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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
A SANGRIA CONTINUA. EM 2014, SANTANDER QUER LUCRO DE PELO MENOS 8 BILHÕES E 500 MILHÕES DE REAIS NO BRASIL.
Não
satisfeito de ter transformado o nosso país em uma imensa galinha dos
ovos de ouro – a América Latina foi responsável por 51% do lucro de 2011
e o Brasil contribuiu sozinho com 28%, quase um terço do total (fora o
perdão de uma multa no valor de 4 bilhões de reais pelo CARF, Comitê
Administrativo de Recursos Fiscais, que a turma do Senhor Botin devia à
Receita Federal) o Grupo Santander - que teve que fazer enormes
provisões devido à quebra do mercado imobiliário na Espanha, e que pagou
há um mês 165 milhões de reais de “aposentadoria” para o executivo
responsável pela compra do Banespa - está determinado a espremer ainda
mais os seus clientes e funcionários no Brasil.
Em
reunião realizada na semana passada, o banco espanhol estabeleceu como
meta, para a filial brasileira, um lucro de no mínimo três bilhões e
seiscentos e oitenta milhões de euros, ou quase 8.5 bilhões de reais, em
2014.
Um dinheiro que vai embora, como na
época das caravelas, para nunca mais voltar. E que contribui, somado à
remessa de lucros de outras empresas estrangeiras de serviços – que aqui
não fabricam um parafuso – como é o caso da Vivo, por exemplo, para
aumentar o já gigantesco déficit – que passou de 50 bilhões de dólares
neste ano, o maior em 64 anos – em transações correntes, do país:
domingo, fevereiro 12, 2012
História da dignidade!
Uma pequena mostra, que pretende seu uma justa homenagem, uma
recordação e motivo de reflexão da enorme historia da dignidade humana,
desencadeadas por valorosos homens e mulheres do planeta.
*Turquinho
*Turquinho
Kassab não vale nada
Kassab e a vaia educativa na festa do PT
![]() |
| Kassab vai para qualquer lado |
O PT não é o maior
partido político brasileiro à toa. Nele, entre outras coisas, as
lideranças nem sempre falam a mesma língua, o que faz com que em muitos
momentos para se chegar a uma posição seja necessário um amplo debate.
A
última demonstração dessa vitalidade foi a vaia a Kassab na festa dos
32 anos do partido. Engana-se quem acha que a vaia foi da base. Nessa
festa estavam apenas os “graduados”. E mesmo com Lula defendendo a tese
de que o PT deve fazer um acordo com o prefeito de São Paulo, isso não
impediu uma reação que em alguns casos poderia entendida como uma “falta
de educação”. Nesse caso não. A vaia foi educativa. Mostrou que
partidos não precisam e não devem ser instituições monolíticas.
Há
muitas lideranças do PT em São Paulo (diria que hoje a maioria) que
estão incomodadas com a aproximação que está sendo tentada com o atual
prefeito. Mesmo assim Lula tem insistido na tese de que a fissura entre
Kassab e o tucanato é a maior oportunidade que o partido já teve para
conquistar não só a prefeitura da capital, mas também o governo do
estado em 2014.
Os debates
internos estão sendo intensos e os disparos de Berzoini e Marta Suplicy
via twitter foram propositais e visavam alertar a militância de que não
existe uma opinião uníssona da “cúpula” neste tema.
A
vaia a Kassab se insere nesta lógica. As lideranças petistas de todo o
Brasil que foram à festa dos 32 anos e ajudaram a apupar o prefeito
disseram que são contra a aliança. E que esse assunto não vai ser
resolvido na carteirada. Conversando com alguns deles que estavam na
festa, o que mais se repetiu é que “reconhecem a liderança e a
importância de Lula”, mas consideram que “divergir do ex-presidente
também é algo natural e ajuda a fortalecer o partido enquanto
instituição”.
Se os articuladores
do convite a Kassab para a festa do PT achavam que esse fato poderia
ajudar na quebra de gelo entre as partes, se deram mal. Ao invés de
quebrar o gelo, o convite ajudou a azedar o leite. A partir dessa vaia
os que se posicionam contra o acordo vão se sentir mais à vontade para
discordar de Lula. Porque sentiram que não são a minoria. Ao contrário.
A
festa de 32 anos certamente vai ficar marcada por este fato. Pela vaia
ao prefeito paulistano. Se a vaia vai modificar o rumo das articulações,
isso é outra história. Até porque o que este blogue tem ouvido é que um
acordo com Kassab pode vir a ser feito de forma não explícita.
A
base do prefeito em São Paulo tem vários partidos da base do governo
Dilma em Brasília. Entre eles, o PCdoB e o PSB. Seria muito difícil para
um petista ser contra um vice do PSB para Haddad. Isso poderia ser uma
saída para os dilemas do acordo.
O
prefeito parece estar disposto a não ser parceiro de Alckmin nesta
eleição. A não ser que o governador apoie Afif. O que parece hoje algo
descartado.
Kassab também não
está disposto a apoiar Chalita, porque o considera o candidato de
Alckmin, principalmente se o PSDB sair com Andrea Matarazzo.
Por
isso a aproximação com o PT passa a ser uma saída real. Até porque o PT
tem o governo federal. E esse talvez seja o alvo do atual prefeito para
o futuro. Conseguir uma participação para o seu PSD no ministério de
Dilma. Quem sabe, um cargo para ele mesmo. Que sem o mandato ficaria
completamente sem poder.
