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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, março 29, 2012

Haddad resume como Serra/Kassab poderiam melhorar a vida dos paulistanos e perderam a oportunidade



Fernando Haddad (PT/SP) concedeu entrevista a Ricardo Kotscho, do R7, e um dos pontos altos foi como resumiu o problema da qualidade de vida do paulistano que cabe à prefeitura de São Paulo fazer e não está fazendo.

Eis a transcrição deste trecho:
"... A vida do paulistano melhorou da porta para dentro de casa. Da porta para fora de casa a vida não melhorou. Da porta para dentro melhorou porque a economia melhorou, a geração de emprego e renda melhorou. Da porta para fora, o poder público municipal não foi capaz de aproveitar esse momento de prosperidade para equilibrar esse jogo. Há um desequilíbrio entre a vida privada, com carro, computador, TV de Plasma... Você sai e não encontra espaço público, segurança, iluminação, educação de qualidade... Essa discrepância é a marca de São Paulo nos dias de hoje. Nós temos de traduzir em investimentos públicos para reequilibrar o jogo...E que as pessoas se sintam convidadas a participar da vida comunitária, fora de casa, nos parques, nas praças,  nos teatros, nos museus, e assim por diante."
Em outro trecho ele diz também como o uso da prefeitura como plataforma de oposição ao governo federal, evitando fazer convênios da prefeitura com projetos federais, prejudicou políticas públicas como habitação, erradicação da pobreza, educação, saúde, que exigem esforços em comum de todas as instâncias de governo (municipal, estadual e federal).
A entrevista completa pode ser assistida aqui ou lida aqui.
*OsamigosdopresdidenteLula

Dilma e os BRICs
calam a elite

Ué, cadê o Cerra ? E o FHC ? Não foi ?
Antes que o PiG (*) diga que o encontro dos BRICs em Nova Delhi foi um fracasso e que a Dilma não brilhou, o ansioso blogueiro visitou a imprensa da Índia e agências internacionais de notícias para saber o que aconteceu.

Por exemplo, descobriu que, de fato, os BRICs deram o primeiro passo para criar um Banco de Desenvolvimento, como contra-peso ao Banco Mundial (controlado desde Bretton Woods pelos Estados Unidos).

“Este novo banco de desenvolvimento tentará converter o poder econômico dos BRICs em influência diplomática coletiva”.

Além do banco de desenvolvimento, o objetivo é aproximar as Bolsas de Valores dos países dos BRICs.

E estimular o comércio nas próprias moedas.

Por exemplo: no encontro, Rússia e Índia anunciaram que, em três anos, passarão a comercializar em suas próprias moedas.

(Como a China é rival das duas, é provável que, breve, a China faça o mesmo, para entrar no jogo – PHA)

Por falar em maior “influência diplomática”:

os BRICs rejeitaram a ação unilateral americana contra o Irã.

A suspensão da compra de petróleo elevou os preços e, segundo os BRICs, isso prejudica a recuperação econômica mundial.

A Rússia queria uma condenação mais forte contra os Estados Unidos, mas os outros países atenuaram a linguagem.

Os BRICs querem uma solução diplomática para Síria.

E lamentaram a lentidão com que o FMI tenta re-erguer a economia mundial.
Navalha
Por mais que os colonistas (*) do PiG (**) lamentem, os BRICs se tornaram uma força política irremediável.
A elite brasileira gostaria que BRICs fosse o acrônimo de Bélgica, Roma, Inglaterra, Califórnia e Suíça.
Já foi tempo, amigo navegante.
O Rei Leopoldo morreu.
Eles é que não sabem.



Em tempo: nem a Urubóloga – que voltou das férias e isso é uma ameaça à paz mundial – conseguiu falar mal da reunião de Nova Delhi. No Bom (?) Dia Brasil, ela, porém, disse que o Brasil não tem “competência” para exportar para a Índia. Ela não se contém …


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
*PHA

Petrobras promove tolices privadas

Vejam só, a Petrobras promove/patrocina festas privadas e descarrega na rubrica de Responsabilidade Social e Ambiental. O convite acima se refere a uma festa de aniversário de um ator e diretor da TV Globo, chamado Jorge Fernando, certamente alguém que nutre uma folha de serviços prestados às comunidades desassistidas do Rio de Janeiro, alguém com irretocável vocação voltada para a benemerência, à assistência social (e ambiental), e ao serviço anônimo e caritativo para a população carente do estado do Rio de Janeiro. Quase uma Madre de Calcutá do pedaço.
*comtextolivre

