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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, agosto 27, 2013

Rui Falcão diz que conseguiu assinaturas para plebiscito


Do Brasil 247
Ao lado do PC do B, PDT e PSB, presidente do partido do governo diz ter conseguido o apoio de 171 deputados para protocolar proposta de consulta popular sugerida pela presidente Dilma Rousseff em resposta às manifestações de rua de junho. Partidos aliados acusam o PMDB de tentar sabotar o projeto. Em junho, o líder peemedebista  Eduardo Cunha (PMDB-RJ) criticou os cinco pontos sugeridos pelo Executivo na mensagem entregue ao Congresso: "Isso é reforma eleitoral, não é reforma política"
O presidente do PT, Rui Falcão, anunciou nesta segunda-feira que partidos da base aliada conseguiram assinaturas necessárias para apresentar na Câmara um projeto de decreto legislativo pedindo a realização de um plebiscito sobre reforma política. A ideia foi sugerida pela presidente Dilma Rousseff em resposta às manifestações de rua de junho.
No total, PT, PC do B, PDT e PSB conseguiram 171 assinaturas de deputados para iniciar a tramitação da proposta. O líder do partido na Câmara, José Guimarães (PT-CE), deve protocolar o pedido amanhã na Câmara.
Se passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa, o projeto terá que ser pautado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para entrar na votação no plenário. Para chegar ao Senado, precisa de 257 votos.
Desde o início, o PMDB tem sabotado a proposta da presidente Dilma. Em reunião, deputados do partido decidiram que só aceitam a aprovação do plebiscito se a consulta popular for realizada em 2014, simultaneamente às eleições gerais - e não nos próximos meses, como queria o governo. "Qualquer um que entende o mínimo sobre o tempo e o regimento desta Casa saberia que era inviável o plebiscito valer para as eleições de 2014", disse o líder do segundo maior partido da base, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele ainda criticou os cinco pontos sugeridos pelo Executivo na mensagem entregue ao Congresso: "Isso é reforma eleitoral, não é reforma política".
Os peemedebistas ainda avisaram que pretendem defender a inclusão de outros temas no plebiscito, além dos cinco propostos por Dilma. Entre as sugestões do PMDB estão a adoção do parlamentarismo, o fim da reeleição e a delimitação do tempo de mandato. Ou seja, se depender do PMDB, a consulta deve demorar para ocorrer.
*amoralnato

Paralelos entre Cuba e Brasil.

René Amaral

O Brasil é um país rico, cheio de miseráveis. Cuba é um país pobre onde não existe miséria.

O Brasil é um país onde medicina é meio de enriquecimento material. Cuba é um país onde medicina é instrumento de enriquecimento humano.

O Brasil é um país onde a oposição quer ver o desespero do povo, só pra atingir o governo (ou por puro gosto). Cuba é um país onde a oposição mudou pra Miami!
menos essa vagabunda! Vaza piranha,vaza!*Amoralnato

Festa para os Médicos cubanos que chegaram a Recife video

Um só grito: "olê,olê, olê,olá, Cuba, cuba!"



*bourdokan


Os donos do mundo

Então é assim.
Os Estados Unidos, sob a orientação do democrata Barack Obama, decidem que o "ditador" sírio Bashad Al Assad cruzou a "linha vermelha" que eles haviam riscado naquele país do Oriente Médio, ou seja, que o exército usou armas químicas na guerra travada contra a guerrilha terrorista.

É bom lembrar que uma comissão da ONU está na Síria justamente para investigar o que houve ali de fato na semana passada, quando mais de mil pessoas morreram, aparentemente vítimas de gás tóxico - a grande dúvida é quem fez isso, o governo, que já havia autorizado uma inspeção, ou os terroristas da Al Qaeda, mercenários e grupos islâmicos extremistas de vários países, financiados pela Arábia Saudita e emirados da região, que movem a guerra para depor Al Assad.

Então é assim.
Os Estados Unidos seguem à risca o roteiro traçado em ocasiões anteriores, como no Iraque, por exemplo, no qual estava escrito que o temível Saddam Hussein tinha um estoque formidável de armas de destruição em massa, um estoque tão gigantesco que nunca foi achado depois que o exército americano arrasou o país e grande parte de sua população - crianças incluídas.

