Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Charges do Dia

http://www.correiocidadania.com.br/images/charge/charge_gd.jpghttp://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2011/12/para-amaury-ribeiro-jr.-cpi-da-privataria-fara-livro-ficar-pequeno/image_previewhttps://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/374302_233647200038888_100001808297570_556947_126623456_n.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjn4FZ_iS-vTO0xZqij0SC4PYRQJ7tcQi7YJjsirwg5SBNIYFo1ubz6EcJ5g0R7zBGFdRz4mhzC4HO5s5CGMOEx75HXqjUmSnOmKRDV8OBP8gY2Xjm1sVzbMonAE29iYvOvqLdgodOO2P2t/s1600/bessinha.jpg

Debate: "A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia" - Barão de Itararé

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, promoveu nesta quarta-feira (21)um debate sobre o livro "A Privataria Tucana" que contou com a participação do autor do livro, Amaury Ribeiro Jr., do jornalista Paulo Henrique Amorim e do Deputado Federal Protógenes Queiroz.
Acompanhe:

“Mercenários da Blackwater atuam na Amazônia e nas plataformas da Halliburton”, denuncia general Nery

 

 do Jader Resende
Jornal Hora do Povo
Nem mesmo o governo fantoche do Afeganistão aceita mais conviver com a Blackwater - empresa de mercenários com sede em Moyock na Carolina do Norte, Estados Unidos. Hamid Karzai acaba de tomar a decisão de proibir a atuação da empresa em seu território (leia matéria na página 6).
No Brasil, o general-de-brigada da reserva, Durval Antunes de Andrade Nery, denunciou a presença da Blackwater em reservas na Amazônia e em plataformas de petróleo na costa do país.
O general, que é coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra, afirmou que “membros fortemente armados da Blackwater já atuam em reservas indígenas brasileiras contando com bases fluviais bem equipadas”.
Em matéria publicada pelo jornal carioca “O Dia”, o general Nery revelou a existência de agentes da Blackwater em 15 plataformas de petróleo administradas pela Halliburton na costa brasileira. “Faço um desafio: vamos pegar um barco e tentar subir numa plataforma. Garanto que vamos encontrar os homens da Halliburton armados até os dentes e que não vão deixar a gente subir”, advertiu o general.
O militar confirmou como é a relação da Halliburton com a Agência Nacional de Petróleo: “Esta empresa (Halliburton) está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque. A Halliburton é uma empresa que hoje, no Brasil, mantém um de seus (ex) diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil”. A Blackwater recentemente criou uma nova empresa, a Xe Services and US Training Center. Ela mudou de nome para continuar fazendo todo o serviço “sujo” que os militares não podem fazer. Um exemplo de sua ação no Iraque foi a preparação de atentados para provocar a violência entre xiitas e sunitas.
A Halliburton teve como presidente Dick Cheney, ex-vice de George Bush, e se tornou notória pela rapinagem que promove no Iraque e pelos escândalos com dinheiro público nos EUA.
Sobre a Amazônia, Nery reproduziu ao jornal o relato feito por um militar da ativa na região: “Um coronel que comandava batalhão na região da (reserva indígena) Yanomami contou que estava fazendo patrulha, em um barco inflável com quatro homens, em um igarapé, quando avistou um sujeito armado com fuzil. Um tenente disse: ‘Tem mais um cara ali’. Eram cinco homens armados. O tenente advertiu: ‘coronel, é uma emboscada. Vamos retrair.’ Retraíram.
Nery perguntou ao coronel o que ele tinha feito: “Ele disse: ‘general, tive que ir ao distrito, pedir à juíza autorização para ir lá.’ Falei: ‘Meu caro, você, comandante de um batalhão no meio da Amazônia, perto da fronteira, responsável por nossa segurança, só pode entrar na área se a juíza autorizar? Ele respondeu: ‘É. Foi isso que o governo passado (Fernando Henrique) deixou para nós. Não podemos fazer nada em área indígena sem autorização da Justiça”.
“O coronel contou que pegou a autorização e voltou. Levou três horas para chegar ao igarapé, onde não tinha mais ninguém. Continuou em direção à fronteira. De repente, encontrou ancoradouro, com um cara loiro, de olhos azuis, fuzil nas costas, o esperando. Olhou para o lado: 10 lanchas e quatro aviões-anfíbio, no meio na selva. ‘Na sua área?’, perguntei. ‘É’, respondeu. Ele contou que abordou o homem: ‘Quem é você?”. Como resposta ouviu: ‘Sou oficial das forças especiais dos Estados Unidos da América do Norte’”.
S.C.
Buscado no Jornal Hora do Povo
*GilsonSampaio

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Livro de FHC é plágio de La Somme et le Reste de Henri Lefebvre


Instigado pelo comentário de uma leitora do blog Um Sem Mídia não resisti a uma googleada básica para encontrar a coincidência coincidentíssima.
image

LIVRO DO FHC - Interessante coincidência.

