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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
terça-feira, dezembro 20, 2011
A morte do blogueiro
O blog Tijoladas do Mosquito era um fenômeno de audiência. Para se ter ideia, chegou a ter 70 mil acessos num só dia. Os poderosos do Estado, acostumados com um jornalismo medroso, jornalismo puxa-saco, falsamente equilibrado e independente, viram-se na mira de alguém que, acima de tudo, dizia tudo o que tinha para dizer sem medo e sem nenhuma censura.
Exasperado com a maldade e a corrupção, cometeu erros, “passou dos limites”, como ele mesmo reconheceu em seu último post. Seus métodos jornalísticos e seu estilo são passíveis de muitas críticas, mas ninguém pode acusá-lo de covarde. Mosquito era um homem corajoso e levou às últimas consequências a sua missão de denunciar aquilo que considerava errado. Ele não se escondia. Esteve sempre na linha de frente.
Durante a ditadura, como líder estudantil, foi um dos protagonistas da Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis, em 1979, contra a visita do então presidente João Batista Figueiredo. Mosquito foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e preso.
Quarto do poder
Curioso ele ter morrido exatamente 43 anos depois da entrada em vigor do AI-5, o ato institucional que, entre outras coisas, acabou com o que ainda restava de liberdade de expressão no Brasil. Curioso porque a luta por uma sociedade verdadeiramente democrática foi sua maior bandeira. E, contrariando as estatísticas, ele não mudou de lado, não se acomodou em cargos públicos, não se vendeu.
Como se sabe, mas sempre se esquece, não existe democracia sem pluralidade de ideias. E não existe pluralidade de ideias quando se tem um monopólio da comunicação. Em Santa Catarina, a luta de Mosquito era urgente e necessária. A Rede Brasil Sul (RBS), afiliada da Rede Globo, possui 20 emissoras de tevê, 24 emissoras de rádio, oito jornais, além de mais de uma dezena de produtos de plataforma digital.
Diante disso, o jornalismo catarinense não é um quarto poder, mas um quarto do poder. A cumplicidade entre imprensa e poder político, entre poder econômico e imprensa é tão intensa, tão explícita, que chega a parecer normal. Mas Mosquito não achava normal a hipocrisia, a falta de escrúpulos, a corrupção, a impunidade e este monopólio criminoso.
Ameaças e retaliações
Um dos grandes legados deixado pelo blogueiro foi ter escancarado a falência do jornalismo “sério” da grande mídia. A audiência de seu blog provinha, essencialmente, da quantidade de informação de interesse público que ele dava com exclusividade. Interesse público, compromisso social, é um negócio completamente fora de moda no jornalismo praticado pela grande mídia.
Ouvi alguns jornalistas, todos desta imprensa “séria”, lamentando a morte, mas dizendo: “o que ele fazia não era jornalismo”. Tudo bem, mas qual nome se dá ao trabalho realizado por esses jornalistas sérios e responsáveis?
No seu último post, escrito sete dias antes da sua morte, ele disse: “Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações. É sensato dar um tempo”. Ele estava acuado. Assumiu, sozinho, uma briga que deveria ser coletiva.
Com esta morte trágica, os corruptos de todas as espécies e de todos os Poderes podem estar se sentindo mais aliviados, mas não esqueçam que ele, o Mosquito, – mesmo involuntariamente – assentou vários tijolinhos ao longo de sua militância e desses tijolinhos, quem sabe, um dia, se construa uma imprensa mais indignada, menos hipócrita e mais comprometida com os interesses da maioria da população.
Fernando Evangelista é jornalista, colunista do NR. Escreve às terças a coluna Revoltas Cotidianas. A coluna faz uma pausa e volta em janeiro do ano que vem.
*Notaderodapé
Se você for negro, mendigo, pobre, gay (mulher), lembre-se de se vestir de yorkshire antes de morrer espancado. Aí talvez deem a atenção devida ao crime
A classe média preza por suas prioridades
São Paulo é uma cidade em que a vida de qualquer cachorrinho de madame vale mais que a de um ser humano. Até passeata andaram fazendo contra maus tratos a animais. Quem comete atos de violências contra animais deve de fato ser punido. Mas não se vê um décimo da comoção motivada pelo espancamento de um yorkshire quando se trata de pessoas. Vivemos em uma cidade onde diariamente ocorrem chacinas, crimes de intolerância, assassinato e espancamento de mulheres. Se não aprendermos a valorizar sequer o ser humano, como poderemos respeitar os animais?