DOIS GÊNIOS DA FILOSOFIA POLÍTICA


(JB) - A morte de Millor Fernandes e de Chico Anísio é mais do que a perda de dois grandes humoristas. Chico e Millor, cada um em seu espaço, foram importantes filósofos políticos, distanciados dos grilhões acadêmicos, e argutos observadores da realidade brasileira.
Millor não dispunha dos atributos do ator de Maranguape, capaz de usar duzentas máscaras diferentes, para expor os sentimentos e o ridículo da condição humana. Nele havia a profundidade de reflexão, ancorada em uma erudição tanto mais ampla quanto menos pomposa. Ambos fustigaram a mediocridade e fizeram o povo pensar.
E me permitam defender uma categoria de pessoas a que também pertenço: aquelas que encontraram o seu caminho fora das escolas formais. Millor e Chico foram dispensados da moldagem do ensino tradicional, mas compensaram essa aparente dificuldade na formação dialética – e ética - do trabalho. Millor um pouco antes, no início da adolescência, ao entrar para a equipe de O Cruzeiro, e Chico, poucos anos depois, ao se tornar locutor de uma emissora de rádio.
Sendo um homem do espetáculo, e vivendo tantos e tão diferentes personagens, Chico Anísio teve a vida exposta, como um eterno caçador de experiências amorosas e pai incansável. Uma psicanálise de botequim poderia explicar a sua afetuosidade insaciável, que o fez marido de tantas e tão belas mulheres, como resultado do mundo de ficção em que vivia. Os atores sempre adicionam à alma, ainda que não desejem, parcelas de seus personagens, como transplantes da emoção dos autores. Millor não era ator, mas, sim, um excepcional pensador. Essa foi a essencial diferença entre os dois.
Ambos foram ácidos críticos da sociedade e aplicados defensores da verdadeira razão política. Chico exercia a sua cáustica vigilância no aparente desprezo pelas personalidades públicas. Ninguém soube caricaturar com tanta acuidade o parlamentar corrupto, do que ele, ao encarnar o deputado Justo Veríssimo. Já na fase final do regime militar, os telefonemas de Salomé, de Passo Fundo, ao Presidente João Batista Figueiredo, serviram, ao mesmo tempo, de crítica ao governo e de estímulo ao movimento de redemocratização em marcha. Millor ia muito mais fundo. Sua crítica não se limitava à política em senso estrito, aos governos e às instituições do Estado, mas atingia, em seu âmago, a sociedade contemporânea, com seus desavisos e submissão ao efêmero. Para isso, ele sempre se abasteceu dos clássicos gregos aos autores contemporâneos, passando, naturalmente, por Shakespeare, Goethe, Schiller, Molière, Racine e tantos outros. Ele era capaz de ir adiante das reflexões desses grandes autores, ao trabalhá-las em sua fulgurante inteligência. Ele usava a erudição para resumir a sua visão do mundo em frases curtas, certeiras, surpreendentes, definitivas.
Não conheci pessoalmente Chico Anísio. Meu universo era outro. Não morando no Rio, fui privado de convívio maior com Millor. Fazíamos parte, como tantos outros de nossos contemporâneos, do Círculo de Conceição de Mato Dentro que se reunia eventualmente no apartamento de José Aparecido, em Copacabana. Ambos fomos agraciados com o título de cidadãos de Conceição o que, para os que não conheceram Aparecido, nem a cidade na Serra do Espinhaço, pode não ter qualquer importância. A cidade de Aparecido, tão forte na história e no caráter de Minas, hoje, mais do que a Itabira de Drummond, não passa de uma foto esmaecida: mineradores estrangeiros a conspurcaram, ao dilacerar as serras que a cercam e esvaziar a cidade de sua identidade e de seu caráter ancestral.
Entre as minhas memórias de Millor, há a de um encontro na terra de Aparecido, em que ele, Gerardo de Mello Mourão, Newton Rodrigues e eu mesmo – não me lembro se houve outros colaboradores – redigimos longo poema sobre o aniversário de José, naquele mesmo dia, e que se iniciava com a evocação da morte de Giordano Bruno na fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Os versos de Millor foram os mais fortes, mais limpos e mais significativos, naquele “abc” em louvor do aniversariante.
As sucessivas gerações de homens brilhantes, que atravessaram o século 19 e fizeram a primeira metade do século 20, de Machado e Bilac, de Lima Barreto, de Belmonte e de J. Carlos; de Graciliano, José Lins, de Getúlio Vargas e de tantos homens de gênio foi sucedida por personalidades fortes da segunda metade do século passado, algumas das quais cruzaram o milênio. Chico e Millor, gênios vindos do povo, em sua forma de ver o mundo e nele se integrar, foram figuras emblemáticas dessa geração singular na história do país.
Uma frase de Millor, inscrita na escultura que adorna a porta do apartamento de José Aparecido no Rio, pode resumir a sua atitude diante da vida: Se alguém achar o vento a favor contrário, entra com o que tem.
*GilsonSampaio

