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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, julho 26, 2012

1930: revolução?

Com 82 anos hoje, assassinato de líder nordestino iniciou
movimento que serve à discussão sobre modelo do Estado
Dia 26 de julho de 1930. Há 82 anos ocorria a comoção em torno do assassinato do político paraibano João Pessoa que forjou o capítulo decisivo para a chamada “Revolução de 30”.

O episódio modificou a estrutura baseada no monopólio do poder nacional pelos cafeicultores paulistas numa aliança político-eleitoral polarizada entre São Paulo e Minas Gerais, que garantiu o controle do Estado com o compromisso de alternância na presidência.

Foi com a queda dessa polarização que o papel estatal mais forte calcado no populismo de Getulio Vargas adquiriu contornos mais evidentes.  Muitos livros didáticos de história descrevem que a movimentação capitaneada por Vargas derrubou a hegemonia da região sudeste, e que o Brasil, então um país rural e exportador de produtos agrícolas, passou a caminhar em direção a um modelo de desenvolvimento industrial e urbano.

Apesar do inquestionável valor histórico do momento, diversas questões podem ser levantadas. Desde a utilização do termo “revolução” até suas consequências e aprofundamento de transformações sociais. Mesmo que pontualmente, vale ressaltar que a data é tratada com visões diferentes no interior do meio acadêmico

Revolução?

Há debates sobre a consistência da rotulação de “Revolução de 30” dada por historiadores ao golpe militar que alçou Getúlio Vargas à Presidência. É verdade que houve movimentação de tropas, nas ruas, e que fogueiras foram armadas com móveis e cadeiras das redações de jornais governistas em grandes cidades brasileiras. Porém, seria isso suficiente para justificar que o acontecimento seja chamado de revolução? Existiram transformações profundas na sociedade que possam embasar a utilização do termo?

“Houve mudanças estruturais no Brasil a partir de 1930 em questões políticas, econômicas e sociais. As mulheres passaram a exercer o direito constitucional de votar, cria-se a Justiça Eleitoral, muitos direitos trabalhistas, reivindicações históricas dos operários são atendidos e o Estado se torna protagonista na economia. As transformações foram, sim, profundas”, disse ao Nota de Rodapé o professor João Paulo Martins Júnior da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Já a professora de história na pós-graduação da Universidade Paulista (Unip), Carla Longhi, considera que o momento não foi revolucionário pela ausência do aprofundamento das transformações que mudassem a estrutura social da época. “Eram as classes dominantes que se movimentavam, num rearranjo político. Ocorreram reformas, mas não mudanças profundas no sistema social. Creio que movimento de 30 é mais adequado do que revolução”.

De qualquer forma, a reestruturação político-estatal ocorrida no Brasil após 1930, com o período do governo Vargas, foi dividida em três fases – governo provisório, governo constitucional e Estado Novo – e imprimiu um legado que perdura até hoje no que se refere à modernização das estruturas estatais e ampliação das funções do Estado brasileiro, ampliando as funções sobre as áreas econômica, política e social.

A história deixou reflexos importantes, que perduraram na linha do tempo e estão bastante vivos nos dias atuais. Por eles, passam debates referentes ao papel de um Estado forte, capaz de conduzir o país na direção de formatações socioeconômicas que possibilitem a mobilidade da população de uma classe social a outra, como na questão da transferência de renda, e no tamanho da presença estatal no setor econômico, preparando as bases, por exemplo, para as relações comerciais externas, seja em tempos de calmaria seja em tempos de movimentos bruscos, como na crise mundial de 2008 e na que vemos hoje.

Moriti Neto, jornalista, mantém a coluna mensal Escarafunchar 
*Notaderodapé

Vítima de Veja e Folha, Erenice é inocentada

EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL, ELA FOI DERRUBADA POR REPORTAGEM DE VEJA QUE DIZIA QUE FUNCIONÁRIOS DO PLANALTO RECEBIAM PROPINA DENTRO DA CASA CIVIL E POR OUTRA DA FOLHA QUE APONTAVA LOBBY BILIONÁRIO NO BNDES EM FAVOR DE UM ESTRANHO PERSONAGEM CHAMADO RUBNEI QUÍCOLI; ERA TUDO MENTIRA