*Cappacete
Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.
A Falta que faz a imprensa só a CPI supre
Vejo comentários de muitos jornalistas bem situados profissionalmente que, numa afetada autoridade de Pilatos no Credo, dizem faltar uma apuração mais profunda aos episódios descritos no “A Privataria Tucana”, que levem a plena comprovação dos indícios de crime ali apontados e materializados em documentos.
Estariam cobertos de razão, se não fosse uma “pequena” circunstância: a de que, dentro da legalidade, só duas formas existem de esclarecer situações deste tipo: o Judiciário e a imprensa.
Ao primeiro, claro, é próprio o ritmo da lei, seus prazos e meandros. Como é exclusivo, também, seu poder de condenar e punir, que a imprensa não pode e não deve usurpar.
Mas à imprensa, se quer – como diz – representar o clamor público pela gestão dos bens públicos, tem outra mecânica, mais célere, mais ágil e que, como é natural, também provoca julgamentos de natureza política.
É simples demonstrá-lo. Qual dos ministros atingidos pela onda de denúncias foi, até agora, condenado pelos atos brandidos nas manchetes de jornal como crimes? No entanto, sua desconstrução política foi completa e todos eles, hoje, sob esta ótica, são ruínas.
Se é que vão chegar a existir, os processamentos judiciais dos supostos “malfeitos” levarão anos. E não é de duvidar que, sem a pressão da mídia sobre eles, dissolvam-se.
No caso do livro de Amaury Ribeiro Júnior, têm razão estes comentarista, sim. Falta uma apuração mais extensa. Mas perdem a razão quando não dizem claramente que esta, imediatamente, é competência do jornalismo, é a grande mídia brasileira, neste caso, se recusa a investigar e publicar qualquer coisa: o que está no livro e as extensões que a partir dele se traçam.
Nem, aliás, o que ela mesma já considerou tema digno de suas matérias.
Os exemplos são muitos; elenco apenas alguns que, apenas a partir de documentos disponíveis ao público, este Tijolaço foi capaz de estabelecer.
É um fato que a Decidir.Com teve acesso aos cadastros bancários de uma gigantesca multidão de correntistas brasileiros. É um fato que a Decidir.Com era dirigida pela Sra. Verônica Serra. É um fato que está sendo processada criminalmente por isso. Tudo isso está documentado no livro de Amaury Ribeiro Jr. A própria Folha, como se publicou aqui, serviu-se deste acesso irregular aos cadastros bancários para apontar 18 deputados que emitiram cheques sem fundos, em reportagem que já antecipa o fato de ser irregular este acesso.
No entanto, o nome da responsável por essa violação, suas conexões com capital caribenho e a notícia de que há um processo criminal a respeito não foram publicadas, a não ser pela CartaCapital – em matéria de Leandro Fortes – , no livro de Amaury e nos “blogs sujos”.
Como é fato que o marido de Verônica Serra, apontado no livro como sócio de empresas em paraísos fiscais e de outras, aqui, inclusive ao lado de Verônica, foi condenado e executado por dívidas com o INSS e ela própria participavam de empresas relacionadas ao mesmo Citco Building, em Tortola, nas Ilhas Virgens. E que “funcionavam” na mesma PO Box 662 daquele endereço, sede também dos negócios do malsinado Ricardo Sérgio.
E assim como é também fato que a Citco, titular do endereço, tem uma empresa aqui no Brasil, num escritório à Avenida Bernardino dos Santos, no Paraíso, onde repousam, também, a Rádio Holdings, do filho do presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, acusada de associação irregular com a Disney na Rádio Itapema FM, cuja sede é na mesma sala, gerida por dois contadores que movimentam empresas de paraísos fiscais e internacionais de toda a espécie, inclusive o JP Morgan, cujo braço de investimentos One Equity tem como representante a Pacific Investimentos de Verônica Serra?
Mas estes fatos, originários ou derivados de buscas feitas a partir do livro de Amaury, só surgem por obra da blogosfera, prque não aparecem na grande mídia.
Portanto, soa hipócrita querer pontificar dizendo: não entramos em disputas partidárias, vamos aos fatos.
Os fatos estão aí, e a mídia não vai.
Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.
