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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Mais Sem Noção e Mais Safado Que Maluf, e Tão Nocivo

Serra negocia com tucanos condições para ser candidato

DE SÃO PAULO
 O ex-governador José Serra já negocia com o governador Geraldo Alckmin condições para se candidatar a prefeito de São Paulo pelo PSDB, informa reportagem de Vera Magalhães e Daniela Lima, publicada na Folha desta terça-feira (a íntegra está disponível assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Serra, que antes dizia não ter interesse em disputar novamente a prefeitura nas eleições deste ano, conversou com Alckmin na semana passada e afirmou que estava reconsiderando sua decisão.Ontem, o ex-presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo José Henrique Reis Lobo voltou a atacar a realização de prévias pela legenda e disse que a sua opinião encontra respaldo em setores do partido.
Na semana passada, ele causou polêmica no partido ao criticar a consulta interna para escolher o candidato a prefeito da capital paulista. A iniciativa foi apontada por integrantes da legenda como um recado de Serra.
Concorrem às prévias, marcadas para 4 de março, o deputado federal Ricardo Tripoli e os secretários Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e Andrea Matarazzo (Cultura).
*AmoralNato

Instiuto Millenium dá ultimato a Serra

Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg, porta vozes oficiais do Instituto Millenium, mandaram hoje (14/02/2012) um recado a José Serra.
Curto e grosso: Serra você está em fim de carreira, contente-se com a prefeitura de São Paulo e declare publicamente que o candidato à presidência da República em 2014 é Aécio Neves. Se aceitar o "conselho" dos porta vozes do Millenium, terá todo apoio da midiazona tradicional que sempre o apoiou, caso contrário, pegue seu chapéu e saia de fininho.
É pegar ou largar!
Ouça aqui, o "conselho espiritual" dado ao Serra pelos conselheiros do Milenium.

Serra e o espírito de 32

A campanha de 1932, que depois seria, em 1964, reciclada pelo "Ouro para o bem do Brasil". Do bem, nem se sabe, já o ouro...
A notícia dada hoje pela Folha de S. Paulo, de que José Serra negocia (sic) com Geraldo Alckmin sua candidatura à prefeitura paulistana é a prova de que a política, por mais hipocrisia e arranjos que abrigue, sempre leva as disputas para algo que representa, de fato, o conflito de projetos políticos.
Serra, candidato, é um perigo e uma esperança.
É evidente que ele é, de longe, um candidato com mais chances de vitória do que os “famosos quem” que disputam a indicação tucana para o pleito. Aliás, a história de que eles seriam “o principal obstáculo” à candidatura Serra é de rolar de rir.
E também é um quase definitivo golpe contra a articulação de Lula  que, livrando Kassab da posição de “saco de pancadas”, pudesse enfraquecer ainda mais o tucanato paulista e tirar-lhe, em outubro, a sustentação do terceiro ou quarto governo em importância nacional, o da municipalidade paulistana.
Mas, ao inverso destes riscos, caminha um fator desafiante.
Serra na disputa traduz o que foi, para além das aparências “constitucionalistas” , o movimento de 1932: a reação das oligarquias ao processo de transformação do Brasil que a Revolução de 30 havia desencadeado.
Claor que a paráfrase tem suas diferenças objetivas, e muitas, mas esta é a essência desta disputa.
Um “famoso quem” como candidato tucano seria aquele brado dos oficiais do Batalhão Universitário Paulista – qualquer coincidência é mera ironia – que gritavam em francês “salve-se quem puder” diante da entrada de Vargas em Itararé.
É verdade que Lula, hoje,  como o Vargas do segundo mandato, quer soluções menos cruentas, e que bom que seja assim.
A inclusão de Gilbertto Kassab numa aliança vitoriosa deveria ter soado como a garantia de que há espaço – e tem mesmo de haver -  para a riqueza e tipicidade paulistas no Brasil que está sendo reconstruído. Mas que é preciso reverter o modelo concentrador riqueza e semi-separatista que se acentuou após o golpe de 64, e que São Paulo pode ter outro destino que não o de ponto de drenagem da riqueza brasileira.
A candidatura Serra torna mais evidente esta reorganização do Brasil, porque não será por questões essencialmente municipais da paulicéia que ele terá votos, mas pela reação, raivosa e irracional, a um novo projeto de Brasil: inclusivo, desevolvimentista e equilibrado regionalmente. E que São Paulo não precisa ser Wall Street para ser Nova York, que jamais seria o que é se o resto dos EUA fossem um país miserável.
É para evitar isso que Lula vinha se movendo, nas suas difíceis condições pessoais e enfrentando um enorme desgaste – que só ele, com o seu crédito pessoal poderia enfrentar – ao defender uma aliança com Kassab.
Sabe que a candidatura Serra é feia e perigosa como um estertor, que tem o esgar, jamais o sorriso, que tem a morte e o ódio, jamais a vida e o amor ao ser humano.
Mas é, ao mesmo tempo, o sinal da fraqueza da fera em agonia, expresso em dentes e garras implacáveis por sua própria sobrevivência.
Sabe que, morto o PSDB em São Paulo, a direita brasileira, espalhada por todo o país, estará muito perto de jogar ao mar o grupo servil e elitista  no qual  se representa e munir-se de novas caras, novos líderes e, sobretudo, de projetos diferentes daqueles que, há uma década, tornaram-se intragáveis para o povo brasileiro.
*Tijolaço


