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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

“Anonymous” declara guerra a Israel

Em vídeo lançado na manhã desta sexta-feira, 10 de fevereiro, o grupo de hackerativistas promete “remover” o Estado de Israel... da internet
O grupo Anonymous deve entrar para a história como o primeiro a fazer uma declaração de guerra pela internet. O alvo é o governo de Israel, a quem os hackerativistas chamam de criminoso, mentiroso, oligárquico, corrupto, antidemocrático e fanático, entre outras coisas. “Há muito tempo vimos tolerando seus crimes contra a humanidade e permitindo que seus pecados fiquem impunes”, começa a declaração. “Vocês são indignos de existir em sua forma atual”, ouve-se mais adiante. “Seu império carece de legitimidade e por isso vocês precisam governar atrás de uma cortina de fraudes.”
Em nenhum momento os palestinos são mencionados. O grupo de hackerativistas considera o governo israelense responsável pela dominação de todos os seres humanos, como se pode concluir pelo teor geral da declaração e em particular pela frase “Seu domínio sobre a humanidade enfraquecerá e o ser humano estará mais próximo da liberdade”.
Há uma referência clara ao Irã, embora o nome do país não seja citado. Os Anonymous afirmam que não vão permitir o ataque do governo sionista a “um país soberano”, baseado “em uma campanha de mentiras”.
A guerra eletrônica contra Israel será realizada em três etapas. A primeira começou com o lançamento do vídeo. A segunda já foi iniciada, mas em segredo. Só será revelada mais tarde. A terceira, misteriosa, é colocada como um “presente” do grupo para os sionistas.
A declaração termina com uma promessa: “Nós não vamos parar até seu Estado policial tornar-se um Estado livre”.
A seguir, a tradução do texto do vídeo, que se segue: “Anonymous Message To The State of Israel”
“Ao governo do Estado de Israel
Nós somos os Anonymous.
Há muito tempo vimos tolerando seus crimes contra a humanidade e permitindo que seus pecados fiquem impunes.
Por meio de mentiras nos meios de comunicação, e de corrupção política, vocês conseguiram a simpatia de muita gente. Alardeiam ser democráticos, mas na realidade isso está longe da verdade. Seu único objetivo é melhorar a vida de um grupo seleto enquanto atropelam, sem cuidado, a liberdade das massas.
Mas nós enxergamos o que há por detrás da propaganda que vocês fazem circular nas principais mídias e [enxergamos também o que há por detrás] das pressões que vocês operam nas instituições políticas.
Seu fanatismo sionista já deslocou e matou um grande número de pessoas. Enquanto o mundo chora, vocês riem, planejando seu próximo ataque. Tudo isso é feito sob o disfarce da paz, mas a paz vem sendo obstruída desde o início de seu regime.
Vocês rotulam de antissemitas todos aqueles que se recusam a acatar suas exigências supersticiosas. E vêm dando passos rumo a um holocausto nuclear. Vocês são indignos de existir em sua forma atual, e, portanto enfrentam a ira dos anônimos. Seu império carece de legitimidade e por isso vocês precisam governar atrás de uma cortina de fraudes.
Nós não permitiremos que vocês ataquem um país soberano com base em uma campanha de mentiras.
Seu domínio sobre a humanidade enfraquecerá e o ser humano estará mais próximo da liberdade.
Mas, antes que isso aconteça, os povos do mundo se levantarão contra vocês e os tirarão do poder, com toda a sua riqueza. Nossa cruzada contra seu reinado de terror será feita em 3 etapas.
A primeira terá início após o lançamento deste vídeo e terá como objetivo removê-los sistematicamente da internet.
A segunda será revelada mais tarde e já foi iniciada.
Em relação à etapa 3, bem, pensem nela como um presente dos Anonymous a vocês.
Nós não vamos parar até seu Estado policial tornar-se um Estado livre.
Nós somos anônimos.
Nós somos legião.
Nós não perdoamos.
Nós não esquecemos.
Governo de Israel, espere por nós.”
Baby Siqueira Abrão
Brazilian journalist - Middle East correspondent
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*comtextolivre

