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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Aposentado morre congelado por não poder pagar conta de energia elétricaShare

Padrão de energia elétrica de John Morgan, lacrado pela companhia de energia elétrica Consumers EnergyUm aposentado de 86 anos foi encontrado morto por congelamento dentro de seu carro na cidade de Flint, Michigan, EUA. John Morgan, ex-metalúrgico da indústria automobilística, morreu poucos dias após a companhia Consumers Energy ter cortado o fornecimento de energia elétrica por uma conta atrasada de $291 dólares.
De acordo com alguns amigos e vizinhos, Morgan usava a eletricidade de sua casa para recarregar a bateria de seu carro. Quando a energia foi cortada ele perdeu o aquecimento tanto de um quanto do outro, e provavelmente estava tentando se aquecer no veículo quando não resistiu. A autópsia confirmou as causas da morte por hipotermia e problemas de pulmão e coração.
De acordo com alguns órgãos de imprensa, quando a polícia chegou para recolher o corpo de Morgan os oficiais se depararam com um aviso de corte de energia logo na porta. Um representante da empresa justificou a ação dizendo que eles chamaram em sua casa mas que ninguém respondeu, e que não sabiam que Morgan era idoso.
No entanto, os vizinhos contestam esta alegação, dizendo que John morava naquela casa – que ele mesmo construiu – desde 1955, e que a empresa estava mandando as contas para a mesma pessoa por quase seis décadas.
Mas não é a primeira vez que algo assim acontece. Em 2009 o aposentado Marvi Shur, de 93 anos, da cidade de Bay City, morreu congelado depois que um redutor de consumo foi instalado no seu padrão de energia elétrica, e isso apesar de uma lei já ter proibido o corte de energia a idosos no período de inverno.
Esta morte desumana apenas evidencia a indiferença das empresas de energia elétrica e o caráter antisocial de sua ganância por lucros cada vez mais elevados. A Consumers Energy, companhia que matou John Morgan, cortou serviços básicos de 107.083 domicílios no ano de 2007. Em 2011 ela cortou gás e eletricidade de mais de 164.634 domicílios, o que representa um aumento de 50%.
Steve Walker, diretor do Departamento de Recursos de Ações Comunitárias, afirmou que os recursos do governo para evitar cortes de energia e dar assistência aos mais pobres se tornaram escassos nos últimos anos. Alguns programas já nem existem mais. Interrogado pelo jornalista Lawrence Porter da World Socialist Web Site se ele ficou surpreso pela morte de Morgan, ele respondeu: “Sabendo do que eu sei sobre a dimensão desta crise eu diria… eu estou chocado, mas não surpreso.”
Carro no qual John Morgan morreu congelado
Carro no qual John Morgan morreu congelado
Glauber Ataide