Então é assim.
O planeta Terra hoje tem um dono, um xerife, um "protetor" das virtudes da civilização ocidental, essa grande nação americana, a pátria da liberdade, onde os homens vencem por seu méritos e de onde partem os golpes de espada que vão eliminar deste mundo os maus elementos.

Então é assim.
Para que participar de organizações multilaterais como essa caquética e ultrapassada ONU, que não enxerga a necessidade do bom combate, que abriga nações resistentes a obedecer a nova ordem mundial?

Então é assim.
Vamos seguir o exemplo da Europa, a boa e velha Europa, com líderes que enxergam o futuro e sabem, por isso mesmo, que toda a esperança está do outro lado do Atlântico, bem ao seu norte.

Que importa que nos espionem, que invadam a privacidade de nossos cidadãos, que mintam despudoradamente, que persigam todos os seus opositores, que ultrapassem todas as "linhas vermelhas" que a ética, o bom senso, a decência e os tratados internacionais estabelecem?

O que vale mesmo é ser leal a essa notável superpotência, que nos oferece, generosamente, um naco do extraordinário botim que planeja arrebatar, desta vez de uma nação bárbara, inculta, uma cruel ditadura encravada ao lado de nossos grandes amigos israelenses, uma eterna ameaça a eles.

Então é assim.
Vamos resolver logo esse probleminha chamado Síria que este planeta ainda tem muita coisa de valor a nos oferecer. 

*ajusticeiradeesquerda

UPPS são estado de exceção e ameaçam democracia, diz socióloga




ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO
As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) implantadas no Rio de Janeiro são ocupações militares e significam um estado de exceção que ameaça a democracia. A avaliação é da socióloga Maria Helena Moreira Alves que está lançando no Brasil “Vivendo no Fogo Cruzado”, livro que traz um ácido relato sobre o cotidiano de violência policial nas favelas cariocas.
Doutora em ciência política pelo Massachusetts Institute of Tecnology (EUA) e professora aposentada da Universidade Estadual do Rio de janeiro, ela morou durante seis meses em três diferentes favelas entre 2007 e 2008. Ouviu moradores, lideranças, pesquisadores e políticos (como FHC, Lula e Cabral). A obra, escrita em parceria com o professor de história Philip Evanson, defende uma mudança no modelo policial.
“Imagine o Bope chegando num apartamento no Leblon, arrombando a porta e entrando com metralhadora! É inimaginável na Zona Sul, mas acontece todos o dias nas regiões que estão sob as UPPs”, diz Maria Helena, 69, à Folha.
Nesta entrevista, ela afirma estar preocupada com a expansão do modelo de exceção nas cidades da Copa. Fala de milícias, currais eleitorais e corrupção policial: teme que o Rio vire uma Colômbia. E afirma que o caso Amarildo mostra que a violência estava escondida na comunidade, que agora começa a reagir.
Folha – No seu livro a sra. fala do crescimento do número de desaparecidos no Rio. Por que o caso Amarildo galvanizou a opinião pública? Maria Helena Moreira Alves - São cinco mil desaparecidos por ano. O caso Amarildo chama muita atenção porque a Rocinha foi uma espécie de vitrine do governo da pacificação. Colocaram a UPP, a Rocinha virou um ponto turístico. Em lugar estratégico, era o exemplo maior do sucesso da UPP. Mas a violência estava escondida. De repente, uma pessoa que não tem nada a ver é presa, levada pelos policiais da UPP. Amarildo está desaparecido há mais de um mês. Primeiro a polícia disse que família trabalhava com tráfico. Pegou muito mal isso, tentar colocar a culpa na vítima. Estavam ameaçando a família. Denunciar é um ato de extrema coragem para quem está lá dentro. A solidariedade entre todos é que os faz sobreviverem.
O caso Amarildo e os ataques ao AfroReggae colocam em xeque a política de UPPs?
Terminamos o livro quando estavam começando as UPPs. Mas já dava para ver o ia ser. O modelo da UPP não é o modelo da policia comunitária. É uma invasão militar, com cerco da comunidade e permanente ocupação do território. Com todo dia os policiais saindo com metralhadora, andando pelos becos e muito abuso de autoridade. Primeiro fazem a invasão com o Bope, esperando guerra. Em geral morre gente. Recentemente foi na Maré, quando tentaram fazer uma UPP e não conseguiram. Houve uma chacina de dez pessoas. Foi uma convulsão enorme. Eles desistiram de fazer a UPP por causa da reação popular.

