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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sábado, dezembro 24, 2011

A arte dos livres pensadores

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
(Carlos Drummond de Andrade)

Por que as Malvinas são estratégicas?

"Quais são os pontos mais importantes que impulsionam os britânicos a aferrar-se a estas ilhas longínquas? Por que o estado inglês continua destinando fundos à defesa militar das Malvinas quando enfrenta uma severa e inédita crise interna? Por que fazem ouvidos moucos ao pleito argentino que encontrou apoio em ascendentes e influentes potências?"
Texto de Santiago Perez*
Tradução de Denise Queiroz
Edição e pesquisa de Sergio Pecci
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O território das Ilhas Malvinas, também conhecidas como Ilhas Falkland, é, talvez, a área em disputa mais importante e transcendente do cone sul. O observador comum poderia se perguntar por que um arquipélago com somente 2.000 habitantes, localizado a 14 mil km de Londres, é tão ferreamente defendido pela Grã-Bretanha, Estado que de fato exerce a soberania sobre o território.
A Argentina mantém um pleito internacional sobre as ilhas. De fato o país sul americano conseguiu êxito diplomático ao obter resoluções da Assembléia Geral da ONU, as quais orientam as partes a sentar-se em mesa e negociar um acordo que satisfaça as duas nações.
A pergunta obrigatória: quais são os pontos mais importantes que impulsionam os britânicos a aferrar-se a estas ilhas longínquas? Por que o estado inglês continua destinando fundos à defesa militar das Malvinas quando enfrenta uma severa e inédita crise interna? Por que fazem ouvidos moucos ao pleito argentino que encontrou apoio em ascendentes e influentes potências, como o Brasil?
Em seguida, os motivos que, creio, Londres considera transcendentes ao momento de tomar suas decisões relativas a este assunto.
O Estreito de Magalhães
O comércio internacional entre os oceanos pacífico e atlântico é feito através do canal de Panamá. Aberto em 1914 o canal permite que os navios atravessem o continente americano sem ter que viajar ao extremo sul e navegar as frias e tormentosas águas do Cabo Horn.
Em vermelho a rota comercial marítima
Embora pareça impossível ou ao menos, pouco provável que algo aconteça no Canal do Panamá, no caso de uma interrupção dessa passagem, a presença permanente de tropas britânicas e da OTAN nas ilhas Malvinas permitiram controlar o comércio que transitaria pelo potencialmente estratégico Estreito de Magalhães.
Leve-se em conta que as águas do norte do Canadá permanecem congeladas durante o inverno, por isso caso existam inconvenientes no Panamá, Grã Bretanha e as potências da OTAN encontrariam nas Malvinas uma plataforma excelente para monitorar uma eventualmente importantíssima rota do comércio marítimo mundial.
O petróleo
Com o barril de óleo avaliado em cerca de US$ 100, a exploração off-shore de poços petrolíferos é uma atividade de alta rentabilidade. Diferentes empresas britânicas levaram plataformas à zona e iniciaram exploração em busca do ouro negro. As empresas do Reino Unido, fazendo uso da soberania que o país tem sobre o mar que rodeia as ilhas, realizam uma atividade que pode, potencialmente, gerar recursos de incalculável valor econômico e estratégico para todo o império britânico, num mundo onde as matérias primas são cada vez mais valiosas.
A Antártida
A Antártida é um continente de 14 milhões de quilômetros quadrados, livre de influência política, defendido pelo Tratado Antártico de 1961, onde todos os estados signatários se comprometem a congelar pleitos de soberania sobre o continente branco.
De qualquer forma, os países localizados geograficamente perto da Antártida, reclamam soberania sobre uma porção de tal continente. Pois bem, as Ilhas Malvinas funcionam como um argumento para que a Grã-Bretanha faça a sua demanda territorial sobre uma porção da Antártida. O potencial valor desse pleito é certamente impossível de descrever, a água potável e infinitos recursos naturais e minerais transformam a Antártida em uma reserva de vida para a humanidade toda, se pensamos nos próximos séculos. A influência britânica sobre estes recursos depende, sem dúvida, da permanência das Ilhas Malvinas sob seu controle absoluto.
Perspectiva Hemisférica
Para terminar de entender o valor deste arquipélago e pôr em perspectiva hemisférica devemos mencionar que dentro dos territórios britânicos de ultramar na região, somam-se às ilhas Malvinas, as Geórgias e Sandwich do Sul, e as ilhas de Santa Helena, Tristão da Cunha e Ascensão. Se observarmos um mapa, é possível notar como esse cinturão insular permite ao império britânico presença na totalidade do Atlântico Sul, desde as costas da Argentina, até o sudoeste africano.
De fato, Londres faz constantes pleitos diplomáticos às Nações Unidas solicitando soberania sobre milhares de quilômetros quadrados de subsolo marinho e de ilhas vulcânicas dessa região.
Tendo clara compreensão da importância estratégica e econômica desta imensa porção do oceano atlântico, a Grã Bretanha não vai dar o braço a torcer no que se refere às Malvinas. 
*GilsonSampaio

