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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, agosto 20, 2013

Ruy Barbosa sobre o julgamento dos recursos da AP 470

Vocês rapidamente perceberão que o texto abaixo, pelo brilhantismo e o “domínio do fato”, não é meu. Pois, do direito, no muito, tenho um senso de justiça, sei discernir o certo do errado, procuro andar em linha reta e não escrever por elas tortas. Isso, só Deus.
O brilhante autor do texto entre aspas é um sábio inquestionável, uma águia do direito brasileiro.
Coletei suas opiniões e pensamentos em livro adquirido em leilão, edição de 1917, sobre a “Questão Minas Werneck”, por ele defendida no Supremo Tribunal Federal, nas “Appelações de sentenças arbitraes”.
Em seus belos escritos, encontrei inspiração e grandes semelhanças com os impasses e mesmo as acaloradas discussões entre pares  – os ministros -  no julgamento dos recursos da AP 470, que acontece no momento no STF.
Como testemunhamos, na última sessão, quando o juiz Lewandowsky, pretendendo estudar um recurso e, talvez,  reconsiderar um voto, o juiz Barbosa interpôs-se a ele, por considerar aquela causa decidida.
A atitude do presidente da Corte inspirou a quem assistia serem, aquelas sessões de recurso, meras formalidades, para confirmar as primeiras sentenças.
Vamos ver o que diz o douto sábio dos sábios do Direito brasileiro. Vamos ver o que pensaria sobre o embate o notável Ruy Barbosa, a Águia de Haia!
Escutemos o GRANDE RUY:
“Apanhar-se em contradição, o sujeito que tem a coragem infame de variar de opinião, é o prazer dos prazeres. Se os deuses houvessem reservado como privilégio divino essa faculdade, cada consumidor brasileiro de papel seria um Prometeu absorto em escalar as nuvens, não à procura do céu, mas em busca da prenda celeste de escarafunchar  divergências de ontem para o hoje nas opiniões alheias. Quando se topa, nas letras remexidas, com um desses achados preciosos, é dia de festa, ilumina-se a casa, leva à boca o megafone e se anuncia ao longe que o adversário está esmagado.
Não há entretanto inutilidade mais inútil. Os homens de siso e consciência riem destas malícias. Só a ignorância ou a imbecilidade não se contradizem; porque não são capazes de pensar.
Só a vulgaridade e a esterilidade não variam; porque são a eterna repetição de si mesmas. Só os sábios baratos e os néscios caros podem ter o curso das suas ideias igual e uniforme como os livros de uma casa de comércio; porque nunca escreveram nada seu, nem conceberam nada novo.
A sinceridade, a razão, o trabalho, o saber não cessam de mudar: não há outra maneira humana de acertar e produzir. Varia a fé; varia a ciência; varia a lei; varia a justiça; varia a moral; varia a própria verdade; varia nos seus aspectos a criação mesma; tudo, salvo a intuição de Deus e a noção dos seus divinos mandamentos, tudo varia. Só não variam o obcecado, ou o fóssil, o ignorante ou o néscio, o maníaco ou o presunçoso.
Pode ser que no miolo de um compilador caiba inteiro o imenso universo jurídico, petrificado, imutabilizado e catalogado nas suas regras,  nas suas hipóteses e nos seus resultados. Tirante, porém, essas cabeças privilegiadas, tudo no direito é mudar constantemente; porque o direito resulta da evolução, e a envolver consiste no variar.
Há os grandes princípios, que formam a estrutura permanente desse mundo; mas, na vasta atmosfera de ideias que o envolve, nas grande correntes dos sistemas, que o sulcam, nos maravilhosos fenômenos criadores, que o animam, em todas as organizações que o povoam, em todos os resultados que o enriquecem, tudo se transmuta e renova e transforma dia a dia.
De dia em dia esses grandes princípios envolvem, progridem e cambiam, na interpretação, aplicação e reprodução, que lhes constituem a vida real.  Não há decretos, que se não revoguem, nem decisões, que se não alterem, nem sentenças, que se não reformem, nem arestos, que se não cancelem, ou doutrinas, que não passem, lições, que não desmereçam, axiomas, que não caduquem.
Os textos, os códigos, as constituições, guardado o mesmo rosto e a mesma linguagem, na sua inteligência e ação continuamente se vão modificando: significam hoje o contrário do que ontem significavam; amanhã exprimirão coisa diversa da que hoje estão exprimindo;  e, neste contínuo acomodar-se às exigências das gerações sucessivas, tomam, sucessivamente, a cor das épocas, das escolas, dos homens, que os entendem, comentam ou executam.
