Os números de Obama
Até algumas semanas atrás, sobretudo quando considerado o fraco
desempenho da economia europeia, era realçada a contida mas
"prometedora" recuperação dos Estados Unidos e já falava-se dum provável
crescimento de 3 % do Produto Interno Bruto, o PIB.
Nesta perspectiva os novos 180.000 lugares de trabalho eram considerados como um resultado excepcional.
No final do mês passado a musica mudou: o cresicmento diminuiu e os novos trabalhos afinal eram apenas...59.000.
Num discurso transmitido em todo o mundo, o simpático Obama culpou os
problemas da Europa e a fixação da Alemanha, com a política de
austeridade dela, qual "travão" da economia mundial. O que em parte pode
bem ser verdade, pois as medidas pretendidas pela simpática Angela
Merkel são um suicídio; mas o presidente dos Estados Unidos deveria ter a
coragem para ir além disso e falar da desaceleração da economia global
(China, Brasil...) e dos problemas americanos. Que não são poucos.
Em primeiro lugar, uma recuperação de cerca 3% para uma economia como
aquela dos EUA é um resultado medíocre: historicamente, após as crises
os EUA sempre tiveram "saltos em frente" de 5-6%. Além disso, este 3% é o
fruto directo da nova "flexibilização quantitativa" (
quantitaive easing) da Federal Reserve e dos programas de estimulo para as empresas.
Assim, 3% é menos do que "medíocre".
E as últimas estimativas falam dum fical do ano com um resultado de
1,5%. Isso com uma boa dose de optimismo, pois a realidade poderia ser
até pior.
Miserável.
Os novos lugares de trabalho? 180 mil novos empregos, não é?
Nem aqui o resultado poderia ser considerado fabuloso, pois falamos dum
País com uma taxa de desemprego (oficial, note-se) de 8-9% e uma
população de 313 milhões de pessoas, duas vezes o Brasil. Um País onde
por cada trabalho disponível há seis desempregados...
Mas vamos ver um pouco mais de perto estes dados.
Em primeiro lugar, não são absolutamente novos empregos, mas trabalhos
onde eram empregados imigrantes (principalmente chicanos, os Mexicanos),
forçados a voltar para casa, e onde foram colocados cidadãos
americanos.
Demonstração: o PIB nem se mexe, e isso porque não são novos postos de trabalho.
Em segundo lugar, há contractos que tinham expirados em 2012 e que foram
um pouco "esticados", tal como outros contractos de 2012 antecipados (e
que, portanto, não estarão disponíveis no ano próximo). Por isso, falar
de 180.000 (ou mais) novos postos de trabalho não faz muito sentido, se
não na óptica pré-eleitoral.
Mas há mais assuntos que preocupam a Administração, e um em particular: o sistema bancário.
Desde o começo da crise, em 2008, mais de 400 bancos já fecharam as
portas. Muitos, mas ainda poucos quando comparados com a hecatombe que
poderia acontecer.
A crise dos bancos europeus (Espanha, onde estás tu?) ameaça envolver de
forma pesada as instituições bancárias americanas, isso por causa do
emaranhado de créditos e dívidas partilhadas. Como já tivemso modo de
aprender, pensar hoje na economia e na finança como se fossem
compartimentos estanques não faz entido: há uma profunda
interdependência e um espirro em Hong Kong pode ser ouvido em Wall
Street com a força dum trovão.
O sofrimento dum banco europeu (Commerzbank, onde estás?) é indirectamente o mal estar de outros bancos também.
Na Europa os bancos podem contar com a ajuda do Banco Central Europeu,
avarento com os Estados mas bem pródigos com as instituições de crédito.
Todavia trata-se de medidas que podem ganhar tempo mas que não resolvem
os problemas: sem investimentos, a liquidez de hoje será a nova dívida
de amanhã.
O simpático Obama foi bom em apresentar resultados medíocres ou até
penosos como feitos: a política dele conseguiu ré-financiar os títulos
de alto risco que caducavam este ano. Mas, mais uma vez, conseguiu adiar
o problema, não resolve-lo.
Seria necessário, não apenas nos Estados Unidos, criar as condições para
que possam existir investimentos: retirar o dinheiro da finança e
desvia-lo até o mundo da economia real.
Mas para fazer isso seria preciso em primeiro lugar enfrentar as forças financeiras.
E aqui começam os problemas: repensar o papel da finança significa pôr
em causa as bases da orgia de recíprocos interesses que sustenta as
elites políticas também.
Afinal, é desde 2008 que assistimos sempre ao mesmo filme.
A propósito de
remake: ao que parece, nos EUA começaram com os mútuos-habitação com taxa fixa de 3%. Outra vez...
Os números
Mas continuemos com números. São os próximos dados pelos quais Obama
pode não ser o principal responsável (e não é, em muitos casos), mas que
não deixam ser a realidade num País que afirma estar "no bom caminho".