Sanguessugado do UM SEM-MÍDIA

Uma amiga minha, professora de francês, me mandou a seguinte mensagem:
"Estou sempre tentando comentar.
Fernando Henrique escreveu um livro chamado A soma e o resto. Não li o livro e não sei se ele comentou algo a respeito do título.
Esse título " A soma e o resto" ( La somme et le reste") seria cópia do título de um livro do marxista francês Henri Lefebvre, escrito em 1958.
Mais uma coincidência: o livro de Lefebvre é autobiográfico no qual ele fala de seu itinerário filosófico e sociológico.
O "Príncipe dos Sociólogos" talvez tente se comparar a esse grande filósofo e intelectual francês....
*Gilsonsampaio

O exemplo que a maior parte dos políticos ocidentais não quer seguir

“Não sou a presidente das corporações, mas sim de 40 milhões de argentinos”

Cristina Fernández de Kirchner prestou juramento, sábado, e deu início ao seu segundo mandato como presidente da Argentina. No seu discurso, destacou os avanços que o país teve na área dos direitos humanos e também na economia. Em uma forte crítica ao sistema financeiro, lembrou que seu governo teve que suportar cinco ataques cambiais por parte de corporações que acreditavam que o governo iria ceder. “Que fique claro para todos: não sou a presidente das corporações”.

A presidente reconheceu com orgulho que, no dia dos Direitos Humanos, reassumia como Chefe de Estado de um país que avançou na direção do fim da impunidade, graças às políticas de Estado e aos Tribunais de Justiça, e lembrou que há quatro anos, ao assumir seu primeiro mandato, pediu à Justiça que avançasse no julgamento contra os repressores da ditadura.

 Recordou  que, há alguns dias, havia visto a fotografia da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, quando tinha 22 anos e, após várias sessões de tortura, era submetida a um interrogatório pelos militares brasileiros. “Eu pensei por um minuto, hoje, Dilma ocupa o comando de um dos países mais importantes do mundo.Destacou também os êxitos econômicos de seu governo, como o índice de cobertura

previdenciária que permitiu que 96% dos argentinos estejam em condições de se aposentar no futuro. “Não vamos abandonar nossas convicções e vamos seguir trabalhando por uma Argentina mais justa e mais solidária”. Em uma forte crítica ao sistema financeiro, lembrou que seu governo teve que suportar cinco ataques cambiais por parte de corporaçõesque acreditavam que o governo iria ceder. “Que fique claro para todos: não sou a presidente das corporações”, enfatizou.


Depois deste exemplo, podemos ver como se comportam os principais representantes políticos ocidentais, depois do suicídio da UE e de mais uma vez terem violado o Tratado de Lisboa, pois segundo o artigo 47 desse mesmo Tratado, não têm legitimidade para rever o próprio TL.

Segundo o Tratado de Lisboa, no Conselho Europeu, os primeiros
ministros dos países da União Europeia são funcionários da União Europeia, ou seja, defendem em primeiro lugar os interesses da União Europeia em detrimento dos interesses dos seus respectivos países.




Devo acerscentar, que a Argentina não quer mais agências de rating, ver aqui



fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19188&editoria_id=6

Protógenes protocola a CPI da Privataria

Da Agência Câmara, há minutos:
“O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) entregou há pouco ao presidente Marco Maia o pedido para a criação da CPI sobre irregularidades em privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, já chamada de CPI da Privataria. O requerimento foi assinado por 206 deputados. A intenção é investigar as denúncias apresentadas no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
O livro acusa o ex-governador José Serra de receber propinas de empresários que participaram das privatizações conduzidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Protógenes disse que não teme pressões para que deputados retirem as assinaturas até a análise do processo para a criação da CPI. O presidente da Câmara, Marco Maia, explicou que as assinaturas serão conferidas pela Secretaria Geral da Mesa no início de 2012 e, se o pedido cumprir todas as exigências regimentais, a CPI será criada no próximo ano juntamente com as comissões parlamentares de inquérito sobre o tráfico de pessoas e sobre trabalho escravo.”
*Tijolaço

ATENÇÃO LEITORES privatariatucana

Blog Barão de itarare vai transmitir online o debate
“A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia “.

Para quem não puder ir ao debate
que acontece  hoje 21/12,  às 19 horas no sindicato dos Bancários, rua São Bento 413, no centro de São Paulo-SP.