*Brasil Mobilizado
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCeIhqIKJvEKFHVbJpIs2riU7mGY91P_3B-4uX0wZDcV-tYNVc7hlf2Hz5ntDzqkwHNwKiOgp5V3KVte4M7kcR4Gv5qCElmmWBajwwxcT8G32xJRWRkKu_96VJnwgf2WtCxyRMTsgswXU/s1600/bessinha_1044.jpg

Mais tímida, Lei Geral da Copa pode avançar hoje-247

Nova versão apresentada ontem permite o comércio de bebida alcoólica em estádios, mas apenas no Mundial de 2014 e na Copa das Confederações de 2013; ideia inicial era vender também nos campeonatos nacionais; ministro do Esporte, Aldo Rebelo é defensor da venda de cerveja durante os jogos; já o deputado e ex-jogador Romário é um dos maiores contestadores da Lei

Por Agência Estado
14 de Fevereiro de 2012 às 08:51
247, com Agência Estado - A última versão do relatório da Lei Geral da Copa permite que idosos comprem ingressos para o Mundial de 2014 a cerca de US$ 12,50, metade do valor dos bilhetes populares que serão vendidos pela Fifa. O relator, Vicente Cândido (PT-SP), manteve no texto o direito de quem tem mais de 60 anos a meia-entrada e também os manteve na chamada "cota social". A proposta pode ser votada nesta terça-feira na comissão especial da Câmara que debate o tema.
O duplo direito aos idosos foi a fórmula encontrada pelo relator para atender ao desejo da presidente Dilma Rousseff de preservar a lei federal que garante a meia-entrada para quem tem mais de 60 anos sem penalizá-los com um ingresso mais caro. Serão vendidos quatro tipos de bilhetes no Mundial, sendo a categoria 4 com preço de cerca de US$ 25,00, segundo a Fifa. Com o novo texto de Vicente Cândido, os idosos poderão pagar metade em todas as categorias.
*justiceiradeesquerda

CPI da Privataria:
Maia subiu no telhado



O passarinho pousou na janela lá de casa e trouxe no bico um recado palaciano.

CPI da Privataria ?

Manda bala.

Ainda mais agora que os tucanos querem dizer que acabou o Fla-Flu.

Não acabou, não.

Vamos peitar a Privataria deles, como na eleição de 2010.

O passarinho bateu asas e voou.

Aí, veio outro passarinho.

Trazia no bico um recado de outro prédio, ali ao lado, o prédio do Congresso.

Dizia assim o recado.

O Marco Maia quer tirar o corpo fora.

Diz que uma coisa é conseguir as assinaturas regimentais para instalar a CPI.

Outra, instalar.

Para instalar, ele exige uma mega-mobilização de opinião pública.

Alguma coisa assim como na Grécia – deve ser.

É a mesma mega-mobilização que o Bernardo disse que precisa haver para enviar uma Ley de Medios ao Congresso.

É assim, agora, o PT do Maia e do Bernardo.

Só se mexe minutos antes de o Palácio de Inverno cair.

Disse o segundo passarinho, mais loquaz, que o novo líder do PT, o Jilmar Tatto, não morre de amores pela CPI da Privataria.

De um lado, João Paulo Cunha, do PT de São Paulo, luta para instalar a CPI.

Do outro, Tatto revelou-se menos entusiasmado.

O que parece certo, porém, é que o deputado Marco Maia não parece gostar muito de ser deputado federal.

É que o eleitorado do Rio Grande do Sul acompanha bem esse movimento em torno da Privataria.

Lá, o livro do Amaury vendeu como pão.

Paulo Henrique Amorim

As Malvinas

 

 

