Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, março 30, 2012

Bloqueio dos EUA contra Cuba impede entrada de remédios contra câncer no país e é causa de outras barbáries "democráticas"

 

 *Opensadordaaldeia

ESCOLA DO MST LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE ABELARDO LUZ, EM SANTA CATARINA, TEM A MELHOR NOTA DA CIDADE NO ENEM

Projeto educacional do MST vem dando certo no campo

Em uma sociedade onde, infelizmente, o acesso à cultura e educação de qualidade chega para poucos, uma escola do MST, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, dirigida por militantes e com professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, conquistou a melhor nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em comparação com as outras escolas da cidade.

O fato obviamente não teve muito destaque na mídia, tampouco na política local, o que não é surpresa diante de um cenário marcado por fortes cargas de preconceito ideológico que não valoriza o protagonismo popular e as iniciativas que dão certo, mesmo contra todas as expectativas.

A educação no campo, de forma geral, vive um sério período de crise. Nas escolas faltam professores, material didático e até os próprios alunos que, na maioria das vezes, não conseguem chegar à escola. Diante dessa realidade, projetos educacionais que dão certo no campo, caso dessa escola de Abelardo Luz deveriam ser reproduzidos e valorizados em tudo aquilo que propõe de novo e eficaz na prática educacional.

Não se trata de fazer apologia ao projeto educacional do MST e sim de reconhcer uma experiência que vem dando certo, mesmo com tantas dificuldades. Muitos dizem que as escolas do MST servem a uma ideologia e “doutrinam os alunos”, no entanto, o sucesso dos alunos do município de SC no Enem revela que, em última instância, a qualidade de um ensino vai muito além da questão ideológica, mesmo porque ideologia sempre existe, e as piores são aquelas que se disfarçam sob uma aparente neutralidade.

O importante é desenvolver diferentes formas de pensar e a capacidade de escolher, por conta própria, como agir diante da realidade social. E se os alunos conseguem um bom desempenho em exames de avalização, já estão neste caminho.

Veja trecho da notícia publicada no Portal do MST:

*Educaçãopolítica

Manifestantes protestam contra torturadores impunes



Em pequenos grupos, carregando instrumentos musicais, os jovens saíram do centro de São Paulo. Uma hora depois, na zona sul, eles mostraram no grito o que pretendem. A manifestação é contra o Davi dos Santos Araujo, conhecido como capitão Lisboa. Ele é apontado como um dos principais torturadores durante a ditadura.

*esquerdopata

O império mundial da violência contra-insurgente

Sem dúvida que os caminhos da "democracia à maneira dos EUA" são sinistros e fatais. 

 


 


Através da Wikileaks tive acesso ao Manual de Campo 31-20-3 – Tácticas, técnicas e procedimentos de defesa interna para as Forças Especiais no estrangeiro , que é o terceiro de uma série produzida pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para treinar e guiar a sua soldadesca nas tarefas intervencionistas e repressivas de âmbito mundial, sob a capa propagandística de ajudar outros governos "a libertar e proteger as suas sociedades da subversão, da desordem e da insurreição". O que seria de nós se os bons rapazes do tio Sam não estivessem sempre prontos para nos salvar do caos?


Recorda-se que os intelectuais do Pentágono inventaram uma quimera eufemística-política-ideológica a que eles chamam de "país anfitrião", isto é, governos subservientes aos EUA, que enfrentam situações de desestabilização de vários tipos, mas principalmente insurreições armadas e movimentos sociais que têm apoio popular, ante as quais recorrem à ajuda altruísta da contra-insurreição dos Rambos das forças especiais. Assim, o Manual de campo afirma: "Uma premissa básica da nossa política externa é que a segurança dos EUA, suas instituições e os seus valores (leia-se: o capitalismo) serão melhor preservados e fortalecidos fazendo parte de uma comunidade de nações realmente livres e independente (leia-se: sujeitas à órbita imperial). A este respeito, os Estados Unidos esforçam-se por incentivar outros países a fazer a sua parte na preservação dessa liberdade e independência (leia-se: o regime autoritário e renúncia de soberania). O objectivo é apoiar os interesses dos EUA através de um esforço conjunto (mais claro nem a água). Onde os interesses nacionais dos Estados Unidos estiverem envolvidos (leia-se: corporações, petróleo, territórios geo-estratégicos) os EUA fornecerão assistência militar e económica para complementar os esforços desses governos (leia-se: para manter a ordem estabelecida)". Em resumo, o propósito político do manual é defender os interesses imperialistas dos EUA através de aconselhamento e treino em contra-insurreição de tropas de cipaios do "país anfitrião".