 

No: Brasil 247
get_imgTida como braço direito e “irmã” da presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi alvo de um tiroteio pesado durante a campanha presidencial de 2010. Contra ela, havia canhões apontados pela revista Veja e pela Folha de S. Paulo.
Da Abril, partiu uma das mais estranhas reportagens da história recente. Chamava-se “Caraca, que dinheiro é esse?” e relatava entregas de pacotes de até R$ 200 mil, dentro da Casa Civil, que era comandada por Erenice Guerra. Tudo a partir de relatos em off. Eurípedes Alcântara, publicou até um editorial chamado “O dever de publicar”, em que afirmava que o papel da imprensa era ter coragem de noticiar – mesmo que pudesse vir a ser acusada de tentar influir em resultados eleitorais. Mais recentemente, soube-se que Veja engavetou uma entrevista com José Roberto Arruda, também no período eleitoral, porque o ex-governador do Distrito Federal acusava o ex-senador Demóstenes Torres de tentar obter vantagens no GDF.
Da Folha, as acusações também foram inacreditáveis. Um sujeito que se apresentava como consultor, chamado Rubnei Quícoli, mas tinha extensa ficha criminal, afirmava que o filho de Erenice lhe cobrava uma propina de 5% para liberar um empréstimo bilionário no BNDES para uma empresa de fundo de quintal.
Para evitar danos maiores à campanha presidencial, Erenice Guerra foi demitida, ainda que as acusações fossem totalmente inconsistentes.
Nesta quarta-feira, no entanto, a mesma Folha que ajudou a derrubá-la noticia que o inquérito foi arquivado pela Justiça Federal. O motivo: falta de provas.
Este caso chegou até a ser abordado pelo ex-presidente Lula, numa crítica recente ao comportamento eleitoral de parte da imprensa. “Erenice foi execrada, acusada de tudo quanto é coisa”, disse ele. “Quando terminou a campanha, o acusador em Campinas retirou a acusação na primeira audiência e a imprensa, que a massacrou, não teve coragem sequer de pedir desculpas à companheira Erenice”.
Na reportagem desta quarta-feira, a Folha reconhece que “o escândalo tirou votos de Dilma e acabou contribuindo para levar a eleição ao segundo turno”.
*OCarcará

Viva o 26 de Julho (Raúl Castro ratifica disposição a dialogar com os EUA como iguais)


Raúl Castro preside ato por Dia da Rebeldia Nacional
Guantánamo, Cuba - 26 de julho 

O presidente Raúl Castro reiterou hoje nesta oriental cidade a disposição de Cuba de estabelecer um diálogo aberto e entre iguais com os Estados Unidos para abordar interesses de ambos países.
"No dia que quiserem a mesa está servida, já lhe foi dito pelos canais diplomáticos atuais, se quiserem discutir discutiremos... mas em igualdade de condições, porque não somos submetidos, nem colônia, nem fantoches de ninguém", afirmou ao intervir no ato central pelo Dia da Rebeldia Nacional.
Na praça da Revolução Mariana Grajales de Guantánamo, localizada a mais de 900 quilômetros ao leste de Havana, o presidente ratificou a vocação pacífica de Cuba e sua vontade de estabelecer amizade com todos, inclusive com os Estados Unidos.
Se querem confrontação, que seja só no esporte, preferivelmente no beisebol (disciplina com grande arraigo popular nos dois países), no mais não, expressou perante milhares de pessoas reunidas para recordar o Assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes no dia 26 de julho de 1953.

Viva o 26 de Julho (Guantânamo sede de ato por Dia da Rebeldia Nacional em Cuba)