Via Diario Liberdade
Laerte Braga
A decadência do Império Britânico e sua transformação gradual – hoje está consumada – em principal colônia norte-americana na Europa faz com que a ocupação das Ilhas Malvinas (território argentino) seja um trunfo para uma extinta nação, onde, num dia qualquer, há séculos passados, se dizia que “o sol não se põe”.
A perspectiva de um referendum sobre a plena independência escocesa, que abala e enfraquece mais ainda o governo de Londres, encontra guarida na tentativa de fazer ressurgir o nacionalismo de uma ilha que afunda contemplando os chapéus coloridos de sua majestade a rainha Elizabeth II e as travessuras militares (para inglês ver) do príncipe Willians.
Nesse castelo sombrio e cheio de fantasmas o herdeiro do trono, o príncipe Charles é só um tampax e nada, além disso.
As Ilhas Malvinas estão ocupadas desde 1883 e já àquela época a Argentina denunciou ao mundo a posse ilegal mantida pelos britânicos.
A Guerra das Malvinas, como ficou conhecida, aconteceu entre abril e junho de 1982. De lá para cá tem sido intensificada a presença militar da colônia norte-americana na região (rica em petróleo) e hoje não há dúvidas que bases militares nas Malvinas guardam armas nucleares para “qualquer emergência” não só em relação a Argentina, mas a toda a América do Sul.
Leopoldo Galtieri era o general de plantão na ditadura militar argentina e diante da forte reação popular ao regime decidiu recuperar as ilhas sabendo das dificuldades militares, mas esperando receber apoio dos países vizinhos, principalmente o Brasil (também uma ditadura militar) e neutralidade do governo dos EUA. Reagan era o presidente norte-americano.
Nem uma coisa nem outra. Os militares brasileiros – o ditador era Figueiredo – foram pressionados pelos EUA, ficaram nem lá e nem cá, mas permitiram à frota inglesa que paradas para reabastecimento fossem feitas numa ilha do litoral de nosso País, onde havia pista de pouso e outras instalações adequadas a essa necessidade.
Galtieri tentava salvar a ditadura e Margareth Teatcher enxergou no conflito a perspectiva de reabilitar sua popularidade em baixa.
O povo argentino pagou o preço da inconseqüência do ditador e do caráter perverso e boçal da Grã Bretanha em seu espírito colonizador que é secular. Hoje prova do próprio veneno, é colônia e se desintegra a olhos vistos.
O governo Reagan foi fundamental para os britânicos. Informações foram passadas via satélite, mísseis cedidos às forças de sua majestade e a arma mais perigosa que os argentinos dispunham, o míssil Exocet, neutralizado pelo fabricante francês (comprado pelos britânicos), após mostrar que poderia inverter o resultado final do conflito.
A posição do governo brasileiro – João Figueiredo – foi típica de ditadores covardes, dos pusilânimes. Se algum impulso de apoio aos argentinos surgiu num primeiro momento, até pela reação popular, logo os comandantes norte-americanos enquadraram os golpistas de 1964, sob comando de Washington desde o primeiro momento, desde o governo Castelo Branco (em breves momentos perderam esse controle, refiro-me a um período do governo Geisel (questões envolvendo a venda de armas fabricadas pelo Brasil a países como Iraque, Líbia, Arábia Saudita e alguns outros).
O chanceler argentino Héctor Timerman foi à ONU – Organização das Nações Unidas – para apresentar ao secretário geral e a outras instâncias da Organização, dados comprovando que os britânicos guardam armas nucleares em algumas de suas bases no arquipélago.
Timerman esteve com o presidente do Conselho de Segurança – fantoche dos EUA – Kodjo Mena, do Togo, com o presidente da Assembléia Geral, Nassir Abdulazis Al-Nasser (Catar), manteve reunião com o presidente do Comitê de Descolonização Pedro Nuñez Mosquera (Cuba) e embaixadores da Colômbia e da Guatemala (governos aliados dos EUA) e que têm assentos não permanentes no Conselho de Segurança.
As denúncias de armas nucleares em bases da colônia norte-americana Grã Bretanha nas Ilhas Malvinas foram levadas ao secretário geral da ONU. Na prática isso significa nada. Desde que George Bush mandou o Conselho de Segurança às favas e invadiu o Iraque sob o falso pretexto de presença de armas químicas e biológicas, a Organização se presta apenas às pompas à época da Assembléia Geral, ou a denúncias como essa, para que o mundo tome conhecimento do terrorismo de Estado do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.
Em entrevista à imprensa o chanceler argentino denunciou a presença de um submarino nuclear Vanguard, do destruidor HMS Dauntless e dos aviões Typhoon, todos armas de última geração.
Os britânicos são subscritores do Tratado de Tlatelolco, que transforma a América Latina em região livre de armas nucleares, mas o fizeram com reservas, que implicam em eximi-los de cumprir todos os itens do mesmo, possibilitando a presença de armas de destruição em massa no arquipélago.
O chanceler argentino revelou ainda que todo o orçamento de defesa da Grã Bretanha sofreu cortes exceto o que diz respeito às Malvinas.
Em crise, falida, controlada por fora e por dentro pelos EUA, a Grã Bretanha neste momento repete jogada de Margareth Teatcher ao apelar para o nacionalismo dos seus cidadãos e recobrar a popularidade do governo conservador, usando as Ilhas Malvinas como pretexto. A decisão de enviar o segundo na linha de sucessão do trono a manobras militares na região, o príncipe Willians, reforça objetivo, além de permitir aos célebres tablóides ingleses especializados em fofocas, de arranjar “companheiros” para a momentânea solidão da “princesa” Kate.
A posição de países sul-americanos como o Brasil é dúbia, No governo neoliberal/privatista da presidente Dilma Roussef, ela fala para um lado, em solidariedade incondicional a Argentina enquanto o chanceler Anthony Patriot age para outro, naquele negócio de tirar o sapato e garantir aos seus aliados (norte-americanos) que “segura o barco por aqui”.
Conta é lógico com o apoio logístico da mídia venal, podre e que apóia assassinatos seletivos, que dirá o saque britânico das riquezas argentinas nas Malvinas desde 1883.
A presença de armas nucleares em um território ocupado por colonizadores na América do Sul é ameaça em todos os sentidos e neste momento deve exigir dos governos da região repúdio pronto e decidido a retomada das Malvinas pelos argentinos, assegurar a luta pela soberania argentina na Região. Essa atitude, na América do Sul, só encontra posições claramente definidas no discurso e na prática nos governos da Venezuela, do Equador e da Bolívia e do Uruguai.
Náufraga e sem tábua de salvação, a Grã Bretanha sabe que os chapéus coloridos da rainha Elizabeth não irão salvar o antigo império da condição de colônia norte-americana, mas os britânicos parecem resignados a isso.
A luta pela devolução das Malvinas aos argentinos não é uma luta só dos argentinos – governo e povo – é de todos os povos da América do Sul numa dimensão e toda a América Latina noutra dimensão.
Acreditar que os EUA possam ajudar a resolver o problema é acreditar em contos da Carochinha. A Grã Bretanha é possessão norte-americana. E o máximo que Barack Obama vai fazer, ou qualquer outro no lugar dele, é convidar os embaixadores de ambos os países para uma rodada de cerveja na Casa Branca pedindo paz e negociações.
É o que faz, enquanto despeja bombas mundo afora e mata seletivamente com o desesperado apoio de um desclassificado num reles programa de lavagem cerebral da principal organização da mídia de mercado no Brasil.
As Malvinas são ilhas argentinas.
Uma ação conjunta com a Argentina, endurecer relações diplomáticas, comerciais e culturais com a Grã Bretanha é decisivo e será demonstração de apoio claro aos argentinos.
Tem a ver com a nossa soberania também, a despeito dos aeroportos privatizados e eufemisticamente dados como concessão.