3.59 Dólares: este é
preço médio dum galão de gasolina. Quando Obama entrou na Casa Branca, o mesmo galão custava 1.85 Dólares.
22 %: É difícil de acreditar, mas hoje a taxa de pobreza das crianças que vivem nos Estados Unidos é um gritante
22 por cento .
23: De acordo com a representante no Congresso Betty Sutton, uma média de
23 empresas encerraram definitivamente nos Estados Unidos todos os dias durante 2010.
30
%: Em 2007, cerca de 10 por cento de todos os desempregados americanos
tinha ficado fora do mercado do trabalho durante 52 semanas ou mais.
Hoje em dia, o número
é superior a 30 por cento .
32 %: A quantidade de dinheiro que o governo federal dá directamente aos norte-americanos aumentou
32 por cento desde que Barack Obama chegou à Casa Branca.
35 %: Os preços das habitações nos EUA baixaram
35 por cento desde o pico da bolha imobiliária.
40: A taxa oficial de desemprego dos EUA tem ficado
acima de 8 por cento para 40 meses consecutivos.
42 %: De acordo com uma pesquisa,
42 por cento de todos os trabalhadores norte-americanos estão actualmente a viver de salário em salário.
48 %: Neste momento
48 por cento de todos os americanos ou são considerados "de baixa renda" ou estão a viver na pobreza.
49 %: Hoje, um impressionante
49,1 por cento dos americanos mora em uma casa onde pelo menos uma pessoa recebe ajudas do governo.
53 %: No ano passado, um espantoso
53 por cento de todos os licenciados nas faculdades dos EUA abaixo de 25 ou eram
desempregados ou subempregados .
60 %: De acordo com uma pesquisa do instituto Gallup,
apenas 60 por cento de todos os americanos afirmam terem dinheiro suficiente para viver de forma confortavel.
61%:
Nesta altura, a Federal Reserve está essencialmente a monetizar grande
parte da dívida nacional dos EUA. Por exemplo, a Fed comprou cerca de
61 por cento de toda a dívida pública emitida pelo Tesouro em 2011.
63 %: Uma recente pesquisa descobriu que
63 por cento (ficheiro pdf) dos americanos acreditam que os EUA modelo económico fracassou.
71 %: Hoje, 71 por cento
de todos os proprietários de pequenas empresas acreditam que a economia dos EUA ainda está em uma recessão.
80 %: Em cada ano, os americanos compram
80 por cento de todos os analgésicos vendidos no mundo.
81 %: A dívida relacionada com cartões de crédito entre os americanos na faixa etária de 25-34 anos aumentou
81 por cento desde 1989.
85 %: de todas as árvores de Natal artificiais
são feitas na China (eis um caso no qual os americanos estão em atraso: em Portugal já devem rondar 99.9%).
86 %: De acordo com uma pesquisa,
86 por cento dos americanos que trabalham com uma idade de sessenta anos afirmam continuar a trabalhar além do 65 º aniversário.
93: Os Estados Unidos agora
ocupam o lugar 93 do mundo em desigualdade de renda.
95 %: A classe média continua a diminuir:
95 por cento dos empregos perdidos durante a última recessão eram empregos da classe média.
107: A cada ano, o americano médio tem de trabalhar
107 dias só para ter dinheiro suficiente para pagar os impostos locais, estaduais e federais.
350: O CEO (executivo) média agora consegue um rendimento que é cerca de
350 vezes do que o trabalhador médio.
400: De acordo com Forbes, os 400 americanos mais ricos possuem mais riqueza do que os restantes 150 milhões
combinados .
500: Em algumas áreas de Detroit, no Michigan, é possível comprar uma casa de três quartos
por apenas 500 Dólares .
627: Em 2010, a China produziu
627 milhões de toneladas de aço. Os Estados Unidos só produziram 80 milhões de toneladas.
877: 20.000 trabalhadores se apresentaram por apenas
877 postos de trabalho numa fábrica da Hyundai (que é coreana...) em Montgomery, Alabama.
900 %: As exportações de componentes de automóveis da China para os Estados Unidos aumentaram
em mais de 900 por cento desde o ano de 2000.
1.580: Quando Barack Obama foi eleito, uma onça de ouro valia cerca de 850 Dólares. Hoje a mesma onça custa
mais de 1580 dólares.
1700 %: O endividamento do consumidor nos Estados Unidos aumentou
1700% desde 1971.
2016: As previsões anunciam que a economia chinesa ultrapassará aquela dos EUA
no ano de 2016 .
4.155: O agregado familiar americano médio gastou um espantoso
$ 4.155 em gasolina durante 2011.
4.300: O valor médio do rendimento familiar real diminuiu 4.300 Dólares
desde que Barack Obama chegou à Casa Branca .
6.000: O preço médio de uma casa em Detroit é agora
apenas 6.000 Dólares .
