Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
quarta-feira, março 28, 2012
Brasil: satélite de R$ 750 mi levará banda larga a todo o país
O Brasil prepara
o lançamento de um satélite geoestacionário de comunicação para
proporcionar banda larga a todos os municípios do país, anunciou nesta
quarta-feira em Nova Délhi o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco
Antônio Raupp,que participa da comitiva da presidente Dilma Rousseff, no
país asiático para o encontro do Brics, que acontece nesta semana.
O país busca na Índia uma cooperação técnica para o satélite, cuja construção
e lançamento, sob responsabilidade da Telebras e da Embraer, tem um
custo avaliado de R$ 750 milhões. Apenas o lançamento custará US$ 80
milhões, cerca de US$ 150 milhões.
Nova
Delhi (Índia) e Brasília – A presidente Dilma Rousseff defendeu hoje
(28), em Nova Delhi, na Índia, as reformas do Conselho de Segurança da
Organização das Nações Unidas
(ONU) e das instituições financeiras internacionais, como o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Dilma disse que Brasil e
Índia querem um sistema internacional “mais democrático”.
“O
Brasil e a Índia compartilham o desejo de construir um sistema
internacional mais democrático, enraizado no direito internacional,
voltado para a cooperação e a paz”, ressaltou a presidente, que recebeu
hoje o título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Delhi.
A palavra nepotismo vem do latim nepos, neto ou descendente. Surgiu
para expressar as relações de concessão de privilégios entre o Papa e
seus familiares. No período do Renascimento, os papas e outras
autoridades da Igreja Católica, por não terem filhos, protegiam seus
sobrinhos, nomeando-os a cargos importantes dentro da Igreja.
Augusto Nunes, o agressivo blogueiro da Veja, resolveu pedir a cabeça de
Demóstenes Torres. Em artigo postado hoje, ele clama: “Renuncie ao
mandato, senador”. Ele só não faz autocrítica por ter paparicado,
durante tanto tempo, o líder dos DEM. Nunes e o seu patrão sempre
trataram Demóstenes Torres como um paladino da ética e um “oposicionista
engajado”.
Enquanto a reforma agrária segue empacada no governo Dilma Rousseff,
cresce a violência no campo. Nos últimos dias, três dirigentes do
Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram mortos na região do
Triângulo Mineiro e um líder do MST foi assassinado no Agreste de
Pernambuco. Numa pequena nota, a Folha registrou o último caso:
Agenda - Venha se manifestar contra a privataria da Cultura!
As
rádios e a TV Cultura de São Paulo se consolidaram historicamente como
uma alternativa aos meios de comunicação privados. As rádios AM e FM
ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular
brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais
programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião
Nacional, e constituiu núcleos de referência na produção de programas
infantis e na de musicais, como o Ensaio e o Viola, Minha Viola. As
emissoras tornaram-se, apesar dos percalços, um patrimônio da população
paulista.
Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura
estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a
degradação de seu caráter público. Esse e outros fatos se destacam:
- mais de mil demissões, entre contratados e prestadores de serviço (PJs);
-
extinção de programas (Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine,
Cultura Retrô, Login) e tentativa de extinção do Manos e Minas;
- demissão da equipe do Entrelinhas e extinção do programa, sem garantias de que ele seja quadro fixo do Metrópolis;
- aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo;
- enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis;
- entrega, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S.Paulo;
- cancelamento de contratos de prestação de serviços (TV Justiça, Assembleia e outros);
- doação da pinacoteca e biblioteca;
- sucateamento da cenografia, da marcenaria, de maquinaria e efeitos, além do setor de transportes.
Pela
sua composição e formato de indicação, o Conselho Curador da Fundação
Padre Anchieta não tem a independência necessária para defender a
Cultura das ações predatórias vindas de sua própria presidência. Mesmo
que tivesse, sobre alguns desses pontos o Conselho Curador da Fundação
Padre Anchieta sequer foi consultado.
Não podemos deixar esse
patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento
promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse
público, seriamente agravado na gestão Sayad.
Nesse momento, é preciso afirmar seu caráter público e lutar pelos seguintes pontos:
- Contra o desmonte geral da rádio e TV Cultura e pela retomada dos programas.
