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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, dezembro 21, 2011

EUA a caminho do precipício

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos informa: uma em cada cinco mulheres foi estuprada.
O Centro é órgão governamental.
O Centro informa também que um em cada sete homens sofreu estupro.
Se você é um dos crédulos que vêem os  EUA como um paraíso e um bom lugar para viver, você com certeza é mais uma vítima da mídia.
E da indústria de entretenimento.
AQUI Você lê a reportagem envergonhada e reduzidíssima.
Aliàs essa informação não é nenhuma novidade para os leitores do blog.
Leia AQUI o que escreveu o cientista e astrônomo Karl Sagan em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios.
Se nos EUA é assim, você já imaginou o que eles não fazem nos países ocupados?
*GilsonSampaio

terça-feira, dezembro 20, 2011

O protesto dos alunos contra a mensalidade da Cásper Líbero

que vai passar de absurdos R$1500.
*LuisNassif

Difamação (Defamation) - A Indústria do Antissemitismo.



O documentário Hashmatsa (Defamation) do diretor israelense Yoav Shamir é uma porrada dolorida no estômago, pois quando um judeu diz ao público que ele nunca experimentou o anti-semitismo (embora ele ouve sobre isso constantemente) , e o mesmo pergunta se isso não foi usado como uma ferramenta política para justificar ações militares israelenses, sinceramente, temos que escutar o que esse personagem tem a dizer.


O diretor israelense Yoav Shamir embarca em uma provocante - e às vezes irreverente - busca para responder à pergunta: Qual é o anti-semitismo hoje? Será que continuam a ser uma ameaça perigosa e imediata? Ou é uma tática de medo usados ​​por sionistas de direita para desacreditar seus críticos? 

Falando com um conjunto de pessoas de todo o espectro político (incluindo o chefe da Liga Anti-Difamação e seus mais ferozes críticos, o autor Norman Finkelstein) e viajar para lugares como Auschwitz (ao lado de crianças das escolas em Israel) e Brooklyn (de explorar relatos de violência contra os judeus), Shamir descobre a realidade do anti-semitismo hoje. Suas descobertas são chocantes, esclarecedora e - surpreendentemente - muitas vezes ironicamente engraçado.

*Tireotubo

A resposta das religiões afrobrasileiras à TV Record

Dica da @Binahlre

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Tempos atrás, o Ministério Público Federal de São Paulo, através da procuradora Eugênia Gonzaga, inovocou uma tese inédita, desenvolvida por procuradores: a do direito de resposta coletivo. Ou seja, o direito de resposta quando setores extensos da sociedade forem afetados por manifestações jornalísticas.

Foi impetrada uma ação contra a TV Record, que havia atacado as religiões afrobrasileiras.

Um programa chegou a ser gravado, como direito de resposta. Mas a emissora logrou impedir a veiculação, recorrendo da ação.

Aqui, o vídeo - inédito.

*Tecedora

Por um Natal sem neve 

 

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:

A televisão no Brasil não dita apenas hábitos, costumes e valores, mas também o ritmo de vida da maioria da população. Nos dias úteis com seus horários para “donas de casa”, crianças e adultos e nos fins de semana com uma programação diferenciada, supostamente mais adaptada ao lazer. A TV organiza também as comemorações das efemérides ao longo do ano, das quais o ponto alto é o Natal. Com muita antecedência saltam da tela canções da época e muita propaganda, criando clima para o “espírito natalino”.



As crianças são o alvo principal. Se já são bombardeadas com apelos de compra o ano todo, no Natal a pressão cresce. Apresentadoras joviais e alegres conquistam a confiança dos pequenos telespectadores com seus dotes artísticos para, em seguida, atraí-los para as compras, no mais das vezes, desnecessárias. Da classe média para cima é comum ver crianças com brinquedos pouco ou nada usados, comprados apenas como resposta aos apelos publicitários.

Mas a TV não está só na casa de quem pode comprar. Hoje ela é um bem universalizado no Brasil, advindo daí a sensação de exclusão sofrida por crianças cujas famílias estão impossibilitadas de satisfazer seus desejos. Esse desconforto resulta da crença de que o consumo é um valor em si, substituto da cidadania. Só é cidadão quem consome.

“O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania”, diz o professor Octávio Ianni em “Príncipe eletrônico”, artigo que se tornou referência para a discussão do papel político da comunicação nas sociedade modernas.

No Natal, a metamorfose atinge seu auge e segue até a virada do ano. As mercadorias ganham vida na TV e estão à disposição para satisfazer todos os desejos, o mercado oferece democraticamente a todos os mesmos produtos e, ao consumi-los, exerceríamos nossos direitos de cidadãos. São falácias muito bem embaladas em luz, cores e sons sedutores. As regras do jogo são essas. Quem mantém as TVs comerciais são os anunciantes. Apesar disso, as emissoras poderiam ter um pouco mais de criatividade. Não há Natal na TV brasileira sem a milésima reprise do filme Esqueceram de Mim, com neve em quase todas as cenas, ou sem o indefectível “especial”, sempre com o mesmo cantor.