Informações:

11 3054-1829O

Participam da discussão o

deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) - (http://blogdoprotogenes.com.br/),
o jornalista Paulo Henrique Amorim - ( http://www.conversaafiada.com.br )
o autor do livro A Privataria Tucana,
jornalista investigativo Amauri Ribeiro Jr.

Pescoço do Gilmar não se livrou da corda

Respeitado advogado de Brasília, da OAB nacional (não é o Ophir, esconjuro !), procurou o deputado Protógenes Queiroz para chamar a atenção para um fato que, não vivêssemos numa sub-democracia, estaria nas manchetes de todos os jornais.

Trata-se do seguinte: o pescoço do Gilmar Dantas (*) ainda não se livrou da corda !

Como se sabe, o bravo advogado Dr Alberto Piovesan entrou no Senado com uma ação para pedir investigação sobre as relações – no mínimo – promíscuas  do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo com um dos 5005 advogados de Daniel Dantas (o banqueiro condenado a dez anos).

Trata-se do advogado Sérgio Bermudes, cujo escritório emprega a mulher do ex-Supremo e o filho do Dr Macabu, aquele que, provisoriamente, sepultou a Satiagraha no STJ.

Clique aqui para ler “Maia vai criar a CPI às 12h desta quarta– feira”.

A ação de Piovesan, na verdade, corresponde a um B.O.

Aparentemente, o Dr Piovesan parecia ter morrido na praia.

O Presidente do Senado, José Sarney, cujo filho Fernando está pendurado na Justiça e na Polícia Federal, numa corda bambíssima, de pronto, mandou arquivar o pedido do Dr Piovesan.

Foi o erro número um nessa dramática narrativa.

“Dramática”, porque, jamais, na História do Supremo, se ouviu falar de um pedido de impeachment de um membro da Suprema Corte.

Piovesan recorreu e o ministro Mello, o Marco Aurélio que apunhalou pelas costas a Ministra Eliana Calmon e fechou o CNJ nas férias, o Ministro Melo arquivou o pedido do Dr Piovesan.

Erro dramático número 2.

O Dr Piovesan voltou ao Supremo com um mandado de segurança para ajeitar a corda no pescoço do ex-Supremo Presidente, nesta temporada natalina.

Primeiro, Piovesan quer submeter a questão, de novo, ao plenário do STF, já que na sessão em que Melo decidiu não havia o quorum regimental minimo.

Foi, digamos, se se pode usar uma metáfora futebolística, uma decisão no tapetão.

O segundo ponto do argumento do Dr Piovesan nesse retorno ao Supremo é que o Ministerio Público não foi ouvido.

A questão está nas mãos do Ministro Lewandovisky.

Caberá a ele a alta tarefa de trazer a questão de volta ao plenário e perguntar ao Ministerio Público o que acha dos argumentos do Dr Piovesan.

Um Ministro do Supremo deve ser o anfitrião da festa do advogado de Dantas e receber os convidados na porta ?

Hospedar-se no apartamento do advogado de Dantas overlooking the Central Park ?

Andar na Mercedes do advogado de Dantas ?

Hein, dr Gurgel ?

Portanto, a corda continua a rondar o pescoço do ex-Supremo.

O reputado advogado que visitou o deputado Protógenes informou também que o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) fez pronunciamento no grande expediente da Câmara e mandou publicar a ação do Dr Piovesan nos anais do Congresso.

Portanto, Gilmar Dantas (*) e Sergio Bermudes estão, para sempre,  inscritos na História do Congresso.

O ansioso blogueiro soube, também, que um outro deputado federal, de renomada reputação, decidiu investigar os motivos e a natureza da denúncia de Gilmar Dantas à Policia Federal: o ex-Supremo mandou investigar a vida do Dr Piovesan.

O nobre deputado quer entender melhor o funcionamento e a lógica dessa denúncia.

O ansioso blogueiro, também.

Lamentavelmente, o ex-Supremo não vai poder passar um Fim de Ano em paz.

