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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
domingo, abril 14, 2013
A BBC não sabe o que fazer com a música mais vendida da Inglaterra
Ativistas anti-Thatcher levaram ‘A Bruxa Morreu’ ao número 1, e a BBC
sofre pressão para não tocá-la na tradicional parada de domingo.
Liberdade de expressão é uma coisa realmente complicada: é mais fácil falar dela do que praticá-la.
Um episódio mostra isso exatamente neste momento, no país que supostamente é o berço da liberdade de expressão.
No meio de uma controvérsia que se espalhou toda a mídia britânica, está a venerada BBC.
O que aconteceu: ativistas deflagraram uma campanha para comprar uma música anti-Thatcher para levá-la ao topo das paradas.
A música é do Mágico de Oz, e se chama “Ding Dong The Witch is Dead!”. (Dim Dom A Bruxa Morreu!”
Objetivo alcançado.
Neste momento em que escrevo, é a número 1 na Inglaterra. E é aí que entra a BBC com seu excruciante dilema.
Tradicionalmente, aos domingos, a principal rádio da BBC, a 1, toca as músicas mais vendidas, a conhecida parada de sucessos.
A questão que se ergueu barulhentamente: a BBC deveria tocar o hino anti-Thatcher, a três dias de seu funeral?
Os comentaristas conservadores da mídia saíram gritando que não. Que
isso seria desrespeito com uma pessoa que sequer foi enterrada.
Mas um momento: isso é censura, ou não?
É o entendimento da chamada voz rouca das ruas. Numa enquete no Guardian, quase 90% das pessoas disseram que sim, a rádio tinha que tocar a canção.
E a BBC, que fez?
Encontrou uma solução que foi a seguinte: subiu no muro. Não vai censurar a música, ao contrário do clamor conservador.
Mas tampouco vai tocá-la inteira: decidiu dar, na parada de domingo, um fragmento de 4 ou 5 segundos.
O que parece claro, passados alguns dias da morte de Thatcher, é que a
elite política e jornalística inglesa não tinha a menor ideia de quanto
a Dama de Ferro era detestada.
É uma demonstração espetacular de miopia e de desconexão com as pessoas.
A Inglaterra vive hoje não apenas uma crise econômica que não cede há
anos, mas uma situação dramática de desigualdade que levou aos célebres
riots – quebra-quebras — de Londres há pouco mais de um ano.
Qual a origem da crise e da desigualdade?
Thatcher, é claro.
O real legado de um governante se vê depois que ele se foi. As
desregulamentações, as privatizações e os cortes em gastos sociais de
Thatcher, passados 30 anos, resultaram num país em que as pessoas têm um
padrão de vida inferior ao que tiveram.
Como imaginar que as pessoas ficariam tristes com sua morte?
Para mais um pouco das "benesses" da Dama de Ferro, idolatrada por Hélio Gaspari e pelo em PIG mundial, clique aqui.
*Cappacete
Kim Jong Un fez os EUA recuarem
Por André Ortega
Em RealPolitik
O
líder norte-coreano Kim Jong Un conquistou uma vitória em sua luta
contra os Estados Unidos no recente momento de tensão na Península
Coreana. Após chocante demonstração de força, a Casa Branca recuou em
sua postura agressiva temendo que isto poderia "inadvertidamente"
desencadear uma crise ainda mais profunda, segundo o "The Wall Street Journal".
Retirando os aviões F-22, B-2 e os temidos B-52 (capazes de
transportar armas atômicas) dos céus coreanos, os EUA voltaram atrás em
seu roteiro pré-estabelecido de exercícios militares na Coreia do Sul,
mostrando a eficiência da estratégia norte-coreana e sua capacidade de
dissuadir a grande potência. É certo que os avisos da Coreia do Norte
ecoaram em Washington e é provável que tal postura tenha sido
influenciada pelos recentes encontros do Comitê Central do PTC (Partidos
dos Trabalhadores da Coreia), encontros onde se deu ênfase em avançar
ainda mais o projeto atômico.