Paulo Freire banido

 

 

Via Brasil de Fato
O secretário da educação do Arizona disse que notou que Che Guevara era tratado como um herói, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma

Silvio Mieli
O livro Pedagogia do Oprimido, do educador brasileiro Paulo Freire, foi banido das escolas públicas de Tucson, no estado do Arizona, sudoeste dos Estados Unidos da América (EUA).
Seguindo a lógica antilatina que marca as recentes decisões jurídico-políticas no estado, agora uma lei suspendeu o currículo baseado no Programa de Estudos Mexicanos/Americanos, que durante uma década ajudou a conscientizar os alunos das suas raízes culturais.
Lembrando que 10,3% da população dos EUA é composta de “chicanos” e 30% da população da cidade de Tucson apresenta a mesma origem étnica.
Em meados de janeiro, os livros de Paulo Freire, assim como os de Elizabeth Martinez, Rodolfo Corky Gonzales, Arturo Rosales, Rodolfo Acuna e Bill Bigelow foram retirados do programa e proibidos pela Secretaria de Educação de Tucson de serem aplicados, em cumprimento à lei estadual que considera os estudos mexicanos “doutrinadores” e “portadores de um único ponto de vista”.
Para justificar a medida, o secretário da educação do Arizona John Huppenthal disse que, ao visitar uma escola em Tucson, notou que Che Guevara era tratado como um herói, inclusive com direito a pôster numa das salas de aula, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma. Huppenthal julgou intolerável que o termo “oprimido” do livro de Paulo Freire fosse inspirado no Manifesto Comunista de Marx e Engels, “que considera que a inteira história da humanidade é uma batalha entre opressores e oprimidos”, criticou o secretário.
A suspensão do programa priva os alunos de compreenderem melhor os fatores históricos da ocupação do território onde vivem (parte do Arizona pertencia ao México e foi anexada pelos EUA), além de impedir o contato de uma inteira geração com o método emancipador de Paulo Freire.
O que não percebem os que executam a educação “bancária”, no termo usado por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido, é que nos próprios “depósitos” se encontram as contradições. E, cedo ou tarde, esses “depósitos” podem provocar um confronto com a realidade e despertar os educandos contra a sua ”domesticação”.
Silvio Mieli é jornalista e professor universitário.
*GilsonSampaio 

Sean Penn apoia Argentina na disputa pelas Malvinas


O ATOR EXORTOU O REINO UNIDO A ADERIR A NEGOCIAÇÕES NAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O ARQUIPÉLAGO, AO QUAL SE REFERIU COMO "AS ILHAS ARGENTINAS", E DISSE QUE O MUNDO NÃO PODE TOLERAR A CONTINUIDADE DO COLONIALISMO

Brasil 247 14 de Fevereiro de 2012

247 com agências internacionais - O ator americano Sean Penn, conhecido tanto pelos filmes quanto pelo ativismo político, assumiu publicamente o apoio à Argentina na disputa com o Reino Unido pela soberania das ilhas Malvinas.

Penn se encontrou nesta segunda-feira com a presidente argentina, Cristina Kirchner, e exortou o Reino Unido a aderir a negociações nas Nações Unidas sobre o arquipélago, ao qual se referiu como “as ilhas Malvinas argentinas”.

"O foco deve ser a continuação das negociações e o diálogo entre o Reino Unido e a Argentina e, obviamente, o mundo não pode tolerar enfoques ridiculamente arcaicos que apostem na continuidade do colonialismo", disse Penn na Casa Rosada depois de se reunir com a presidente Cristina Kirchner.

O Reino Unido afirma que não negociará a soberania das ilhas, às quais se refere como Falklands, enquanto os habitantes do arquipélago quiserem permanecer britânicos. O país intensificou a presença militar na região, às vésperas do 30º aniversário da fracassada tentativa argentina de retomar à força o controle das ilhas.

Em uma breve declaração à imprensa, na companhia do chanceler Héctor Timerman, o ator, que chegou a Buenos Aires por causa de sua missão humanitária no Haiti, disse que "o compromisso tem que continuar sendo manter as negociações para encontrar uma saída" para a disputa de soberania pelas Malvinas, sob controle britânico desde 1833.

Penn, ganhador de Oscars pelos filmes "Mystic River" e "Milk", é co-fundador da ONG JP/HRO de ajuda às vítimas do terremoto que devastou o Haiti em 2010.

Em meio a uma escalada de acusações entre os dois países, a Argentina denunciou na semana passada na ONU uma "militarização" do Atlântico sul, depois que o Reino Unido enviou à região um moderno destroier.