De sorte que, na tribuna do legislador, na cadeira do lente, na banca do causídico, no pretório do juiz, a palavra, as mais das vezes, não faz senão registrar as mutações e alternativas, em que direis consistir a essência mesma de nosso pensamento e atividade.
Assim que, debaixo do céu, tudo obedece a essa eterna lei de transmutação incessante das coisas. Se  nihil sole novum, também poderíamos dizer que nihil sub sole constans. Se todo o mundo se compõe de contradições , dessas contradições é que resulta a harmonia do mundo.  Se das variações pode emanar o erro, sem as variações o erro não se corrige.  A boa filosofia é a de Joubert, quando nos aconselha que, se por amor da verdade, houvermos de cair em contradições, não vacilemos em nos expor a elas de corpo e alma. Se “a razão nunca está em contradição consigo mesma, quando segue as suas leis”, como dizia o honesto Julio Simon, a única espécie de contradição, de que o espírito terá receio, é a de se empedernir no erro, quando enxerga a verdade.
O homem não está em contradição consigo mesmo, senão quando o está com a sua natureza moral, que o ensina a considerar-se desonrado, quando atina com a verdade, e se obceca no erro. É assim que o nosso próprio organismo vive,mudando toda a hora, sem mudar nunca; porque da sua identidade realmente não muda, senão quando, quebradas as suas leis orgânicas pela doença ou pela morte, deixa de eliminar o que deve eliminar, e absorver o que lhe convém absorver.
Mas, se neste ir e vir contínuo e nesse incessante mudar giram todos os viventes, como todas as coisas, não haverá, talvez, nenhum domínio da vida, em que tanto suba de ponto a instabilidade, quanto nessas incomensuráveis regiões onde impera o direito, nas circunstâncias que o realizam, nos elementos que o definem, nas fórmulas que o regem, nas interpretações que o esclarecem, nas soluções que o aplicam. Por isto, não muda somente a jurisprudência nacional, com o variar dos tribunais, não muda só a de cada tribunal com a mudança de seus membros, senão também a de cada juiz, muitas vezes, na mesma causa, de um a outro julgamento, e não raras com toda a razão; pois justamente para isso é que a lei nos assegura, não só as apelações, de uma a outra instância, mas os embargos, decididos  pelo mesmo magistrado, a cuja sentença as opomos.
Pois, se a toga do magistrado não se deslustra, retratando-se dos seus despachos e sentenças, antes se relustra, desdizendo-se do sentenciado ou resolvido, quando se lhe antolha claro o engano, em que laborava, ou a injustiça, que cometeu, não compreendemos que caiba no senso comum dar em rosto a um jurista, ou a um advogado com o repúdio de uma opinião outrora abraçada.
E, se, como no caso, essa opinião era, não uma tese consagrada, mas uma novidade ainda imatura, se nem se sustentara com a tese do pleito, nem constituía argumento essencial numa demonstração, mas apenas a auxiliava, e lhe era acessória, óbvio parece que a ‘semrazão’ dobra e tresdobra em estranheza”.
Petrópolis, fevereiro de 1917
RUY BARBOSA
Ainda o RUY:
“O bom senso humano, em todos os tempos, tem reconhecido não ser lícito abandonar a sorte da lei comum e dos direitos por ela assegurados às contingências do julgamento por um só tribunal. Daí a concepção das instâncias, dos recursos e, especialmente, das apelações, destinadas a corrigirem, mediante segundo exame do caso em cada lide, os vícios, omissões e nulidades do processo, os erros, abusos e injustiças da sentença.
 ”Apellandi usus quam sit frequens quamque necessarius,nemo est qui nesciat, quippe cúm iniquitatem judicantium vel imperitiam recorrigat.” (Fr. I D. de appellationibus, XLII I.)
Ninguém há, que não saiba, diz o fragmento do texto de Ulpiano incorporado neste lance das Pandecas, “ninguém há, que não saiba quão frequente e quão necessário é o uso de apelar, remédio que se criou para corrigir a iniquidade e reparar a perícia dos julgadores”.
Desta noção de justiça rudimentar só discrepou a grande matriz do nosso direito civil e do nosso direito judiciário, a jurisprudência romana, em outras épocas tenebrosas como as de Calígula, que vedou as apelações, e Nero, que as impediu (…)”.
Petrópolis, fevereiro de 1917
RUY BARBOSA
*A jornalista, para tornar a leitura acessível a todos, atualizou alguns termos para a linguagem mais corrente, como, por exemplo, trocar “empeceu” por “impediu”.
Hildegard Angel
*comtextolivre