A partir desta proposição essencial, o manual cobre com detalhe todos os aspectos da guerra de contra-insurreição, monitorizada pelos militares dos EUA: as actividades prévias à missão intervencionista, a análise preliminar, as "autorizações" para a formação, a instalação no "país anfitrião", programas de instrução das tropas, as operações tácticas, o controle das populações, as operações conjuntas, as actividades pós-missão, bem como anexos que vão desde questões legais (sic) de operações de informações, forças de auto-defesa civil (paramilitares), o estabelecimento de bases, técnica de minas, etc.


Como em outros manuais, este texto dá importância ao verniz culturalista que os colegas antropólogos dedicados à contra-insurreição aconselharam aos militares. Isso inclui uma espécie de manual com as regras básicas de etiqueta e bom comportamento, para que os nativos não se sintam diminuídos, manipulados ou discriminados pelos assessores gringos, subitamente transformados em poliglotas, corteses, cuidadosos do multiculturalismo, as diferenças de género, e guardiões das leis e dos hábitos democráticos que aprenderam recentemente no Iraque ou no Afeganistão, pelo baixo preço que essa educação tem custado em países destruídos e "terroristas" executados, torturados, desaparecidos ou mantidos em prisão.


O manual não negligencia o papel dos meios de comunicação de massa nos esforços de contra-insurreição, inclusive, é claro, o do Serviço de Informação dos EUA (USIA), ao qual é atribuída a tarefa de influenciar a opinião pública de outras nações em prol dos objectivos já identificados da política externa de seu governo, divulgando as suas acções, fazendo contra-propaganda às opiniões hostis para os EUA, coordenando operações psicológicas abertas sob a orientação do Departamento de Estado.


Outro aspecto do manual a destacar é a importância que atribui ao recrutamento e à integração de forças paramilitares ou irregulares, como parte integrante da luta contra-insurreccional, componente clandestina que temos denunciado várias vezes para o caso do México, que continua a ter um papel estratégico agora com a acção de grupos de narcotráfico que actuam como paramilitares.


Além disso, o manual é muito claro sobre o envolvimento directo de forças de combate norte-americanas, "se a situação do governo do país anfitrião se deteriorar a tal ponto que os interesses vitais dos EUA estejam em risco" e para "fazer uma mudança decisiva no conflito", o qual pode ser, não só de natureza contra-insurreccional, como também causado pelo narcotráfico. Este aspecto deve ser levado muito a sério para uma análise mais responsável da "situação mexicana".


A acção de esquadrões da morte ou grupos de matadores é discutida no texto comentado, e até mesmo descrita com precisão e cinismo: "Caçar-matar. As forças amigas podem usar esta técnica (sic) nas operações de consolidação... Elas usam essa técnica para caçar e destruir os inimigos isolados. A equipe de caçar-matar consiste em duas secções: os caçadores e os assassinos. Os caçadores devem estar ligeiramente equipados e altamente móveis. A sua missão é localizar as forças inimigas, enquanto mantêm uma comunicação constante com os executores, que estão alerta e prontos para a ação. Quando os caçadores fazem contacto, notificam os assassinos". Sem dúvida que os caminhos da "democracia à maneira dos EUA" são sinistros e fatais.



  •  





  •  Gilberto Lopez y Rivas [*]




  •  O texto na íntegra do referido manual encontra-se em http://www.bidstrup.com/Army-Terrorism-Manual.pdf

    O original encontra-se em www.resumenlatinoamercano.org . Tradução de Guilherme Coelho.