Havana, Cuba - 25 de julho

O ato central pelo Dia da Rebeldia Nacional se realizará amanhã na oriental cidade de Guantânamo para lembrar o início da última etapa da Revolução cubana, desencadeando no triunfo em janeiro de 1959.
A cerimônia se iniciará às 07:00 hora local (11:00 GMT) com a participação de milhares de guantanameros, em representação dos habitantes do território e do país, anunciou o jornal Granma.
Durante a jornada se prestará homenagem aos participantes das ações militares de 26 de julho de 1953 contra o governo de Fulgencio Batista (1952-1959), responsável pela morte de uns 20 mil cubanos. Os atos serão transmitidos ao vivo pelo rádio e pela televisão, de acordo com a própria fonte.
A publicação explicou que está sendo preparada a praça da Revolução Mariana Grajales, lugar onde se realizará a concentração pela terceira vez nesse território do extremo leste cubano.
Liderados pelo líder da Revolução cubana, Fidel Castro, pouco mais de uma centena de jovens assaltou os quartéis Carlos Manuel de Gramas e o Moncada, o segundo em importância naquela época, com o propósito de derrotar Batista.
Ainda que há 59 anos significou uma derrota militar para os assaltantes, o fato se converteu, na opinião de Fidel Castro e diferentes historiadores, no motor da luta que deveio vitoriosa depois.
*solidários

Dilma se opõe a intervenção militar na Síria e no Irã

A presidenta Dilma Rousseff declarou nesta quarta-feira (25) em Londres, durante encontro com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que não concorda com uma intervenção militar na Síria e no Irã.
Dilma foi clara em rejeitar qualquer ideia de militarização do conflito sírio e de qualquer intervenção que possa repetir os cenários do Iraque e do Afeganistão.
Isto desapontou o primeiro-ministro britânico, que se encontra em campanha internacional, ao lado dos imperialistas estadunidenses e os sionistas israelenses, para isolar o governo do presidente Bashar Assad e intervir militarmente no país árabe, assim como para aumentar as pressões e chantagens contra o Irã.
Na avaliação dos britânicos, chegou o momento de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução que determine sanções contra Assad.
Porém, a ofensiva dos países imperialistas esbarra na posição da China e da Rússia, que rejeitam qualquer iniciativa nesse sentido. A posição do Brasil dificulta ainda mais a realização dos planos das potências imperialistas.
"A militarização não funciona", disse Antonio Patriota, chanceler brasileiro após o encontro entre Dilma e Cameron.

Malvinas

A presidenta brasileira reiterou perante o primeiro-ninistro britânico a posição do Brasil em defesa da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas que os imperialistas britâncos ocupam pela força e transformaram em base militar na América do Sul.
*Vermelho

A disputa pelos restos da Líbia: “A Líbia é a próxima Somália?”


 

 do redecastorphoto
Thomas C. Mountain, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Thomas C. Mountain
é o jornalista independente mais credenciado da África. Vive e trabalha na Eritreia desde 2006. Suas entrevistas podem ser assistidas no jornal Russia Today TV e PressTV (Irã).
Recebe e-mails em: thomascmountain@yahoo.com .
A Líbia dá sinais de estar-se convertendo na próxima Somália, com grande parte do país já controlado por milícias armadas de clãs ou tribos. Como se viu acontecer na Somália, a Líbia está no processo de dividir-se, criando-se a leste a Cirenaica, rica em petróleo, que já lançou sua proclamação de independência de facto.
Trípoli, a capital da Líbia, parece estar andando na direção de converter-se no que foi Mogadishu, capital da Somália há 20 anos, com incontáveis milícias bem armadas, de áreas das periferias urbanas, que se instalam nas cidades e envolvem-se em infindáveis confrontos por território, disputando os restos de poder.
O único governo nacional real e modernizante que a Líbia jamais conheceu foi o governo de Gaddafi, assim como o único governo modernizante que houve na Somália foi o governo de Siad Barre.
Os dois países foram criados pelo colonialismo italiano e passaram a integrar o Império Colonial Italiano na África. Nenhum dos dois jamais teve qualquer unidade histórica. Antes do colonialismo italiano, a Líbia era algumas cidades-estado e as tribos, a maioria das quais absolutamente nômades.
Antes do colonialismo italiano, jamais existiu nem algum Rei da Somália nem alguma Terra da Somália governada por conselho tribal ou clânico, chefes ou conselhos de grandes chefes.
Nem num país nem no outro jamais se constituiu nação, antes exatamente o contrário. Mesmo assim, durante algum tempo, os dois países viveram bem – por difícil que seja acreditar, no caso da Somália.

