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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
terça-feira, março 10, 2015
Pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus são presos por tráfico internacional de armas. Assista o vídeo
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Três pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus foram presos em flagrante com sete fuzisque seriam entregues ao tráfico do Rio de Janeiro.
A Polícia Rodoviária Federal apreendeu sete fuzis 5.56 que tinham como destino Niterói(RJ). A apreensão ocorreu na tarde de ontem, em Miranda, na BR 262.
A apreensão ocorreu quando os policiais abordaram um veículo Vectra, de Três Lagos, que estava sendo ocupado por duas pessoas que se identificaram como pastores da Igreja Mundial, sendo o condutor S. B. F. N., 42 anos e o acompanhante F. F. M., 31 anos.
Para a polícia, eles tetaram dizer que tinham ido a Corumbá para fazer uma pregação aos fiéis, porém como estavam nervosos e caíram em contradição, a polícia decidiu realizar uma vistoria nocarro onde encontraram sete fuzis de fabricação norte-americana, marca Bushmaster, Modelo M-15, Calibre 5,56. As armas estavam escondidas em compartimentos de fundo falso nas portas dianteira e traseira e assento traseiro do veículo.
Para facilitar o transporte, as armas estavam desmontadas e envolvidas por material plástico. Aos policiais, o condutor disse que iria encontrar uma pessoa em Campo Grande e que os dois viajariam para Niterói, onde as armas seriam entregues a traficantes da região.
Os policiais se dirigiram para Campo Grande e prenderam F.J.S.F, de 36 anos, próximo a uma residência no bairro Nova Bandeirantes, que também se identificou com sendo pastor da mesma igreja.
Vídeo: Jornal Nacional – Pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus presos levando armas a traficantes
Fonte: Midia Max / Gospel+
O Apóstolo Valdemiro Santiago, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, também já foi preso por porte ilegal de armas, em 2003 foi preso durante uma blitz em Sorocaba. Ele estava levando consigo uma escopeta, duas carabinas e também 400 caixas de munição. Mais armas e munição foram apreendidas em sua casa. Valdemiro alegou que as armas são de caça e estavam sendo levadas para um amigo.
*http://noticias.gospelmais.com.br/pastores-igreja-mundial-do-poder-de-deus-presos-fuzis.html
'Chegou a hora de mexer com os mais ricos', afirma economista
'Chegou a hora de mexer com os mais ricos', afirma economista
Para professor da USP, seria 'muito mais lógico' taxar as grandes fortunas, sem sacrificar a classe média e setores mais pobres. Ao citar o francês Piketty, ele critica a política do ministro Levy
por Vitor Nuzzi, da RBA
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REPRODUÇÃO

Brasil tem 225 mil famílias com patrimônio pessoal superior a US$ 1 milhão, favorecidas por sistema tributário injusto
São Paulo – Taxar as grandes fortunas, discussão do momento no Brasil, é uma recomendação do economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller O Capital no Século XXI, que trata da concentração de renda em vários países. Ao professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), chamou a atenção o conhecimento que Piketty demonstrou ter sobre a realidade brasileira, em visita recente ao país. Por vários motivos, o francês vê como melhor estratégia para os países a taxação de fortunas – "que é exatamente o que não fazemos no Brasil", escreveu Feldmann em artigo no jornal Valor Econômicopublicado há pouco mais de um mês.
Outra ideia que poderia ser aplicada por aqui é de aumentar a taxação das heranças. O chamado Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributo estadual, é de 4%. "Um décimo do valor da alíquota do Reino Unido, onde o imposto sobre herança é um dos tributos mais importantes", observa Feldmann. No Brasil, os governos estaduais arrecadaram R$ 4,5 bilhões com o ITCMD em 2013. Seriam R$ 45 bilhões com uma alíquota de 40%.
Soma-se a isso um possível imposto, também de 4%, cobrado das famílias com patrimônio pessoal superior a US$ 1 milhão, em torno de 225 mil no Brasil, de acordo com relatório do banco Credit Suisse citado pelo professor, poderiam ser arrecadados mais R$ 36 bilhões. O valor se obtém de uma estimativa conservadora de patrimônio médio em torno de US$ 1,5 milhão por família, o que representaria um total de R$ 900 bilhões.
Assim, os dois impostos poderiam totalizar R$ 81 bilhões, no tamanho do "ajuste" visado pelo governo. Seria uma forma mais justa de aumentar a arrecadação, poupando a classe média e os setores mais pobres da sociedade. Em vez da receita de Levy, o economista da USP propõe o modelo Piketty. "O que estou dizendo no artigo é que chegou a hora de mexer com os mais ricos", afirma, em entrevista.
Por que o debate sobre a taxação sobre grandes fortunas não avança?
Não acha que haja tanta dificuldade, desde que o governo resolva levar isso como uma questão prioritária. Levando ao Congresso e pedindo principalmente à bancada do PT, acho que a chance de aprovar seria muito grande. O que precisa é o governo arregaçar as mangas e levar essa discussão adiante.
A discussão tem se limitado a aumentar impostos e cortar gastos. Falta ousadia, criatividade, à equipe econômica?
Este governo, lamentavelmente, está optando por um caminho muito neoliberal e não está colocando as medidas que sempre foram defendidas pelo PT e pela esquerda em geral, no Brasil e no mundo. Isso (imposto sobre fortunas) já aconteceu em outros países. Esse governo está caminhando para uma política de agradar as camadas mais ricas e os donos do capital. O Brasil é o único país que está aumentando taxa de juros. Por que o Joaquim Levy virou ministro da Fazenda? Porque o governo quer agradar o grande capital, que não quer mudanças como essa. A política econômica que está aí é muito ortodoxa, ultrapassada.