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • Além de toda a corrupção da ANJ, a instituição apanha todos os dias com os escândalos dos ladrões dos partidos seus aliados como o PSDB e o DEM, que nos mostra o senador Demóstenes Torres, atolado na lama até o nariz e o privata-mor José Serra, personagem principal do livro, escondido pela ANJ, "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Junior. D.Judith não soube escolher seus aliados, ou já sabia e queria fazer parte da quadrilha que rouba o Brasil por mais de quinhentos anos. Deu no que deu!


    Apoio: Fundação Ford
    Jornal de Debates

    INVERSÃO DE PAPÉIS

    A imprensa como partido político

    Por Washington Araujo em 20/04/2010 na edição 586
    Esperei baixar a poeira. Em vão, porque a poeira existiu apenas na internet. E tudo porque me causou estranheza ler no diário carioca O Globo (18/3/2010) a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

    "A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo." E como a poeira não baixou resolvi colocar no papel as questões que foram se multiplicando, igual praga de gafanhotos, plantação de cogumelos, irrupção de brotoejas. Ei-las:
    1. É função da Associação Nacional de Jornais, além de representar legalmente os jornais, fazer o papel de oposição política no Brasil?
    2. É de sua expertise mensurar o grau de força ou de fraqueza dos partidos de oposição ao governo?
    3. Expirou aquela visão antiquada que tínhamos do jornalismo como sendo o de buscar a verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade possível todos os assuntos que interessam à sociedade?
    4. Como conciliar aquela função antiquada, própria dos que desejam fazer o bom jornalismo no Brasil, como tentei descrever na questão anterior, com a atuação político-partidária, servindo como porta-voz dos partidos de oposição?
    5. Sendo o Datafolha propriedade de um dos grandes jornais do Brasil e este um dos afiliados da ANJ, como deveríamos fazer a leitura correta das pesquisas de opinião por ele trabalhadas? O Datafolha estaria também a serviço de uma oposição "que no Brasil se encontra fragilizada"?
    6. Na condição de presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) será que Maria Judith Brito não se excedeu para muito além de suas responsabilidades institucionais?
    7. Ou será próprio de quem brande o estatuto da liberdade de imprensa que entidade de classe de veículos de comunicação assuma o papel de oposição política no saudável debate entre governo e oposição?
    8. Historicamente, sempre que um dirigente ou líder de partido político de oposição desanca o governo, seja justa ou injustamente, é natural que o governo responda à altura e na mesma intensidade com que o ataque foi desferido. Mas, no caso atual, em que a ANJ toma si para a missão de atuar como partido político de oposição, não seria de todo natural esperar que o governo reaja à altura do ataque recebido?
    9. E, neste caso, como deveria ser encarada a reação do governo? Seria vista como ataque à liberdade de expressão? Ou seria considerado como legítima defesa de da liberdade de expressão ou de ideologia?
    Claro e transparente
    10. Durante o período de 1989 a 2002, em que a oposição política no Brasil esteve realmente fragilizada, e ao extremo, não teria sido o caso de a ANJ ter tomado para si as dores daquela oposição, muitas vezes, capenga?
    11. E, no caso acima, como a ANJ acha que teriam reagido os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?
    12. Com o histórico de nossos veículos de comunicação, muitos deles escorados em sua antiguidade, como aferir se há pureza de intenções por parte da ANJ em sua decisão de tomar para si responsabilidade que só lhe poderia ser concedida pelo voto dos brasileiros depositados nas urnas periodicamente? Não seria uma usurpação de responsabilidade?
    13. Afinal, não é através de eleições democráticas e por sufrágio universal e secreto que a população demonstra sua aprovação ou desaprovação a partidos políticos?
    14. Será legítimo que, assinantes de jornais e revistas representados pela associação presidida por Maria Judith Brito passem, doravante, a esmiuçar a cobertura política desses veículos, tentando descobrir qual a motivação dessa ou daquela reportagem, dessa ou daquela nota, dessa ou daquela capa?