Figura
reverenciada pela população em geral, Kim Jong Un certamente se
reafirmou como líder frente os alto dirigentes de seu país. Vítima de
dúvidas no exterior devido sua pouca idade e subida ao poder
aparentemente frágil, Kim Jong Un frustrou as expectativas daqueles que
esperavam um líder fraco ou reformador. Invulnerável perante a pressão
americana, Kim Jong Un mostrou a força da própria liderança e mostrou
sua "vocação de sangue", já que seu avô, Kim Il Sung, combateu a invasão
japonesa desde os 15 anos de idade, também muito jovem. Apesar da
abordagem norte-coreana ter sido correta, em muitos aspectos Kim Jong Un
somente emulou o gênio diplomático de seu antecessor, Kim Jong Il, que
no passado forçou os EUA a mesa de negociação através de sua política
nuclear. Esse acontecimento derruba o mito da "invencibilidade" e
"liberdade total" da política externa norte-americana, assim como refuta
as mentes simples que falaram a "loucura norte-coreana" ou que zombaram
das "ameaças" de Kim Jong Un como provocações infantis. A política
norte-coreana de louca não tem nada, é muito racional, responde a
imperativos pragmáticos e é um movimento calculado.
As recentes tensões na península coreana vem preocupando o mundo com o
fantasma de um novo embate militar. O conflito vem desde a década de 50'
e se deve a ocupação militar norte-americana na Coreia do Sul,
necessária para a manutenção dos interesses econômicos e geopolíticos
dos EUA na região. Do outro lado, a Coreia do Norte é governada por um
regime socialista que em sua fundação tomou uma série medidas de caráter
popular, como a reforma agrária, a nacionalização de propriedades dos
antigos invasores japoneses e a reorganização da vida política em linhas
democráticas através das forças que libertaram o país e de organizações
de massa como sindicatos. No entanto, o país passou por duras
dificuldades por causa da guerra e sanções, com uma disciplina rígida
que se mantém graças a mobilização de massas e a direção do Partido dos
Trabalhadores da Coreia. Se o país fosse dividido e o povo
desorganizado, sem esse sistema político e tendo que se basear
exclusivamente na repressão militar, o regime provavelmente não
sobreviveria a estas dificuldades.
Essa é certamente uma ótima notícia para os amantes da paz de todo o
mundo e para todos aqueles que temiam a explosão de um novo conflito
militar. É claro que isso não é a paz, mas se os Estados Unidos
realmente querem a paz, então deveriam retirar suas tropas da península e
acabar essa guera que já vem sendo travada há mais de meio século.
*centrodosocialismo
Orlando Silva repudia Salva de Prata em homenagem à Rota
O vereador por São Paulo, Orlando Silva (PCdoB) discursou no Plenário da Câmara Municipal repudiando a atitude da Casa em homenagear à Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). A concessão da Salva de Prata – uma das mais importantes homenagens é de iniciativa do vereador tucano Paulo Telhada.
A Rota existe há mais de um século, em 1951 o batalhão, com antigo nome de "Batalhão de Caçadores", foi batizado com o nome de Tobias de Aguiar, ficando então "Batalhão de Caçadores Tobias de Aguiar". A partir dos anos de chumbo, passou a ser mais conhecida como Rota, pois suas rondas ostensivas acabaram definindo a identidade e a imagem: unidade mais truculenta da Polícia Militar paulista.
Segundo Orlando, que não assinou a petição da homenagem, disse que a Casa tem que levar em consideração o conjunto da obra, a fundamentação do texto não foi contextualizado, disse o vereador comunista. Com isso, Orlando citou que naquela época, a história prova que o Estado que transformou o terrorismo numa política social e que não deu a liberdade para o povo lutar pela democracia.