Deleite Yeha Noha

quarta-feira, março 28, 2012

A Privataria Tucana: Veja como o PSDB paga o silêncio da Globo


*Tudoemcima

Luiz Cláudio escracha
os militares de pijama






SUL 21 -     Luiz Cláudio Cunha

Rio e Porto Alegre: as duas caras da ditadura


Neste fim de semana, o Brasil verá as duas caras da maior tragédia política do país: a mais longa ditadura de sua história.


Na quinta-feira (29), no Rio de Janeiro, a face da mentira, a cargo dos nostálgicos do regime de força, vai se mostrar na sede do Clube Militar, na avenida Rio Branco, no centro da cidade, para festejar o 48° aniversário do que chamam de “Revolução Democrática e Redentora de 31 de Março de 1964”, a chamada ‘contrarrevolução’ que evitou a ‘comunização’ do país.


A partir de sexta-feira (30), em Porto Alegre, a face da verdade, escancarada por entidades e militantes de direitos humanos, será exibida pelos que vão recordar a cara mais perversa do golpe de 1964, o movimento civil-militar que derrubou o presidente João Goulart e mergulhou o país numa treva de 21 anos marcada por violência, prisões, tortura, desaparecimentos forçados, cassações de mandatos políticos, exílio, censura e medo.


O 5° Encontro Latinoamericano Memória, Verdade e Justiça, promovido pela Assembleia Legislativa gaúcha e pelo Movimento de Direitos Humanos e Justiça, vai discutir as consequências da condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, as obrigações ainda não cumpridas para adequar a lei brasileira à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a imprescritibilidade dos crimes de lesa-humanidade, como tortura e desaparecimento, e o alcance da Comissão da Verdade, criada mas ainda não instalada no Brasil.


O advento da Comissão da Verdade é o pano de fundo da inquietação militar, principalmente de setores militares mais antigos, já na reserva e com suas digitais nos crimes mais violentos da época da ditadura. Parlamentares, juristas, jornalistas e entidades de direitos humanos do Cone Sul e da Europa vão participar do encontro de Porto Alegre, que termina no domingo, 1° de abril, dia universal da mentira, com uma visita à desativada Ilha do Presídio, no meio do rio Guaíba, antigo centro de torturas e tormentos para dissidentes políticos presos pelo DOPS.


O Encontro Latinoamericano Memória, Verdade e Justiça em março em Porto Alegre é a sequência de reuniões semelhantes ocorridas em outros países do Cone Sul, sempre na data de seus respectivos golpes de Estado. O primeiro aconteceu em Buenos Aires (golpe de 24 de março de 1976), seguido pelos de Montevidéu (golpe em 27 de junho de 1973) e de Santiago do Chile (golpe em 11 de setembro de 1973).


A primeira mesa de Porto Alegre, na sexta-feira, fará um paralelo entre os casos da guerrilha do Araguaia e do desaparecimento do casal uruguaio Gelman, sequestrado em Buenos Aires em 1976 por comandos da ditadura de Montevidéu. Nora do mais famoso poeta vivo argentino Juan Gelman, Maria Cláudia Garcia Gelman foi presa grávida, deu à luz na prisão, foi torturada, morta e desaparecida. O bebê, Macarena, foi criado por um casal de policiais da repressão uruguaia e só veio a ser identificada em 2000, aos 24 anos. Macarena Gelman fará parte da mesa de debates na Assembléia gaúcha, nesta sexta-feira.


A neta e o avô entraram com um processo contra o Uruguai, na Corte de Direitos Humanos da OEA, que condenou o país pelo sequestro. O Brasil foi condenado também na OEA por não cumprir a determinação de investigar a repressão no Araguaia e a punição aos responsáveis por sequestros, torturas e desaparecimentos.


