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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
quinta-feira, maio 02, 2013
Evo Morales expulsa USAID
El presidente Evo Morales anunció este miércoles la expulsión de Bolivia
de la Agencia Internacional de Desarrollo de Estados Unidos (Usaid, por
sus siglas en inglés) para "nacionalizar la dignidad del pueblo
boliviano". El anuncio se produjo durante las celebraciones del Día del
Trabajo, fecha en la que Morales ha venido anunciando la nacionalización
de diversas empresas de capital extranjero, entre ellas varias firmas
españolas.
Filho de Edir Macedo se assume gay e choca comunidade evangélica
Fonte: Lúcio Borges
O filho do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, Moyses Macedo, assumiu sua homossexualidade nas redes sociais na última segunda-feira, de acordo com o site O Fuxico Gospel.
O jovem mora em Manhattan, Nova York, onde leva uma vida modesta e sem qualquer problema quanto à orientação sexual. De acordo com vizinhos, não é novidade para ninguém que ele seja gay. Mesmo assim, a saída do armário de Moyses está sendo amplamente divulgada em sites gospel do Brasil.
Apesar de viver “escondido” por conta de sua rebeldia, o rapaz cresceu nos Estados Unidos e já esteve envolvido em algumas polêmicas absurdas, como uma suposta gravação onde se masturba, joga a Bíblia para o alto e aponta o dedo do meio para o público.
Até o momento, Edir Macedo não se pronunciou sobre o assunto.
Fonte http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=86708
*http://inlocco.com.br/arquivos/4700
Utopia do absurdo
do BourdoukanEste planeta tão belo
começa a ficar purulento
vítima de um sistema putrefato
que não mede conseqüências
para atingir seus objetivos.
Privilégios para alguns,
exclusão para todos.
Os bolsões de miséria
não obedecem a fronteiras.
Estão espalhados e se alastram
diariamente pelos quatro cantos.
Não há diferença entre os mundos,
sejam eles, terceiro, segundo ou primeiro.
Ocidente ou Oriente.
Exclusão e globalização.
As misérias desconhecem
Geografia e ignoram o Altíssimo.
Somos todos vítimas dos privilégios.
Anuncia-se a agonia do planeta.
Estaria nos estertores
aguardando, se nada for feito,
o disparo fatal.
E, com certeza, não serão os ecologistas a salvá-lo.
Aliás, muito podem fazer os ecologistas
se puderem salvar a humanidade.
Porque dela depende a salvação do planeta.
Salve-se a humanidade e o planeta será salvo.
Mas há aqueles que ainda
acreditam na fé e crêem
que ela remove montanhas.
O pão nosso de cada dia cada vez mais escasso.
É preciso libertar Deus da religião
e a humanidade de Deus!
Quem se habilita?
Salvar o planeta sem pensar
em salvar a humanidade,
eis a utopia do absurdo.
*GilsonSampaio
Lobão e Pastor Marco Feliciano: Casos de Psiquiatria
Os
mestrandos e doutorandos de Psiquiatria têm dois bons casos para suas
teses. O tal pastor deputado
Feliciano e o pseudocantor e compositor Lobão, que pensa que é a última
pelanca do cirurgião
plástico. Com toda certeza, são dementes, psicóticos
e sociopatas perigosos. Um bom psiquiatra poderia fazer o correto
diagnóstico e, o mais importante, indicar
o tratamento. O tal pastor Feliciano vai propor a “cura gay”.
Ele quer derrubar a determinação do Conselho Federal de Psicologia
(CFP) contra tratamentos pela cura da homossexualidade. O pseudocantor
Lobão escreveu um livro em que chama a presidenta Dilma de
“torturadora”, em capítulo cujo título é
"Vamos Assassinar a Presidenta da República?". São ou não duas pessoas
com sérios transtornos mentais? Além
de dementes, são ignorantes, escória.
Esse tal pastor Feliciano nunca ouviu
falar em orientação sexual? Não entra na cabeça dele
que cada ser humano tem o direito de escolher ser ou não homossexual?
Esse deputado Feliciano é louco, jamais deveria
estar no Congresso e muito menos ser presidente da Comissão de Direitos
Humanos
e Minorias (CDH) da Câmara dos Deputados, isso é uma vergonha para o
Congresso e
para o Brasil. Quanto ao Lobão, é possível que o exagero
de drogas tenha detonado os poucos neurônios do imbecil.