    15. E quanto ao direito dos eleitores de serem livremente informados... que garantias estes terão de que serão informados, de forma justa e o mais imparcial possível, das ações e idéias do governo a que declaradamente se opõe a ANJ?
    16. Para aqueles autoproclamados guardiães da liberdade de expressão e do Estado democrático de direito: será papel dos meios de comunicação substituir a ação dos partidos políticos no Brasil, seja de situação ou de oposição?
    17. Em isso acontecendo... não estaremos às voltas com clássica usurpação de função típica de partido político? E não seria esta uma gigantesca deformação do rito democrático?
    18. Repudiam-se as relações deterioradas entre governo e mídia na Venezuela, mas ao que tudo indica nada se faz para impedir sua ocorrência no Brasil. Ironicamente, os maiores veículos de comunicação do país demonizam o país de Hugo Chávez. A origem do conflito político na Venezuela não está umbilicalmente ligado ao fato que na Venezuela os meios de comunicação funcionam como partido político de oposição, abrindo mão da atividade jornalística?
    19. Esta declaração da presidente da ANJ, publicada no insuspeito O Globo, traduz fielmente o objetivo de a ANJ estabelecer a ruptura com o governo, afetar a credibilidade da imprensa e trazer insegurança a todos os governantes, uma vez que serve também aos governos estaduais e dos municípios onde a oposição estiver fragilizada?
    20. Considerando esta declaração um divisor de águas quanto ao sempre intuído partidarismo e protagonismo político dos grandes veículos de comunicação do país, será que não seria mais que oportuno e inadiável a ANJ vir a público esclarecer tão formidável mudança de atitude e de missão institucional? Por que não abordar o assunto de forma clara e transparente nas páginas amarelas da revista Veja? Por que não convidar a Maria Judith Brito para ser entrevistada no programa Roda Vida da TV Cultura? Por que não convidá-la para o Programa do Jô? E para ser entrevistada pelo Heródoto Barbeiro na rádio CBN? Por que não solicitar a leitura de "Nota da ANJ"sobre o assunto no Jornal Nacional? Por que não submeter texto para publicação na seção "Tendências/Debates" do jornal Folha de S.Paulo, onde a presidente trabalha? De tão interessante não seria o momento de a revista Época traçar o perfil de Maria Judith Brito? E que tal ser sabatinada pela bancada do Canal Livre, da Band?
    Prudente e sábio Já que comecei falando de estranheza, estranhamento etc., achei esquisito a não-repercussão ostensiva da fala da presidente da ANJ junto aos veículos de seus principais afiliados. Estratégia política? Opção editorial? Ou as duas coisas?
    Finalmente, resta uma questão de foro íntimo: que critério deverei usar, doravante, para separar o que é análise crítica própria de um partido político, para consumo interno de seus filiados, daquilo que é matéria propriamente jornalística, de interesse da sociedade como um todo?
    Todos nós, certamente, já ouvimos centenas de vezes o ditado "cada macaco no seu galho". E todos nós o utilizamos nas mais diversas situações. O ditado é um dos mais festejados da sabedoria popular, é expressão de conhecimento, nascido da observação de fatos; um aprendizado empírico. Vem de longa data e se estabelece porque pode ser comprovado através da vivência e mais recentemente foi citado por Michel Foucault e Jurgen Habermas. No caso aqui abordado, o ditado popular cai como luva assim como as palavras de Judith Brito ficarão por muito tempo gravadas no bronze incorruptível da nossa memória.
    Mesmo assim sinto ser oportuno aclarar que entendo como papel da mídia atividades como registrar, noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos e permitir à população uma compreensão mais ampla da realidade que nos abarca. Neste rol de funções não contemplo o de ser porta-voz de partido político, seja este qual for. Ora, o governo tem limites de ação: operacionais, constitucionais, políticos. A mídia, quando não investida de poderes supraconstitucionais, também tem seus limites que não são tão flexíveis a ponto de atender as conveniências dos seus proprietários ou concessionários. É prudente e sábio reconhecer que em uma sociedade democrática todos os setores precisam de regulação – e a mídia não é diferente. E é bom que não seja. Afinal, a lei é soberana e a ela todos devem se submeter, já escrevia o pensador Shoghi Effendi (1897-1957) na segunda metade de 1950. Nada mais atual que isto.