Ao contrário do Uruguai, o Brasil rejeita a condenação e recusa o cumprimento das decisões legais da Corte Interamericana, usando o argumento da controversa Lei da Anistia de 1979, concedida pelo próprio regime militar para beneficiar os agentes de seu aparato repressivo, e a conivente chancela do Supremo Tribunal Federal, que revalidou a auto-anistia da ditadura em 2010.


Na quarta-feira (21) da semana passada, o presidente uruguaio José Mujica reconheceu formalmente a responsabilidade do Estado e pediu desculpas públicas à família, numa solenidade em que inaugurou uma placa na sede do antigo Serviço de Informação de Defesa (SID), responsável pelos crimes da ditadura, que vigorou entre 1973 e 1985.


Mal comparando, é como se a presidente Dilma Rousseff, como Mujica também uma ex-guerrilheira e vítima de torturas no regime militar, inaugurasse uma placa parecida na sede do DOI-CODI da rua Tutoia, em São Paulo, o maior centro da repressão militar do país nos anos de chumbo do Governo Médici.


É possível imaginar, assim, a pequenez institucional do gigantesco Brasil diante da grandeza política do pequeno Uruguai.


A simples ameaça de uma Comissão da Verdade no Brasil, o último país no mundo a adotar a medida, provocou tensão na área militar. Os clubes militares das três armas publicaram um manifesto em seus sites, antes do Carnaval, e os ataques à futura comissão viraram cinza na quarta-feira em que as cuícas silenciaram, diante da dura voz de comando da presidente Dilma.


Inconformados, militares da reserva se reaglutinaram em torno de um novo manifesto, ainda mais ameaçador, atacando a autoridade da presidente e de seu ministro da Defesa, Celso Amorim. A ultima contagem dos rebelados informava uma lista de adesões com 126 oficiais-generais da reserva (entre generais, almirantes e brigadeiros), 786 coronéis e 202 tenentes-coronéis.


A reação empolgada da direita militar, saudosista do golpe, provocou uma reação contrária nas ruas. Na mesma quinta-feira em que o Clube Militar realizará sua acintosa reunião festiva, contrariando ordem expressa da presidente Dilma Rousseff, um ato de apoio à Comissão da Verdade será realizado na tradicional Cinelândia, no centro do Rio, bem próximo ao clube dos nostálgicos de 1964.


Os manifestantes, bem humorados, prometem comparecer vestidos de pijama, como os militares da reserva que tentam, agora, voltar à linha de frente da cena política defendendo o regime de força que sustentaram por duas décadas. Na terça-feira, em várias capitais, grupos de estudantes fizeram manifestações pontuais indicando o local de endereço de vários militares e policiais, apontados como torturadores do regime e até hoje impunes.


A exacerbação do debate em torno de quem defende ou critica a Comissão da Verdade pode ser um elemento positivo para tirar a questão dos gabinetes ainda tímidos do poder e ganhar o calor das ruas e da mobilização popular. É a única maneira de tratar, com o devido respeito, uma questão que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal ainda temem colocar em pauta.


O encontro latinoamericano de Porto Alegre mostra que esta não é uma questão exclusivamente doméstica do Brasil, mas uma demanda internacional para quem reverencia a justiça, a memória e a história.


A verdade, ao contrário da mentira, não se fantasia com pijamas.

*PHA

Resenha de “A Privataria Tucana” causa demissões

 