A UPP não tem apoio nas comunidades?
As comunidades estão começando a perder o medo um pouco para falar a verdade. No começo, tinham muito medo. Quando estava pesquisando para o livro uma pessoa me disse: silêncio não quer dizer aprovação. Hoje há muita reação e comoção nas comunidades. Estão organizando passeatas, se juntando com o pessoal que foi para a rua, tendo apoio da classe média. [Os policiais] arrombam as casas, metem o pé na porta, forçam as mulheres a cozinhar para eles, as chamam de vagabundas. É permanente isso. As comunidades foram ocupadas por um grupo militar, o Bope, que é treinado para matar.

Onde há UPP existe um estado de exceção?
Existe um estado de exceção declarado. Isso não é interpretação, é fato. Vários direitos civis são suspensos. As pessoas são revistadas, a polícia entra e sai das casas como quer. Se suspeitam de alguém, levam embora, como foi o caso de Amarildo. Não existe direito a advogado, dizem logo que é traficante. A polícia faz coisas que jamais faria em Ipanema, Copacabana e Leblon. Imagine o Bope chegando num apartamento no Leblon, arrombando a porta e entrando com metralhadora! É inimaginável na Zona Sul, mas acontece todos o dias nas regiões que estão sob as UPPs, que estão de baixo de um cerco militar. E é grave que esse modelo esteja sendo considerado para o inteiro: a lei da Fifa vai declarar estado de exceção temporário em todas as cidades onde vai haver jogo. O estado de exceção quer dizer suspensão do direito constitucional. Isso foi o que foi feito na ditadura militar.

Mas as UPPs não trouxeram mais segurança, valorização das casas, mais consumo? Não existe algo bom nelas? A ideia era o projeto do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que é excelente. Estabelecia policiais treinados para conviver com a comunidade, não seria militarizado, não teria arma letal. Sem “caveirão”, sem metralhadora e sem fuzil. Junto existiriam programas sociais, culturais e de esporte, também de treinamento e capacitação para emprego. Ficou só a parte militar, o resto foi sendo cortado. Foi criada esperança, houve apoio, mas mudou. As comunidades estão cada vez mais críticas, participando. Nas passeatas se vê faixas dizendo: “As mesmas pessoas que batem em vocês são as que matam na favela”.
As UPPs vão fracassar?
Parte da classe média e da classe alta apoia, porque a favela fica cercada pelos militares, para não ter crime. Mas isso também é falso, porque homicídio e roubo na Zona Sul aumentaram. A opinião dessas classes está muito dividida. Há os que dizem que quem está contra a UPP está a favor da criminalidade. Nada a ver. Critico a UPP porque é um modelo militar violento, em cima de gente que não pode se defender, que tira os direitos civis e constitucionais das pessoas. Sou a favor de uma polícia comunitária com respeito aos direitos civis de todas as pessoas.

Mas como fazer isso em zonas controladas pelo tráfico?
O controle do tráfico é discutível. Na entrevista que deu para o livro, o secretário José Beltrame diz que o tráfico organizado não está nas favelas. O crime organizado está fora delas. Dentro há o microtráfico. Os chefões não moram na favela. Ser contra a invasão militar não quer dizer ser a favor do tráfico. Se pode lidar com a criminalidade dentro da Constituição. Nova York fez isso. Não se pode lidar com a criminalidade reprimindo a comunidade inteira. Tem que ter inteligência, capacitar a polícia para buscar quem são os chefes, ir atrás da corrupção. A polícia é muito corrupta.

