Páginas

Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Embaixadora de Cuba no Brasil fala sobre a IV Cúpula da CELAC

A próxima cúpula de chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) será realizada em Quito, Equador, no período de 27 a 29 de janeiro, quando a presidência do bloco passará a ser exercida pela república Dominicana.

Embaixadora Marielena Ruiz Capote durante a XXII Convenção de Solidariedade a Cuba/2015. Por Conasol

 Por Claudio Machado

O encontro reunirá os chefes de estado e ministros das relações exteriores dos 33 países membros. Os representantes dos países que integram o bloco regional avaliaram temas como a erradicação da pobreza e a redução da desigualdade.

Em entrevista com a embaixadora de Cuba no Brasil, Marilena Ruiz Capote, a diplomata falou sobre a importância da CELAC para a América Latina e para a superação dos históricos problemas sociais que persistem na maioria dos 33 países membros.

Disse a embaixadora que Cuba, como os demais países da América Latina e Caribe se empenham para o fortalecimento da CELAC, importante  mecanismo de diálogo e integração regional, que vem consolidando-se progressivamente desde sua fundação, em 2011.

Ao ser perguntada sobre o papel que Cuba exercerá na IV Cúpula da CELAC, a embaixadora destacou que desde a fundação da  Comunidade de Estados Latinos Americanos e Caribenhos, seu país trabalha para seu fortalecimento, considerando essa  organização como um importante e fundamental mecanismo de diálogo e integração para os países e  os povos dos 33 países membros.

Segundo a embaixadora, as delegações técnicas de todos os países trabalharam intensamente durante todo o ano de 2015, procurando consensos para o desenvolvimento de propostas comuns de linhas de ação. 
Declarou que seu país tem grandes expectativas  em relação à próxima Cúpula, por  que nela serão debatidos os grandes problemas da região, buscando avançar em direção à erradicação da pobreza e para que se  aperfeiçoe cada vez  mais o diálogo político entre os países membros.

Segundo informou a Embaixadora, a delegação cubana será presidida por Miguel Díaz-Canel Bermudez, primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba.

A Embaixadora destacou que neste momento em que a região latino-americana e caribenha enfrenta uma situação complexa, a CELAC é um dos mecanismos capazes de contribuir para supera-la.  

Disse que os problemas enfrentados pela Comunidade, como o desenvolvimento e a erradicação da pobreza, são comuns e que, podemos e devemos buscar soluções conjuntas, tentando alcançar a maior unidade possível dentro da diversidade de nossas realidades e processos. 

Segundo a embaixadora, essa é a posição de Cuba, reafirmada pelo Presidente Raul Castro em dezembro passado, no encerramento da sessão da Assembleia Nacional do Poder Popular. 

Marielena Ruiz Capote destacou que a proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, aprovada na Cúpula de Havana em 2014, baseia-se no respeito à diversidade como a base das relações entre a América Latina, o Caribe e qualquer outro país do mundo.

II Cúpula da CELAC, Cuba/2014. Por Ismael Francisco/CubaDebate
A CELAC, de acordo com a embaixadora, deve também enfatizar  seu papel como representante da América latina e Caribe com outros países e regiões do mundo, como o Fórum CELAC-China, criado em 2014, durante a II Cúpula, realizada em Havana, como também outros mecanismos de cooperação com a Rússia e a Índia.

A titular da Embaixada de Cuba no Brasil acredita, como é prática nas reuniões das Cúpulas da Comunidade, que sejam aprovadas Declarações Especiais sobre problemas diversos que afetam nossa região. 

Especialmente em relação a Cuba, ela tem convicção de que será reafirmado pelos países membros da CELAC a rejeição ao bloqueio dos Estados Unidos a Cuba exigindo sua imediata suspensão.
Espera também que os países membros da CELAC apelem diretamente ao Presidente Obama para que use de seus poderes executivos para flexibilizar a aplicação dos embargos, pois o bloqueio é um obstáculo para todos os planos de desenvolvimento de Cuba.

Marielena Ruiz Capote afirmou ainda que aguarda que seja reafirmada a posição da CELAC sobre a devolução a Cuba de parte de seu território, ocupado ilegalmente pelos Estados Unidos, onde está instalada a base naval de Guantánamo.

Ao abordar a questão da migração, a Embaixadora declarou acreditar que a Cúpula da CELAC manifestará rejeição às políticas seletivas de alguns países de fora da região, que tratam os migrantes de forma diferenciada, de acordo com seu país de origem. A IV Cúpula reafirmará a necessidade de que a migração de e para a região seja regular, segura e ordenada.
Outros temas, como a segurança alimentar, a mudança climática e a luta contra o terrorismo também serão tratados durante a reunião dos países membros. 

A Embaixadora cubana está convicta de que a IV Cúpula da CELAC dará um importante passo adiante, para reforçar a integração e a política regional que visa o desenvolvimento e  a superação das desigualdades sociais dentro cada país e entre os países membros.

Cada país tem como desafio buscar somar os pontos fortes e as capacidades de cada um, solidariamente, aos esforços conjuntos para a promoção do crescimento da América latina e Caribe.