- Em defesa do pluralismo e da diversidade na programação.
- Por uma política transparente e democrática para abertura à programação independente, com realização de pitchings e editais.
- Pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.
ATO CONTRA A PRIVATARIA DA CULTURA
3 de abril, terça-feira, às 19h Sindicato dos Engenheiros de São Paulo Rua Genebra, 25 – Centro (ao lado da Câmara Municipal)
Gilberto Maringoni Hamilton Octavio de Souza Ivana Jinkings Joaquim Palhares – Carta Maior Laurindo Lalo Leal Filho Luiz Carlos Azenha – blog Vi o Mundo Luiz Gonzaga Belluzzo Renato Rovai – Revista Fórum e Presidente da Altercom Rodrigo Vianna – blog Escrevinhador Wagner Nabuco – Revista Caros Amigos Emir Sader Flávio Aguiar Altercom - Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé CUT – Central Única dos Trabalhadores Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social *observadoressociais
28 de março de 1968: tombava Edson Luis..
Jornais
dos dias seguintes ao assassinato do estudante no interior do
restaurante Calabouço, no Rio. Edson foi o primeiro estudante
assassinado pela Ditadura Militar brasileira e sua morte marcou o
início de intensas mobilizações contra o regime militar que endureceu
até decretar o chamado AI-5, em 13 de dezembro de 1968.
Centro de Cidadania Presidente Médici, rebatizado de Edson Luis, em Fortaleza
A
decisão se deu quando da análise do caso de um sujeito acusado de ter
praticado estupro contra três menores, todas de 12 anos.
“A
prova trazida aos autos demonstra, fartamente, que as vítimas, à época
dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes,
ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo. Embora
imoral e reprovável a conduta praticada pelo réu, não restaram
configurados os tipos penais pelos quais foi denunciado."
(...)
“O direito não é estático, devendo, portanto, se amoldar às mudanças
sociais, ponderando-as, inclusive e principalmente, no caso em debate,
pois a educação sexual dos jovens certamente não é igual, haja vista as
diferenças sociais e culturais encontradas em um país de dimensões
continentais.”
“Com efeito, não se pode considerar crime fato que
não tenha violado, verdadeiramente, o bem jurídico tutelado – a
liberdade sexual –, haja vista constar dos autos que as menores já se
prostituíam havia algum tempo.”
É fato que as
meninas se prostituíam. A mãe de uma delas confirmou em juízo que a
filha matava aula para se prostituir na praça com as amigas. Mas é fato
também que têm apenas 12 anos.
Sabemos da situação de miséria
por que passam inúmeras famílias no Brasil. Muitas vezes associada ao
uso de drogas, especialmente o crack. A decisão do STJ cria
jurisprudência e libera geral para os taradões de plantão: Se pagarem,
podem transar com meninas de qualquer idade, que o STJ garante.
Incrível que esse absurdo tenha sido relatado por uma mulher, a ministra Maria Thereza de Assis Moura.
Se nem a lei protege mais nossas crianças, quem as protegerá?
Reportagem da BBC publicada na Folha
mostra a grandeza do problema no Brasil. Há quem fale em dois milhões
de crianças se prostituindo, algumas com nove ou menos anos de idade.
Número que agora pode aumentar com o liberou geral do STJ.
*Blogdomello
STJ institucionaliza a prostituição infantil
A relatora do caso, ministra Maria Thereza de
Assis Moura
A decisão do STJ institucionaliza no país a prostituição infantil. Ao
considerar que não havia crime de estupro do adulto que pagou pelos
serviços sexuais de uma criança de 14 anos, institui o vale-tudo sexual.
Essa tragédia é de responsabilidade direta da demanda, dos adultos que
pagam pelos serviços sexuais das crianças. Há uma dimensão cultural
nesses abusos, especialmente em regiões menos desenvolvidas. Trata-se de
pedofilia sim, em cima de crianças socialmente indefesas.
A maneira de coibir é punir, assim como se faz com o turismo sexual.O
STJ alega que precisa se curvar aos dados da realidade e que se a
criança praticava prostituição, foi sexo consentido.
