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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

segunda-feira, abril 08, 2013

O PROCESSO CONTRA LULA E A FORÇA DO SIMBOLISMO


           

                    (Carta Maior) - O Ministério Público do Distrito Federal –  por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover  investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais.
             O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo seqüestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena.
           Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT.
            O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal - mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.
             Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula  que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.
             Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país.
          É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe trabalhadora numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de soberania.
         Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.
         Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.
         Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalga-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.
          Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. 
*MauroSantayana

TATCHER – Uma herança maldita para o Brasil

 

 

Vitima de derrame, a dama de ferro, como era conhecida Margareth Tatcher, faleceu neste dia 08 em Londres.
Seu legado político é bastante controverso. Amada e odiada, era uma liderança incontestável da direita européia e foi defensora ferrenha do neoliberalismo.
Foi premiê do Reino Unido de 1979 a 1990 e sua obra deixou males que se espalharam pelo mundo com rapidez: privação social, opressão de sindicatos, confronto com opositores de forma dura e implacável, como no episódio da Guerra das Malvinas. Em resumo, governou de modo tão conservador que seu próprio partido, o Partido Conservador!, voltou-se contra ela e a retirou do poder.
Sua forma de ver a economia era voltada exclusivamente ao protecionismo do capital. Gerou desemprego e queda da produção industrial na Inglaterra mas nunca desamparou os banqueiros. Seu processo político de privatizações e culto ao livre mercado foi determinante para que alguns países, o Brasil inclusive, adotassem medidas conservadoras drásticas e danosas.
Sobretudo no período de governo do PSDB, na figura de FHC, o Brasil experimentou o remédio mais amargo que Tatcher criou: a economia foi atirada no colo do mercado, empresas públicas tradicionais foram privatizadas depois de saneadas com dinheiro público, o desemprego aumentou na proporção do crescimento da dívida interna e externa, apesar da entrada de recursos da venda de Estatais, a taxa básica de juros crescente era mantida para atender os banqueiros e a população, ora, permanecia estagnada, pobre e sem perspectivas.
Passadas duas décadas desde a queda de Tatcher, depois que parte do mundo ocidental abusou de venerar o livre mercado, vimos Nações de joelhos implorando recursos ao FMI e tendo que, em troca, adotar medidas ainda mais drásticas na área econômica, com corte de programas sociais e elevação da taxa de juros. Os resultados foram desastrosos principalmente para os países menos desenvolvidos da América Latina.
Hoje, ao abandonar as teorias malucas do neoliberalismo, o Brasil e parte importante do mundo capitalista descobriu nova fórmula de crescimento: participação direta do Estado na economia com intervenções pontuais e injeção de capitais. É hilário ler, por exemplo, como certos veículos de comunicação resmungam sobre o déficit em conta corrente do governo, sobre aumento das despesas de custeio e de pessoal. Reclamam que o governo gasta muito ...
Mas não vemos xororô da midia fundamentalista quando o governo dos EUA coloca, mensalmente, quase 90 bilhões de dólares na economia com o objetivo de incentivar o consumo e a geração de emprego; não vemos os “analistas” dizendo que é errado o Japão expandir sua base monetária em quase 1,5 trilhão de dólares para fazer frente ao baixo crescimento.
Seria um escândalo a intervenção do governo do Brasil na economia na época FHC, ditado pelas regras de austeridade da Dama de Ferro. Ou foi um escândalo manter a pobreza e a miséria do jeito que estavam?
Felizmente, isso mudou.
E, por certo, as novas gerações de Primeiros Ministros do Reino Unido aprenderam que tudo o que Margareth Tatcher produziu foi aumentar ainda mais a diferença entre ricos e pobres. Lá e no resto do mundo neoliberal. 
Ela morreu, e tomara que morra com ela a teoria da concentração de renda.
***