Nos
partidos que não são nem de direita, nem de centro e nem de esquerda
ficar sem poder é algo mortal. Sem a caneta este tipo de político tende a
desaparecer. Serra que o diga.
*Blog do Rovai
As prioridades do douto e probo judiciário paulista
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| Enquanto o judiciário paulista se apressa em condenar morador de rua em prisão domiciliar, o que já foi feito para apurar e punir os responsáveis pelo esquema do Rodoanel de São Paulo? |
Diante de uma decisão tão estúpida, o Desembargador relator do voto, Figueiredo Gonçalves, do TJ/SP, deveria sofrer punição igual e levar o réu para cumprir a pena de prisão domiciliar na casa dele desembargador.
*comtextolivre
Os “não-pessoas” da ministra francesa
Via Sul 21
Uma Europa que não é mais a mesma
Não, não é engraçado, mas é um tanto irônico. Quando a ministra da Saúde da França, Nora Berra, comete um “lapso” e diz para os sem-teto não saírem de casa durante o inverno,
ela sem querer evidencia essa grande transformação por que passa o
mundo e explicita que a sua França já não é mais a mesma. Foi um lapso.
Mas um lapso de quem: a) não está acostumada a lidar com esse tipo de
problema; b) não costuma considerar muito importante essa gente pobre
que normalmente não vota. O problema é ter quem comete esse tipo de
lapso no poder.
A letra ‘a’ diz respeito ao
empobrecimento da Europa. À crise. A uma França diferente da de alguns
anos atrás, uma França diante de problemas de “terceiro mundo”. Fui a
Paris pouco tempo atrás, na metade de janeiro. Sabia da crise, sabia do
desemprego, sabia do empobrecimento. Mas não imaginava a quantidade de
sem-teto que eu veria por lá. Às 2h da madrugada, hora em que o metrô
fecha nos fins de semana, todos os bancos de uma estação da periferia
serviam de cama. Em Londres, naquela Inglaterra onde a crise também está
pegando, é nítido o aumento de moradores de rua a cada mês, pelo menos pelos últimos seis meses.
É o retrato de uma Europa que há séculos não existia desse jeito.
Pobreza houve muitas vezes. Gente na rua, também. Desigualdade, muita.
Mas nunca antes no mundo capitalista a Europa se via deixando de ser a
referência, perdendo importância, vendo-se obrigada a pedir ajuda a
países do Sul. Nunca antes ela via inverter o cenário da geopolítica
mundial como agora, tendo que buscar alternativas em exemplos do Sul. E
principalmente, vendo que esse “Sul” de que a gente fala não é um país,
mas vários. Um momento em que o mundo fica cada vez mais multipolar.
Vamos
com calma, o Brasil ainda não é mais importante que a Europa como
referência mundial, e possivelmente não venha a ser. Mas o importante do
que está acontecendo agora é que os países do Sul, especialmente da
América Latina, crescem com uma política de inclusão enquanto os
europeus encolhem ao mesmo tempo em que excluem. São movimentos
inversos, e isso é fundamental para entendermos o que está acontecendo.
E, apesar de nossa desigualdade ainda ser enorme, aqui, ao contrário da
Europa, o Estado funciona, como testou a Katarina Peixoto em Porto Alegre.
O
lapso da ministra não é simplesmente uma gafe, o que nos leva à letra
‘b’. É o lapso da ministra de um governo conservador, reacionário, que
fala nas classes mais baixas apenas por obrigação, para não ficar feio, e
não porque realmente se importe com elas. Um governo que não pensa de
verdade em como as pessoas se sentem na rua no frio. Há quase um mês,
quando estive em Paris, o frio já era considerável, com temperaturas não
muito distantes de zero. Para mim, protegida com um casaco carésimo que
comprei com medo do inverno europeu e hospedada em um hostel pra lá de
ruim, mas com calefação, já era difícil. Agora imagina pra quem tem
pouca roupa e nenhum teto e com um frio muitos graus mais cruel do que
aquele, com neve.
Os sem-teto se multiplicam na
Europa não só porque ela está em crise, mas porque ela está recheada de
governos conservadores. Governos cujas medidas fazem aumentar a crise, o
que leva a que se elejam governos ainda mais conservadores (pelo medo
que o povo lá tem mostrado sentir, a exemplo recente das eleições
espanholas). Mas mesmo em tempos sem crise, ou pelo menos sem uma crise
tão grave, é normal a desigualdade crescer durante governos de direita,
como nos mostra o Reino Unido. Aumenta o desemprego, fica ainda mais
difícil subir de classe social e mais fácil cair. É a tendência natural
de governos que governam para o mercado, para as elites de que fazem
parte, e não para o povo, para o país. O que assusta é que a direita
ganha cada vez mais força. E não é só uma direita moderada. Muitas vezes
extrema, ela ganha espaço na França (Marine Le Pen é ameaça nas
próximas eleições), na Espanha, na Itália, no Reino Unido etc. etc. À
medida que ela ganha espaço, aumentam os os índices negativos dos
países, mas ninguém parece perceber muito a relação entre as duas
coisas. Não é tão óbvia?
P.S: A
foto, da agência AFP, é na Itália, onde o frio está castigando e o
governo é ainda pior, tendo passado de um conservador maluco pra um
indicado do mercado financeiro alçado ao cargo por um golpe de Estado.
Noam Chomsky: Um mundo cheio de ‘não-pessoas
*Gilsonsampaio
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