Índia: milhões em greve geral

Milhões em greve geral na ÍndiaMobilização foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas. Pode ter sido a maior greve geral já registada na história.
A greve geral realizada na Índia esta terça-feira pode ter sido a maior greve geral já registada na história do capitalismo. Como sempre, a imprensa tenta minimizar a participação e as consequências, mas as primeiras informações já nos permitem ter uma ideia da força da mobilização.
A greve geral foi convocada pelas onze principais centrais sindicais do país, paralisando bancos, transportes e amplas áreas, em particular os estados de Kerala, West Bengal, Andhra Pradesh e Tripura.
A população da Índia, de 1,2 bilhão, tem todos os motivos para desenvolver uma greve dessa envergadura, já que, mesmo após a vitória na luta anti-colonial derrotando o império britânico, a independência do país não conseguiu tirar a maioria da população da miséria em que vive. Mesmo o reacionário governo de Manmohan Singh é obrigado a reconhecer que é uma vergonha nacional a existência de nada menos que 60 milhões de crianças sub-nutridas.
Os trabalhadores lutam pela melhoria das suas condições de vida. Levantam reivindicações como a elevação do salário mínimo para 20 mil rupias, pelo direito ao trabalho, pela efetivação dos 50 milhões de trabalhadores temporários
Segundo sindicalistas, o centro financeiro do pais, Mumbai, foi completamente paralisado e até os taxistas aderiram à greve. Ninguém sabe ainda quantos milhões aderiram à greve, mas, para se ter uma ideia, basta lembrar que na greve geral de 2010 foram 100 milhões. E que nas últimas duas décadas, esta é a 14ªa greve geral.
Crise no meio de uma guerra civil e do ascenso operário
A greve geral é, nos factos, a comprovação da existência de uma crise revolucionária no momento em que ela se desenvolve. Cria uma situação de dualidade de poderes onde o governo não governa, os políticos não podem fazer politicagem e as armas do aparelho repressivo do estado, mesmo sendo utilizadas, não conseguem reprimir a rebelião momentânea. Enquanto dura, são os 99% que impõem a sua vontade, demonstrando a impotência dos 1% de capitalistas.
A greve geral deste dia 28 ocorre num pais que vive uma guerra civil escamoteada, onde a guerrilha maoísta domina amplas áreas do pais e os confrontos armados são constantes. Um país com milhares de etnias em franca rebelião com o que chamam de “centro”, o governo, como é o caso de Caxemira, região onde os protestos são permanentes.
A população da Índia está cansada da visceral corrupção do país, encarnada no governo de Manmohan Singh. Mesmo que a imprensa mundial diga que a economia indiana cresce, no quotidiano o que se vive é um processo inflacionário que deteriora as condições de vida de uma população paupérrima
Nesse sentido, a greve geral não é apenas um poderoso movimento por melhorias nas condições de vida, mas também um violento soco no estômago do governo.
O recente desenvolvimento de setores económicos criou também o mais jovem proletariado do planeta. Uma força composta de jovens, que não estão amordaçados pelas burocracias que infestam os sindicatos. Um proletariado que, a exemplo do chinês, se constituiu num dos mais poderosos do globo e que ensaia os seus primeiros passos. A Índia é, hoje, o país mais jovem da terra.
A greve geral abriu, certamente, um novo período da luta dos trabalhadores indianos. No momento em que se vive um poderoso ascenso do movimento operário mundial, com as revoluções do mundo árabe, a mobilização que se desenvolve na China e com a resistência dos trabalhadores europeus e americanos, não será novidade se o jovem proletariado indiano se levantar para derrubar o governo de Singh. Avançando, assim, naquela que, junto com a chinesa, promete ser uma das mais significativas revoluções da história moderna. Definitivamente, devido ao lugar que a China e a Índia passaram a ocupar na atual divisão mundial do trabalho, as revoluções que estão em marcha nesses dois países provocarão as mudanças mais radicais na história deste século.
Resta lembrar também que a revolução, em marcha na Índia, ocorre num país onde, na prática, o aparelho de estado e, comparativamente fraco, não dispondo de tantos recursos para controlar e reprimir com mão de ferro todas as rebeliões no pais. O melhor exemplo disso é que, em apenas alguns anos, a guerrilha maoísta passou a ser o governo, na pratica, de vastas áreas do país.

Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA

Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA“A maioria das pessoas pensa que alguém se torna sem-teto porque é viciado em drogas ou em álcool. Não é verdade. Elas se tornam isso ou pioram depois que se tornam sem-tetos.” (Alanna, 23 anos, norte-americana sem-teto)
Situado em região arborizada, fora da vista da rodovia principal da cidade de Ann Arbor, Michigan, o acampamento Take Notice é sintomático do agravamento das desigualdades sociais nos EUA e do completo colapso do sonho americano. As histórias de seus habitantes é um retrato devastador da insegurança social encontrada por milhões de pessoas nos EUA.
Rick, 50, por exemplo, explicou à equipe de reportagem do World Socialist Web Site que visitou o local que ele era um bombeiro hidráulico até 2008, quando o setor da construção civil quebrou. Depois da devastadora queda de sua renda ele foi preso por não conseguir pagar pensão alimentícia de seus dois filhos em 2010. Em agosto, sem perspectiva de trabalho e não querendo ser um peso para sua família, ele decidiu se mudar para Ann Arbor e viver no acampamento. Ele iniciou sua viagem de 241 km de bicicleta, mas depois que ela quebrou teve que ir pegando caronas até chegar ao seu destino.
Jocelyn, 40, era babá e cuidadora de idosos até ser gravemente ferida em um acidente de carro. Ela tentou voltar ao mercado de trabalho através de um programa chamado WorkFirst, mas diz: “tantos precisam mas tão poucos conseguem. Um único deslize pode ser fatal”. O estigma de ter uma passagem por assalto à mão armada, ela explica, pode impedir alguém de conseguir até aquelas vagas que exigem as mais baixas qualificações técnicas.
Suas dificuldades se multiplicaram quando o apartamento de quatro quartos que ela possuía com seu marido em Romulus, Michigan, foi tomado. Seu relacionamento com seu parceiro, um veterano com múltiplas escleroses, rapidamente se deteriorou. “Tudo foi pelo ralo”, ela diz. “Perdi minha casa. Fui separada por causa de finanças, estresse e contas. Então todos nos separamos e perdi minha família.”
Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA
Ao mostrar o acampamento à equipe de reportagem, Jocelyn descreveu como é viver sem água encanada e sem banheiros. “Eu não fui ao banheiro por cinco dias quando cheguei aqui e adoeci por causa disso”. Ela disse que tinha medo de dormir porque os tanques de propano usados para manter as barracas aquecidas podem explodir em um incêndio. Os moradores guardam estes tanques dentro das barracas ao invés do lado de fora porque eles podem ser roubados.
Alanna, 23, que está no acampamento há duas semanas, diz que ela e seu noivo vivam em outro acampamento, em uma barraca com muito mofo. “Ficávamos coçando o rosto todas as noites. Estou tossindo desde outubro.”
O acampamento conta também com pouca comida. Segundo Jocelyn, “comida é algo difícil por aqui. As igrejas trazem alguma coisa mas a gente não tem conseguido muito.”
“Isso é ridículo”, diz Alanna. “Quando estava na escola ninguém me ensinou como fazer finanças ou conseguir moradia. Eles dão aulas de educação sexual mas não de como viver. Eu formei no segundo grau e tentei uma faculdade, mas tive um problema em minha coluna e não posso me rematricular porque devo $1.200 dólares e não consigo financiamento. Eu não tenho passagens pela polícia. Poderia estar no topo do mundo se tivesse oportunidade!”
“Se você precisa de experiência para arranjar um emprego, mas não pode arranjar um emprego para ganhar experiência, então o que você pode fazer? Eu gostaria de voltar para a escola. Quero ser uma cosmetologista, uma assistente social ou uma enfermeira, mas estou encurralada e não sei como sair.”
Acampamento de sem-tetos revela desigualdade social nos EUA
Grit é um outro morador do acampamento, de idade avançada. Ele agora trabalha como vendedor ambulante do Groundcover News, um jornal relativamente novo da cidade de Ann Arbor que publica histórias de e sobre os sem-tetos. Ex-funcionário da Ford, Grit diz que sua mãe, seu pai, irmãs e tios trabalharam todos na Ford, e que pode mostrar os contra-cheques de sua família remontando à década de 1930.
Jocelyn disse que ficou surpresa ao chegar ao acampamento porque muitos dos sem-tetos são bem mais jovens e bem aparentados do que o velho estereótipo do “vagabundo”. Alanna concordou e disse: “A maioria das pessoas pensa que alguém se torna sem-teto porque é viciado em drogas ou em álcool. Não é verdade. Elas se tornam isso ou pioram depois que se tornam sem-tetos.”
Uma grande contradição é que a cidade de Ann Arbor, que abriga este acampamento, tem uma renda média de $52.711,00 dólares anuais, ligeiramente acima da média nacional. Na cidade também se encontra a Universidade de Michigan, que está listada entre as 20 melhores do mundo. Neste mês a cidade foi escolhida pela revista Kiplinger’s Personal Finance como “A melhor cidade para solteiros no país”. Além disso, ela é com frequência listada em listas do tipo “melhores de”, e foi recentemente incluída nas seguintes: “Melhores cidades na América para se encontrar emprego”, “10 cidades mais escolarizadas”, “10 lugares mais acessíveis para se viver” e “10 melhores lugares para se ter família”. Ao mesmo tempo, o número de pessoas que caíram abaixo da linha da pobreza no censo de 2010 foi de 20%, que são seis pontos percentuais acima da média nacional.
Glauber Ataide