O dia 2 de abril de 2012 marca os 30 anos da guerra que deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos e que acabou 74 dias depois, com a rendição da nação sul-americana, então governada por uma ditadura militar.
*Brasilmostraatuacara

Resenha do livro 'A crise do sionismo', de Peter Beinart


 

De O Estado de S. Paulo

Os dilemas do poder judaico

Livro do jornalista Peter Beinart rejeita o uso da vitimização judaica em nome da dominação de Israel sobre os palestinos

ROGER COHEN, THE NEW YORK TIMES, É COLUNISTA
The Crisis of Zionism (A crise do sionismo, em tradução literal) de Peter Beinart é um importante livro novo que rejeita a manipulação da vitimização judaica em nome do domínio dos palestinos por Israel e afirma que, hoje, a verdadeira questão para os judeus não é o desafio da fraqueza, mas as exigências do poder. "Estão nos pedindo para perpetuar a narrativa da vitimização que se esquiva da questão judaica central de nosso tempo: a questão de como usar eticamente o poder judaico", ele escreve.
Esse poder, por 45 anos, foi exercido sobre milhões de palestinos que não gozam de nenhum dos direitos de cidadania e sofrem todas as humilhações de um povo ocupado. 
*Nassif

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Faça Escola de Cinema em Cuba!


ESCOLA INTERNACIONAL DE CINEMA E TV DE CUBA RECEBE INSCRIÇÕES ATÉ 10 DE MARÇO
Fonte: FILMA-PE
A EICTV está com processo seletivo aberto para o curso regular 2012-2015, nas especializações Direção, Produção, Roteiro, Fotografia, Som, Documentário, Edição e a recém-criada TV e Novas Mídias. Serão selecionados de quatro a seis alunos do Brasil que irão fazer parte de um grupo de quarenta estudantes de todo o mundo.
O processo seletivo vai acontecer em cinco cidades: Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Goiânia e Belém, nos dias 16 e 17 de março de 2012. O início das aulas está previsto para setembro de 2012 e o término para julho de 2015. O processo de seleção para a Região Nordeste será em Recife com a coordenação da Fundação Joaquim Nabuco/CANNE.
Cada candidato fará duas provas escritas: uma de conhecimentos gerais e outra correspondente à especialização escolhida. Os estudantes aprovados nas provas passarão por uma entrevista oral no dia 17 de março. A comissão julgadora realizará uma pré-seleção indicando os melhores candidatos em cada área, que serão avaliados pelo Conselho Docente da EICTV em uma seleção final. O processo será realizado em português e os nomes dos selecionados devem ser anunciados na segunda quinzena de junho.

Dilma a Graça:
enxotamos os privatas !

 



Saiu na Carta Maior:

Felizmente, Petrobras sobreviveu a ventos privatistas, afirma Dilma


Na posse da nova presidente da Petrobras, Dilma Rousseff destaca importância do caráter estatal da empresa, elogia ‘estadista’ Getúlio Vargas e festeja que companhia escapou de ‘todos os ventos privatistas’. Para Dilma, Petrobras estatal é fundamental no projeto de nação do Brasil. Declaração sobre ‘ventos privatistas’ vem após polêmica política sobre leilão de aeroportos.


Da Redação


Brasília – A presidenta Dilma Rousseff empossou, nesta segunda-feira (13), a nova presidente da Petrobras, a amiga e funcionária de carreira da empresa Maria das Graças Foster, com um discurso nacionalista e estatista. Disse que a Petrobras é “parte relevante” do esforço de construção do país, saudou o “estadista” Getúlio Vargas, patrono da companhia, e festejou que ela tenha escapado de “ventos privatistas”, sem, no entanto, fazer referência explícita ao governo Fernando Henrique.


Para Dilma, a Petrobras, hoje a segunda maior petroleira de capital aberto do mundo, é “fruto de um movimento popular, de um movimento cívico, nacional, que mobilizou nosso país” e “surgiu graças à visão de um estadista, Getúlio Vargas, a quem devemos sempre render a nossa homenagem”.


A combinação de “movimento popular” e “visão de um estadista” foi fundamental, disse Dilma, para dar origem a “uma parceira do povo brasileiro” e a “uma das partes mais relevantes do esforço desse país de se constituir em uma grande nação”.


Hoje, depois de quase seis décadas de vida, assinalou a presidenta, a estatal tornou-se “poderosa” globalmente, num mercado “assimétrico e agressivo”, como o do petróleo. Também ajuda a gerar emprego e renda para brasileiros, apoia a indústria brasileira ao manter uma política de compras mínimas dentro do país.


Até 2015, a companhia vai investir US$ 224 bilhões, volume que, para José Sérgio Gabrielli, substituído por Graça Foster, a primeira mulher a presidir a Petrobras e a comandar uma gigante petroleira no mundo todo, tem “escala necessária para fazer prosperar a indústria nacional”.


Na avaliação de Dilma, a Petrobras conquistou, nos últimos nove anos (governos Lula e dela), um gigantismo que é difícil resumir em números.


“A Petrobras é poderosa em escala mundial e é estratégica dentro do Brasil”, afirmou Dilma. “Felizmente, sobreviveu a todos os ventos privatistas e persistiu como empresa brasileira, sob controle do povo brasileiro, e hoje exerce papel fundamental em nosso modelo de desenvolvimento.”


A referência de Dilma a “ventos privatistas” foi feita dias depois de governo e PT terem sido alvo de tentativa de desgaste político por adversários de PSDB e por alguns setores com um perfil mais à esquerda, por conta do leilão que transferiu três aeroportos federais à gestão privada.