Coisas simples, assim:
- Alô, é D. Veronica Serra? Boa tarde, aqui é Fulano, da Folha,(ou do Globo, do Estadão) . Eu gostaria que a senhora me falasse a respeito do caso do sigilo bancário que foi parar no site da Decidir, quando a senhora era diretora da empresa, como foi publicado em janeiro de 2001, na Folha. Como é que foram obtidos aqueles dados?
Pois é…
Portanto, restanos a terceira forma de apurar estes fatos dentro da legalidade: uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Em geral, as CPIs surgem de escândalos publicados pela imprensa. A CPI da Privataria, ao contrário, surgirá de um escândalo que a grande imprensa não vê e ainda condena quem o vê.
A imprensa brasileira troca, neste caso, sua condição de testemunha pela de ré.
Estariam cobertos de razão, se não fosse uma “pequena” circunstância: a de que, dentro da legalidade, só duas formas existem de esclarecer situações deste tipo: o Judiciário e a imprensa.
Ao primeiro, claro, é próprio o ritmo da lei, seus prazos e meandros. Como é exclusivo, também, seu poder de condenar e punir, que a imprensa não pode e não deve usurpar.
Mas à imprensa, se quer – como diz – representar o clamor público pela gestão dos bens públicos, tem outra mecânica, mais célere, mais ágil e que, como é natural, também provoca julgamentos de natureza política.
É simples demonstrá-lo. Qual dos ministros atingidos pela onda de denúncias foi, até agora, condenado pelos atos brandidos nas manchetes de jornal como crimes? No entanto, sua desconstrução política foi completa e todos eles, hoje, sob esta ótica, são ruínas.
Se é que vão chegar a existir, os processamentos judiciais dos supostos “malfeitos” levarão anos. E não é de duvidar que, sem a pressão da mídia sobre eles, dissolvam-se.
No caso do livro de Amaury Ribeiro Júnior, têm razão estes comentarista, sim. Falta uma apuração mais extensa. Mas perdem a razão quando não dizem claramente que esta, imediatamente, é competência do jornalismo, é a grande mídia brasileira, neste caso, se recusa a investigar e publicar qualquer coisa: o que está no livro e as extensões que a partir dele se traçam.
Nem, aliás, o que ela mesma já considerou tema digno de suas matérias.
Os exemplos são muitos; elenco apenas alguns que, apenas a partir de documentos disponíveis ao público, este Tijolaço foi capaz de estabelecer.
É um fato que a Decidir.Com teve acesso aos cadastros bancários de uma gigantesca multidão de correntistas brasileiros. É um fato que a Decidir.Com era dirigida pela Sra. Verônica Serra. É um fato que está sendo processada criminalmente por isso. Tudo isso está documentado no livro de Amaury Ribeiro Jr. A própria Folha, como se publicou aqui, serviu-se deste acesso irregular aos cadastros bancários para apontar 18 deputados que emitiram cheques sem fundos, em reportagem que já antecipa o fato de ser irregular este acesso.
No entanto, o nome da responsável por essa violação, suas conexões com capital caribenho e a notícia de que há um processo criminal a respeito não foram publicadas, a não ser pela CartaCapital – em matéria de Leandro Fortes – , no livro de Amaury e nos “blogs sujos”.
Como é fato que o marido de Verônica Serra, apontado no livro como sócio de empresas em paraísos fiscais e de outras, aqui, inclusive ao lado de Verônica, foi condenado e executado por dívidas com o INSS e ela própria participavam de empresas relacionadas ao mesmo Citco Building, em Tortola, nas Ilhas Virgens. E que “funcionavam” na mesma PO Box 662 daquele endereço, sede também dos negócios do malsinado Ricardo Sérgio.
E assim como é também fato que a Citco, titular do endereço, tem uma empresa aqui no Brasil, num escritório à Avenida Bernardino dos Santos, no Paraíso, onde repousam, também, a Rádio Holdings, do filho do presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, acusada de associação irregular com a Disney na Rádio Itapema FM, cuja sede é na mesma sala, gerida por dois contadores que movimentam empresas de paraísos fiscais e internacionais de toda a espécie, inclusive o JP Morgan, cujo braço de investimentos One Equity tem como representante a Pacific Investimentos de Verônica Serra?
Mas estes fatos, originários ou derivados de buscas feitas a partir do livro de Amaury, só surgem por obra da blogosfera, prque não aparecem na grande mídia.