Elites controlam o sistema judicial, mostra pesquisa da USP

Tese conclui que elites jurídicas provêm das mesmas famílias, universidades e classe social
São Paulo – Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.
Para sua tese de doutorado A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil, orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais.
Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da Justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Já as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito que atuam na administração da Justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.
O último grupo, das elites intelectuais, é formado por especialistas em temas relacionados à administração da Justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, tem influência nas discussões sobre o setor e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.
No estudo, verificou-se que as três elites políticas identificadas têm em comum a origem social, as universidades e as trajetórias profissionais. Segundo Almeida, “todos os juristas que formam esses três grupos provêm da elite ou da classe média em ascensão e de faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60”.
Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que pertencem a essa elite, Almeida aponta que a maioria já exerceu a advocacia, o que revela que a passagem por essa etapa "tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso é a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), indicados pelo Presidente da República, ser ou ter exercido advocacia em algum momento de sua carreira.
O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios como porte e oratória favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite socioeconômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.
“No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos. É exigido como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram”, afirma o pesquisador.
Por fim, outro fator relevante constatado no levantamento é o que Almeida chama de “dinastias jurídicas”. Isto é, famílias presentes por várias gerações no cenário jurídico. “Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro”, conclui Almeida.
Com informações da Agência USP
Rede Brasil Atual [publicado em 09/11/2010]


sexta-feira, dezembro 23, 2011

As barbas do vizinho

 

O ditador argentino Jorge Videla e a "Roberto Marinho" do Clarin, Ernestina Noble, brindam pela compra da Papel de Prensa S.A
Embora não haja qualquer sinal de que possamos ter por aqui qualquer arremedo de legislação que regule democraticamente  as concessões públicas  na área de comunicação – as concessões, nada a ver com liberdade de imprensa ou de expressão – o jornal O Globo, hoje, age daquela forma descrita no popular ditado de “colocar as barbas de molho, porque as do vizinho estão em chamas”.
O vizinho, no caso, é o Clarín, um conglomerado semelhante ao que é aqui a Globo, com TV, rádios, jornal, internet, produtoras de filmes e agência de notícias. E que, como a Globo,vicejou  à sombra da ditadura, como um cogumelo, para relembrar a expressão usada por Leonel Brizola.
Ano passado, o Congresso argentino aprovou e a presidenta Cristina Kirchner sancionou a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, que estabelece regras para o concentradíssimo sistema de rádio e televisão no país. Para entende-lo, é preciso saber que a televisão argentina é, basicamente, a cabo. Só em sete cidades, além de Buenos Aires, onde há cinco canais de TV aberta, há emissoras de recepção livre. A nova lei atacou de frente a concentração da propriedade nos meios de comunicação, estabeleceu parcelas mínimas de conteúdo nacional, de produção das próprias emissoras e de produtoras intedendentes, além de reservar um terço do espectro radioelétrico para organizações sem fins lucrativos.
É esse o fundo da ordem judicial que determinou a intervenção -na Cablevisión, uma das empresas de TV a cabo -  que é a TV de 70% dos argentinos. A reação do pessoal grupo  obrigou a Justiça a requerer garantias policiais, que não partiram, portanto, do Executivo.
A batalha se dá agora em torno da Papel Prensa SA, uma empresa criada por uma associação entre grupos privados e o Estado argentino. Durante a ditadura, as ações da empresa que pertenciam ao  grupo Graiver – logo após a morte de seu líder David Graiver, num mal-explicado acidente de aviação- o controle da empresa foi transferido, por preço irrisório e depois de seus integrantes serem detidos sob acusação de colaborar com os Montoneros – para o Clarín e o La Nacion, unha e carne com o regime militar.
Independente das obscuridades do passado, os dois jornais se beneficiavam hoje de duas vantagens que os demais não tinham. A primeira, compravam grandes quantidades antes de estabelecerem aumentos de preço; a segunda, recompravam seus encalhes quase ao preço de capa, revendendo-os para a empresa, com o fim de reciclagem.
Ontem o Senado argentino aprovou lei determinando que o comércio de papel de jornal é de interesse público. Isso não quis dizer erstatiza-lo, desapropriando a empresa, mas que serão fixados preços únicos para a venda de papel a qualquer empresa pelo mesmo preço e o mesmo para a recompra para reciclagem.
É a isso que chamam de “atentado à liberdade de imprensa”.
Lá, como aqui, os privilégios obtidos com o convívio com o poder – especialmente com o poder autoritário – deixaram torta a boca da mídia. Não é novidade. Aqui, Samuel Wainer foi linchado pela imprensa por ter a Última Hora empréstimos no Banco do Brasil, embora todos – Globo, Diários Associados e até a Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda – os tivessem, e muito maiores.
É por isso que, mesmo com léguas a nos separar do que se passa na Argentina, o Clarín brasileiro reage com tanta violência.
*Tijolaço