A Líbia antes e depois do"Bombardeio Humanitário" da OTAN
(Clique na imagem para aumentar)
Em 2011, a Líbia foi destruída por bombardeio aéreo quase sem precedentes, com mais de 10 mil ataques aéreos, que despejaram sobre os líbios cerca de 40 mil peças explosivas de alto poder de destruição, durante cerca de oito meses. 40 mil bombas, matando cada uma duas pessoas em média, e, só até aí, já seriam 80 mil líbios mortos pela OTAN em 2011. De uma população muito pequena, de cerca de 6 milhões.
A destruição que a OTAN provocou na Líbia equivale a cerca de 100 mil ataques aéreos sobre a Grã-Bretanha, com cerca de 400 mil bombas que matassem 800 mil britânicos em oito meses. Assim, afinal, se pode ter ideal realista da escala da desgraça que a OTAN levou à Líbia.
A Líbia hoje exporta mais de 90% de sua produção de petróleo e gás de antes da guerra, quase 2 milhões de barris/dia, de um dos melhores tipos de petróleo que há no planeta. Para onde vão os quase 200 milhões de dólares diários, 6 bilhões por mês, mais de 70 bilhões de dólares ao final de 2012, permanece mistério quase absoluto.

Abdelhakim Belhadj
O chefão da Al-Qaeda e dos rebeldes líbios que fez o serviço mais sujo depois do bombardeio pela OTAN é o muitas vezes infame Abdelhakim Belhadj, ex-comandante da Al-Queda no Iraque e capo da Al-Queda no Norte da África. Hoje, comanda a maior, a mais militarmente bem organizada e a mais eficiente milícia que opera em Trípoli. Sob seu comando, operam milícias tribais de diferentes tamanhos e competências, entre as quais as milícias de Zintan que mantêm preso Saif al Islam Gaddafi.
Em relações de uma paz difícil com essas milícias, está o Conselho Nacional de Transição, chefiado, pelo menos em parte, por vários dos ex-comandantes de Gaddafi.
Eleições comandadas por um “governo” lá implantado pela OTAN não passam de artifício para encobrir a ilegitimidade do atual regime, cujo único projeto de governo é receber os 70 bilhões anuais da renda do petróleo e os dividendos dos $100 bilhões do fundo soberano líbio depositado em bancos ocidentais.
No campo oposto, contra, ao mesmo tempo, Belhaj e o Conselho Nacional de Transição, está o que se conhece como “Resistência Verde”, que a imprensa-empresa ocidental chama de “militantes pró-Gaddafi”. São grande parte da maior tribo que há na Líbia, os Warfalla, tribo da mãe de Saif al Islam, e dos quais se diz que, aos poucos, começam a organizar forças de autodefesa, para proteger suas comunidades contra ataques de senhores-da-guerra e respectivas milícias.

Saif al Islam Gaddafi
Belhaj esteve preso na Líbia, onde foi torturado por gente que, hoje, circula entre os capi do Conselho Nacional de Transição, entregue a eles como prisioneiro, pela CIA-EUA, num dos programas pelos quais prisioneiros da CIA eram entregues a outros países para serem interrogados. A tortura de Belhaj só acabou quando Saif al Islam Gaddafi convenceu seu pai a perdoar Belhaj e seus chefes, em troca de uma promessa de coexistência pacífica que Belhaj imediatamente traiu.
O que se sabe é que Belhaj tem manifestado alguma espécie de benevolência em relação a Saif al Islam, o que pode explicar por que o filho de Gaddafi continua vivo, mantido a salvo, longe do alcance, ao mesmo tempo, da Corte Internacional de Justiça e do Conselho Nacional de Transição, entregue à proteção de aliados de Belhaj em Zintan.
É altamente provável que Belhaj esteja operando para assumir o controle sobre os bilhões do petróleo, mantendo-os fora do alcance do governo imposto pela OTAN, ao mesmo tempo em que trabalha para vingar-se de seus ex-torturadores, hoje no Conselho Nacional de Transição confinados em Benghazi (quando não estão fora do país). 
Para conseguir o que almeja, Belhaj pode bem se interessar por aceitar um acordo de cessar-fogo com a Resistência Verde, a qual também quer o fim do governo do Conselho Nacional de Transição fantoche da OTAN. Descartado o Conselho Nacional de Transição, poder-se-á talvez cogitar de um acordo de paz entre Belhaj e Saif al Islam, para tentar pôr fim ao fogo e ao sangue que ainda pinga dos sabres, na Líbia.
Mas isso também pode não passar de delírio desejante, e depende de a OTAN não intervir militarmente para defender “seu” Conselho Nacional de Transição – ameaça presente que, por sua vez, pode explicar a paciência de que Belhaj e seus aliados têm dado várias provas.
Quem sabe? A verdade muitas vezes é mais estranha que qualquer ficção. E o que hoje parece delírio desejante pode converter-se em realidade, amanhã ou depois de amanhã. Mas, no que tenha a ver com a Líbia estar caminhando na direção de converter-se numa nova Somália, sim, a história indica precisamente esse rumo.
*GilsonSampaio