    A revista Veja e o crime organizado

     

    Por Luis Nassif, em seu blog:

    Está na hora de se começar a investigar mais a fundo a associação da Veja com o crime organizado. Não é mais possível que as instituições neste país - Judiciário, Ministério Público - ignorem os fatos que ocorreram.

    Está comprovado que a revista tinha parceria com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes. É quase impossível que ignorasse o relacionamento entre ambos - Demóstenes e Cachoeira.

    Pelo crediário


    O sistema econômico vigente no país não é nem o capitalismo nem o socialismo, é o crediário. Os brasileiros se dividem em credores, poucos, e nós os devedores. O crediário é nossa religião. Qualquer crediário. Basta dizer sem entrada que a gente entra. Adoramos o deus a prazo e a ele entregamos nossa alma em suaves prestações. Marcamos a passagem do tempo não pelas fases da lua ou as revoluções da terra mas pelas datas de vencimento. Como qualquer religioso , o crediário impõe um rígido código moral, a pontualidade, e penitência para os que pecam contra ele, os juros de mora. Promete o paraíso - ficha limpa e crédito na hora - aos que trilham o caminho do bom pagador e o inferno aos que atrasam e aos que renegam. Não é por nada que os cobradores se vestem de vermelho com enviados do demônio. É surpreendente que os departamentos de crédito das grandes lojas ainda não tenham um guichê marcado " confissões".
    - Dai-me a vossa benção porque pequei.
    - O gerente de vendas o abençoe, crediarista.
    - Atrasei junho e julho e tive pensamentos impuros quando paguei agosto. Estamos no fim de outubro e ainda não paguei setembro. Eu não sou digno.
    - Vá de joelhos até a caixa e pague setembro com juros, outubro normalmente e novembro como contrição.
    O Bom Pagador não só tem crédito fácil e - supõe-se - um lugar no céu, como recebe mensagens de incentivos e congratulações dos seus credores. A correspondência personalizada de credores para devedores é, aliás, uma das inovações da moderna técnica de venda. Hoje é tudo mais simpático e humano. " Parabéns! " exclama o seu credor, entusiasmado. " Você não atrasou nem um pagamento. Precisamos nos conhecer melhor. Apareça para a gente bater um papo! " Nem o fato de tudo na carta ser impresso por um computador, até a assinatura do seu novo amigo, desmancha a boa sensação que ela lhe traz. Você é amado. O futuro lhe sorri e lhe dá tapinhas nas costa. Você é esse paradigma do mundo do crédito, um pontual. E não fica aí a benevolência do credor satisfeito. A próxima carta virá acompanhada de um cartão de Cliente Preferencial. "Apresente este cartão a qualquer um dos vendedores na sua próxima visita à nossa loja e ganhe um sorriso absolutamente grátis! " Ao completar mais uma compra a prazo sem atrasar uma prestação você recebe outro cartão, desta vez plastificado, de " Cliente de Ouro ". Fica subentendido que, se continuar assim, não sei não. Você ainda acaba sócio da firma.
    Mas ai de quem atrasar um pagamento. Por alguns dias apenas, não tem problema. Estamos ainda dentro do período de cobrança amigável, uma espécie de acordo tácito de que, quando você for pagar, será bem tratado e seus direitos respeitados de acordo com a Convenção de Genebra. O computador esquecerá sua pequena falha e todos continuarão amigos como sempre. Neste período, a correspondência continuará no mesmo tom informal de antes, mas com uma ponta de apreensão.
    " Alô Amigo! Notamos que você ainda não saldou seu compromisso de novembro. Sabemos como são estas coisas. Esta vida agitada... Não esqueça que nosso Departamento de Crédito está aberto das..."