Jussara Seixas [Editora do Terra Brasilis - São Paulo]
*Saraiva
Marta é eleita melhor prefeita de SP em 30 anos
“Petista teve o melhor desempenho para um a
cada quatro paulistanos; gestão foi de 2001 a 2004 e ficou marcada por programas como
o Bilhete Único e como os CEUs (escolas com atividades extras em tempo
integral); os tucanos Mário Covas (1983 a 1985) e José Serra (2005 e 2006)
aparecem em segundo lugar; na avaliação dos piores administradores, 27%
apontaram Celso Pitta, eleito pelo extinto PPB, e na sequencia, Paulo Maluf (PP)
Em pesquisa realizada pelo Datafolha, a
petista Marta Suplicy foi eleita a melhor prefeita de São Paulo nos últimos 30
anos, por um a cada quatro moradores da cidade. A pesquisa ouviu 1.120
paulistanos na quinta e na sexta-feira da semana passada.
*Saraiva
Ruralistas e a existência do trabalho escravo no Brasil: a negação da verdade
Por João Marcelo Intini
Da Agência Repórter Brasil
Da Agência Repórter Brasil

Grupo de trabalhadores resgatado do corte de madeira para a produção de carvão vegetal, no Ceará (Foto: MTE)
No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão.
Castanheiro, seringueiro já viraram até peão afora
os que já morreram como ave-de-arribação. Zé de
Nata tá de prova, naquele lugar tem cova gente
enterrada no chão. (Vital Farias)
Há tempos que a música de Vital Farias
foi composta. Em 1982, o Brasil clamava pelo fim da ditadura militar, a
sociedade efervescia desejando a volta do regime democrático, movimentos
se organizavam em todos os locais. Um metalúrgico liderava o movimento
sindical, as lutas nas portas das fábricas ganhavam manchetes no mundo
todo. Um novo ciclo se abria na história do Brasil. A luta de classes
avançava e conquistava novos direitos sociais e trabalhistas.
O modelo de desenvolvimento econômico
acentuava a dependência do financiamento externo. Após duas crises do
petróleo, na década de 1970, o país estava à beira de um colapso
financeiro e precisava urgentemente de recursos para pagar a importação
de combustíveis. O Brasil foi salvo por um cheque do Fundo Monetário
Internacional. O presidente da República, general Figueiredo, cavalgava
ao lado de Ronald Reagan, exibindo os cavalos bem cuidados, às vistas de
uma população sufocada pela ausência de tudo.
Passados 30 anos, uma nova geração de
brasileiros emerge e se depara com um país de oportunidades, pujante na
sua economia, diverso na sua culturalidade, sexta economia mundial,
provando um ciclo longevo de vivencia democrática, ainda que continuemos
a combater mazelas e diferenças sociais abissais.
Mas essa introdução poderia indicar que
viramos a página de um período de exceção, de violência, de truculência,
para um ciclo de inovação social, de reorganização do Estado
brasileiro, de novos valores culturais e sociais. Um metalúrgico acabara
de encerrar um período de oito anos à frente da Presidência da
República e pela primeira vez na história uma mulher era conduzida ao
posto máximo.
Muitos setores da sociedade brasileira
se reinventaram, abriram canais de conexão com o mundo, interagiram na
tecnologia, na comunicação, na economia que se “planetarizou”
rapidamente. Temos outra sociedade, em relação a 1982. Estamos por
erradicar a pobreza extrema, caminhamos a pleno emprego, o salário
mínimo contribui para a distribuição de riqueza e da mudança das classes
sociais. Não temos mais a “pirâmide social”, que foi substituída por um
“losango” de milhões de brasileiros ingressantes na classe média.
Concentração
Mas uma contradição grotesca persiste: a
alta concentração de terra no Brasil. Uma das maiores do mundo: 93% das
propriedades ocupam apenas 17% da área rural e 1,6 % das propriedades
ocupa 52% das áreas. Se o empresariado industrial e urbano se
modernizou, os empregadores rurais permanecem sentados ao lado do
presidente Figueiredo, clamando pela proteção de suas famílias,
propriedades e tradições, absolutamente inspiradas nas oligarquias
rurais.
Parece que o tempo não passou para alguns.