Portanto, soa hipócrita querer pontificar dizendo: não entramos em disputas partidárias, vamos aos fatos.
Os fatos estão aí, e a mídia não vai.
Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.
Coisas simples, assim:
- Alô, é D. Veronica Serra? Boa tarde, aqui é Fulano, da Folha,(ou do Globo, do Estadão) . Eu gostaria que a senhora me falasse a respeito do caso do sigilo bancário que foi parar no site da Decidir, quando a senhora era diretora da empresa, como foi publicado em janeiro de 2001, na Folha. Como é que foram obtidos aqueles dados?
Pois é…
Portanto, restanos a terceira forma de apurar estes fatos dentro da legalidade: uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Em geral, as CPIs surgem de escândalos publicados pela imprensa. A CPI da Privataria, ao contrário, surgirá de um escândalo que a grande imprensa não vê e ainda condena quem o vê.
A imprensa brasileira troca, neste caso, sua condição de testemunha pela de ré.
Vale vende quatro dos 19 navios do Almirante Agnelli
Deu agora à noite no Valor Econômico:
“A Vale já começou a tocar a nova estratégia da empresa desenhada por Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, para a área de navegação de longo curso. A mineradora acaba de vender a armadores asiáticos quatro dos 19 navios encomendados a estaleiros coreanos e chineses na gestão anterior de Roger Agnelli, confirmou fonte da companhia ao Valor.
A meta da Vale para 2012, adiantou o interlocutor, é colocar os restantes 15 supermineraleiros a venda, mas sempre com contrato de longo prazo vinculado a transação. A nova estratégia foi aprovada na semana passada pelo conselho de administração.
O recente episódio do supernavio Beijing, contratado pela Vale da coreana STX Pan Ocean, que quase afundou quando carregava minério de ferro da empresa no píer I do porto de Ponta Madeira, em São Luís, no Maranhão, e mais a surpreendente resistência dos portos chineses em receber as embarcações da Vale foram a gota d’água para Ferreira colocar em prática a nova logística de transporte marítimo no mercado transoceânico de minério.”
A operação, na verdade, não será totalmente de venda de navios, mas de repasse ou cancelamento de seus contratos de construção, sobretudo no caso dos contratados junto ao sul-coreano STX. Embora a materia não informe, os quatro navios vendidos devem ser o Vale Brasil, Vale Rio de Janeiro, Vale Itália, além do Vale Beijing, que está avariado em São Luis. Há pelo menos outros dois já lançados, em acabamento.
Uma operação totalmente desastrosa, feita de velocidade e em escala totalmente imprudentes – os 19 navios são todos da classe Chinamax, os maiores do mundo, com 400 mil toneladas de porte bruto – movida pela voracidade de exportar rapidamente tanto minério quanto possível, da mesma forma como Roger Agnelli se livrou, em apenas dois anos – entre 2001 e 2003 – da frota própria da Vale, a Docenave.
Esse era o “ídolo” empresarial dos neoliberais, o homem da “eficiência”, com a experiência de uma almirante de banheira e sua frota de patinhos de borracha.
*Tijolaço
“A Vale já começou a tocar a nova estratégia da empresa desenhada por Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, para a área de navegação de longo curso. A mineradora acaba de vender a armadores asiáticos quatro dos 19 navios encomendados a estaleiros coreanos e chineses na gestão anterior de Roger Agnelli, confirmou fonte da companhia ao Valor.
A meta da Vale para 2012, adiantou o interlocutor, é colocar os restantes 15 supermineraleiros a venda, mas sempre com contrato de longo prazo vinculado a transação. A nova estratégia foi aprovada na semana passada pelo conselho de administração.
O recente episódio do supernavio Beijing, contratado pela Vale da coreana STX Pan Ocean, que quase afundou quando carregava minério de ferro da empresa no píer I do porto de Ponta Madeira, em São Luís, no Maranhão, e mais a surpreendente resistência dos portos chineses em receber as embarcações da Vale foram a gota d’água para Ferreira colocar em prática a nova logística de transporte marítimo no mercado transoceânico de minério.”
A operação, na verdade, não será totalmente de venda de navios, mas de repasse ou cancelamento de seus contratos de construção, sobretudo no caso dos contratados junto ao sul-coreano STX. Embora a materia não informe, os quatro navios vendidos devem ser o Vale Brasil, Vale Rio de Janeiro, Vale Itália, além do Vale Beijing, que está avariado em São Luis. Há pelo menos outros dois já lançados, em acabamento.