Humor: o vídeo que o ogro Feliciano não gostou (heheheheheh)

GilsonSampaio
O ogro Feliciano não gostou, é verdade. Quer prioibir o vídeo.
Fundamentalismo religioso, pode.
Crítica ao fundamentalismo religioso, não.

*GilsonSampaio

Alckmin tem que cobrar até R$ 444 milhões de imposto na herança de Civita. Vai 'esquecer'?  

 



Disparou o alarme de alerta no bolso do cidadão paulista, quando saiu a notícia no mês passado de que os herdeiros do falecido barão da mídia Roberto Civita, dono da editora Abril e da revista Veja, pediram segredo de Justiça no inventário.

Espera-se que o judiciário recuse o sigilo, pois o povo tem direito de saber a parte que lhe cabe na forma de impostos devidos por todo cidadão honesto e decente.

A preocupação é porque o governo de São Paulo tem que cobrar o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens e Direitos (ITCMD). E este imposto costuma ser "esquecido" de cobrar por governadores "amigos" de magnatas, até que corra o tempo de prescrição.

Os tucanos preferem tributar os pobres como se fossem ricos e os ricos como se fossem pobres.
Este imposto, em São Paulo, tem uma alíquota fixa de 4% sobre heranças acima de R$ 48.425,00. Alguns estados adotam uma tabela progressiva, mais justa, que vai de zero para pequenas heranças até 8% para as grandes heranças (nos Estados Unidos, os Civita pagariam de imposto 40% sobre a herança).

Se sua família herdar uma casa de R$ 50 mil, no estado de São Paulo, já terá que pagar os 4% deste imposto para ter direito à herança.

Os herdeiros de Roberto Civita também são obrigados a pagar 4%, o que pode atingir o valor de R$ 444 milhões só de impostos para os cofres públicos paulistas, com base na avaliação da revista Forbes, em março de 2013. Segundo a revista, Roberto Civita e família tinham US$ 4,9 bilhões, equivalente a cerca de R$ 11,1 bilhões. Se essa fortuna toda estiver no nome de Roberto Civita, o ITCMD que o governador Geraldo Alckmin terá que cobrar será os R$ 444 milhões.

Precedente da Globo e do propinão exige atuação preventiva do Ministério Público de São Paulo
A preocupação com esta história de segredo de justiça procede, diante do recente episódio do escândalo da sonegação fiscal da Rede Globo na compra de direitos de transmissão da Copa de 2002 da FIFA através de operações em paraísos fiscais. O valor cobrado pela Receita Federal alcançou o valor de R$ 615 milhões. Estava tudo em segredo, e uma funcionária da Receita foi condenada à prisão por dar sumiço neste processo milionário.

Por isso, o Ministério Público de São Paulo precisa acompanhar este processo de inventário, para não deixar o governador Geraldo Alckmin "esquecer" de cobrar da família amiga do governador esse dinheiro público. 

Afinal o governador tucano se "esqueceu" (com ironia, por favor) de apurar o propinão tucano no Metrô desde 2008, pelo menos.
*Ajusticeiradeesquerda

O PRESIDENTE DA CBF TAMBÉM SURRUPIOU OBRAS DE ARTE?


 


É o que o Juca Kfouri insinua (vide aqui). Dizendo não conhecer o apartamento de José Maria Marin, o jornalista afirma haver escutado "dos que já tiveram a honra de lá estar que seus quadros são dignos de decorar as paredes de palácios".