    Uma semana depois, outra carta.
    " Prezado Esquecido. O que é isso? Ainda não recebemos o pagamento da prestação de novembro. Pra um Cliente Preferencial isso está nos parecendo muito estranho. Ponha a cabeça no lugar, companheiro ". Para evitar mal-entendidos, a carta vem com um prudente P.S. " Se você saldou sua dívida antes de receber este bilhete, desconsidere-o. "
    Passa-se uma semana. O tom torna-se mais seco.
    " Prezado Crediarista. Seu compromisso de novembro ainda não foi saldado. O prazo para a cobrança Amigável está por se esgotar. Queira providenciar o pagamento, para não comprometer a sua ficha de Bom Pagador e Cliente Preferencial. "
    Outra semana. A próxima carta conterá um preâmbulo sombrio: " Quem avisa amigo é..." E descreverá tudo que lhe pode acontecer se for revelado que você não paga suas contas. O crédito lhe será negado em toda a parte e, sem crédito, você será reduzido a nada. Será um réprobo, um pária da sociedade de consumo. É melhor pagar. E outra coisa: " Devolva o seu cartão de Cliente Preferencial ".
    Três dias depois, uma outra carta.
    " Nosso departamento Jurídico já foi alertado. Solicitamos, no entanto - em consideração ao seu passado de impecável pontualidade - que ele suste qualquer ação em dois dias. Você tem 48 horas para saldar sua dívida de novembro. Caso contrário o problema passará para esfera judicial. E não espere mais nenhuma compreensão, Dura Lex, etc."
    Há uma nova tentativa de acertar as coisas como gente civilizada, no entanto. Uma carta do tipo " Olha aqui. A cobrança judicial não interessa a nós nem a você. Pague o que nos deve e ficaremos conversados. Só não passe mais perto da loja senão você apanha. "
    Depois, a coisa engrossa.
    " Seu sujo! Lhe demos todas as chances e você ignorou. Pois agora vai ter. Nosso departamento jurídico está afiando os dentes e deve entrar em ação ao raiar do dia. Não tente fugir. Você está perdido."
    No dia seguinte, estranhamente, chega um envelope colorido dirigido a você, identificado como " Cliente Preferencial ", e dentro um jovial " Feliz Natal! " Esqueceram de avisar o computador para tirar você da lista de efemérides. Mas no dia seguinte recomeçam as hostilidades.
    " O que mais dói não é o dinheiro. Não precisamos do seu dinheiro. Não vamos quebrar por uma mísera prestação a menos. O que dói é a confiança traída..."
    Você finalmente paga. As cartas não lhe incomodavam, mas os telefonemas no meio da noite, chamando você de "cachorro!" eram demais.
    Dias depois, chega uma carta.
    " Alô amigo! Notamos que seus compromissos atrasados foram saldados. Sabíamos que você compreenderia. Que bom ter você de volta como cliente ! Espero que você esteja contente conosco também. Junto com esta segue um cartão de Cliente Preferencial Recuperado, que lhe dará o direito a..."

    Luis Fernando Verissimo
    *umpoucodetudoumpouco

    A greve geral e o pessimismo na Espanha

     

    Ontem, durante a paralização geral (Crédito: Calabar/EFE)
    Piada antiga, que me lembro de ter escutado adaptada ao aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro e também no argentino Ezeiza. De qualquer maneira, reflete bem o espírito atual aqui nas terras de Cervantes.

    Mário Benedetti costumava dizer que um pessimista é um otimista bem informado. Se é mesmo assim, todos os meus amigos espanhóis estão muito bem informados do que está acontecendo no país: não há espaço para a esperança. Os vizinhos franceses também parecem descrentes de qualquer futuro ensolarado. O diário Le Monde, em recente editorial, chamou a Espanha de “o grande problema da Europa”.