Uma operação totalmente desastrosa, feita de velocidade e em escala totalmente imprudentes – os 19 navios são todos da classe Chinamax, os maiores do mundo, com 400 mil toneladas de porte bruto – movida pela voracidade de exportar rapidamente tanto minério quanto possível, da mesma forma como Roger Agnelli se livrou, em apenas dois anos – entre 2001 e 2003 – da frota própria da Vale, a Docenave.
Esse era o “ídolo” empresarial dos neoliberais, o homem da “eficiência”, com a experiência de uma almirante de banheira e sua frota de patinhos de borracha.
*Tijolaço
O inimigo da moral
Vladimir SafatleO maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade
O primeiro atributo dos julgamentos morais é a universalidade. Pois espera-se de tais julgamentos que sejam simétricos, que tratem casos semelhantes de forma equivalente. Quando tal simetria se quebra, então os gritos moralizadores começam a soar como astúcia estratégica submetida à lógica do “para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei”.
Devemos ter isso em mente quando a questão é pensar as relações entre moral e política no Brasil. Muitas vezes, a imprensa desempenhou um papel importante na revelação de práticas de corrupção arraigadas em vários estratos dos governos. No entanto houve momentos em que seu silêncio foi inaceitável.
Por exemplo, no auge do dito caso do mensalão, descobriu-se que o esquema de corrupção que gerou o escândalo fora montado pelo presidente do maior partido de oposição. Esquema criado não só para financiar sua campanha como senador mas (como o próprio afirmou em entrevista à Folha) também para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu candidato.
Em qualquer lugar do mundo, uma informação dessa natureza seria uma notícia espetacular. No Brasil, alguns importantes veículos da imprensa simplesmente omitiram essa informação a seus leitores durante meses.
Outro exemplo ilustrativo acontece com o metrô de São Paulo. Não bastasse ser uma obra construída a passos inacreditavelmente lentos, marcada por adiamentos reiterados, com direito a acidentes mortais resultantes de parcerias público-privadas lesivas aos interesses públicos, temos um histórico de denúncias de corrupção (caso Alstom), licitações forjadas e afastamento de seu presidente pela Justiça, que justificariam que nossos melhores jornalistas investigativos se voltassem ao subsolo de São Paulo.
Agora volta a discussão sobre o processo de privatização do governo FHC. Na época, as denúncias de malversações se avolumaram, algumas apresentadas por esta Folha. Mas vimos um festival de “engavetamento” de pedidos de investigação pela Procuradoria-Geral da União, assim como CPIs abortadas por manobras regimentais ou sufocadas em seu nascedouro. Ou seja, nada foi, de fato, investigado.
O povo brasileiro tem o direito de saber o que realmente aconteceu na venda de algumas de suas empresas mais importantes. Não é mais possível vermos essa situação na qual uma exigência de investigação concreta de corrupção é imediatamente vista por alguns como expressão de interesses partidários. O Brasil será melhor quando o ímpeto investigativo atingir a todos de maneira simétrica.
*GilsonSampaio
Serra e FHC estão na mira da CPI da Privataria, que prevê o depoimento de ambos
Por Redação – do Rio de Janeiro
Ao reunir apoio mais do que suficiente para ingressar, ainda nesta quarta-feira, com o requerimento para abertura da CPI daPrivataria na Câmara, o deputado e delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) não descarta a convocação do candidato tucano derrotado à Presidência da República no ano passado, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) para depor perante os deputados. Ambos são citados como cúmplices em uma série de possíveis crimes contra o Erário, durante o processo de privatização, segundo denúncia contida no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
– A Câmara não precisa de autorização do STF nem de ninguém para convocar o ex-presidente FHC a depor. Depende apenas da CPI, que já conta com mais de 250 assinatura, das 171 necessárias regimentalmente – esclarece o parlamentar, em entrevista exclusiva para o Correio do Brasil, na manhã desta segunda-feira.