E, com fina ironia, arremata:
"Como, por exemplo, o dos Bandeirantes".
Ou seja, Kfouri sugere que Marin também teria levado  souvenirs  de sua passagem pela sede do Executivo paulista, entre maio/1982 e março/1983, quando substituiu o licenciado governador biônico (*) Paulo Maluf, do qual era vice. 

Se non è vero, è ben trovato. Afinal, continua vivo na nossa memória aquele patético episódio de 2012, quando, disfarçadamente, Marin embolsou a medalha que deveria entregar a um jogador do Corinthians, durante a cerimônia de premiação dos campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior. 

Não foi, contudo, tão sorrateiro a ponto de passar despercebido para um atento câmera da TV Bandeirantes, que flagrou o furto. 



Daquela vez, a cleptomania marinesca acabou sendo exibida em rede nacional de TV. 

E agora, estaria escancarada nas paredes do seu luxuoso apê --aquele cujo elevado consumo de energia elétrica foi, segundo outra denúncia de Kfouri, pago durante muito tempo pelo vizinho, pois o distraído Marin teria esquecido de desmembrar as contas, ao alugar-lhe o apartamento ao lado.
*naufrago da utopia

O DIA EM QUE WAGNER MOURA HUMILHOU A VEJA


DIA EM QUE WAGNER MOURA HUMILHOU A VEJA Revista Vaidapé - 19/08/2013
Sem papas na língua, ator revela que não concede entrevistas à revista por considerá-la conservadora, reacionária e de extrema-direita.
Por Luis Soares, no Pragmatismo Político [22/09/2011 - mas continua atual]

Os acontecimentos recentes que despertaram as inúmeras falcatruas da Revista Veja, e, consequentemente, empurram a publicação para um poço sem fim, com crescente perda de credibilidade, nos remetem à entrevista que o ator global Wagner Moura concedeu à Caros Amigos.

A entrevista é atemporal pela atualidade do conteúdo, e sobreviverá enquanto a Veja não desistir de tratar o leitor com a irresponsabilidade característica dos semeadores de dissimulações.

As palavras de Wagner Moura são irretocáveis, confira:

A linha editorial da revista Veja, uma revista de extrema direita brasileira. Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’ “. Eu me lembro claramente da revista Veja elogiando Tropa de Elite pelos motivos mais equivocados do mundo. E semana sim, semana não está sacaneando colega nosso: Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini, de uma forma escrota, arrogante, violenta. Outro motivo é que na revista Veja escreve Diogo Mainardi! Eu não posso compactuar com uma revista dessas, entendeu? Conservadora, elitista. Então, não falo com a revista Veja, assim como não falo para a revista Caras. Agora, a mídia é um negócio complexo, importante. 

*Saraiva

A via uruguaia poderia servir de inspiração na América Latina




A via uruguaia poderia servir de inspiração na América Latina



A experiência de José Mujica no poder poderia servir de inspiração a outros governos de viés progressista na região (Daniel Caselli / AFP)