 *AVERDADE

terça-feira, fevereiro 28, 2012

 
 

Por Malvinas, porto argentino rejeita cruzeiros britânicos

Redução de danos para o uso da maconha

(Dica Do DAR) : Redução de danos para o uso de maconha Uma introdução

O texto é de Sérgio Vidal, e foi originalmente publicado no (ótimo) site do Coletivo CannaCerrado .

Redução de danos para o uso de maconha – Uma introdução…

Muitas pessoas que fumam maconha não se dão conta dos riscos que o uso pode trazer para sua saúde, ou para as pessoas da sua convivência. Hoje, há uma quantidade de usuários que cresceu vendo propagandas na TV, ou ouvindo seus pais ou outras pessoas falando absurdos a respeito dos perigos da maconha. Dizia-se (e se diz muito ainda por aí), que a maconha pode destruir neurônios, levar à impotência, causas crescimento das mamas nos homens, prejudicar a memória, câncer de pulmão, dependência e mais um monte de outros problemas.

Essas propagandas e informações que circulam na sociedade não têm de fato ajudado a lidar com os reais problemas que podem decorrer do uso de maconha, pois quando as pessoas fumam maconha e não sofrem tais danos, automaticamente passam a descartar todas as informações de alerta a respeito do hábito. Se estivessemos numa situação de legalidade, onde conversar sobre a cannabis fosse considerado algo comum e normal, as pessoas buscariam informações com seus pais, em livros, revistas, professores, médicos, etc, de uma forma muito mais aberta do que hoje em dia. No entanto, infelizmente, não vivemos tal situação, e os usuários, em geral, buscam informações entre usuários mais experientes e, principalmente, na internet.
Mas, de fato, apesar de ser muito menos perigosa do que outras drogas ilícitas, e também do que drogas lícitas, como álcool e tabaco, a maconha, como todas as substâncias psicoativas, não é totalmente inócua. Mas, onde terminam os mitos e começam os fatos sobre seus reais riscos e danos? Nesse texto procuro discutir um pouco a respeito dos riscos mais comuns, apresentando algumas formas de minimizá-los e diminuir os danos provocados pelo hábito de consumir a planta.
Os possíveis danos decorrentes do uso da maconha são ligados à saúde física ou mental.
Com relação à saúde física, geralmente estão relacionados a utilização de métodos de ingestão que usam a fumaça da planta como veículo condutor dos princípios ativos. A ingestão de qualquer conteúdo inalando a fumaça da sua queima provoca irritação e danos nos órgãos e tecidos dos aparelhos digestivo e respiratório. Esses danos podem, inclusive, levar ao desenvolvimento de feridas e até mesmo câncer. Usada na forma de cigarros ou em cachimbos, além da fumaça em alta temperatura, a cannabis libera substâncias tóxicas como o monóxido de carbono, que podem apresentar o mesmo potencial de risco que as liberadas pela queima do tabaco e outros materiais.
Hoje em dia estão disponíveis no mercado aparelhos que aquecem as flores de cannabis a uma temperatura que varia entre 150ºC e 250ºC, o suficiente para transformar em vapor toda a água e grande parte da resina, sem necessidade de carburação. São os chamados vaporizadores. Esses aparelhos despejam jatos de ar-quente através de um recipiente contendo a cannabis, conduzindo o vapor resinado a ambientes em separado para serem inalados. Essas tecnologias reduzem ao máximo os riscos do ato de inalar a resina, com uma perda mínima dos princípios ativos.
Lembre-se que a inalação de componentes não-psicoativos também presentes na fumaça, como monóxido de carbono e alcatrão, faz mal ao sistema respiratório. O ideal é sempre usar aparelhos vaporizadores para prevenir os riscos de danos à saúde. Caso seja impossível adquirir um vaporizador, procure usar equipamentos para resfriar a fumaça como piteiras, cachimbos, bongs, dentre outros. Os bongs, cachimbos e vaporizadores são preferiveis aos cigarros porque dispensam o uso do papel. A fumaça da queima do papel já introduz novos fatores prejudiciais à saúde do usuário.
Se optar por cigarros evite fumar pontas muito pequenas, para não deixar que a brasa fique muito próxima. Use papéis produzidos especificamente para confecção de cigarros e evite os que contenham tinturas, aromatizadores ou outros produtos químicos. Evite também fumar cigarros feitos com pontas. As pontas não são mais escuras apenas por causa da resina psicoativa acumulada, mas também por causa do alcatrão acumulado.