Nem o jornalismo escapa, com colagens em forma de clipes usadas à exaustão mais para reviver sustos já sofridos pelo telespectador do que para informar. Em determinado ano, que pode ser qualquer um, o apresentador famoso abria a resenha na principal rede de TV exclamando: “Um ano de arrepiar em todo o planeta. Incêndios, terremotos, furacões”. E dá-lhe imagens espetaculares, que de notícia pouco têm.

Podia ser diferente? Claro que sim. Poderíamos ter na TV um Natal mais brasileiro e um final de ano criativo (com a publicidade mais controlada). Realizadores não faltam, o que falta são oportunidades para mostrar seus trabalhos. Mais de 200 deles apresentaram pilotos de programas no Festival Internacional de Televisão, realizado em novembro no Rio. Não haveria ali gente capaz de tirar a televisão da rotina desta época?

Criatividade também não falta na produção audiovisual brasileira. Precisamos é de ousadia para mostrá-la ao público oferecendo bens culturais capazes de enriquecê-lo espiritualmente. Ou como dizia um diretor da BBC, a melhor TV do mundo: “Temos a obrigação de despertar o público para ideias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, e talvez desafiando suposições existentes acerca da vida, da moralidade e da sociedade. A televisão pode, também, elevar a qualidade de vida do telespectador, em vez de meramente puxá-lo para o rotineiro”.

Belo desafio, não? Feliz Natal.

Deleite garotos podres

A morte do blogueiro

Amilton Alexandre, conhecido como Mosquito, o blogueiro mais polêmico de Santa Catarina, foi encontrado morto em sua casa na quarta-feira passada, 13 de dezembro. Segundo a versão da polícia e de alguns amigos, os indícios apontam para suicídio. Ele estava em depressão, respondia a dezenas de processos na Justiça por causa de suas denúncias e enfrentava sérios problemas financeiros.


O blog Tijoladas do Mosquito era um fenômeno de audiência. Para se ter ideia, chegou a ter 70 mil acessos num só dia. Os poderosos do Estado, acostumados com um jornalismo medroso, jornalismo puxa-saco, falsamente equilibrado e independente, viram-se na mira de alguém que, acima de tudo, dizia tudo o que tinha para dizer sem medo e sem nenhuma censura.

Exasperado com a maldade e a corrupção, cometeu erros, “passou dos limites”, como ele mesmo reconheceu em seu último post. Seus métodos jornalísticos e seu estilo são passíveis de muitas críticas, mas ninguém pode acusá-lo de covarde. Mosquito era um homem corajoso e levou às últimas consequências a sua missão de denunciar aquilo que considerava errado. Ele não se escondia. Esteve sempre na linha de frente.

Durante a ditadura, como líder estudantil, foi um dos protagonistas da Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis, em 1979, contra a visita do então presidente João Batista Figueiredo. Mosquito foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e preso.

Quarto do poder

Curioso ele ter morrido exatamente 43 anos depois da entrada em vigor do AI-5, o ato institucional que, entre outras coisas, acabou com o que ainda restava de liberdade de expressão no Brasil. Curioso porque a luta por uma sociedade verdadeiramente democrática foi sua maior bandeira. E, contrariando as estatísticas, ele não mudou de lado, não se acomodou em cargos públicos, não se vendeu.

Como se sabe, mas sempre se esquece, não existe democracia sem pluralidade de ideias. E não existe pluralidade de ideias quando se tem um monopólio da comunicação. Em Santa Catarina, a luta de Mosquito era urgente e necessária. A Rede Brasil Sul (RBS), afiliada da Rede Globo, possui 20 emissoras de tevê, 24 emissoras de rádio, oito jornais, além de mais de uma dezena de produtos de plataforma digital.

Diante disso, o jornalismo catarinense não é um quarto poder, mas um quarto do poder. A cumplicidade entre imprensa e poder político, entre poder econômico e imprensa é tão intensa, tão explícita, que chega a parecer normal. Mas Mosquito não achava normal a hipocrisia, a falta de escrúpulos, a corrupção, a impunidade e este monopólio criminoso.

Ameaças e retaliações

Um dos grandes legados deixado pelo blogueiro foi ter escancarado a falência do jornalismo “sério” da grande mídia. A audiência de seu blog provinha, essencialmente, da quantidade de informação de interesse público que ele dava com exclusividade. Interesse público, compromisso social, é um negócio completamente fora de moda no jornalismo praticado pela grande mídia.