Sanguessugado do Escrivinhador
Juliana Sada
O jornalista Elio Gaspari denunciou hoje a demissão de jornalistas por conta de uma resenha do livro “A Privataria Tucana”. As cabeças teriam sido pedidas diretamente por Sérgio Guerra, presidente do PSDB.
Amaury Ribeiro Jr., autor o livro, se pronunciou e criticou a atitude: “Pedir a cabeça de jornalista é um golpe contra a liberdade de imprensa”.
Reproduzimos a seguir a coluna de Elio Gaspari e o comentário de Amaury. (Juliana Sada)
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Patrulha e censura
Por Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo
Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso:
Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos:
1) A resenha foi expurgada.
2) O autor do texto foi dispensado.
3) Semanas depois o editor da revista foi demitido.
Isso aconteceu na revista “História”, o livro resenhado foi “A Privataria Tucana”, a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo.
Em nove anos de poder, não há registro de que o comissariado petista com suas teorias de intervenção na imprensa tenha conseguido desempenho semelhante.
A revista é editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, que pouco tem a ver com a administração da veneranda instituição. No episódio, sua suposta amizade ofendeu a ideia de pluralidade essencial às bibliotecas.
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Demitidos por resenhar A Privataria Tucana
Jornalista e editor foram demitidos por escrever e publicar sobre o livro A Privataria Tucana no site da revista História, você concorda com isso? O autor da Privataria, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. não concorda e coloca a boca no trombone.
“Isso mostra a verdadeira faceta de um partido que se diz democrático, é um absurdo essas atitudes vergonhosas e ultrapassadas. Porque eles não respondem as denúncias do livro? Falaram que me processariam, mas até agora nada disso aconteceu, como diz um velho jurista, ‘Contra fatos não há argumentos’. Pedir a cabeça de jornalista é um golpe contra a liberdade de imprensa, mas infelizmente isso está se tornando uma rotina no país, principalmente quando se produz matérias contra os tucanos, aí você inclui os mais bicudos”, desabafa Amaury.
*GilsonSampaio

Chebola: Quem quiser ler o livro em PDF é só me pedir envio por e.mail.

SEMINÁRIO “REGULAÇÃO DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA” EM BRASÍLIA, REUNIU EMISSORAS PÚBLICAS E ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL EM DEFESA DO MARCO REGULATÓRIO DAS COMUNICAÇÕES

A deputada Luiza Erundina, presidente da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) defende as propostas de regulação e manutenção do caráter público da TV brasileira

Organizado pela Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados e pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom), o seminário “Regulação da Comunicação Pública”, discutiu durante três dias em Brasília a necessidade de fortalecer o campo público da comunicação no país, e a importância de um novo Marco Regulatório das Comunicações, elaborando propostas para esta nova legislação.

Entre estas está a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação. O manifesto assinado durante o seminário exige “independência das emissoras frente aos governos, com a criação de espaços de participação da sociedade civil em sua gestão a partir da eleição de seus membros de forma pública e democrática, além de uma série de medidas que estruturem estes veículos”, diz notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior.

O campo público, neste sentido, ocupou o centro dos debates no seminário ao lado da cobrança por mudanças inadiáveis no Código Brasileiro de Telecomunicações que já tem 50 anos. Dentre outras coisas, o seminário pode aglutinar o até então fragmentado campo público por meio da participação de diversas televisões que não estão no circuito comercial, em sua maioria públicas, educativas e culturais.

Por falar em televisão pública, o seminário também aprovou algumas moções, entre elas, a defesa do caráter público da TV e das rádios Cultura, que passam “por um processo de desmonte e privatização” promovido pelo governo do estado de São Paulo.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Campo público da comunicação pressiona por marco regulatório
Composto basicamente por veículos fora do espectro das mídias comercial e alternativa, o campo público da comunicação brasileira se reuniu em seminário em Brasília e apontou para um novo patamar de organização do setor. Entre os desafios traçados estão a organização de um fórum e a mobilização por um marco regulatório das comunicações.
Por Vinicius Mansur
Brasília – O manifesto “Por uma regulação democrática para a comunicação pública” foi o produto final do seminário que reuniu, na Câmara dos Deputados, emissoras públicas, educativas, culturais, legislativas, universitárias e comunitárias, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e autoridades públicas.
O documento sintetiza as discussões realizadas durante três dias, e encerradas nesta sexta-feira (23), no seminário “Regulação da Comunicação Pública”, organizado pela Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados e pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom).
O manifesto aponta princípios e desafios a serem encarados para fortalecer o campo público da comunicação no país, ressalta a importância de um novo Marco Regulatório das Comunicações e expõe propostas para esta nova legislação.
Entre as propostas, destaca-se a regulamentação do artigo 223 da Constituição Federal, que versa sobre a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação. O manifesto exige independência das emissoras frente aos governos, com a criação de espaços de participação da sociedade civil em sua gestão a partir da eleição de seus membros de forma pública e democrática, além de uma série de medidas que estruturem estes veículos.
“O público está defasado em relação ao setor privado, pelo próprio modelo de comunicação que se gestou no país desde sua origem. A ação desse campo vai criando condições de concorrer com o privado e vai influenciando Legislativo e Executivo a ver esse setor como estratégico. O campo público numa sociedade verdadeiramente democrática e civilizada tem que ser a prioridade de qualquer governo”, disse a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Frentecom. (Texto completo)
*Educaçãopolítica