Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista
quarta-feira, dezembro 23, 2015
LULA DEFENDE CHICO, QUE FOI ALVO DE AGRESSÃO FASCISTA
"É muito triste ver a que ponto o ódio de classe rebaixa o comportamento de alguns que se consideram superiores, mas não passam de analfabetos políticos. Apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia", disse o ex-presidente Lula, ao comentar a agressão sofrida pelo cantor e compositor Chico Buarque, que foi ofendido ao sair de um jantar com amigos no Rio de Janeiro; "Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido", gritaram os agressores; calmamente, Chico retrucou: "Eu acho que o PSDB é bandido"
22 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 21:28
247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota, na noite desta terça-feira, em solidariedade ao cantor e compositor Chico Buarque, que foi alvo de uma agressão fascista no Rio de Janeiro (leia mais aqui).
Confira, abaixo, a nota de Lula:
Um abraço ao amigo Chico
Chico Buarque é um patrimônio da cultura e do povo brasileiro; nosso maior artista, o mais fino intérprete da alma de nossa gente. É admirado, por tudo o que fez e faz na música e na literatura, e respeitado, como cidadão consciente que jamais se omitiu nas lutas pela democracia e justiça social. Um brasileiro com essa trajetória, e que tem no sangue a herança do professor Sérgio Buarque e de dona Maria Amélia, não merece ser ofendido, muito menos por sua coerência. É muito triste ver a que ponto o ódio de classe rebaixa o comportamento de alguns que se consideram superiores, mas não passam de analfabetos políticos. Apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia. Receba, querido Chico, nossa solidariedade, sempre.
Lula e Marisa
*247
Exclusivo: Chico Buarque responde a ataque e bate boca com anti-petistas no Leblon
Chico Buarque encurralado num bate-boca no LeblonCréditos: Reprodução
Chico Buarque, que circula sempre pelas ruas do Leblon, bairro onde mora, no Rio, foi provocado na noite dessa segunda-feira por conta de seu ativismo político em favor do PT. O músico, que saía de um jantar na rua Dias Ferreira com Cacá Diegues, foi cercado por uma turma de jovens entre 20 e 30 anos, que incluía o filho de Alvaro Garnero, empresário paulista, e o rapper Tulio Dek, ex-namorado de Cleo Pires. E começou um bate boca. “Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido”, escutou Chico, que, ao se defender, disse que a posição do grupo era influenciada por veículos de comunicação e retrucou: “Eu acho que o PSDB é bandido”. A discussão, na porta do restaurante Sushi Leblon, um dos mais concorridos da região, tomou conta da rua. Chico xingou e foi xingado, mas manteve o tom de voz baixo, apesar da alta temperatura. Glamurama tem o registro em vídeo. Play aqui embaixo! (por Julia Moura)