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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, março 17, 2011

REDESCOBERTA:O PENTAGONO VÊ HOJE O BRASIL COMO A MELHOR 'NOIVA' DO MUNDO!

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Barack:feliz que nem pinto ciscando o lixo,ri a-toa da 'bagunça' que deu certo
.
Esta chegando aí o presidente Obama, cheio de juras de amor para dar. 


Também, não é para menos: o Brasil é oásis lindo; esta entre os maiores produtores de alimento com suas  safras batendo recordes sucessivos; não tem inimigos, nem rivais,  em suas fronteiras; não sofre o risco de entrar em guerra a curto, médio e longo prazo; tem um sistema democrático 100% consolidado e, de lambuja, com o advento do pré-sal, em breve figurará como o mais poderoso produtor de petróleo desta parte ocidental do globo terrestre, sem mencionar que, possui um povo feliz que adora imitar o modo de vida norte-americano em tudo (é a síndrome do colonizado imitando os modos do colonizador) e, é possuidor de um mercado interno com a credencial de 200 milhões de almas indisciplinadas e sedentas de consumo... Quer mais o que, dentro do teu quintal cara pálida Barack?
http://blog.czpublicidade.com/wp-content/uploads/2009/03/camisinha_obama.jpg.
Para início de papo, o Pré-sal terá US$ 1 bilhão do Eximbank americano. 

É provável que em seu discurso ao povo brasileiro na Cinelândia, o moreninho declare que, - 'Hellô,Brézil,sou flamenguista de coração, desde criancinha'...
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Confira a  matéria da Folha,abaixo:

O Eximbank dos Estados Unidos deverá anunciar durante a visita do presidente Barack Obama ao Brasil a concessão de até US$ 1 bilhão em financiamentos para projetos ligados à exploração de petróleo na camada pré-sal, 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg70sd2jzDu8MfkGvYmhvYZCiWh5KZvNzHcLBlWTOYSkbkPoyiugW2FUEwdmrSHA_fuJBWz8BmUViDdspPdavhLAId-fMhrJ283_qpcjOeA2RNCO9SgnqrQdUeHHXd8b0p9AuXODuKJyCk/s1600/pre-sal.jpg.
numa confirmação do interesse americano em ter o país como um de seus principais fornecedores de combustível fóssil. No ano passado, o banco firmou com a Petrobras um protocolo que garante linhas de financiamento estimadas em até US$ 2 bilhões.
http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQjhxuoBouXBWeXWeYQT8vvIMH1mzy4yWicop4RPFBas_LGBwyf&t=1
Os dois governos assinarão, ainda, um memorando de entendimento para cooperação em exploração de petróleo, que lança as bases para, no futuro, consolidar a posição brasileira como fornecedor aos EUA. 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZb3o24U2dzW1GKdVSRmpZChWRaF2nL0iwk8OylPT1kb3N0qDjxDg3EGlCupHFoPcACSdZcFdMeiCdqcIff9giYCHfDl2hzexJfnO93NcJAcWyPB_hGIbjaO3wDYSVs98H4_07gEmbwmM/s1600/PRE-SAL+CARTAZ.jpg.
A disposição de fazer do país um grande fornecedor de petróleo aos EUA foi comunicada pela própria presidente Dilma Rousseff a autoridades americanas, como revelou o Valor, no início do mês. 
http://cdn-www.airliners.net/aviation-photos/photos/7/2/6/1577627.jpg
Bio-combustível para a pesada aviação militar
Um outro programa de impacto está previsto entre os anúncios a serem feitos durante a visita de Obama: um acordo para desenvolver biocombustível para aviação, assunto acompanhado com interesse pela Embraer.

Romário convoca Teixeira sobre acusação de corrupção na CBF




Nero faz urubu voar de costas

Saiu na Folha online:


Romário diz que denúncias são ’sérias’ e quer ouvir Teixeira


JOHANNA NUBLAT
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

O deputado Romário (PSB-RJ) disse nesta quarta-feira que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deve ir à Câmara dos Deputados responder às acusações do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que quer uma CPI para investigar a organização da Copa-2014.

Romário disse que vai apresentar, na próxima semana, um requerimento para convidar Teixeira a explicar as “sérias acusações” apresentadas por Garotinho. “Um esclarecimento dele na comissão seria, hoje, bem mais positivo que uma CPI.”