Os dados da realidade indicam que a impunidade dos adultos é o principal
combustível para a prostituição das crianças. O STJ sancionou uma
doença social.
*esquerdopata
Comissão da Verdade tem de incluir elites civis
Punição para os criminosos vivos, execração pública a imagem dos criminosos mortos
Email do Professor Caio Toledo
A
comissão deve investigar as elites empresariais conservadoras que se
uniram a militares em 64 para manter privilégios, inclusive o seu papel
nos casos de tortura.
A
discussão das últimas semanas, referente às ácidas cartas de setores da
reserva das Forças Armadas sobre o processo de criação de uma Comissão
da Verdade, coloca um ponto importante para nossa reflexão.
Quem pensou, organizou e operacionalizou o movimento de 1964?
A resposta soa clara ao aluno desatento do ensino médio: militares.
Mas
não. A participação ativa dos setores civis da sociedade no golpe
militar de 31 de março de 1964 deve ser discutida e aprofundada,
inclusive naquilo que se refere à tortura e ao desaparecimento daqueles
que se opunham ao regime.
Não
se muda a história. A participação civil nos regimes ditatoriais é
regra quando se observa alguns dos processos históricos contemporâneos.
Além dos militares e dos serviços secretos, sempre há aqueles grupos
civis que incentivaram a ruptura institucional a partir do uso da força
militar.
Foi
assim no movimento de ascensão do nazismo na Alemanha, do fascismo na
Itália e do comunismo na antiga União Soviética. É padrão: o setor
conservador e radical das Forças Armadas se ancora no meio civil como
braço auxiliar para a ação de poder.
E
tão grave quanto: os setores civis, principalmente das elites
empresariais conservadoras, utilizam-se da caserna para manterem
privilégios e garantirem novas regalias.
O
grande historiador Tony Judt, no épico "Pós-Guerra" (no Brasil,
disponível pela editora Objetiva), mostra essa aproximação difusa e
obscura entre civis e militares nos projetos de tomada do poder à força
na história contemporânea.
Quando
a ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário menciona a importância
de elucidar a participação dos setores e grupos civis nos processos de
radicalização do regime de 1964, ela está certa.
Se
os excessos cometidos pelos radicais de farda ocorreram, é necessário
ressaltar que eles aconteceram também por incentivo e por interesse
desses grupos.
Vale
lembrar que a deflagração do golpe militar de 1964 foi precedida por
uma movimentação da classe média paulista (a chamada "Marcha com Deus
Pela Liberdade", que foi organizada também por grupos ligados às grandes
empresas de São Paulo).
O
ano de 1964 é também resultado do apoio irrestrito dos chamados
"capitães da indústria" de São Paulo e dos representantes mais
conservadores das oligarquias agrárias do Nordeste à época.
São
grupos civis, com origem ligada ao empresariado, que frequentavam
recepções de congraçamento entre civis e militares, gabinetes
governamentais e ambientes acadêmicos ideológicos, como a Escola
Superior de Guerra -chamada pelos próprios "estagiários" mais
envaidecidos de "Sorbonne brasileira", que viam no golpe de 1964 uma
oportunidade única.
Essa
oportunidade se baseava em uma estratégia que foi regra mestra no
desenvolvimento econômico do período: o arrocho salarial para manutenção
dos ganhos de capital, agenda decisiva para a manutenção do patamar de
lucratividade dos investimentos nacionais e internacionais no período
após Juscelino, de rápida industrialização do país.
Mas
o incentivo para o golpe e o decisivo apoio durante boa parte da
execução do regime de 1964 não ficam restritos a essa ação quase
"institucional" dos grupos civis que se fundiam aos interesses dos
militares mais radicais à época.
Mais
graves foram as ações pensadas e organizadas diretamente por grupos
civis radicais, como o obscuro "Comando de Caça aos Comunistas", a
"Operação Bandeirantes", entre outras, que foram conduzidas a partir de
ações clandestinas, com o apoio dos serviços secretos militares e das
lideranças e grupos empresariais à época.
Esperemos
que, se criada, a Comissão da Verdade, de alguma forma, também possa se
deter nesta seara que envolve uma segunda sombra do regime de 1964.
Para saber mais sobre a participação de civis no golpe de 64, clique aqui