Protógenes indica, ainda, que a CPI da Privataria, uma vez instalada, passará imediatamente à fase de apuração da veracidade de todos os documentos contidos no livro-reportagem do jornalista Amaury Jr, A Privataria Tucana. O autor revela, entre outras denúncias, que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio participou, ativamente, no envio de mais de R$ 60 bilhões ao exterior, entre os anos de 1998 e 2002. Entre os documentos anexados está um laudo da própria Polícia Federal, com a assinatura dos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro. Ricardo Sérgio aparece, posteriormente, como principal arrecadador de recursos para as campanhas eleitorais de Serra, tanto ao governo do Estado de São Paulo quanto à Presidência da República, em 2010.
– Iremos, inicialmente, levantar a veracidade de um por um dos documentos citados no livro. O primeiro passo da CPI será a formação de um grupo de trabalho com esta finalidade. Os fatos revelados no livro, para nós, já são suficientes para a abertura de um procedimento dessa natureza e, uma vez confirmados tanto a origem quanto a autenticidade documental, estes fatos serão fortalecidos. Aferidas as provas apresentadas, o passo seguinte será a convocação de todas as pessoas envolvidas, entre elas o ex-presidente FHC e o ex-governador José Serra – afirmou.
“Antes de assumir como o homem do dinheiro de Serra e FHC, Mr Big(como é conhecido Ricardo Sérgio) trabalhou durante 30 anos na área privada. Serviu ao banco Crefisul e ao Citibank e, mais tarde, estabelecendo-se por conta própria, abriu duas empresas. Sempre teve um confortável padrão de vida, mas tornou-se milionário mesmo depois de três anos no timão da área internacional do Banco do Brasil. Foi o único diretor do BB não indicado pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes, e também o único com acesso a FHC”, acrescenta o jornalista Amaury Jr., em seu livro. Para o delegado Protógenes, se ele ainda estivesse na ativa “já teria aberto um inquérito”.
– Mas, como estou na Câmara, a medida adequada é a abertura desta CPI. O requerimento será entregue nesta quarta-feira porque muitos deputados, que querem assinar o documento para a abertura das investigações, não o puderam fazer na sexta-feira. Muitos ainda estão me ligando aqui para também assinar o requerimento – disse o parlamentar.
Delegado federal
Licenciado da Polícia Federal e deputado federal pelo PCdoB de São Paulo, Protógenes Queiroz foi o delegado no comando da Operação Satiagrahaque desvendou um dos maiores esquemas de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha do país. Ela resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, citado no livro A Pirataria Tucana como um dos colaboradores do esquema mafioso. Também participou da prisão do especulador Naji Nahas, do contrabandista Law Kin Chong, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) e de outros 14 acusados de corrupção. Protógenes coordenou, em parceria com a Promotoria de São Paulo, as investigações do caso Corinthians/MSI , por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Os envolvidos nas fraudes da arbitragem do futebol Brasileiro, em 2005, também foram investigados por ele e pelos promotores Roberto Porto e José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco. O delegado presidiu o inquérito sobre remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais que descobriu movimentações de quase cinco milhões de dólares das quais o ex-prefeito Celso Pitta seria o principal beneficiário. O ex-prefeito Paulo Maluf foi investigado no mesmo inquérito. Foi de Protógenes o relatório final do inquérito sobre desvios de dinheiro na Prefeitura de São Paulo durante os governos de Maluf (1993-1996) e Pitta (1997-2000).
Na Câmara, o parlamentar é suplente nas comissões de Reforma Política, Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Turismo e Desporto, Reforma Política, Políticas Públicas de Combate às Drogas e na Subcomissão Permanente para tratar do sistema de segurança pública, seus órgãos institucionais, carreiras e programas de valorização dos policiais.
*CorreiodoBrasil
segunda-feira, dezembro 19, 2011
STF põe mordaça no CNJ

Em decisão provisória, STF reduz poderes de investigação do CNJ
Logo após a cerimônia que fechou o ano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar limitando os poderes do Conselho Nacional dle Justiça (CNJ) para investigar e punir juízes acusados de irregularidades. De acordo com a decisão de Marco Aurélio, o CNJ não pode atuar antes das corregedorias dos tribunais locais. Para o ministro, o CNJ tem uma competência subsidiária, o que permite ao órgão complementar o trabalho das corregedorias locais e não assumir em primeira mão as investigações. A decisão de Marco Aurélio é liminar. Em tese, poderá ser contestada durante o recesso do Judiciário, que começa nesta terça-feira, 20, e vai até o início de fevereiro. Se a liminar for mantida, deverá ser analisada em fevereiro pelo plenário do STF.