No livro está dito que a maioria dos policiais do Rio é corrupta. Pode ser?
Não tem a menor dúvida. Policiais honestos estão sendo ameaçados e dizem que têm mais medo dos colegas do que do tráfico. Porque podem ser mortos por colegas, se não entram no esquema da corrupção.

A corrupção está piorando ou melhorando na gestão Sérgio Cabral?
Está chegando a um ponto absolutamente crítico. Porque agora tem uma junção de milícia com bandido e com o controle da polícia nas áreas. O comando da venda de gás, do gatonet, das vans está sendo feito agora pelas milícias. São mais de 720 comunidades com milícia. Com as UPPs ficou muito fácil para as milícias se juntarem. Como os policiais não são honestos, eles ficam com o controle, fazem seus arranjos, um dá dinheiro para o outro. Tem um termo aqui que é “arrego, pedir arrego”. Por exemplo, não pode ter baile funk se não pagar as polícias. Quem for contra morre.

As UPPs não afetaram o tráfico?
É difícil saber. Afetou o tráfico pequeno, que está ali presente. O grandão tá fora da favela e continua funcionando igualzinho inclusive pela junção com políticos. É uma rede muito complexa. Está ficando muito parecido com a Colômbia; é esse o meu grande medo. Está afetado tudo. Veja o caso da juíza Patrícia Acioli, que teve a coragem de prender PM. Foi assassinada ao meio dia. Isso acontecia na Colômbia com frequência.

As UPPs não têm o apoio da população em geral?
A classe média e a alta aceitam e gostam [dessas medidas], mas isso pode dar apoio a uma nova ditadura. Quebra a Constituição. Estado de exceção não pode conviver com estado de direito. Ou se tem direito para toda a população, ou se começa a fazer quase como um buraco dentro da areia, onde alguns não têm direitos e são [vistos como] danos colaterais. O estado de direito democrático vai sendo minado e, no fim, não se tem mais democracia.

A democracia está em risco nesse processo?
A democracia brasileira está em alto risco. E tem coisas muito parecidas com 1964. Tem gente apoiando, achando ótimo. É aquela historia: está pegando o meu vizinho, mas não a mim, que não sou comunista nem favelado. Mas vai pegando todo mundo. Agora já estão batendo na classe média em plena Cinelândia. Enquanto era só favelado, o pessoal aplaudia: “Mata no Alemão, bate, faz o que quiser”. Ninguém queria saber. Agora já esta diferente.
Temos que formar uma sociedade baseada em leis para todos. Não dá para ter leis que funcionam para alguns e não para outros. Enquanto tivermos uma situação em que existem direitos para alguns e não para outros, não há Constituição e democracia de verdade.

No livro, a sra. diz que a favela é a senzala do século 21 e que os ricos da Zona Sul podem ser comparados a antigos senhores da casa grande. Mas isso não está mudando?
Meu irmão era o Márcio Moreira Alves (1936-2009). Minha família tinha apoiado o golpe. Quando começaram a aprender os estudantes de classe média alta, mudou. Quando pegaram o meu irmão, minha mãe virou uma das maiores combatentes contra a ditadura. Está acontecendo um pouco isso. Enquanto estavam reprimindo só a população das chamadas “classes torturáveis” para usar uma expressão de Graham Greene citada por Paulo Sérgio Pinheiro no prefácio do meu livro, ninguém falava nada. Por isso fiz a comparação com senzala e casa grande: enquanto é escravo e classe torturável, tudo bem vem trabalhar na minha casa, volta para a tua favela, eu não quero saber o que acontece lá. Quando começam a prender os filhos da classe média e alta a coisa muda. Por isso a popularidade do Cabral despencou. Mas ainda está muito dividido.