Greve geral tem forte adesão na Grécia


DA EFE, EM ATENAS

A participação na greve geral de 48 horas que começou nesta sexta-feira na Grécia contra o acordo assinado entre a troika --formada pelo FMI (Fundo Monetário InternacionalI), a UE (União Europeia) e o Banco Central Europeu (BCE)-- e o governo grego está sendo muito ampla, segundo os sindicatos majoritários.
Segundo os dados oferecidos pelo principal sindicato grego, o GSEE, todos os estivadores, trabalhadores dos navios de transporte e operários das refinarias não foram trabalhar hoje.
Entre o pessoal de portos e da construção civil, a adesão da greve foi de 70%, enquanto na siderurgia e no comércio foi de 60%. Além disso, 80% dos trabalhadores de bancos, correios e organismos públicos se ausentaram de seus trabalhos.
Especialmente severa é a greve no transporte urbano de Atenas, pois, durante dois dias, não funcionarão trens, bondes, ônibus e boa parte do metrô.
Segundo um comunicado da GSEE, as medidas impostas pela troika à Grécia em troca de um empréstimo de 130 bilhões de euros levarão o país "à ruína" pois se trata do "ataque mais violento ao sistema de distribuição da riqueza".
A maior polêmica reside na redução de entre 22% e 32% do salário mínimo e na terceira redução das pensões em dois anos (desta vez de 15%).
Também foi grande a participação na manifestação principal em Atenas, maior que a registrada na terça-feira passada na anterior greve geral, segundo pôde comprovar a Agência Efe.

PRAÇA OMONIA
Fontes policiais disseram à Efe que o número de participantes rondou os de terça-feira, cerca de 20 mil, dos quais a metade se concentrou na praça Omonia sob a bandeira do Partido Comunista.
"O que estão fazendo responde a um plano de interesses nacionais e estrangeiros e só podemos responder com a mobilização", afirmou à Efe Nikos Vassialiadis, sindicalista na empresa de águas públicas EIDAP, que será privatizada no marco do acordo com a troika.
"Cada vez mais gente se soma aos protestos", comemorou Stavros Petrakis, secretário-geral da Federação de Professores de Escolas Primarias.
No final da manifestação, foram registrados alguns distúrbios isolados quando um grupo de 200 jovens encapuzados lançou pedras e coquetéis molotov contra a Polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

*esquerdopata

STF garante Lei Maria da Penha

Agora sim. O STF - Supremo Tribunal Federal -, por 10 votos a 1, decidiu que o Ministério Público pode entrar com a ação penal, em casos de violência doméstica, mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra seu companheiro. O julgamento aconteceu na quinta-feira (9), à noite.

STF julga lei maria da penha
A farmacêutica Maria da Penha, vítima de violência doméstica que deu nome à lei que criminaliza agressor

O ministro Marco Aurélio de Mello, que deu o primeiro voto, recomendou ao plenário do STF que a Lei Maria da Penha (11.340/06) deve ser aplicada independente da vontade da vítima. Mais cedo, a mais alta corte do Brasil referendou a constitucionalidade da legislação, que foi julgada em uma ação direta, que tem o ministro Marco Aurélio como relator.

“A mulher é vulnerável quando se sujeita a afeição afetiva e também é subjugada pela diferença na força física”, avaliou. “A Lei Maria da Penha retirou da clandestinidade as milhares de mulheres agredidas”, defendeu o relator.

O Supremo julga duas ações propostas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que pretendem garantir a aplicação da lei para coibir a violência doméstica.

Até então, para que fosse cumprida a Lei Maria da Penha, a mulher que sofria agressão precisava tomar a iniciativa e entrar com uma representação contra o agressor, que normalmente é seu companheiro.

A ação defendeu que a violência contra mulheres não é uma questão meramente privada, mas sim merecedora de uma ação penal pública.

Marco Aurélio lembrou que estudos indicam que 90% das mulheres que chegam a fazer o boletim de ocorrência desistem de processar seus agressores. Para o ministro, deixar a denúncia a cargo da vítima “significa desconsiderar o temor, a pressão psicológica e econômica, as ameaças sofridas, bem como a assimetria de poder decorrente de relações histórico-culturais, tudo a contribuir para a diminuição de sua proteção e a prorrogação da violência”.

A mais eloquente defesa foi da ministra Cármen Lúcia. “Gostamos dos homens. Mas não queremos carrascos”, disse. Ela fez questão de mencionar que, enquanto mulheres sofrerem violência doméstica, sem amparo da lei, ela mesma se sentiria agredida.

As exceções da decisão serão nos casos de lesões culposas (acidentais). Os críticos da Maria da Penha alegam exatamente que ela fere o princípio da isonomia ao tratar a mulher de forma diferenciada.