Quando choram as crianças

Limpeza étnica : Área de favela que pegou fogo é alvo de disputa entre Prefeitura de SP e moradores


Kassab diz que vítimas de incêndio não voltarão para favela

Prefeitura já pensava em alterar a região

Desde 2008 a prefeitura estuda retirar a favela do Moinho do local. A ideia era mudar o trajeto da linha do trem e fazer um parque.A prefeitura negociava com a União -dona do terreno- a transferência da área, que não foi concluída.Outro projeto prevê um túnel para passar os trilhos.
O Corpo de Bombeiros encontrou, na manhã desta sexta-feira, mais um corpo no segundo andar do prédio abandonado ao lado da favela do Moinho, em Campos Elíseos, região central de São Paulo. A construção e dezenas de barracos da comunidade foram atingidos ontem por um incêndio de grandes proporções que deixou, até agora, dois mortos, três feridos e mais de 1,5 mil pessoas desabrigadas, segundo a Defesa Civil de São Paulo.

A área onde está a favela do Moinho, em Campos Elíseos, região central de São Paulo, atingida por um grande incêndio nessa quinta-feira (22), vem sendo alvo de disputas judiciais entre a prefeitura e os moradores nos últimos anos. Enquanto a administração municipal tenta desapropriar a área e utilizá-la para outros fins, os moradores buscam conquistar o direito de permanecer no local. A favela que pegou fogo ontem, também ja pegou fogo em 2008. Veja

A favela surgiu há cerca de 30 anos, quando um grupo de moradores ocupou uma área da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). A empresa foi extinta em 2007 e todos os seus bens repassados à União. Antes, em 1999, o terreno foi leiloado a Mottarone Serviços de Supervisão, Montagens e Comércio Ltda. para saldar as dívidas tributárias da RFFSA.

Em 2006, em reunião de conciliação com a prefeitura, a Mottarone demonstrou interesse em doar o terreno para que fosse destinado aos moradores da favela, mas a prefeitura não aceitou a proposta, sob o argumento de que não era possível alojar as famílias no local.

No mesmo ano, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) emitiu decreto de “utilidade pública para fins de desapropriação”, medida que obriga o proprietário a ceder o terreno mediante indenização. No ano seguinte, a prefeitura entrou na Justiça com uma ação de desapropriação da área.

Em resposta, os moradores se associaram ao Escritório Modelo da PUC (Pontifícia Universidade Católica) --entidade conveniada à Defensoria Pública para defender os interesses de comunidades carentes-- e entraram na Justiça com ação coletiva de usucapião em 2008. A medida é válida para famílias que morem em um local por mais de cinco anos e garante a propriedade do imóvel.