Esses argentinos só me envergonham

Via BBC Brasil
Atletas olímpicos argentinos aparecem em campanha para identificar filhos de desaparecidos
Marcia Carmo

Campanha com participação de atletas olímpicos argentinos
Mensagens de TV e rádio foram gravadas pouco antes de embarque para Londres
Atletas argentinos que disputarão os Jogos Olímpicos de Londres participam de uma campanha da entidade de defesa de direitos humanos Avós da Praça de Maio que busca identificar filhos de desaparecidos políticos durante o regime militar no país (1976-1983).
A entidade estima que mais de 500 bebês tiveram a identidade trocada naquele período, após terem sido sequestrados pelos militares. Segundo dados da ONG, 105 pessoas já tiveram sua verdadeira identidade "restituída".
Cinco atletas argentinos gravaram os spots de televisão e as mensagens de rádio pouco antes de embarcar para Londres, segundo disseram à BBC Brasil assessores da entidade com sede em Buenos Aires.
Na mensagem, os atletas falam, de forma didática, sobre o que ocorreu no país: "Queria te contar que houve uma ditadura na Argentina que roubou centenas de bebês. Hoje já são adultos. Mas cerca de 400 pessoas ainda não conhecem suas verdadeiras identidades. Se você conhece alguém que possa ser filho de desaparecido ou se você tem dúvidas sobre sua própria identidade, procure as Avós da Praça de Maio. Estamos te esperando", dizem.
Campanha
A campanha, chamada de "Los Olimpicos com las Abuelas"(Os atletas olímpicos com as avós), começou a ser veiculada esta semana e continuará no ar até o fim do Jogos, em agosto.
Os atletas que gravaram a campanha são o técnico das "Leonas" (como é conhecido o time feminino de hóquei), Carlos Retegui, o lançador de dardo Braian Toledo, o jogador da seleção de vôlei Facundo Conte, a judoca Paula Pareto e o velejador Julio Alsogaray.
Pareto, Conte e Toledo nasceram nas décadas de 80 e de 90, quando a Argentina já vivia em democracia.
Não é a primeira vez que as Avós da Praça de Maio envolvem esportistas em suas campanhas para localizar os filhos de desparecidos políticos.
Em diferentes ocasiões, em partidas decisivas, jogadores de futebol entraram em campo com uma faixa que dizia: "Vos sabes quién sos?" ("Você sabe quem é? Procure as Avós da Praça de Maio").
A entidade possui um banco de dados que permite a identificação biológica de filhos de desaparecidos políticos.
Para as Avós, que são mães de desaparecidos e que também procuram os netos, os sequestros eram planejados e ocorriam, muitas vezes, logo após o nascimentos dos bebês em pleno cativeiro.
*GilsonSampaio

quarta-feira, julho 25, 2012

Deleite - Clara Nunes CANTO DAS TRÊS RAÇAS - CLARA NUNES






Mundo se solidariza com a Revolução Bolivariana

O alerta de Eduardo Galeano: Há plano para jogar no lixo dois séculos de conquista