Para Orlando, a Rota representava um lado, uma visão da política, em que o Estado cerceou o direito à livre manifestação com a instituição do AI-5 (Ato Institucional de número cinco) que jogou na clandestinidade e na luta, várias lideranças.
O vereador repudiou ainda a agressividade que o texto retratou Carlos Lamarca e Carlos Marighella, dois líderes da luta pela democracia. Estes fatos do “passado heroico” da Rota foram escrito por Telhada que mencionou suas campanhas (já que ele foi comandante da Rota) contra grupos guerrilheiros que se levantaram contra a ditadura militar. Três parágrafos do documento fazem apologia a ações da Rota contra os que lutaram contra a ditadura civil-militar.
*carlosmaia
Revista Época radicaliza na defesa de juros altos e desemprego
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Brasil 247 - Nunca é demais relembrar os dados de inflação dos últimos governos.
Na primeira gestão FHC (1995-1998), a taxa média foi de 9,7% ao ano.
Na segunda (1999-2002), de 8,8%.
Com Lula, os índices foram mais civilizados, sempre dentro da meta e, agora, com Dilma, a taxa média é de 6,2%.
No entanto, nunca o alarma dos veículos de comunicação tradicionais soou tão alto como agora.
Em sua capa desta semana, a revista Época, das Organizações Globo, afirma que a presidente Dilma Rousseff e seu ministro Guido Mantega pisaram no tomate – produto que simboliza a alta de preços recente.
Anuncia ainda que o governo federal faz tudo errado no combate à inflação – como se, por exemplo, iniciativas recentes, como a desoneração das contas de luz não tivesse a menor importância.
Auto-referente, a Globo usa uma declaração da apresentadora global Ana Maria Braga, a de que estava usando uma joia, ao pendurar um colar de tomates no pescoço, para indicar que a população brasileira estaria apavorada com a inflação.
Detalhe: quem será que pediu para Ana Maria Braga fazer sua piadinha ridícula?
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Os dois objetivos principais são derrotar o PT nas próximas eleições e garantir o início de um ciclo de alta de juros.
No fundo, trata-se de uma síndrome de abstinência de juros e também um sintoma da falta de amigos no poder.
do Blog Sujo
*cutucandodeleve
Se a maioridade baixa para 16, o que faremos quando um garoto de 15 matar alguém? Reduziremos o limite para 14, ou 10?

Maioridade penal
Hélio Schwartsman
Como
sempre ocorre quando um menor comete um homicídio bárbaro, cerca de
dois terços da população erguem a voz para pedir a redução da maioridade
penal. Compreendo a revolta, mas não me incluo nessa robusta maioria.
É claro
que os 18 anos encerram algo de arbitrário. Se quiséssemos fugir aos
caprichos do legislador e adotar uma regra informada pela ciência,
teríamos, na verdade, de empurrar o limite para além dos 20 anos, que é
quando amadurece o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável por
tomar decisões complexas e controlar a impulsividade.
Uma
medida dessa natureza, porém, não contribuiria para manter a coesão
social, o que a torna impraticável. Já que a arbitrariedade é
inescapável, por que não ouvir o apelo da população e reduzir a
maioridade? Se o jovem de 16 anos já pode votar e fazer sexo, por que
não haveria de responder criminalmente por seus atos?
Se
estivéssemos criando um corpo jurídico a partir do nada, eu não me
oporia muito a estabelecer o limite mais baixo ou mesmo permitir que o
tribunal determinasse a capacidade penal de cada acusado,
independentemente de sua idade cronológica. A questão é que não estamos
partindo do zero. Ao contrário, estamos discutindo modificações num
sistema já estabelecido e, se há uma receita para piorá-lo, é ceder à
tentação de legislar sob forte impacto emocional.
Já
fizemos isso com a chamada Lei dos Crimes Hediondos (nº 8.072/90) e o
resultado foi uma peça que se choca com os princípios mais básicos do
direito penal e com a própria Constituição. O STF teve até de anular um
de seus dispositivos.