No livro a sra. trata dos tentáculos do tráfico e das milícias na política. Como está isso?
Os currais eleitorais são muito graves para a democracia. Já se infiltraram não só na Câmara de Vereadores, mas na Assembleia Legislativa, no Congresso. Eles têm uma política de eleger pessoas e também formar para o judiciário. Está ficando parecido com a Colômbia. Exemplo. Tem milícia vinculada à polícia numa comunidade fechada ocupada militarmente. Vem o programa social que requer o cadastramento das famílias. Na hora da eleição, eles batem armados na porta das pessoas e dizem: o voto é livre e secreto, mas nos gostaríamos que o nosso candidato tivesse tantos votos. Se não tiver tantos votos para milícia naquela zona eleitoral, a família esta perdida. Tem que ir embora do local ou votar como querem. É muito mais eficaz do que como faziam os coronéis.

A sra. também fala dos cemitérios clandestinos. Eles continuam existindo?
Não são tão clandestinos. As comunidades sabem onde ficam e já levaram a Anistia Internacional, a ONU. O problema é que ninguém faz nada sobre isso. São áreas onde não vigora a lei.

Na sua convivência nas favelas, o que foi mais chocante?
Ter descoberto o uso da faca corvo, que foi usada na Operação Condor. Com a faca se abre a barriga, tira as vísceras e o corpo afunda e ninguém nunca mais acha. Nem é mais preciso ter cemitério clandestino. Se joga no mar. É uma explicação para o número de desparecidos. A gente viu [a faca] nos desenhos das crianças, achamos uma e colocamos a foto no livro. Isso é gravíssimo. Estão usando a mesma maneira que Pinochet, a Argentina, o Paraguai, o Brasil usaram para fazer desaparecer os corpos nos piores períodos das ditaduras.

A sra. se sentiu ameaçada?
Eu me sinto ameaçada agora. Pensei em não fazer um lançamento público [que será em 28/8 na OAB/RJ]. Tenho uma proteção que é o fato de eu ser da classe alta. Recebi ameaças quando estava no Chile, telefonemas. Uma vez mataram duas cachorrinhas que a gente tinha e botaram um bilhete dizendo que era para eu saber que podiam chegar na minha casa. Eu estava no meio dessa história desse livro.

O que a impressionou no tempo em que passou nas favelas (ela não identifica os locais por razões de segurança)?
Positivamente, foi a solidariedade forte. É motivo para eles não querem sair das favelas. Estão lutando contra remoções. Lá têm apoio de seus vizinhos em tudo.

No livro, a sra. questiona a tese de que o Rio é uma cidade partida. Por quê?
A percepção que a cidade é partida tem uma parte de verdade: só nas periferias se faz UPP e cerco militar; não se faz na zona sul. Mas ela não é partida no sentido da dependência econômica e social. Se não houvesse gente da favela que vai trabalhar barato, a economia do Rio seria diferente. A lei das domésticas fez a classe média ficar furiosa. Ainda tem muita essa mentalidade no Rio, onde a nossa historia de escravidão é muito mais profunda. Posso falar isso porque meu tataravô, o Visconde de Rio Preto, era dono escravos. Tinha milhares deles em várias fazendas de café. Minha mãe sempre lutou contra a mentalidade escravocrata.

A sra. afirma que a política de segurança pouco mudou apesar dos diferentes governos da redemocratização. Por quê?
Porque a Constituição manteve a PM militarizada. Uma das sugestões da ONU é essa: abolir a PM e ter uma polícia mais consequente, civil. No Brasil não é tão simples fazer isso porque está tudo muito misturado com a corrupção geral. Seria um passo importante, mas não sei se é possível. Teríamos que ter políticos de muita coragem e de muita honestidade. Os governadores estão muito interessados em ter a PM, um exército, sob o controle deles. Isso é uma situação perigosa para um país democrático federativo. A Dilma poderia trazer o Pronasci de volta, que ela abandonou. 