As folhas da maconha têm pouca resina psicoativa, que se concentra em suas flores e partes anexas. As folhas, por sua vez, têm grande quantidade de alcatrão e outras substâncias nocivas. Na hora do consumo, é importante também descartar não só as folhas, mas galhos e outros resíduos. No fumo vendido comumente no mercado brasileiro não existe o cuidado de fornecer apenas as flores, é possivel encontrar também folhas, galhos e sementes, tudo isso longe do estado ideal de conservação.
Seja “solto” ou “prensado”, muitas vezes o fumo apresenta características de contaminação por mofo, consequência da falta de cuidado com o qual é colhido, curado, armazenado e transportado. Fumo mofado jamais deveria ser consumido. Mas estamos falando de redução de danos, e seria muita hipocrisia da minha parte acreditar que muitos usuários não vão fumar algo mofado. Muitas pessoas compram maconha em condições que não têm como avaliar o produto antes de já estar em sua posse. Caso você tenha certeza que quer se arriscar a consumir um fumo mofado, a melhor opção então é submetê-lo a ao menos 1 minuto no micro-ondas, em temperatura máxima, ou fazer o mesmo processo com um forno convencional. É preciso tomar cuidado para não torrar o fumo, mas é importante para ao menos diminuir o risco. Uma boa estratégia também é lavar bastante o fumo com água corrente e depois secá-lo. A resina psicoativa é um óleo e, por isso, não se mistura com água. É possível lavar bastante a maconha com uma perda miníma ou nula de psicoatividade. Em casos de contaminação é muito importante fazer a lavagem e higienização para evitar consequências graves.
É possível também fazer preparados comestiveis com a maconha. Basta usar estratégias para fazer com o óleo da planta seja absorvido por algum produto gordusoso, como manteiga, leite ou outros óleos vegetais, a exemplo dos de azeitona, girassol, canola, etc.
Com relação aos danos à saúde mental, não há nada comprovado que possa afirmar que a maconha cause problemas, mas há fortes indícios de que ela acelere processos psicóticos em pessoas com disposição genética ou ajude a desencadeá-los em situações de crise, em especial os casos de esquizofrenia. Se existe algum indício de que a pessoa tem uma predisposição a qualquer enfermidade psíquica é preciso muita precaução antes de decidir consumir maconha. Ela é uma droga psicoativa forte e deve ser respeitada. É importante também que a pessoa, sabendo disso, procure consumi-la apenas em ambientes agradavéis, em situações que não possam prejudicar a experiência com a planta e, principalmente, em momentos no qual esteja se sentindo bem e segura. Respeite a planta, mas respeite principalmente a si mesmo e seus limites. É importante que os usuários frequentes, que consomem todo dia, procurem estabelecer rituais de uso que afastem comportamentos compulsivos da sua rotina.
Para usuários frequentes que procuram reconstruir sua relação com o uso sempre faço as mesmas recomendações que faço aos tabagistas. Evite fumar enquanto desenvolve outras atividades. Procure reservar os momentos específicos apenas para consumir. Assim, você cria uma rotina de ter que parar outras atividades e também não faz associações. Geralmente muitas pessoas se habituam a fumar antes ou depois de alguma atividade, como almoçar, ou tomar banho, ou ainda fumar enquanto se usa o computador. Esse tipo de associação facilita o surgimento do comportamento compulsivo, ao relacionar a necessidade do efeito farmacológico da substância em si com outras necessidades cotidianas. Em outras palavras, retire os momentos apenas para consumir a planta, aproveitando-o, inclusive, para refletir sobre esse hábito.
Existem muitos outros temas a serem discutidos com relação à redução de danos para o uso de maconha. Cabe ainda a discussão sobre os danos provocados pela proibição da maconha e como reduzi-los. Os danos provocados pelo consumo de maconha comprada e o porque de se iniciar seu próprio cultivo. Mas isso vou deixar para outro dia, pois certamente espero receber o retorno dos leitores aqui do CannaCerrado, para saber quais temas estão sendo considerados mais ou menos interessantes.
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Um abraço e até semana que vem!