Esse Dr Piovesan …


Paulo Henrique Amorim

A guerra silenciosa das farmacêutica

do Fada do Bosque

"Os medicamentos que curam completamente, não dão lucro"
Entrevista com Dr. Richard J. Roberts, Prémio Nobel  da Medicina 1993
Tenho 63 anos e o pior do envelhecer é ter muitas verdades como sagradas, pois é quando é realmente necessáriio fazer perguntas.
Nasci em Derby e o meu pai era mecânico, ofereceu-me um kit de química e ainda gosto de brincar. Sou casado tenho quatro filhos e sou tetraplégico devido a um acidente. O que me estimula é a investigação e por isso ainda a faço, participo no Campus for Excellence.
                                                                                                                                                                                                            - A pesquisa pode ser planeada? 
Se eu fosse ministro da ciência procuraria pessoas entusiasmadas com projectos interessantes. Bastava financiar para que aparecessem em 10 anos resultados surpreendentes.
- Parece uma boa política.
Acredita-se geralmente que financiar a pesquisa é o bastante para se poder ir muito longe, mas se se quer ter lucros rápidos, tem de se apoir a pesquisa aplicada.
- E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis são feitas baseadas em perguntas básicas.
Foi assim que foi criado, com biliões de dólares, o gigante da biotecnologia dos EUA, a firma para quem eu trabalho.
Como foi criado esse gigante?
A biotecnolgia apareceu quando apaixonados pela matéria se começaram a questionar se poderiam clonar genes. Assim se começou a estudar e a purificá-los.
- Uma aventura por si só.
Sim, mas ninguém na altura esperava enriquecer com essa matéria, foi difícil arranjar financiamento para as pesquisas, até que o Presidente Nixon em 1971 resolveu lançar a guerra contra o cancro.
- Foi científicamente produtivo?
Permitiu muitas pesquisas, uma delas foi a minha, com uma enorme quantidade de fundos públicos, com pessoas que não estavam directamente ligadas ao cancro, mas foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.
- Que foi que o Prof. descobriu?
Phillipe Allen Sharp e eu descobrimos o ADN em íntrons eucarióticas e mecanismo de "splicing" do gene, e fomos bem recompensados.
- Para que foi útil?
Essa descoberta levou a perceber como funciona o ADN, no entanto tem apenas uma ligação indirecta com o cancro.
Que modelo de pesquisa parece mais eficaz para você, o americano ou o europeu?
É óbvio que os EUA, onde o capital privado tem um papel activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de computadores, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica aplicada, mas para a indústria da saúde ... eu tenho as minhas reservas.
- Eu escuto.
A pesquisa sobre a saúde humana não pode depender apenas de sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas, nem sempre é bom para as pessoas.
- O senhor poderia explicar?
A indústria farmacêutica quer servir o mercado de capitais ...
- Como qualquer outra indústria...
Não é apenas qualquer outra indústria, nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas, os nossos filhos e milhões de seres humanos.
- Mas se eles são rentáveis, eles vão pesquisar melhor.
Se você só pensar em benefícios, você vai parar de se preocupar em servir as pessoas.
- Por exemplo?
Eu vi que em alguns casos, os cientistas que dependem de fundos privados descobriram um medicamento muito eficaz, que teria eliminado completamente uma doença ...
- E porque parar de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessados ​​na cura mas na obtenção de dinheiro, assim a investigação, de repente, foi desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, tornam isso sim, a doença crónica. Medicamentos que fazem sentir uma melhoria, mas que desaparece quando o doente pare de tomar a droga.
- É uma acusação grave.
É comum que as empresas farmacêuticas estejam interessadas em pesquisas que não curam, mas que apenas tornam as doenças crônicas, com drogas mais rentáveis, do que medicamentos que curam completamente uma vez e para sempre. Você só precisa seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que eu digo.
- Estão a matar dividendos.
É por isso que dizemos que a saúde não pode ser um mercado e não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E eu acho que o modelo europeu de capital privado e público misto, é menos susceptível de encorajar tais abusos.
- Um exemplo de tais abusos?
Pararam nvestigações com antibióticos porque estavam a ser muito eficazes e os doentes ficaram completamente curados. Como novos antibióticos não foram desenvolvidos, os organismos infecciosos tornaram-se resistentes e a tuberculose hoje, que na minha infância tinha sido vencida, reaparece e matou no ano passado um milhão de pessoas.
-  Está a falar sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: doenças do Terceiro Mundo. Dificilmente se fazem investigações, porque as drogas que iriam combater essas doenças são inúteis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Mundo, o Ocidental : o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não é pesquisado.
- Há políticos envolvidos?
Não fique muito animado: no nosso sistema, os políticos são meros empregados das grandes empresas, que investem o que é necessário para que os "seus filhos" se possam eleger, e se eles não são eleitos, compram aqueles que foram eleitos.
O dinheiro e as grandes empresas só estão interessados ​​em multiplicar. Quase todos os políticos - e eu sei o que quero dizer, dependem descaradamente destas multinacionais farmacêuticas, que financiam as suas campanhas.
O resto são palavras ...
EUA infectaram cidadãos da Guatemala com sífilis e gonorreia para estudo; Hillary pede desculpas
 *GilsonSampaio