*coletivodar

Fuga de senador boliviano para o Brasil derruba Patriota

Ele será substituído por Luiz Alberto Figueiredo Machado, representante do país na ONU

Atualizado às 20h58
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pediu demissão nesta segunda-feira (26/08), após reunião com a presidente Dilma Rousseff. A saída do ministro acontece após a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina, que estava asilado na embaixada do Brasil há mais de um ano. Para o lugar dele, o Palácio do Planalto anunciou Luiz Alberto Figueiredo Machado, representante do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas).
Leia também:
Artigo Breno Altman: O estranho asilo de Roger Pinto Molina, o "Cachoeira" boliviano
Antonio Cruz/ABr
Antonio Patriota (Relações Exteriores) pediu demissão nesta segunda-feira (26/08)
A saída do ministro aconteceu após uma reunião com a presidente na tarde desta segunda-feira. Em nota oficial, a presidente Dilma agradeceu "a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a Missão do Brasil na ONU". 
Pinto Molina conseguiu sair da Bolívia com a ajuda do encarregado de negócios da embaixada brasileira naquele país, Eduardo Saboia. Acusado de 20 crimes, Pinto Molina estava na embaixada brasileira em La Paz com o status de asilado desde o dia 28 de maio de 2012. Ele entrou dizendo ser um “perseguido” político do governo de Evo Morales, que, por sua vez, negou a alegação.
Até este final de semana, ele não tinha conseguido deixar a embaixada pela falta de um salvo-conduto, que as autoridades lhe negaram, sustentando que deve responder a essas acusações de corrupção. No sábado, ele chegou ao Brasil escoltado por militares brasileiros, por ordens do encarregado de negócios.

Crise
A fuga do senador abriu uma crise diplomática entre Brasil e Bolívia. Ainda nesta segunda-feira, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que Molina não poderia ter deixado o país “por nenhum motivo” sem um salvo-conduto, que não foi concedido pelo governo. As autoridades da Bolívia enviaram uma nota diplomática à embaixada do Brasil, expressando “profunda preocupação” com o caso.
"Na nota diplomática nós expressamos nossa profunda preocupação com a transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional. Por nenhum motivo o senhor Pinto poderia deixar o país sem o salvo-conduto", disse Choquehuanca. Segundo ele, é necessário ter uma explicação oficial do Brasil sobre o tema porque "foram violadas normas nacionais e internacionais”.

Novo ministro
Figueiredo Machado, que assume o cargo em substituição a Patriota, é diplomata de carreira e já serviu como subsecretário-geral do Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Itamaraty em 2011. Atualmente, estava em sua segunda passagem pela ONU -a primeira foi entre os anos de 1986 e 1989.
Marcello Casal Jr./Ag. Brasil

O novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado
Machado foi, também, o negociador-chefe da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no ano passado.
O novo ministro também já trabalhou em Santago, Washington, Ottawa e Paris, onde representou o Brasil na Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).O novo ministro é formado em direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

*operamundi

Rússia ultrapassa EUA em número de caças exportados

Rússia

A Rússia torna-se o líder mundial em relação ao número de exportação de novos caças multifunção e tem uma boa chance de manter sua liderança no futuro.

Nos anos 2009-2016, o número de caças russos exportados e planejados para a exportação constitui 384, no valor de cerca de $17.8 bilhões (incluindo fornecimento de novos caças e programas licenciados). Quanto aos parâmetros de custo, a Rússia ocupa o segundo lugar, cedido pelos Estados Unidos.
Nos anos 2009-2016, os EUA ocupam o segundo lugar, no parâmetro quantitativo (329 caças no valor de $31,1 bilhões), a China – o terceiro (187 caças por $ 3,7 bilhões).
*http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_08_27/russia-ultrapassa-eua-em-numero-de-cacas-exportadas-2713/