Qual seria o possível impacto de uma medida como essa?
Seria muito mais lógico taxar as grandes fortunas. As duas juntas (incluindo uma tributação sobre heranças) davam uma arrecadação a mais de R$ 80 bilhões, que é mais do que o Joaquim Levy está precisando. Essa mudança não criaria um problema sério na economia, não faria com que a classe média sofresse novamente e não mexeria nas políticas sociais. A Dilma montou essa ministério para ter maioria no Congresso. Aparentemente não tem, ou não perderia a votação para a presidência da Câmara. Mas, na minha opinião, não haveria resistência tão grande, desde que fosse claramente colocado aos deputados e senadores.
- CC / FEA-USP

- Paulo Feldmann
A distribuição de renda melhorou nos últimos anos, mas os chamados rentistas continuam ganhando mais que os assalariados. Como isso aconteceu?
O Lula foi muito hábil, muito inteligente, quando criou os programas sociais, principalmente o Bolsa Família. Ele pegou uma parcela que tinha no orçamento federal e criou o Bolsa Família. Não houve um imposto novo sobre os ricos. Foi um processo de distribuição de renda bem atípico, sem ter onerado os mais ricos. Não foi distribuição de renda, o governo usou os seus próprios recursos. O que eu digo no artigo é que chegou a hora de mexer com os mais ricos. Não são muitos, são 225 mil famílias apenas. Acho que não vão ter condições de se opor politicamente a isso. A classe média, que é a que mais se move, vai às ruas, vai ficar contente.
Com economia estagnada e o atual processo de ajustes, existe o risco de os ganhos sociais obtidos recentemente serem anulados?
Com certeza eles serão anulados. Quem está dirigindo a economia hoje não dá importância para isso. Já houve alguns cortes importantes, que sinalizam cortes nos benefícios sociais. A linha que ele (Levy) sempre defendeu não é defender os direitos dos mais pobres, é que o ajuste seja feito e as contas sejam adequadas. A gente não está vendo nenhum sinal de que haja uma preocupação com a questão social. Se houvesse, a primeira coisa que tinha mudado era a política de juros. A gente paga de juros, todo anos, 5% do PIB brasileiro. No ano passado, foram R$ 250 bilhões com juros. É uma política absurda, que nenhum país está usando. É impressionante o poder que os bancos têm.
No início do primeiro governo Dilma, houve uma aparente tentativa de comprar essa briga, iniciando uma política de redução de juros que levou a taxa a 7,25%, no seu menor nível histórico. Mas isso parou, e de lá para cá, ganhamos 5,5 pontos percentuais e a taxa agora está em 12,75%. O que mudou?
Acho que a resposta está no site www.transparencia.gov.br. Lá está quanto foi doado para as campanhas eleitorais. Entre os dez maiores doadores, estão os grandes bancos privados. Não tenho dúvida de que essa é a principal explicação. Sem contar que a rentabilidade dos bancos é uma das mais altas do mundo. O governo trabalha para o bem do setor financeiro. Tudo é feito para beneficiar os bancos. Na época (da queda dos juros), a revista The Economist (espécie de porta-voz do sistema financeiro) fez matérias muito ruins sobre o ministro Mantega.
Ao apresentar a Medida Provisória 669, o ministro Joaquim Levy fez críticas duras sobre a política anterior de desoneração. Foi injusto?
Na minha opinião, a política de desoneração foi um erro. Os setores beneficiados não tiveram nenhum avanço, pelo contrário. Agora, eu acho que o ministro Joaquim Levy deve estar muito seguro da situação dele, confortável, para criticar uma medida do próprio governo Dilma e continuar ministro. Numa situação normal, ele seria demitido. Se você reparar, o governo está totalmente perdido, criticado de maneira impressionante de todos os lados. Acho que isso tem muito a ver com o fato de a Dilma ter engolido essa declaração do Levy.
Já disseram que o imposto sobre grandes fortunas afugentaria patrimônio do nosso país. O senhor acredita nisso, ou é um pouco de terror?
Isso é terror, claro. Mesmo com esse tipo de coisa, o Brasil vai continuar sendo mais interessante para quem tem capital. Sempre vai ter quem queira colocar dinheiro nas Bahamas, Bermudas, ou na Suíça. A Receita Federal é uma das poucas coisas que funcionam no Brasil. Se esse pessoal levar dinheiro para fora, vai ter de declarar. O que estou propondo não é nada exagerado, é aumentar um pouco a alíquota.
O governo não sancionou a correção da tabela de Imposto de Renda acima da inflação. Deveríamos ter mais alíquotas?
Nos Estados Unidos, existe um alíquota de 40% para quem é muito rico. Na França, é 50%. Em países da Escandinávia, mais de 50%. Acho que quem está errado é o Brasil. Poderíamos ter uma alíquota de 35%, de 45%. Com isso, aumentaria muito a arrecadação. O patrimônio das famílias ricas é de R$ 900 bilhões. Um imposto de 4% daria R$ 36 bilhões a mais. Nem estou propondo mudar a alíquota (do IR), que também seria muito apropriado. Há diversas formas de tirar um pouco das classes mais ricas.
O ambiente político que o país vive não é um obstáculo a essa discussão?
O ambiente está tão ruim que começa a se falar de uma aliança entre PT e PSDB. Mas nessa hora é que o governo Dilma deveria lançar bandeiras que sempre defendeu. Vamos pelo menos defender bandeiras justas.
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