O processo está na 17ª Vara Cível do Fórum Ministro Pedro Lessa. Os moradores garantiram na Justiça o direito de aguardar o fim do julgamento morando na favela do Moinho. “O processo estagnou. Faz tempo que não somos convocados pelo juiz”, afirma Francisco Antonio Miranda, 25, presidente da associação de moradores.

Hoje, vivem na favela 532 famílias, que totalizam 1.656 moradores, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os aglomerados urbanos no Brasil, divulgado na última quarta-feira (21). A comunidade fica entre duas linhas de trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a 7-rubi e a 8-diamante. Dentro do terreno há um prédio abandonado, também ocupado por moradores.

Destino das famílias

Kassab, que foi recebido com protesto de moradores, disse que as famílias do local já estavam cadastradas em programas sociais da prefeitura e agora serão encaminhadas para abrigos --e se não houver abrigos suficientes, afirmou ele, a prefeitura vai construir mais unidades.

A prefeitura disse posteriormente, em nota, que “todas as famílias que tiveram seus barracos atingidos pelo incêndio serão incluídas em programas habitacionais da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab)”. Os ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) visitaram o local e ofereceram ajuda federal.

Parte das famílias procurou abrigo em casas de amigos e parentes. Outras foram alojadas provisoriamente no Clube Raul Tabajara, na Barra Funda.

O presidente da associação de moradores, porém, disse que não foi apresentada nenhuma garantia sobre o destino das famílias. “Ninguém deu certeza de nada. Estamos esperando uma decisão mais adequada. Vamos ver que eles podem oferecer”, disse. Veja as imagens aqui

Gilmar Mendes será o relator dos donos da mídia


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi escolhido relator de ação impetrada pelo PSol contra a outorga e a renovação de concessões de radiodifusão a pessoas jurídicas que possuam políticos com mandato como sócios. A legenda questiona, também, a diplomação e a posse de políticos que sejam, direta ou indiretamente, sócios de pessoas jurídicas concessionárias de radiodifusão.

61 políticos eleitos são proprietários de rádios ou TVs

Afiliadas da Globo, da Record, do SBT e da Band e uma série de pequenas rádios são de propriedade de 61 políticos eleitosem 2010. O patrimônio declarado em empresas de rádio e TV é de cerca de R$ 15 milhões.

Na campanha, esses meios de comunicação podem, em tese, ajudar a promover a imagem de seus sócios.Um levantamentobaseado em   declarações de bens localizou 91 participações em rádio e TV. Entre elas, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e as famílias de Jader Barbalho (PMDB-PA), Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-MA).

A lei permite que ocupantes de cargos no Executivo ou Legislativo sejam sócios de empresas de rádio e TV e proíbe que estejam à frente da gestão das emissoras, o que é pouco fiscalizado.

O maior patrimônio declarado é de Júlio Campos (DEM-MT), eleito deputado federal: uma rede de TV de R$ 2,9 milhões. A seguir, vêm os irmãos Roseana (DEM) e Zequinha Sarney (PV).

Dos 61 eleitos, pelo menos dois deputados participam da Comissão de Comunicação da Câmara, que aprova as renovações de rádio e TV: Antônio Bulhões (PRB-SP) e Arolde Oliveira (DEM-RJ).

Também fazem parte Jader Barbalho e Beto Mansur (PP-SP), que ainda dependem da decisão da Justiça sobre a Lei da Ficha Limpa para ter novos mandatos.

No Maranhão, as quatro maiores TVs estão nas mãos de políticos.
A Globo local pertence à família Sarney. A família do senador Edson Lobão é ligada ao SBT. A Record é da família do deputado Roberto Rocha (PSDB), e a Band, ligada a Manuel Ribeiro (PTB), eleito deputado estadual.

O ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB) tem participação na rádio Cabugi do Seridó, no Rio Grande do Norte, ligada à família dele. No site da emissora, antes da eleição, havia notícias elogiosas a ele, que se reelegeu.