por Vladimir Safatle/Carta Capital
Os países latino-americanos que assumiram uma via à esquerda confrontam-se atualmente com a necessidade de reinventar seus caminhos. Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Brasil e Peru passam, cada um à sua maneira, por desafios oriundos de seus modelos de governo.
Argentina, Brasil e Venezuela são sacudidos por manifestações que pedem mudanças nos governos, mesmo que, no caso brasileiro, a base dos manifestantes não seja a mesma encontrada na Argentina e Venezuela. Em larga medida, temos no nosso país uma insatisfação com a timidez das políticas sociais e reformistas do governo, o que não é o caso em nossos vizinhos, assombrados com um descontentamento alimentado, em grande parte, de setores conservadores da vida social. Equador e Bolívia, por sua vez, ainda estão em um processo de reinvenção de suas instituições. Isso os torna, muitas vezes, dependentes de figuras carismáticas incumbidas de levar a cabo o processo de transformação política e refundação do país. O Peru, de Olanta Humala, ainda é uma incógnita nesse processo.
Em todo esse cenário, um país se destaca, no entanto, de maneira inesperada e impressionante. Trata-se do Uruguai. Há tempos a pequena nação ganha evidência na mídia latino-americana e mundial graças à sua corajosa política de modernização social que a colocou na vanguarda em temas essenciais: aborto, casamento homossexual, entre outros. Agora, vemos os uruguaios prestes a inaugurar uma prática inovadora no que diz respeito à política relativa a drogas, por meio da estatização da produção e do controle do consumo de maconha.
A capacidade dos uruguaios em assumir riscos e procurar inventar novas respostas para velhos problemas é louvável. Mesmo que sua política relativa a drogas possa produzir novos problemas, é certo que as práticas de combate e criminalização usadas compulsivamente no resto do mundo demonstraram-se radicalmente ineficazes e contraprodutivas. Chegou a hora de procurar alternativas e, neste ponto, os uruguaios têm algo a nos ensinar.
No que diz respeito a uma política de esquerda, há de se admirar a via uruguaia. Ela baseia-se na ampliação da pauta das questões políticas e na incorporação, sem medo, das demandas sociais de modernização de costumes. Algo completamente diferente do que tem acontecido no Brasil, onde a escolha foi pela tentativa de empurrar paulatinamente pequenas mudanças, na esperança de que elas acabem assimiladas aos poucos pela sociedade. Nesse ritmo, talvez, daqui há 15 anos conseguiremos discutir francamente questões que os uruguaios já terão resolvidos.
Outro ponto que chama a atenção da experiência uruguaia é seu presidente. Contrariamente a certa tendência bonapartista que, vez por outra, precisamos lidar no campo das esquerdas, eles optaram por colocar à frente do processo político uma espécie de antilíder, cujo carisma vem exatamente de seu desconforto aberto em relação aos ritos do poder. Alguém que parece a todo momento dizer não se enxergar como um presidente e que se recusa a abandonar sua vida espartana, seu sítio modesto e seus hábitos e roupas comuns. 
No fundo, ele acaba por encarnar uma ideia fundamental da democracia, a saber, a defesa de que qualquer um deve ocupar o lugar central do poder, pois ninguém pode simplesmente encarná-lo. Ou seja, o mais indicado a ocupá-lo é exatamente aquele que tem as qualidades de “qualquer um”, não no sentido de ser alguém sem valor, mas no sentido de ser alguém sem desejo de encarnação. Alguém que tem a liberalidade de deixar o lugar do poder vazio e, por isso, encontra uma força inaudita por meio exatamente da expressão de seu franco desprendimento.
Trata-se de uma lição política merecedora de nossa admiração, a saber, a compreensão de que o melhor líder é aquele que sistematicamente recusa-se a se ver como tal. Não deixa de ser irônico perceber que exatamente esse tipo de ator político permitiu ao país ir em direção a lugares que os outros não foram sequer capazes de imaginar.
Assim, no momento em que a esquerda latino-americana precisa reinventar sua política e sua pauta, em que setores da esquerda afundaram-se na fascinação pelas benesses materiais do poder, o Uruguai parece encarnar experiências que merecem nossa lembrança.

Condenados sem prova, o "mensalão" cada vez mais "Mentirão":




Condenados sem prova, o "mensalão" cada vez mais "Mentirão": alguns detalhes da farsa jurídica e midiática do STF contra José Dirceu e o PT e o silêncio sobre a privataria tucana e a compra de votos em 1997 para a reeleição de FHC



*opensadordaaldeia

ESPIONAGEM GLOBAL: LEMBRANDO JEAN CHARLES



Amarildo.
................
Entreouvido à margem do Tâmisa: "É explícita, sim, a vassalagem do Reino Unido frente a Tio Sam, mas com um singular diferencial: a nossa é marcada por um refinado toque de nobreza!".

*Dodómacedo

segunda-feira, agosto 19, 2013

La estrella de Pink Floyd llama a su "familia del 'rock and roll'" a boicotear a Israel.


do antiimperialista






La estrella de Pink Floyd llama a su "familia del 'rock and roll'" a boicotear a Israel.

Publicado: 19 ago 2013 
Corbis

La estrella de Pink Floyd, Roger Waters, ha publicado una esperada carta en la que insta a sus compañeros musicales a boicotear a Israel.

En la misiva, Waters explica que ya lleva siete años formando parte de la campaña Boicot, Desinversión y Sanciones (BDS, por sus siglas en inglés) contra el sistema israelí de ocupación, colonización y 'apartheid'. Asimismo, el músico británico señala también que ha estado reflexionando acerca de la publicación de esta carta durante los últimos meses, recoge el portal The Electronic Intifada. 