Lei válida

O STF referendou por unanimidade a validade da lei. Para Marco Aurélio, “a mulher é eminentemente vulnerável quando se trata de constrangimentos físicos, morais e psicológicos em âmbito privado” e a Justiça deve tratar os desiguais de forma desigual para que haja igualdade real. “A abstenção do estado na promoção da igualdade de gêneros implica situação da maior gravidade político-jurídica”, disse.

Surpresa

O advogado do Senado, Alberto Cascais, causou polêmica no plenário do Supremo Tribunal Federal ao defender a manutenção dos dispositivos na Lei Maria da Penha que exigem a representação da vítima para realização de processos criminais. Para ele, um processo sem o consentimento da suposta vítima, não solucionaria o problema da violência doméstica. “E causariam repercussão negativa no seio familiar. Inviabilizariam a conciliação (do casal), seria uma decisão contrária à vontade da vítima”, resumiu”.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Iriny Lopes, se disse surpresa com a declaração: “Não acredito que ele represente o Senado, representa a posição do próprio advogado”.

A senadora Marta Suplicy (PT) disse que já pediu uma apuração sobre a declaração do advogado para saber quem ele representa, de fato: “O que ele defendeu foi o contrário do aprovado pelo Senado, que é favorável a constitucionalidade da Lei Maria da Penha”.

Com agências e Secretaria de Política para Mulheres

Romário critica políticos e reclama que 'nada acontece' em Brasília

 

Foco
Romário critica políticos e reclama que 'nada acontece' em Brasília
Com ironia, ex-jogador de futebol pergunta se 'ano só vai começar depois do Carnaval' DE SÃO PAULO
Deputado federal em primeiro mandato, o ex-jogador Romário (PSB-RJ) criticou ontem o ritmo de trabalho dos colegas na capital.
"Tem três semanas que venho a Brasília para trabalhar e nada acontece. E olha que estamos em ano de eleição", reclamou, por meio de sua conta no microblog Twitter.
"Espero que na minha próxima vinda a Brasília tenha alguma porra pra fazer. Ou será que o ano só vai começar depois do Carnaval?", reclamou o deputado.
Romário culpou os políticos pela demora em votações de matérias importantes. "A PEC 300 [que fixa piso salarial nacional para policiais civis e militares e bombeiros] também não foi votada. Tem greves acontecendo, pessoas morrendo e lojas sendo saqueadas. Nós políticos somos culpados mesmo!", escreveu.
Em torno de 150 pessoas já foram assassinadas na Bahia desde que a PM do Estado entrou em greve.
SEMANA EM BRASÍLIA
Conhecido por faltar a treinos quando era jogador, Romário tem sido um deputado atuante. Segundo sua assessoria, chegou a Brasília na segunda e ficará até hoje.
Em seu mandato, Romário tem se destacado por ser um crítico dos preparativos para a Copa e para a Olimpíada.
Ele também ganhou projeção por defender portadores de síndrome de Down -o ex-jogador é pai de uma menina com a deficiência.
O deputado disse acreditar que seja por "falta de objetividade e de sensatez que algumas coisas lamentáveis" ocorram no país.
"Tem coisas que só acontecem na política. E hoje, mais do que nunca, tenho certeza disso", escreveu.

E Portinari não pisou em Nova York

Do sítio Outras Palavras:

Uma agenda extensa de comemorações marcará, em 2012, os 50 anos da morte de Cândido Portinari, que se completaram em 6 de fevereiro. Em São Paulo, o Memorial da América Latina exibe “Guerra” e “Paz”, os murais mais famosos do pintor, cuja instalação permanente é a sede das Nações Unidas, em Nova York. Eles foram restaurados no ano passado, no Museu Gustavo Capanema, no Rio, em trabalhos abertos ao público. Outros eventos ocorrerão em diversas cidades do país.
Há uma bibliografia razoável sobre o pintor. Entre os livros não-esgotados, uma excelente opção é o breve — porém denso — perfil produzido pela jornalista Marília Balbi. Intitula-se “Portinari, o pintor do Brasil” e foi publicado em 2003 pela Editora Boitempo, uma parceira de “Outras Palavras”. Integra a coleção “Pauliceia”, dirigida por Emir Sader. Na semana do cinquentenário (até 12/2), está sendo vendido com desconto de 50% (por R$ 17,50). O trecho — curioso e revelador — que publicamos a seguir é seu capítulo inicial.

*****

Portinari, o pintor do Brasil, de Marília Balbi.