* Esse texto pode ser reproduzido desde que citada a fonte e o link original.



Sergio Vidal é antropólogo e autor do livro Cannabis Medicinal – Introdução ao Cultivo Indoor (http://cultivomedicinal.com.br) e de diversos artigos sobre drogas, seus usos e usuários. É conselheiro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas – CONAD. Atualmente também é pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Substâncias Psicoativas -NEIP (http://neip.info) – sergiociso@gmail.com

*DARDesentorpecendoarazão
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Presidenta argentina considera vergonhosa a existência de enclaves coloniais em 16 países

A presidenta da Argentina, Cristina Fernández, lamentou que no mundo ainda existissem “16 enclaves coloniais” e um deles está situado no Atlântico Sul, nas Ilhas Malvinas, cuja soberania reivindica esse governo sul-americano.  
Durante um ato de comemoração do bicentenário da Bandeira da Argentina, realizado na cidade de Rosario (centro-oeste), a Presidenta expos que “há 200 anos aquele ato histórico que hoje estamos comemorando (…) subsiste ainda – para vergonha do mundo – enclaves coloniais em 16 países do mundo”.
Enfatizou que a causa das Malvinas já não apenas é um problema de Estado, mas regional e global, por também, se trata da “defesa de nossos recursos naturais, aos quais têm direito os cidadãos”.
No entanto, ressaltou que não só a ocupação militar é uma forma de colonialismo, pois, atualmente, “existem outras formas de colônia” quanto à “subordinação física, intelectual e econômica”.
Neste sentido, relembrou que o ex-presidente – falecido – Néstor Kirchner (2003-2007) adiantou uma “tarefa titânica” para a independenizar a Argentina desse tipo de colonialismo, mediante o pagamento da divida externa, e rechaçando as iniciativas da Área de Livre Comércio das América (ALCA).
Fernández sustentou que Kirchner “chegou também a uma pátria colonizada, dominada por agentes e setores econômicos, que do exterior e também do interior, a tinha devastado”, mas, “iniciou o trabalho de gerar emprego, recuperar a indústria e reivindicar os direitos do povo”.
Igualmente, a mandataria reconheceu que nesta matéria, todavia, ficou muito por fazer, porém, justificou que “o que não se tem feito é por faltada de recursos”.
Sublinhou que parte dos recursos econômicos do país – 10 bilhões de dólares – se dilui na importação de combustível, montante que poderia ser investido em outras áreas se contasse com campos e plataformas próprias de petróleo.
Apesar disso, “temos conseguido ter balança comercial” estável graças ao crescimento das exportações e do mercado interno.
“Estou decidida a seguir avançando no processo de transformação da pátria”, enfatizou a Presidente.
“Defender o Estado é também defender a bandeira (…). Estou farta dos que me falam apenas de slogans e palavras de ordem, unicamente, quero que colaborem ativamente, que se cuidem vocês mesmos (…) porque vocês são a pátria, a pátria não é um termo vazio, a pátria é o território com os 40 milhões de pessoas no seu interior”, disse.
Cristina Fernández, também, se referiu ao incidente ferroviário da Estação Onze, em Buenos Aires (capital), ao advertir que tomará “as decisões que sejam necessárias, uma vez que a justiça decida”.
Estima que no espaço de 15 dias se concluam os processos de investigação e se determine “os responsáveis direto e indireto” da tragédia.
“Peço algo, encarecidamente, a esta justiça, que as pericias para determinar os responsáveis direto e indireto, não podem durar mais de 15 dias”, expressou a Presidente e sublinhou que “os 40 milhões (de argentinos) e as vitimas necessitam saber o que se passou e quem é responsável”.
Além disso, recomendou que ninguém esperasse dela “jamais, ante a dor da morte e diante a tragédia, a especulação de foto ou discurso fácil” e disse não tolerar aos “que querem aproveitar-se de tanta tragédia e tanta dor”.
A chefa de Estado chegou à cidade “santafesina” acompanhada pelo vice-presidente Amado Boudou e membro do governo nacional para encabeçar o ato de Bicentenário da criação da bandeira.
O evento se desenrolou em frente ao Monumento Nacional a Bandeira, as margens do Rio Paraná, onde se desfraldou a bandeira, “Alta no Céu”, a mais longa do mundo, costurada durante mais de 10 anos com retalho de tecido de todo o país.
Fonte:
Tradução de Luis Carlos (Redação do blog o povo na luta faz história)
*Históriaepovo
'Mr. Kong' e o racismo à brasileira 