Ouvi alguns jornalistas, todos desta imprensa “séria”, lamentando a morte, mas dizendo: “o que ele fazia não era jornalismo”. Tudo bem, mas qual nome se dá ao trabalho realizado por esses jornalistas sérios e responsáveis?

No seu último post, escrito sete dias antes da sua morte, ele disse: “Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações. É sensato dar um tempo”. Ele estava acuado. Assumiu, sozinho, uma briga que deveria ser coletiva.

Com esta morte trágica, os corruptos de todas as espécies e de todos os Poderes podem estar se sentindo mais aliviados, mas não esqueçam que ele, o Mosquito, – mesmo involuntariamente – assentou vários tijolinhos ao longo de sua militância e desses tijolinhos, quem sabe, um dia, se construa uma imprensa mais indignada, menos hipócrita e mais comprometida com os interesses da maioria da população.

Fernando Evangelista é jornalista, colunista do NR. Escreve às terças a coluna Revoltas Cotidianas. A coluna faz uma pausa e volta em janeiro do ano que vem.
*Notaderodapé

Se você for negro, mendigo, pobre, gay (mulher), lembre-se de se vestir de yorkshire antes de morrer espancado. Aí talvez deem a atenção devida ao crime

A classe média preza por suas prioridades

São Paulo é uma cidade em que a vida de qualquer cachorrinho de madame vale mais que a de um ser humano. Até passeata andaram fazendo contra maus tratos a animais. Quem comete atos de violências contra animais deve de fato ser punido. Mas não se vê um décimo da comoção motivada pelo espancamento de um yorkshire quando se trata de pessoas. Vivemos em uma cidade onde diariamente ocorrem chacinas, crimes de intolerância, assassinato e espancamento de mulheres. Se não aprendermos a valorizar sequer o ser humano, como poderemos respeitar os animais?
*Cappacete

Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.

A Falta que faz a imprensa só a CPI supre

A CPI da Privataria: para apurar os fatos que a imprensa finge não ver
Vejo comentários de muitos jornalistas bem situados profissionalmente que, numa  afetada autoridade de Pilatos no Credo, dizem faltar  uma apuração mais profunda aos episódios descritos no “A Privataria Tucana”, que levem a plena comprovação dos indícios de crime ali apontados e materializados em documentos.
Estariam cobertos de razão, se não fosse uma “pequena” circunstância: a de que, dentro da legalidade, só duas formas existem de esclarecer situações deste tipo: o Judiciário e a imprensa.
Ao primeiro, claro, é próprio o ritmo da lei, seus prazos e meandros. Como é exclusivo, também, seu poder de condenar e punir, que a imprensa não pode e não deve usurpar.
Mas à imprensa, se quer – como diz – representar o clamor público pela gestão dos bens públicos, tem outra mecânica, mais célere, mais ágil e que, como é natural, também provoca julgamentos de natureza política.
É simples demonstrá-lo. Qual dos ministros atingidos pela onda de denúncias foi, até agora, condenado pelos atos brandidos nas manchetes de jornal como crimes? No entanto, sua desconstrução política foi completa e todos eles, hoje, sob esta ótica, são ruínas.
Se é que vão chegar a existir, os processamentos judiciais dos supostos “malfeitos” levarão anos. E não é de duvidar que, sem a pressão da mídia sobre eles, dissolvam-se.
No caso do livro de Amaury Ribeiro Júnior, têm razão estes comentarista, sim. Falta uma apuração mais extensa. Mas perdem a razão quando não dizem claramente que esta, imediatamente, é competência do jornalismo, é a grande mídia brasileira, neste caso, se recusa a investigar e publicar qualquer coisa: o que está no livro e as extensões que a partir dele se traçam.
Nem, aliás, o que ela mesma já considerou tema digno de suas matérias.
Os exemplos são muitos; elenco apenas alguns que, apenas a partir de documentos disponíveis ao público, este Tijolaço foi capaz de estabelecer.
É um fato que a Decidir.Com teve acesso aos cadastros bancários de uma gigantesca multidão de correntistas brasileiros. É um fato que a Decidir.Com era dirigida pela Sra. Verônica Serra. É um fato que está sendo processada criminalmente por isso. Tudo isso está documentado no livro de Amaury Ribeiro Jr. A própria Folha, como se publicou aqui, serviu-se deste acesso irregular aos cadastros bancários para apontar 18 deputados que emitiram cheques sem fundos, em reportagem que já antecipa o fato de ser irregular este acesso.
No entanto, o nome da responsável por essa violação, suas conexões com capital caribenho e a notícia de que há um processo criminal a respeito não foram publicadas, a não ser pela CartaCapital – em matéria de Leandro Fortes – , no livro de Amaury e nos “blogs sujos”.
Como é fato que o marido de Verônica Serra, apontado no livro como sócio de empresas em paraísos fiscais e de outras, aqui, inclusive ao lado de Verônica, foi condenado e executado por dívidas com o INSS  e ela própria participavam de empresas relacionadas ao mesmo Citco Building, em Tortola, nas Ilhas Virgens. E que “funcionavam” na mesma PO Box 662 daquele endereço, sede também dos negócios do malsinado Ricardo Sérgio.
E assim como é também fato que a Citco, titular do endereço, tem uma empresa aqui no Brasil, num escritório à Avenida Bernardino dos Santos, no Paraíso, onde repousam, também, a Rádio Holdings, do filho do presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, acusada de associação irregular com a Disney na Rádio Itapema FM, cuja sede é na mesma sala, gerida por dois contadores que movimentam empresas de paraísos fiscais e internacionais de toda a espécie, inclusive o JP Morgan, cujo braço de investimentos One Equity tem como representante a Pacific Investimentos de Verônica Serra?
Mas estes fatos, originários ou derivados de buscas feitas a partir do livro de Amaury, só surgem por obra da blogosfera, prque não aparecem na grande mídia.
Portanto, soa hipócrita querer pontificar dizendo: não entramos em disputas partidárias, vamos aos fatos.
Os fatos estão aí, e a mídia não vai.
Nós, blogueiros, não vivemos disso, mas sacrificamos nosso tempo para suprir o que o a imprensa se recusa a fazer, mesmo diante das evidências. Não temos – é verdade – os recursos e os meios práticospara ir mais fundo e cobrar explicações dos personagens, como podem as grandes redações.
Coisas simples, assim:
- Alô, é D. Veronica Serra? Boa tarde, aqui é Fulano, da Folha,(ou do Globo, do Estadão) . Eu gostaria que a senhora me falasse a respeito do caso do sigilo bancário que foi parar no site da Decidir, quando a senhora era diretora da empresa, como foi publicado em janeiro de 2001, na Folha. Como é que foram obtidos aqueles dados?
Pois é…
Portanto, restanos a terceira forma de apurar estes fatos dentro da legalidade: uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Em geral, as CPIs surgem de escândalos publicados pela imprensa. A CPI da Privataria, ao contrário,  surgirá de um escândalo que a grande imprensa não vê e ainda condena quem o vê.
A imprensa brasileira troca, neste caso, sua condição de testemunha pela de ré.