Editora Boitempo, 2003. 176 páginas, R$ 17,50 até 12/2 (depois, preço normal: R$ 35). Pode ser comprado aqui

Aquela data era aguardada havia muitos anos por todo o mundo. Finalmente, no dia 6 de setembro de 1957, os gigantes painéis Guerra e Paz foram apresentados nas paredes do Hall dos Delegados da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A presença daquela obra monumental ali – na casa que deve zelar pelo bem-estar de todos os homens da Terra – era obviamente carregada de sentido. As expressões de dor e esperança pintadas nos dois painéis de 140 metros quadrados simbolizam, de um lado, o flagelo das guerras irracionais e, de outro, o regozijo da harmonia entre as nações. Dois lembretes para a eternidade.

Curiosamente, a cerimônia de inauguração do monumento à humanidade foi discreta, e poucos foram os convidados. Em especial, um esteve ausente: o autor dos dois painéis, Cândido Portinari.

Os tempos eram outros. Os Estados Unidos viviam o auge do macartismo, a doutrina de proteção americana contra ações supostamente subversivas, cujo expoente anti-comunista foi o senador Joseph McCarthy. Portinari, por sua vez, era um declarado comunista e fora candidato à Câmara Federal, em 1945, e ao Senado, em 1947, pelo “partidão”. Duas posturas inconciliáveis nos idos da Guerra Fria. Por isso, desde os anos 1940, Portinari vinha tendo sua entrada nos EUA negada.

Mas como manter aquela proibição no momento em que o artista brasileiro, reconhecido em todo o mundo, tinha sua gigantesca obra em defesa da paz afixada em caráter permanente na “casa de todas as nações”?

O mal-estar crescia. Esperava-se uma posição conciliatória do governo americano. Após a intervenção da diplomacia brasileira, encontrou-se uma solução: bastava que Portinari solicitasse o visto americano no Brasil e este lhe seria concedido. Isso não ocorreria. Homem de personalidade forte, Portinari queria um convite oficial de Washington para pisar em solo americano. Assim era o homem.

O episódio envolvendo Guerra e Paz foi apenas mais um constrangimento a que Cândido Portinari foi submetido durante a vida. Como diversos artistas, ele foi perseguido, cerceado, estigmatizado pelas posições de esquerda. A polícia política brasileira, por exemplo, acompanhou seus passos durante décadas. O Departamento Estadual de Ordem Política e Social – o famigerado Deops – acumulou notícias a seu respeito até mesmo depois de sua morte, em 1962.

Ele explicava a quem perguntasse por que se aproximara da política. A Vinícius de Moraes, confidenciou, em texto publicado postumamente, em março de 1962: “Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo”.

Portinari pintou o povo sofrido, a miséria, o homem de enxada na mão, pés na terra – o trabalhador brasileiro. Pela primeira vez, um artista expressou a tragédia do Nordeste do Brasil assolado pela seca. Ou como sintetiza de maneira brilhante seu único filho, João Cândido, Portinari “fez do pincel sua arma para denunciar as injustiças e os valores sociais e humanos”.

O artista começou retratando sua aldeia. Depois, partiu para o universal. Das crianças brincando na terra roxa em sua natal Brodósqui às crianças dos painéis da ONU. Temas universais também estão presentes na mulher com o filho morto nos braços – a Pietà nordestina – e nos horrores da guerra. Visionário e esperançoso, pintou um judeu e um árabe de braços dados.

As imagens que ele criou são facilmente reconhecidas por todos. Muitas delas nem sequer saem de nossa memória. Assim que tentamos conceber a cena de um trabalhador, imediatamente nos vêm à mente seu estivador, seu lavrador de café, seu sorveteiro, seu operário, seu lenhador ou ainda o sapateiro de Brodósqui. O mesmo ocorre com os pobres e miseráveis: de pronto, suas favelas, seus morros e as figuras esquálidas da série Retirantes nos preenchem a visão.