Para Celso Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o lado fiscalizador fica enfraquecido com a ligação com políticos.

E eu com isso?

As permissões para exploração de rádios e TVs são concessões do Estado que, em tese, tem o propósito de prestar um serviço público aos cidadãos: o direito a informações independentes. A isenção dos meios de comunicação fica comprometida quando as concessões são repassadas a grupos políticos.
 *osamigosdopresidentelula
 

Aos que morreram lutando no ano em que nasci.




Acho de uma importância tão grande filmes que retratam a ditadura militar no Brasil, na Argentina, Chile e Uruguai. É importantíssimo o depoimentos das pessoas que fizeram parte dessa triste história e a luta de uma geração e a vontade de transformação num período nebuloso e sangrento. 

Qualquer pessoa que critica com veemência os anos de chumbo tem o meu respeito e a minha admiração, pois não entra na minha cabeça alguém ficar do lado dos militares e dos políticos de direita daquela época. 

Fiz uma pesquisa no site http://www.acervoditadura.rs.gov.br/mortos.htm  e encontrei uma lista de jovens que morreram em 1973, ano em que nasci. Postei abaixo o nome das pessoas que morreram ou desapareceram.

Lamento demais cada homem e mulher que morreu lutando contra um governo militar que torturava e matava, que proibia o nosso direito de se expressar, de existir, de questionar, nossos direitos sociais e civis.  

Esse post é uma forma de dizer que não esquecei jamais todos que morreram nos porões da ditadura. 

Alguns tem fotos, outros infelizmente não consegui encontrar... 

(sem fotos)
Alexandre Vannucchi Leme
Evaldo Luís Ferreira Sousa
Francisco Emanoel Penteado
Henrique Ornelas Ferreira Cintra
José Manoel da Silva
José Mendes de Sá Roriz
Luis Guilhardini
Merival Araújo
Ranúsia Alves Rodrigues
Ronaldo Mouth Queiroz

(com fotos)

Almir Custódio de Lima

Anatália de Souza Alves de Mello

Antônio Carlos Bicalho Lama

Emanoel Bezerra dos Santos

Arnaldo Cardoso Rocha

Eudaldo Gomes da Silva


Francisco Seiko Okama

Gildo Macedo Lacerda


Helber José Gomes Goulart


Jarbas Pereira Marques


José Carlos Novaes da Mata Machado


Lincoln Bicalho Roque


Lúcia Maria de Souza


Luís José da Cunha



Manoel Aleixo da Silva



Manoel Lisboa de Moura


Maria Augusta Thomas


Pauline Philipe Reichstul

Ranúsia Alves Rodrigues


Soledad Barret Viedma



Sônia Maria Lopes Morais



E vou ficar esperando a estréia do documentário "Diário de uma busca" aque fala da morte misteriosa do jornalista Celso Castro.


"Outubro, 1984. Celso Castro, jornalista com uma longa história de militância de esquerda, é encontrado morto no apartamento de um ex-oficial nazista, onde entrou a força.
A polícia sustenta que se trata de um suicídio. O episódio, digno de um filme de suspense, é o ponto de partida de Flavia, filha de Celso e diretora do filme que decide reconstruir a história da vida e da morte do homem singular que foi o seu pai.

É uma viagem no tempo e na geografia: a diretora volta a Porto Alegre, Santiago, Buenos Aires, Caracas e Paris, cenários do exílio familiar, da ilusão e do fracasso de um projeto político.

O resultado é um documentário poderoso e comovente que combina magistralmente a intriga policial, os testemunhos de familiares e companheiros e o relato na primeira pessoa de uma infância vivida entre o exílio e a luta armada.

As vozes imbricadas de Celso (de suas cartas) e de sua filha constroem um retrato íntimo de uma relação marcada pela história e pela ausência."

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E a Folha de São Paulo que tanto admirei quando garoto coloca umas merdas algumas vezes que juro que não entendo. A Folha de São Paulo que chamou a ditadura de "ditabranda" deve desculpas as famílias que perderam parentes e amigos na ditadura militar.