    Ontem, dia 29, o país parou. Ou deveria ter parado. Os principais sindicatos espanhóis convocaram uma greve contra a Reforma Trabalhista aprovada pelo novo governo do Partido Popular. Eleito no final do ano passado e com maioria no Congresso para não precisar pactuar com os outros partidos, o conservador Mariano Rajoy rezou a cartilha da União Europeia e adotou, antes dos cem dias de governo – a famosa lua de mel entre eleito e eleitores –, uma mudança na legislação trabalhista que promove uma mudança brutal. Para uns, facilita a contração e flexibiliza os contratos de trabalho; para outros, facilita a demissão e precariza as relações de trabalho.

    Os pontos mais polêmicos são que um trabalhador pode ser contratado e demitido dentro de 364 dias sem receber nada; e um empresário pode diminuir salários de seus empregados alegando “dificuldades financeiras”.

    Contra essas medidas, milhares de espanhóis tomaram as ruas para protestar. O balanço da greve, como se pode imaginar, depende de quem o faz. Para o governo, a paralisação foi “moderada” e só reforçou a ideia de que a medida é dura, mas necessária – cerca de 22% dos espanhóis em idade de trabalho estão desempregados.

    Os sindicatos dizem que a adesão (principalmente do setor de transporte e indústria) foi massiva e afirmam que foi apenas o primeiro passo: se o governo não sentar para negociar haverá mais protesto e mais greve.

    As informações são de que em Madri e em Barcelona o apoio foi grande. Na capital catalã houve algo de violência. Coisa pouca se pensamos na situação do país e na quantidade de gente que se manifestou.

    Aqui na pequena Salamanca, cidade de estudantes e aposentados, a rotina foi pouco alterada. No final do dia os sindicatos lideraram uma marcha. A quantidade de gente era considerável, mas as diferenças se notavam de longe. Cada sindicato em um canto da praça. Enquanto a Direita conduz o país com o discurso de que é preciso enxugar – o que significa na prática eliminar conquistas sociais – a Esquerda, em frangalhos, se estapeia pelo único pedaço de pão que tem nas mãos.

    Comentei com uma amiga argentina que nunca vi uma manifestação tão pacífica e tranquila. Na verdade o que eu queria dizer era monótona. No Brasil, eu disse a ela, não se faz um ato sem música, sem um pouco de bom humor. Ela respondeu que na Argentina talvez não houvesse alegria, mas sim aplausos, cantos e panelaço.

    Fato é que a marcha que acompanhei pareceria um velório. As pessoas quase cochichavam enquanto caminhavam. Vez ou outra alguém puxava um grito, que era repetido duas vezes por meia dúzia de pessoas e novamente o silêncio imperava. A impressão que tive foi de que estavam ali por solidariedade ou dever, mas não acreditavam que o gesto poderia fazer alguma diferença.

    Gostaria de acreditar que por aqui seja diferente e os nascimentos se pareçam aos velórios. E que essa crise servirá para que um novo país surja. E que Benedetti pode ter se equivocado.

    Ricardo Viel, jornalista, colunista do NR, especial de Salamanca, Espanha. 
    *Notaderodapé

    Perguntar não ofende: e o sigilo bancário da mulher do Demóstenes?

    STF autoriza quebra do sigilo bancário de Demóstenes.  Lewandowski autorizou diligências requeridas pelo procurador-geral.  Além de Demóstenes, três deputados federais são investigados Último Segundo

     O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta a quebra do sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e de outros investigados por suspeita de envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por exploração de jogos ilegais em Goiás.

     Lewandowski determina providências no inquérito do Ministério Público envolvendo senador Demóstenes Torres e autorizou uma série de diligências que tinham sido requeridas na terça-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

     O procurador-geral pediu a divisão do inquérito em duas partes. Uma no STF para Demóstenes Torres e mais três deputados federais de três Estados, incluindo um de Goiás, e outra parte do inquérito para os investigados sem foro privilegiado, que deverão responder em primeira instância.
    Postado por Gloria Leite
    *MilitanciaViva