Reconhecemos nessas obras nossa gente, nossas dores e nossa esperança – além das marcas inconfundíveis de um grande artista.
*Miro

Escândalo da vaca

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgaDyegvDg0YHEaEE3euNOuaxdfETdQOu0NQT36709arYsFHHHvNhH3uGRkK-naOcrLNbWcUn3xT3jgxLgyp0gZRzn8ohXqm96VZ7Mts2llHl5TM5hnI8kLIm1WuxKk_KNw3IIFsc5jHCw/s1600/1328012736319-pm-vaca.jpgCapenga Times, em parceria com o Nota de Rodapé

A foto de um policial militar em serviço, devidamente fardado, simulando ato sexual com a escultura de uma vaca, no centro da capital catarinense, fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechar nesta segunda-feira com uma queda de 5%, o pior resultado desde outubro de 2008.
*+notasderodapé

Neo-nazistas? - grupo de soldados dos EUA posa com símbolo nazista no Afeganistão

Grupo de franco-atiradores americanos no Afeganistão, com bandeira da SS, a polícia nazista
Uma equipe de franco-atiradores da Marinha americana posou para uma foto com uma bandeira que ilustra o símbolo SS, que faz referência à polícia militar do período nazista na Alemanha, revelou nesta quinta-feira um comunicado do Corpo de Fuzileiros Navais americanos.

O documento informava que o uso da bandeira não era aceitável, mas que os militares não serão punidos pois a apuração determinou que a escolha do símbolo foi ingênua. De acordo com os oficiais, as letras SS foram interpretadas como "franco-atiradores" (sniper scout, em inglês).

A foto foi tirada no último mês de novembro e estava em um blog. Após muitas reclamações de ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial que se ofenderam com a imagem, o retrato foi citado às lideranças militares.

Em janeiro, um vídeo de um grupo de marines urinando em corpos no Afeganistão foi publicado no portal de hospedagem YouTube, causando indignação e revolta no mundo.





Associated Press





*BlogdaMilitância

O Lago Vostok

O lago numa imagem radar




O assunto? O lago Vostok, 250 km de comprimento, 50 de largura, 1.000 metros de profundidade.
Nunca visitaram o lago Vostok? Não admira: em primeiro lugar fica na Antárctica, um pouco afastado das tradicionais rotas turísticas; depois não é um lago normal, mas encontra-se debaixo de duas milhas de gelo.

Um lago debaixo da camada gelada da Antárctica? Isso mesmo. Promete bem.

Água, dúvidas...

O lago foi descoberto pelo geógrafo russo Andrey Kapitsa durante uma serie expedições cientificas soviéticas realizadas entre 1959 e 1964. A combinação de ondas sísmicas e radar confirmou a existência de alguns lagos, o maior dos quais é o Vostok.

Com a perfuração foi possível alcançar uma zona situada apenas 60 metros acima da superfície do lago, onde já não há o mesmo gelo da camada polar mas gelo de água lacustre. Agora uma equipa de pesquisadores russos retomou a exploração, o que significou ultrapassar mais de duas milhas de gelo antárctico, numa perfuração que acabou hoje.

E nem faltara uma pitada de mistério: como relata o canal de notícias Fox, a equipa desapareceu e reapareceu só após uma semana de comunicações interrompidas.

Mas afinal: qual a graça em visitar um lago que fica debaixo de quilómetros de gelo?

As razões são várias.
A camada de gelo antárctico funcionou como selante desde o Plioceno, 5 milhões de anos atrás. Desde então, as águas do Vostok ficaram separadas e absolutamente livres de qualquer contaminação exterior.

Isso significa que uma amostra do Vostok daria água pura e, ao mesmo tempo, seria como uma máquina do tempo: água com 5 milhões de anos.

E a vida? Pode existir um ecossistema no Vostok? A resposta é sim, pode. 5 milhões de anos atrás a vida proliferava no planeta e faz sentido pensar em criaturas presas nas águas do lago desde então. Vida que teria tomado um percurso diferente de qualquer outro lugar do planeta. Neste aspecto, é óbvia a presença de bactérias, mas pode existir algo mais? Ainda não sabemos, mas os pesquisadores terão que tomar uma série de precauções para evitar qualquer tipo de contaminação,  em ambas as direcções.

Além de tudo isso há outra pergunta: como é possível a existência dum lago debaixo do gelo, num dos lugares mais frios da Terra? Em algumas zona, a água atinge os +30º C, o que daria uma excelente piscina.
Existe uma hipótese que tenta explicar este fenómeno: os lagos, entre os quais o Vostok, estariam posicionados em zona onde a crosta terrestre é mais fina e que, portanto, recebe o calor do magma.
Como afirmado, não passa duma hipótese, sendo as verdadeiras razões ainda desconhecidas.

Mas há ainda outro mistério que está à espera de ser resolvido. Algo igualmente importante, mas com contornos muito menos definidos.

...e mais dúvidas

No sul-oeste do lago, as equipas de pesquisa têm identificado e testado ao longo de anos a presença duma forte anomalia magnética, de origem inexplicável, com uma extensão 105 para 75 km.