Na prática, o CNJ perde o poder de iniciar suas próprias investigações contra magistrados suspeitos de irregularidades. O conselho só terá o direito de absorver processos que já tenham sido abertos nas corregedorias locais, desde que possa comprovar que as apurações estão paradas.
*PHA
Mire-se no exemplo de Verônica
Notícias — Por DESACATORedirecionado por Celso Vicenzi.
Você, minha querida amiga, jornalista, professora, publicitária, administradora, por que ralar tanto por tão pouco?
Mire-se no exemplo de Verônica. Ela trabalha quase nada, ganha milhões e não precisa dar satisfações a ninguém. Justiça e imprensa passam longe de vigiar esta empreendedora.
Mire-se no exemplo de Verônica. Ela trabalha quase nada, ganha milhões e não precisa dar satisfações a ninguém. Justiça e imprensa passam longe de vigiar esta empreendedora.
Só para você ficar com água na boca:
1) As empresas de Verônica, em geral, não produzem NADA. Elas apenas funcionam como estações intermediárias entre grandes movimentações financeiras. Mas rendem muito, muito mesmo.
2) Veja que o fundo de investimentos que ela montou com o marido tinha sede em… Vamos ver se você adivinha… Em Trancoso, na Bahia, um lugar obviamente lotado de executivos e sedes de grandes bancos internacionais.3) Quando deu na telha, ela decidiu montar a Decidir.com, e logo a empresa recebeu do Banco Opportunity um capital de US$ 5 milhões.
4) Para não ter problemas com gente bisbilhoteira, ela transferiu a empresa para o escritório da Ctco. Building, na Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso… fiscal. E lá ganhou muito mais dinheiro.
5) De lá, entre uma praia e um drink exótico, internalizou R$ 10 milhões em ações da empresa no Brasil, que funcionava… no escritório da própria Verônica.
6) Essa espertíssima brasileira sabe multiplicar e gerir as chamadas “empresas camaleão”.
7) Se é para ganhar dinheiro, vale tudo. Por exemplo, Verônica invadiu os registros de 60 milhões de brasileiros e os vendeu, bem vendidos. Tino comercial. Ou seja, orgulhe-se: provavelmente você ajudou Verônica a fazer mais um milhãozinho.
9) Quando a operação Satiagraha colou na mulher mais esperta do Brasil, ela não titubeou. E divulgou nota oficial: “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”. Ou seja, Verônica Serra é tão astuta que nem precisa conviver com seus sócios, eternas fontes de aborrecimento.
10) Fechada uma empresa, abre-se outra. Verônica Serra torna-se representante da OEP, braço do JP Morgan, em seus investimentos no Brasil. Sua companhia, que a rigor não produz nada, é comprada por uma das maiores instituições financeiras do mundo. Segundo o Valor Econômico a transação pode ter valor de referência superior a US$ 100 milhões.
11) Espertamente, o negócio foi mediado por outra empresa, a Pacific Investimentos, que coincidentemente também pertence a… Verônica Serra.
12) Essa empresa foi criada com capital de R$ 268.834,00, mas três dos sócios só capitalizaram R$ 1 cada.
13) Em cinco meses apenas, a empresa obtém lucros espetaculares e a sócia norte-americana da empresa, Margot Greenman, deixa a sociedade, levando um dinheirinho e um automóvel Corolla usado.
14) Lógicamente, Verônica Serra passa a ser dona de toda a empresa, e das boladas que arrecada, exceto por R$ 2. Sim, dois reais continuam pertencendo a seus parceiros.
15) Dona Margot, por sua vez, também é muito prática e capaz. Em seguida, ela vira diretora da Solfin Securitizadora, que muda de nome para Financial Crédito. Por obra de Deus, o capital da empresa salta instantaneamente de R$ 10 mil para R$ 65 milhões.
E você aí, ralando, acordando cedo, fazendo as contas no final do mês, pesquisando preço de produtos no supermercado, atrasando o IPVA… Bobagem, mire-se no exemplo de Verônica. Com ela, não tem aperto. Com ela, é só prosperidade.
PS Tudo isto está provado com documentos e detalhes no Livro de Amauri Ribeiro JR, A privataria Tucana. editora Geração. Sao paulo dez 2011.
Imagem tomada de: conversaafiada.com.br (Esq: Verônica Dantas)
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