Para os tucanos, houve privatização e foi bom que o PT tenha se rendido à tese. Para os setores descontentes da esquerda, houve privatização e foi ruim que o PT a tenha praticado.


Já governo e petistas rebatem que não houve privatização, pois os aeroportos serão administrados pelo Estado de novo quando a concessão ao setor privado terminar, daqui 20 anos a 30 anos.


Dizem ainda que o motivo do leilão foi diferente das privatizações da era FHC – não se quis enxugar o Estado, apenas contornar a falta de recursos para investir e os entraves burocráticos próprios da gestão pública à realização dos investimentos, que a Copa do Mundo de 2014 impõe que sejam ágeis.

*PHA

Crise na Grégia vem de gregos preguiçosos?

Os gregos, retratados como "escuros" e indolentes, pela direita austríaca
Publiquei, há pouco, no blog Projeto Nacional:
É frequente vermos na imprensa os comentários de que é crise grega é resultado da “gastança” feita pelos gregos, que teriam se acostumado a exigir muito e trabalhar pouco.
Um partido austríaco de direita chegou a espalhar out-doors racistas retratando os gregos como entregues ao descanso perdulário, que a gente reproduz no post.
Hoje,  artigo publicado pelo jornal romeno Criticatac mostra que, apesar de o preconceito contra os gregos estar se espalhando pela Europa, mostra, com números, que o motivo da crise pode ser tudo, menos isso.
Os gregos, segundo os números da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OECD, trabalham em média 2090 horas por ano, 48,6% mais que as 1.419 horas anualmente trabalhadas pelos alemães e  35,7% mais que as 1554 horas anuais do trabalhador francês médio.
É irônico que, na longa lista de países que compõe a estatística da OECD, os gregos só percam – e de pouco – para a maior jornada média anual apurada: a dos sul-coreanos,  com 2.193 horas, 4% a mais ou, dividindo-se por uma média de 230 dias úteis por ano, 22 minutos diários de trabalho em relação aos gregos.
Não é exato fazer comparações com o Brasil, para não mudar os critérios de apuração, sobretudo porque é difícil equacionar a questão do emprego rural e do informal neste cálculo, mas andamos por volta de 2.000 horas  anuais, embora este número venha se reduzindo em razão da formalização do emprego. Ainda assim, segundo dados do Censo de 2010, 28% dos brasileiros trabalhavam mais de nove horas por dia.
De qualquer forma, há algo positivo nesta história deprimente.
É o fato de vermos como o “mito da indolência”, tantas vezes usados contra nós, brasileiros, encobre desde os interesses de dominação, passando pelo racismo e , sobretudo, pelo encobrimento de sistemas econômicos injustos e empobrecedores, generosos com o capital e mesquinhos com o trabalho.
Ou, como brincava um amigo, nos anos 80  , dando um sentido amargamente irônico ao conceito marxista de “mais -valia”: “meu irmão, a mais-valia aqui é diferente: é que para ganhar esse salário-mínimo, mais valia ficar à toa”
*Tijolaço

Marx queria a realização total do indivíduo, fora dos circuitos mercantis




O liberalismo se transformou em um novo totalitarismo

Entrevista com Dany-Robert Dufour, antropólogo francês, estudioso do ultraliberalismo e suas consequências dramáticas, via DIÁRIO GAUCHE


Alguns já o vêem no ocaso, outros a ponto de cair no abismo, ou em plena derrocada, ou em vias de extinção. Outros analistas prevêm o contrário, que mesmo que o liberalismo atravessa uma séria crise, seu modelo está longe, muito longe da conclusão. Apesar das crises e suas fundas consequências, o liberalismo segue em pé, produzindo seu pedaço insensato de benefícios e desigualdades, suas políticas de ajuste, sua irrenunciável impunidade. No entanto, mesmo que ainda siga vivo, a crise tem deixado como nunca a nu os seus mecanismos perversos e, sobretudo, colocou no centro da cena não só o sistema econômico, mas o indivíduo que o liberalismo acabou por criar: hedonista, egoísta, consumista, frívolo, obcecado por objetos e pela imagem fashion que emana destes objetos.

A trilogia da modenidade liberal é muito simples: produzir, consumir e enriquecer.
Em seu último livro, “O indivíduo que vem depois do neoliberalismo” [sem tradução para o português, ainda], o filósofo francês Dany-Robert Dufour (foto) propõe uma pergunta que poucos se fazem: “Como será o indivíduo que surgirá depois dos cataclismos e das intervenções globais do liberalismo?”

O liberalismo, que se apresentou como salvador da humanidade, terminou levando o ser humano a um caminho sem saída. Você projeta o seu fim, e se pergunta que tipo de ser humano surgirá depois do ultraliberalismo.

