm um histórico de vidas breves e fortunas efêmeras (de alguns poucos), nas quais a morte e a prisão estão sempre ao redor na esquina. Não é uma economia sustentável. É uma história de sofrimento e dor. A nós, latino-americanos, nos sobram a crise, a guerra civil, os mortos, sociedades destruídas e somente alguns dólares que movem as máfias locais.
Essas máfias, afirma Colussi sem lhes tirar sua quota de responsabilidade, não são senão uma pequena parte de toda a cadeia. Os mafiosos são comerciantes que fazem seu trabalho e não passam disso;ganham dinheiro, muito dinheiro sem dúvida, mas não tem poder de decisão sobre os termos macro do assunto... os que fazem a grande fortuna, definitivamente são os banqueiros: “essa massa enorme de dinheiro que move o negócio - que certamente se traduz em poder, muito poder político e poder social – também chega a outras esferas de ação: esse dinheiro é “lavado” e chega a circuitos aceitos... Não é nenhuma novidade que existe toda uma economia ´limpa´, produto de ações de branqueamento dos capitais do narcotráfico, e são bancos ´limpos´ e honoráveis os que costumam fazer essas operações, os mesmos que manejam o capital financeiro multinacional que hoje controla a economia mundial, e aos quais o Sul pobre aporta cifras astronômicas na qualidade de dívida externa”.
Mas, além de ser um enorme negócio, o tráfico de drogas ilegais tem outro significado: é utilizado como mecanismo de controle das sociedades. É um dispositivo que permite uma supervisão do coletivo por parte da classe dominante. Passa-se a controlar a sociedade em seu conjunto e ela é militarizada, tendo-se a desculpa ideal para que o poder possa mostrar os dentes. Uma população assustada é muito mais manobrável.
Por sua parte, o imperialismo norte-americano vem aplicando de forma continuada um suposto combate ao negócio das drogas ilícitas, cujo objetivo real é permitir aos EUA intervir onde desejar, tenha interesses ou onde estes sejam afetados. Terminar com o consumo está absolutamente fora de seus propósitos. Onde há recursos que ele precisa explorar – petróleo, gás, minerais estratégicos, água doce, etc, e/ou focos de resistência popular, aí aparece o demônio do narcotráfico. Isso é uma política consubstancial a seus planos de controle global. Graças a ela, o governo dos Estados Unidos conta com uma arma de dominação político-militar. Na realidade, o suposto combate ao narcotráfico é a montagem de uma sangrenta obra de teatro. É um combate frontal contra o campo popular organizado, no qual na Colômbia e agora no México, por exemplo, as oligarquias e seus governos tem-se sujeitado docilmente às estratégias dos EUA, sendo a plataforma para a contra-insurgência, a criminalização das resistências e a militarização e paramilitarização de nossos países. O consumo induzido de drogas é parte medular da manutenção do sistema capitalista, tanto como o é a guerra, razão por que o autor apresenta em sua conclusão a mesma disjuntiva de Rosa de Luxemburgo: socialismo ou barbarie.
(*) México (N.do T.)
*GilsonSampaio

O primo distante do Tea Party

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O Tea Party e o Ku Klux Klan possuem diversos elementos em comum.  É possível presumir então que ambos tenham alguma conexão além da ideológica?
Escrevendo para o New York Times, o historiador Kevin Boyle criou uma agitação com sua crítica de dois livros recentes sobre o Ku klux Klan (organização racista com origem no sul dos EUA após a Guerra Civil). Neste trecho está sintetizado o teor do texto, também servindo como passagem ofensiva:
Imagine um movimento politico criado em um momento de ansiedade terrível, suas origens escondias em uma combinação peculiar de manipulação e mobilização de pessoas comuns, seus postos dominados por cristãos conservadores e autoproclamados patriotas, sua agenda dirigida pela fervorosa retórica nacionalista, nativista e de regeneração moral, com mais do que um sopro de racismo bafejando por ele.
Não, não esse movimento.
Naturalmente, isto inspirou uma enxurrada de críticas de blogs e de especialistas de direita. Johan Goldberg, da National Review’s, ataca a crítica como “falha” e reclama que Boyle não mencionou os laços da Klan com os Democratas e Progressistas (como se fossem o mesmo grupo em 1920), enquanto o Media Research Center descreveu a crítica como ofensiva. A revista The Weekly Standard adota a mesma opinião de Goldberg, e leva seus leitores na direção de provas de que Democratas e Progressistas eram os reais aliados da Klan.
Alguns fatos. Qualquer historiador honesto rapidamente reconhece a extensão à qual a Klan estava entrelaçada com os políticos democratas na primeira metade do século XX. Embora ambos os partidos tivessem abandonado largamente os direitos civis no começo do século, é justo dizer que até 1940 o Partido Democrata era, sem dúvidas, um partido de supremacia branca nos Estados Unidos, especialmente no sul. Que a Klan estava envolvida com o Partido Democrata nos anos vinte não é um choque, dado o grau em que ambos os grupos dominavam estados periféricos como Kentucky na primeira metade do século.
Mais importante, Boyle não diz nada sobre a Klan como um órgão dos políticos republicanos. Ao invés disso, ele (corretamente) aponta que as forças que animavam a Klan – a cristandade conservadora, o nativismo, o populismo branco, o hiper-patriotismo e o preconceito racial – têm se manifestado através da história americana, inclusive hoje em dia. E, conquanto o Tea Party (movimento conservador e ultra-direitista ligado ao Partido Republicano) não seja um grupo terrorista contra negros, é difícil dizer até que ponto  o movimento seja motivado pela mesma constelação de forças reacionárias.
Os fatos ressaltam isso. De acordo com uma vistoria recente do Instituto de Pesquisa de Religião Pública (Public Religion Research Institute), 47% dos americanos que se identificam com o movimento Tea Party também se identificam com a direita religiosa, e 75% se consideram conservadores cristãos. Os políticos do Tea Party são majoritariamente brancos, mais predispostos a ver a imigração como um problema, e a nutrir um ressentimento contra americanos negros. Visto de outro ângulo, não é um acidente que os birthers encontraram um lar entre os adeptos do Tea Party. E obviamente, a retórica do Tea Party tende a aumentar as proclamações do patriotismo “real”, e um desejo de retornar às fundações da vida política americana.
O Tea Party é um movimento reacionário clássico na tradição americana, e como resultado, compartilha similaridades com a Ku Klux Klan. Eu repito, isso não significa que os adeptos do Tea Party também sejam da Klan, mas é simplesmente verdade que o movimento deriva de tópicos semelhantes na vida americana. Dada a extensão da clareza desse fato, os defensores conservadores do Tea Party estão, talvez, protestando um pouco demais.
Jamelle Bouie
Tradução de Othon Veloso Schenatto
Acesse o original aqui
*GilsonSampaio