Supondo que a maioridade baixe para 16, o que faremos quando um garoto de 15 matar alguém? Reduziremos o limite para 14, ou 10?
O
direito moderno começa a se distinguir melhor da velha vingança quando
considerações racionais passam a preponderar sobre as emoções, por mais
justas que sejam.
*Mariadapenhaneles
terça-feira, abril 09, 2013
Repressão de Pinochet era “propaganda comunista”, defendeu o Vaticano
“Propaganda comunista” e uma “mentira
descarada”. Foi nestes termos que o Vaticano rotulou as notícias, que
então corriam mundo, sobre os massacres cometidos durante o período que
se seguiu ao golpe militar que levou Pinochet ao poder no Chile, em
1973. A compreensão para com os golpistas é evidente na documentação
agora revelada pela Wikileaks.

João
Paulo II visitou, em 1987, o Chile, reunindo-se com Pinochet. O
encontro foi encarado universalmente como um apoio explícito à sangrenta
ditadura militar.
"Como é natural, infelizmente, após um
golpe de Estado é preciso admitir que houve derramamento de sangue nas
operações de limpeza no Chile", afirmou na época o monsenhor Giovanni
Benelli. Um mês após o golpe, em Outubro de 1973, este alto
representante do Vaticano expressava a "sua profunda preocupação, assim
como a do Papa, sobre uma campanha internacional esquerdista que
distorce completamente, e com êxito, a realidade da situação chilena".
Nos relatórios enviados pela embaixada
dos Estados Unidos no Vaticano, divulgados pela Wikileaks e publicados
na revista italiana L'Espresso e no jornal La Repubblica, pode ler-se
que "Benelli rotulou a cobertura dos acontecimentos como a de maior
sucesso da propaganda comunista" e como o prelado se mostrava preocupado
com a forma "como os comunistas poderão influenciar os meios de
comunicação do mundo livre no futuro".
"As histórias dos meios de comunicação
internacionais que falam de uma repressão brutal no Chile não têm
fundamento", afirmou o diplomata do Vaticano, apelidando mesmo de
“mentira descarada” as notícias que davam conta de uma onda de detenções
ilegais um pouco por todo o Chile.
A eleição do mais recente Papa fez
saltar para as primeiras páginas dos jornais a relação da hierarquia
católica com as sangrentas ditaduras militares que tomaram conta dos
países da América latina nos anos 70 e 80 do século passado.
Giovanni Benelli, que nos anos seguintes
ao golpe chileno chegou a cardeal e foi mesmo apontado publicamente
como um dos possíveis nomes para suceder a Paulo VI, garantia aos
Estados Unidos da América que a junta militar "estava a fazer tudo o que
é possível para que a situação se normalize".
Correspondência posterior sustenta que,
três anos passados sobre o golpe militar, o cardeal já forneceu ao Papa
"uma visão bastante pessimista" da situação no Chile e advertiu que
Pinochet costumava acusar outros membros da junta militar pela violência
e repressão.
"O cardeal e o Vaticano acreditam que se
trata de um estratagema cínico para se livrar da própria culpa”, pode
ler-se. Certo é que a Igreja Católica nunca criticou, nem
implicitamente, a sangrenta ditadura militar nem o Vaticano cortou as
suas relações diplomáticas com o Chile.
Na fase final do regime de Pinochet, em
Abril de 1987, João Paulo II efetuou uma visita ao Chile, durante a qual
se reuniu com o ditador. Encarada como um apoio explícito e a bênção
do Vaticano ao regime ditatorial, esta visita oficial foi duramente criticada por vários setores católicos.
A Igreja Católica chilena respondeu,
esta segunda-feira, defendendo que o Vaticano sempre defendeu e apoiou
as vítimas da ditadura e que a correspondência agora revelada foi
enviada nos primeiros momentos da ditadura, quando ainda não era
possível aferir a real dimensão e extensão da repressão.
*cappacete
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