do Pragmatismo Político
Este é um mundo violento e mentiroso, mas não podemos perder a esperança e o entusiasmo pela mudança”, diz Eduardo Galeano.
eduardo galeano escritor
Eduardo Galeano: Galeano: "O mundo é violento, mas não podemos perder a esperança". Foto: Arquivo
O escritor uruguaio, historiador literato de seu continente, através de obras como “As Veias Abertas da América Latina” e da trilogia “Memória do Fogo”, falou nesta entrevista sobre os últimos acontecimentos na América Latina e a crise econômica mundial.
De sua mesa de sempre no central Café Brasileiro, deixando atrás da janela o frio do inverno austral, insiste que “a grandeza do homem está nas pequenas coisas, que são feitas cotidianamente, dia a dia, por anônimos sem saber que as fazem”.
Ele alterna as respostas com episódios de seu último livro, “Os Filhos dos Dias”, em que agrupa 366 histórias verdadeiras, uma para cada dia do ano, que contêm mais verdade do que falar sobre inidcadores de risco. Confira abaixo a entrevista para a rede BBC
A crise europeia está sendo tratada pelos líderes políticos a partir de um discurso de sacrifício da população.
Eduardo Galeano: É igual ao discurso dos oficiais quando eles mandam os recrutas para morrer, com menos cheiro de pólvora mas não menos violento.
Este é um plano sistemático em nível mundial para jogar no lixo dois séculos de conquistas dos trabalhadores, para que a humanidade retroceda em nome da recuperação nacional. Este é um mundo organizado e especializado no extermínio do próximo.
E então condenam a violência dos pobres, dos mortos de fome; a outra se aplaude, merece condecorações.
A “austeridade” está sendo apresentada como única saída?
Galeano: Para quem? Se os banqueiros que causaram esse desastre foram e continuam sendo os principais ladrões de banco e são recompensados ​​com milhões de euros que lhe são pagos como compensação…
É um mundo muito mentiroso e muito violento. A austeridade é um antigo discurso na América Latina. Assistimos a uma peça de teatro que foi estreada aqui e já a conhecemos.
Sabemos tudo: as fórmulas, as receitas mágicas, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial…
Você considera que o empobrecimento da população é mais violento?
Galeano: Se a luta contra o terrorismo fosse verdadeira e não uma desculpa para outros fins, teríamos que cobrir o mundo com cartazes que dissessem: “procuram-se os seqüestradores de países, os exterminadores de salários, os assassinos de emprego, os traficantes do medo “, que são os mais perigosos, porque te condenam à paralisia.
Este é um mundo que te domestica para que desconfies do próximo, para que seja uma ameaça e nunca uma promessa. É alguém que vai te fazer dano e, para isso, é preciso defender-se. Assim se justifica a indústria militar, nome poético da indústria criminosa. Esse é um exemplo claríssimo de violência.
Passando à política latino-americana, o México continua nas ruas protestando contra os resultados oficiais das eleições…
Galeano: A diferença de votos não foi tão grande e pode ser difícil provar que houve fraude. No entanto, há uma outra fraude mais profunda, mais fina e que é mais nociva à democracia: a que cometem os políticos que prometem tudo ao contrário do que depois fazem no poder. Assim eles estão agindo contra a fé na democracia das novas gerações.
Quanto à destituição de Fernando Lugo no Paraguai, pode-se falar de golpe de estado se ela foi baseada nas leis do país?
Galeano: Está claro que no Paraguai foi suave e amplamente um golpe de Estado. Eles golpearam o governo do padre progressista não pelo que tenha feito, mas pelo que poderia fazer.
Não tinha feito grande coisa, mas, como propunha uma reforma agrária – em um país que tem o grau de concentração de poder da terra mais alto na América Latina e em consequência a desigualdade mais injusta – teve algumas atitudes de dignidade nacional contra algumas empresas internacionais toda-poderosas como a Monsanto e proibiu a entrada de algumas sementes transgênicas…
Foi um golpe de Estado preventivo, apenas no caso de, não pelo que és mas pelo que podes chegar a fazer.
Lhe surpreende que continuem ocorrendo essas situações?
Galeano: O mundo hoje é muito surpreendente. A maioria dos países europeus que pareciam estar vacinados contra golpes de Estado são agora governos governados pelas mãos de tecnocratas designados a dedo por Goldman & Sachs e outras grandes empresas financeiras que não foram votadas por ninguém.
Até mesmo a linguagem reflete isso: os países, que se supõe que são soberanos e independentes, têm que fazer bem seus deveres, como se fossem crianças com tendência à má conduta, e os professores são os tecnocratas que vêm para puxar suas orelhas.
Fonte: BBC
*GilsonSampaio