No século passado conhecemos dois grandes caminhos sem saída histórica: o nazismo e o stalinismo. De alguma maneira, e entre parênteses, depois da Segunda Guerra Mundial fomos libertados desses dois caminhos sem saída pelo liberalismo. Mas essa libertação acabou sendo uma nova alienação. Nas suas formas atuais, quer dizer, ultra e neoliberal, o liberalismo se molda como um novo totalitarismo porque pretende administrar o conjunto das relações sociais. Nada deve escapar da ditadura dos mercados e ele converte o liberalismo em um novo totalitarismo que substitui os dois anteriores. É, então, um novo caminho sem saída histórica. O liberalismo só fez explorar o ser humano. O historiador húngaro Karl Polanyi, em um livro publicado depois da Segunda Guerra Mundial demonstrou como, antes, a economia estava incluída em uma série de relações: as sociais, as políticas, as culturais, etc. Mas com a irrupção do liberalismo a economia saiu desse círculo de relações para converter-se no ente que procura dominar todos os demais. Desta forma, todas as economias humanas submetem-se à lei liberal, quer dizer, à lei do aproveitamento onde tudo deve ser rentável, incluídas as atividades que antes não estavam sob o mandato do rentável. Por exemplo, neste momento você e eu estamos falando mas não estamos submetidos à rentabilidade, mas sim para produzir sentido. Neste momento estamos em uma economia discursiva. Mas hoje até a economia discursiva está submetida a "quem ganha mais". Cada uma das economias humanas está sob a mesma lógica: a economia psíquica, a economia simbólica, a economia política, daí ao aniquilamento da política. O político só existe para obedecer ao econômico. A crise que atravessa a Europa mostra que quanto mais ela se aprofunda, mais a política deixa a gestão sob o controle da economia. A política renunciou ante a economia e esta tomou o poder. Os circuitos econômicos e financeiros se apoderaram da política. Por conseguinte, a crise é geral.

O título do seu livro, "O indivíduo que vem depois do liberalismo", implica a dupla ideia de uma frase triunfal e do fim do liberalismo.

Paradoxalmente, no momento de seu triunfo absoluto o liberalismo dá sinais de cansaço. Nos damos conta de que nada funciona e as pessoas vão tomando consciência deste colapso e têm uma reação de incredulidade. Os mercados se propõem a ser panaceia para todos os males. Você tem um problema? Pois então procure o Mercado e este lhe concederá a riqueza absoluta e a solução dos problemas. Mas agora nos damos conta que o Mercado acarreta devastações. Agora vemos do quanto esse remédio que deveria propiciar riqueza infinita acaba nos trazendo miséria, pobreza e destruição. Desde sempre, o capitalismo produz a riqueza global mas pessimamente dividida. Sabemos que há 20, 30 anos as desigualdades têm aumentado no planeta inteiro. A riqueza global do capitalismo subtrai direitos de milhões de indivíduos: os direitos sociais, o direito à educação, à saúde, em suma, todos esses direitos conquistados com as lutas sociais estão sendo engolidos pelo liberalismo. O liberalismo foi como uma religião cheia de promessas. Nos prometeu a riqueza infinita graças ao seu operador, o Divino Mercado. Mas nada cumpriu.

Na sua crítica filosófica ao liberalismo você põe em relevo um dos seus danos principais causado pelo pensamento liberal: os indivíduos estão submetidos aos objetos, não a seus semelhantes, ao outro. A relação em si, a sensualidade, foi deslocada pelo objeto.

As relações entre os indivíduos ficam em segundo plano. O primeiro é ocupado pela relação com o objeto. Essa é a lógica de mercado: o mercado pode a cada momento indicar-nos o objeto capaz de satisfazer nossos apetites. Pode ser um objeto manufaturado, um serviço e até um fantasma sob medida construído pelas indústrias culturais. Estamos em um sistema de relações que privilegia o objeto ao invés do sujeito. Isso cria uma nova alienação, uma relação viciada com os objetos. Esse novo totalitarismo que é o liberalismo, põem em mãos dos indivíduos os elementos para que se oprimam a si mesmos, através dos objetos. O liberalismo nos deixa a liberdade de nos alienarmos a nós mesmos.

Você localiza o princípio da crise nos anos '80 através da restauração do que você mesmo chama de relato de Adam Smith. Você cita uma de suas frases mais espantosas: para escravizar a um homem há que dirigir-se ao seu egoísmo, e não à sua humanidade.

Adam Smith remonta ao século 18 e a sua moral egoísta se expandiu um século e meio depois com a globalização do mercado em todo o mundo. De fato, Smith demorou muito, porque houve outra mensagem paralela, outro Século das Luzes, que foi o trancendentalismo [idealismo. Nota do tradutor] alemão. Ao contrário das Luzes de Smith, os alemães propunham a regulação moral, a regulação trancendental. Essa regulação podia manifestar-se na vida prática, através da construção de formas como as do Estado a fim de regular os interesses privados. A partir do Século das Luzes há duas forças que se manifestam: Adam Smith e Kant. Estes dois campos filosóficos coexistiram de maneira conflitiva ao longo da modernidade, quer dizer, através de dois séculos. Mas, em algum momento, o transcendentalismo alemão desmoronou e deixou lugar ao liberalismo inglês, que por sua vez passou a assumir a forma ultraliberal. Se pode datar esse fenômeno a partir do princípio dos anos '80. Há inclusive uma marca histórica que remonta ao momento em que Ronald Reagan e Margaret Thatcher na Grã-Bretanha chegam ao poder e instalam a liberdade econômica sem regulação alguma. Essa ausência de regulação destruiu imediatamente as convenções sociais, quer dizer, o pacto entre os indivíduos.

Daí advém a trilogia"produzir, consumir, enriquecer". Você chama a essa trilogia de pleonexia [desejo exagerado de ter posses, grande avidez material. Nota do tradutor].