O médico cubano negro e a intolerância da nossa elite branca



A foto que está circulando hoje pela internet de um médico negro de Cuba sendo vaiado por jovens brancas de jaleco branco em Fortaleza é ilustrativa do significado da insana luta a que se dispuseram muitos de nossos doutores. Eles não estão lutando pela saúde da população, mas pelos seus interesses mais mesquinhos. E por isso não aceitam que um negrão cubano, que se brasileiro fosse serviria pra catar suas latas de lixo num caminhão de coleta ou ainda carregar fardos de carga num armazém, venha para o Brasil ocupar um espaço que, inclusive, ele não deseja.
Boa parte da argumentação dos médicos que têm radicalizado no discurso xenófobo contra os que aceitaram trabalhar nos cantões do Brasil é a de que eles estudaram muito para conseguir passar num vestibular. E que os estrangeiros não. Que eles pagaram caro pelo curso. E que os estrangeiros não. Que eles investiram na carreira para ter retorno futuro. E que com a vinda dos estrangeiros isso está em risco. Este argumento final é o verdadeiro x da questão. Boa parte dos nossos médicos decidiram ser médicos para permanecer num patamar restrito da elite. Mas talvez não se deem conta de que esse corporativismo é a base da morte de milhares de brasileiros pobres e miseráveis.
Eles não são contra apenas os médicos estrangeiros ou de Cuba, mais especificamente. Eles também são contra a criação de novas faculdades de medicina. Os conselhos vivem desqualificando as iniciativas do governo pra criar novos cursos.
Ou seja, a foto que está ilustrando este post é significativa para pensar o país que queremos. Se queremos um Brasil da inclusão, onde seja algo normal ser atendido por médicos negros que não sejam cubanos. Se queremos um Brasil onde estrangeiros sejam recebidos com respeito. Se queremos um Brasil onde saúde seja um direito de todos. Ou se preferimos viver num país de brancos de jalecos brancos que exigem ser chamado de doutores exatamente porque se acham acima daqueles que deveriam tratar com respeito e dignidade.
O interesse de uma corporação não pode estar acima dos interesses de toda a sociedade. E os médicos que estão nas ruas vaiando os seus colegas cubanos nunca estiveram nas ruas lutando por melhorias na área da saúde. Os que estiveram e estão nesta luta por um sistema único de qualidade, por exemplo, não se dignam a participar de um papelão desses.
Essa foto fica pra história, como a daquelas dos navios negreiros. Mas neste caso, pelo seu inverso. Porque negros de Cuba aceitaram vir pra cá contribuir pra melhorar a vida de outros negros e brancos pobres. E foram açoitados pelas vaias de brancos e brancas que se lixam pra vida dessa enorme parcela da população. Porque eles são da Casa Grande. E a Casa Grande sempre se locupletou com a péssima qualidade de vida da senzala.
Assista abaixo ao vídeo, onde um grupo de cerca de 50 médicos vaiaram e xingaram os profissionais cubanos, chamando-os de “escravos“.

*revistaforum

Autoridades sírias declaram que Rússia não as deixará sem ajuda

Agente russo: "John! Eu não o via desde a Guerra Fria."


Síria, Rússia, Israel, guerra

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Muallem, declarou que a Rússia não abandonaria as autoridades sírias sem apoio.



"Posso vos asseverar que a Rússia não renunciou à Síria. Nossas relações continuam em todos os domínios, e nós agradecemos à Rússia seu apoio", disse o ministro.
Muallem declarou também que "na agressão da Síria e na continuação do conflito na terra síria está sobretudo interessado um país – Israel".
Segundo o chanceler, é pela influência de Israel que se explica a decisão dos EUA de adiar as negociações com a Rússia marcadas para a próxima quarta-feira, acerca da solução política da crise na Síria. "Não foi uma decisão estadunidense, mas israelense", frisou Muallem.

La noticia esperada ha llegado: la Marina y el Ejército de Rusia movilizados a favor de Siria

agosto 26, 2013
Según fuentes militares rusas una flota de guerra rusa entre la que está el barco Chabanenko se acerca al puerto sirio de Tartús. La web israelí Debka informa que desde el sábado pasado el ejército ruso está en estado de alerta frente a la eventualidad de un ataque imperialista de los EEUU, Gran Bretaña y Francia contra la gloriosa República árabe siria.

Nos consta que no solamente el pueblo ruso sino de todas las repúblicas que un día estuvieron juntas en la Unión Soviética respaldan masivamente estos decisivos movimientos destinados a dar protección a la gloriosa Patria de Juan El Damasceno, El Attrach, Michel Aflaq y Hafez Al Assad.
Esperamos que barcos ucranianos, iraníes, libaneses y chinos se unan al esfuerzo ruso
Fuente http://french.irib.ir/info/moyen-orient/item/271896-les-navires-de-guerre-russes-appareillent-vers-tartous
*NataliaF.