Waters condena en ella las violaciones de derechos humanos israelíes y nombra algunas de las razones por las que, en su opinión, se debe boicotear a Israel.

"Dada la incapacidad o falta de voluntad de nuestros Gobiernos, corresponde a la sociedad civil y a los ciudadanos conscientes del mundo limpiar nuestras conciencias, asumir nuestras responsabilidades y actuar", afirma el fundador y bajista del conocido grupo Pink Floyd.

Me dirijo a ustedes, hermanos y hermanas de la familia del 'rock and roll', para pedirles que se unan para declarar un boicot cultural a Israel

"Me dirijo a ustedes ahora, hermanos y hermanas de la familia del 'rock and roll', para pedirles que se unan a mí y a miles de otros artistas de todo el mundo para declarar un boicot cultural a Israel", apunta el compositor.

En la publicación, proclama su rechazo al "'apartheid' en Israel y la Palestina ocupada", y pide que los artistas se nieguen a actuar en Israel o aceptar premios o financiamiento de cualquier institución vinculada al Gobierno israelí hasta que Tel Aviv cumpla con el derecho internacional y los principios universales de los derechos humanos.

Waters ya reveló el pasado mes de marzo en una entrevista exclusiva con dicho sitio web que estaba redactando una carta para llamar al boicot. Sin embargo, no se ha publicado hasta esta semana. En diciembre de 2012, Stevie Wonder canceló un concierto que tenía programado ofrecer en la cena de gala de las Fuerzas Armadas israelíes tras recibir una carta de Waters. Además, recientemente la estrella de Pink Floyd pidió a la cantante Alicia Keys anular su actuación del 4 de julio en Tel Aviv. No obstante, a pesar del llamado, el concierto se celebró.
La estrella de Pink Floyd llama a su "familia del 'rock and roll'" a boicotear a Israel.
Publicado: 19 ago 2013
Corbis

La estrella de Pink Floyd, Roger Waters, ha publicado una esperada carta en la que insta a sus compañeros musicales a boicotear a Israel.

En la misiva, Waters explica que ya lleva siete años formando parte de la campaña Boicot, Desinversión y Sanciones (BDS, por sus siglas en inglés) contra el sistema israelí de ocupación, colonización y 'apartheid'. Asimismo, el músico británico señala también que ha estado reflexionando acerca de la publicación de esta carta durante los últimos meses, recoge el portal The Electronic Intifada.

Waters condena en ella las violaciones de derechos humanos israelíes y nombra algunas de las razones por las que, en su opinión, se debe boicotear a Israel.

"Dada la incapacidad o falta de voluntad de nuestros Gobiernos, corresponde a la sociedad civil y a los ciudadanos conscientes del mundo limpiar nuestras conciencias, asumir nuestras responsabilidades y actuar", afirma el fundador y bajista del conocido grupo Pink Floyd.

Me dirijo a ustedes, hermanos y hermanas de la familia del 'rock and roll', para pedirles que se unan para declarar un boicot cultural a Israel

"Me dirijo a ustedes ahora, hermanos y hermanas de la familia del 'rock and roll', para pedirles que se unan a mí y a miles de otros artistas de todo el mundo para declarar un boicot cultural a Israel", apunta el compositor.

En la publicación, proclama su rechazo al "'apartheid' en Israel y la Palestina ocupada", y pide que los artistas se nieguen a actuar en Israel o aceptar premios o financiamiento de cualquier institución vinculada al Gobierno israelí hasta que Tel Aviv cumpla con el derecho internacional y los principios universales de los derechos humanos.

Waters ya reveló el pasado mes de marzo en una entrevista exclusiva con dicho sitio web que estaba redactando una carta para llamar al boicot. Sin embargo, no se ha publicado hasta esta semana. En diciembre de 2012, Stevie Wonder canceló un concierto que tenía programado ofrecer en la cena de gala de las Fuerzas Armadas israelíes tras recibir una carta de Waters. Además, recientemente la estrella de Pink Floyd pidió a la cantante Alicia Keys anular su actuación del 


Foto de Don Julio.