10.000: De acordo com o
Employee Benefit Research Institute,
46 por cento
(ficheiro pdf) de todos os trabalhadores norte-americanos têm menos de
10.000 Dólares guardados para a aposentadoria, e 29 por cento de todos
os trabalhadores norte-americanos têm menos de 1.000 Dólares guardados
para a aposentadoria.
49.000: Em 2011, o déficit comercial com a China foi
49.000 vezes maior do que era em 1985.
50.000: Os Estados Unidos perderam uma média de
50.000 empregos por mês na indústria desde que a China aderiu à Organização Mundial do Comércio em 2001.
56.000: Os Estados Unidos perderam
mais de 56.000 instalações manufactureiras desde 2001.
85.000: De acordo com o
New York Times
, um Jeep Grand Cherokee que custa 27.490 Dólares nos Estados Unidos,
custa cerca de 85.000 Dólares na China graças aos impostos.
175.587: A Administração Obama gastou
175.587 Dólares para descobrir se a cocaína faz com que a codorniz japonesa assuma comportamentos sexuais arriscados.
361.330: Este é o rendimento médio dum
banqueiro em Nova York durante o ano 2010.
440.000:
Se o governo federal começasse neste exacto momento a reembolsar a
dívida nacional a uma taxa de um Dólar por segundo, seriam necessários
mais de 440.000 anos para pagá-la totalmente.
500.000: De acordo com o
Economic Policy Institute, a América está a perder
meio milhão de empregos para a China a cada ano.
2.000.000:
A agricultura familiar
estão a ser sistematicamente eliminada nos Estados Unidos. Segundo o
Departamento de Agricultura dos EUA, o número de fazendas nos Estados
Unidos caiu de cerca de 6,8 milhões em 1935 para apenas
2 milhões hoje.
2.000.000: A dívida nacional dos EUA está a aumentar
em mais de 2 milhões de Dólares a cada minuto.
2.600.000: Em 2010, 2,6 milhões de americanos
caíram na pobreza . Esse foi o
maior aumento desde que o governo começou a manter as estatísticas em 1959.
5.400.000: Quando Barack Obama tomou posse havia 2,7 milhões de desempregados de longo prazo. Hoje são
o dobro .
20.000.000: É este o total de Dólares gastos pelo governo dos EUA para criar uma versão de Rua Sésamo
para as crianças no Paquistão .
25.000.000: Hoje, cerca de
25 milhões de adultos americanos estão a viver com os seus pais.
40.000.000: De acordo com o professor Alan Blinder, da Universidade Princeton,
40 milhões
de empregos nos Estados Unidos podem ser transferidos para o
estrangeiro durante as próximas duas décadas, se as tendências actuais
continuarem.
46.405.204: O número de americanos que actualmente usufruem dos
vales-refeição . Quando Barack Obama entrou na Casa Branca eram 32 milhões.
88.000.000: Hoje existem mais de
88 milhões de americanos em idade activa que não são empregados e que não estão a procura de emprego. Isso é um recorde absoluto.
100.000.000: No geral, existem
mais de 100 milhões de americanos em idade activa que actualmente não têm emprego.
2.000.000.000: Dois biliões de Dólares é a quantidade de
dinheiro que JP Morgan admitiu perder com os produtos financeiros
fracassados. Muitos analistas estão convencidos de que o número real vai
ser
muito mais elevado .
295.500.000.000: O deficit comercial com a China em 2011 foi de
295,5 bilhões de Dólares . Esse foi o maior défice comercial que um País alguma vez teve com um outro País na história do planeta.
359.100.000.000: Durante o primeiro trimestre de 2012, a dívida pública dos EUA aumentou
359,1 bilhões de Dólares. No mesmo período, o PIB dos EUA só aumentou 142,4 biliões de Dólares.
454.000.000.000: Durante o ano fiscal de 2011, o governo dos EUA gastou
mais de 454.000 milhões de Dólares só em juros da dívida nacional.
1.000.000.000.000: O montante total da dívida do empréstimo para estudante nos Estados Unidos ultrapassou recentemente
a marca de um trilião de Dólares .
1.170.000.000.000: A China tem hoje cerca de
1.170.000 milhões de Dólares
de dívida pública americana. No entanto, o governo dos EUA continua a
enviar-lhe milhões de Dólares em ajuda externa a cada ano.
5.000.000.000.000: A dívida nacional dos EUA aumentou
em mais de 5 trilhões de Dólares
desde o dia em que Barack Obama tomou posse. Em pouco mais de 3 anos,
Obama acrescentou mais dívida nacional do que os primeiros 41
presidentes juntos.
15.734.596.578.458,59: Este é o valor da dívida nacional dos EUA
a partir de 7 de Junho de 2012 .
200.000.000.000.000: Hoje, os 9 maiores bancos dos Estados Unidos têm mais de
200 triliões de Dólares de exposição em produtos derivativos. Quando esta bolha ruir,
não haverá dinheiro suficiente no mundo inteiro para paga-la.
Ipse dixit.
*informaçãoincorrecta