As conquistas trabalhistas efetivadas na
Constituição de 1988, os tratados internacionais que o Brasil
ratificou, as inovações nas leis trabalhistas e o fortalecimento das
organizações sindicais dos trabalhadores parecem não ter sido
incorporadas na identidade política desse segmento rural. Acontece que, à
luz do sistema eleitoral brasileiro, que concentra o poder econômico e
político, esses empregadores rurais conservadores garantem sua
representação política no Congresso Nacional, através do que comumente
denominamos de bancada ruralista.
Estabelece-se a ligação ideológica dos
herdeiros das oligarquias rurais com os parlamentares ruralistas,
aproximando a dominação política e territorial, histórica e patriarcal,
com o plenário da Câmara dos Deputados. Organizados na Frente
Parlamentar da Agropecuária, defendem os seus direitos de propriedade e
avançam sobre os direitos alheios, principalmente dos indígenas,
quilombolas e trabalhadores assalariados, como se nada bastasse para
saciar o desejo por riquezas e exploração inescrupulosa dos recursos
naturais. É o jogo do vale tudo no rural, orgulhosamente sustentado nos
resultados da balança comercial brasileira, ancorado na primariedade dos
produtos, na soja transgênica, na exploração do solo brasileiro.
E as mudanças na sociedade brasileira, passam incólumes? O que pensam os ruralistas sobre este novo Brasil?
Estabelece-se a
ligação ideológica dos herdeiros das oligarquias rurais com os
parlamentares ruralistas, aproximando a dominação política e
territorial, histórica e patriarcal, com o plenário da Câmara dos
Deputados
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O deputado Nelson Marquezelli, do PTB
paulista, disse o seguinte durante uma audiência pública na Comissão
Parlamentar de Inquérito do Trabalho Escravo1:
“É um enfrentamento que nós vamos ter,
porque uma pessoa que tem uma cor mais queimada que a outra garante uma
vaga na universidade. Já começa por aí, não é mais pela seleção de
inteligência, dedicação do cara que passa horas e horas debruçado em
cima de um livro. Não, basta ele ter uma corrente de uma pele mais
escura. E há até uma disputa: já tem muita gente que queria ser branco,
agora tem muita gente que quer ser mais do outro lado para poder receber
um dom melhor na sociedade brasileira.”(Audiência pública realizada no dia 16/5/2012, na Câmara dos Deputados)
Casa Grande
Não se trata de miopia social, mas da defesa inconteste dos seus princípios, pela sua percepção da defesa do seu espaço social e territorial. A sociedade que emerge não cabe no horizonte ruralista, pois implica em convivência, em distribuição e democratização de direitos. A Casa Grande persiste, embora agora tenha internet e luz elétrica. Na Casa Grande do período colonial da história do Brasil habitavam o poder econômico e o poder político e lá se organizavam as atividades de caráter público, as atividades de trabalho e até mesmo as religiosas. O senhor do engenho era o senhor absoluto.
As práticas de clientelismo, o favor
como instrumento da relação de desigualdade, geradora da dependência
entre homens e mulheres livres, porém pobres, consolidou as práticas
sociais da época passada2.
O florescimento do coronelismo já no
período republicano da nossa história amplia a Casa Grande para além da
propriedade rural, agora dominando municípios rurais, circunscrevendo o
espaço público aos interesses dos coronéis. A incursão do poder privado
sobre o domínio político e do espaço público se consolida3.

Fazenda Sonho Meu, onde trabalhadores estavam alojados em barraco de palha, em Rondônia. (Foto: MPT)
Ao final do século XIX, favorecidos pela
presença precária do poder federal nos municípios do interior, os
coronéis eram a única instituição viável de poder e sua ascendência
derivava, naturalmente, de sua condição de proprietário rural4. É
fato que o coronelismo perdeu parte de sua importância política no
final da década de 1970, até porque o Estado interventor agia através
das práticas autoritárias, centralizadoras e de manutenção do
clientelismo.