Vale vende quatro dos 19 navios do Almirante Agnelli

Os "Vale Itália" e "Vale Rio de Janeiro": nem chegaram, já vão
Deu agora à noite no Valor Econômico:
“A Vale já começou a tocar a nova estratégia da empresa desenhada por Murilo Ferreira, presidente executivo da companhia, para a área de navegação de longo curso. A mineradora acaba de vender a armadores asiáticos quatro dos 19 navios encomendados a estaleiros coreanos e chineses na gestão anterior de Roger Agnelli, confirmou fonte da companhia ao Valor.
A meta da Vale para 2012, adiantou o interlocutor, é colocar os restantes 15 supermineraleiros a venda, mas sempre com contrato de longo prazo vinculado a transação. A nova estratégia foi aprovada na semana passada pelo conselho de administração.
O recente episódio do supernavio Beijing, contratado pela Vale da coreana STX Pan Ocean, que quase afundou quando carregava minério de ferro da empresa no píer I do porto de Ponta Madeira, em São Luís, no Maranhão, e mais a surpreendente resistência dos portos chineses em receber as embarcações da Vale foram a gota d’água para Ferreira colocar em prática a nova logística de transporte marítimo no mercado transoceânico de minério.”
A operação, na verdade, não será totalmente de venda de navios, mas de repasse ou cancelamento de seus contratos de construção, sobretudo no caso dos contratados junto ao sul-coreano STX. Embora a materia não informe, os quatro navios vendidos devem ser o Vale Brasil, Vale Rio de Janeiro, Vale Itália, além do Vale Beijing, que está avariado em São Luis. Há pelo menos outros dois já lançados, em acabamento.
Uma operação totalmente desastrosa, feita de velocidade e em escala totalmente imprudentes – os 19 navios são todos da classe Chinamax, os maiores do mundo, com 400 mil toneladas de porte bruto – movida pela voracidade de exportar rapidamente tanto minério quanto possível, da mesma forma como Roger Agnelli se livrou, em apenas dois anos – entre 2001 e 2003 – da frota própria da Vale, a Docenave.
Esse era o “ídolo” empresarial dos neoliberais, o homem da “eficiência”, com a experiência de uma almirante de banheira e sua frota de patinhos de borracha.
*Tijolaço