por Lucas Ribeiro Scaldafferri

Cena do clipe

Toda vez que se debate racismo no Brasil as classes dominantes apelam para o senso comum e perguntam: quem é negro no Brasil? A miscigenação sempre é invocada para camuflar o racismo e passar a idéia de que esse mal não existe em nossas terras. Mas, uma pequena reflexão já basta para desvendar o quanto nossa sociedade ainda é marcada pela chaga do racismo.

No Brasil, o que serve de exemplo “positivo” para a sociedade sempre tem uma ancestralidade européia. É assim, por exemplo, com as apresentadoras de programas infantis, que há mais de três décadas invadem os lares brasileiros com suas cabeças loiras e que não parecem nada com a maioria da população. As novelas também reproduzem essa falsa realidade e seus galãs ou protagonistas sempre têm o “pezinho” no velho continente. 


Na educação essa realidade não é diferente. Os que hoje são adultos se lembram que nos livros didáticos as famílias negras nunca eram retratadas. As únicas figuras negras registradas eram, sempre, os escravizados ou trabalhadores domésticos.

A herança escravagista que tratava o negro como animal irracional e sem capacidade intelectual se manteve viva mesmo depois da abolição. Ser a maioria dos miseráveis e favelados nos dias atuais é o exemplo categórico do racismo no Brasil. Ao contrário dos Estados Unidos da América (EUA), onde leis garantiam a segregação até os anos 70, o Brasil não precisou de artifícios jurídicos.

“Kong”, um desserviço e uma ofensa às mulheres e aos negros
É por todos esses exemplos que a população negra, e em especial os jovens, precisam ter referências positivas. Pelé, o atleta do século, perdeu a chance de ser um embaixador da luta anti-racista no Brasil; como foi o maior pugilista de todos os tempos, Muhammad Ali, nos EUA. Quando alguns negros conseguem ultrapassar o filtro racista da sociedade brasileira se espera deles, no mínimo, uma postura crítica perante a situação do negro no país.

O cantor Alexandre Pires, que foi líder do grupo Só Pra Contrariar, gravou recentemente um clipe que não traz nada que possa ajudar a população negra a ser tratada com dignidade. O clipe que leva o nome da música “Kong”, uma referência ao gorila “king Kong”.

O inicio do vídeo é marcado por uma invasão de gorilas (homens fantasiados) numa casa cheia de mulheres. As cenas são protagonizadas por três negros: o próprio Alexandre, o jogador de futebol Neimar e o cantor Mr. Catra. Este último, durante o filme, se intitula com Mr. Kong. Uma passagem da música diz: “é no pelo do macaco que o bicho vai pegar”.

As imagens só reforçam o estereótipo animalesco do homem negro como viril. O desserviço prestado por Alexandre, além de fortificar o racismo, é sem dúvida machista. O movimento negro deve repudiar essa manifestação evidente de racismo, que passa como se fosse uma coisa natural, típica característica do racismo à brasileira.


No site do PSTU
*Mariadapenhaneles