Voltando ao ideário ruralista, nos
parece confirmada a sensação de que o país e a sociedade não se
modificaram ao longo de todas essas décadas. O deputado federal Asdrubal
Bentes, do PMDB paraense, parece desejar viver na Antiguidade, à luz da
lamparina, em vez de celebrar as melhorias de infraestrutura do país.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, disse: “Nasci e me criei
às margens do rio Madeira, um rio caudaloso, mas com água extremamente
barrenta, e me criei tomando água do rio Madeira. E, para se tomar água,
tinha que coar e ficava quatro dedos de barro no coador. Estou vivo”. (Audiência pública realizada no dia 16/5/2012, na Câmara dos Deputados)
Contradição
No século XXI, a sociedade busca se organizar para conquistar políticas públicas emancipatórias, de superação das desigualdades sociais, raciais, étnicas e de gênero. Não cabe a reprodução do clientelismo, do patrimonialismo, do favor como instrumento de manutenção das relações de dominação. Não há espaço para a continuidade da existência das práticas de dominação e de exploração da mão de obra no Brasil contemporâneo. No limite do descumprimento das normas trabalhistas ou do respeito à dignidade humano, não há justificativa para a ocorrência de trabalho escravo no Brasil.
Não cabe a reprodução do clientelismo, do patrimonialismo, do favor como instrumento de manutenção das relações de dominação
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Segundo o Ministério do Trabalho e do
Emprego, de 1995 a 2012, 44 mil trabalhadores foram resgatados de
condições análogas à de trabalho escravo, predominantemente no meio
rural e nas propriedades localizadas na Amazônia Legal. Nas atividades
de pecuária, carvoaria, silvicultura, canavieira e madeireira, residem a
maioria das ocorrências de trabalho escravo nas propriedades rurais.
Esta é a contradição para a qual chamamos a atenção: no Brasil rural
contemporâneo, a convivência das práticas análogas às de trabalho
escravo lado a lado com o que se conhece de mais tecnológico, avançado,
moderno.
A Superintendência Regional de Trabalho e
Emprego do Tocantins (SRTE/TO) libertou 56 pessoas de condições
análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO). A
área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão
vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética. De acordo com
apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de
um “laranja”, a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva
Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu
(PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação de
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O trabalho escravo existe, é inegável e
se configura como uma aberração nas sociedades modernas. Ao menos um
ruralista admite sua existência. O deputado federal Giovanni Queiroz, do
PDT paraense, confirma a ocorrência de escravagistas dentre os
fazendeiros, conforme afirmou no diálogo com uma das convidadas: “Eu
posso dizer à senhora e afirmar que tem escravagista, sim, no nosso
meio. Nós os abominamos e não aliviamos para nenhum deles, mas é muito
menos do que na cidade”.(Audiência pública realizada no dia 27/6/2012, na Câmara dos Deputados)
Negação
Por fim, confirmada a prática
escravagista em pleno século XXI, a bancada ruralista segue negando sua
ocorrência e responsabilizando os fiscais do Ministério do Trabalho e
Emprego por exageros e arbitrariedade. É a desconstrução da ideia de
dominação social e da exploração da mão de obra, Agora, a
responsabilidade é do marco legal trabalhista. Como se o Brasil não
tivesse evoluído na sua conduta republicana, estatal e no seu regime
democrático. O deputado Valdir Colatto, do PMDB paranaense, deve crer
que o fiscal do trabalho está dotado de poder supremo, pois acredita que
“com certeza a ditadura da fiscalização está inviabilizando o Brasil”. (Audiência pública realizada no dia 27/6/2012, na Câmara dos Deputados)
Afora a notável capacidade de reinventar
os argumentos para negar a existência do trabalho escravo, os deputados
que compõem a bancada ruralista conseguiram, na CPI do Trabalho
Escravo, inviabilizar os procedimentos de investigação das cadeias
produtivas que empregam trabalhadores em condições análogas às de
escravo. Eles distorcem os fatos e insistem na tese da inadequação das
leis trabalhistas, além de desprezarem a necessidade de os trabalhadores
disporem de condições de alojamento adequadas e outras condições dignas
para exercerem o trabalho.
De modo geral, os trabalhadores
brasileiros conquistaram direitos no que concerne à proteção no
trabalho, à qualidade dos alojamentos e refeitórios, vestuários, jornada
de trabalho, transporte e direitos. Tudo isso é festejado pelo conjunto
das organizações sindicais de trabalhadores. Mas os ruralistas avaliam
essas condições como exageradas e desnecessárias.
