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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
sábado, agosto 16, 2014
MAIS DO QUE EDUARDO, MENOS QUE EM 2010

LEONARDO ATTUCH
Candidata, Marinadificilmente será vitoriosa, mas deve confirmar Aécio no segundo turno
A morte trágica e precoce de EduardoCampos reabriu a temporada de especulações e apostas sobre asucessão presidencial. Uma delas, a de que Aécio Neves será atropelado pela provável candidata Marina Silva, deixando o PSDB de fora do segundo turno. Outra, a de que até a presidenta Dilma correria o risco de não participar da etapa decisiva da disputa.
A essa altura, enquanto ainda se chora a morte do líder do PSB, e não se sabe nem se Marina será mesmo candidata, toda e qualquer previsão pertence aomundo da "chutometria". Mas, aos analistas políticos, não cabe escolha e é inevitável tentar antecipar cenários.
Primeira questão: Marina será ou não candidata pelo PSB? Tudo indica que sim, a menos que ela própria não queira. Mesmo com todas as dificuldades de convivência entre membros da Rede e do PSB, que alternativa resta ao partido que foi comandado por Campos? Se desistir da disputa, transmitirá ao público a imagem de que se deixou cooptar pelo PT – o que seria o caminho para a ruína. Lançando candidato, não há nome de peso disponível na legenda, a não ser Marina. O que havia, Ciro Gomes, se bandeou para o Pros, em protesto contra a candidatura de Eduardo.
A segunda questão é: que força terá a candidatura da ex-senadora? Menor do que se imagina. Apesar de candidata, ela provavelmente será sabotada por alas do PSB mais próximas ao PT ou ao PSDB. Governadores, como Renato Casagrande, do Espírito Santo, e Camilo Capiberibe, do Amapá, preferem Dilma Rousseff. O principal prefeito socialista, Marcio Lacerda, de Belo Horizonte, é aecista.
Isso significa que Marina terá força eleitoral, mas pouca capacidade de articulação política. O mais provável é que tenha mais votos do que Eduardo Campos, que havia estacionado nos 10% nas pesquisas, e menos do que os 19,6 milhões (19,33% dos válidos) obtidos por ela em 2010. Ou seja, algo no meio do caminho, que talvez seja o bastante para garantir a presença de Aécio no segundo turno.
A aposta numa avalanche de votos em Marina, que terá pouquíssimo tempo de televisão, parece precipitada. Apesar da comoção, Campos ainda era desconhecido de 40% dos brasileiros. E tanto PT quanto PSDB têm eleitores cativos. Não será dessa vez que a polarização será quebrada.
*247
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