O comparecimento, porém, não afasta de todo a possibilidade da CPI. “Dependendo do que ele responder, a CPI pode não ter nenhum motivo [de ser instalada]. Se a resposta não for convincente, a gente terá mais que nunca a certeza da necessidade dela”, disse o ex-craque da seleção.

Em discurso na Câmara, Garotinho disse que Ricardo Teixeira é o chefe de uma “quadrilha que assalta os cofres públicos”. No requerimento para instalar a CPI, o deputado afirma que devem ser investigadas supostas “denúncias de irregularidades da composição societária do Comitê Organizador Local; no critério de divisão dos lucros da Copa e nos acordos firmados entre a CBF e as redes de tevê e patrocinadores”.

(…)

Clique aqui para ler “Ricardo Teixeira tenta evitar CPI da Copa.”

Navalha
É bom não esquecer  que o deputado Eduardo Cunha faz parte do grupo de parlamentares que examinarão as despesas da Copa do Mundo.

Como se sabe, o deputado Eduardo Cunha foi recentemente dispensado pela presidenta Dilma Roussef de colaborar com a empresa Furnas.

Como se sabe, a efígie do deputado Cunha se faria acompanhar da efígie de Henrique Alves e de Wellington Moreira Franco para se inscrever no panteão da moralidade do PMDB e instalá-lo no gabinete do vice presidente Michel Temer.

Em tempo: e o PiG (*) achava que o Romário não ia trabalhar.

Paulo Henrique Amorim

terça-feira, março 15, 2011

Em homenagem ao mês da mulher, governo concede anistia a perseguidas políticas


Perseguidas politicamente pela ditadura militar são homenageadas em cerimônia no Ministério da Justiça. Foto: Elza Fiúza/Abr
Selo da série especial Dia internacional da Mulher O governo federal concedeu nesta terça-feira (15/3) portaria de anistia a seis mulheres perseguidas politicamente na época da ditadura, em cerimônia realizada no Ministério da Justiça, em Brasília (DF). O ato faz parte das comemorações do Mês da Mulher e foi marcado ainda pela abertura de sessão especial de julgamento dos requerimentos de anistias políticas de outras quatro mulheres que enfrentaram o regime ditatorial.
Sônia Hipólito é uma das beneficiadas pela medida. Militante da União Nacional dos Estudantes (UNE), ela foi presa após participar do congresso da entidade em São Paulo, em 1968, e dividiu cela com a presidenta Dilma. Para ela, o ato marca um momento histórico em que “o estado brasileiro reconhece as barbáries que foram feitas durante a ditadura militar”. Em um discurso marcado pela emoção, Sônia lembrou do tempo em que dividiu o beliche com Dilma Rousseff e frisou que a concessão da anistia é uma vitória das mulheres do país.
“Eu entendo essa homenagem como uma homenagem a todas as mulheres lutadoras e guerreiras deste país, que ao longo da história lutaram pela liberdade em favor dos excluídos. Muitos não estão sendo anistiados hoje porque tombaram na luta (…). É um resgate, é a verdade sendo trazida à tona”, afirmou.
Além de Sônia Hipólito, foram beneficiadas com a portaria de anistia a ex-primeira-dama Maria Tereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, que morreu durante o exílio; Rita Sipahi, ex-dirigente da UNE, que também esteve presa com a presidenta Dilma e atual conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça; Damaris Oliveira Lucena, miliante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR); Denise Crispim, também militante da VPR; e Rose Nogueira, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Já os processos de julgamento da concessão de anistia foram abertos em nome de Margarita Babina Gaudenz, esposa de Carlos Fernandes, militante de esquerda; Iracema Maria dos Santos, presa juntamente com o marido e o irmão, que foi morto, em 1969; Helena Jório de Vasconcelos, preza em dezembro de 1971, grávida e com uma filha de 11 meses; e Linda Tayah de Melo, integrante da ALN, presa por diversas vezes e submetida à tortura, tendo sido condenada a dois anos de prisão pela Justiça Militar.
Anistia -- A Lei da Anistia Política foi promulgada em 1979, no governo do presidente João Baptista Figueiredo, para reverter punições aos cidadãos brasileiros que, entre os anos de 1961 e 1979, foram considerados criminosos políticos pelo regime militar. A lei garantia, entre outros direitos, o retorno dos exilados ao país, o restabelecimento dos direitos políticos e a volta ao serviço de militares e funcionários da administração pública, excluídos de suas funções durante a ditadura.
Em 2002, uma nova lei foi promulgada para ampliar os direitos dos anistiados. Ela vale para pessoas que, no período de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, foram punidas e impedidas de exercerem atividades políticas. Entre outros direitos, a anistia garante o pagamento de indenização.
*Planalto