Vem aí a CPI do Serra




O silêncio sepulcral mantido até agora pelos principais veículos de comunicação do País com relação ao livro que aponta desvios de recursos das privatizações realizadas no governo Fernando Henrique em benefício de alguns de seus principais integrantes, dentre deles José Serra, começa a dar lugar a comentários comedidos sobre o conteúdo da obra.
O motivo é o registro de pedido de CPI na Câmara dos deputados que contou com 185 assinaturas de parlamentares, 14 mais que o quórum exigido para iniciativas desse tipo. A comissão de investigação só deverá ser instalada no início do ano que vem, mas alguns de seus efeitos já podem ser antecipados.
O principal deverá ser o encerramento da carreira política do ex-governador de São Paulo José Serra que à revelia de seu partido montou o esquema ilícito de enriquecimento pessoal.
Documentos oficiais que ilustram o livro mostram que até a casa em que mora hoje Serra está em nome de sua filha, Verônica Serra, principal envolvida com o escândalo. Além desse imóvel, há outros em nome de parentes seus no litoral Sul da Bahia, inclusive uma ilha.
Para essas imobilizações deve ter contribuído a atuação do secretário de meio ambiente de Porto Seguro à época (2006-2008), o geógrafo Beny Ricardo Pontes Abreu que depois de deixar o cargo naquela cidade foi admitido na estatal paulista DERSA na gestão de seu padrasto , então presidente da empresa, Thomás de Aquino Nogueira, amigo e também indicado por Serra.
Outra conseqüência da CPI será o de revelar a parcialidade e partidarismo com que se guia o noticiário das principais emissoras de TV do Brasil, que se recusaram a noticiar até mesmo o fato jornalístico de o livro com as denúncias figurar como o mais vendido das últimas semanas, com a primeira edição esgotada em 48 horas.
Para além dos desdobramentos políticos de mais curto prazo que se espera de qualquer investigação desse tipo, a abertura da CPI deverá constitui o registro para a posteridade do momento em que as mídias sociais deixaram de se alternativas e passaram a constituir instrumento de fato de mudança da realidade política do País. 
*Brasilquevai

CPI das privatizações: a responsabilidade do PT

A nova relação de forças existente no país permite que a discussão esmagada nos anos 90 - e ainda vetada pela mídia conservadora, que silencia diante do livro citado - seja reaberta agora. Ao protocolar um pedido de CPI sobre o assunto, na última quarta-feira, dia 21, o deputado Protogenes Queiroz, destravou o ferrolho da porta do silêncio. É importante utilizá-la para arejar o tema com o ar fresco da seriedade que o passado negou. O artigo é de Saul Leblon.

Clique aqui para ver os deputados que assinaram o pedido de CPI

O desabalado processo de privatizações vivido pelo Brasil nos anos 90 ressentiu-se, entre outros requisitos, da necessária transparência de um debate sereno e abrangente.

No atropelo que marcou uma agenda impulsionada por coalizão de interesses econômicos e ideológicos, então no auge do seu poder, a mídia conservadora cumpriu a função de silenciar as vozes e forças discordantes, asfixiando-as com o método conhecido da desqualificação.
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José Serra: "...O Globo é um bom companheirooooo...ninguém pode negar" 

O bom amigo, seja lá de quem for, trata com lealdade o seu companheiro.
Retribui carinhos e apoios.
Reconhece a dificuldade do amigo e, mesmo correndo risco de ser desmentido, desmoralizado, desacreditado, cede espaço, abre seu castelo para erigir uma fortaleza para proteger o capital moral e político de seu afeto.

O bom amigo, pode ter lá seus interesses, mas compartilha as dores.

José Serra tem seu bom amigo, entre outros iguais, uns pouco mais outros menos, em intensidade de devoção e de afinidades.
O Globo, jornal impresso do Rio de Janeiro, onde escrevem baluartes da intelligentsia neoliberal, como Miriam Leitão e Merval Pereira, abriu seu castelo para oferecer ao bom amigo, José Serra, em um espaço generoso para nobres leitores,  a oportunidade de dizer que o livro de Amaury Ribeiro Jr. é, além de um "lixo", parte de um estratagema político para cercear a liberdade de imprensa e abater a moralidade daqueles que a defendem e se contrapõe ao projeto de poder do PT...
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