 Alguns pesquisadores acreditam que o tal fenómeno seja devido ao afinamento da crosta nessa área; porém, alguns medições feitas por detectores sísmicos identificaram a presença dum elemento metálico de forma circular (ou talvez cilíndrica) que aparece na base do lago, com um diâmetro muito grande.

Portanto, a hipótese é que seja esta não especificada estrutura que gera a alteração de 1000 nanotesla no campo magnético da zona.
Um meteorito? Ou algo ainda desconhecido? Não sabemos. A única certeza é que o objecto apresenta um perfil regular e que a NSA (a agência para a segurança nacional dos EUA) tem perimetrado a área e classificado as comunicações, oficialmente para "evitar a contaminação".

Um dos muitos mistérios do Vostok, cuja exploração faz lembrar o trabalho das sondas espaciais: um mundo novo, desconhecido, com muitas perguntas em aberto.

*InformaçãoIncorresta
Ipse dixit.
No aniversário do partido, André Vargas diz que maior autoridade do PT é sua militância
+*justiceiradeesquerda

De Louise Caroline – PT 32 anos: pra trás e pra frente.

 Hoje comemoramos 32 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores. A história de movimentos populares, sociais e sindicais que decidem disputar institucionalmente o Estado e os recursos públicos sempre concentrados na mão das elites.
http://www.portaldecaruaru.com/images/conteudo/img_g/141111121125louise.jpgA história de um Partido estudado no mundo inteiro como experiência exitosa na implementação de um novo modelo de democracia: daquela restrita ao voto eleitoral àquela partilhada nos orçamentos participativos, nas conferências de políticas públicas e na resignificação da política.
            Um partido de massas. De militantes. De fidelidade partidária e voto programático, características raras em um sistema político fragmentado e personalista. Um partido de idéias e ideais, de políticos comprometidos com a coisa pública. Um partido de governo.
            O fenômeno dos Governos do Presidente Lula, com todas as contradições de uma coalizão imposta pelo sistema presidencialista e pelo multipartidarismo, elevaram o PT a um reconhecido exemplo de inclusão social e soberania internacional. Uma mirada especial aos oprimidos de dentro e de fora do país.
            A data de hoje é de alegria. De comemoração. E de olhar para o futuro. Como serão os próximos 32 anos do PT?
            A primeira geração petista elaborou uma estratégia de partido e de governo. Agora, com 10 anos de governo federal, cabe elaborarmos uma nova estratégia que compatibilize a capacidade militante de um partido de massas com uma gestão pública capaz de saltar da democratização do capitalismo para uma sociedade socialista.
            É que um partido eleitoralista, com lideranças personalistas e adaptado ao jogo econômico do processo eleitoral não é o PT dos 32 anos pra trás, nem o que queremos pra frente. Um Estado de bem-estar social, universalizador de direitos básicos sem transformações nos fundamentos da exploração dos seres humanos, não é o PT dos 32 anos pra trás, nem o que queremos pra frente.
            O desafio que temos nessa data reflexiva, como são os aniversários, é entender que para sermos os mesmos temos que ser diferentes. A mesma estratégia não cabe a um período histórico distinto. Nossas vitórias exigem outras atitudes. Não precisamos mais consolidar um partido nacional, mas fazê-lo manter sua capiralidade social, sem espaço para os empresários da política e os políticos de si mesmos. Não precisamos mais chegar à Presidência da República, mas fazer dessa oportunidade um marco de rupturas que não exijam coalizões esquizofrênicas, nem submissão aos banqueiros e aos latifundiários.
            A experiência da social-democracia européia é um exemplo que precisamos analisar como alerta. Não basta incluir gente na economia sem incluí-la na política, não basta fazer remendos igualitários em um sistema de desigualdades. Deixar o Estado refém do sistema financeiro capitalista é deixar qualquer possibilidade de sucesso de nossa estratégia refém de nossos inimigos.
            Aos que terão a responsabilidade de dar continuidade à vida do PT, cabe mergulhar nos melhores sonhos desses 32 anos e perceber que foi ousadia de puxar a linha do horizonte o sustentáculo desse projeto.
            Fazer o que parecia loucura e apostar no motor da história quando se dava a história como morta moveu nossas conquistas.
            A história exige novas ousadias. Mudar para que sejamos os mesmos.
            Vida longa ao PT!
Louise Caroline Lima e Silva, petista com orgulho.
*Historiavermelha