O termo pleonexia eu encontrei na República de Platão, e quer dizer "sempre ter mais". A República grega, a Polis, se construiu sobre a proibição da pleonexia. Pode-se dizer então que, até o século 18, uma parte do Ocidente funcionou na base dessa proibição, e se libertou dela nos anos '80. A partir daí, foi liberada a avidez mundial, a avidez dos mercados, a avidez dos banqueiros. Recorde o discurso pronunciado por Alan Greenspan (o ex-presidente do Federal Reserve, o banco central dos EUA) ante a Comissão do Congresso norteamericano depois da crise de 2008. Greenspan disse: "Eu pensava que a avidez dos banqueiros era a melhor regulação possível. Mas me dou conta que isso não funciona mais, e não sei por quê". Greenspan confessou dessa maneira que o que orienta as coisas é a liberação da pleonexia. E já vemos agora aonde tudo isso nos conduziu.

Chegamos no momento do depois, ao hipotético 'ser humano de depois do liberalismo'. Você o vê sob a condição de um indivíduo simpático. Que sentido tem o termo simpático, neste contexto?

Ninguém é bom ao nascer, como pensava Rousseau, nem tampouco mau, como pensava Hobbes. O que podemos fazer é ajudar as pessoas a serem simpáticas, quer dizer, a não pensar só em si mesmas, e a pensar que para viver com o próximo há que contar com ele, o próximo. O outro está em mim, as imagens dos outros estão em mim, e me constituem como sujeito. A ideia mesma de um individuo egoísta é um sem-sentido, porque obriga a que nos esqueçamos de que o indivíduo está constituído por partes do outro. E quando falo de um indivíduo simpático não emprego o termo em sua acepção mais trivial, digamos alguém simplesmente simpático. Não. Se trata do sentido que tinha a palavra no século 18, onde a simpatia era a presença do outro em mim. Necessito, então, da presença do outro em mim e o outro necessita de minha presença nele para que possamos constituir um espaço onde cada um seja um indivíduo aberto ao outro. Eu cuido do outro como ele cuida de mim. Isso é um indivíduo simpático.

Vamos com a simpatia, mas sobre que bases se constitui o indivíduo que vem depois do liberalismo? A razão, a religião, o esporte, o ócio, a solidariedade, outra ideia de mercado?

Neste livro fiz um inventário sobre relatos antigos: o relato do logos [consciência cósmica em Heráclito. Nota do tradutor.], da evasão da alma dos gregos, o relato sobre a consideração do outro nos monoteísmos. Me dei conta de que em ambos relatos havia coisas interessantes e também aterradoras. Por exemplo, a opressão das mulheres no patriarcado monoteísta equivale à opressão da metade da humanidade. Acaso queremos repetir essa experiência? Não, certamente. Outro exemplo: no logos, para que haja uma classe de homens livres na sociedade é preciso que haja uma classe oprimida e escravizada. Queremos repetir isso? Não. Refundar nossa civilização depois dos três caminhos sem saída que foram o nazismo, os stalinismo, e o liberalismo requer uma fundação sobre bases sólidas. Por isso levei a cabo o inventário, para ver o que poderíamos recuperar e o que não poderíamos recuperar, quanto do passado podia servir-nos e quanto não podia servir-nos. A segunda consideração poderia ajudar o indivíduo a ser simpático antes que egoísta. É preciso reconstruir um meio onde se possa ser simpático e não egoísta. Neste contexto, a ideia de reconstrução do político, de uma nova forma de Estado que não fique dedicado a conservar os interesses econômicos, e sim que preserve os interesses coletivos, é central.

Qual é então o grande Relato que podería nos salvar?

Temos deixado à beira do caminho os grandes relatos anteriores e acreditamos cada vez menos no grande relato do mercado. Estamos a espera de algo que unifique o indivíduo, quer dizer, uma grande narrativa. Eu proponho o relato de um indivíduo que deixou de ser egoísta, mas que não seja o indivíduo coletivo do stalinismo, nem tampouco o indivíduo afogado na raça que se crê superior, como no nazismo e no fascismo. Se trata de um relato alternativo a tudo isso, de um relato que persiste no fundo da civilização. Creio que o valor da civilização ocidental reside na ênfase na individuação, quer dizer, na ideia da criação de um indivíduo capaz de pensar e agir por si mesmo. Não se pode esquecer a noção de indívíduo, mas é preciso reconstruir essa ideia. Contrariamente ao que se diz, não creio que nossas sociedades sejam individualistas, não. Nossas sociedades são lamentavelmente egoístas. Isto me faz pensar que o individuo como tal tem uma boa margem existencial, que há muitas coisas dele que não conhecemos. Temos que fazer existir o indivíduo fora dos valores de mercado. O indivíduo do stalinismo foi dissolvido na massa do coletivismo, o indivíduo do nazismo e do fascismo foi dissolvido na raça, o indivíduo do liberalismo foi dissolvido no egoísmo. O indivíduo liberal é um escravo de suas paixões e pulsões. Devemos superar este caminho liberal sem saída para recriar um indivíduo aberto ao outro, capaz de realizar-se totalmente. Há textos filosóficos de Karl Marx, que não são muito conhecidos, e nos quais Marx queria a realização total do indivíduo fora dos circuitos mercantis: no amor, na realização com os outros, na amizade, na arte. Poder criar o máximo a partir das disposições de cada um. Talvez tivéssemos que recuperar esse relato de Marx filósofo e esquecer o do Marx marxista. 
 

Publicado no diário portenho Página 12, edição de hoje, 13 de fevereiro de 2012. A entrevista foi concedida ao jornalista Eduardo Febbro. Tradução de Cristóvão Feil. 
*turquinho