Letícia Sabatella: “O pastor Feliciano é uma benção de Deus”. Entenda

Glamurama

Letícia Sabatella: mal que vem para bem

Glamurama acaba de cruzar com Letícia Sabatella no Projac e, sabendo da veia politizada da atriz, puxou papo sobre o pastor Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “O Feliciano é uma benção de Deus. Ele é tão nazista, arcaico e egoísta que enfim estamos acordando para a homofobia e o preconceito. É um mal que vem pra bem. É tão absurdo e forte, como se quem não pensa como ele estivesse associado ao demônio, possuído. Aconteceram coisas que doeram na minha alma. E, para ser contra essa aberração, quem antes não queria chocar a bisavó está se assumindo. Graças a isso, a homofobia daqui a pouco vai acabar, como acabou a escravidão.”
*mariadapenhaneles 

Infelicano, Paul, em psicografia, pede que você confirme através de teste: Estudo liga preconceito a pessoas de baixo QI

Estudo liga preconceito a pessoas de baixo QI

Exame

Neonazistas nos EUA
Neonazistas nos EUA: pesquisa aponta que eles seriam menos inteligentes

São Paulo - Um estudo feito pela Universidade de Ontario, no Canadá, parece ser bastante provocador. A pesquisa chegou à conclusão de que pessoas menos inteligentes - sim, isso é um eufemismo - são mais conservadoras, preconceituosas e racistas.


O estudo revela que crianças com baixo QI estão mais dispostas a realizar atitudes preconceituosas quando se tornarem adultas. A pesquisa foi publicada na revista Psychological Science
A descoberta aponta para um ciclo vicioso, em que esses adultos com pouca inteligência ‘orbitam’ em torno de ideologias socialmente conservadoras, resistentes à mudança e que, por sua vez, geram o preconceito.  
As pessoas menos inteligentes seriam atraídas por ideologias conservadoras, segundo o estudo, porque oferecem ‘estrutura e ordem’, o que dá um  certo ‘conforto’ para entender um mundo cada vez mais complicado. 
"Infelizmente, muitos desses recursos também podem contribuir para o preconceito", disse Gordon Hodson, pesquisador chefe do estudo, ao site Live Science
 Ele salientou ainda que, apesar da conclusão, o resultado não significa que todos os liberais são ‘brilhantes’ e nem que todos os conservadores são ‘estúpidos’. A pesquisa é um estudo de médias de grandes grupos, disse Gordon Hodson.

Na Inglaterra

Bandeiras a meio pau, e mesmo assim, só às custas de muito viagra!

*René Amaral

domingo, abril 07, 2013

Charge foto e frase do dia
































Orquesta Juvenil Simón Bolívar de Venezuela - BBC Proms 2007


Documentário - "Poliamor": porque o ser humano é muito mais amplo, complexo, instigante e rico do que o tabu e dogma da velha monogamia


Lula será sumariamente julgado.
Não haverá revisão do Dirceu

O MP, a PF do Zé e o Supremo estão prontos a interromper o ciclo trabalhista. É bom o PT levantar da cadeira.
Saiu na Folha (*)

PF vai investigar se Lula participou do mensalão


Pela primeira vez ex-presidente será objeto de inquérito criminal sobre o caso.