O deputado Homero Pereira, do PSD
mato-grossense, líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, expressa
sua opinião sobre esse aspecto, provavelmente desejando que os
trabalhadores e os animais não sejam distinguidos na sua existência: “O
cidadão não pode mais almoçar, pegar o seu prato e comer debaixo de uma
mangueira, porque se chegar lá um fiscal…Ele pode até estar com o dono
da propriedade; chegou o fiscal lá e já vai dizer que aquilo é trabalho
escravo, porque ele tem que ter um refeitório com azulejo, com
ar-condicionado. Isso é um absurdo”. (Audiência pública realizada no dia 28/3/2012, na Câmara dos Deputados)
Confirmada a
prática escravagista em pleno século XXI, a bancada ruralista
segue negando sua ocorrência e responsabilizando os fiscais do
Ministério do Trabalho e Emprego por exageros e arbitrariedade
|
O discurso da modernidade, da pujança do
agronegócio que emerge rompendo as fronteiras agrícolas não se articula
com o fato de haver empregadores escravagistas, que negam a existência
da exploração do trabalhador e da privação de seus direitos.
Encerrando este breve ensaio sobre a
conduta dos ruralistas e sua representação na Câmara dos Deputados,
apenas confirmamos a roupagem atual da Casa Grande, travestida na
modernidade, na tecnologia e no comportamento difuso da democracia
representativa.
A CPI do Trabalho Escravo prestou o
serviço público de evidenciar e notabilizar o conservadorismo ideológico
dos ruralistas, a truculência na lida com os trabalhadores, o
preconceito enraizado desde os senhores de engenho, mutantes históricos,
que se apresentam como líderes de uma classe dominante retrógrada.
Apesar de a disputa ideológica travada
no sistema capitalista não ser exatamente uma novidade, chama a atenção a
negação da verdade, ainda mais por representantes da população que
deveriam honrar seus mandatos públicos e se somar aos esforços de
combate às desigualdades existentes no Brasil.
* Assessor-técnico da liderança do PT na Câmara dos Deputados
__________________
1 A CPI do Trabalho Escravo foi instalada em 9/02/2012, com o
objetivo de investigar a exploração do trabalho escravo ou análogo ao
trabalho escravo, em atividades rurais e urbanas, em todo o território
nacional.
2 SCHARWZ, R. Ao vencedor, as batatas. São Paulo: Duas Cidades, 1992.
3 WEFFORT, F. O populismo na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
4 JANOTTI, M. de L. M. O Coronelismo, uma política de compromissos. São Paulo: Brasiliense, 1989.
2 SCHARWZ, R. Ao vencedor, as batatas. São Paulo: Duas Cidades, 1992.
3 WEFFORT, F. O populismo na política brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
4 JANOTTI, M. de L. M. O Coronelismo, uma política de compromissos. São Paulo: Brasiliense, 1989.
do Blog do MST
*cutucandodeleve
Sobre a tal PEC
A Proposta de Emenda à Constituição número 33 foi
elaborada em 2011, pelos deputados Nazareno Fonteles (PT-PI) e João Campos
(PSDB-GO). Resumo: “Altera a quantidade mínima de votos de membros de tribunais
para declaração de inconstitucionalidade de leis; condiciona o efeito
vinculante de súmulas aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal à aprovação pelo
Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a
inconstitucionalidade de Emendas à Constituição”.
É mentira, portanto, a) que a PEC nasce de uma
iniciativa exclusivamente petista, b) em resposta ao julgamento do chamado
“mensalão”, c) visando limitar os poderes do STF. A data e a relatoria do
projeto explicitam os dois primeiros pontos. Quanto ao terceiro, basta ler o texto para se entender que não há qualquer prerrogativa da corte sob ameaça. Ele
apenas aumenta o quórum necessário para as graves decisões em pauta, devolvendo
ao Poder Legislativo a função de... legislar. Permitindo que o dissenso
eventual seja sanado através da participação da sociedade.
Mas por que tamanha gritaria acerca de um pedaço
de papel que pretende reiterar o óbvio? Para fortalecer o STF, acuando o
Congresso, que no final de todas as contas é a única instituição federativa,
externa ao próprio Judiciário, capaz de confrontá-lo. Nada tem muito a ver com
o teor da PEC em si. Trata-se de uma chance oportuna (às vésperas dos recursos
dos condenados políticos do STF) para solidificar os arremedos de
representatividade necessários à tribunocracia instaurada.
Pois, como sabemos, ninguém elegeu os ministros
que passaram a mandar no país.
*GuilhermeScalzilli
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