Charge do Dia

O Cristo que vive entre nós


Mauro Santayana

O papa Bento 16, na biografia de Cristo que acaba de publicar, decretou, de sua cátedra, que Cristo separara a religião da política. Mais do que isso, participa de um dos equívocos de São Paulo – porque até os santos se enganam – o de que, se Cristo não ressuscitou de entre os mortos, “vã é a nossa fé”. Cristo ressuscitou dos mortos, não em sua carne perecível, mas em sua grandeza transcendental. O papa insiste – e nessas insistências a Igreja sempre se perdeu – em que o corpo de Cristo ainda existe, em toda a fragilidade da carne, em algum lugar, ao lado de Deus. Com isso, o Santo Padre separa Cristo da humanidade a que ele pertence, e o situa no espaço da mitologia dos deuses pagãos.


A afirmação mais grave do Papa, de acordo com o resumo de suas idéias, ontem divulgadas, é a de que política e religião são instituições separadas a partir de Cristo. A própria história do Vaticano o desmente. A Igreja Católica – e todas as outras confissões religiosas – sempre estiveram a serviço do poder político, e em sua expressão mais desprezível. Para não ir muito longe na História – ao tempo da associação entranhada entre os reis, os imperadores e o Vaticano, durante a Idade Média -, bastam os exemplos de nosso século. Os documentos existentes demonstram o apoio da Igreja a ditadores como Hitler, considerado, por Pio XII, como “um bom católico”. Mais recentemente ainda, houve a “Santa Aliança”, conforme a denominou o jornalista norte-americano Bob Woodward, entre o antecessor de Ratzinger e o presidente Reagan, dos Estados Unidos, com o propósito definido de acabar com a União Soviética. Por acaso não se trata de uma escolha política do Vaticano a rápida canonização do fundador da Opus Dei, como santo da Igreja, e o esquecimento de grandes papas, como João 23, e de mártires da fé, como o bispo Dom Oscar Romero, de El Salvador?


A religião sempre esteve na origem e na inspiração da política, e, em Cristo, essa identidade comum se torna ainda mais nítida. O campo da razão em que a fé e a política se encontram é o da ética. A ética é uma exigência da fé em Deus e do compromisso com a vida humana. A política, tal como a identificaram os grandes pensadores, é a prática da ética. A ética política significa a busca do bem de todos. Nessa extrema exegese do que seja a ética, como o fundamento da justiça, a boa política é a da esquerda, ou seja, da visão de igualdade de todos os homens.


Em Cristo, a fé é o instrumento da justiça. Quem quiser confirmar esse compromisso político de Cristo, basta ler os Atos dos Apóstolos, e verificar como viviam as primeiras comunidades cristãs, unidas pela absoluta fraternidade entre seus membros, enfim, uma sociedade política perfeita. Ao negar a essencial ligação entre a fé cristã e a ação política, o papa vai além de seu velho anátema contra a Teologia da Libertação, surgida na América Latina, um serviço que ele e Wojtyla prestaram, com empenho, aos norte-americanos. Ele se soma aos que, hoje, ao separar a política da ética da justiça, decretam o fim da esquerda.


Esse discurso – o de que não há mais direita, nem esquerda – vem sendo repetido no Brasil. Esquerda e direita, ainda que a denominação venha da França revolucionária de 1789, sempre existiram. Na Palestina, no tempo de Jesus, a esquerda estava nos pescadores e pecadores que o seguiam, e a direita nos “fariseus hipócritas”, que, no Sinédrio, e a serviço dos romanos, o condenaram à morte.


O papa acredita que a Igreja sobreviverá à crise que está vivendo. Isso é possível se ela renunciar a toda sua história, a partir de Constantino, e retornar ao Cristo que andava no meio do povo, perdoava a adúltera, e chicoteava os mercadores do templo. O Cristo que ressuscitou dos mortos está ao lado dos que vêem a fé como a realização da justiça e da igualdade, aqui e agora.


*beatrice