Medida foi pedida pelo Ministério Público com base na afirmação de Valério de que Lula negociou repasse ao PT.
Navalha
O Ministério Público do Antonio Fernando e do brindeiro Gurgel – que o senador Collor chama de “prevaricador” – não quis saber quem botava grana no duto do Marcos Valério.
Eles procuram o que bem entendem.
A PF do Zé – é assim que os amigos de imaculado banqueiro se referem ao Ministro José Eduardo Cardozo – não vai atrás do imaculado banqueiro.
Não deixe de ler documento histórico sobre a “flexibilidade“ da PF do Zé e informações sobre como achar o imaculado as pegadas do imaculado banqueiro no duto do Valério.
(Clique aqui para ler “Fala, Valério, fala !” e aqui para ler “Fala, Pizzolatto, fala !”.
E, como o imaculado banqueiro está na outra ponto do duto do Valério, a PF do Zé, portanto, não quer saber quem botava grana no duto.
Mas, a PF do Zé, republicanamente, quer botar o Lula na cadeia.
Não tenha dúvida, amigo navegante, o objetivo da Casa Grande, na acepção do Mino Carta, expresso no PiG (**), no brindeiro Gurgel, na PF do Zé e no comportamento do Supremo no julgamento do mensalão (o do PT) é de solar obviedade: encanar o Lula em setembro ou outubro de 2014, na véspera da eleição de 2014.
Assim como o Big Ben de Propriá condenou o Dirceu na hora em que o eleitor de São Paulo se encaminhava para votar no Haddad.
Vai ser o mesmo Big Ben.
Preciso, implacável.
No julgamento do mensalão, o ansioso blogueiro previu, modestamente: primeiro, o pescoço do Dirceu; depois, o do Lula
E, por fim, o da Dilma.
A sequência se cumprirá inexoravelmente.
“Tecnicamente”, como faz a SECOM da Dilma.
O Marcos Valeriodantas está desesperado com medo da cana.
Diz qualquer coisa.
(Menos sobre o imaculado banqueiro.)
E blefa.
E se candidata a uma posição de honra no “Panteão dos Heróis da Pátria (e do Mensalão)”, ao lado do Thomas Jefferson.
Não conseguiram, ali, pegar o “safo” – como a Lula se refere o Ministro Marco Aurelio (Collor de) Mello –, ali na AP 470.
Mas, o MP e a Policia Federal, que tem medo do Dantas, tem uma missão histórica.
Interromper o ciclo trabalhista no Governo do Brasil.
E enfiar as algemas no Lula em 2014.
Como se sabe, a Casa Grande (na acepção do Mino Carta) e a Globo não tem voto: dão Golpe: “G” de Globo, “G”de Golpe.
Por isso, o Ataulfo Merval de Paiva (***), notável jurisconsulto, tem razão.
O Supremo não julgará os recursos do Dirceu.
Não julgará os recursos do Marcio Thomaz Bastos.
Não vai dar posse a ministro que, longinquamente, possa ouvir o Dirceu.
O Globo tomou conta do pedaço.
Levou o Big Ben de Propriá para o livro do Ataulfo – com a presença conspícua do Gilmar Dantas (****), e para a ONG da Souza Cruz, o “Palavra Aberta”.
E o Presidente Barbosa para a festa com o Alex Atalla e a Regina Casé: ele faz a diferença !
Ainda bem que ali deu um recado ao Gilmar Dantas (****) e defendeu a liberdade de expressão.
Mas, Barbosa já encurtou os prazos para os recursos, já deu um chega pra lá no Marcio Thomaz Bastos, não quer saber de pena alternativa e reclama dos prazos (breves) de prescrição.
E a sociedade (reunida na varanda da Casa Grande, na acepção do Mino Carta) bate palmas.
O Golpe está em marcha.
Leva a eleição ao segundo turno, com a mão de gato do Eduardo Campos e do PPS.
E, no segundo turno, o Gilberto Freire com ï”(*****), o do jornal da bolinha e dos 18′, encaminha a decisão ao STF do Paraguai.
Viva o Brasil !
Se o PT acha que a Dilma vai ser uma barbada, é melhor levantar da cadeira e começar a trabalhar o Contra-Golpe.
Depois, a Casa Grande arma um pelotão de fuzilamento no jardim e a opinião publicada – como diz o PML, um best seller – vai bater palmas.
Aqui, em Washington e em Assunção.




Clique aqui para ler no Edu “O indiciamento de Lula e o preço da covardia petista”.


Paulo Henrique Amorim

*

Coreia do Norte sabe o que faz





Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo







Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.

Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.

O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.

A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.

Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.

Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.

O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.

Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.

No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.

Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.

Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.
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